A-0Qle,o3.^ ISSN 0370-658S Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 62 Número 1 201 1 SciELO/JBRJ: 3 14 15 16 17 18 19 20 cm .. INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Rua lardim Botânico 1008 - lardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - CEP 22460-180 © JBRJ ISSN 0370-6583 Presidência da República Dilma Vana Rousseff - Presidenta Ministério do Meio Ambiente Izabella Mônica Vieira Teixeira - Ministra Francisco Gaetani — Secretário-Executivo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Liszt Vieira - Presidente Corpo Editorial Editora-chefe Karen Lucia Gama De Toni, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ Editores-assistentes André Mantovani, Insütuto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ Cássia Monica Sakuragui, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ Conselho Editorial Ary Teixeira de Oliveira Filho, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG Jorge E.A. Mariath, Universidade Federa! do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS Nicholas Hind, Royal Botanical Gardens, Kew, Inglaterra Renato Goldenberg, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR Rogério Gribel, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ William Wayt Thomas, The New York Botanical Garden, NY, EUA Editores de Área Ana Claudia Araújo, Royal Botanical Gardens, Kew, Inglaterra André Márcio Araújo Amorim, Universidade Estadual de Santa Cruz, BA Dorothy Sue Araújo, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ Emerson Pansarin, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP Lana da Silva Sylvestre, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ Luiz Antônio de Souza, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR Maria das Graças Sajo, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, SP Maria Teresa Menezes de Széchy, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ Natalia Macedo Ivanauskas, Instituto Horestal do Estado de São Paulo, São Paulo, SP Nivaldo Peroni, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC Ricardo de Souza Secco, Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, PA Sandra Cristina Mülier, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS Editoração Carla Molinari Simone Bittencourt Evelyn dos Santos Almeida (bolsista CNCFlora) Capa Simone Bittencourt Edição on-line Carla Molinari Simone Bittencourt Edição eletrônica http://rodriguesia.jbrj.gov.br Apoio: FAPERJ Fumlaçto í ddiMi í hmjn* I ilt.» rtr Amparo A Pnt|uU itu (atada da Ria da Jaoaira QCNPq foO ANOS CNCFÜDRA SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Rua Jardim Botânico 1008 - Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - CEP 22460-180 © JBRJ ISSN 0370-6583 Rodriguésia A revista Rodriguésia é uma publicação trimestral do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a qual foi criada em 1935. A Revista publica artigos científicos originais, de revisão, de opinião e notas cientificas em diversas áreas da Biologia Vegetal (taxonomia, sistemática e evolução, fisiologia, fitoquímica, ultraestrutura, citologia, anatomia, palinologia, desenvolvimento, genética, biologia reprodutiva, ecologia, etnobotânica e filogeografia), bem como em História da Botânica e atividades ligadas a Jardins Botânicos. Ficha catalográfica Rodriguésia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. — Vol.1, n.l (1935) - .- Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas Janàn Botânico do Rb dc Jbreiro, 1 935- v. : il. ; 28 cm. Trimestral Inclui resumos em português e inglês ISSN 0370-6583 1. Botânica I. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro CDD - 580 CDU - 58(0 1 ) Indexação DOAJ Index of Botanical J^ublications (Harvard University Herbaria) Latindex Referativnyi Zhumal Review of Plant Pathology Ulrich’s International Periodicals Directory Esta publicação é afiliada à ABEC-Brasil Edição eletrônica ISSN: 2175-7860 http://rodriguesia.jbrj.gov.br SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. SUMÁRIO/CONTENTS Artigos Originais / Original Papers Florística e distribuição geográfica das samambaias e licófitas da Reserva Ecológica de Gurjaú, Pernambuco, Brasil 001 Florístic and geographical distribution of fems and lycophytes from Ecological Reserve Gurjaú, Pernambuco, Brazil Anna Flora de Novaes Pereira, Iva Carneiro Leão Barros, Augusto César Pessoa Santiago & Ivo Abraão Araújo da Silva Dennstaedtiaceae (Polypodiopsida) no estado de Minas Gerais, Brasil Dennstaedtiaceae iPolypodiopsida) in Minas Gerais, Brasil 011 Francine Costa Assis & Alexandre Salino Adiciones a la ficoflora marina de Venezuela. II. Ceramiaceae, Wrangeliaceae y Callithamniaceae (Rhodophyta) 035 Additions to the marine phycoflora of Venezuela. II. Ceramiaceae, Wrangeliaceae and Callithamniaceae t Rhodophyta I Mayra Garcia, Santiago Gómez y Nelson Gil Fungos conidiais do bioma Caatinga I. Novos registros para o continente americano, Neotrópico, América do Sul e Brasil 043 Conidial fungi from Caatinga biome I. New records for Américas, Neotropics, South America and Brazil Davi Augusto Carneiro de Almeida, Tasciano dos Santos Santa Izabel & Luís Fernando Pascholati Gusmão Solanaceae na Serra Negra, Rio Preto, Minas Gerais Solanaceae in the Serra Negra, Rio Preto, Minas Gerais 055 Eveline Aparecida Feliciano & Fátima Regina Gonçalves Salimena Moraceae das restingas do estado do Rio de Janeiro Moraceae of restingas of the State of Rio de Janeiro 077 Leandro Cardoso Pederneiras, Andréa Ferreira da Costa, Dorothy Sue Dunn de Araújo & Jorge Pedro Pereira Carauta Flora da Usina São losé, Igarassu, Pernambuco: Convolvulaceae Flora of the Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Convolvulaceae 093 Maria Teresa Buril & Marccus Alves Machaerium (Leguminosae, Papilionoideae, Dalbergieae) nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Brasil 1 07 Machaerium ILeguminosae, Papilionoideae, Dalbergieae) from the Mato Grosso and Mato Grosso do Sul States, Brazil Caroline do Amaral Polido & Ângela Lúcia Bagnatori Sartori SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. Species composition and floristic relationships in Southern Goiás forest enclaves Composição e relações florístícas de encraves florestais no sul de Goiás 1 23 Paulo Oswaldo Garcia, Arthur Sérgio Mouço Valente, Daniel Salgado Pifano, José Felipe Salomão Pessoa, Luiz Carlos Busato, Marco Aurélio Leite Fontes & Ary Teixeira Oliveira-Filho Altitudinal distribution and species richness of herbaceous plants in campos rupestres of the Southern Espinhaço Range, Minas Gerais, Brazil 1 39 Distribuição altitudinal e riqueza de espécies de plantas herbáceas em campos rupestres do sul da Cadeia do Espinhaço, Minas Gerais, Brasil Rafael Augusto Xavier Borges, Marco Antônio Alves Carneiro & Pedro Lage Viana Existe utilização efetiva dos recursos vegetais conhecidos em comunidades caiçaras da Ilha do Cardoso, estado de São Paulo, Brasil? 1 53 Is there effective resources utilization among Cardoso Island population {“caiçaras"), São Paulo State, Brazil? Tatiana Mota Miranda, Natalia Hanazaki, José Silvio Govone & Daniela Mota Miranda Alves Revisão de Andropogon (Poaceae — Andropogoneae) para o Brasil Revision of Andropogon I Poaceae — Andropogoneae I from Brazil 171 Ana Zanin & Hilda Maria Longhi-Wagner SEM studies on the leaf indumentum of six Melastomataceae species from Brazilian Cerrado Microscopia eletrônica de varredura do indumento foliar de seis espécies de Melastomataceae do cerrado 203 Camilla Rozindo Dias Milanez & Silvia Rodrigues Machado Reproductive biology of Echinodorus grandiflorus (Alismataceae): evidence of self-sterility in populations of the State of São Paulo 213 Biologia reprodutiva de Echinodorus grandiflorus I Alismataceae I: evidência de auto-esterilidade em populações do estado de São Paulo Emerson R. Pansarin & Ludmila M. Pansarin Variação da viabilidade polínica em Tibouchina (Melastomataceae) Variation of pollen viability in Tibouchina { Melastomataceae I 223 Glaucia Margery Hoffmann & Isabela Galarda Varassin SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Rodriguésia 62 ( 1 ): 00 1 -0 1 0. 20 1 1 http://rodriguesia.jbrj.gov.br Florística e distribuição geográfica das samambaias e licófitas da Reserva Ecológica de Gurjaú, Pernambuco, Brasil Florístic and geographical distribution offerns and lycophytes from Ecological Reserve Gurjaú, Pernambuco, Brazil Anna Flora de Novaes Pereira' A , Iva Carneiro Leão Banros 1 2 , Augusto César Pessoa Santiago 3 & Ivo Abraão Araújo da Silva ' Resumo O presente estudo visou realizar o inventário das samambaias e licófitas da Reserva Ecológica de Gutjaú (Pernambuco, Brasil) avaliando a riqueza, composição, distribuição geográfica e raridade das espécies. Foi realizado a partir do exame das coleções dos principais herbários do Estado e levantamento florístico com trabalho de campo. A distribuição geográfica das espécies no globo e em território brasileiro foi baseada em dados da literatura e foram consideradas como espécies raras aquelas com apenas um ou dois pontos de coleta na Floresta Atlântica Nordestina. Foram registradas duas espécies pertencentes ao grupo das licófitas e 75 espécies pertencentes ao grupo das samambaias, das quais 10% são raras, no contexto da Floresta Atlântica Nordestina. As famílias mais representativas foram Pteridaceae (21 espécies), Thelypteridaceae (8 spp.) e Polypodiaceae (8 spp.). Os gêneros com maior número de espécies foram Adiantum (14 spp.) e Thelypteris (7 spp.). A maioria das espécies é amplamente distribuída nos trópicos e também em território brasileiro. Palavras-chave: conservação. Floresta Atlântica, riqueza, samambaias. Abstract This paper aimed floristic survey the fems and lycophytes from Reserva Ecológica de Gurjaú (Pernambuco, Brazil) evaluating the richness, composition, geographical distribution, and rarity of the species. The study was realized from examination the collections of major herbaria in the State and floristic survey with field work. The geographical distribution of species on the globe and in Brazilian territory was based on literature and were considered rarc species as those with one or two collection points in the Northeastem Atlantic Forest. The floristic survey identified two species of lycophytes and 75 species of fems. Among fems, 1 0% were considered rare in the context of the Northeastem Atlantic Forest. The most representative families were Pteridaceae (2 1 species) Thelypteridaceae (8 spp.) and Polypodiaceae (8 spp.). The richest genera were Adiantum (14 spp.) and Thelypteris (7 spp.). Most species are widely distributed in the tropies and also in Brazilian territory. Key words: Atlantic Forest, conservation, fems, richness. Introdução As samambaias e licófitas possuem ampla distribuição mundial, com muitas espécies cosmopolitas, vivendo preferencialmente nas florestas tropicais úmidas. Na América do Sul ocorrem cerca de 3.500 espécies, das quais, aproximadamente 33% podem ser encontradas em território brasileiro (Moran 2008; Prado & Sylvestre 2010). O país abriga um dos centros de endemismo e especiação do grupo no continente americano (Tryon 1972). Em Pernambuco é estimada a ocorrência de 260 espécies de samambaias e licófitas, das quais cerca de 80% crescem em áreas de Floresta Atlântica (Barros et al. dados não publicados). Esse bioma apresenta ambientes essenciais para a 1 Universidade F ederal de Pernambuco, Centro de Ciências Biológicas. Programa de Pós-Graduação cm Biologia Vegetal, Av. Prof. Moraes Rego s n. 50560-9(1 1 , Recife, PE. 'Universidade F ederal dc Pernambuco, Centro de Ciências Biológicas, Depto. Botânica, Av. Prof. Moraes Rego s n, 50560-90 1 , Recife, PE. HJniversrdade F ederal de Pernambuco, Centro Acadêmico de V itória, Núcleo de Biologia, R. Alto do Reservatório, 55608-903, Vitória dc Santo Antão, PE. Autor para correspondência: floranovaes0F hotmail.com Apoio financeiro: CNPq. PPGB V- UFPE, MMA-PROBIO. SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 2 permanência das plantas vasculares sem sementes, por reunir condições ideais para o estabelecimento das espécies, como a umidade e o sombreamento, indispensáveis para o ciclo de vida destes vegetais detentores de gametas flagelados e fertilização cxtcma (Pausas & Sáez 2000; Xavier & Barros 2005). Embora o reconhecimento do seu valor ambiental e das tentativas de fiscalização do poder público, a Floresta Atlântica vem sendo bastante degradada ao longo dos anos, principalmcnte pelo desmatamento, que compromete a permanência das áreas de floresta, uma vez que reduz habitats contínuos a fragmentos pequenos e isolados. Esse quadro de destruição de habitat vem ocorrendo em toda extensão da Floresta Atlântica desde meados do século XVI, com as pressões ocasionadas pela exploração dos seus recursos naturais, processo que resulta na perda da sua riqueza específica e, consequentemente, do seu valioso patrimônio genético (Tonhasca Jr. 2005). Vários levantamentos florísticos foram realizados para o estudo das samambaias e licófitas ocorrentes em remanescentes de Floresta Atlântica Nordestina, principalmentc em Pernambuco, onde estes grupos vegetais são mais conhecidos justamente pela maior quantidade de trabalhos já efetuados. Entre alguns dos principais estudos podemos citar: Xavier & Barros (2003), desenvolvido na Serra Negra, município de Bezerros; Pietrobom & Barros (2003), com levantamento florístico em São Vicente Férrer; Santiago & Barros (2003), que estudaram fragmentos de um Refúgio Ecológico em Igarassu; Xavier & Barros (2005) e Santiago et al. (2(XH), que realizaram inventários em remanescentes de Floresta Atlântica localizados em Brejos de Altitude e Pietrobom & Barros (2007), com levantamentos florísticos em fragmentos florestais do Engenho Agua Azul, município de Timbaúba. Apesar do nível de devastação do ecossistema Floresta Atlântica, todos esses trabalhos evidenciam sua importância para esses grupos vegetais, já que nos remanescentes estudados foi encontrada uma considerável riqueza de samambaias e licófitas, assim como a presença de espécies raras e bioindicadoras. O conhecimento da biodiversidade dos ecossistemas, através de levantamentos florísticos, constitui importante embasamento para a conservação, bem como para uma potencial exploração racional dos recursos e das áreas naturais ainda existentes (Menini Neto et al. 2007). Portanto, o presente estudo teve como objetivo inventariar as espécies de samambaias c licófitas ‘ Pereira. A.F.N et al. da Reserva Ecológica de Gurjaú, remanescente de Floresta Atlântica, contribuindo com informações sobre a riqueza, composição, distribuição geográfica e raridade no contexto regional. Material e Métodos Caracterização da área de estudo A pesquisa foi desenvolvida na Reserva Ecológica de Gurjaú (REG) localizada nos municípios de Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes e Moreno, pertencentes ao estado de Pernambuco. A REG é um importante remanescente de Floresta Atlântica Nordestina e faz parte do Centro de Endemismo Pernambuco, possuindo grande diversidade biológica constituída por diferentes grupos de plantas e animais, com a presença de espécies endêmicas e ameaçadas (Tabarelli et ai 2006). A Floresta Atlântica Nordestina corresponde a todas as porções florestais situadas ao norte do Rio São Francisco, entre os estados de Alagoas c Rio Grande do Norte, mais os encraves no Ceará (Tabarelli et al. 2006). Com base em dados do IBGE (1985) a Floresta Atlântica Nordestina é composta por cinco tipos florestais, entre eles a Floresta Ombrófila Densa, no qual se enquadram as áreas da Reserva estudada. A REG ocupa uma área total de 1 .362,02 ha (sob coordenadas geográf eas 08 2 1 ' 30" -08 1 2'00"S e 34 56’30”-35 45’30"W ), dos quais 42% (575,236 ha) são cobertos por florestas. Na área existem aproximadamente 17 fragmentos florestais com tamanhos variados, que se encontram em diferentes condições de preservação (Borges & Pôrto, dados não publicados). A geomorfologia predominante na área é do tipo Litoral com Tabuleiros, com altitudes variando entre 1 7 e 1 02 m. O solo é do tipo Latossolo Amarelo Distrófico, o clima é úmido com precipitação média anual superior a 1 .500 mm e temperatura média anual em tomo dos 25°C (Tabarelli et al. 2006). Coleta e análise dos dados O inventário das espécies de samambaias e 1 icófitas foi realizado a partir do exame das coleções dos principais herbários do estado de Pernambuco, UFP. PEUFR e IPA (Thiers 2010) e trabalhos de campo, iniciados em março de 2002 e finalizados em abril de 2004. O levantamento florístico das samambaias e licófitas foi realizado através de caminhadas sistematizadas de acordo com Barros (1997), que Rodriguésia 62 ( 1 ): 001 - 010 . 201 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. 3 coleta das espécies estudadas foi utilizado o banco de dados pertencente ao Laboratório de Pteridófitas da Universidade Federal de Pernambuco, assim como levantamento bibliográfico (artigos, capítulos de livros, teses, dissertações e monografias referentes à região e ao grupo estudado). Samambaias e licôfitas da Reserva Ecológica de Gurjaú indica os ambientes preferenciais de ocorrência do grupo. O material biológico foi coletado e herborizado de acordo com metodologia estabelecida por Windisch (1990), com testemunhos depositados no herbário do Departamento de Botânica da Universidade Federal de Pernambuco - UFP. As identificações foram feitas seguindo-se bibliografia especializada para cada família. O sistema de classificação adotado para a sequência de apresentação dos táxons seguiu o de Smith et al. (2006. 2008). Os nomes dos autores das espécies foram abreviados segundo Pichi-Sermolli (1996). A verificação da distribuição geográfica das espécies foi baseada em dados da literatura (principalmente Moran & Riba 1995), em obras utilizadas na identificação das espécies, em trabalhos científicos desenvolvidos com o grupo que contemplam o tema abordado e em consultas a especialistas brasileiros. Para a análise da distribuição geográfica das espécies no mundo, seguiu-se a classificação proposta por Schwartsburg & Labiak (2007), segundo os quais as espécies puderam ser classificadas em introduzidas (espécies introduzidas do Velho Mundo nas Américas e hoje de ocorrência subespontânea), brasileiras (espécies endêmicas do Brasil), sul-americanas (espécies restritas aos países da América do Sul), americanas (espécies ocorrentes na América do Sul, América Central e eventualmente na América do Norte) e circum- antárticas (espécies ocorrentes na América, África. Ásia e/ou Oceania). Para análise da distribuição geográfica em território nacional, foram levados em consideração os ecossistemas de ocorrência de cada táxon. A classificação dos ecossistemas foi o mesmo adotado na lista de espécies do Brasil (Prado & Sylvestre 2010), a saber: Amazônia, Floresta Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa. Contudo, o ecossistema de Floresta Atlântica foi dividido em Floresta Atlântica Nordestina (Floresta Atlântica localizada ao Norte do Rio São Francisco) e Floresta Atlântica do Sul-Sudeste (incluindo o sul da Bahia). Essa divisão foi baseada em Prance (1982) que reconhece a Floresta Atlântica ao Norte do Rio São Francisco como sendo um importante centro de endemismo desse ecossistema. Foram consideradas como espécies raras aquelas com registros em apenas uma ou duas localidades de coleta na Floresta Atlântica Nordestina. Para a identificação dos pontos de Rodriguêsia 62( 1 ): 00 1 -0 1 0. 20 1 1 Resultados e Discussão Riqueza específica Em toda a área florestal da Reserva Ecológica de Gurjaú (REG) foram registradas duas espécies de licôfitas, pertecentes a duas famílias, e 75 espécies de samambaias, distribuídas em 38 gêneros e 20 famílias (Tab. 1). Estimativas apontam que a Floresta Atlântica Nordestina ocupa cerca de 76.938 km 2 . Sendo a REG um constituinte que equivale a 1,77% dessa floresta, o número de espécies de samambaias e licôfitas registradas é representativo se levarmos em consideração a proporção “área / número de espécies”, pois uma amostragem de apenas 1,77% de área da Floresta Atlântica Nordestina contém cerca de 30% do total de espécies registradas para a região. O número de espécies registradas para as áreas da REG pode ser comparado com outros levantamentos florísticos desenvolvidos em áreas de Floresta Atlântica Nordestina (Tab. 2), destacando a REG como o quinto maior levantamento de samambaias e licôfitas para a região citada. Dentre as espécies registradas para a REG, 69% foram observadas in situ e as demais espécies (31%) foram observadas apenas em coleções de herbários, com registros datados de mais de 1 0 anos. Isso pode ser conseqüência da progressiva perda de habitats que todos os remanescentes de Floresta Atlântica vêm sofrendo, inclusive a área estudada. Borges & Pôrto (dados não publicados) analisaram a cobertura da área florestal da Reserva Ecológica de Gurjaú, através de fotos de satélites obtidas entre os anos de 1975 e 2000 e constataram que, durante este período, a Reserva perdeu 25% de suas áreas de ilorestas. Segundo Primack & Rodrigues (2001), a fragmentação c a perda de áreas florestais são, de forma geral, as principais causadoras da redução populacional ou ainda do desaparecimento total de espécies. Desse modo, pode-se sugerir que as espécies que não foram encontradas durante o trabalho de campo e que as últimas coletas datam de mais de 10 anos podem ter tido suas populações extintas das áreas pertencentes à REG. SciELO/JBRJ, 13 14 4 Pereira, A.F.N et a!. Tabela 1 - Riqueza específica das samambaias e licófitas registradas para a Reserva Ecológica de Guijaú, Pernambuco, Brasil. Distribuição geográfica mundial: IN- espécies introduzidas de ocorrência subespontânea; BR- espécies endêmicas do Brasil; AS- espécies restritas à América do Sul; AM- espécies encontradas na América do Sul, América Central e eventualmente na América do Norte; CA- espécies encontradas na América, África, Ásia e/ou Oceania. Distribuição Geográfica no Brasil: AM- espécies ocorrentes na Amazônia; FAN- espécies ocorrentes na Floresta Atlântica Nordestina (Floresta Atlântica localizada ao Norte do Rio São Francisco); FAS- espécies ocorrentes na Floresta Atlântica do Sul- Sudeste (incluindo o sul da Bahia); CE- espécies ocorrentes no Cerrado; CA- espécies ocorrentes na Caatinga; PA- espécies ocorrentes no Pantanal; PM- espécies ocorrentes no Pampa. 'Espécies encontradas apenas nas coleções de herbário; 'Espécies que possuem as áreas da Reserva Ecológica de Guijaú como seu único ponto de ocorrência no estado de Pernambuco; 'Espécies indicadas como raras para as áreas da Floresta Atlântica Nordestina. Table 1 - Species richness of Fems and Lycophytcs recordai for the Ecological Reserve Guijaú, Pernambuco, Brazil. Worldwide geographic dislribution: IN- subspontanaius species; BR- species endemie to Brazil; AS- species rcstricted to South America; AM- species found in South America, Central America and North America, eventually; CA- species found in America, África, Asia andor Oceania. Geographic distribution in Brazil: AM- species found in Amazon; FAN- species found in Northcastem Atlantic Forest (Atlantic Forest located north of the São Francisco River); FAS- species found in Atlantic Forest South-East (including southcm Bahia); CH- species found in Cerrado; CA- species found in Caatinga; PA- species found in Pantanal; PM- species found in Pampa. 'Species found only in herbarium collections; Species which have a single point of occurrencc in Pcmanbuco in the Ecological Reserve Guijaú; Species listed as rare in areas of the Northcastem Atlantic Forest. Grupo/ Família/ Espécie Distribuição Ecossistemas Material testemunho geográfica LICÓFITAS Lycopodiaceae Lycopodiella cernua (L.) Pic. Serm. CA FAS, CE AM, FAN, Fonseca & Silva s.n.(UFP 8219) Selaginellaceac Selaginella muscosa Spring AM AM. FAN. FAS Pereira & Santiago 3 (UFP) Samambaias Anemiaceae Anemia hirta (L.) Sw. AM FAN, FAS Paula cf a/, s.n. (UFP 224 1 4) Anemia pastinacaria Moritz ex Prantl 1 - 3 AM CA, CE, FAN, FAS Pickel 3381 (IRA) Asplepiaceae Asplenium serratum L. AM AM, FAN, FAS Freitas 4 (UFP) Blechnaceae Blechnum brasiliense Desv. 1 AM CE, FAN, FAS Pontual 58-851 (PEUFR) Blechnum occidentale L. AM AM, CA, FAS CE, FAN, Lira 1 (UFP) Blechnum serrulatum Rich. AM AM. CA, CE, FAN, FAS Barros s.n. (UFP 22965) Cyatheaceae Cyathea abreviata Fernandes BR FAN, FAS Pereira & Santiago 24 (UFP) Cyathea micmdonta (Desv.) Domin AM AM, CE, FAN, FAS Xavier et al. s.n. (UFP 22408) Cyathea phalerata Mart. 1 BR CE, FAN, FAS Andrade-Lima 52-1192 (1PA) Dryopteridaceae Ctenitis distans (Brack.) Ching BR FAN, FAS Pereira etal. 56 (UFP) Ctenilis falciculata (Raddi) Ching 1 AS FAN, FAS Barros & Fonseca s.n. (UFP 8372) Cyclodium heterodon var. abreviatura BR FAN, FAS Pereira & Santiago 172 (UFP) (C.Prcsi.)A.R.Sm — Rodriguésia 62( 1 ): 00 1 -0 1 0. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. Samambaias e licófitas da Reserva Ecológica de Gurjaú 5 Grupo/ Família/ Espécie Distribuição geográfica Ecossistemas Material testemunho Lomagrainina guianensis (Aubl.) Ching Gleicheniaceae AM AM, FAN, FAS Pereira & Santiago 19 (UFP) Dicranopteris flexuosa (Schard.) Underw. 1 CA AM, CE, FAN, FAS, PA Barros s.n. (UFP 22973) Gleichenella pectinata (Willd.) Ching Hymenophj llaceae AM AM, CE, FAN, FAS Fonsêca & Pôrto s.n. ( UFP 8223) Didymoglossum krausii (Hook. & Grev.)C.Presl' AM AM, FAN, FAS Silva & Barros s.n. (UFP 7669) Didymoglossum numularium Bosch 23 AM AM, FAN Pereira & Pietrobom 170 (UFP) Didymoglossum ovale E.Fourn. AM AM, FAN, FAS Pereira & Santiago 1 (UFP) Trichomanes pedicellatum Desv. 2,3 AM AM, FAN, FAS Pereira & Santiago 145 (UFP) Trichomanes pinnatum Hedw. Lindsaeaceae AM AM, CE, FAN, FAS Pereira etal. 43 (UFP) Lindsaea lancea (L.) Bedd. var. lancea AM AM, FAN, FAS Pereira & Santiago 20 (UFP) Lindsaea ovoidea Fée 1 Lomariopsidaceae AM FAN, FAS Fonsêca & Silva s.n. (UFP 8366) Lomariopsis japurensis (Mart.) J. Sm. AM AM, FAN Pereira et ai. 60 (UFP) Nephrolepis biserrata (S\v.) Schott CA AM, FAN, FAS Pereira et al. 59 (UFP) Nephrolepis exaltata (L.) Schott 1 ' 3 Lygodiaceae CA AM, FAN, FAS Barros & Fonsêca s.n. (UFP 82 1 9) Lygodium venustum Sw. AM AM, FAN, FAS Pereira et al. 36 (UFP) Lygodium volubile Sw. Marattiaceae AM AM, FAN, FAS Freitas 2 (UFP) Dauaea bipinnata H. Tuomisto 3 AS AM, FAN Fonsêca & Porto s.n. (UFP 8365) Danaea leprieurii Kunze AM AM, FAN Fonsêca & Porto s.n. (UFP 8324) Danaea nodosa (L.) Sm. 1,3 Metaxyaceae AM AM, FAN, FAS Fonsêca & Porto s.n. (UFP 8337) Metaxya rostrata (Kunth) C. Presl 2 - 3 Ophioglossaceae AS AM, FAN, FAS Pereira & Santiago 29 (UFP) Ophioglossum reticulatum L. 1 Polypodiaceae CA CE, FAN, FAS Pontual 68-848 (PEUFR) Campyloneurum phyllitidis (L.) C. Presl AM AM, CE, FAN Pereira etal. 39 (UFP) Campyloneurum repens (Aubl.) C. Presl 1 AM AM, FAN Barros & Fonsêca s.n. (UFP 8308) Dicranoglossum desvauxii (Klotzsch) Proctor 1 AS AM, FAN, FAS Freitas 07 (UFP) Dicranoglossum furcatum (L.) J. Sm. AM FAN, FAS Pereira etal. 5 1 (UFP) Microgramma vacciniifolia (Langsd. & Fisch.) Copei. AM CE, FAN, FAS Pereira & Santiago 5 (UFP) Phlebodium decumanum (Willd.) J. Sm. AM CA, AM, CE, FAN, FAS, PA Barros & Fonsêca s.n. (UFP 8275) Pleopeltis astmlepis (Liebm.) E. Fourn. AM FAN, FAS Pereira etal. 37 (UFP) Rodríguésia 62 ( 11 : 001 - 010 . 2011 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. 6 ‘ Pereira, A.F.N et al. Grupo/ Família/ Espécie Distribuição geográfica Ecossistemas Material testemunho Serpocaulon triseriale (Sw.) A.R. Sm. Pteridaceae AM AM, CA, CE, FAN, FAS, PA, PM Fonsêca & Silva s.n. (UFP 9496) Acrostichum danaeifolium Langsd. & Fisch. AM CA, FAN, FAS Fonsêca et al. s.n. (UFP 8325) Adiantum argutum Splitg. AM AM, FAN Pereira et al. 38 (UFP) Adiantam diogoamtm Glaz. ex Baker BR AM, FAN, FAS Pereira et al. 50 (UFP) Adiantam dolosum Kunze AM AM, FAN, FAS Freitas 09 (UFP) Adiantam glaucescens Klotzsch AS AM, FAN, FAS Fonsêca & Silva s.?t (UFP 9486) Adiantum humile Kunze AM AM, FAN, FAS Pereira et al. 40 (UFP) Adiantam intermedium Sw. 1 AM CE, FAN, FAS Fonsêca & Portos./?. (UFP 8330) Adiantum latifolium Lam. AM AM, FAN, FAS Alves 2 (UFP) Adiantam lucidum Sev. 1 AM AM, FAN, FAS Pontual 68-853 (PEUFR) Adiantum obliquam Willd. 1 AM AM, FAN, FAS Barros s.n. (UFP 7643) Adiantam petiolatum Desv. AM AM, FAN, FAS Alves 1 (UFP) Adiantum pulverulentum L. 1 AM AM, FAN, FAS Barros & Fonsêca s.n. (UFP 8304) Adiantum serratodentatum Willd. AM AM, CE, FAN, FAS Fonsêca s.n. (UFP 10683) Adiantum terminatum Kunze ex Miq. AM AM, FAN, FAS Fonsêca s.n. (UFP 10682) Adiantum tetraphyllum Willd. 1 AM AM, CE, FAN, FAS Pickel s.n. (IPA 2596) Anetium citrifolium (L.) Splitg. AM AM, FAN, FAS Pontes 3 (UFP) Hecistopteris pumila (Spreng.) J. Sm. 1 AM AM, FAN, FAS Barros etal. s.n. (UFP 7347) Hemionitis tomentosa (Lam.) Raddi 1 AS CA, CE, FAN, FAS Silva etal. s.n. (UFP 22389) Pteris brasiliensis Raddi 1 AS FAN, FAS Pontual 68-858 (PEUFR) Pityrogramma calomelanos (L.) Link AM AM, CA, CE, FAN, FAS Pereira etal. 62 (UFP) Vittaría lineata (L.) J.E. Smith Saccolomataceae AM AM, FAN, FAS Pereira et al. 44 (UFP) Saccoloma elegans Kaulf. Salviniaceae AM AM, FAN, FAS Barros etal. s.n. (UFP 8307) Salvinia aaricalata Aubl. Tectariaceae AM CA, AM, CE, FAN, FAS, PA Vieira 2 (UFP) Tectaria incisa Cav. 1 AM AM, FAN, FAS Pontual 68-854 (PEUFR) Triplophyllum boliviense J. Prado & R.C.Moran Thelypteridaceae AS AM, FAN Pereira et al. 58 (UFP) Macrothelypteris torresiana (Gaudisch.)Ching IN CE, FAN, FAS Fonsêca & Silvai./?. (UFP8194) Thelypteris abrupta (Desv.) Proctor 3 AM AM, FAN Fonsêca s.n. (UFP 10679) Rodriguésia 62 ( 1 ): 00 1 - 0 1 0 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 15 cm Samambaias e licófitas da Reserva Ecológica de Gurjaú 7 Grupo/ Família/ Espécie Distribuição geográfica Ecossistemas Material testemunho Thelypteris chrysodioides (Fée) C.V. Morton AS AM, CE, FAN, FAS Pereira & Santiago 10 (UFP) Thelypteris dentata (Forsk.) E. P. St. John 1 IN CE, FAN, FAS, PA Pontes í./i. (UFP 4233) Thelypteris hispidula (Decne.) C.F. Reed CA CE, FAN, FAS Fonsêcas.n. (UFP 7626) Thelypteris interrupta (Willd.) K. Iwats CA CA, AM, CE, FAN, FAS Fonsêca& Silva s.n. (UFP 8 195) Thelypteris macrophylla (Kunze) AM AM, FAN, FAS Fonsêca & Porto s.n. (UFP 8363) C.V. Morton 1 Thelypteris serrata (Cav.) Alston AM AM, CE, FAN, FAS Barros & Silva s.n. (UFP 7670) Woodsiaceae Diplazium plantaginifolium (L.) Urban 1 AM FAN, FAS Barros s.n. (UFP 6993) O levantamento indicou que as famílias mais representativas foram a Pteridaceae (21 espécies), seguida de Thelypteridaceae (8 spp.) e Polypodiaceae (8 spp.). Os gêneros que se destacaram foram Adiantum e Thelypteris, com 14 e sete espécies, respectivamente (Tab. 1). Isoladamente, as famílias mais representativas somaram 49% do total de espécies encontradas na REG. Essas famílias são numerosas quanto à riqueza específica em florestas tropicais do novo mundo (Tryon & Tryon 1 982; Smith et al. 2006). Tais dados corroboram os obtidos por outros levantamentos florísticos realizados em fragmentos de Floresta Atlântica Nordestina, onde essas famílias também se destacaram (Xavier & Barros 2003, 2005; Santiago & Barros 2003; Pietrobom & Barros 2003, 2007). O número de táxons pertencentes a Adiantum (Pteridaceae) é expressivo, sendo que cerca de 6 1 % das espécies desse gênero registradas para a Floresta Atlântica Nordestina são encontradas nas áreas da REG. Xavier & Barros (2005) comentaram que, para o Nordeste do Brasil, espécies deste gênero ocorrem frequentemente nas bordas de mata secundária, sendo pouco representadas em áreas de mata primária. Esta situação também foi encontrada na área de estudo, bem como em Barros et al. (2006) e Pietrobom & Barros (2007). O gênero Thelypteris está entre os mais ricos em vários levantamentos de samambaias realizados na região (Santiago & Barros 2003; Santiago et al. 2004; Pietrobom & Barros 2007), bem como em outros levantamentos florísticos em Floresta Atlântica Rodríguésia 62 ( 1 ): OO 1 -0 1 0. 2011 desenvolvidos na porção Sul-Sudeste (Sylvestre 1997; Salino 1 996). As espécies desse gênero ocorrem em uma grande diversidade de habitats, mas principalmente em locais abertos e encharcados ou ao longo dos cursos de água (Salino 1996), tal como observado para a maioria das espécies aqui citadas. Por outro lado, vale ressaltar os registros observados para os gêneros Trichomanes e Didymoglossum que são conhecidos como poucos frequentes nos fragmentos da região nordestina (Barros et al. 2006). As plantas pertencentes a esses gêneros são formadas apenas por uma única camada de células (Tryon & Tryon 1982) e, normalmente, são plantas sensíveis que tendem a desaparecer frente às alterações ambientais (Sota 197 1 ). A ocorrência de espécies destes gêneros pode indicar que apesar de possuir visível perturbação antrópica, a REG ainda possui áreas conservadas capazes de abrigar espécies sensíveis e mais exigentes quanto às condições ambientais. Padrões de distribuição geográfica A análise da distribuição mundial apontou a predominância das espécies americanas, representadas por 54 táxons, seguida pelas sulamericanas (9 spp.) e as circum-antárticas (7 spp.). Foram registradas quatro espécies endêmicas para o Brasil, Cyathea abreviata, Cyathea phalerata, Ctenitis distans e Cyclodium heterodon var. abreviatum e duas introduzidas Macrothelypteris torresiana e Thelypteris dentata (Tab. 1). -SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 8 * Pereira, A.F.N et al. T abela 2 - Principais levantamentos de Licófítas e Samambaias realizados em áreas da Floresta Atlântica Nordestina, ordenado por número de espécie. Table 2 - Major floristic studies of Fems and Lycophytcs in areas of the Northeastem Atlantic Forest, organizcd by species number. Autor(es) Ano da publicação Área de estudo Município(s) e estado N°de espécies Lopes 2003 Serra do Urubu Jaqueira e Lagoa dos Gatos - PE 145 Pietrobom 20M Engenho Coimbra Ibateguara - AL 99 Pietrobom & Barros 2003 Serra do Mascarenhas São Vicente Férrer - PE 94 Santiago et al. 2004 Serra dos Macacos Bonito - PE 94 Pietrobom & Barros 2007 Engenho Água Azul Timbaúba-PE 85 Pereira et al. ILE.doGurjaú n; 77 Pietrobom & Barros 2006 Mata Maria Maior São José da Laje - AL 76 Xavier & Barros 2005 Brejo dos Cavalos Caruaru - PE 74 Até o presente momento, não foram registradas espécies endêmicas para a Floresta Atlântica Nordestina. Isso pode ser consequência do contexto histórico da região. O nordeste do Brasil e boa parte da Bacia Amazônica sofreram drásticas alterações em sua vegetação durante os últimos eventos de glaciação e alterações climáticas no Terciário e no Pleistoceno ( Bigarella & Andrade-Lima 1982; Tryon 1985). Esse longo período de instabilidade climática pode ter interferido nos processos envolvidos na especiação das samambaias e licófítas dessas regiões. Outro aspecto importante é o nível de devastação da Floresta Atlântica Nordestina, que apresenta apenas 3% da cobertura original, o que pode ter ocasionado a "extinção” de muitas espécies antes mesmo de terem sido descobertas, segundo indica Santiago (2(X)6). A predominância de espécies de samambaias e licófítas da Floresta Atlântica amplamente distribuídas pelo Continente Americano é comum e já foi reportada por diversos autores (Pietrobom & Barros2007; Sehnem 1977; Labiak & Prado 1998). Em relação à distribuição no território brasileiro, a maior parte das espécies encontradas no presente estudo ocorre também na Floresta Atlântica do Sul-Sudeste e na Amazônia, com 62 e 56 táxons respectivamente. Em seguida, encontram- se as espécies também registradas para os ecossistemas do Cerrado (28), Caatinga (10), Pantanal (5) e Pampa ( 1 ). Vale ressaltar que dez das espécies encontras na REG ocorrem, no país, apenas em áreas de Floresta Atlântica (Nordestina + Sul- Sudeste), sendo duas delas ( Cyathea abreviata e Cyclodium heterodon var. abreviatum) endêmicas dessas áreas. Já outras sete são ocorrentes apenas na Amazônia e na Floresta Atlântica Nordestina. Dessa forma, as 77 espécies de samambaias e licófítas registradas para a área de estudo demonstram possuir uma maior afinidade com a flora da Floresta Atlântica do Sul-Sudeste e da Amazônia. Este fato pode ser explicado por uma ligação pretérita da Floresta Atlântica com a Floresta Amazônica, assunto discutido por Andrade-Lima (1960, 1966, 1969), Santos et al. (2007), Santiago (2006), entre outros. Além disso, um maior número de espécies em comum com as áreas da Amazônia e Floresta Atlântica do Sul-Sudeste pode estar relacionado com o fato das Florestas Tropicais Úmidas serem o maior centro de riqueza e diversidade das samambaias e licófítas (Tryon & Tryon 1982; Moran 2008). Espécies raras Na categoria de espécies raras foram classificadas nove espécies. Dessas, merecem ser ressaltadas Metaxya rostrata, Didymoglossum nummularium e Trichomanes pedicelatum, por possuírem, no estado de Pernambuco, ocorrência restrita às áreas de floresta da REG. Ainda merecem destaque Anemia pastinacaria e Neplirolepis e.xaltata, pois além de possuírem poucos registros nas áreas da Floresta Atlântica Nordestina, não foram coletadas no trabalho de campo realizado no atual estudo. Embora as áreas da REG sejam destinadas à conservação, são preocupantes as queimadas periódicas para o cultivo de mandioca, banana e principalmente cana- de-açúcar, assim como as coletas desordenadas e Rodriguésia 62( 1 ): 00 1 -0 1 0. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm Samambaias e licófitas da Reserva Ecológica de Guijaú intensivas retiradas de madeira e de plantas ornamentais. Esses fatos comprometem a diversidade das samambaias e licófitas ocorrentes nas áreas da Reserva. Given & Jermy (1985), comentam que a elaboração de uma criteriosa lista de espécies ameaçadas, somada à cooperação e ao acesso das informações através do contato entre pesquisadores, seriam a chave para uma efetiva conservação das samambaias e licófitas. Dessa forma, identificar as espécies consideradas raras, poderá contribuir para a elaboração de medidas conservacionistas mais eficazes. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, muitas espécies chegam a um estado crítico de desaparecimento regional antes mesmo de terem passado pelas listas de raridade criadas pelos órgãos nacionais. Isso ressalta a importância das criações de listas regionais (municipais ou estaduais), pois espécies bem distribuídas não são consideradas raras em contexto nacional, mas podem estar desaparecendo em escala regional; principalmente quando estão associadas a ambientes alterados pela ação antrópica (Barros & Windisch 2001 ). Agradecimentos Os autores agradecem ao Ministério do Meio Ambiente (PROBIO/MMA ) pelo financiamento de pesquisa, ao CNPq pela concessão de bolsa aos autores, ao biólogo Felipe Lira pelo apoio nas coletas, a Dra. Fabiana Nonato pela confirmação a identificação de duas espécies de Hymenophyllaceae e aos Doutores Jefferson Prado, Alexandre Salino e Márcio Roberto Pietrobom, pelas informações sobre a distribuição geográfica de algumas espécies estudadas. Agradecemos também aos revisores pelas importantes sugestões para melhoria deste trabalho. Referências Andrade-Lima, D. 1960. Estudos fitogeográficos de Pernambuco. Arquivos do Instituto de Pesquisas Agronômicas 5: 305-341. Andrade-Lima, D. 1966. Esboço fitoecológico de alguns brejos de Pernambuco. Boletim Técnico do Instituto de Pesquisas Agronômicas de Pernambuco 8: 1-27. Andrade-Lima. D. 1969. Pteridófitas que ocorrem nas floras extra-amazônicas e amazônicas do Brasil e proximidades. In: Anais do XX Congresso Nacional de Botânica. Sociedade Botânica do Brasil, Goiás. Pp. 34-39. Barros, I.C.L. 1997. Pteridófitas ocorrentes cm Pernambuco: ensaio biogeográfico e análise numérica. Rodrígucsia 62(1): 001-010. 201 1 9 Tese de Doutorado. 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Mett., D. dissecta (Sw.) T. Moore, D. globulifera (Poir.) Hicron., Histiopteris incisa (Thunb.) J. Sm.. Hypolepis aquilinaris (Fée) Clirist, H. repens (L.) C. PresI, H. stolonifera Fée, H. mitis Kunze, Lindsaea arcuata Kunze, L bífida (Kaulf.) Mett. ex Kuhn. L. botrychioides St.-Hil., L. divaricata Klotzsch, L. guianensis ssp. lanceastnan K.U. Kramer, L. lancea (L.) Bedd. var. lancea , L. ovoidea Fée, L quadrangularis Raddi ssp. quadrangularis, L. stricta (Aubl.) Dryand. var. stricta, L. virescens Sw. var. virescens, Paesia glandulosa (Sw.) Kuhn, Pteridium arachnoideum (Kaulf.) Maxon, Saccoloma elegans Kaulf. e S. inaequale (Kunze) Mett. São apresentadas descrições, chaves de identificação, ilustrações, comentários e distribuição geográfica dos táxons. Palavras-chave: florística, pteridófitas. taxonomia. Abstract Dennstaedtiaceae Pic. Serm. sensu lato is a family contains about 20 genera and 175 species. The family is characterized by stem ercct, short or very long-creeping, bearing trichomes or scales, or both, leaves pinnate or rarely simple, indusiate and marginal, submarginal or rarely abaxial sori, sporangia short to usually long-stalked, annulus interrupted by the stalk, spores lacking chlorophyll. Eight genera and twenty four species were found: Blotiella lindeniana (Hook.) R.M. Tryon, Dennstaedtia cicutaria (Sw.) T. Moore, D. comuta (Kaulf.) Mett., D. dissecta (Sw.) T. Moore, D. globulifera (Poir.) Hieron., Histiopteris incisa (Thunb.) J. Sm., Hypolepis aquilinaris (Fée) Christ, H. repens (L.) C. Presl., H. stolonifera Fée, H. mitis Kunze, Lindsaea arcuata Kunze, L bifida (Kaulf.) Mett. ex Kuhn, L botrychioides St.-Hil., L divaricata Klotzsch, L. guianensis ssp. Ianceastrum K.U. Kramer, L lancea (L.) Bedd. var. lancea, L. ovoidea Fée, L. quadrangularis Raddi ssp. quadrangidaris, L stricta (Aubl.) Dryand. var. stricta , L. virescens Sw. var. virescens, Paesia glandulosa (Sw.) Kuhn, Pteridium arachnoideum (Kaulf.) Maxon, Saccoloma elegans Kaulf., and S. inaequale (Kunze) Mett. Descriptions, identification keys, illustrations, geographical distribution, and comments of taxa are provided. Key words: fems, floristics, taxonomy. Introdução Dennstaedtiaceae Pic. Serm. é formada por cerca de 20 gêneros e 1 75 espécies (Tryon & Stolze 1989). Está amplamente distribuída no mundo e, embora seja predominantemente pantropical, possui espécies boreais ou de regiões temperadas austrais (Tryon & Stolze 1989). A família pode ser caracterizada pelo caule ereto, raramente arborescente, curto a longo-reptante, coberto por tricomas e/ou escamas, folhas geralmente pinadas, raramente simples, soros indusiados e marginais, submarginais ou raramente abaxiais, esporângios curto a geralmente longo-pedicelados, ânulo interrompido pelo pedicelo e esporos sem clorofila (Tryon & Tryon 1 982). ' Parte de dissertação de Mestrado, ICB/UFMG. Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Cic icias Bit ígicas, Depto. Botânica. C. P. 486, 30123-970, Belo Horizonte, MG, Brasil. Autor para correspondência: salinobh@gntail.com. SciELO/JBRJ cm .. 12 Assis, F.C. & Salino A. Smith et al. (2006) apresentam uma nova classificação para as famílias e gêneros de pteridófitas, baseada numa hipótese filogenética que utiliza tanto dados morfológicos quanto moleculares. Segundo Smith et al. (2006) Dennstaedtiaceae sensu lato deve ser segregada em Dennstaedtiaceae sensu stricto (ca. 1 1 gêneros), Lindsaeaceae (ca. oito gêneros) e Saccolomataceae (apenas um gênero). Apesar destas recentes análises, o presente estudo utilizou a circunscrição de Dennstaedtiaceae sensu lato adotada por Tryon & Tryon (1982). Informações disponíveis sobre espécies brasileiras de Dennstaedtiaceae podem ser encontradas na Flora brasiliensis (Baker 1870), Flora Ilustrada Catarinense (Sehnem 1972), ou mesmo mais recentemente em Kieling-Rubio & Windisch 2002 para o estado do Rio Grende do Sul. Tais informações também podem ser encontradas em trabalhos com enfoque mais regional como Ilha de Maracá (Edwards 1998), Flora do Maciço da Juréia (Prado 2004a). Parque Estadual das Fontes do Ipiranga - SP (Prado 2004b). Reserva do Rio das Pedras - Mangaratiba (Mynssen & Windisch 2004), Reserva Ducke - Manaus (Prado 2005) e Parque Estadual de Vila Velha - Ponta Grossa (Schwartsburd & Labiak 2007), nos quais somente algumas espécies são tratadas, o mesmo ocorrendo para Minas Gerais nos trabalhos da Serra do Cipó (Prado & Windisch 1996), Grão Mogol (Prado & Labiak 2003) e Estação Ecológica do Panga - Uberlândia (Arantese/ al. 2008). O objetivo desse trabalho foi realizar um estudo taxonômico de Dennstaedtiaceae sensu lato no estado de Minas Gerais, elaborando descrições, chaves de identificação, ilustrações dos táxons e comentários taxonômicos, contribuindo assim para a ampliação do conhecimento da flora pteridofítica para o estado. Material e Métodos O presente estudo foi realizado com base cm amostras coletadas nas regiões noroeste e norte de Minas, Baixo Vale do Jequitinhonha. Central Mineira, Triângulo Mineiro, Vale do Rio Doce, Zona da Mata, Sudeste e Sul de Minas Gerais, bem como em material proveniente dos herbários BHCB, F, HB. HUFU, MBM, MBML, OUPR. R. RB, SJRP e SPF (510 espécimes). As siglas dos herbários seguem Holmgren et al. ( 1 990). As amostras foram coletadas e preparadas segundo técnicas usuais de herborização. Os espécimes testemunhos foram depositados no acervo do herbário BHCB. A lista completa dos materiais examinados e comentários de cada espécie encontram-se disponíveis em Assis (2008). A descrição da família foi baseada em Tryon & Tryon (1982), Tryon & Stolze (1989) e Kramer ( 1 990), apresentando amplitude nacional. As descrições das espécies foram elaboradas exclusivamente com base no material examinado. As medidas das estruturas foram realizadas em materiais férteis; o comprimento das pinas corresponde às do terço médio da lâmina; o comprimento das pínulas refere-se às do terço médio das pinas medianas; a largura das pinas e pínulas foi medida na parte média. A medida do diâmetro do caule foi realizada próxima ao pecíolo e, para o diâmetro do pecíolo, a medida foi feita na base. Para a descrição da morfologia em geral, foram utilizados os termos propostos no glossário de Lellinger (2002). No tratamento taxonômico, os táxons estão arranjados em ordem alfabética. As abreviaturas de autores dos táxons estão de acordo com Pichi Sermolli (1996). Resultados e Discussão Tratamento taxonômico Dennstaedtiaceae Pic. Serm., Webbia 24: 704. 1970. Plantas terrestres ou rupícolas, raro epífitas. Caule ereto, raramente arborescente, curto a longo- reptante, com tricomas e/ou escamas. Folhas ca. 20 cm a 7 m compr., raro 12 m compr., de vemação circinada, geralmente pinadas, raro simples e cordadas a sagitadas, geral mente monomorfas; nervuras livres a completamente anastomosadas, sem vênulas livres nas aréolas. Soros marginais, submarginais, ou raramente abaxiais, nas extremidades das nervuras ou sobre uma comissura vascular; indúsio em forma de taça ou bolsa, ou formado por segmento modificado da margem da lâmina revoluta sobre os esporângios, ou indúsio abaxial estendido lateralmente, ou ainda um indúsio marginal bem desenvolvido e outro interno abaxial menos desenvolvido; esporângios curtos a geralmente longo-pedicelados, com ângulo longitudinal a levemente oblíquo, ânulo interrompido pelo pedicelo, isosporados, esporos monoletes ou triletes, sem clorofila. Rodríguésia 62( 1): 0 1 1 -033. 20 1 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 cm .. Dennstaedtiaceae de Minas Gerais j3 Chave de identificação para os gêneros de Dennstaedtiaceae sensu lato em Minas Gerais 1. Uma única nervura em cada soro. 2. Caule ereto, com escamas 8. Saccoloma T. Caule reptante, sem escamas. 3. Esporos monoletes; indúsio formado pela margem da lâmina revoluta e modificada 4. Hypolepis 3’. Esporos triletes; indúsio em forma de taça ou bolsa 2. Dennstaedtia I ’. Duas ou mais nervuras em cada soro. 4. Pinas ou pínulas dimidiadas, fiabeladas ou ovadas 5. Lindsaea 4’. Pinas ou pínulas lineares, elípticas, lanceoladas, raro deltoides. 5. Nervuras livres. 6. Lâmina com tricomas glandulares 6. Paesia 6’. Lâmina sem tricomas glandulares 7. Segmentos estéreis e porção estéril de segmentos férteis com margem modificada similar ao indúsio; indúsio abaxial presente 7. Pteridium T. Segmentos estéreis e porção estéril de segmentos férteis com margem não modificada similar ao indúsio, somente porção fértil do segmento com margem modificada em indúsio; indúsio abaxial ausente 1. Blotiella 5’. Nervuras anastomosadas. 8. Caule com escamas; lâmina geralmente glabra, usualmente glauca na face abaxial 3. Histiopteris 8’. Caule sem escamas; lâmina sempre pilosa, não glauca na face abaxial 1 . Blotiella 1. Blotiella R.M. Tryon, Contr. Gray Herb. 191 : 96. 1962. Blotiella é um dos poucos gêneros de pteridófitas fortemente centrados na África (ca. 15 espécies), apresentando uma única espécie na região Neotropical (Tryon & Tryon 1982; Kramer 1990). 1 . 1 . Blotiella lindeniana (Hook.) R.M. Tryon, Contr. Gray Herb. 191: 99. 1962. Lonchilis lindeniana Hook. Sp. Fil. 2: 56. 1851. Fig. la-c Plantas terrestres; caule reptante, 8,24—10,95 mm diâm., piloso ou pubescente com tricomas catenados. Folhas 1 35,8- 1 80,5 cm compr.; pecíolo 32-54,6 x 0,70- 0,89 cm, sulcado adaxialmente, com tricomas aciculares, catenados ou clavados; lâmina 1 03,8— 1 25,9 cm compr., 2-pinado-pinatífida, membranácca, lanceolada ou elíptica, ápice agudo ou cuneado; raque sulcada adaxialmente, com tricomas aciculares, catenados e clavados; pinas 17,2 -33,3 cm compr., sésseis, lanceoladas a elípticas, ápice cuneado, às vezes caudado; costa sulcada adaxialmente, pilosa ou pubescente; pínulas 2. 1 -5,2 x 0,99- 1 ,7 cm, sésseis, lineares, ápice cuneado, às vezes caudado, margem crenada, as basais reduzidas ou ausentes no lado acroscópico, reduzidas ou não no lado basioscópico; cóstula sulcada ou não adaxialmente, pilosa ou pubescente; indumento de tricomas aciculares e clavados na costa, cóstula, tecido laminar e margens Rodriguésiá 62( 1 ): 0 11 -033. 20 lt dos segmentos, tricomas catenados na costa e cóstula, nervuras glabras. Soros reniformes, nos enseios ou nos lados acroscópico e basioscópico; indúsio membranáceo, margem crenada, pubescente com tricomas aciculares ou catenados. Material examinado: Santa Maria do Salto, Fazenda Duas Barras, 16°24' 16,5”S e40°03’27,4”W, X.2003, A Salino et al. 9236 (BHCB). Simonésia, RPPN Mata do Sossego, 20°04’2,0"S e 42°04’40,4”W, V.2006, 4. Salino etal. //027(BHCB). Segundo Tryon & Stolze (1989), Blotiella lindeniana apresenta nervuras completamente anastomosadas, entretanto, no material analisado ocorrem nervuras anastomosadas e livres. Em Minas Gerais, a espécie é considerada ameaçada de extinção. Blotiella lindeniana ocorre no Caribe, Costa Rica, Venezuela, Colômbia, Bolívia e Brasil (Tryon & Tryon 1982). No Brasil ocorre nos estados de Minas Gerais. Espírito Santo, Rio de Janeiro. São Paulo e Santa Catarina ( Schvvartsburd 2010). Em Minas Gerais ocorre geralmente em locais muito úmidos, em floresta ombrófila densa montana, entre 750 e 1 600 m de altitude. 2. Dennstaedtia Bemh., J. Bot. 1800(2): 124. 1800 [1801], Dennstaedtia é um gênero tropical e extratropical, com ca. 45 espécies, sendo 12 delas encontradas na América (Tryon & Tryon 1982). SciELO/ JBRJ 13 14 15 cm .. 14 Assis, F.C. & Salino A. Figu ra 1 - a-c. Blotiella lindeniana (A. Salino 9236) - a. pina mediana; b. detalhe da face abaxial dos segmentos e cóstula; c. detalhe da face adaxial dos segmentos e da cóstula. d-f. Dennstaedtia dentaria ( T.E . Almrida 237) -d. pina mediana; e. detalhe da face abaxial dos segmentos e da cóstula; f. detalhe da face adaxial dos segmentos e da cóstula. g-h. Dennstaedtia comuta (A. Salino 12539) -g. detalhe da face abaxial dos segmentos e da cóstula; h. detalhe da base do pccíolo e caule. i-1. Dennstaedtia dissecta (A. Salino 2227) -i. pinas medianas com gemas na base; j. detalhe da face abaxial dos segmentos e da cóstula; k. detalhe da face adaxial dos segmentos e da cóstula; 1. detalhe da base do pecíolo. Figure 1 - a-c. Blotiella lindeniana (A. Salino 9236) - a. medial pinna; b. detail of the abaxial surface of segments and costulc; c. detail of the adaxial surface of segments and costulc. d-f. Dennstaedtia cicutaria (T.E. Almeida 237 ) — d. medial pinna; e. detail of the abaxial surface of segments and costule; f. detail of the adaxial surface of segments and costulc. g-h. Dennstaedtia comuta (A. Salino 12539) - g. detail of the abaxial surface of segments and costule; h. detail of petiole base and stem. i-1 Dennstaedtia dissecta (A. Salino 2227) - i. medial pinnac wíth buds; j. detail of the abaxial surface of segments and costulc; k. detail of the adaxial surface of segments and costulc; 1. detail of petiole base. • Rodriguésiá 62(1): 01 1 -033. 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm Dennstaedtiaceae de Minas Gerais 15 Chave de identificação para as espécies d e Dennstaedtia em Minas Gerais 1 . Eixo dos penúltimos segmentos com aletas herbáceas no lado basioscópico da face adaxial perpendiculares ao plano do segmento; caule piloso 2.4 .D. globulifera 1'. Eixo dos penúltimos segmentos sem aletas herbáceas; caule glabro ou pubescente. 2. Com gemas nas pinas e pínulas; lâmina membranácea a papirácea; pínulas sésseis. 3. Base do pecíolo com raízes; pinululas 0,34-0,52 cm de largura 2.3. D. dissecta 3’. Base do pecíolo sem raízes; pinululas 0, 1 5-0,28 cm de largura 2.2. D. comuta 2’. Sem gemas nas pinas e pínulas; lâmina cartácea; pínulas pecioluladas 2. 1 . D. dentaria 2.1 . Dennstaedtia cicutaria (Sw.)T. Moore, Index Fil. 97. 1857. Dicksonia cicutaria Sw., J. Bot. 1 800(2): 91 . 1801. Fig. ld-f Plantas terrestres; caule reptante, 8,18- 1 2,23 mm diâm., pubescente com tricomas aciculares e catenados, ou glabro. Folhas 159,5-250,5 cm compr.; pecíolo 69-150 x 0,68-1,24 cm, sulcado adaxialmente, sem raízes na base, pubescente com tricomas aciculares; lâmina 90,5-100,5 cm compr., 2-pinado-pinatífida a 3-pinado-pinatissecta, cartácea, lanceolada a elíptica, ápice agudo; raque sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas aciculares e catenados; pinas 18,4-54 cm compr., pecioluladas, lanceoladas a lineares, ápice cuneado a agudo, sem gemas; costa sulcada adaxialmente, pubescente ou pilosa; pínulas 2,6-9 x 0,73-2 cm, pecioluladas, lanceoladas a lineares, ápice cuneado a agudo, às vezes caudado, as basais não reduzidas, sem gemas; cóstula sulcada adaxialmente, pubescente ou pilosa; pinululas 0,89-1,1 1 x 0,32- 0,45 cm, sésseis, sem aletas na base, lineares, dimidiadas ou quadrilaterais, ápice redondo, margem crenada a inteira, plana ou recurvada, glabra, as basais não reduzidas; nervuras bifurcadas, as estéreis clavadas no ápice; indumento de tricomas catenados na costa, cóstula, tecido laminar c nervuras. Soros oblongos ou arredondados; indúsio em forma de bolsa, membranáceo, glabro. Material examinado: Patos de Minas, Cascata, I .IX. 1935, A.P. Duarte 3077 (RB). Sabará. RPPN de Cuiabá, Base da Serra da Piedade, 19 0 51’8,7"S e 43°44’38.rw, 18.VI1.2006, T.E. Almeida & D.T. Souza 237 (BHCB). São Roque de Minas, Parque Nacional da Serra da Canastra, Casca d’ Anta, 20°18’20”S e 46°3 1 ’ 1 2,8"W, 1 4. VII, 1 997, A. Salino 3 196 (BHCB). Dennstaedtia cicutaria ocorre no México, América Central, Grandes Antilhas e Venezuela até a Argentina (Mickel & Smith 2004). No Brasil ocorre nos estados do Pará, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Schwartsburd 2010). Em Minas Gerais ocorre geralmente no interior de formações florestais como matas de galeria em floresta estacionai semidecidual montanae floresta ombrófda densa montana, entre 700 e 1 200 m de altitude. 2.2. Dennstaedtia comuta (Kaulf.) Mett., Ann. Sei. Nat. 5. 2: 260. 1 864. Dicksonia comuta Kaulf., Enum. Fil. 227. 1 824. Fig. lg-h Plantas rupícolas ou terrestres; caule geralmente ascendente ou reptante com ápice elevado, 3,46-1,77 mm diâm., glabro. Folhas 39,5- 142.5 cm compr.; pecíolo 15,5^47 x 0, 17-0,74 cm, sulcado adaxialmente, sem raízes na base, pubescente com tricomas catenados; lâmina 24- 98.5 cm compr., 2-pinada a 3-pinado-pinatífida, membranácea a papirácea, lanceolada a elíptica, ápice agudo a cuneado; raque sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas catenados; pinas (3,8)10,4-27,6 cm compr., sésseis, elípticas a lineares, ápice cuneado-caudado, ou redondo, com gemas pubescentes com tricomas catenados; costa sulcada adaxialmente, pubescente ou glabra; pínulas (0,64)1,2-3,2 x 0,42-1 cm, sésseis, lanceoladas, lineares ou elípticas, ápice redondo ou cuneado, caudado ou não, as basais reduzidas ou não, com gemas pubescentes com tricomas catenados; cóstula sulcada ou não adaxialmente, pubescente ou glabra; pinululas 0,39-0,6 1 x 0, 1 5- 0,28 cm, sésseis, sem aletas na base, ovadas, ápice redondo ou agudo, margem inteira ou levemente crenada, geralmente plana, glabra, as basais reduzidas ou não; nervuras geralmente bifurcadas, as estéreis clavadas no ápice; indumento de tricomas catenados na costa, cóstula, tecido laminar e nervuras, ou tecido laminar e nervuras glabros. Soros oblongos ou arredondados; indúsio em forma de bolsa, membranáceo, glabro. Material examinado selecionado: Conceição do Mato Dentro, Parque Natural Municipal do Ribeirão do Campo, 19°06’ 19,4”S e 43°34’4,9”W, 30.V.2003, A. Salino et al. 8749 (BHCB). Lambari, Parque Estadual de Nova Baden, trilha das Sete Quedas, 21°56’ 15,2”S e 45°19'23,9”W, Rodriguèsia 62(1 ): o 11 -033. 20 1 1 SciELO/JBRJ, cm .. 16 13.VII.2C07, 4. Salino et aL 12539 (BHCB). Santa Maria do Salto, Fazenda Duas Barras, 16°24'16,5"S c 40°03'27,4"W, 10.X.2003,4. Salino et al. 926/ (BHCB). Dennstaedtia comuta apresenta todos os eixos castanho-escuros. A espécie ocorre no México, América Central e Venezuela até a Bolívia (Mickel & Smith 2004). A distribuição no Brasil é incerta, porém há um registro para a Bahia (Matos 2009). Em Minas Gerais ocorre geralmente em locais muito úmidos, à margem de cursos d’água, muitas vezes sobre rochas úmidas junto à cachoeiras, em Floresta Ombrófila Densa Submontana c Montana (em fundo de vale e interflúvios) e matas de galeria, entre 620 e 1 600 m de altitude. 2.3. Dennstaedtia dissecta (Sw.) T. Moore, Index Fil. 305. 1861. Polypodium dissectum Sw., Prodr. 134.1788. Fig. li-1 Plantas terrestres, raro rupícolas; caule reptante, 2,02-18,67 mm diâm., pubescente com tricomas catenados ou glabro. Folhas 35-316 cm compr.; pecíolo 11-118 x 0,21-1,12 cm, sulcado adaxialmente, com raízes na base, pubescente com tricomas catenados, clavados ou aciculares; lâmina 53,5-1 98 cm compr., 2-pinada a 3-pinado-pinatífida, membranácea a papirácea, lanceolada a elíptica, ápice agudo a cuneado, às vezes caudado; raque sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas catenados; pinas 5,9-56,3 cm compr., sésseis, ou curto- pecioluladas, elípticas, lanceoladas ou lineares, ápice cuneado-caudado, agudo, ou redondo, com gemas pubescentes com tricomas catenados; costa sulcada adaxialmente, pubescente ou glabra; pínulas 0,53- 1 0, 1 x 0.79 - 9, 1 8 cm, sésseis, lanceoladas ou lineares, ápice redondo ou cuneado, às vezes caudado, as basais reduzidas ou não, com gemas pubescentes com tricomas catenados; cóstula sulcada ou não adaxialmente, pubescente ou glabra; pinululas 0,55- 1 ,06 x 0,34-0.52 cm, sésseis, sem aletas na base, oblongas, ápice redondo ou quadrangular, margem crenada a inteira, plana às vezes recurvada, glabra, as basais reduzidas ou não; nervuras gcralmente bifurcadas, às vezes 2-3-bifurcadas, as estéreis clavadas no ápice; indumento de tricomas catenados na costa, cóstula, tecido laminar e nervuras, ou tecido laminar e nervuras glabros. Soros arredondados; indúsio em forma de bolsa, membranáceo, glabro. Material examinado selecionado: Aiuruoca, Vale do Matutu, RPPN do Matutu, Cachoeira do Fundo, 22°10'02”S c 44°54’49,9"W, 12.X.2004, 4. Salino et al. 9816 (BHCB). Caratinga, Estação Biológica de Caratinga, Jaó, 24.III.2000, 4. Salino 5120 (BHCB). Assis, F.C. & Salino A. Catas Altas, Parque Natural do Caraça, Mata do Engenho. 20'07'S c 43°27’W, 20.XI.2004, N.F.O. Mota etal. 78 (BHCB). Dennstaedtia dissecta ocorre no México, América Central, Antilhas, Trinidad a Colômbia Brasil, Bolívia e Paraguai (Tryon & Stolze 1 989). No Brasil ocorre nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Schwartsburd 20 1 0). Em Minas Gerais ocorre geralmente em locais muito úmidos, muitas vezes até alagados, em matas de galeria e ciliares, floresta estacionai semidecidual submontana, montana e altomontana e floresta ombrófila densa montana, entre 370 c 1 900 m de altitude. 2.4. Dennstaedtia globulifera (Poir.) Hieron., Bot. Jahrb. Syst. 34. 455. 1904. Polypodium globuliferum Poir.Encycl. 5: 554. 1 804. Fig. 2a-c Plantas terrestres, caule reptante, 1 ,89-1 2,69 mm diâm., piloso com tricomas catenados ou aciculares. Folhas 1 09-323,8 cm compr.; pecíolo 48 - 1 30 x 0,36- 0,95 cm, sulcado adaxialmente, sem raízes na base, piloso com tricomas catenados e aciculares, pubescente com tricomas catenados; lâmina 61- 1 93,8 cm compr., 3-pinada, raro 2-pinado-pinatífida. membranácea, lanceolada ou elíptica, ápice agudo ou lanceado; raque sulcada adaxialmente, pubescente, pilosa ou não com tricomas catenados; pinas 19- 42,1 cm compr., pecioluladas ou curto-pecioluladas, elípticas, lanceoladas ou lineares, ápice cuneado ou agudo, caudado ou não, sem gemas; costa sulcada adaxialmente, pubescente ou glabra; pínulas 2,4- 8,4 x 0,48-2 cm, pecioluladas a sésseis, lanceoladas a lineares, ápice cuneado, agudo, ou redondo, às vezes caudado, as basais reduzidas ou não, sem gemas; cóstula sulcada adaxialmente, pubescente ou glabra; pinululas 0,50-0,99 x 0,24-0,5 1 cm, sésseis, com aletas herbáceas no lado adaxial e na base da penúltima pinulula, ovadas ou dimidiadas, ápice redondo, margem crenada recurv ada ou não, glabra as basais reduzidas ou não; nervuras bifurcadas, raro simples, estéreis clavadas no ápice; indumento de tricomas aciculares na costa e cóstula, tricomas catenados na costa cóstula tecido laminar e nervuras, ou tecido laminar e nervuras glabros. Soros arredondados ou oblongos; indúsio em forma de taça, membranáceo, pubescente com tricomas catenados, principalmente na base. Material examinado selecionado: Alto Caparaó, Parque Nacional do Caparaó, XI. 2006, 4. Salino et al. 11421 (BHCB). Januária, vale do Rio Peruaçu, 15°07'23”Se44 <> 14 , 34”W, 20. VII. 1997,4. Salino 3251 (BHCB). Marliéria, Parque Estadual do Rio Doce, trilha do Vinhático, 29.111.1996,4. Salino 2666 (BHCB). Rodriguèsia 62 ( 1 ): 01 1 - 033. 20 1 1 SciELO/ JBRJ, 13 14 cm Dennstaedtiaceae de Minas Gerais Figura 2 - a-c. Dennstaedlia globulifera (A. Salino 9569) - a. detalhe da face abaxial dos segmentos e da cóstula; b. detalhe da face adaxial dos segmentos e da cóstula; c. detalhe da base do pecíolo e caule. d-f. Histiopteris incisa (F. C. Assis 01) - d. pina mediana; e. detalhe da face abaxial dos segmentos e da cóstula; f. detalhe da base do pecíolo e caule, g-h. Hypolepis aquilinaris (JB. Figueiredo 481) - g. detalhe da face abaxial da raque, costa e pínulas; h. detalhe da base do pecíolo e caule, i-j Hypolepis mitis (A. Salino 12984) - i. hábito; j. detalhe da face abaxial dos segmentos e da cóstula. Figure 2 - a-c. Dennslaedtia globulifera ( A . Salino 9569) - a. detail of the abaxial surface of segments and costule; b. detail of the adaxial surface of segments and costule; c. detail of petiole base and stem. d-f. Histiopteris incisa (F.C. Assis 01) - d. medial pirma; e. detail ot the abaxial surface of segments and costule; f. detail of petiole base and stem. g-h. Hypolepis aquilinaris (J.B. Figueiredo 481) - g. detail of the abaxial surface of rachis, costa and pinnules; h. detail of petiole base and stem. i-j. Hypolepis mitis (A. Salino 12984) - i. habit; j. detail of the abaxial surface of segments and costule. Rodríguésia 62 ( 1 ): 01 1-033. 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. 18 Dennstaedtia globutifera ocorre nos estados Unidos, América Central, Caribe até a Argentina (Tryon & Stolze 1989). No Brasil ocorre nos estados do Ceará, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul (Schwartsburd 2010) e Espírito Santo (Salino 13486 - BHCB). Em Minas Gerais ocorre gcralmente no interior de formações florestais como matas ciliares, florestas estacionais deciduais e semideciduais, e floresta ombrófila densa submontana e montana, entre 450 c 1400 m de altitude. 3. Histiopteris (J. Agardh) J. Sm., Hist. Fil.: 294. 1875. Histiopteris é um gênero com distribuição pantropical e temperada, representado por uma ou poucas espécies (Tryon & Tryon 1982). 3.1. Histiopteris incisa (Thunb.) J. Sm., Hist. Fil.: 295. 1 875. Pterisincisa Thunb., Prodr. PI. Cap.: 171. 1800. Fig. 2d-f Plantas terrestres, raro rupícolas; caule longo- reptante, 2,04-7,08 mm diâm., com escamas lanceoladas, às vezes filiformes, de ápice acuminado, não ciliadas, subclatradas, piloso ou pubescente com tricomas aciculares e catenados. Folhas (32,5) 48,7-238,5 cm compr.; pecíolo (6)1 1— 70 x (0,18) 0,25-0,70 cm, sulcado ou não adaxialmente, com escamas lanceoladas, de ápice acuminado a filiforme, não ciliadas, subclatradas, somente na base, ou sem escamas, pubescente com tricomas aciculares ou catenados, ou sem tricomas; lâmina 26,5-166,2 cm compr., 2-pinado-pinatífida a pinatissecta, raro 3-pinada, membranácea a papirácea. elíptica ou lanceolada, ápice agudo ou cuneado; raque geralmente sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas catenados ou glabra; pinas (4,3) 9,2-55,8 cm compr., sésseis, lanceoladas, elípticas ou lineares, ápice agudo ou cuneado- caudado, glabras; costa sulcada ou não Assis. F.C. & Salino A. adaxialmente, glabra; pínulas (0,67) 1 ,1—14,7 x 0,39 —4 cm, sésseis, lanceoladas, lineares, elípticas ou oblongas, ápice cuneado-caudado, oblongo, ou agudo, as basais reduzidas geralmente no lado basioscópico; cóstula geralmente sulcada adaxialmente; pinululas quando presentes 0.5-2, 1 x 0,3-0,72 cm, sésseis, margem inteira ou crenada, recurvada, as basais reduzidas no lado basioscópico; nervuras anastomosadas. Soros oblongos ou lineares nos lados acroscópico e basioscópico; indúsio linear, membranáceo, margem crenada, glabro. Material examinado selecionado: Camanducaia, mala da nascente do rio Camanducaia, 22°42'50"S e 45°56'12"W, 20.VI.2000, A. Salino 5619 (BHCB). Santa Maria do Salto, Fazenda Duas Barras, 16°24‘ 16,5"S e 40 o 03’27,4"W, X.2003, A. Salino et al. 91X5 (BHCB). São Gonçalo do Rio Preto, Parque Estadual do Rio Preto, 1 8° 1 2’02,4’’S e 43°20’ 1 8,4"W, 6.VIII.2003.A Salino et al. 9321 (BHCB). Histiopteris incisa ocorre no arquipélago de Juan Fernandez, Sudeste da Ásia, África, Nova Zelândia, Tasmânia, México, América Central, Caribe, Venezuela até a Bolívia (Mickel & Smith 2004). No Brasil ocorre nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Schwartsburd 20 1 0). Em Minas Gerais ocorre cm formações florestais e campestres, como campos rupestres, matas de galeria e capões de mata da Cadeia do Espinhaço, florestas estacionais semideciduais montana e altomontana entre 1 l()0e 1 900 m de altitude. 4. Hypolepis Bernh., Neucs J. Bot. (Schrad.) 1(2): 34. 1806. Segundo Moran (1995), Hypolepis é um dos gêneros menos estudados em pteridófitas e várias espécies deverão ser descritas ainda, sendo necessário um estudo mais abrangente. É composto por aproximadamente 50 espécies e distribui-se nos neotrópicos e regiões temperadas meridionais. As espécies estudadas apresentam caule longo-reptante. Chave de identificação para as espécies de Hypolepis em Minas Gerais 1. Pccíolo, raque e costa com espinhos 4.3. H. repens 1’. Pecíolo, raque e costa sem espinhos. 2. Pecíolo e lâmina com tricomas glandulares 4.4. H. stolonifera 2\ Pecíolo e lâmina sem tricomas glandulares. 3. Lâmina lanceolada a elíptica; base do pecíolo piloso com tricomas setiformes 4.1 . H. aquilinaris 3’. Lâmina deltóide; base do pecíolo sem tricomas setiformes 4.2. H. mitis Rodriguésia 62(1): 01 1 -033. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 Dennstaedtiaceae de Minas Gerais 19 4.1. Hypolepis aquilinaris (Fée) Christ, Buli. Boiss. II. 2. 636. 1902. Cheilanthes aquilinaris Fée, Crypt. Vasc. Brés. II: 37. 1 872-73. Fig. 2g-h Plantas terrestres, raro rupícolas; caule 1,33- 3, 1 7 mm diâm., pubescente com tricomas calenados, piloso ou não com tricomas setiformes, sem estolões. Folhas 1 5,5-234 cm compr., eretas; pecíolo 4,5-5 1 x 0,04-0,48 cm, sulcado adaxialmente, piloso com tricomas setiformes na base do pecíolo, pubescente com tricomas aciculares e catenados, sem espinhos; lamina 1 1 - 1 83 cm compr., 2-3-pinado-pinatisecta, raro 4-pinada, membranácea a papirácea, lanceolada a elíptica, ápice agudo a cuneado; raque levemente flexuosa ou não, sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas aciculares ou catenados sem espinhos; pinas 3,5-61,1 cm compr., pecioluladas ou sésseis, elípticas ou lanceoladas, ápice cuneado ou agudo; costa sulcada adaxialmente, pubescente, sem espinhos; pínulas 0,89-13 x 0,41—1.66 cm. sésseis a curto-pecioluladas, lanceoladas, elípticas ou lineares, ápice redondo, cuneado ou agudo, as basais reduzidas ou não; cóstula sulcada adaxialmente, pubescente, sem espinhos; pinululas 0,32-1 ,52 x 0,182-0.57 cm, sésseis, lanceoladas, lineares, ovadas, ou elípticas, ápice redondo, cuneado ou agudo, margem crenada, recurvada a plana, as basais reduzidas ou não; nervuras l(2)-bifurcadas; indumento de tricomas aciculares na costa, cóstula, tecido laminar, nervuras e margens dos segmentos, tricomas catenados na costa e cóstula, tricomas clavados no tecido laminar e nervuras. Soros e indúsio não vistos. Material examinado selecionado: Aiuruoca. Parque Estadual da Serra do Papagaio, 22°02’32,5”S e 44°38’32,1"W, I9.V.2005./Í. Salino &T.E. Almeida 10476 (BHCB). Santa Maria do Salto, Fazenda Duas Barras, 1 6°24' 1 6,5”S e 40°03’27,4”W, 1 0.X.20O3, A Salino et al. 0238 (BHCB). São Roque de Minas, Parque Nacional da Serra da Canastra, Capão Forro, 20°15’11,9"S e 46°24'26,1"W, 3 1 .1.2007, A. Salino etal. 11603 (BHCB). Todos os materiais estudados de Hypolepis aquilinaris estavam estéreis. Espécie aparentemente endêmica do Sudeste do Brasil com registros para o estado do Rio de Janeiro (Fée 1873) e Minas Gerais ocorrendo geralmente em áreas de formações florestais que foram queimadas, formações savânicas e campestres do bioma Cerrado, entre 620 e 1 700 m de altitude. 4.2. Hypolepis miíis Kunze, Linnaea 36: 105. 1 869. Fig. 2i-j Plantas terrestres; caule 2,6-4,25 mm diâm., piloso ou pubescente com tricomas aciculares ou catenados, sem estolões. Folhas 75-302 cm compr.; pecíolo 38-145 x 0,40-0,57 cm, sulcado adaxial e abaxialmente, piloso com tricomas aciculares e catenados, pubescente com tricomas catenados, sem espinhos; lâmina 37-157 cm compr., 3-pinada a 3-pinado-pinatífida na base, às vezes 4-pinada, papirácea, deltoide, ápice agudo; raque levemente flexuosa na base, sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas catenados, sem espinhos; pinas 1 1,6 -48,2 cm compr., pecioluladas, deltoides ou lanceoladas, ápice agudo; costa sulcada adaxialmente, pubescente ou pilosa, sem espinhos; pínulas (1,94) 6-1 5 x (0,57) 1,3-6, 6 cm, pecioluladas a sésseis, elípticas a lineares, ápice agudo a cuneado, as basais não reduzidas; cóstula sulcada ou não adaxialmente, pubescente ou pilosa, sem espinhos; pinululas 0,75-3,1 x 0,18-0,92 cm, pecioluladas a sésseis, lineares, ápice redondo ou agudo a cuneado, as basais não reduzidas; segmentos 0,40-0,55 x 0,17-0,25 cm, sésseis, lineares, ápice redondo, margem crenada, geralmente plana, glabra, os basais não reduzidos; nervuras geralmente bifurcadas; indumento de tricomas aciculares e catenados na costa, cóstula, nervuras e tecido laminar, ou clavados nas nervuras e tecido laminar. Soros marginais, oblongos ou arredondados, nos enseios ou próximo dele; indúsio membranáceo, margem crenada e pubescente com tricomas aciculares e catenados. Material examinado: Aiuruoca, Parque Estadual da Serra do Papagaio, 22°02’32,5"S e 44 0 38’32,1”W, 19.V.2005, A. Salino & T.E. Almeida 10502 (BHCB). Alto Caparaó, Parque Nacional do Caparaó, região próxima a Torre Repetidora, 20°26’20,4"S e 41°51’04,8”W, 24.XI.2006, A. Salino et al. 11461 (BHCB). Camanducaia, mata da nascente do rio Camanducaia, 22°42'50"S e 45°56’ 12”W, 20.VI.2000, A. Salino 5596 (BHCB). Hypolepis mitis é endêmica do Brasil ocorrendo em Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro (Schwartsburd 2010). Em Minas Gerais ocorre geralmente no interior de formações florestais como floresta estacionai semidecidua! montana e altomontana, e floresta ombrófila densa montana e altomontana, entre 1 000 e 1 900 m de altitude. 4.3. Hypolepis repetis (L.) C. Presl, Tent. Pterid. 162. 1 836. Lonchitis repens L., Sp. Pl. 2: 1078. 1753. Fig. 3a-c Plantas terrestres; caule 1 ,8-6,2 mm diâm., piloso ou pubescente com tricomas aciculares e catenados, sem estolões. Folhas 66,5-286 cm compr.; pecíolo 24,5- 1 45 x 0,23-0,7 1 cm, sulcado adaxialmente, com espinhos, piloso com tricomas aciculares, pubescente com Rodriguésia 62(1 ): o 1 1 - 033 . 20 1 1 SciELO/JBRJ. cm .. 20 tricomas catenados ou aciculares; lâmina 42-157 cm compr., 3-pinado-pinatífida, raro 4-pinada, papirácea a cartácea, raro membranácea, lanceolada a elíptica, ápice cuneado ou agudo; raque não flexuosa, sulcada adaxialmente, com espinhos, pubescente com tricomas catenados; pinas 7,9—19 cm compr., pccioluladas, elípticas a lanceoladas, ápice cuneado ou agudo; costa sulcada adaxialmente, pubescente ou pilosa, com espinhos; pínulas 0,85-9,7 x 0,5 1 - 6,6 cm, pecioluladas a sésseis, lanceoladas, elípticas, ou lineares, ápice cuneado ou redondo, às vezes caudado, as basais reduzidas ou não; cóstula sulcada adaxialmente, pubescente ou pilosa com ou sem espinhos; pinululas 0,27-3,5 x 0,04-1,19 cm, sésseis ou pecioluladas, lanceoladas, lineares ou ovadas, ápice redondo ou cuneado (nas folhas 4-pinadas), margem geralmente crenada recurv ada, glabra as basais reduzidas ou não; segmentos 0,5-0,54 x 0,22-0,23 cm, sésseis, lineares, ovados, ou lanceados, ápice redondo ou truncado, os basais não reduzidos; nervuras 1-2-bifurcadas; indumento de tricomas aciculares ou catenados na costa, cóstula, tecido laminar e nervuras, tricomas clavados no tecido laminar c nervuras. Soros marginais, arredondados, oblongos, ou flabelados, nas laterais dos segmentos; indúsio membranáceo, margem crenada, pubescente com tricomas clavados ou aciculares, somente na margem, ou glabro. Material examinado selecionado: Almenara, Fazenda Limoeiro, 16°04’47.1” S c 40°50'22,6" W, 29.11.2004, A. Salino et al. 9400 (BHCB ). Araponga, Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, 26.V.2000, A. Salino et al. 5482 (BHCB). Mariana, Parque Estadual do Itacolomi, Caberão, 20°25’27,2” S e áã^SLSó.l" W, 13.11.2006, L.B. Rolim & J.L. Silva 268 (BHCB). Hypolepis repetis apresenta pecíolo com coloração castanho-avermelhada no seu terço inferior. Esta espécie ocorre nos Estados Unidos, sul do México, América Central, Caribe até a Argentina (Mickcl & Smith 2004). No Brasil, ocorre nos estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo (Schwartsburd 20 1 0) e Espírito Santo (Salino 1 3339 - BHCB ). Em Minas Gerais ocorre em formações florestais e campestres, como campos rupestres quartzíticos e ferruginosos, florestas estacionais semideciduais submontana, montana, altomontana, entre 620 e I400mde altitude. 4.4. Hypolepis stolonifera Fée, Crypt. Vasc. Brés. 11:35.1872-73. Fig.3d-g Plantas terrestres; caule 1,78-4,45 mmdiâm., piloso com tricomas aciculares, pubescente com tricomas aciculares, catenados e glandulares, com Assis. F.C. & Salino A estolões pilosos com tricomas aciculares ou catenados. Folhas 76-146,7 cm compr.; pecíolo 32 -55,8 x 0,22-0,49 cm. sulcado adaxialmente, piloso com tricomas aciculares, pubescente com tricomas glandulares e catenados, sem espinhos; lâmina 44 - 1 02,2 cm compr., 3-pinado-pinatífida, membranácea a levemente papirácea, lanceolada a elíptica, ápice cuneado; raque não flexuosa, sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas catenados e glandulares, sem espinhos; pinas 10,5-19cm compr., pecioluladas, elípticas, ápice cuneado; costa sulcada adaxialmente, pubescente, sem espinhos; pínulas 1,9-3, 5 x 0,55-1,26 cm, sésseis, lineares a elípticas, ápice agudo a redondo, as basais não reduzidas; cóstula sulcada ou não adaxialmente, pubescente, sem espinhos; pinululas 0,35-0,67 x 0,16-0,33 cm, sésseis, lineares, ápice arredondado, margem crenada, plana, as basais não reduzidas; nervuras geralmente bifurcada, às vezes 2(3)-bifurcadas; indumento de tricomas glandulares e catenados na costa, cóstula, tecido laminar, nervuras e margens dos segmentos. Soros marginais ou submarginais, redondos, em enseios ou próximo a eles; indúsio membranáceo a papiráceo, com margem crenada, levemente recurvada e pubescente com tricomas glandulares e catenados. Material examinado: Camanducaia, Sítio do mato, 22°43’ 18,8" S e 45°35’45,4" W. 31.111.2001, A. Salino á L.C.N. Melo 6 432 (BHCB). Catas Altas, Parque Natural do Caraça. Pico do Inficcionado. 20°08'0 1 ,9” S e 43°27’ 1 1 ,2" W, 25. V. 2004, A. Salino & R.C. Mota 9579 (BHCB). Lima Duarte, Parque Estadual do Ibitipoca, 2 1 °40 , 38” S e 43°52’58,3" W, 22.VI.2007, T.E. Almeida etal. /223 (BHCB). Hypolepis stolonifera apresenta coloração castanho-acobreada nos eixos. Esta espécie é aparentemente endêmica do Brasil, com registro para Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul (Schwartsburd 20 1 0) e Espírito Santo (Salino 13739 - BHCB). Em Minas Gerais ocorre geralmente nas bordas de formações florestais úmidas (floresta ombrófila densa montana e altomontana), entre 1 600 e 2 1 00 m de altitude. 5. Undsaea Dryand. ex Sm., Mem. Acad. Roy. Sei 5:413.1793. O gênero Undsaea foi revisado por Krarner (1957) e possui ca. 150 espécies com distribuição pantropical e extratropical. As espécies estudadas apresentam caule reptante. Rodriguêsia 62 ( 1 ): 011 - 033 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm Dennstaedtiaceae de Minas Gerais Figura 3 - a-c. Hypolepis repens (J.B. Figueiredo 398) - a. detalhe da base do pecíolo e caule; b. detalhe da face abaxial da raque, costa e pínulas; c. detalhe da face abaxial dos segmentos e da cóstula. d-g. Hypolepis stolonifera (A. Salino 12389) - d. pina mediana; e. detalhe da face abaxial dos segmentos e da cóstula; f. detalhe da face abaxial do segmento, mostrando tricomas glandulares; g. detalhe da base do pecíolo e caule com estolões. Figure 3 - a-c. Hypolepis repens {J.B. Figueiredo 398) - a. detail of petiole base and stem; b. detail of the abaxial surface of rachis, costa and pinnules; c. detail of the abaxial surface of segments and costule. d-g. Hypolepis stolonifera {A. Salino 12389)-, d. medial pinna; e. detail of the abaxial surface of segments and costule; f. detail of the abaxial surface of segment showing glandular trichomes; g. detail of petiole base and stem showing stolons. Chave de identificação para as espécies de Lindsaea em Minas Gerais Lâmina 1-2 pinada, raro 3-pinada. 2. Pinas (lâmina 1 -pinada) ou pínulas (lâmina 2-pinada) medianas flabeladas a ovadas. 3. Lâmina 1 -pinada, raro 2-pinada; margem do indúsio crenada ou ondulada 5.3. L. botrychioides 3’. Lâmina 2-pinada, raro 1 -pinada; margem do indúsio fortemente serreada 5.7. L. ovoidea 2 . Pinas (lâmina 1 -pinada) ou pínulas (lâmina 2-pinada) medianas dimidiadas. 4. Costa abaxialmente angulada. 5. Pecíolo e raque abaxialmente angulados. 6. Esporos monoletes 5.8. L quadrcmgularis ssp. quadrangularis 6’. Esporos triletes 5.6. L. lancea var. lancea 5’. Pecíolo e raque abaxialmente cilíndricos 5.4. L. divaricata 4’. Costa abaxialmente cilíndrica. 7. Pínulas até 2,5 vezes mais compridas que largas. 8. Raque com tricomas catenados, pinas 2,5-3,5 cm larg 5.5. L. guicmensis ssp. lanceastrum Rodriguésia 62(1): OI 1 -033. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. 22 Assis, F.C. & Salino A. 8’. Raque sem tricomas catenados, pinas 0,25-2 cm larg 5.9. L stricta var. stricta T. Pínulas mais que 2,5 vezes mais compridas que largas 5.1. L arcuata 1 ’. Lâmina 2-pinado-pinatífida ou (2)3-pinado-pinatissecta, raro 1 -pinado-pinatífida. 9. Último segmento pinatissecto, com ápice bifurcado; pínula basal dividida igualmente às pínulas medianas 5.2. L bífida 9'. Último segmento pinatífido, com ápice não bifurcado; pínula basal mais vezes dividida que as pínulas medianas 5. 10. L virescens var. virescens 5.1 .Lindsaea arcuata Kunze, Linnaca 9: 86. 1 835. Fig. 4a-c Plantas terrestres ou rupícolas; caule 0,95 - 3,6 mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice acuminado a Filiforme, sem tricomas. Folhas 1 7,5- 80,9 cm compr.; pecíolo 6,5-50,7 x 0,08- 0.35 cm, sulcado ou não adaxialmente, cilíndrico ou angulado abaxialmente, com escamas lanceoladas, de ápice acuminado a filiforme, pubescente com tricomas catenados, clavados, ou sem tricomas; lâmina 10- 33 cm compr., 2-pinada, raro 1-pinada, membranácea, rombiforme, raro linear, abaxialmente não glauca; raque sulcada, alada ou não adaxialmente, angulada a cilíndrica abaxialmente, pubescente com tricomas catenados ou clavados, ou glabra; pinas 5,7-1 9 x 1 ,1-3,4 cm, pecioluladas, elípticas a lineares, ápice cuneado ou agudo, às vezes caudado, as basais não reduzidas; costa sulcada adaxialmente, cilíndrica abaxialmente, pubescente; pínulas 0,84-2,8 x 0,33-0,76 cm, pecioluladas, dimidiadas, ápice redondo, agudo ou truncado, margem inteira a crenada, glabra, as basais reduzidas; nervuras ( 1 )2-bifurcadas; indumento de tricomas catenados e clavados na costa e tecido laminar; nervuras glabras. Soros oblongos ou lineares na margem acroscópica, às vezes no ápice das pínulas; indúsio membranáceo a papiráceo com margem ondulada, glabro; esporos triletes. Material examinado selecionado: Catas Altas, Parque Natural do Caraça, 20°05 , 46"S c 43°28’45”W, 30. VIII. 1997. A. Salino 3373 (BHCB). Felício dos Santos, APA Felício, Mata do Isidoro. 1 8 o 1 F48, 1" S e 43° 1 T 1 3,7" W, 30X2004, A. Salino et al. 99371 BHCB). Formoso, Parque Nacional do Grande Sertão Veredas, 1 5°23’26,8"S e 45°53'04.4”W, 7. II. 2006, A. Salino etal. 10801 (BHCB). Lindsaea arc uata ocorre no México, América Central, Cuba, Hispaniola, Venezuela até a Bolívia (Mickel & Smith 2004). No Brasil ocorre nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina (Schwartsburd, 2010). Em Minas Gerais ocorre geralmente, em locais muito úmidos, muitas vezes até alagados em matas ciliares e de galeria. floresta estacionai semidecidual montana e floresta ombrófila densa montana e altomontana e veredas, entre 750 e 1 600 m de altitude. 5.2. Lindsaea bifida (Kaulf.) Mett. ex Kuhn, Festschr. 50 Jahr. Jub. Real. Berlin 26. 1882. Davallia bifida Kaulf., Enum. 222. 1824. Fig. 4d-e Plantas terrestres, raro rupícolas; caule 1,15- 3,13 mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, sem tricomas. Folhas 1 3- 4 1 ,5 cm compr.; pecíolo 5,5-24,4 x 0,05-0, 1 6 cm, sulcado ou alado adaxialmente, cilíndrico a angulado abaxialmente, com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas clavados ou sem tricomas; lâmina 7-22 cm compr., 3-pinado- pinatissecta, raro 2-pinado-pinatissecta, membranácea, lanceolada a rombiforme, abaxialmente não glauca; raque sulcada adaxialmente, angulada abaxialmente, pubescente com tricomas clavados ou glabra; pinas 1 .15-8,5 x 1,41-1,80 cm, pecioluladas, lanceoladas ou rombiformes, ápice agudo a cuneado, as basais não reduzidas; costa geralmente sulcada adaxialmente, geralmente cilíndrica na base da face abaxial, pubescente ou glabra; pínulas 0,64-1,67 x 0,39- 2,7 cm, pecioluladas, lanceoladas, ápice bifurcado, as basais não reduzidas; pinululas 0,36-0,6 1 x 0, 1 2- 0,34 cm, pecioluladas, ápice bifurcado, margem crenada ou não, glabras, as basais não reduzidas; nervuras l(2)-bifurcadas; indumento de tricomas clavados na costa e tecido laminar, geralmente tecido laminar e nervuras glabros. Soros oblongos a flabelados no ápice das pínulas e pinululas; indúsio membranáceo com margem crenada, glabro; esporos triletes. Material examinado selecionado: Carrancas, Serra de Carrancas. 21°36’ I7,2"S e 44°36’ 19,2"W, 19.VI.2007, A. Salino et al. 12305 (BHCB). Catas Altas, Parque Natural da Serra do Caraça, Trilha para Gruta do Padre Caio, 15.IV.2000. A. Salino 5245 ( BHCB). Simonésia. RPPN Mata do Sossego, 20"04 - 1 8,7"S e 42°04’ 1 3, 1 "VV, 23.V.2006, A. Salino etal. 1H74{ BHCB). Rodriguósta 62( 1 ): 0 11 -033. 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm Dennstaedtiaceae de Minas Gerais Lindsaea bífida ocorre apenas no Brasil, com registros para os estados da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Kramer 1957). Em Minas Gerais ocorre geralmente, em locais muito úmidos, muitas vezes até alagados, em matas ciliares, floresta estacionai semidecidual e floresta ombrófila densa altomontana, entre 770 e 1 700 m de altitude. 5.3. Lindsaea botrychioides St. Hil., Voy. Distr. Diam. 1:379.1833. Fig.4f Plantas terrestres: caule 0,94—2,09 mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas catenados ou clavados, ou sem tricomas. Folhas 30,8-59. 1 cm compr.; pecíolo 08,9-22,4 x 0,07-0,22 cm, geralmente sulcado adaxialmente e angulado abaxialmcnte, com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas catenados ou clavados; lâmina 17,3-38,2 cm compr., 1 -pinada, raro 2-pinada, membranácea ou papirácea, linear (1 -pinada) ou rombiforme, abaxialmente não glauca; raque sulcada adaxialmente com sulco interrompido pelo peciólulo das pinas, levemente angulada abaxialmente, pubescente com tricomas catenados ou clavados; pinas 0,97-2, 1 (22,7 nas folhas 2-pinadas) x 0,63-1,8 cm, pecioluladas, redondas, flabeladas (1 -pinada) ou lineares (2- pinada), ápice redondo ou cuneado, as basais não reduzidas; costa sulcada ou não adaxialmente, pubescente; pínulas quando presentes 0,78-0,93 x 0,55-0,58 cm, pecioluladas, flabeladas, ápice redondo, margem fértil inteira a levemente crenada, estéril crenada, as basais reduzidas ou não, glabras; nervuras 2-3-bifurcadas; indumento de tricomas catenados, clavados ou aciculares, na costa. Soros lineares na margem acroscópica; indúsio membranáceo ou papiráceo, com margem crenada ou ondulada, glabro; esporos triletes. Material examinado selecionado: Barbacena, do lado da Cabana da Mantiqueira na BR (M0, X1I.2002, A. Salino á V.A.O. Dinrich 8223 (BHCB). Catas Altas. Parque Natural do Caraça, 20°06’32”S e 43°28'43”W, 19.IV. 1997, A. Salino 3018 (BHCB). Lima Duarte, Parque Estadual do Ibitipoca, 2 1 °42'24"S e 43°53’25"W, 9.VIII.2005, C.M. Mynssen et al. 780 (RB). Lindsaea botrychioides é uma espécie endémica do Brasil ocorrendo em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Schwartsburd 2010). Em Minas Gerais ocorre geralmente no interior de formações florestais como floresta ombrófila densa altomontana e floresta estacionai semidecidual montana, entre 1 200 c 1 850 m de altitude. Rodríguésia 62(1 ): 0 X 1 -033. 20 1 1 23 5.4. Lindsaea divaricata Klotzsch, Linnaea 1 8: 547. 1844. Fig.4g-i Plantas terrestres ou rupícolas; caule 1 ,27-3,89 (7,17) mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice acuminado a filiforme, pubescente com tricomas aciculares ou catenados, ou sem tricomas. Folhas 1 2,8- 96, 1 cm compr. ; pecíolo 8,5-55,7 x 0, 1 0-0,34 cm, alado ou não, sulcado ou não adaxialmente, cilíndrico abaxialmente, com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas clavados, aciculares ou catenados, ou sem tricomas; lâmina 1 4,3- 40,4 (50,4) cm compr., 2-pinada, membranácea a papirácea, rombiforme ou linear, abaxialmente glauca ou não; raque alada adaxialmente, não sulcada, cilíndrica abaxialmente, pubescente com tricomas aciculares, catenados, ou clavados, ou glabra; pinas 9-19,3 x 1,5-3, 2 cm, pecioluladas ou curto- pecioluladas, elípticas a lineares, ápice cuneado- lanceado, agudo-lanceado, ou truncado, raro caudado, as basais não reduzidas; costa alada, não sulcada, angulada abaxialmente, pubescente ou glabra; pmulas 0,68-1 ,49 x 0,3- 0,63 cm, curto-pecioluladas a pecioluladas, dimidiadas, ápice redondo a truncado, margem inteira ou crenada principalmente no ápice, glabras, as basais levemente reduzidas a flabeladas; nervuras 1-2-bifurcadas; indumento de tricomas clavados na costa e tecido laminar, ou tecido laminar glabro, nervuras glabras. Soros lineares na margem acroscópica, às vezes no ápice das pínulas; indúsio membranáceo a papiráceo com margem ondulada a crenada, glabro; esporos triletes. Material examinado selecionado: Cannópolis de Minas. Estação Ecológica Mata do Cedro, 20°27'30,5”S e 44°37 21,2’ W, 11.X1I.2004, T.E. Almeida 33 (BHCB). Chapada Gaúcha, Parque Nacional do Grande Sertão Veredas, 15°23’39,4"S e 45°54'01,9"W. 8.11.2006, A. Salino et al. 10802 (BHCB). Santa Rita do llueto. Parque Estadual de Sete Salões, I9°I6’42”S e 41°22’22,6”W, 9.V.2006.A. Salino et al. /OW(BHCB). Lindsaea divaricata ocorre na Guatemala, Panamá, Guiana Francesa até o Paraguai (Kramer 1957). No Brasil ocorre nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo (Assis & Salino 2007). Em Minas Gerais ocorre preferencialmente em matas ciliares e de galeria, em terrenos brejosos ou periodicamente alagados, às vezes, em floresta estacionai semidecidual de encosta, ou submontana, entre 600 e 1 300 m de altitude. 5.5. Lindsaea guianensis ssp. lanceastrum K.U. Kramer, Acta Bot Ncerl. 6: 2 1 6. 1 957. Fig. 5a-b Plantas terrestres; caule 0,95-3,5 1 mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, sem tricomas. Folhas 23,4-77,7 cm compr.; pecíolo 5,6-44,7 x0, 14- SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 24 Assis, F.C. & Salino A. Figura 4 - a-c Lindsaea arcuata - a. pina mediana (A. Salino 5254); b-c. detalhe da face abaxial das pínulas (A. Salino 10988, 5254). d-e. Lindsaea bífida U-B. Figueiredo 66) - d. hábito; e. detalhe da face abaxial dos segmentos; f. Lindsaea botrychioides (A. Salino 3018) - hábito e detalhe da face abaxial da pina. g-i. Lindsaea divaricata -g. pina mediana; detalhe da forma da raque e costa em corte transversal (A. Salino 1 0802); h-i. detalhe da face abaxial das pínulas (A. Salino 10860. 8852). Figure 4 - a-c. Lindsaea arcuata - a. medial pinna (A. Salino 5254); b-c. detail of the abaxial surfacc of pinnules (A. Salino 10988, 5254). d-e Lindsaea bífida (J.B. Figueiredo 66) - d. habit; e. detail of thc abaxial surfacc of segments. f. Lindsaea botrychioides (A. Salino 3018) - habit and detail of thc abaxial surfacc of pinna. g-i. Lindsaea divaricata - g. medial pinna, and details of thc cross sections of rachis and costa ( A . Salino 10802); h-i. detail of thc abaxial surface of pinnules (A. Salino 10860, 8852). Rodriguésia 62( 1 ): 0 1 1 -033. 20 1 1 SciELO/JBRJ cm Dennstaedüaceae de Minas Gerais 25 0,27 cm, não sulcado, angulado a cilíndrico abaxialmente, com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas clavados ou calenados; lâmina 1 7,8-37,3 cm compr., 2-pinada, raro 1 -pinada, membranácea ou papirácea, rombiforme ou elíptica, abaxialmente não glauca; raque alada ou não adaxialmente, não sulcada, cilíndrica abaxialmente, pubescente com tricomas clavados ou catenados; pinas (13)1 0-23,5 x 2, 5-3, 5 cm (pinas 1 , 1 3-1 ,62 x 0,6 1- 0,75 cm nas plantas 1 -pinadas), pccioluladas, elípticas a lineares, ápice cuneado a lanceado, as basais não reduzidas; costa alada ou não, não sulcada, cilíndrica abaxialmente, pubescente ou glabra; pínulas 0,53-1 ,82 x 0,34-0,73 cm, pecioluladas, dimidiadas, ápice redondo ou truncado, margem inteira a levemente ondulada, ou crenada no lado acroscópico, as basais reduzidas; nervuras 1-2-bifurcadas; indumento de tricomas aciculares ou catenados na costa, tricomas clavados na costa e tecido laminar, ou tecido laminar glabro, nerv uras glabras. Soros lineares na margem acroscópica e ápice das pínulas; indásio membranácco, com margem ondulada a crenada glabro; esporos triletes. 5 laterial examinado selecionado: Francisco Dumont, Seira do Cabral, 18.V.200I.G. Hatschbach etal. 72/&f (BHCB). Leme do Prado, Estação Ecológica de Acauã, 1 7 D 09’42,8"S e 42°46’38,3”W, 2.VII.2006.A. Salino etal. 11208 (BHCB). São Roque de Minas, Estrada para a Cachoeira dos Rolinhos, 21.XI.1995.7.M Nakajima et al. 1573 (BHCB). Lindsaea guianensis ssp. lanceastrum ocorre no Brasil e Paraguai (Kramer 1957). No Brasil ocorre nos estados do Amazonas, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, M inas Gerais, São Paulo e Paraná ( Assis 6 Salino 2007). Em Minas Gerais ocorre geralmente em locais encharcados no interior de matas ciliares, de galeria e veredas, entre 700 c 1 1 50 m de altitude. 5.6. Lindsaea lancea (L.) Bedd. var. lancea, Suppl. Fems S. Ind. 6. 1876. Adiaiitwn lancea L., Sp. Pl. cd.2. 2:1557.1763. Fig.5c-d Plantas terrestres; caule 1,19-4,8 mmdiâm..com escamas lanceoladas, de ápice acuminado a filiforme, sem tricomas. Folhas 22,2-89,8 cm compr.; pecíolo 6,5-60,8 x 0, 1 2-0.32 cm, sulcado ou não adaxialmente, angulado abaxialmente, com escamas lanceoladas, de ápice acuminado a filiforme, pubescente com tricomas clavados. catenados, ou sem tricomas; lâmina 7-34,7 cm compr., 2-pinada, raro 1 -pinada, membranácea, rombiforme ou linear, abaxialmente não glauca; raque sulcada ou alada adaxialmente, angulada abaxialmente, pubescente com tricomas clavados, ou glabra; pinas 7-23,5 x 2-3,9 cm (pinas 1,28-1,91 x 0,55-0,84 cm nas plantas 1 -pinadas), pecioluladas, elípticas a lineares, ápice lanceado, as basais não reduzidas; costa sulcada ou alada adaxialmente, angulada abaxialmente, pubescente ou glabra; pínulas 1 ,08-1 ,95 x 0,4-0,88 cm, pecioluladas, dimidiadas, ápice redondo a truncado, margem inteira a crenada. principalmente no ápice das pínulas estéreis, as basais reduzidas (flabeladas); nervuras 1-2-bifurcadas; indumento de tricomas clavados na costa e tecido laminar, ou tecido laminar glabro. nervuras glabras. Soros lineares na margem acroscópica, às vezes no ápice das pínulas; indúsio membranáceo a papiráceo com margem ondulada, glabro; esporos triletes. Material examinado selecionado: Caratinga, Estação Biológica de Caratinga, 25.111.2000, A. Salino 5165 et al. (BHCB). Santa Maria do Salto, Fazenda Duas Barras, 16°24’18,7”S e 40°03’22,I”W, 22.VIII.2003, J.A. Lomba nli et al. 5381 (BHCB ). São Roque de Minas, Parque Nacional da Serra da Canastra, 20° 1 8’ 20"S e 46°3 1 ’ 1 2,8"\V. 14. VII. 1 997, A. Salino 3207 (BHCB). Lindsaea lancea var. lancea ocorre no México, America Central, Antilhas, Trinidad, Guiana Francesa até o Paraguai (Kramer 1957). No Brasil ocorre nos estados do Acre, Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Assis & Salino 2007). Em Minas Gerais ocorre geralmente nas formações florestais do bioma Cerrado, estacionais semideciduais montana e submontana, e ombrófilas densa submontana e montana do bioma Mata Atlântica, entre 250 e 1 360 m de altitude. 5.7. Lindsaea ovoidea Fée, Crypt. Vasc. Brés. II: 21.1872-73. Fig. 5e-f Plantas terrestres ou rupícolas; caule 1,25- 1 ,6 1 mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, sem tricomas. Folhas 12, 1-5 1 ,8 cm compr.; pecíolo 4,3-2 1 ,5 x 0,06-0, 1 9 cmm, sulcado ou não adaxialmente, cilíndrico ou angulado abaxialmente, com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas clavados; lâmina 7,8-30,3 cm compr., ( 1 )2-pinada, membranácea a papirácea, rombiforme, abaxialmente não glauca; raque sulcada ou não adaxialmente, angulada abaxialmente, pubescente com tricomas clavados ou catenados, ou glabra; pinas 9-1 2,7 x 1,09-2, 16 cm, subsésseis, lineares, ápice cuneado a redondo, as basais não reduzidas; costa sulcada adaxialmente, angulada a cilíndrica abaxialmente, pubescente ou glabra; pínulas 0,68-0,7 x 0,42-0,45 cm, subsésseis a pecioluladas, flabeladas a ovadas, ápice redondo, margem crenada a serreada, glabra, as basais Rodríguàsía 62( 1 ): o 1 1 -033. 20 1 1 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm .. Figura 5 - a-b Lindsaea guianensis ssp. lanceastiwn (A. Salino 11208)- a. face abaxial das pínulas basais, detalhe da forma da raque e costa em corte transversal; b. detalhe da face abaxial das pínulas. c-d. Lindsaea lancea var. lancea (A. Salino 10896) - c. hábito, mostrando detalhe da forma da raque e costa em corte transversal; d. detalhe da face abaxial das pínulas. e-f. Lindsaea ovoidea (A. Salino 4236) - e. hábito; f. detalhe da face abaxial da pina g-i. Lindsaea quatlrangularis ssp. quadrangularis - g. p ina mediana (T.E. Almeida 57); h. detalhe da face abaxial das pínulas (F./Í. Camilha 118); i. detalhe da face abaxial das pínulas (J.B. Figueiredo 285). j-k. Lindsaea stricla var. stricia (A- Salino 3229) - j. pina mediana; k. detalhe da face abaxial das pínulas. Figure 5 - a-b. Lindsaea guianensis ssp. lanceastrum (A. Salino 1 1208) - a. abaxial surface of proximal pirmulcs and detail of thc cross section of rachis and costa; b. detail of thc abaxial surface of pinnules. c-d. Lindsaea lancea var. lancea IA. Salino 10896); c. habit, and details of the cross scctions of rachis and costa; d. detail of the abaxial surface of pinnules. e-f. Lindsaea ovoidea (A. Salino 4236) - c. habit; f. details of thc abaxial surface ofpinna. g-i. Lindsaea quadrangularis ssp. quadrangularis - g. medial pinna (F./f. Almeida 57); h. detail of the abaxial surface of pinnules (F.A. Carvalho 118); i. detail of thc abaxial surface of pinnules (J.B. Figueiredo 285). j-k. Lindsaea stricia var. stricla (A. Salino 3229) - j. medial pinna; k. detail of thc abaxial surface of pinnules. Rodríguésia 62(11:011 -033. 20 1 1 SciELO/ JBRJ 2 13 14 cm Dennstaedtiaceae de Minas Gerais reduzidas ou não; nervuras 2-bifurcadas, às vezes, 1-t'urcadas: indumento de tricomas clavados na costa e tecido laminar, raro nas nervuras. Soros oblongos ou lineares na margem acroscópica e ápice das pínulas; indúsio membranáceo, com margem fortemente serreada, glabro; esporos triletes. Material examinado: Ouro Preto, Parque Estadual do Itacolomi. Pico do Itacolomi, 13.V. 1998, A Salino et ai 4236 (BHCB). Lindsaea ovoidea apresenta pecíolo bege a castanho e uma incisão na porção mediana do lado acroscópico das pínulas. É uma espécie endêmica do Brasil com registros para Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Schwartsburd 2010). Em Minas Gerais ocorre no interior de matas de galeria c de floresta ombrófila densa montana e altomontana, entre 1 000 e 1 200 m de altitude. 5.8. Lindsaea quadrangularis Raddi ssp. quadrangularis, Opuse. Sei. Boi. 3: 294. 1819. Fig. 5g-i Plantas terrestres, raro rupícolas; caule 1,6- 3,99 mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, sem tricomas. Folhas 4 1 ,2-79 cm compr.; pecíolo 16-50,7 x 0.09-0,31 cm, alado ou sulcado adaxialmente, angulado abaxialmente, com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas clavados, ou sem tricomas; lâmina 20,7- 40,4 cm compr., 2-pinada, membranácea. rombiforme ou linear, abaxialmente não glauca; raque alada, sulcada ou não adaxialmente, angulada abaxialmente, pubescente com tricomas clavados, ou glabra; pinas 73-1 9,6 x 1 ,3-2,6cm, curto-pecioluladas a pecioluladas, lineares, ápice cuncado, caudado ou não, as basais não reduzidas; costa alada ou sulcada adaxialmente, angulada abaxialmente, pubescente ou glabra; pínulas 0,64-1 35 x 034-0,65 cm, curto-pecioluladas, dimidiadas, ápice truncado, margem crenada a fortemente serreada, glabra, as basais reduzidas a 0 abei adas; nervuras 1- 3-bifurcadas; indumento de tricomas clavados na costa e tecido laminar, ou tecido laminar glabro, nervuras glabras. Soros lineares ou oblongos, na margem acroscópica e ápice das pínulas; indúsio membranáceo com margem crenada a fortemente serreada, pubescente com tricomas clavados, somente na base, ou glabro; esporos monoletes. Material examinado selecionado: Carangola, Fazenda Santa. Rita, 26. V. 1989, A. Salino 737 (BHCB, HB, MBM). Conceição do Mato Dentro, 19°06’ 1 1,46”S e43 24 33,6 W, 25. IX. 2005, T.E. Almeida et al. 131 (BHCB). Marliéria, Parque Florestal do Rio Doce, IX. 1997, A. Salino & LC.N. Melo 3443 (BHCB). Rodríguésia 62( 1 ): o 1 1 -033. 20 1 1 Lindsaea quadrangularis ssp. quadrangularis é endêmica do Brasil, com registros para Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná (Schwartsburd 2010). Em Minas Gerais ocorre geralmente em formações florestais como matas ciliares, de galeria e secundária, e Floresta Estacionai Semidecidual Montana, entre 600 e 780 m de altitude. 5.9. Lindsaea stricta (Sw.) Dryand. var. stricta, Trans. Linn. Soc. London 3: 42. 1797. Adiantum striclum Sw., Prodr.: 135. 1788. Fig. 5j-k Plantas terrestres ou rupícolas, raro epífitas; caule 1 ,64-4,25 mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, sem tricomas. Folhas 8,9-103,8 cm compr.; pecíolo 1,3-61,1 x 0,07-0,33 cm, sulcado ou não adaxialmente, cilíndrico abaxialmente, com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas clavados, catenados, ou sem tricomas; lâmina 7,3-55 cm compr., geralmente 2- pinada, raramente I -pinada ou 3-pinada, papirácea a cartácea, rombiforme ou linear, abaxialmente não glauca; raque sulcada ou não adaxialmente, cilíndrica abaxialmente, pubescente com tricomas clavados, ou glabra; pinas 0,39-25,7 x 0,25-2 cm, curto- pecioluladas ou pecioluladas, lineares, elípticas, ou dimidiadas, ápice cuneado, redondo, ou caudado, as basais não reduzidas; costa sulcada ou não adaxialmente, cilíndrica abaxialmente, pubescente ou glabra; pínulas 03-1,19 x 0,23-0,6 cm, curto- pecioluladas, dimidiadas ou lineares, ápice redondo ou cuneado, as basais reduzidas ou não; pinululas 0,29-0,64 x 0,22-0,44 cm, curto-pecioluladas, dimidiadas ou flabeladas, ápice redondo, margem crenada ou ondulada, as basais reduzidas; nervuras 1 -2-bifurcadas; indumento de tricomas clavados na costa e tecido laminar, ou tecido laminar glabro, nervuras glabras. Soros lineares ou oblongos, na margem acroscópica e ápice das pínulas; indúsio membranáceo, margem serreada, raro fortemente crenada, pubescente com tricomas clavados, somente na base, ou glabro; esporos triletes. Material examinado selecionado: Boa Esperança, Parque Estadual da Serra da Boa Esperança, 21 °0’0,5"S e 45°40'40,3”W, 14.XI1.2007, A. Salino et al. 13017 (BHCB). Camanducaia, Mata do Trevo de acesso a Camanducaia, 22°44'53,2”S e 46°09’ 1 6,9”W, 1 .VI.200 1 , A. Salino 6887 (BHCB). Catas Altas, Parque Natural do Caraça, Trilha para a Cascatona, 1. IV. 1999, A. Salinoet al 4564 (BHCB). Kramer (1957) reconheceu para Lindsaea stricta três variedades, sendo que somente L. stricta var. stricta ocorre em Minas Gerais. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm .. 28 Assis, F.C. & Salino A. Lindsaea stricta var. stricta ocorre no sul do México, América Central, Cuba, Jamaica, Trinidad, Guiana Francesa até a Bolívia (Kramer 1957). No Brasil ocorre nos estados do Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Rondônia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Goiás, Distrito Federa], Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Assis & Salino 2007). É a espécie de Lindsaea mais comum em Minas Gerais, ocorrendo em formações campestres, savânicas e florestais do biorna Cerrado e nas florestais estacionais deciduais, e semideciduais do biorna Mata Atlântica, entre 550 e 1 600 m de altitude. 5 . 10 . Lindsaea virescens Sw. var. virescens, Kongl. Vctensk. Akad. Handl. 1817: 73. 1817. Fig.6a-b Plantas terrestres; caule 1 ,9 1-2,39 mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas catcnados, ou sem tricomas. Folhas 17,5-35,1 cm compr.; pecíolo 9- 20,7 x 0,07-0, 1 3 cm, sulcado adaxialmente, cilíndrico abaxialmente, com ou sem escamas lanceoladas, de ápice filiforme, pubescente com tricomas catenados, ou sem tricomas; lâmina 8,5-14,4 (20) cm compr., 2- pinado-pinatífida, raro 1 -pinado-pinatífida, membranácca, rombiforme ou lanceolada, abaxialmente não glauca; raque sulcada em ambas as faces, angulada abaxialmente, pubescente com tricomas catenados, ou glabra; pinas 1 .5-6,9 x 1 .09- 1.51 cm, pecioluladas, lanceoladas, elípticas, ou flabeladas, ápice euneado, as basais não reduzidas; costa sulcada adaxialmente, angulada abaxialmente, pubescente ou glabra; pínulas 0,74—0,97 x 0,29- 0,47 cm, pecioluladas, flabeladas ou dimidiadas, ápice redondo, margem inteira a crenada no ápice, glabra, as basais reduzidas ou não; nervuras 1-2- bifurcadas; indumento de tricomas catenados na costa, às vezes tricomas clavados no tecido laminar, geralmente tecido laminar e nerv uras glabros. Soros oblongos ou lineares na margem acroscópica das pínulas; indúsio membranáceo, margem ondulada a crenada, glabro; esporos triletes. Material examinado: Catas Altas, Serra do Caraça, acima da Cascatinha, 2.X.1998.A. Salino 4366 (BHCB). Lima Duarte, Saint Gobain - Fazenda da Serra, 14. VII. 2005, E. Tameirão Neto 3932 (BHCB). Ressaquinha. Serra da Trapizonga, VIII. 1 894, A. Silveira 671 R). Lindsaea virescens apresenta duas variedades, sendo que somente L. virescens Sw var. virescens ocorre em Minas Gerais. Espécie endêmica do Brasil, com registros para Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina (Schwartsburd 20 1 0) e Espírito Santo ( Kollman 590 1 - M B ML). Segundo Kramer ( 1 957 ), ocorre em florestas a ca. 1 000 m de altitude. Em Minas Gerais ocorre no interior de formações florestais como sub-bosque de floresta estacionai semidecidual, entre 1000- 1 300 m de altitude. 6. Paesia St.-Hil., Voy. Dislr. Diam. 1:381. 1 833. Segundo Tryon & Stolze ( 1 989), Paesia é um gênero principalmente tropical com ca. 1 2 espécies, com duas delas na América. 6.1. Paesia glanditlosa (Sw.) Kuhn, Festschr 50 Jáhr. Jub. Real. Berlin 347 (27). 1882. Cheilanthes glandulosa Sw., Kongl. Vetensk. Akad. Handl. 1817: 77.1817. Fig. 6c -e Plantas terrestres ou rupícolas; caule longo- reptante, 1,3-2,95 mm diâm., piloso ou pubescente com tricomas aciculares ou catenados, ou glabro. Folhas 40,6 - 143 cm compr.; pecíolo 10,9—46,9 x 0,13-0,25 cm, sulcado ou não adaxialmente, com tricomas aciculares, catenados e glandulares; lâmina 24,3-105,5 cm compr., 3-pinado-pinatífida, às vezes 4-pinado-pinatífida na base, cartácea, elíptica, ápice agudo; raque sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas aciculares, catenados e glandulares; pinas 12,5-41,7 cm compr., pecioluladas, lanceoladas ou lineares, ápice euneado; costa sulcada adaxialmente, pilosa ou pubescente; pínulas 2-6,9 x 0,7-2 cm, pecioluladas ou sésseis, lanceoladas, lineares, ou elípticas, ápice euneado, caudado ou não, as basais reduzidas ou não; cóstula sulcada adaxialmente, pilosa, pubescente, ou glabra; pinululas 0,39-0,92 x 0,17-0,51 cm, sésseis, lanceoladas, lineares, ovadas, ou dimidiadas, ápice redondo a euneado, margem inteira e plana, as basais reduzidas ou não; nervuras 1 -bifurcadas, às vezes, 2-bifurcadas; indumento de tricomas catenados na costa, cóstula, tecido laminar, margem e nervuras, tricomas glandulares na costa, cóstula e tecido laminar, tricomas aciculares na costa. Soros oblongos; indúsio com margem membranácea e crenada, pubescente com tricomas catenados, aciculares e glandulares, ou glabro, indúsio abaxial presente. Material examinado selecionado: Ouro Preto, Parque Estadual do Itacolomi. 20°24 , 43.2"S e 43°25'50.1"W, 6.1.2006, LB. Rolim &J.L Silva 163 ( BHCB). Rio Preto, Serra do Funil, 21°57 , 50,9”S e 43°52 , 45,7"W, 10.IV.2007, T.E. Almeida et al. 762 (BHCB). Santo Antônio do Itambé, Parque Estadual do Pico do Itambé, 6.X. 2006. F.C. Assis et al. 14 (BHCB). Rodnguésia 62 ( 1 ): 011 - 033. 20 1 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Dennstaedtiaceae de Minas Gerais 29 Figura 6 - a-b. Lindsaea virescens var. virescens (E. Tameirão Neto 3932) - a. hábito; b. detalhe da face abaxial das pínulas. c-e. Paesia glandulosa (F. C. Assis 17) - c. Detalhe da face adaxial da raque e pina; d. detalhe da face abaxial dos segmentos; e. tricomas glandulares. Figure 6 - a-b. Lindsaea virescens var. virescens (E. Tameirão Neto 3932). a. habit; b. detail of the abaxial surface of pinnules. c-e. Paesia glandulosa ( F.C . Xssis 17) - c. detail of the adaxial surface of rachis and pinna. d. detail of the abaxial surface of segments; e. glandular trichomes. Paesia glandulosa ocorre na Costa Rica, Panamá, Cuba, Jamaica, Hispaniola, Venezuela até a Bolívia (Tryon & Tryon 1982). No Brasil ocorre apenas em Minas Gerais (Tryon & Tryon 1982), no Quadrilátero Ferrífero e Cadeia do Espinhaço, onde ocorre nos campos rupestres e formações florestais montanas e altomontanas, entre 1500 e 1850mde altitude. Rodriguésia 621 1 ): 0 1 1 - 033 . 20 1 1 7. Pteridiiim Gled. ex Scop., Fl. Carniol. 169. 1760, nom. cons. Pteridium é um gênero cosmopolita, com ca. 1 2 espécies. Embora Tryon & Tryon (1982) tenham considerado apenas uma espécie dividida em 12 variedades, algumas dessas são claramente distintas e merecem reconhecimento em nível específico (Moran 1995, Mickel & Smith 2004). SciELO/JBRJ cm .. 30 7.1. Pteridium arachnoideum (Kaulf.) Maxon. J. Wash. Acad. Sei. 14: 89. 1924. Pteris arachnoidea Kaulf.,Enum.Fil.: 190. 1824. Fig. 7a-b Plantas terrestres; caule longo-reptante. 2,82-12,19 mm diâm., pilosoou pubescente com tricomas aciculares e/ou catenados. Folhas 51- 343.3 cm compr.; pecíolo (2,5) 1 3-1 66,5 x (0, 1 6) 0,32-1 ,26 cm, sulcado ou não adaxialmente, piloso ou pubescente com tricomas catenados ou aciculares, ou glabro; lâmina 29-1 76,8 cm compr., 3-4-pinada, raro 5-pinada na base a 2-pinada no ápice, cartácea, lanceolada a elíptica, ápice agudo, cuneado ou não; raque sulcada adaxialmente, às vezes abaxialmente, pilosa ou pubescente com tricomas catenados, ou glabra; pinas (2,8) 5,8-1 24,9 cm compr., pecioluladas ou sésseis, lanceoladas, elípticas, ou lineares, ápice agudo, cuneado ou não; costa sulcada adaxialmente ou em ambas as faces, pubescente ou glabra; pínulas (0,34) 0,66-37 x (0,10) 0,22- 16,5 cm, pecioluladas ou sésseis, lanceoladas, lineares, ou elípticas, ápice cuneado a agudo, caudado ou não, as basais reduzidas a ausentes no lado acroscópico; cóstula sulcada adaxialmente, pubescente ou glabra; pinululas 0,12-10 x 0,03-0,52 cm, sésseis, lineares ou lanceoladas, ápice redondo, agudo, ou cuneado- caudado, as basais reduzidas ou não; segmentos 0,54-1,03 x 0,17-0,36 cm, sésseis, lineares ou lanceados, ápice cuneado ou redondo, margem inteira, recurvada, glabros, os basais reduzidos ou não, lobos presentes ao menos entre os últimos segmentos; nervuras bifurcadas; indumento de tricomas catenados na costa, cóstula e do tecido laminar, setiformes nas nervuras, ou tecido laminar glabro. Soros lineares; indúsio com margem crenada, pubescente com tricomas catenados, indúsio abaxial presente, porém pouco desenvolvido. Assis, F.C. & Salino A. Material examinado selecionado: Alto Caparaó, Parque Nacional do Caparaó, XI. 2006. A. Salino et ai 1 1403 (BHCB). Bocaiuvas, Parque Nacional das Sempre Vivas, 17°54’7,5" S e 43°46’22,6” W, 29.IV.2007, T.E. Almeida et al. 926 (BHCB). Carrancas, Serra de Can-ancas, 21 °36 - 17,2” S e 44°36’ 19.2" W, 1 9. VI. 2007, 4. Salino et al. 12300 (BHCB). Foram analisados indivíduos de Pteridium arachnoideum com lâmina 5-pinada, o que ainda não tinha sido descrito para o gênero e para a família. Esta espécie foi tratada por Tryon & Tryon (1982) como P. aqitiliniim subsp. aquilinum var. arachnoideum (Kaulf.) Brade. Pteridium arachnoideum ocorre no México, América Central, Grandes Antilhas, Trinidad até o Uruguai (Mickel & Smith 2004). No Brasil ocorre em Amazonas, Pará, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Distrito Federal. Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Schwartsburd 2010). Em Minas Gerais Pteridium arachnoideum é comum em beira de estradas, encostas secas e locais úmidos, crescendo em locais abertos, onde a mata original foi cortada, ocorrendo raramente em formações florestais mais abertas. Forma grandes populações. Ocorre também associada a diversas formações vegetacionais como florestas estacionais semideciduais, florestas ombrófilas, e diversas formações campestres e savânicas, entre 450 e 1800 m de altitude. 8. Saccoloma Kaulf., Berl. Jahrb. Pharm. Verbundenen Wiss. 21:51. 1 820. Saccoloma é um gênero pantropical (Mickel & Smith 2004). Segundo Moran (1995) o gênero possui três espécies no neotrópico. As espécies apresentam caule ereto. Chave de identificação para as espécies de Saccoloma em Minas Gerais 1. Lâmina 1 -pinada; pinas inteiras 8. 1 . S. elegans 1’. Lâmina 2-3-pinado-pinatífida 8-2. S. inaequale Rodríguésíã 62 ( 1 ): 01 1 - 033 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Dennstaedtiaceae de Minas Gerais Figura 7 - a-b. Pteridium arachnoideum ( F.C . Assis 10) - a. Pina mediana; b. Detalhe da face abaxial dos segmentos, c-d. Saccoloma elegans (A. Salino 8966) - c. Pina mediana; d. Detalhe da face abaxial da pina. e-f. Saccoloma inaequale (A. Salino 8413) - e. Hábito; f. Detalhe da face abaxial dos segmentos. Figure 7- a-b. Pteridium arachnoideum (F.C. Assis 10) -a. Medial pinna; b. Detail ofthe abaxial surface of segmente, c-d. Saccoloma elegans (A. Salino 8966) - c. Medial pinna; d. Detail of the abaxial surface of pinna. e-f. Saccoloma inaequale (A. Salino 8413) - e. Habit; f. Detail of the abaxial surface of segmente. 8. 1 . Saccoloma elegans Kaulf., Berlin. Jahrb. Pharm. Verbundenen Wiss. 2 1 : 5 1 . 1 827. Fig. 7c-d Plantas terrestres; caule 5,73-17,5(21) mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice acuminado, não ciliadas, não clatradas, piloso com tricomas catenados, ou sem tricomas. Folhas 78,5-208,1 cm compr.; pecíolo 31,5-1 14 x 0,39-1,34 cm, sulcado adaxialmente, ou em ambas as faces, com ou sem escamas lanceoladas, de ápice acuminado, ciliadas, Rodriguésia 62( 1 ): 0 1 1 -033. 20 1 1 não clatradas, pubescente com tricomas catenados, ou sem tricomas; lâmina 45-133,1 cm compr., 1- pinada, membranácea, elíptica, ápice conforme; raque sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas catenados ou aciculares, ou glabra; pinas 12,5-35,2 x 1 ,7- 3,2 cm, pecioluladas, lineares a lanceoladas, ápice cuneado, raro caudado, margem crenada; costa sulcada adaxialmente, pubescente ou glabra; nervuras bifurcadas; indumento de tricomas SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 32 catenados na costa, tecido laminar e nervuras glabros. Soros marginais ou submarginais, arredondados ou lineares; indúsio às vezes com margem membranácea, crenada. Material examinado selecionado: Almenara, Fazenda Limoeiro, 16°04’47 t rS e 40°50 , 22,6"W. 29.11.2004, A. Salino et al. 9392 ( BHCB ). Barão de Cocais, Mina dc Gongo Soco (CVRD), 19°56’40,8”S e 43°36’59"W, 7.V.2003, A. Salino et al. 8697 (BHCB). Tombos, Fazenda da Vargem Alegre, 14.VII.1935, M. Barreto 1601 (BHCB. RB). Saccoloma elegans ocorre no México, América Central, Grandes Antilhas, Trinidad até a Bolívia (Mickel & Smith 2004). No Brasil ocorre nos estados de Roraima, Amazonas, Pará, Acre. Rondônia. Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Schwartsburd 2010). Em Minas Gerais ocorre geralmente no interior de formações florestais como floresta ombrófila densa e floresta estacionai semidecidual, e formações campestres como campo rupestre, entre 450 c 1 280 m de altitude. 8.2. Saccoloma inaequale (Kunze) Mett., Ann. Sei. Nat. Bot. sér. 4, 15: 80. 1861. Davallia inaequalis Kunze, Linnaea 9: 87. 1 834. Fig. 7e-f Plantas terrestres, raro rupícolas; caule 8,56- 19,44 mm diâm., com escamas lanceoladas, de ápice Filiforme, ciliadas, ou glabro. Folhas 91,6-168 cm compr.; pecíolo 38,5-83 x 0,38-0,80 cm, sulcado adaxialmente, com ou sem escamas lanceoladas, de ápice filiforme, ciliadas, não clatradas, pubcscente com tricomas catenados, ou sem tricomas; lâmina 39,6-85 cm compr., 2-3-pinado-pinatífida, membranácea ou papirácea, elíptica, ápice cuneado; raque sulcada adaxialmente, pubescente com tricomas catenados, ou glabra; pinas 14—26,7 x 5- 8,8 cm, pecioluladas, elípticas, lanceoladas, ou lineares, ápice cuneado; costa sulcada adaxialmente, com escamas filiformes, de ápice filiforme, pubescente ou sem tricomas; pínulas 2,2-5 x 0,7- 1,4 cm, pecioluladas ou sésseis, geralmente quadrilaterais, ápice cuneado, margem crenada, glabra, as basais reduzidas ou não; nervuras 1-2-bifurcadas, raro 3-bifurcadas; indumento de tricomas catenados ou aciculares na costa, tecido laminar e nervuras glabros. Soros marginais, oblongos ou arredondados; indúsio membranáceo, margem crenada. Material examinado selecionado: Almenara. Fazenda Limoeiro, 1 6°02’S e 40°5 1 ’ W, 22.11.2003, A. Salino et al. 8296 (BHCB). Catas Altas, Serra do Caraça, Fazenda do Engenho, 20°02 , 47,6"S e 43°30’ 1 3,6"W, 26.IV.2ÍXM, R. C. Mota & P.O. Morais 2297 ( BHCB). Turmalina, Estação Ecológica dc Acauã, 17°10'58,2”S c 42°45 , 58.2”W, 3.VII.2006, A. Salino et al. 1 1253 (BHCB). Assis. F.C. & Salino A. Saccoloma inaequale ocorre no sul do México, América Central, Cuba, Porto Rico, Trinidad até a Bolívia (Mickel & Smith 2004). No Brasil ocorre nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Melo & Salino 2002). Em Minas Gerais ocorre geralmente no interior de formações florestais como matas de galeria, matas ciliares, em Floresta Estacionai Semidecidual c Floresta Ombrófila Densa Submontanas, entre 250 e 1 280 m de altitude. Agradecimentos Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) a concessão de bolsa de Mestrado. À Myrian Morato Duarte, os desenhos que ilustram este trabalho. A todos os pteridólogos do Laboratório de Sistemática Vegetal da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o auxílio. Aos curadores dos herbários, o envio das exsicatas. Referências Arames, A. A.; Prado, J. & Ranal. M.A. 2008. Monilófitas da Estação Ecológica do Panga, Uberlândia, estado Minas Gerais, Brasil: Dennstaedtiaceae, Dryopteridaceae, Gleichcniaceae, Hymenophyllaccae e Lindsaeaceae. Hoehnea 35: 367-378. Assis, F.C. & Salino A. 2007. Dennstaedtiaceae. In: Cavalcanti, T.B. Flora do Distrito Federal. Vol. VI. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Brasília. Pp. 109-122. Assis, F.C. 2008. A família Dennstaedtiaceae Pic. Senn. sen.su lato (Polypodiopsida) no estado de Minas Gerais, Brasil. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Minas Gerais. 82p. Baker, J.G. 1870. Cyatheaceac et Polypodiaccac. In: Martius, C.F.P. & Eichler, A.G. Flora brasiliensis, Frid. Flcischer, Lipsiae. Vol. 2. pp. 306-624. 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Ceramiaceae, Wrangeliaceae and Callithamniaceae ( Rhodophyta I Mayra Garcia 1 , Santiago Gómez 2 y Nelson Gil Resumen Las siguientes cuatro especies: Balliella pseiidocorticala , Perikladosporon percurrens, Monosporus indicus y Seirospora occidentalis, constituyen las primeras citas para la costa venezolana. Se mencionan sus caracteres diagnóstico y se establecen comparaciones con especies cercanas. Todas estas han sido mencionadas en arrecifes coralinos de aguas tropicales y se consideran comunes en el Mar Caribe. Palabras clave: Balliella, Monosporus, Perikladosporon, Seirospora. Rhodophyta. Abstract The following four species: Balliella pseudocorticaia, Perikladosporon percurrens, Monosporus indicus and Seirospora occidentalis, represent the first report to the Venezuelan coast, of which mention their diagnostic features and making comparisons with its relatives. All these species have been identified in coral reefs of tropical waters and are considered common in the Caribbean Sea. Key words: Balliella, Monosporus, Perikladosporon, Seirospora, Rhodophyta. Introducción Historicamente la familia Ceramiaceae sensit lato ha sido uno de los grupos taxonómicos más complejos de la División Rhodophyta, cuyos integrantes son algas que forman talos pequenos, filamentosos y delicados, con construcción uniaxial con o sin corticación total o parcial y crecimiento mediante una célula apical (Athanasiadis 1996; Nunes et ai. 2008). A nivel mundial se han mencionado más de 82 géneros y 429 especies de Ceramiaceae, anteriormente reunidas en 12 tribus, siendo uno de los grupos más numerosos de las algas marinas. Actualmente cuatro de estas tribus han sido segregadas y elevadas a la categoria de familia: Callithamniaceae, Wrangeliaceae, Spyridiaceae y Inkyuleeaceae (Choi et al. 2008). Las algas de este grupo poseen amplia distribución, principalmente en Ias regiones tropicales. Particularmente en Venezuela se hace referencia a la existência de dos (2) géneros y cinco (5) especies de la familia Callithamniaceae, nueve (9) géneros y quince (15) especies de Wrangeliaceae. un ( 1 ) género y tres (3) especies de Spyridaceae y once (11) géneros y veintidós (22) especies de Ceramiaceae (Tab. 1 ) (Ganesan 1 989, Garcia et al. 2002, Barrios & Díaz 2005, Garcia & Huérfano 2006, Solé 2008, Ardito & Garcia 2009, Garcia & Gómez 2007, 2009a, 2009b), a pesar de esta alta representatividad muchas de sus especies poseen pocos o no poseen reportes en los inventários ficoflorísticos. El objetivo dei presente trabajo es dar a conocer cuatro adiciones poco comunes de estas famílias: Balliella pseudocorticaia (E.Y. Dawson) D.N. Young, Perikladosporon percurrens (E.Y. Dawson) Athanasiadis, Monosporus indicus Borgesen y Seirospora occidentalis Bprgesen. 'Universidad Central de Venezuela. Fundación Instituto Botânico de Venezuela, Apartado 2156. Caracas. Venezuela. Dirccción para la correspondência: mayra.garcia@ucv.ve 2 Univcrsidad Central de Venezuela, Centro de Botânica Tropical, Instituto de Biologia Experimental, Apartado 20513, Caracas, Venezuela. Universidad Pedagógica Experimental Libertador, Instituto Pedagógico de Miranda “José Manuel Siso Martinez”, Caracas, Venezuela. SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 36 Garcia.^M.; Gómez, S. & Gil, N. Tablal - Lista de especies de Callithamniaceae,Ceramiaceae, Spyridiaceae y Wrangeliaceae presentes en Venezuela. Tablc 1 - Specics of Callithamniaceac.Ccramiaceae, Spyridiaceae y Wrangeliaceae in Venezuela. Callithamniaceae Aglaothamnion cordatum (Borgesen) Feldmann-Mazoyer Aglaothamnion halliae (F.S. Collins) N.E. Aponte, D.L. Ballantine & J.N. Norris Aglaothamnion tenuissimum (Bonnemaison) Feldmann-Mazoyer Aglaothamnion uruguayense ( W.R. Taylor) N.E. Aponte, D.L. Ballantine & J.N. Norris Crouania attenuata (C. Agardh) J. Agardh Ceramiaceae Acrothamnion butlerae (F.S. Collins) Kylin Antithamnion antillanum Borgesen Antithamnionella boergesenii (Cormaci & G. Furnari) Athanasiadis Antithamnionella breviramosa (E.Y. Dawson) Wollaston Callithamniella tingitana (Schousboe ex Bomet) Feldmann-Mazoyer Centroceras clavulatum (C. Agardh) Montagne Centrocerocolax ubatubensis A.B. Joly Ceramium brasiliense A.B. Joly Ceramium cimbricum H.E. Petersen Ceramium cingulatum Weber-van Bosse Ceramium clarionense Setchell & N.L. Gardner Ceramium dawsonii A.B. Joly Ceramium deslongchampsii Chauvin ex Duby Ceramium diaphanum (Lightfoot) Roth Ceramium floridanum J. Agardh Ceramium tenerrimum (Q Martens) Okamura Ceramium uruguayense W.R. Taylor Corallophila atlantica (A.B. Joly & Ugadim) R.E. Norris Corallophila verongiae (D.L. Ballantine & M.J. Wynne) R.E. Norris Dohrniella antillara (W.R. Taylor) Feldmann-Mazoyer Gayliella flaccida (Harvey ex KUtzing) T.O. Cho & L.J. Mclvor Gymnothamnion elegans (Schousboe ex C. Agardh) J. Agardh Spyridiaceae Spyridia clavata Kützing Spyridia filamentosa (Wulfen) Harvey Spyridia hypnoides (Bory de Saint-Vincent) Papenfuss Wrangeliaceae Anotrichium tenue (C. Agardh) Nãgeli Anotrichium barbatum (C. Agardh) Nageli Grallatoria reptans M.A. Howe Griffithsia globulifera Harvey ex Kützing Griffithsia opuntioides J. Agardh Griffithsia schousboei Montagne Haloplegma duperreyi Montagne Ptilothamnion speluncarum (F.S. Collins & Hervey) D.L. Ballantine & M.J. Wynne Spermothamnion investiens (P.L. Crouan & H.M. Crouan) Vickers Spermothamnion macromeres F.S. Collins & Hervey Spongoclonium caribaeum (Borgesen) M.J. Wynne Jiffaniella saccorhiza (Setchell & N.L. Gardner) Doty & Mcnez Wrangelia argus (Montagne) Montagne Wrangelia bicuspidata Borgesen Wrangelia penicillata (C. Agardh) C. Agardh Kodriguésia 62(1): 035-042. 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 15 Adiciones a la ficoflora marina de Venezuela. II. Ceramiaceae, Wrangeliaceae y Caüithamniaceae (Rhodophyta) 37 Materiales y Métodos Durante los anos 2006 y 2009 se realizaron muestreos continuos en las localidades de Jurelito, Cepe y Ocumare dei Estado Aragua, Puerto Cruz en el estado Vargas, y Adícora (Península de Paraguaná) en el estado Falcón, Venezuela (Fig. 1 ), con el objetivo de realizar un inventario ficológico. Los especímenes se colectaron en plataformas rocosas y arrecifes coralinos, creciendo principalmente sobre cordeles de nylon, entre 0 y 1 7 m de profundidad. Las muestras se preservaron en formaldehído al 4% en agua de mar, luego se colorearon con una solución de safranina al 1%, y se prepararon lâminas semipermanentes utilizando una solución de Karo® al 30%. Estas se depositaron en el Herbário Nacional de Venezuela (VEN). Las Figura 1 - Situación geográfica nacional de las áreas de estúdio ( 1 Puerto Cruz, 2 Cepe, 3 Jurelito, 4 Ocumare, 5 Adicora) Figure 1 - National geographic situation of the study areas (1 Puerto Cruz, 2 Cepe, 3 Jurelito, 4 Ocumare, 5 Adícora). Rodriguésia 62 ( 1 ): 035 - 042 . 201 1 fotografias se tomaron utilizando un microscopio Nikon Eclipse E200 equipado con câmara digital modelo CoolPix-4500. Resultados y Discusión Familia Ceramiaceae Subfamilia Compsothamnioideae Tribu Delesseriopseae Balliella pseudocorticata (E.Y. Dawson) D.N. Young Fig. 2a-e Talo filamentoso, erecto, monosifonal, hasta 5 mm de alto, color rosado pálido, arraigado al sustrato mediante rizoides multicelulares. Eje principal ramificándose de manera alterna a irregular, ramas indeterminadas originándose a intervalos de 4 a 5 células axiales, ramificación secundaria dística-opuesta y desigual Células axiales dei eje principal de 30-32 pm de diâmetro y de 75-77 pm de largo. Porción basal con filamentos corticales. Células glandulares en posición abaxial, de 12-17 pm de diâmetro, originadas en las células basales de las ramas determinadas. Tetrasporangios cruciados, 25-30 pm de diâmetro producidos únicamente en posición adaxial. Habitat: Crece sobre cordeles de nylon® en arrecifes coralinos, entre 6-17 m de profundidad. Material examinado: VENEZUELA. ESTADO ARAGUA: Cepe, 21.HI.2009, M. Garcia, S. Gómez, N. Gil y G. Gómez 2484, 2484a (VEN). Jurelito, 24.1.2009, M. Garcia, S. Gómez, N. Gil y G. Gómez 2429 (VEN); 13.IX.2008, M. Garcia, S. Gómez, N. Gil y L. Cadenas2360 (VEN). ESTADO VARGAS: Puerto Cruz, 21.V1.2006, M. Garcia, S. Gómez y N. Gil 1900, 1900a (VEN). Distribución mundial: Golfo de Califórnia, Bermuda, Antillas Mayores, Colombia, Puerto Rico, Islas dei Océano Indico, Australia y Nueva Zelanda (Guiry & Guiry 2010). Las especies Balliella amphiglanda Huisman 6 Kraft, B. crouanioides (Itono) Itono & T. Tanaka, B. grandis Huisman & Kraft y B. pseudocorticata comparten un carácter en común, el patrón de ramificación irregular, con ramas indeterminadas dísticas-opuestas y de tamano desigual. Las dos primeras especies poseen pequenas células glandulares (< 6 pm de diâmetro), mientras que las dos últimas presentan grandes células glandulares ( 1 3-20 pm de diâmetro), pero B. pseudocorticata se distingue de B. grandis por producir tetrasporangios exclusivamente adaxiales originados directamente de las células basales de las ramas laterales y por desarrollar un tamano de talo 10 veces menor al de B. grandis (Huisman & Kraft 1984; Athanasiadis SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 38 Garcia. M.: Gómez. S. & Gil. N. Figura 2 a-c. Balliella pscudocorticata - a. hábito dei talo estéril; b. ramas opuestas con crecimiento desigual; c. ejc principal con filamentos corticantes (FC); d. ramas con tetrasporangios cruciados y células glandulares (CG); e. ramas con espermatangios. Figure 2 a-c. Balliella pscudocorticata - a. habit of thc stcrilc lhallus; b. oppositc branchcs with unequal growth; c. main axis with corticals fílamcnts (FC); d. branches with cruciatc tctrasporangia and glandular cclls (CG); c. spcrmatangial branchcs. Rodriguésiá 62(1): 035-042. 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 Adiciones a la fico flora marína de Venezuela. II. Ceramiaceae, Wrangeliaceae y Callithamniaceae (Rhodophyta) 39 1996). Los especímenes encontrados en este estúdio muestran todos los caracteres de B. pseudocorticata mencionados por los autores Huisman & Kraft (1984) y Athanasiadis (1996), la cual es exclusivamente tropical, bastante común en el mar Caribe y suele crecer en profundidades de 10 a 40 m, su presencia en aguas venezolanas representa el primer hallazgo en estas costas. Subfamilia Ceramioideae Tribu Antithamnieae Perikladosporon percurrens (E.Y. Dawson) Athanasiadis Fig. 3 a-b Talo Filamentoso, erecto, monosifonal, hasta 3 mm de alto, color rosado pálido, arraigado al sustrato mediante rizoides multicelulares. Eje principal 1 5-20 pm de diâmetro, ramificándose de manera dística y simétrica (pinnas), ápice dei eje principal percurrente. Las pinnas son curvadas y ramificadas adaxialmente, ramas de último orden de dos células de largo. Células glandulares y tetrasporangios no observados. Hábitat: Crece sobre cordeles de nylon® en arrecifes coralinos, a 6 m de profundidad. \ laterial examinado: VENEZUELA. ESTADO ARAGUA: La Playita, Ocumarc de la Costa, 7. XI. 2008, M. Garcia, S. Gómez, N. Gil y L. Cadenas 24 1 8, 24 1 8a ( VEN). Distribución mundial: Colombia, Estados Federales de Micronesia, Islas Hawai, Australia y NuevaZelanda(Guiry & Guiry 2010). Perikladosporon es un género taxonómicamente cercano a Acrothamnion, diferenciándose principalmente por la posición de las células glandulares, en el primero crecen de manera intercalar sobre las células de las ramas laterales y en el segundo en los ápices de las ramas y eje principal; oiro carácter importante para segregar estos géneros es la presencia de una sola pínula por célula axial de crecimiento unilateral en el caso de Perikladosporon y un par de pínulas de crecimiento opuesto en el caso de Acrothamnion (Athanasiadis 1996; Bula- Meyer & Díaz-Pulido 1995). Este género sólo posee dos especies a nivel mundial, Perikladosporon percurrens y P. abaxiale D.L. Ballantine & N.E. Aponte, de morfologia muy similar, esta última es completamente postrada y sus pínulas poseen un desarrollo principalmente abaxial, mientras que la especie P. percurrens tiene un talo con porciones postradas y erectas y pínulas con crecimiento adaxial (Ballantine & Aponte 2005). En el material estudiado no se observaron células glandulares, pero estos especímenes concuerdan con las características de las pínulas unilaterales y curvadas adaxialmente de P. percurrens descritas por Bula-Meyer & Díaz-Pulido (1995) para el mar Caribe, Cribb (1983) para Australia, Athanasiadis ( 1 996) y Abbott ( 1 999) para el Pacífico Occidental, siendo este el primer registro para la costa venezolana. Família Wrangeliaceae Tribu Monosporeae Monosporus indicus Borgesen Fig. 3 c-e, 4 a Talo filamentoso con ejes principales erectos y secundários postrados, monosifonales, hasta 1 cm de alto, color rosado pálido, arraigados al sustrato mediante rizoides unicelulares y multicelulares, con terminaciones digitadas. Ramificación pseudodicotómica. Células de los ejes principales de 400-420 pm de largo y de 50-60 pm de diâmetro, y de los ejes secundários de 580-600 pmdelargoyde 1 30-1 50 pm de diâmetro. Células terminales con ápices ampliamcnte redondeados. Propágulos ovalados, de 108-150pmde largo y de 84-100 pm de diâmetro, ubicados entre las dicotomias con un corto pedicelo. Tetrasporangios tetraédricos, ovoides, de 34-36 pm de largo y de 24-26 pm de diâmetro. Hábitat: Crece sobre cordeles de nylon® en arrecifes coralinos, entre 6-10 m de profundidad. N laterial examinado: VENEZUELA. ESTADO ARAGUA: Cepe, 2 1 .111.2009, M. Garcia, S. Gómez, N. Gil y G. Gómez 2457, 2457a (VEN). ESTADO FALCÓN: Península de Paraguaná, Adicora. 3.XI.2009, M. Garcia, S. Gómez y N. Gil 2485, 2485a (VEN). Distribución mundial: Puerto Rico, Islas Hawai, Corea, índia, Australia y Nueva Zelanda (Guiry & Guiry 20 1 0). Los géneros Monosporus y Diplothamnion pertenecen a la familia Wrangeliaceae y se asemejan vegetativamente, la única diferencia es el patrón de ramificación de los ejes principales erectos: opuesto en Diplothamnion y subdicotómico en Monosporus (Abbott 1999). Por otra parte es uno de los pocos géneros dei orden Ceramiales que produce monosporangios a diferencia de Diplothamnion , algunas de sus especies son distinguidas por la presencia o ausência de pedicelo en sus monosporangios. En cl caso de M. indicus los monosporangios pueden desarrollarse directamente en las dicotomias o a partir de un corto pedicelo triangular, sin embargo el principal carácter diagnóstico de M. indicus es el desarrollo de un talo con porciones erectas y postradas a diferencia de otras especies dei género en las cuales se presenta un talo estrictamente erecto, incluyendo la especie Rodríguésía 62 ( 1 ): 035 - 042. 2011 SciELO/JBRJ 13 14 cm .. Figura 3 - a-b. Períkladosporon percurrens - a. hábito mostrando porción postrada y erecta; b. dctalle de ias ramas opuestas. c-e. Monosporus indicus - c. hábito mostrando porción postrada y erecta; d. ramas de Ia porción distai; e. ramas con tetrasporangios (TE). Figure 3 - a-b. Períkladosporon percurrens - a. habit showing crect and postratc portion; b. dctail of thc oppositc branchcs. c-c. Monosporus indicus - c. habit showing crect and postratc portions; d. branches of thc distai portion; c. tctrasporangial branchcs (TE). Rodriguésiâ 621 1 ): 035-042. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. Adiciones a la ficoflora marina de Venezuela. II. Ceramiaceae, Wrangeliaceae y Callithamniaceae (Rhodophyta) 4 \ Figura 4 - a. Monospoms indicus - ramas con monosporangios (MO), b-d. Seirospora occidentalis - b. porción distai mostrando seirosporangios (SE); c. detalle de la porción basal; d. detalle de la cadena de seirosporangios. Figure 4 - a. Monospoms indicus - monosporangial branches (MO), b-d. Seirospora occidentalis - b. distai portion showing seirosporangia (SE); c. detail of the basal portion; d. detail of the seirosporangia chains. tipo M. pedicellatus (Smith ) Solier. Los especímenes colectados en la costa venezolana muestran todos los caracteres diagnóstico de M. indicus descritos por Abbott (1999) en las Islas Hawái y Kim & Lee ( 1 989) en Korea; esta también ha sido reportada por Ballantine & Aponte (1997) en Puerto Rico y representa una primera cita para Venezuela. Familia Callithamniaceae Tribu Callithamnieae Seirospora occidentalis Borgesen Fig. 4 b-d Talo filamentoso, erecto, hasta 4 mm de alto, color rosado, arraigado al sustrato mediante rizoides multicelulares. Ramificación alterna, hasta cuatro ordenes. Eje principal sin corticación, de 120-140 pm de largo y de 1 50-200 pm de diâmetro en la porción basal, porciones medias de 1 1 0- 1 20 pm de diâmetro y de 170-180 pm de largo. Seirosporangios sésiles, formando cadenas simples o ramificadas, de 20-35 pm de diâmetro, con cuatro o cinco seirosporas. Rodriguésia 62(1): 035-042. 201 1 Hábitat: Crece sobre cordeles de nylon® en arrecifes coralinos, entre 6-10 m de profundidad. Material examinado: VENEZUELA, ESTADO ARAGUA: Cepe, 2 ] .111.2009, M. Garcia, S. Gómez, N. Gil y G. Gómez 2458, 2458a (VEN). Distribución mundial; Florida, Bahamas, Antillas Menores, Islas V írgenes, Colombia, Polinesia Francesa, Australia y Nueva Zelanda ( Guiry & Guiry 2010). Los géneros Seirospora y Aglaothamnion , son muy similares en su estructura vegetativa, particularmente la especie Aglaothamnion cordatum , la cual exhibe un patrón de ramificación muy similar a Seirospora , el critério básico para separar estos géneros es la producción de esporas en cadenas llamadas seirosporas y de gonimoblastos laxos, de manera que sin estos caracteres la determinación se hace difícil (Cribb 1 983; Mateo-Cid et al. 2003). De las tres especies de Seirospora presentes en el Mar Caribe (5. purpúrea M.A. Howe, S. viridis Aponte & D.L. Ballantine y S. SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. 42 occidentalis) la más común es S. occidentalis, fácilmente distinguible por su talo ecorticado y de menor tamafio. Taylor ( 1960) y Cribb (1983) mencionan estos caracteres diagnóstico en esta especie, para las Islas Bahamas y la gran barrera de arrecife de Australia, respectivamente, lo cual coincide con el material encontrado en la costa venezolana. Todas las especies registradas en este estúdio tienen distribución Tropical y son comunes en el mar Caribe, a pesar de cllo estas constituyen las primeras citas en la costa venezolana, esto probablemente es debido al hecho de que muchas de estas aparecen como diminutos componentes cespitosos o epífitos. El estúdio más exhaustivo y usando herramientas como el buceo autónomo sobre todo en la zona submareal, permitirá enriquecer progresivamente la información sobre nuestra ficoflora. Agradecimientos A la Lic. YaroslaviEspinozayalos Bachilleres Luis Cadenas y Gabriel Gómez por su colaboración en las actividades de campo. Referencias Abbott, I.A. 1999. Marine red algae of lhe Hawaiian lslands. Bishop Museum Press, Honolulu. 477p. Ardito, S. & Garcia, M. 2009. Estúdio ficológico de las localidades de Puerto Francês y San Francisquito, Estado Miranda, Venezuela. Acta Botanica Venezuelica32:l 13-143. Athanasiadis, A. 1996. Morphology and classification of the Ceramioidcae (Rhodophyta) based on phylògenetic principies. Opera Botanica 127: 1-221. Ballantine, D.L. & Aponte, N.E. 1997. Notes on the benthic marine algae of Puerto Rico. VI. Additions to the flora. Botanica Marina 40: 39-44, 9 figs. Ballantine. D.L. & Aponte, N.E. 2005. An annotated checklist of dcep-reef benthic marine algae from Lee Stocking Island, Bahamas (western Atlantic). II. Rhodophyta. Nova Hedwigia 80: 147-171. Barrios, J. & Díaz-Díaz, O. 2005. Algas epífitas de Thalassia testudinum en el Parque Nacional Mochima, Venezuela. 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Stanjehughesia hormiscioides (Corda) Subram. é um novo registro para o Neotrópico; Hemibeltrania decorosa R.F. Castaneda & W.B. Kendr constitui novo registro para a América do Sul e Spadicoides macroobovata Matsush. é um novo registro para o Brasil. Descrições, ilustrações, distribuição geográfica mundial e comentários são apresentados para os novos registros citados. Uma lista com as demais espécies encontradas é adicionada. Palavras-chave: hifomicetos, serrapilheira, taxonomia. Abstract During inventory of conidial fungi at Serra da Fumaça, Pindobaçu, Bahia State, and Brazil, 44 species were found. Five species are new records for Américas: Dendryphiosphaera parvula Nawawi & Kutliub., Diplococcium dendrocalami Goh, K.D Hyde & Umali, Sporidesmiella aspera Kuthub. & Nawawi, S Jusiformis W.P. Wu, and Triposporium verruculosum RF Castaneda, Gené & Guarro. Stanjehughesia hormiscioides (Corda) Subram. is a new record for Neotropics; Hemibeltrania decorosa RF Castaneda & WB Kendr. is a new record for South America and Spadicoides macroobovata Matsush is a new record for Brazil. Descriptions, illustrations, geographical distribution and comments are presented for new records. A list of species founded is included too. Key words: hyphomycetes, litter, taxonomy. Introdução A Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro e está totalmente incluído na região semi-árida. Ocupa uma área de 700.000 a 800.000 km 2 , o que corresponde a cerca de 1 0% do território brasileiro (Sampaio et ai 2002), abrangendo parte dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais (Prado 2003; Ministério da Integração Nacional 2005). Apesar disso, é o mais negligenciado, menos protegido e um dos mais ameaçados biomas brasileiros (Leal et al. 2003). Embora o aspecto fitofisionômico predominante da região semi-árida brasileira seja a caatinga, há a ocorrência de outros tipos vegetacionais como matas ciliares, matas estacionais, cerrados, tabuleiros e campos rupestres (Barbosa et al. 2008). Investigações sobre fungos conidiais associados à serapilheira do bioma Caatinga tem revelado um número significativo desses microfungos (Gusmão et al. 2005; Gusmão & Barbosa 2005; Cruz etal. 2007c; Barbosa et al. 2008; Marques et al. 2008 ; Barbosa et al. 2009a, b; Cruz & Gusmão 2009a, b), com descoberta de várias novas espécies (Barbosa et al. 2007; Cruz et al. 2007a, b; Marques etal. 2007; Cruz etal. 2008; Gusmão etal. 2008a). Gusmão et al. (2006) apresentaram uma síntese do conhecimento sobre a diversidade de fungos na região semi-árida brasileira, sendo os fungos conidiais o grupo mais representativo com 407 das 955 espécies de fungos registrados para essa região, àquela época. Posteriormente, Gusmão et al. (2008b) atualizaram o número de fungos conidiais 1 Unív ersidade Estadual de Feira de Santana. Av. Transnordestina sh, C.P. 252 e 294, 44036-900, Feira de Santana. BA, Brasil 'Autor para correspondência: daviaugustorti gmail.com SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Almeida. DA.C.'. labei. 7.S.S. & Gusmão. LF.P. para 437 espécies, distribuídas em 186 gêneros. Entretanto, esses dados ainda estão longe de refletir o quadro real da diversidade dc fungos presentes nesse bioma. O objetivo do presente trabalho foi realizar um levantamento e estudo taxonômico dos fungos associados à decomposição da serapilheira na Serra da Fumaça, incluindo a descrição, comentários, ilustração, e distribuição geográfica mundial das espécies encontradas. Material e Métodos As expedições de coleta foram realizadas em 2008, a cada dois meses, abrangendo o final do período seco (agosto e outubro) e início do periódo chuvoso (dezembro), na Serra da Fumaça, município de Pindobaçu (10°74’S e40°36’W), Bahia, Brasil. Essa serra compõe, junto com outras, uma cadeia de serras denominadas de Serra da Jacobina, a qual se estende por cerca de 200 km no sentido norte-sul, na porção norte do estado da Bahia, com 1 5-25 km de largura e altitude de até 1 .300 m ( Milesi et al. 2002; Mascarenhas et al. 1 998). Foram coletadas amostras dc serapilheira em área de campo rupestre e mata ciliar, sendo que nesta última também foram coletadas amostras de material vegetal submerso em um curso d’água. As amostras, constituídas por folhas, galhos e cascas em váriados estágios de decomposição, foram acondicionadas em sacos dc papel Kraft (de ambiente terrestre) ou sacos pláticos (de ambiente aquático) e transportadas ao laboratório, onde foram submetidas à técnica de isolamento direto descrita por Castaneda- Ruiz (2005 ). Essa técnica consiste em lavar as amostras em água corrente por 30 min, incubá-las em câmaras- úmidas a temperatura ambiente e, durante um período de 30 dias, examiná-las regularmente sob estereomicroscópio a procura de estruturas reprodutivas dos fungos conidiais. Lâminas permanentes foram confeccionadas transferindo-se as estruturas reprodutivas dos fungos conidiais para lâminas contendo resina PVL (álcool polivinílico + ácido lático + fenol). Lâminas e amostras vegetais secas foram depositadas no Herbário HUEFS (Universidade Estadual de Feira dc Santana). Resultados e Discussão Foram identificadas 44 espécies de fungos conidiais associadas à decomposição da serapilheira. Destas, oito são novas ocorrências e são aqui descritas, ilustradas e comentadas. Uma lista com todas as espécies encontradas é também incluída. Dendrypliiosphaera pantila Nawawi & Kuthub., Mycotaxon 32(1): 461. 1988. Fig. 1 a-c Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, retos ou levemente flexuosos, simples, eretos, 4-8 septados, lisos, castanhos na base, castanho-claros no ápice, 60-1 75 x 5-6 (-8) pm; células basais infladas, 1 0-1 2,5 pm larg. Células conidiogênicas monoblásticas ou poliblásticas, evidentes, subglobosas a ovóides, apicais ou laterais, arranjadas em verticilos no conidióforo, lisas, castanho-claras, (5— )7— 1 1 x 3-4 pm. Conídios solitários, esquizolíticos, clavados, 1 -euseptados na base, 1 -distoseptados distalmente, septo basal mais espesso, simples, secos, lisos, castanho-claros, (9-) 10-12 (-14) x 4-5 pm. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Pindobaçu. Serra da Fumaça, sobre casca em decomposição. 1 1.IX.2008, DA.C. Almeida s.n. (HUEFSI54969). Apenas quatro espécies foram descritas em Dendryphiosphaera: D. minuta V. Rao & dc Hoog, D. pun ida Nawawi & Kuthub., D. taiensis Lunghini & Rambelli e D. wiiseptata R.F. Castaneda & Guarro (Rao & Hoog 1986; Castaneda-Ruiz et al. 1998a; Nawawi & Kuthubutheen 1988). Rao & Hoog (1986) declararam não haver diferenças significativas entre os gêneros Dendryphiosphaera e Brachysporiella, mas optaram por não propor a sinonimização. Nawawi & Kuthubutheen ( 1 988), após examinarem diferentes isolados da Malásia de Brachysporiella gayana Bat., concluíram que as diferenças entre Dendryphiosphaera e Brachysporiella justificam a manutenção desses dois gêneros. Segundo estes últimos autores, Brachysporiella difere pelos conidióforos simples a ramificados e com até três ramificações, bem como pela proliferação percurrcnte dos conidióforos após a secessão conidial. Adicionalmente, os conídios das espécies de Brachysporiella são maiores, castanho-escuros e com parede espessa. Dendryphiosphaera minuta e D. taiensis são as espécies mais similares à D. parvula. A primeira difere pelos conídios maiores e com dois septos verdadeiros; a segunda difere, principalmcnte, pelos conídios cilíndricos com septos verdadeiros equidistantes. A presença de um distosepto distai no conídio de D. parvula a distingue facilmente das demais espécies do gênero. As características do material brasileiro estão dc acordo com a descrição de Nawawi & Kuthubutheen (1988). Este é provalmente o segundo registro da espécie para o mundo e o primeiro para o contincte americano. Encontrada na Malásia (Nawawi & Kuthubutheen 1988). Rodriguésia 62 ( 1 ): 043 - 053 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. Fungos conidiais da Caatinga Figura 1 - a-c. Dendryphiosphaera parvula. Nawawi & Kuthub. - a. ápice do conidióforo com células conidiogênicas e conídio; b. conídios; c. aspecto geral. d-f. Diplococcium dendrocalami Goh, K.D. Hyde & Umali - d. aspecto geral; e. conídios em cadeia; f. conídio com poro em destaque (seta), g-j. Hemibeltrania decorosa R.F. Castaneda & W.B. Kendr. - g. células conidiogênicas; h-i. conídios; j. conidióforo e seta. k-n. Spadicoides macroobovata Matsush. - k. aspecto geral; 1-n. Conídios. Barras: 20 pm (c-d, j); 10 pm (e, k); 5 pm (b, a, f, g-i, 1-n). Figure 1 - a-c. Dendryphiosphaera parvula Nawawi & Kuthub. - a. apex of conidiophore with conidiogenous cells and conidium; b. conidia; c. general aspect. d-f. Diplococcium dendrocalam Goh, K.D. Hyde & Umali - d. general aspect; e. chains of conidia; f conidium with porc detail (arrow). g-j. Hemibeltrania decorosa R.F. Castaneda & W.B. Kendr. - g. conidiogenous cells; h-i. conidia; j. conidiophore and seta. k-n. Spadicoides macroobovata Matsush. - k. general aspect; 1-n. conidia. Bars: 20 pm (c-d, j); 10 pm (e, k); 5 pm (b, a, f g-i, 1-n). Rodríguésia 62 ( 1 ): 043 - 053 . 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 46 Almeida. D.A.C.I Izabel. T.S.S. & GusmJo. L.F.P. Diplococcium dendrocalami Goh, K.D. Hyde & Umali, Mycologia90(3):5l5. 1998. Fig. 1 d-f Conidióforos macronemáticos, mononemálicos, retos ou flexuosos, septados, lisos, simples ou raramente ramificados, eretos, 1-2 regenerações percurrentes, cilíndricos, ápices arredondados, afilando levemente em direção ao ápice, castanhos, 92,5-167,5 x 8-12,5 pm. Células conidiogênicas politréticas, terminais, integradas, determinadas, lisas, castanhas. Conídios em cadeias acrópetas, 1 (—2) septados, septos medianos com 2 pm de espessura, elípticos, secos, lisos, castanho-claros, 8- 1 5 x 5-7 pm. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Pindobaçu, Serra da Fumaça, sobre folha em decomposição de dicotiledônea não identificada, 13.1.2009. DAC Almeida s.n. (HUEFS 154970). O gênero Diplococcium foi revisado por Goh & Hyde ( 1 998a), considerando 2 1 espécies, não incluindo entre elas D. atrovelutinum U. Braun. Hosag. & T.K. Abraham, proposta por Braun et al. (1996). Posteriormente foram adicionadas duas espécies: D. hughesii C.J.K. Wang & B. Sutton (Wang & Sutton 1998) e D. verruculosum A.C. Cruz, Gusmão & R.F. Castaneda (Cruz et al. 2007b). Diplococcium dendrocalami é comparável à D. clavariarum (Desm.) Hol.-Jech. e D. insolitum Hol.-Jech. Diplococcium clavariarum diferencia-se por produzir conidióforos frequentemente ramificados e mais estreitos (3,5-6 pm), bem como conídios mais extensos (14-29 pm). Além disso, esta espécie foi relatada como parasita (Holubová-Jechová 1982), enquanto D. dendrocalami foi referida como sapróbia (Goh et al. 1998). Diplococcium insolitum distingue-se por produzir conídios comumente 2-septados, obclavados, com célula basal castanha e célula apical hialina a subhialina (Holubová-Jechová 1982; Goh et al. 1998). O material examinado concorda com a descrição de Goh et al. (1998), exceto pela presença de raras ramificações nos conidióforos e conídios menores. Diplococcium dendrocalami é conhecida apenas da sua localidade-tipo. O material brasileiro representa o primeiro registro para o continente americano. Encontrada nas Filipinas (Goh et al. 1998). Ilemibeltrania decorosa R.F. Castaneda & W.B. Kendr., Univ. Waterloo Biol. Ser. 35: 57. 199 1 . F‘g- 1 g-j Setas retas ou flexuosas, simples, eretas, ocasionalmente produzindo conídios no ápice, cilíndricas, lisas, capitadas, castanhas, 36-150 x 3-6 pm; células apicais infladas, clavadas, subhialinas, 4, 5-7, 5 pm larg. Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, agrupados, retos a levemente flexuosos, simples ou ramificados, eretos, septados, lisos, célula basal lobada, castanhos, castanho-claros a subhialinos no ápice, 33-75 x 3-4,5 pm. Células conidiogênicas poliblásticas, terminais, integradas, simpodiais, denticuladas, lisas, castanho-claras, 7,5-1 5 x 3-6 pm. Dcntículos inconspícuos. Conídios solitários, esquizolíticos, 0-septados, naviculares a fusiformes, simples, secos, lisos, subhialinos, 1 8-22,5 x 3-4,5 pm. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Pindobaçu, Serra da Fumaça, sobre folha em decomposição de dicotiledônea não identificada. 16.IX.2008, DAC Almeida s.n. (HUEFS 154972). O gênero Hemibeltrania foi proposto por Pirozynski (1963) para acomodar duas espécies, Hansfordia cinnamomi Deighton e Mammaria nectandrae Bat. & Maia e possui atualmente 10 espécies (Kirk 1983a, Castaneda-Ruiz & Amold 1985, Castafíeda-Ruiz & Kendrick 1991, Zucconi 1992, Matsushima 1 996, Castaneda-Ruiz et al. 1998b, Shin & Braun 1998, Fernandes et al. 2007). Gusmão & Barbosa (2005) apresentaram uma chave para as nove espécies aceitas até àquela data. Hemibeltrania urbanodendrii Fernandes, Lustosa, R.W. Barreto & J.L. Bezerra foi descrita recentemente por Fernandes et al. (2007). Hemibeltrania mitratae P. M. Kirk é sinônima de Dactylaria mitrata Matsush. e H. navicularis B. C. Sutton foi transferida para o gênero Subramaniomyces Varguesc & Rao (Castaneda-Ruiz et al. 1 998b). A produção de setas é conhecida apenas em três espécies: H. cymbiformes Zucconi, H. decorosa e //. saikawae R.F. Castaneda, W.B. Kendr. & Guarro. Hemibeltrania decorosa difere das demais espécies pela morfologia fusiforme a navicular do conídio, bem como pela largura maior dos conidióforos. O material examinado difere da descrição apresentada por Castaneda-Ruiz & Kendrick (1991) pelos conídios um pouco mais largos, concordando nas demais características. Esta espécie está sendo referida pela primeira vez para a América do Sul. Encontrada em Cuba (Castaneda-Ruiz & Kendrick 1991), Ilhas Maurício ( Dulymamode et al. 200 1 ). Spadicoides macroobovata Matsush., Matsush. Mycol. Mem. 8: 36. 1995. Fig. 1 k-n Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, retos, simples, eretos, septados, lisos, castanhos, 50- 87,5 x 4-5 pm. Células conidiogênicas produzindo conídos apicais de modo blástico e conídios laterais Radriguésia 62( 1 ): 043-053. 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. Fungos conidiais da Caatinga de modo trético, integradas, cilíndricas, lisas, castanhas. Conídios solitários, 2-septados, septos espessos, obovóides, simples, secos, lisos, células basais truncadas e castanhas, células distais castanho-escuras, 17,5-25 x 10-12,5 pm. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Pindobaçu. Serra da Fumaça, sobre folha em decomposição de dicotiledônea não identificada, 17. XII. 2008, D.A.C. Almeida s.n. (HUEFS 154973). O gênero Spadicoides foi estabelecido por Hughes (1958) com a espécie-tipo S. bina (Corda) 5 Hughes. Difere de Diplococcium basicamente pela produção de conídios solitários. Goh & Hyde ( 1 996) revisaram o gênero, considerando 2 1 espécies e apresentaram uma chave de identificação. Sete espécies foram posteriormente incluídas por Goh 6 Hyde ( 1 998b), Dulymamode et al. (1999), Zhou et al. (1999). Ho et al. (2002) e Cai et al. (2004). Spadicoides obovata (Cooke & Ellis) S. Hughes é similar à S. macroobovata pela produção de conídios obvóides, 2-septados, septos espessos e com célula basal mais clara do que as demais, porém difere notavelmente pelo tamanho menor (Matsushima 1975; Ellis 1963). O espécime brasileiro apresentou conidióforos mais espessos, concordando nas demais características com a descrição original. Matsushima (1975) descreveu a produção de conídios apicais de modo blástico e de conídios laterais de modo trético. O material brasileiro, aparentemente, também produz conídios desses dois modos. O presente relato representa o segundo registro da espécie para o mundo e o primeiro para o Brasil. Encontrada no Peru (Matsushima 1995). Sporidesmiella aspera Kuthub. & Nawawi, Mycol. Res. 97(1 1): 1305. 1993. Fig. 2 a-c Setas presentes ou não; quando presentes retas, simples, eretas, septadas, verrucosas, afiladas em direção ao ápice, castanhas, 137,5-295 x 5-6 pm. Conidióforos macronemáticos. mononemáticos, retos, simples, eretos, septados, verrucosos, castanhos na base, castanho-claros a subhialinos no ápice, 45-252 x 2,5-5 pm. Células conidiogênicas poliblásticas, terminais, integradas, simpodiais e/ou percurrentes, cilíndricas, lisas, castanho-claras a subhialinas. Conídios solitários, 1-distoseptados, cilíndricos, simples, secos, lisos, base truncada, ápice arredondado, célula basal subhialina, célula distai castanho-clara, 15-22,8 x 3-5 pm. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Pindobaçu, Serra da Fumaça, sobre folha em decomposição de dicotiledônea não identificada, 11. IX. 2008, D.A.C. Almeida s.n. (HUEFS 154974); 19.XII.2008, D.A.C. Rodriguésta 62 ( 1 ): 043 - 053 . 201 1 47 Almeida s.n. (HUEFS 1 54975); sobre galho em decomposição, 28. XI. 2008, D.A.C. Almeida s.n. (HUEFS 154976). O gênero Sporidesmiella foi estabelecido por Kirk ( 1 982a) com a espécie-tipo S. clavifonnis P.M. Kirk e está constituído por 24 espécies e duas variedades (Yanna et al. 2001 ; Wu & Zhuang 2005). Em dois, dos três espécimes coletados no presente trabalho, foi observada a presença de setas subuladas rugosas. Embora esta característica não tenha sido relatada na descrição original por Kuthubutheen & Nawawi ( 1 993), o material brasileiro é indistinguível de S. aspera em todas as demais características e, por isso, optou-se por identificar os espéciemes brasileiros nesta espécie. Observações desta natureza, onde os espécimes diferiam da descrição do holótipo apenas pela presença de uma seta também foram relatadas por Kirk ( 1 982b, 1 983b) paia S. paira (M.B. Ellis) P.M. Kirk e Anungitea fragilis B. Sutton. A ocorrência de verrucosidades no conidióforo é uma característica exclusiva de 5. aspera e a distingue facilmente das demais espécies do gênero. Este é o primeiro registro da espécie para o continente americano. Encontrada na Malásia (Kuthubutheen & Nawawi 1993). Sporidesmiella fusiformis W.P. Wu, Fung. Divers. Res. Ser. 1 5: 228. 2005. Fig. 2 d-g Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, retos ou flexuosos, 2-4 septados, lisos, simples, cilíndricos, castanhos, 55-105 x 7,5-10 pm. Células conidiogênicas monoblásticas, terminais, integradas, 2-6 proliferações percurrentes, lisas, cilíndricas, castanhas. Conídios solitários, 1 2—20 distoseptados, simples, fusiformes, com porção basal alargada, secos, lisos, castanho-claros, 87,5-1 32,5 x ( 1 2,5-) 1 7 ,5— 20(— 27 ,5 ) pm; ápices arredondados, 5-6 pm larg.; células basais cônicas, truncadas na base, 7— 7,5 pm larg. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Pindobaçu, Serra da Fumaça, sobre folha em decomposição de dicotiledônea não identificada, 25.VIII.2008, D.A.C. Almeida s.n. (HUEFS 154977); 3.IX.2008, D.A.C. Almeida s.n. (HUEFS 154978). Sporidesmiella fusiformis W.P. Wu foi proposta por Wu & Zhuang (2005) para um espécime isolado sobre ramos em decomposição na China. Conídios fusiformes são também produzidos por S. ciliaspora W.P. Wu e S. verruatlosa W.P. Wu (Wu & Zhuang 2005); contudo diferem pela presença de apêndices e de verrucosidades, respectivamente. Análise filogenética baseada em dados moleculares, realizada por Shenoy et al. (2006), indicou que S. fusiformis é relacionada a membros de Melanommataceae (Ascomycota). Exceto pelas medidas maiores dos SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 48 Almeida, DA.C Izabel. V.S.S. & Gusmão, L.F.P. Figura 2 - a-c. Sporídesmiella aspera Kuthub. & Nawawi - a. aspecto geral; b. conidióforo com conídios; c. conidios. d-g. Sporídesmiella fusiformis W.P. Wu - d. conidióforos com proliferação percurrente; e. aspecto geral; f-g. conídios. h-k. Stanjehughesia hormiscioides (Corda) Subram. - h. aspecto geral; i. conídio; j. célula conidiogênica e base do conídio; k. célula conidiogênica. 1-n. Tríposporíum verruculosum R.F. Castaneda, Gené & Guarro - 1. aspecto geral; m-n. conídios. Barras: 50 pm (h-i); 20 pm (a-b, d-g, 1); 1 0 pm (j, m-n); 5 pm (c, k). Figure 2 a-c. Sporídesmiella aspera Kuthub. & Nawawi - a. general aspcct; b. conidiophore with conidia; c. conidia d-g. Sporídesmiella Jusiformis W.P. Wu - d. conidiophorcs with percunent proliferations; c. general aspcct; f-g. conidia. h-k. Stanjehughesia hormiscioides (Corda) Subram. - h. general aspcct; i. conidium; j. conidiogcnous ccll and base of conidium; k. conidiogcnous ccll. l-n. Tríposporíum wrruculosum R.F. Castaneda, Gcné & Guarro - 1. General aspcct; m-n. Conidia Bars: 50 pm (h-i); 20 pm (a-b, d-g, 1); 10 pm (j, m-n); 5 pm (c, k). . Rodriguésia 62 ( 1 ): 043 - 053 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. Fungos conidiais da Caatinga conidióforos e dos conídios, o material brasileiro concordou com as demais características da espécie. O presente relato representa a primeira ocorrência de S. fusiformis para o continente americano. Encontrada na China (Wu & Zhuang 2005). Stanjehughesia honniscioides (Corda) Subram., Proc. Indian natn Sei. Acad., Part B. Biol. Sei. 58(4): 1 84. 1 992. Sporidesmium honniscioides Corda, Icon. Fung. (Prague) 2: 6. 1 838. Hebnisporíion honniscioides (Corda) Sacc. Michelia 1 : 85. 1 877. Clasterosporium honniscioides (Corda) Sacc., Syll. Fung. 4: 383. 1 886. Clasterosporium vermiculatum Cooke, Grevillea 4: 69. 1875. Sporidesmium vermiculatum (Cooke) M.B. Ellis, Mycol. Pap. 70: 41 . 1958. Stanjehughesia vermiculata (Cooke) Subram., Proc. Indian natn Sei. Acad., Part B. Biol. Sei. 58(4). 184. 1992. Fig.2h-k Conidióforos ausentes. Células conidiogênicas, monoblásticas, determinadas, lageniformes, lisas, castanhas, 10-15 x 5-9 pm. Conídios solitários, esquizolíticos, 20-42 septados, cilíndricos a fusi formes, retos ou flexuosos, simples, secos, lisos, castanhos, com ápice arredondado castanho-claro, 1 62,5-340 x 7,5- 1 0 pm; ápice 5-7,5 pm larg.; célula basal cônico-cilíndrica, truncada na base, 4—5 pm larg. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Pindobaçu, Serra da Fumaça, sobre casca em decomposição de dicotiledônia não identificada, 22.XII.2008, D.A.C. Almeida s.n. (HUEFS 154979). Subramanian (1992) estabeleceu o gênero Stanjehughesia para acomodar cinco espécies previamente descritas em Sporidesmium Link., caracterizadas pelos conidióforos ausentes ou reduzidos às células conidiogênicas e pela produção de conídios solitários, acrógenos, secos, com septos verdadeiros. Este autor transferiu Sporidesmium vermiculatum c S. honniscioides para Stanjehughesia mantendo-as como espécies distintas, discordando da sinonimização previamente proposta por Hughes (1958). Wu & Zhuang (2005) adicionaram quatro espécies ao gênero e retiveram o nome específico Stanjehughesia vermiculata para um espécime coletado na China. Delgado (2008), entretanto, estudando o gênero, considerou Stanjehughesia. vermiculata e S. hormiscoides coespecíficas com base nas ilustrações de Ellis (1958. 1976). O presente trabalho segue as considerações de Delgado (2008) que mantém a sinonimização proposta por Hughes ( 1 958). O material brasileiro apresentou conídios mais extensos e mais estreitos do que os relatados por Ellis ( 1 958, 1 976) e Wu & Zhuang (2005). Este é o primeiro registro da espécie para o Neotrópico. Encontrada no Canadá, China (como Stanjehughesia Rodrlguésia 621 1 ): 043 - 053 . 20 1 1 49 vermiculata , Wu & Zhuang 2005), Escócia e Inglaterra (Ellis 1958). Triposporium verruculosum R.F. Castaneda, Gené & Guarro, Mycotaxon 59: 207. 1 996. Fig. 2 1-n Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, retos ou flexuosos, simples, eretos, cilíndricos, rugosos em toda a extensão ou apenas na base, 8- 1 8 septados, afilando em direção ao ápice, castanho- escuros na base, castanhos no ápice, 50-275 x 7,5- 12,5 pm. Células conidiogênicas monoblásticas, terminais, integradas, determinadas, cilíndricas, lisas ou verrucosas, castanhas, 7,5-10 x 3-5 pm. Conídios solitários, estrelados, secos, constituídos por uma região central com 2 células de onde originam-se 2—4 ramificações; ramificações retas, divergentes, subuladas, 3-6 septadas, verruculosas na base, lisas e arredondadas no ápice, castanhas na base, subhialinas no ápice, 1 2,5-37,5 x 5-1 0 pm; ápice 2-5 pm larg.; células basais cônico-cilíndricas, truncadas, lisas, castanhas, 5-7,5 x 4-5 pm; células supra-basais verrucosas, castanho-escuras, 7,5- lOpmdiâm. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Pindobaçu, Serra da Fumaça, sobre folha em decomposição de dicotiledônia não identificada, 22.XII.2008, D.A.C. Almeida s.n. (HUEFS 154980). Triposporium verruculosum foi descrito por Castafieda-Ruiz et al. (1996), isolado sobre folhas em decomposição de Laurus sp. na Espanha. As espécies T. elegans Corda e T. lambdaseptatum (Matsush.) Kuthub. & Nawawi (Kuthubutheen & Nawawi 1991; Matsushima 1971) são semelhantes à T. verruculosum, mas podem ser diferenciadas pela ausência de verrucosidades na parede dos conídios e comprimento maior das ramificações (Ellis 1971; Castaneda-Ruiz et al. 1996). Os conídios de T. novoguineense Rifai (Rifai 1972) também são similares aos de T. verruculosum, contudo diferem pelas ramificações mais curtas e ausência de verrucosidades. As características do espécime examinado divergiram da descrição original pela ausência de proliferações percurrentes, menor tamanho das células conidiogênicas, das células basais e suprabasais dos conídios, bem como pelas ramificações dos conídios mais estreitas, no entanto, preferiu-se manter o espécime em T. verruculosum. O presente relato representa o primeiro registro da espécie para o continente americano. Encontrada na Espanha (Castaneda-Ruiz et al. 1996) e na Nova Zelândia (NZFUNGI 2009). SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. 50 Outras espécies de fungos conidiais encontradas no município de Pindobçu, Bahia: Actinocladium rhodosporum Ehrenb., Jahrb. Gewachsk. 1(2): 52. 1819. Material examinado: (HUEFS 154983). Atrosetaphiale flagelUformis Matsush., Mycol. Mem. 8: 14. 1995. Material examinado: (HUEFS 154985). lielírania rhombica Penz., Michelia 2(no. 8): 474. 1 882. Material examinado: (HUEFS 1 54989). BeUraniella portoricensis (F. Stevcns) Piroz. & S.D. Patil, Can. J. Bot. 48(3): 575. 1970. Material examinado: (HUEFS 1 55000). Brachysporiella gayana Bal., Boi. Secr. Agric. (Pernambuco) 19(1-2): 109. 1952. Material examinado: (HUEFS 155009). Chaetopsina fulva Rambelli, Diagn. IV 3: 5. 1956. Material examinado: (HUEFS 1550 10). Chalara alabamensis Morgan-Jones & E.G. Ingram, Mycotaxon 4(2): 489. 1976. Material examinado: (HUEFS155017). Chalara cylindrosperma (Corda) S. Hughes, Can. J. Bot. 36: 747. 1958. Material examinado: (HUEFS155019). Circinotrichum olivaceum (Speg.) Piroz., Mycol. Pap. 84: 6. 1 962.Material examinado: ( HUEFS 1 55020). Cladosporium oxysporum Berk. & M.A. Curtis, Berkeley, J. Linn. Soc., Bot. 10(46): 362. 1868. Material examinado: (HUEFS 1 5502 1 ). Cladosporium cladosporioides (Fresen.) G.A. de Vries, Contrib. Knowledge of the Genus Cladosporium Link ex Fries: 57. 1952. Material examinado: (HUEFS 155022). Curvularia eragrostidis (Henn.) J.A. Mey., Publ. Inst. nat. Étude agron. Congo belge, Sér. sei. 75: 1 83. 1959. 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Bot. 36: 787. 1958. Material examinado: (HUEFS 15505 1 ). Paliphora intermedia Alcorn, Mycotaxon 59: 145. 1 996. Material examinado: (HUEFS 1 55053). Paraceratocladium silvestre R.F. Castaneda, Fungi Cubenses II (La Habana) 2: 9. 1987. Material examinado: (HUEFS 155057). Parasympodiella laxa (Subram. & Vittal) Ponnappa, Trans. Br. mycol. Soc. 64(2): 344. 1 975. Material examinado: (HUEFS 155058). Phaeoisaria infrafertilis B. Sutton & Hodges, Nova Hedwigia 27(1-2): 219. 1976. Material examinado: (HUEFS 155062). Stachybotrys longispora Matsush., Icon. microfung. Matsush. lect. (Kobe): 145. 1975. Material examinado: (HUEFS 155063), Subulispora longirostrata Nawawi & Kuthub., Mycotaxon 30: 459. 1987. Material examinado: (HUEFS 155068). Subulispora rectilineata Tubaki, in Tubaki & Yokoyama, Trans. Mycol. Soc. Japan 12(1): 21. 1971. Material examinado: (HUEFS 155070). Vermiculariopsiella cubensis (R.F. Castaneda) Nawawi, Kuthub. & B. Sutton, Mycotaxon 37: 180. 1990. Material examinado: (HUEFS 155072). Virgaria nigra (Link) Nees, Nat. Arr. Brit. Pl. (London) 1: 553. 1817. Material examinado: (HUEFS155073). Agradecimentos Os autores agradecem aos Drs. Gregorio Delgado, Roland Kirschner, Uwe Braun e Xiu-Guo Zhang a contribuição no envio de literatura. O primeiro autor agradece à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) a bolsa concedida. L.F.P. Gusmão agradece ao CNPq (Proc. 474589/2008-0) o apoio financeiro. Referências Barbosa, F.R.; Gusmão, L.F.P. & Barbosa, F.F. 2008. Fungos anamórficos ( Hyphomycetcs) no semi-árido do estado da Bahia, Brasil. Acta Botanica Brasílica 22: 29-36. Barbosa, F.R.; Gusmão, L.F.P.; Castaneda-Ruiz, R.F.; Marques, M.F.O. & Maia, L.C. 2007. Conidial fungi from the semi-arid Caatinga biome of Brazil. New species Deighloniella rugosa & Diplociadiella conútumida with new records for the neotropics. Mycotaxon 1 02: 39-49. Barbosa, F.R.; Maia, L.C. & Gusmão, L.F.P. 2009a. 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Juss na Serra Negra, município de Rio Preto, Minas Gerais. A família está representada na área por oito gêneros e 26 espécies. As espécies encontradas são: Athenaea picta , Aureliana fasciculata, Brugmansia suaveolens, Cestrum bracteatum, Dyssochroma viridiflorum, Nicotiana tabacum , Physalis pubescens, Solanum bullatum, S. capsicoides, S. cinnamomeum, S. decorum, S. leplostachys, S. leucodendron , S. luridifuscescens, S. lycocarpum , S. melissarum, S. palinacanthum , 5. piluliferum, S. pseudoquina, S. schizandrum, S. sellowianum, S. sisymbriifolium, S. subumbellatum, S. swartzianum, S. vaillantii e S. velleum. Solanum é o gênero mais representativo com 19 espécies. São apresentadas chave de identificação, descrições, ilustrações, comentários taxonômicos, ecológicos e distribuição geográfica para as espécies. Palavras-chave: Mata Atlântica, Serra da Mantiqueira, Solanum, taxonomia. Abstract The taxonomic study of the family Solanaceae A. Juss is represented in Serra Negra, Rio Preto municipality, Minas Gerais State is presented. In this area the family is represented by eight genera and 26 species. The species are: Athenaea picta, Aureliana fasciculata, Brugmansia suaveolens, Cestrum bracteatum, Dyssochroma viridiflorum, Nicotiana tabacum, Physalis pubescens, Solanum bullatum, S. capsicoides, S. cinnamomeum, S. decorum, S. leplostachys, S. leucodendron, S. luridifuscescens, S. lycocarpum, S. melissarum, S. palinacanthum, S. piluliferum, S. pseudoquina, S. schizandrum, S. sellowianum, S. sisymbriifolium, S. subumbellatum, S. swartzianum, S. vaillantii e S. velleum. Solanum is the most representative genus with 19 species. A key for identification, as well as, descriptions, illustrations, and comments about of the species taxonomy, ecology and geographic distribution is presented. Key words: Atlantic Forest, Mantiqueira Range, Solanum, taxonomy. Introdução A família Solanaceae A. Juss. é uma das maiores entre as angiospermas eudicotiledôneas, reunindo 96 gêneros e aproximadamente 2300 espécies, com o maior centro de diversidade na AméricadoSul(D’Arcy 1991). No Brasil ocorrem 31 gêneros e cerca de 500 espécies nativas (Hunziker 2001), sendo 28 gêneros e cerca de 450 espécies encontrados na Região Sul (Stehmann & Mentz 2006) e 16 gêneros e 313 espécies, na Região Sudeste (Carvalho etal. 1996). A Serra da Mantiqueira é uma das maiores e a mais importante cadeia montanhosa do sudeste brasileiro. Abrangendo parte dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, abriga 20% dos remanescentes da Mata Atlântica mineira (Costa & Herrmann 2006). No Complexo da Mantiqueira, a Serra Negra é atualmente considerada prioritária para a conservação da biodiversidade de Minas Gerais, devido à elevada riqueza e grau de endemismo de espécies da sua fauna e flora (Drummond et al. 2005). Estudos florísticos recentes na área comprovaram uma elevada diversidade vegetal, com a amostragem de 1 57 espécies de plantas vasculares em apenas um de seus ambientes, a mata de grota (Menini Neto etal. 2009). Visando preencher uma lacuna no conhecimento de Solanaceae na Serra da Mantiqueira, o presente trabalho teve como 1 Universidade Federal de Juiz de Fora, Pós-graduação em Ecologia. Parte de Dissertação de Mestrado. ' Universidade Federal de Juiz de Fora. Dcpto. Botânic t. Campus Univ ersitário, R. José Lourenço Kelmer s.n„ 33036-900, Juiz de Fora, MG. * Autora para correspondência: fatima.salimena@ufjf.edu.br -SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 56 objetivo apresentar o estudo taxonômico da família na região da Serra Negra. São fornecidos uma chave de identificação, descrições, ilustrações, comentários sobre a taxonomia, ecologia e dados sobre a distribuição geográfica das espécies encontradas. Material e Métodos A Serra Negra está localizada no sul da Zona da Mata de Minas Gerais, nas coordenadas aproximadas de 21°58’24”S e 43°53’ 15”W, a cerca de 25 km do Parque Estadual do Ibitipoca, no município de Lima Duarte. Apresenta altitudes variando entre 960-1750 m e clima tropical de altitude mesotérmico, com temperaturas amenas e a precipitação media anual de 1.886 mm (EM ATER 2003). A Serra Negra está inserida no domínio atlântico, e sua vegetação é composta por florestas ombrófilas densas e campos rupestres. As florestas ombrófilas estão subdivididas nesta área em três formações florestais (Oliveira-Filho 2006; Valente 2007): floresta ombrófila densa aluvial, a cerca de 900 m de altitude em áreas periodicamente inundavéis; floresta ombrófila densa baixo- montana, entre 900 a 1.100 m de altitude, e floresta ombrófila densa alto-montana acima de 1 . 1 00 m de altitude (matas nebulares). Foram analisados materiais depositados no Herbário Leopoldo Krieger (CESJ) da Universidade Federal de Juiz de Fora, obtidos a partir de estudos florísticos iniciados em 2003 na Serra Negra. As descrições morfológicas das espécies foram realizadas com base no material coletado no projeto, seguindo a terminologia proposta por Harris & Harris (2003) e Radford et al. (1974) para as estruturas vegetativas e florais, e a terminologia de Roe (1971) para os tricomas. Felicianb, EA & Salimena, F.R.G Para a complementação das descrições e a análise de padrões morfológicos dos táxons estudados foram analisadas as coleções dos herbários BHCB. MBML, R. RB. SP, SPFe VIC. Resultados e Discussão Tratamento Taxonômico Solanaceae A. Juss. Ervas, arbustos, árvores, escandentes ou hemiepífitas, glabros ou recobertos por diversos tipos de tricomas, espinhos ou acúleos. Folhas pecioladas ou subsésseis, alternas, isoladas ou geminadas; lâminas inteiras, lobadas a pinatissectas ou às vezes dimorfas. Inflorescências axilares, terminais, ou opostas às folhas, fasciculadas, racemosas, corimbosas ou paniculiformes, raro bracteoladas, ou flores solitárias. Flores alvas, creme, lilases, róseas, roxas e azuis, monoclinas, diclamídeas, hetcroclamídeas, actinomorfas, raro levemente zigomorfas, prefloração valvar, valvar- plicada ou imbricada; corola pentâmera, rotácea, campanulada infundibuliforme, hipocrateriforme ou tubulosas. Androceu pentâmero ou tetrâmero, isodínamo ou didínamo, estames pentâmeros, cpipétalos, filetes retos, reflexos ou geniculados, anteras monotecas ou bitecas, com deiscência rimosa longitudinal, transversal ou poricida, apicais extrorsas ou introrsas, amarelas ou lilases. Ovário supero, bilocular, placentação axilar, multiovulado; estilete simples; estigma apical capitado, clavado ou bífido. Fruto cápsula ou baga, por vezes envolvidos pelo cálice acrescente, sementes poucas a numerosas. Na Serra Negra a família Solanaceae está representada por oito gêneros e 26 espécies: Athenaea (1), Aureliana (1), Brugmansia (1), Cestrum (I), Dyssochroma (1), Nicotiana (1), Physalis ( 1 ) e Solanutn (19). Chave para identificação das espécies de Solanaceae na Serra Negra 1. Corola hipocrateriforme ou infundibuliforme; cálice tubuloso ou campanulado. 2 Flor solitária. 3. Arvoreta; flores com corola alva; bractéolas ausentes 3. Brugmansia suaveolens 3'. Epífita ou hemiepífita; flores com corola verde; bractéolas presentes 5. Dyssochroma viridiflora 7. Flores agrupadas em inflorescências. 4. Inflorescência dicotômica ramificada; bractéolas aciculares 6. Nicotiana tabacum 4’. Inflorescência helicoidal; bractéolas foliáceas 4. Cestrum hracteatum 1 ’. Corola rotácea. rotácca-estrelada ou campanulada; cálice rotáceo, campanulado ou cupuliforme. Rodrígvésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 Solanaceae na Serra Negra. Minas Gerais 57 5. 5’. Anteras com deiscência longitudinal. 6. Corola campanulada; anteras roxas; fruto com cálice inflado 7. Physalis pubescens 6‘. Corola rotácea-estrelada; anteras alvas ou alvo-esverdeadas; fruto com cálice não inflado. 7. Ramos e folhas glabros, com pontuações negras; cálice com lacínias denteadas; não acrescente nos frutos 2. Aureliana fasciculata 7’. Ramos e folhas pubescentes a pilosos, sem pontuações negras; cálice com lacínias estreitamente lanceoladas, acrescente no fruto 1. Athenaea picta Anteras com deiscência poricida às vezes prolongada basipetamente por fendas longitudinais. 8. Plantas inermes. 9. Ramos e folhas glabros, glabrescentes ou pilosos com tricomas simples; lâminas verdes nas duas faces. 10. Lâminas foliares sem papilas, com domácias pilíferas entre as nervuras na face abaxial 19. Solanum pseudoquina 10’. Lâminas foliares com papilas, sem domácias pilíferas entre as nervuras. 11. Corola lilás; anteras coniventes com escamas papilosas 14. Solanum luridifuscescens 1 1’. Corola alvo-esverdeada; anteras livres, glabras 16. Solanum melissarum 9'. Ramos e folhas com tricomas equinóides, estrelados ou lepidotos; lâminas com a face adaxial verde e a abaxial alva ou alvo-esverdeada. 12. Corola rotáceo-pentagonal, lilás 23. Solanum subumbellatum 12’. Corola rotáceo-estrelada, alva. 13. Lâminas foliares com o ápice involuto 10. Solanum cinnamomeum 13’. Lâminas foliares com o ápice não involuto. 14. Inflorescência monocásio reduzido 24. Solanum swartziamm 14’. Inflorescência dicotômica ramificada. 15. Ramos lepidotos ou glabrescentes, tricomas peitados 13. Solanum leucodendron 15’. Ramos tomentosos, tricomas equinóides. 16. Lâminas foliares com base cuneada; ovário glabro, estigma profundamente bífido 21. Solanum sellowianum 16’. Lâminas foliares com base obtusa; ovário com região apical tomentosa, estigma capitado 8. Solanum bullatum 8’. Plantas armadas. 17. Ramos glabrescentes, pubescentes, viscosos ou pilosos com tricomas simples e/ou glandulares. 1 8. Lâminas foliares com base cordada; inflorescência monocásio reduzido. 19. Corola verde ou alva; ovário glabro; fruto vermelho 9. Solanum capsicoides 19'. Corola roxa; ovário piloso; fruto verde rajado de amarelo 17. Solanum palinacanthum 18’. Lâminas foliares com base truncada ou assimétrica; inflorescência escorpióide. 20. Ramos cilíndricos, viscosos; corola rotáceo-pentagonal, cálice acrescente nos frutos 22. Solanum sisymbriifolium 20’. Ramos quadrangulares, glabrescentes; corola rotáceo-estrelada, cálice não acrescente nos frutos 25. Solanum vaillantii 17’. Ramos tomentosos com tricomas equinóides ou estrelados ramificados. 21. Liana; ramos e lâminas foliares com acúleos uncinados 20. Solanum schizandrum 21’. Arbusto ou arvoreta a árvore; ramos e lâminas foliares sem a presença de acúleos uncinados. 22. Lâminas foliares com a face abaxial alvo-esverdeada; corola violácea. 23. Lâminas foliares com o ápice arredondado; cálice não acrescente no fruto .... 5. Solanum lycocarpum Rodríguésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. 58 Feliciano, EA & Salimena, F.R.G 23’. Lâminas foliares com o ápice acuminado, raro obtuso; cálice acrescente no fruto 12. Solanum leptostachys 22’. Lâminas foliares com a face abaxial ferrugínea; corola alva. 24. Inflorescência umbeliforme 1 8 . Solanum pilulifenm 24'. Inflorescência dicotomicamente ramificada. 25. Corola rotácco-estrelada; fruto com cálice não acrescente 1 1 . Solanum decoram 25’. Corola rotáceo-pentagonal; fruto com cálice acrescente cobrindo o terço basal do fruto 26. Solanum velleum Athenaea Sendtn. /. Athenaea picta Sendtn. in Mart, Eichler & Urban, Fl. bras. 1 0: 1 34. 1 846. Fig. 1 a-b Arvoreta; ramos cilíndricos, inermes, pubescentes a pilosos, tricomas glandulares. Folhas geminadas, raro isoladas; pecioladas; lâmina membranácea, as maiores 5,7-9 x 3, 5-4, 6 cm, as menores 1 ,5-4,5 x 1-2,3 cm, lanceolada a ovada, ápice agudo a acuminado, base assimétrica, margem sinuada. faces adaxial verde e abaxial verde-clara, pubescentes, tricomas simples e glandulares, acúleos ausentes. Inflorescência fascículo. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice rotáceo, lacínias estreitamente lanceoladas; corola rotáceo- estrelada, alva, matizada de roxo na face adaxial, 1-1,7 cm diâm., lacínias 5 x 2-3 mm, obtusas, ápice agudo, piloso com tricomas simples, raro glandulares, faces abaxial e adaxial glabrescentes. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 1 mmcompr.; anteras alvas, 2-3 mm compr., oblongas, deiscência longitudinal. Ovário ca. 2 mm diâm., ovado, glabro; estilete ca. 3 mm compr., curvo, glabro; estigma capitado. Fruto baga, 1 ,2-1 ,4 cm compr., 4-7 mm diâm., ovado, apiculado, pubescente, às vezes glabro; cálice acrescente, lacínias cobrindo o fruto. Material examinado: Serra Negra, estrada para o Vilarejo do Funil, IX.2004, 11.. C.S'. Matozinhos et al. 107 (CESJ). Material adicional examinado: ESPÍRITO SANTO: Reserva Biológica Augusto Ruschi, 01. VIII. 2002. fl. e fr.. R.R. Venloet et al. 629 (BHCB. MBML). Athenaea picta distingue-se das demais espécies estudadas pela presença de flores com corola alva matizada de roxo na face adaxial, pela expressiva presença de tricomas glandulares nos ramos, folhas e flores e pelos frutos apiculados. Na Serra Negra foi encontrada apenas em borda de mata ciliar a 900 m de altitude. Ocorre nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sâo Paulo e Paraná (Carv alho 1997). Aureliana Sendtn. 2 .Aureliana fasciculata Sendtn. in Mart., Eichler & Urban, Fl. bras. 10: 140. 1846. Fig. Ic-d Arvoreta; ramos cilíndricos, inermes, glabros, com pontuações negras ao longo do caule. Folhas isoladas, raro geminadas; pecioladas; lâmina membranácea, (2,2— )5, 5-9,3 x (0,8)1, 6-3,1 cm, lanceolada a estreitamente elíptica, ápice acuminado a cuspidado, base cuneada a atenuada, raramente assimétrica, margem inteira, faces adaxial e abaxial verdes, glabras, com pontuações negras, acúleos ausentes. Inflorescência fascículo. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias denteadas; corola rotáceo-estrelada, alva, com manchas basais magentas na face adaxial, 1, 1-1,4 cm diâm., lacínias triangulares, ápice agudo, margem glabra a ciliada, tricomas simples; face abaxial e adaxial glabras. Estames 5, heterodínamos, 3 maiores e 2 menores; filetes 3-4 mm compr.; anteras alvo-esverdeadas, 1-2 mm compr., oblongas, deiscência longitudinal. Ovário 1-2 mm diâm., subgloboso, glabro; estilete ca. 7 mm compr., reto, glabro; estigma capitado. Fruto baga, ca. 3 mm diâm., imaturo, globoso, glabro; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra, Cânion próximo à Gruta do Funil, XI.2(X)5. fl. e fr., K. Antunes et al. 208 (CESJ); Mata do Benedito, ca. 1 .000 m, XI.2006. 11., A.S M. Valente & P.O. Garcia 514 (CESJ). Aureliana fasciculata pode ser reconhecida pelos ramos e folhas glabros com pontuações negras, pelas flores com manchas basais magentas na face adaxial c pelo cálice com lacínias denteadas. Na Serra Negra foi encontrada em um local bastante úmido no interior de uma mata de encosta, a 1000 m de altitude. Ocorre na Argentina, Paraguai e Brasil, nos estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Hunzikcr& Barboza 1990). É considerada rara no estado de Minas Gerais (Oliveira-Filho 2006). Radriguesls 62 ( 1 ): 053 - 076 . 201 1 SciELO/JBRJ, 13 14 cm Figura 1 - a-b. Athenaea picta - a. flor; b. fruto apiculado. c-d.Aurelianafasciculata-c. ramo com inflorescência; d. fruto. e. Brugmansia suaveolens - flor. f-g. Cestrum bracteatum - f. flor; g. fruto. h. Dyssochroma viridiflora - flor (a-b Matozinhos 107 ; c-d Antunes 208; e Feliciano 51; f-g Feliciano 28; h Matozinhos 21). Figure 1 - a-b. Athenaea picta - a. flower; b. apiculate fruit. c-d. Aureliana fasciculata - c. branch with inflorescence; d. fruit. e. Brugmansia suaveolens - flower. f-g. Cestrum bracteatum - f. flower; g. fruit. h. Dyssochroma viridiflora - flower (a-b Matozinhos 107; c-d Antunes 208; e Feliciano 51; f-g Feliciano 28; h Matozinhos 21). Rodríguésia 62(1): 055-076. 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. 60 Brugmansia Persoon 3. Brugmansia suaveolens (Willd.) Bercht. & C. Presl. Prir. Rosllin Ancb. Rostl. 1:45. 1823. Fig. le Arvorcta; ramos cilíndricos, inermes, glabrescentes, raro com tricomas simples. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, (6,5-) 1 2-22,2 x ( 1 -)6, 1 - 1 1 ,4 cm. ovada a lanceolada, ápice agudo a acuminado, base assimétrica, margem inteira, levemente sinuada, faces adaxial e abaxial verdes, pubescentes a pilosas, tricomas simples, raro glandulares, acúleos ausentes. Flores solitárias, terminais; pediceladas; bractéolas ausentes; cálice tubuloso, inflado, lacínias obtusas; corola infundibuliforme, alva, 25-29 cm compr., ca. 1 3,5 cm diâm., lacínias longamenle caudadas, face abaxial pubescente, face adaxial glabrescente. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 4,7 cm compr.; anteras alvas, ca. 3 cm compr., laminares, deiscência longitudinal. Ovário 1 -2 mm diâm., fusiforme, glabro; estilete ca. 16,6 cm compr., reto, glabro; estigma oblongo a globoso. Fruto não visto. Material examinado: Serra Negra, Vilarejo do Funil, 29.IV.2007, n., E. A. Feliciano et ai 51 (CESJ); Fazenda Santa Luiza. VI.2007. fl.. F.R.G. Salimena & P. 11. Nobre 2476 (CF.SJ). Brugmansia suaveolens pode ser facilmente distinta das demais espécies estudadas pelas flores grandes e pêndulas, com corola infundibuliforme, lacínias com ápice longamente caudado e estames com filetes longos, pilosos na metade proximal e anteras laminares. Na Serra Negra é encontrada próximo às margens de cursos d’água em locais bastante iluminados. Essa espécie é amplamente distribuída no Brasil, ocorrendo também em outros países da América do Sul, América Central e África (Smith & Downs 1966). Apesar de ser uma espécie emplamcnte distribuída no Brasil não foram encontrados frutos nos materiais analisados em herbário, possivelmente por serem volumosos, chegando a 20 cm, como citado por Carvalho & Bovini ( 2006). Cestrum L 4. Cestrum bracteatum Link & Otto, Icon. Pl. Rar. | Link &Otto] 11:6. 1828. Fig. lf-g Arbusto ou arvoreta; ramos cilíndricos, inermes, glabros. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina membranácea, 10,4-16,5 x 3,2-4 cm., estreitamente elíptica, raro oblonga, ápice acuminado, raro agudo e cuspidado, base atenuada, margem inteira, levemente revoluta, face adaxial e abaxial verdes, glabras, acúleos ausentes. Inflorescência helicoidal, axilar. Flores sésseis; bractéolas foliáceas, caducas, 0,8-1 ,7 x 0.5-0.9 cm. Feliciano, EA & Salimena. F.R.G à ovadas; cálice tubuloso, lacínias triangulares; corola hipocraterifonne, verde. ca. 2,7 cm compr., ca. 1 ,3 cm diâm., glabro, ápice do tubo ligeiramente giboso; lacínias lanceoladas, ápice arredondado a agudo; face abaxial pilosa, tricomas simples; face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos, filetes ca. 5 mm compr.; anteras, ca. 1 mm compr., ovadas, deiscência longitudinal. Ovário ca. 2 mm diâm., ovado, glabro; estilete ca. 2,3 cm compr., reto, glabro; estigma capitado. Fruto baga, atropurpúrea, ca. 8 mm compr., 5-6 mm diâm., globoso a oblongo, glabro; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra. Vilarejo do Funil, 2. VI. 2006, n.. F.R.G. Salimena et al. 1355 (CESJ); 16.111.2007, fl. e fr., E.A. Feliciano et al. 28 (CESJ); 27.1 V.2007. fl.. E.A. Feliciano et al. 42 (CESJ). Cestrum bracteatum pode ser reconhecida pela presença de bractéolas foliáceas, flores verdes, sésseis, pequenas, com corola hipocraterifonne, e pelos ramos, folhas e frutos glabros. Na Serra Negra pode ser encontrada no interior de matas de grota e em áreas de transição de mata e campo rupestre, a aproximadamente 930 m altitude. Ocorre nos estados do Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, em altitudes que variam de 500 a 2.000 m. Dyssochroma Miers 5. Dyssochroma viridiflora Miers, Ann. Mag. Nat. Hist. ser. 2, 4(22): 25 1 . 1 849. Fig. 1 h Epífila ou hemiepífita; ramos angulosos, inermes, glabros. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, 7-15 x 2, 1-4,3 cm, oblanceolada a elíptica, ápice agudo a cuspidado, base atenuada, margem inteira, ligeiramente crenada, faces adaxial e abaxial verdes, glabras, com domácias pilíferas na axila das nervuras secundárias na face abaxial, acúleos ausentes. Flor solitária, terminal, pedicelada; bractéolas ausentes; cálice campanulado, profundamente 4-partido, lacínias triangulares; corola infundibuliforme, verde. ca. 6 cm compr., ca. 3,5 cm diâm., lacínias lanceoladas, revolutas; faces abaxial e adaxial glabras. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 7,2 cm compr.; anteras ca. 1,3 cm compr., lineares, deiscência longitudinal. Ovário ca. 7 cm compr., ca. 5 cm diâm., subgloboso, glabro; estilete ca. 9 cm compr., reto, glabro; estigma capitado. Fruto baga, 3-5,2 cm diâm., globoso, apiculado, glabro; cálice acrescente, lacínias cobrindo mais da metade do fruto. Material examinado: Serra Negra, interior do Câniondo Funil, 20.VIII.2004, fl., C.N. Matozinhos etal. 21 (CESJ). Rodriguésiá 62| 1 ): 055-076. 201 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. Solanaceae na Serra Negra, Minas Gerais Material adicional examinado: MINAS GERAIS: Ouro Preto, Cachoeira das Andorinhas, 9.II.1985, fl. e fr„ M. F. Vieira et al. 121 (VIC). Dyssochroma viridiflora destaca-se pelo hábito epífitico ou hemiepífitico, podendo ser facilmente reconhecida pela corola esverdeada com lacínias revolutas e bagas apiculadas. Na Serra Negra pode ser encontrada em locais bastante úmidos, no interior de matas de grota, a cerca de 990 m de altitude. Ocorre nos estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Nicotiana L. 6 . Nicotiana tabacum L., Sp. Pl. 1: 180. 1753. Fig. 2a-b Erv a; caule cilíndrico, inerme, pubescente com tricomas simples e glandulares. Folhas isoladas; pecíolo curto a séssil; lâmina membranácea, 6—20 x 0,7-7 cm, oblongo-lanceolada a elíptica, ápice acuminado, base decorrente, margem sinuada, faces adaxial e abaxial verdes, pubescentes com papilas, tricomas simples e glandulares, acúleos ausentes. Inflorcscência dicotômica ramificada, terminal. Flores pediceladas; bractéolas aciculares, 0,5— 1,2 cm compr., pubescente; cálice tubuloso, lacínias aciculares; corola infundibuliforme, dilatada no ápice, esverdeada ca. 4,5 cm compr., ca. 1 ,5 cm diâm., lacínias róseas, reflexas, aciculares, face abaxial pilosa e adaxial pubescente. Estames 5, heterodínamos. 2 maiores e 3 menores; filetes ca. 3 cm compr.; anteras alvas, ca. 3 mm compr., ovadas, deiscência longitudinal. Ovário ca. 7 mm compr., ca. 3 mm diâm., ovado, glabro; estilete ca. 4 cm compr., reto, glabro; estigma capitado. Fruto cápsula, verde, 2—2,3 cm compr., ca. 1 cm diâm., ovado, glabro, ápice apiculado; cálice acrescente, cobrindo mais da metade do fruto. Material examinado: Serra Negra, Vilarejo do Funil, 2 \y. 2004 .,n.eÍT.,F.R.G.Salimenaetal. 1321 (CESJ). Nicotiana tabacwn possui folhas com pecíolos curtos a séssseis com base decorrente, bractéolas aciculares e flores com corola infundibuliforme, com lacínias róseas curtas. Na Serra Negra pode ser encontrada em ambientes antropizados. Physalis L. 7. Pliysalis pubescens L., Sp. Pl. 1: 183. 1753. Fig. 2c-d Arbusto; ramos subcilíndricos a angulosos, inermes, pubescentes com tricomas simples. Folhas geminadas; pecioladas; lâmina membranácea, 3,5- 8, 1 x 2,3-5, 8 cm, ovada, ápice agudo a acuminado, base subtruncada a cordada, margem levemente e Rodriguésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 201 1 61 irregularmente lobada, lobos às vezes agudos, glabros, faces adaxial e abaxial verdes, velutinas, tricomas simples, acúleos ausentes. Flor solitária, axilar; pedicelada; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias reflexas, lanceoladas; corola campanulada, amarela, matizada de roxo na face adaxial, ca. 1 cm compr., ca. 1 ,2 cm diâm., lacínias arredondadas, face abaxial pilosa, face adaxial pilosa até a Vi do tubo, tricomas glandulares. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 3 mm compr.; anteras roxas, ca. 4 mm compr., oblongas, deiscência longitudinal. Ovário ca. 2 mm diâm., globoso, glabro; estilete roxo, ca. 7 mm compr., reto, glabro; estigma capitado. Fruto baga, amarelo, 1-1,5 cm diâm., globoso, glabro; cálice acrescente, inflado, cobrindo todo o fruto, ca. 4 cm compr., ca. 3 cm diâm., piloso. Material examinado: Serra Negra, Fazenda Santa Luiza, 31.V1.2007, fl. e fr„ F.K.G. Salimena & P.H. Nobre 2474 (CESJ). Physalis pubescens possui flores com corola amarela matizada de roxo na face adaxial, anteras roxas e fruto com cálice acrescente e inflado cobrindo todo o fruto. Na Serra Negra foi encontrada apenas em áreas antropizadas. No Brasil, P. pubescens ocorre nos estados de Goiás, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Solanum L. 8. Solanum bullatum Vell., Fl. Flumin.: 84. 1 829, Icon. 2; 1 04. 1 83 1 . Fig. 2e-f Arvoreta ou árvore; ramos cilíndricos, inermes, tomentosos com tricomas equinóides. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina membranácea, 1 1 ,3-17,5 x 3,3-6,7 cm, lanceolada a elíptica, ápice acuminado, base obtusa, margem inteira, levemente sinuosa, face adaxial verde, pilosa com tricomas estrelados, peitados, face abaxial alvo-esverdeada, flocosa com tricomas equinóides e estrelados ramificados, acúleos ausentes. Inflorescência dicotômica ramificada, terminal e axilar. Flores curto-pediceladas a sésseis; bractéolas ausentes; cálice cupuliforme, lacínias triangulares; corola rotáceo-estrelada, alva, 1,8-2, 3 cm diâm., lacínias triangulares, ápice mucronado, face abaxial tomentosa, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 2 mm compr.; anteras amarelas, ca. 4 mm compr., oblongas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 2 mm diâm., globoso, tomentoso no ápice; estilete ca. 7 mm compr., ligeiramente curvo, glabrescente; estigma capitado. Fruto baga, 0,5-1 cm diâm., globoso, pubescente; cálice acrescente, cobrindo até a metade do fruto. SciELO/JBRJ 13 14 cm .. 62 Material examinado: Serra Negra, Mata do Ninho da Égua, 04. IV. 2006, bot., A.S.M. Valente & P.O. Garcia 502 (CESJ). Material adicional examinado: MINAS GERAIS: Marliéria. Parque Estadual do Rio Doce, 02. XII. 1997, fl. e fr„ M.G. Bovini 1253 (VIC). Solanum bullatum pode ser reconhecida pelo indumento flocoso, com tricomas equinóides e estrelados ramificados na face abaxial das lâminas foliares. Na Serra Negra pode ser encontrada em interior de mata nebular, a cerca de 1300 m de altitude. Ocorre na Região Sudeste do Brasil e nos estados do Paraná e Santa Catarina (Smith & Downs 1966). 9. Solanum capsicoides All., Auct. Syn. Mcth. Stirp. Hort. RcgiiTaur.: 12. 1773. Fig. 2g Erva; caule cilíndrico, armado, piloso, com tricomas simples, longos e glandulares; acúleos aciculares. Folhas isoladas, raro geminadas; pecioladas; lâmina membranácea, 3,5-1 1 .5 x 2,3- 9 cm., ovada, ápice agudo a acuminado, base cordada, margem regularmente lobada com 3 pares de lobos, faces adaxial e abaxial verdes, pilosas, com tricomas simples e glandulares, raro tricomas estrelados, acúleos presentes. Inflorescência monocásio reduzido, extra-axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado. lacínias triangulares; corola rotáceo- estrelada, verde ou alva, ca. 9 mm compr., ca. 1 .5 cm diâm., lacínias lanceoladas, ápice mucronado, involuto, face abaxial pilosa, tricomas simples e glandulares; face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos, filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelo-claras, 6-7 x 3 mm, lanceoladas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário 1-2 mm diâm., subgloboso, glabro; estilete ca. 2 mm compr. nas flores brevestilas, reto, glabro; estigma capitado. Fruto baga, vermelho, 2,5-5 cm diâm., globoso, glabrcscente; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra. Vilarejo do Funil, 26.1.2007, fl., E.A. Feliciana et al. 20 (CESJ); 18.III.2007, (1. e fr., E.A. Feliciana et al. 39 (CESJ); 28. IV. 2007, fr., E.A. Feliciana et al. 47 (CESJ). Solanum capsicoides possui lâminas foliares com margem regularmente lobada, ovário e estilete muito curtos e glabros e frutos grandes, vermelhos quando maduros. Na Serra Negra pode ser encontrada próximo à borda de matas e estradas, em área de pastagem e em campo rupestre. Ocorre em áreas tropicais da América Central e da América do Sul (Nec 1999). No Brasil S. capsicoides é amplamcnte distribuída onde ocorre do Ceará até o Paraná. Feliciano. EA & Salimena, F.R.G » 10. Solanum cinnamomeum Sendtn. in Mart., Eichler & Urban, Fl. bras. 1 0: 44. 1 846. Fig. 3a-d Árvore; ramos cilíndricos, inermes, lepidotos com tricomas peitados. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, (3-)6,6-10,7 x 2-2,3 cm; oblonga a lanceolada, ápice acuminado, involuto, base obtusa, assimétrica, margem inteira, face adaxial verde-escura, glabrescente, face abaxial alva, tomentoso-lepidota. tricomas peitados, acúleos ausentes. Inflorescência dicotômica ramificada, terminal. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias triangulares; corola rotáceo-estrelada, alva, ca. 1,4 cm compr., ca. 1,8 cm diâm., lacínias oblongas, face abaxial pubescente, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 2-3 mm compr.; anteras amarelas, ca. 3 mm compr., oblongas, deiscência poricida, não prolongada por fendas longitudinais. Ovário 1-2 mm diâm., ovado, glabro; estilete ca. 7 mm compr., reto, pubescente; estigma capitado. Fruto baga, verde, 1-1.3 cm diâm.. globoso, glabro; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra. Serra da Caveira D' Anta. Faz. Tiririca. 25.11.2004, 11. K. Antunes et al. 56 (CESJ); Matado Ninho da Égua. 04.IV.2006, ft., A.S.M. Valente & P. O. Garcia 416 (CESJ ). Solanum cinnamomeum destaca-se das demais espécies de Solanum da Serra Negra por apresentar lâminas foliares com o ápice involuto. Na Serra Negra pode ser encontrada na borda e no interior de matas de encosta e matas nebularcs, a 1000-1300 m altitude. Ocorre nos estados Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Solanum cinnamomeum é considerada muito rara cm Minas Gerais (Oliveira-Filho 2006). 1 1. Solanum decorum Sendtn., in Mart., Eichler & Urban, Fl. bras. 10:83. 1 846. Fig. 3e-g Arvoreta; ramos cilíndricos, armados, tomentosos, com tricomas equinóides, ferrugíneos; acúleos aciculares. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, (2— )6 — 1 4 x (0,7-)2,l-3,9 cm; oblongo-lanceolada a elíptica, ápice agudo a acuminado, base atenuada a decorrente às vezes assimétrica, margem inteira, levemente sinuosa, face adaxial verde, escabra com tricomas estrelados, peitados, face abaxial fcrrugínca, tomentosa com tricomas equinóides, acúleos ausentes. Inflorescência dicotômica ramificada, terminal. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias triangulares; corola rotáceo- estrelada, alva, ca. 1, 5-2,2 cm diâm., lacínias lanceoladas, face abaxial pilosa, face adaxial glabra. Rodriguésià 62(1): 055-076. 201 1 SciELO/ JBRJ 13 14 Solanaceae na Serra Negra, Minas Gerais 63 Figura 2 - a-b. Nicotiana tabacum - a. flor; b. fruto. c-d. Physalis pubescens - c. flor; d. fruto. e-f. Solanum bullatum — c. ramo com inflorcscência; f. tricoma estrelado ramificado, curto pedicelado. g. 5. capsicoides — fruto (a-b Salimena 1321; c-d Salimena 2474; e-f Valente 502; g Feliciano 47). Figure 2 - a-b. Nicotiana tabacum - a. flower, b. fruit. c-d. Physalis pubescens - c. flower, d. fiuit. e-f. Solanum bullatum - e. branch with inílorcscence; f. stellate hair, short pedicellate. g. S. capsicoides - fiuit (a-b Salimena 1321; c-d Salimena 2474; e-f Valente 502; g Feliciano 47). Rodriguésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 201 1 cm .. 64 Estames 5, isodínamos; filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelas, ca. 9 mm compr., Ianceoladas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1-2 mm diâm., ovado, piloso com tricomas glandulares; estilete ca. 4 mm compr., reto, piloso; estigma capitado. Fruto baga, verdes, 1-1,4 cm diâm., globoso, pubescente; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra, Vilarejo do Funil, 2. VI. 2006, fr., F.R.G. Salimena et al. 1356 (CESJ); 16.111.2007, fr., E.A. Feliciano et al. 29(CESJ). Material adicional examinado: MINAS GERAIS: Capclinha, 1000 m, 7.XI.1981, fl„ G.C.F. Finto. 376/ 81 (RB). Solanum decorum possui ramos ferrugíneos com acúleos inconspícuos, lâminas foliares discolores com face adaxial verde, cscabra e abaxial ferrugínea, além de flores com corola rotáceo- estrelada. Na Serra Negra foi encontrada principalmentc no interior e borda de matas ciliares, a 900 m altitude. É endêmica da Região Sudeste do Brasil (Agra 2000), sendo considerada rara cm Minas Gerais (Oliveira-Filho 2006). 12. Solanum leptostachys Dunal in DC., Prodr. 13(1): 306. 1852. Fig.4a-e Árvore; ramos cilíndricos, tomentosos, com tricomas equinóides; acúleos aciculares. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, 6- 1 1 X 2,7-4, 5 cm, lanceolada a elíptica, raro ovada, ápice acuminado, raro obtuso, base assimétrica, margem sinuosa a irregularmente lobada, faces adaxial e abaxial alvo-esverdeadas, viscosas, com tricomas estrelado-glandulares, ramificados, curto-pedicelados e simples- glandulares, acúleos ausentes. Inflorescência escorpióide, extra-axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado lacínias triangulares; corola rotáceo- pentagonal, violácea, ca. 1,1 cm compr., ca. 2 cm diâm., lacínias triangulares, face abaxial pilosa, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes 1-2 mm compr.; anteras amarelas, ca. 5 mm compr., Ianceoladas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1 mm diâm., globoso, piloso; estilete 3-7 mm compr., glabro; estigma bífido. Fruto baga, verde, 0,9-1, 2 cm diâm., globoso, pubescente; cálice acrescente, lacínias cobrindo até a metade do fruto. Material examinado: Serra Negra, Cachoeira da Água Vermelha, 9. IV. 2004, fr., K. Antunes et ai 69 (CESJ). Feliciano, EA & Salimena, F.R.G » Material adicional examinado: BAHIA: Poções, Acesso a Fazenda Boa Esperança com entrada ao Sul de Morinhos, 8. X. 2004, fi.. A.M. Amorim et al. 4295 (BHCB.CEPEC). Solanum leptostachys caracteriza-se pelas folhas alvo-esverdeadas, viscosas, com tricomas estrelado-glandulares, e margem sinuosa a irregularmente lobada, de odor forte e inflorescências escorpióides. Na Serra Negra pode ser encontrada em campo rupestre. Ocorre nos estados da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. 13. Solanum leucodendron Sendtn., in Mart., Eichler & Urban, Fl. bras. 10: 43. 1 846. Fig. 4f Árvore; ramos cilíndricos, inermes, lepidotos ou glabrescentes, com tricomas peitados. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, (2-)7,5-16,4 x (0,9-)2,5-5,3 cm, oblonga a estreitamente elíptica, ápice agudo a acuminado, raro retuso, não involuto, base decorrente e revoluta. margem inteira, levemente sinuada, face adaxial verde, glabrescente, face abaxial alva, Iepidota, tricomas peitados, acúleos ausentes. Inflorescência dicotômica ramificada, terminal. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice cupuliforme, lacínias triangulares; corola rotáceo-estrelada, alva, ca. 9 mm compr., 1,2-1, 5 cm diâm., lacínias triangulares, face abaxial Iepidota, face adaxial glabra. Estames isodínamos; filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelas, ca. 3 mm compr., oblongas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1 mm diâm., subgloboso, tomentoso no ápice; estilete ca. 5 mm compr., curvo, pubescente na metade proximal; estigma clavado. Fruto baga, verde, 0,9-1, 4 cm diâm., globoso, pubescente; cálice acrescente cobrindo mais da metade do fruto. Material examinado: Serra Negra, estrada Rio Preto- Olaria. 10.XI.2003, B.. F. R. G. Salimena <£ P. li. Nobre 1121 (CESJ). Material adicional examinado: ESPÍRITO SANTO: Venda Nova do Imigrante, Sítio Guaçuvirá, 3 1 .1. 1995, fl. e fr., D. A. Folli 2521 (BHCB). Solanum leucodendron apresenta folhas geralmente grandes, oblongas a estreitamente elípticas, com a face abaxial alva, coberta por tricomas peitados prateados. Na Serra Negra pode ser encontrada cm borda de mata, a aproximadamente 1 .000 m altitude. Ocorre nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná, cm altitudes que variam de 400 a 1 .300 m. Rodriguésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 201 1 SciELO/JBRJ ! 13 14 15 16 17 18 cm .. Figura 3 — a-d. Solonurn cinncttnomeum — a. ramo com fruto, b. fruto, c. tricoma peitado; d. ápice foliar involuto. e-g. S. decorum - e. ramo com frutos; f. tricoma estrelado; g. tricoma equinóide (a-d Antunes 56; e Feliciano 47; f-g Feliciano 29). Figure 3 - a-d. Solanum cinnamomeum - a. brandi with fruit; b. fruit; c. peltate hair; d. leaf involute apex. c-g. S. decorum - e. branch wilh fniits; f. stellatc hair; g. echinate hair (a-d Antunes 56; e Feliciano 47; f-g Feliciano 29). Rodríguésiá 62 ( 1 ): 055 - 076 . 201 1 SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 66 Felidanc* Ej\ & Salimena. F.R.G 14 .Solanum lurUlifuscescens Biltcr. Repert. Spcc. Nov. Regni Veg. 1 2: 466. 1913. Fig. 4g Arbusto; ramos cilíndricos, inermes, glabros com pontuações negras. Folhas isoladas, raro geminadas; pecioladas; lâmina membranácea, 3- 13,5 x 1,2^4 cm; oblonga a oblanceolada, ápice agudo a acuminado, base decorrente, margem inteira, revoluta, ciliada, com tricomas simples, faces adaxial e abaxial verdes, glabras, com pontuações negras e papilas, esparsas, acúleos ausentes. Inflorescência escorpióide, axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado a cupuliformc, lacínias ovadas, com ápice mucronado, carnoso; corola rotáceo- estrelada, lilás, ca. 1,5-2, 7 cm diâm., lacínias lanceoladas, ápice agudo, involuto, face abaxial pubescente; face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes subsésseis; anteras amarelas, 8-9 mm compr., lanceoladas, coniventes, com escamas papilosas, deiscência poricida, não prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 2 mm diâm., ovado, glabro, raramente com tricomas glandulares na base do ovário; estilete ca. 9 mm compr., reto, glabro; estigma truncado. Fruto baga, 1-1,5 cm diâm., ligeiramente oblongo, glabro, com pontuações negras, raro com tricomas simples; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra, Região do Burro de Ouro. 26.11.2006, fr„ P.L Viana & N.F.O. Mota 1945 (CESJ). Material adicional examinado: RIO DE JANEIRO: Nova Friburgo, Estrada das Torres, 15.IX.1987, fl„ Siqueira & Sobral s.n. (RB 274803). Solanum luridifuscescens pode ser distinta das demais espécies estudadas pela presença de anteras coniventes com escamas papilosas. Na Serra Negra pode ser encontrada a aproximadamente 1.500 m de altitude, no interior de matas nebulares. Espécie endêmica do Brasil, onde ocorre nos estados de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, em florestas úmidas frequentemente alagadas entre 1 . 1 00 e 2.650 m de altitude ( Bohs 200 1 ). 15 . Solanum lycocarpum A. St.-Hil., Voy. Distr. Diam. 1 (2): 333. 1 833. Fig. 5a-b Arvoreta; ramos cilíndricos a quadrangulares, armados, tomentosos, com tricomas equinóides; acúleos aciculares. Folhas isoladas raro geminadas; pecioladas; lâmina cartácea, 9,8-20 x 5,3-10,3 cm; lanceolada, ápice arredondado, base cordada, assimétrica, margem sinuada a lobada, com lobos irregulares redondos, faces adaxial e abaxial, alvo- esverdeadas, densamente pilosas, com tricomas estrelados, ramificados, e equinóides, acúleos presentes. Inflorescência escorpióide, extra-axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias lanceoladas; corola rotáceo- pentagonal, violácea, 3,5 — 4,5 cm diâm., lacínias lanceoladas, ápice agudo, faces abaxial e adaxial pubesccntes. Estames 5, isodínamos; filetes 2- 3 mm compr.; anteras amarelas, ca. 1 ,3 cm compr., lanceoladas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1 mm diâm., globoso, piloso; estilete ca. 3 mm compr., reto, glabro; estigma capitado. Fruto baga, verde. 4,5— 8 cm diâm., globoso, piloso; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra. Vilarejo do Funil, 28.1.2007, fl.fr., E.A. Feliciano et al. 21 (CESJ). Solanum lycocarpum pode ser facilmente reconhecida pelos frutos grandes, cálice não acrescente durante a frutificação e flores vistosas violáceas. Na Serra Negra pode ser encontrada em áreas abertas antropizadas a ca. 900 m de altitude. Possui ampla distribuição geográfica, ocorrendo no Paraguai e no Brasil, nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. 1 6. Solanum melissanun Bohs,Taxon44(4): 584. 1995. Fig. 5c-d Arvoreta; ramos angulosos, inermes, pubesccntes, com tricomas simples. Folhas geminadas, raramente três no mesmo nó; pecioladas; lâmina membranácea, as maiores 7,5- 17 x 3, 8-4, 5 cm oblongas a lanceoladas, as menores 2, 5-5.4 x 1. 2-3,2 cm. ovadas, ápice caudado, às vezes agudo e raramente apiculado, base atenuada, assimétrica, margem inteira a levemente sinuada, faces adaxial e abaxial verdes, papilosas e pubescentes, com tricomas simples, acúleos ausentes. Inflorescência escorpióide, extra-axilar ou axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, profundamente partido, lacínias filiformes; corola rotáceo-estrelada, alvo-esverdeada, ca. 1,5 cm compr., ca. 2,8 cm diâm., lacínias profundamente partidas, lanceoladas, face abaxial pubescente, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 1 mm compr., espessados no ápice; anteras amarelas, ca. 5 mm compr., lanceoladas, região basal gibosa, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 4 mm compr., ca. 3 x 1 mm diâm., oblongo, pubescente; estilete ca. Rodríguésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ, 13 14 Solanaceae na Serra Negra, Minas Gerais 67 Figura 4 - a-e. Solanum leptostachys - a. detalhe do ramo; b. tricoma estrelado ramificado; c. tricoma estrelado-glandulífero; d. tricoma ecjuinóide, e. tricoma glandular, f. 5". leucodendron — inflorescência dicotômica ramificada, g. S. luridifuscescens - ramo com inflorescência escorpióide evidenciando os frutos (a-e Antunes 69; f Salimena 1121;% liana 1945). Figure 4 - a-e. Solanum leptostachys - a. branch detail; b. stellate hair; c. glandular stellate hair; d. echinate hair; e. glandular hair. f. 5. leucodendron - dicotomous infloresccnce. g. S. luridifuscescens - branch with scorpioid inflorescence highlighting lhe fruits (a-c Antunes 69; f Salimena 1121; g Viana 1945). Rodriguéiiá 621 1 ): 055 - 076 . 20 1 1 ■SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm Feliciano, EA & Salimena, F.R.G Solanum palinacanthum pode ser distinta das demais espécies estudadas pelas inflorescências congestas com flores grandes (2,5- 4 cm diâm.), com corola roxa e frutos verdes rajados de amarelo, com 3, 1 -3,6 cm de diâmetro. Na Serra Negra pode ser encontrada em campos rupestres a 990 m de altitude. Ocorre nos estados de Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Ceará, Paraíba, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, estando presente ainda na Bolívia, Paraguai e nordeste da Argentina (Nee 1999). 68 1-4 mm compr., reto, pubescente; estigma capitado. Fruto baga, 2-3,5 cm compr., ca. 1,5- 2,1 cm diâm., oblongo, glabrescente; cálice às vezes caduco, não acrescente. Material examinado: Serra das Voltas, Estrada Vilarejo do Funil-Taboão, 27.1.2007, fl.. F.R.G. Salimena c£ P.H. Nobre 2370 (CESJ). Material adicional examinado: BAHIA: Ilhéus, Estrada que liga Olivcnça à Vila Brasil, 1 6.II.1 982. fr., L A. M. Silva et ai. s.n. (RB 271845). Solanum melissarum apresenta flores com corola alvo-esverdeada, com lacínias profundamente partidas, estames com filetes espessados no ápice e cálice caduco durante a frutificação. Pode ser encontrada na Serra Negra em locais sombreados no interior de matas de encosta, a ca. 950 m de altitude. Ocorre nos estados da Paraíba, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em elevações de 50 a 800 m (Bohs 1995). Solanum melissarum é considerada muito rara em Minas Gerais (Oliveira-Filho 2006). 1 7. Solanum palinacanthum Dunal, DC. Prodr. 13 (1): 245. 1852. Fig.5c Arbusto; ramos cilíndricos, armados, pubescentes com tricomas simples e glandulares; acúleos aciculares. Folhas isoladas, raro geminadas; pccioladas; lâmina cartácea, 2,5-9 x 1,1-8 cm, ovada, ápice agudo, base cordada, margem irregularmente lobada, face adaxial verde- escura, pilosa com tricomas simples, face abaxial alvo-esverdeada, pilosa com tricomas estrelados, ramificados, sésseis, as duas faces aculcadas. Inflorescência monocásio reduzido, extra-axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice cupulifomie a campanulado, lacínias ovadas; corola rotáceo-estrelada, roxa, ca. 2,2 cm compr., 2,6-4 cm diâm., profundamente partida, lacínias estreitamente lanceoladas, face abaxial pilosa, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelas, ca. 1 ,2 cm compr., lanceoladas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1 ,5 compr., ca. 2 mm diâm., ovado, piloso; estilete ca. 1,6 cm compr., levemente curvo, pubescente na base; estigma capitado. Fruto baga, verde, rajado de amarelo, 3, 1-3,6 cm diâm., globoso, glabrescente; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra, vilarejo do Funil, 28.1.2007, fl., E.A. Feliciano et al. 22 (CESJ). Material adicional examinado: RIO DE JANEIRO: Barra Mansa, Fazenda do Paraíso, 4.XII.1960, fl. e fr., A. P. Duarte 5840 (RB). 18, Solanum piluliferum Dunal, DC. Prodr. 13(1)- 265.1852. Fig. 5f-h Arbusto; ramos cilíndricos, armados, tomentosos com tricomas equinóides; acúleos aciculares. Folhas geminadas; pecioladas; lâmina cartácea, as maiores 1 2-1 3,8 x 4,5-6 cm, elípticas a oblongas, ápice acuminado, base assimétrica, margem inteira a levemente sinuada, as menores 2,7-4 x 2-2,7 cm, ovadas, ápice arredondado, base obtusa, raro truncada, margem inteira, faces adaxial e abaxial ferrugíneas, tomentosas com tricomas equinóides e estrelados sésseis, acúleos ausentes. Inflorescência umbeliforme, axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice cupuliforme, lacínias triangulares; corola rotáceo-pentagonal, alva, glabra e membranácea na região entre as lacínias, ca. 1 ,3 cm compr.; ca. 2,2 cm diâm., lacínias lanceoladas, face abaxial pilosa, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelas, ca. 8 mm compr., lanceoladas, deiscência poricida, às vezes prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1,8 cm compr., ca. 2 mm diâm., globoso, glabro; estilete ca. 1,1 cm compr., reto, piloso na metade basal; estigma capitado. Fruto baga, verde-amarelado, 1,3- 1,6 cm diâm., globoso, glabro; cálice acrescente, cobrindo até a metade do fruto. Material examinado: Serra Negra, Estrada Rio Preto- Olaria. 10.XI.2003, 11. , F.R.G. Salimena & P.H. Nobre 1 1 16 (CESJ); Mala atrás do Cambuí. 26.1.2007, fr., E.A. Feliciano et al. M(CESJ). Solanum piluliferum apresenta como caracteres diagnósticos as inflorescências umbeliformes e as folhas aos pares, de tamanho e forma diferentes, sendo as maiores elípticas a oblongas com ápice acuminado, e as menores ovadas com ápice arredondado. Na Serra Negra pode ser encontrada em áreas antropizadas entre 900 e 1 .035 m de altitude. Ocorre nos estados da Bahia (Whalen 1984), Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo c Paraná. Rodriguésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 20 1 1 SciELO/JBRJ, 13 14 cm .. Figura 5 - a-b. Solanum tycocarpum - a. flor (corola rotáceo-pentagonal); b. fruto. c-d. S. melissarum - c. ramo com inflorescência; d. tricoma simples, e. S. palinacanthum - flor (corola rotáceo-estrelada). f-h. S. piluliferum - f. ramo; g. tricoma equinóide; h. tricoma estrelado (a-b Feliciano 21; c-d Salimena 2370; f Feliciano 22; f-h: Feliciano 19). Figure 5 - a-b. Solanum tycocarpum - a. flower (rotate-pentagonal corolla); b. fruit. c-d. S. melissarum - c. branch with inflorcscence; d. simple hair. e. S. palinacanthum - flower (rotate-stellate corolla). f-h. 5. piluliferum - f. branch; g. echinate hair; h. stellate hair (a-b Feliciano 21; c-d Salimena 2370; f Feliciano 22; f-h Feliciano 19). Rodríguésiâ 62(1): 055 - 076 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 70 19. Solanum pseudoquina A. St.-Hil., Pl. Usuel. Bras. 5: t. 2 1 . 1 825. Fig. 6a-c Árvore; ramos cilíndricos, inermes, glabrescentes. Folhas isoladas e geminadas; pecioladas; lâmina membranácea a cartácea, 4,5- 1 3,5 x 2. 1-3,6 cm, estreitamente elíptica a oblonga, ápice agudo-acuminado, base decorrente, revoluta, margem inteira, face adaxial verde, glabra, face abaxial verde, com domadas pilíferas entre as nervuras, acúleos ausentes. Inflorescência escorpióide, axilar e extra-axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias largamente oblonga; corola rotáceo-estrelada, alva, 1-1,3 cm diâm., lacínias lanceoladas, ápice agudo, pubescente com tricomas simples; faces abaxial e adaxial glabras. Estames isodínamos; filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelas, ca. 3 mm compr., oblongas, deiscência poricida, às vezes prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1 mm diâm., globoso, glabrescente na base do ovário; estilete ca. 4 mm compr., curvo, glabro; estigma bilobado. Fruto baga, castanho-amarelado, ca. 1-2 cm diâm., globoso, glabro; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra. Estrada Rio Preto- Olaria, 10.XI.2003, fr„ F.R.G. Salimena & P.H. Nobre I119(C ESJ). Material adicional examinado: MINAS GERAIS: Juiz de Fora, Reserva Biológica Santa Cândida, X.1996, fl., R.C. Almeida-Lcifetá 213 (CESJ). Solanum pseudoquina pode ser reconhecida pela presença de domácias pilíferas na axila das nervuras secundárias na face abaxial da lâmina foliar. Na Serra Negra pode ser encontrada em borda de mata, a aproximadamente 1.035 m de altitude. Ocorre na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (Knapp 2002; Nee 1999). No Brasil estende-se do Espírito Santo até o Rio Grande do Sul (Smith & Downs 1966). 20. Solanum schizandrum Sendtn., in Mart., Eichler & Urban, Fl. bras. 1 0: 85. 1846. Fig.6d-f Liana; ramos cilíndricos, armados, tomentosos com tricomas equinóides; acúleos uncinados. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, 9-10,2 x 2, 9-3, 6 cm, lanceolada a oblonga, ápice agudo, base obtusa, raro truncada, margem inteira, faces adaxial e abaxial verde- ferrugíneas, pilosas a tomentosas, com tricomas estrelados, ramificados, curto-pedicelados, bulbosos e equinóides, acúleos presentes. Inflorescência dicotômica ramificada, terminal. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias triangulares; corola Feliciano. EA & Salimena, F.R.G % rotáceo-estrelada, azul, ca. 1,1 cm compr., ca. 1,5 cm diâm., lacínias obtusas, faces abaxial e adaxial, pilosas. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelas, ca. 9 mm compr., lanceoladas, deiscência poricida, às vezes prolongada por fendas longitudinais. Ovário 1-2 mm diâm., globoso, piloso; estilete ca. 2 mm compr., reto, glabro; estigma capitado. Fruto baga, vermelho, ca. 4,5 cm diâm., globoso, pubérulo; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra, Mata do Ninho da Égua. 1. IV. 2006, fr„ P.L Viana et al. 2011 (CESJ). Material adicional examinado: MINAS GERAIS: Juiz de Fora, Reserva Biológica Santa Cândida, 1 2.X. 1 996, fl. e fr„ R.C. Almeida-Lafeta 206 (CESJ). Solanum schizandrum é a única liana entre as Solanaceae da Serra Negra. Dentre os caracteres diagnósticos da espécie destacam-se os pequenos acúleos uncinados, as folhas cobertas por tricomas estrelados ramificados curto-pedicelados com base bulbosa e os frutos grandes (ca. 4.5 cm diâm.). Na área de estudo pode ser encontrada no interior de matas nebulares e em afloramentos rochosos a 1 .300 m de altitude. Ocorre nos estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. 21. Solanum sellowianum Sendtn., in Mart., Eichler & Urban, Fl. bras. 10: 38. 1846. Fig. 6g Arvoreta ou árvore; ramos subcilíndricos, inermes, tomentosos com tricomas equinóides. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, 5- 1 2 x 2, 3-3,5 cm, elíptica a estreitamente elíptica, ápice acuminado a cuspidado, não involuto, base cuneada, assimétrica, margem inteira, revoluta, face adaxial verde-escura, papilosa, glabrescente com tricomas estrelados, ramificados, curto- pedicelados, face abaxial alva, tomentosa-velutina com tricomas estrelados e peitados, acúleos ausentes. Inflorescência dicotômica ramificada, terminal. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice cupuliforme, lacínias triangulares; corola rotáceo-estrelada, alva, ca. 1 .7 cm compr., ca. 2,3 cm diâm.. lacínias ca. 8 x 4 mm, lanceoladas, ápice acuminado, involuto, face abaxial pilosa, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelas, ca. 6 mm compr., oblongas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário 1 mm diâm., globoso, glabro; estilete ca. 9 mm compr., ligeiramente curvo, glabro; estigma profundamente bífido. Fruto baga, verde, ca. 1 cm diâm., globoso, pubescente; cálice acrescente, cobrindo mais da metade do fruto. Rodríguésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Solanaceae na Serra Negra, Minas Gerais 71 Figura 6 a-c. Solanum pseudoquina a. ramo com frutos, b. fruto; c. face abaxial da lâmina foliar evidenciando domácias pilíferas entre as nervuras principal e secundárias, d-f. S. schizandrum — d. ramo; e. tricoma equinóide; f. tricoma estrelado com base bulbosa. g. £ sellowianum - fruto ( a-c Salimena 1119; d-f Viana 2011; g Feliciano 25). Figura 6 - a-c. Solanum pseudoquina - a. branch with fruits; b. fmit; c. leaf abaxial surface highlighting piliferous domatia between primary and secondary veins. d-f. S. schizandrum - d. branch; e. echinate hair; f. stellate hair with bulbose base. g. S. sellowianum - fruit (a-c: Salimena 1119 ; d-f; Viana 2011 ; g: Feliciano 25 ). Rodriguésia 62 ( 1 ); 055 - 076 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 72 Felidano. EA & Salimena. F.R.G Material examinado: Serra da Caveira D' Anta, Fazenda Tiririca, 15.XI.2003, 11., F.R.G. Salimena et al. 1143 (CESJ); Serra Negra, Cachoeira do Ninho da Égua, 1 .111.2006, 0. e fr., P.L. Viana et al. 2010 (CESJ). Solanum sellowianum pode ser reconhecida pela presença de tricomas estrelados nas folhas, inflorescências e frutos, pela inflorescência dicotômica ramificada e pelos frutos parcialmente envolvidos pelo cálice. Na Serra Negra ocorre em campos rupestres, áreas de transição de floresta- campo, no interior e horda de matas nebulares e até mesmo na beira de estradas, em altitudes que variam de 900 a 1.300 m. Possui distribuição restrita aos estados de Minas Gerais e São Paulo. 22. Solanum sisymbriifolium Lam., Tabl. Encycl. 2:25.1794. Fig.7a-d Arbusto; ramos cilíndricos, armados, viscosos com tricomas simples e glandulares longos; acúleos aciculares. Folhas isoladas, pinatissectas; pecioladas; lâmina membranácea, 4-13,5 x 3,3- 7,5 cm, ovada, ápice agudo, base assimétrica, margem irregularmente lobada, denteada, face adaxial verde, pilosa com tricomas simples, glandulares, raro estrelados, face abaxial verde, pilosa com tricomas estrelados, sésseis com célula central longa e curva, raro tricomas simples e glandulares, acúleos presentes. Inflorescência escorpióide, extra-axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias lanceoladas; corola rotáceo- pentagonal, alva, ca. 1 ,4 cm compr., ca. 2,5 cm diâm., lacínias 0,8 x 1 cm, obtusas, ápice mucronado, face abaxial pilosa, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 2 mm compr.; anteras amarelas, 5-7 mm compr., lanceoladas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário 1-2 mm diâm., globoso, glabro; estilete ca. 2 mm compr., reto, glabro; estigma bilobado ou capitado. Fruto baga, negro, ca. 1,7 cm diâm., globoso, nítido, glabro; cálice acrescente, as lacínias cobrindo quase inteiramente o fruto. Material examinado: Serra Negra, Vilarejo do Funil, Taboão antes da Fazenda da Tiririca, 26.1.2006, fl. e fr., F.R.G. Salimena & /’.//. Nobre 2366 (CESJ). Solanum sisymbriifolium distingue-se das demais espécies estudadas por apresentar folhas pinatissectas com a margem denteada, acúleos aciculares amarelados com base clara e frutos glabros com cálice acrescente e aculcado, cobrindo quase inteiramente o fruto. Na Serra Negra pode ser encontrada em áreas de pastagem. 23. Solanum subumbellatum Vell., Fl. Flujnin. 85. 1829,Icon.2:t. 105. 1831. Fig.7e Arbusto; ramos cilíndricos, inermes, tomentosos com tricomas equinóides. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, 3,6-8,5 x 1,7-3, 6 cm, elíptica a oblonga, ápice agudo a acuminado, base levemente assimétrica, margem inteira, face adaxial verde, com pontuações negras, pubescente, face abaxial alva, velutina- tomentosa com tricomas estrelados ramificados, pedicelados, acúleos ausentes. Inflorescência escorpióide, terminal. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias oblongas; corola rotáceo-pentagonal, lilás, ca. 1 ,2 cm compr., ca. 2,2 cm diâm., lacínias 4x3 mm. lanceoladas, ápice agudo, involuto, face abaxial pilosa, tricomas estrelados, sésseis; face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes 2-3 mm compr.; anteras amarelas, 6-8 mm compr., lanceoladas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1 mm diâm., globoso, glabro; estilete 4-10 mm compr., reto, glabro, pubescente na base; estigma capitado e bífido. Fruto baga, pêndulo, 8-10 mm diâm., globoso, glabro; cálice não acrescente. Material examinado: Serra Negra, Região do Burro de Ouro, 27.1.2007, fl. e fr., L Menini Neto etal. 302 (CESJ). Solanum subumbellatum caracteriza-se pelas lâminas foliares discolores, com a face abaxial velutino-tomentosa, com tricomas estrelados, ramificados, flores com a corola rotáceo- pentagonal lilás e frutos pequenos (8-10 mm diâm.) e pêndulos com cálice não acrescente. Na Serra Negra pode ser encontrada em campos rupestres acima de 1 5 1 0 m de altitude. Ocorre no Tocantins, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. 24. Solanum swartzianum Roem. & Schult., Syst. Veg.4:602. 1819. Fig.7f-g Arvoreta ou árvore; ramos cilíndricos, inermes, escabros, lepidotos com tricomas peitados. Folhas isoladas e geminadas; pecioladas; lâmina cartácea, 3,5-14,3 x 1,9-5 cm; obovada-elíptica a lanceolada, ápice acuminado a cuspidado, não involuto, base cuneada, margem inteira, levemente revoluta, face adaxial, verde-escura, pubescente com tricomas peitados, com célula central longa, face abaxial. alva, lepidota com tricomas peitados, com célula central curta, acúleos ausentes. Inflorescência monocásio reduzido, axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice Rodriguésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 20 1 1 ISciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Solanaceae na Sena Negra, Minas Gerais 73 Figura 7 - a-d. Solanum sisymbriifolium - a. ramo com flores e frutos; b. tricoma glandular; c. tricoma simples; d. tricoma estrelado séssil com célula central longa e curva. e. S. subumbellatum - fruto. f-h. S. swartzianum - f. ramo com flores; g. fruto ( a-d Salimcna 2366 ; e Menini Neto 302; f-h Salimena 2481). Figura 7 - a-d. Solanum sisymbriifolium - a. branch with flowers and fmits, b. glandular hair; c. simple hair; d. sessile stellate hair with central long and curve cell. e. S. subumbellatum - fruit. f-h. S. swartzianum - f. branch with flowers; g. frúit (a-d Salimena 2366; c Menini Neto 302 ; f-h Salimena 2481). Rodríguésià 62(1 ): 055-076. 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 74 campanulado, lacínias triangulares; corola rotáceo- estrelada, alva, 1 3-1 ,8 cm diâm., lacínias 5-8 x 2-3 mm, lanceoladas, lepidotas. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelas, 4—5 mm compr., oblongas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 2 mm diâm., ovado, tomentoso; estilete ca. 5 mm compr., reto, tricomas peitados, no terço basal; estigma capitado. Fruto baga, verde, 1-1,5 cm diâm., globoso, piloso; cálice acrescente, cobrindo todo o fruto. Material examinado: Serra Negra, Região do Burro de Ouro, 26.11.2006, fl„ P.L Viana & N.F.O. Mola 1947 (CESJ); Mata do Ninho da Égua, 28.IV.2007, 11. e fr„ E.A. Feliciano etal. 44 (CESJ). Solanum swartzianum pode ser reconhecida pela presença de tricomas peitados nos ramos, folhas, inflorescência, flores e frutos; possui também folhas com ápice acuminado a cuspidado e cálice acrescente cobrindo inteiramente o fruto. Na Serra Negra pode ser encontrada em área de transição de floresta- campo e no interior e borda de matas nebulares, entre aproximadamente 900 e 1.500 m de altitude. E amplamente distribuída, com ocorrência na Venezuela c no Brasil, nos estados de Roraima, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná (Carvalho 1 996). 25. Solanum vaillantii Dunal, Solan. Syn.: 38.1816. Fig. 8a-c Arbusto; ramos quadrangulares, armados, glabrescentes, raro tricomas simples, longos; acúleos aciculares. Folhas isoladas e geminadas; pecioladas; lâmina membranácea, 5,8-1 6,8 x 3,7- 1 3 cm, ovada, ápice agudo a acuminado, base truncada a assimétrica, margem lobada, com lobos longos e agudos, face adaxial verde, pilosa com tricomas simples, face abaxial verde, pilosa com tricomas estrelados, sésseis e curto pedicelados, acúleos presentes. Inflorescência escorpióide, extra-axilar. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias triangulares; corola rotáceo-estrelada, alva, 1 ,4 cm compr., ca. 2,2 cm diâm., lacínias 10x3 mm, lanceoladas, ápice agudo, face abaxial pubescente, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 2 mm compr.; anteras amarelas, ca. 7 mm compr., lanceoladas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1 mm diâm., globoso, glabrescente; estilete ca. 1 cm compr., reto, glabro, pubérula na base; estigma capitado. Fruto baga, pêndulo, ca. 0,8-1, 2 cm diâm., globoso, glabrescente; cálice não acrescente. Feliciano. EA & Salimena. F.R.G \ Material examinado: Serra Negra, Região do IJurro de Ouro, 26.11.2006, fl„ P.L Viana & N.F.O. Mota 1954 (CESJ). Material adicional examinado: ESPÍRITO SANTO: Venda Nova do Imigrante, Guaçuvirá, 3 1 .1. 1995, fl. e fr„ DA. Folli. 2535 (BHCB). Solanum vaillantii difere das demais espécies estudadas pela presença de ramos quadrangulares com acúleos aciculares grandes, amarelados com a base negra, folhas lobadas, com lobos longos e agudos. Na Serra Negra a espécie ocorre em borda e interior de mata nebular entre 940 e 1.510 m de altitude. Ocorre de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul ( Whalen 1 984). 26. Solanum velleum Thunb., PI. Bras. 2: 2 1 . 1 8 1 8. Fig. 8d-f Arvoreta; ramos cilíndricos, armados, tomentosos com tricomas equinóides e estrelados, ramificados, curto-pedicelados, com célula central longa e curva; acúleos aciculares. Folhas isoladas; pecioladas; lâmina cartácea, 7,5-1 3,6 x 2,5-6, 5 cm, elíptica, ápice agudo a acuminado, base cuneada, faces adaxial e abaxial ferrugíneas, pilosas a tomentosas com tricomas iguais aos dos ramos, acúleos presentes. Inflorescência dicotômica ramificada, terminal. Flores pediceladas; bractéolas ausentes; cálice campanulado, lacínias triangulares; corola rotáceo-pentagonal, alva, ca. 1 ,2 cm compr., ca. 1 ,4 cm diâm., lacínias ca. 8 x 6 mm. triangulares, ápice agudo, involuto, face abaxial tomentosa, face adaxial glabra. Estames 5, isodínamos; filetes ca. 1 mm compr.; anteras amarelas, ca. 5 mm compr., lanceoladas, deiscência poricida, prolongada por fendas longitudinais. Ovário ca. 1 mm diâm., globoso, piloso; estilete 4-7 mm compr., reto, pubescente, na metade basal; estigma capitado. Fruto baga, verde, rajado de alvo, ca. 1 cm diâm., globoso, piloso; cálice acrescente, cobrindo o terço basal do fruto. Material examinado: Serra Negra, entre Rio Preto- Olaria, Fazenda da Tiririca, fr., F.R.G. Salimena et al. 1222 (CESJ); Mata do Ninho da Égua, 9.XI.2005, fl., N.L Abreu et al. 27 (CESJ). Solanum velleum é característica pelo indumento ferrugíneo, corola rotáceo- pentagonal e estilete com tricoma glandular e dendrítico na metade basal. Na Serra Negra a espécie pode ser encontrada em afloramentos rochosos e no interior de matas nebulares, entre 1 .000 e 1 .5 1 0 m de altitude. É endêmica da Região Sudeste do Brasil (Agra 2000) e considerada rara em Minas Gerais (Oliveira-Filho 2006). Rodriguèsiâ 62 ( 1 ): 055 - 076 . 201 1 -SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Solanaceae na Serra Negra. Minas Gerais Figura 8 - a-c. Solanum vaillantii - a. ramo com inflorescências; b. tricoma estrelado séssil; c. tricoma simples; d-f. S. velleum — d. ramo com inflorescência; e. tricoma estrelado ramificado com célula central longa e curva; f. tricoma equinóide (a-c Salimena 2367; d-f Abreu 27). Figura 8 - a-c. Solanum vaillantii - a. branch with inflorescences; b. sessile stellate hair; c. simple hair; d-f. S. velleum - d. branch with inflorescence; c. stellate hair with central long and curv e ccll; f. echinate hair (a-c Salimena 2367; d-f Abreu 27). Rodríguésia 62 ( 1 ): 055 - 076 . 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 76 Agradecimentos À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG, o auxílio financeiro aos projetos CR A 1891/06eCRA-APQ 1810-5.02/ 07; ao biólogo Luiz Menini Neto, as ilustrações; aos curadores dos herbários citados, o empréstimo de material. Referências Agra, M.F. 2000. Revisão Taxonômica de Solanwn sect. Erythrotrichum Child (Solanaceae). Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, São Paulo. 280p. Bohs, L. 1995. Transfer of Cyphomandra (Solanaceae) and its species to Solanum. Taxon 44: 583-587. Bohs, L. 2001. Revision of Solanum section Cyphomandropsis (Solanaceae). Systematic Botany Monographs 61:1-85. Carvalho, L.A.F. 1996. Espécies de Solanum das seções Cernumm Carv. & Shep. e Lepidotum (Dun.) Seithe v. Hoff (Solanaceae). Pesquisas Botânica 46: 5-83. Carvalho, L.A.F. 1997. Diversidade taxonômica das Solanáceas no Estado do Rio de Janeiro -Brasil: I. Albertoa 4: 245-260. Carvalho, L.A.F. & Bovini, M.G. 2006. Solanaceae na Reserva Rio das Pedras, Mangaratiba, Rio de Janeiro - Brasil. Rodriguésia 57: 75-98. Carvalho, L.A.F.; Costa, H. & Duarte, A.C. 1996. Diversidade taxonômica das Solanáceas que ocorrem no Sudeste brasileiro: listagem dos táxons. Revista Brasileira de Geografia 58: 95-109. Costa C. & Herrmann, G. 2006. Plano de ação do corredor Ecológico da Mantiqueira. I ed. Valor Natural. 64p. D’Arcy, W.G. 1991 . The Solanaceae since 1976, with a review of its biogeography. In: Hawkes, J.G.; Lestcr, R.N.; Nee, M. & Estrada, N. (eds.). Solanaceae III taxonomy, chemistry, evolution. Royal Botanic Gardens, Kew. Pp. 75-137. 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Rodrígué sia 62( 1 ): 077-092. 20 1 1 http: / / rodriguesia.jbrj.gov.br Moraceae das restingas do estado do Rio de Janeiro 1 Moraceae of restingas of the State of Rio de janeiro Leandro Cardoso Pederneiras 2 , Andréa Ferreira da Costa 2 4 , Dorothy Sue Dunn de Araújo 3 & Jorge Pedro Pereira Carauta 2 Resumo As restingas são planícies arenosas ao longo da costa litorânea que exibem uma rica e peculiar vegetação. As Moraceae nativas do Brasil englobam principalmente plantas lenhosas de porte arbóreo que participam do estágio mais avançado das matas de restinga. Através de bibliografia especializada, consultas a herbários e coletas de campo, objetivou-se elucidar a taxonomia, identificar os habitats preferenciais, atualizar a área de ocoiTência e reconhecer o atual estado de conservação das espécies dessa família. Nas restingas fluminenses ocorrem cinco gêneros e 20 espécies de Moraceae. Na Formação de Mata Seca acham-se presentes 16 espécies, na Mata Inundável oito e na Arbustiva Fechada seis. Dessas espécies, 15 encontram-se ameaçadas de extinção, principalmente: Ficus pulchella e Madura brasiliensis. Palavras -chave: Urticales, taxonomia. Mata Atlântica, conservação Abstract Restingas are sandy Coastal plains with a rich flora and distinct vegetation types. The nati ve Brazilian Moraceae include primarily tall woody plants growing in the more developed stages of restinga forests, but they also include herbs and shrubs. Spccialized bibliography, herbarium material and field collections, were used to elucidate the taxonomy, rccognize the preferred habitats, update the arca of occurrcnce and to recognize the cun-ent conservation status of its species. There are fíve genera and 20 species in Moraceae. In the Dry Forest formation occur 16 species, eight in Swamp Forest and six in Closed Shrub. These species, 15 are threatened of the extinction, mainly: Ficus pulchella and Madura brasiliensis. Keywords: Urticales, taxonomy, Atlantic Forest, conservation. Introdução Moraceae compreende plantas lactescentes de porte arbóreo, como as figueiras (Ficus), geralmente presentes nos estágios mais avançados das matas. Dorstenia é o único gênero herbáceo dentro da família, muito susceptível a interferência antrópica nos ambientes naturais (Carauta 1978). No estado do Rio de Janeiro foram descritas 5 1 espécies, sendo mais da metade ameaçada de extinção (Carauta 1 9%). Nas restingas fluminenses foram esparsamente citadas em diversas listagens (Araújo & Henriques 1 984; Silva & Somner 1 984; Henriques et al. 1 986; Araújo & Oliveira 1988; Araújo et al. 1998; Assumpção & Nascimento 2000; Sá 2002; Menezes & Araújo 2005; Reif et al. 2006) e reunidas numa listagem totalizando 20 espécies (Araújo 2000). No estado do Rio de Janeiro a vegetação de restinga possui uma área de ca. 1 .200 knr, equivalente a 2,8% da área total do estado (Araújo & Maciel 1 998), a qual é estudada pela ciência desde o século XVIII. Dentre os relatos históricos de Moraceae nas restingas fluminenses destacam-se Madura tinctoria (L.) D.Don ex Steud e Ficus indica L. em localidade próxima ao mar (Vellozo 1881); Ficus luschnathiana (Miq.) Miq., F. maximiliana (Miq.) Mart. e Madura tinctoria em Cabo Frio; Maclura brasiliensis (Mart.) Endl. em Campos dos Goitacazes; e Dorstenia hirta Desv. em Copacabana (Rio de Janeiro) (Miquel 1853); Brosimum gaudichaudii forma panifolia M iq. por Auguste Glaziou, entre Cabo Frio e São João da Barra (Carauta 1967); e diversos Ficus, por Ernesto Ule, em Cabo Frio (Ule 1 967). 1‘artc da dissertação de mestrado apresentada pelo primeiro autor ao Programa de Pòs-graduaçào cm Ciências Biológicas (Botânica) do Museu NacionaEUFRJ. Bolsista do CNPq. ■Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional. Dcpto. Botânica, Quinta da Boa Vista s.n„ 20940-040. Rio de Janeiro, RJ. Brasil. Tlnivctsidadc Federal do Rio de Janeiro. CCS, Instituto de Biologia. Dcpto. Ecologia, 21941 -590. Rio de Janeiro. RJ, Brasil. ‘Autor para correspondência: afeostair acdulrj Sr SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 78 Pederneiras LC et al. Diante da diversidade de Moraceae, pelas peculiaridades do ambiente das restingas, e ainda, pela falta de um trabalho de flora que sintetize e facilite a compreensão dessas espécies nesse bioma, esse trabalho objetivou descrever as espécies e reconhecer a distribuição, o habitat e o estado de conservação das espécies dessa família nas restingas fluminenses, dando continuidade aos estudos de Segadas-Vianna et al. ( 1 965/ 1978). Material e Métodos Foram realizadas expedições entre setembro de 2007 c dezembro de 2008 às restingas do estado do Rio de Janeiro. Todo o material coletado foi processado de acordo com o método usual em taxonomia (Mori et al. 1989) e depositado no herbário do Museu Nacional (R). Os herbários ALCB. CEPEC. GUA. HB, HRB, HUEFS. R. RB, RBR. SP, SPF (Thiers 2010, continuamente atualizado) e UENF (Universidade Estadual Norte Fluminense), serviram de base para análise do material de Moraceae das restingas fluminenses. Os caracteres morfológicos seguem as terminologias apresentadas por Vasconcelos ( 1 969), Lawrence ( 1 97 1 ) e Radíord et al. (1974). Foi considerada apenas a variação morfológica observada nos exemplares provenientes da área de estudo. Somente as espécies nativas foram inventariadas. O enquadramento da família está de acordo com APG III (2009), consolidada por diversos trabalhos (Sytsma et al. 2002; Datwylcr & Weiblen 2004; Berg 2005; Clcment & Weiblen 2009). Para a classificação das comunidades vegetais foram usadas as definições de Araújo et al. ( 1 998). A distribuição geográfica e o habitat foram tomados em Pederneiras (2009). As ocorrências das espécies estão de acordo com a classificação de Veloso et al. (1991) e as formações de restinga de acordo com Araújo (2000), acrescidas de Baia de Guanabara e Parati. Somente as espécies carentes de ilustração foram apresentadas, haja vista que a maioria delas encontra-se ilustrada na literatura sobre o grupo. Todas as espécies foram enquadradas como populações reprodutoras e avaliadas sob os critérios de Miller (2007), o qual estabelece quatro etapas (ou passos) no processo de classificação djs espécies em risco de extinção regional, sendo o passo dois, o estabelecimento da avaliação pelos critérios da Lista Vermelha da IUCN (200 1 ), e o passo três, a aplicação dos critérios regionais da IUCN (2003). A proporção da população global presente nas restingas foi auferida calculando-se a razão do total de municípios globais sob o total de localidades de restingas fluminenses, baseado no material examinado por Pederneiras (2009). Para verificar a existência de possíveis fontes de imigração de propágulos para as restingas fluminenses, verificou-se em herbários a existência da espécie em localidades interioranas no estado do Rio de Janeiro. Resultados e Discussão A família Moraceae está representada nas restingas fluminenses por cinco gêneros c 20 espécies. Dentre as formações de restinga, a Mata Seca apresentou 1 6 espécies, a Mata Inundável oito, e a Arbustiva Fechada seis espécies. Moraceae Árvores, arbustos, ervas ou hemiepífitas, monóicas ou dióicas, lactescentes. Estipulas intrapeciolares ou amplexicaules, únicas ou pareadas, caducas, deixando cicatriz nos ramos. Folhas simples, alternas, inteiras ou lobadas, peninérveas. Infloresccncias axilares, pareadas ou não, em cachos, glomérulos, capítulos discóides (cenanto) a urceolados (sicônio). Flores unissexuais, aclamídeas ou monoclamídeas, geralmente 4 tépalas, livres ou concrescidas, isostêmones ou oligostêmones; 1 , 2 ou 4 estames, opostos as tépalas, retos ou curvos no botão; anteras reniformes, dorsifixas, deiscência longitudinal; estiletes únicos ou bífidos, terminais ou laterais; ovários súperos a ínferos, uniloculares, uniovulares; óvulos anátropos. Fruto drupa. A família Moraceae compreende ca. 53 gêneros e 1 500 espécies com ocorrência nas regiões tropicais a temperadas (Judd et al. 2009). No Brasil encontram-se 27 gêneros e 250 espécies (Souza & Lorenzi 2005) e nas restingas fluminenses cinco gêneros e 20 espécies. Chave de identificação para as espécies de Moraceae das restingas fluminenses 1. Ervas. 2. Plantas monóicas; lâminas sagitadas a alabardinadas, ou lobadas 2. Dorstenia arifolia T. Plantas dióicas; lâminas cordiformes a deltóides 3. Dorstenia cayapia Rodriguésia 62 ( 1 ): 077 - 092 . 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 Moraceae das restingas, RJ 79 1’. Árvores ou arbustos. 3. Inflorescências em capítulos urceolados (sicônio). 4. Lâminas até 7 cm de comp. 5. Sicônios hirsutos e lâminas de face abaxial tomentosa 10. Ficus hirsuta 5’. Sicônios e lâminas glabros 14. Ficus organensis 4’. Lâminas maiores que 7 cm de comp. 6. Sicônios glabros. 7. Pedúnculos até 0,4 cm, ou sicônios sésseis. 8. Sicônios até 1 ,2 cm de diâm. 9. Ostíolos triangulares 1 6. Ficus trigona 9'. Ostíolos planos a levemente elevados. 10. Sicônios até 0,7 cm de diâm.: 10-19 pares de nervuras secundárias; sicônios de verdes a amarelados 6. Ficus clusiifolia 10'. Sicônios maiores que 0,9 cm de diâm.; 8-12 pares de nervuras secundárias; sicônios verdes, máculas verde-claras 1 1 . Ficus luschnathiana 8’. Sicônios maiores que 1 ,2 cm de diâm. 11. Ostíolos planos 5. Ficus castellviana 11*. Ostíolos elevados. 12. Sicônios com epibrácteas maiores que 1,3 cm, lâminas obovadas; estipulas persistentes, frequentemente congestas e secas nos ramos 7. Ficus cyclophylla 12’. Sicônios com epibrácteas até 1,2 cm, lâminas elípticas a ovadas; estipulas caducas 8. Ficus glabra T. Pedúnculos maiores que 0,5 cm. 13. Mais de 21 pares de nervuras secundárias 15. Ficus pulchella 13’. Até 14 pares de nervuras secundárias. 14. Lâminas de face abaxial tomentosa 12. Ficus maximiliana 14’. Lâminas glabras em ambas as faces. 15. Pedúnculos até 1 cm de compr.; sicônios lisos ...4. Ficus arpazusa 15’. Pedúnculos maiores que 1,1 cm de compr.; sicônios rugosos 13 . Ficus nevesiae 6’. Sicônios pilosos. 16. Pedúnculos até 0,4 cm de compr 5. Ficus castellviana 16’. Pedúnculos maiores que 1 cm de compr 9. Ficus gomelleira 3’. Inflorescências em cachos, espigas, discóides, hemisféricas ou globosas. 17. Inflorescências discóides, hemisféricas ou globosas. 18. Plantas monóicas; inflorescências discóides a hemisféricas; flores estaminadas com apenas 1 estame 1 . Brosinmm guianense 18’. Plantas dióicas; inflorescências globosas; flores estaminadas com 4 estames. 19. Folhas de margem denteada 1 8 . Madura tinctoria 19’. Folhas de margem lisa 17. Madura brasiliensis 17’. Inflorescências em cachos ou espigas. 20. Inflorescências estaminadas; flores sésseis; folhas subcoriáceas para membranáceas, face abaxial pubescente; margem inteiramente denteada 18. Madura tinctoria 20’. Inflorescências pistiladas ou estaminadas; flores curto-pediceladas; folhas subcoriáceas a coriáceas, ambas as faces glabras; margem lisa a denteada do meio ao ápice ou inteiramente serreada. 21. Folhas de margem inteiramente espinuloso-denteada 19 . Sorocea guilleminiana 21’. Folhas de margem lisa a denteada do meio ao ápice 20. Sorocea hilarii Rodriguésia 62 ( 1 ): 077 - 092 . 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 80 lirosimum Sw., Prod. 1: 12. 1788. Árvores, arbustos, subarbustos, monóicos. Folhas de margem inteira, lisa. Inflorescências bissexuadas, capitadas, globosas, hemisféricas, turbinadas ou discóides convexas, solitárias ou pareadas; receptáculos totalmente cobertos por brácteas peitadas. Flores estaminadas numerosas, pistilódio ausente, filetes retos no botão; flores pistiladas imersas e fundidas ao receptáculo, perigônio vestigial unido com o ovário, estiletes bífidos, terminal. Frutos crescendo dentro do receptáculo. Gênero neotropical com 1 5 espécies (Cardona- Peíia et ai 2005), preferenciais dos campos cerrados do centro da América do Sul (Berg 1972). No Brasil ocorrem 1 4 espécies (Carauta et ai 1996), no estado do Rio de Janeiro cinco (Carauta 1996) e nas restingas fluminenses uma espécie. 1. lirosimum guianense (Aubl.) Hubcr, Boi. Mus. Paraense Hist. Nat. 5: 337. 1909. Árvores a subarbustos, 1,5-8 m alt., látex branco a transparente. Caules frequentemente esbranquiçados. Estipulas terminais 2-10 mm compr., brúncas. Folhas com pecíolos 0,3-0,5 cm compr., glabros; lâminas elípticas, (2,3)3,5-5.5(10,4) x 2- 3(4,5) cm, subcoriáceas, lustrosas, base arredondada, ápice agudo a cuspidado, face adaxial glabra e abaxial glabra a puberulcnta, frequentemente alvacenta; 8- 12 pares de nervuras secundárias. Inflorescências vermelhas, vináceas a roxos escuros, discóides a hemisféricas, 4-1 1 mm diâm., recobertas por brácteas peitadas vináceas; pedúnculos 7-21 mm compr. Flores estaminadas com perianto 3-4 lobado; estame 1; anteras brancas a amarelas, extrorsas quando maduras. Flores pistiladas 1-5, mergulhadas nos alvéolos do receptáculo. Frutos semi-globosos, 1- 2,1 cm diâm., vermelhos, doces, comestíveis. Sementes de cor paleácea. Materiais selecionados: Cabo Frio, Condomínio Florestinha. 3. XI. 2008, LC. Pederneiras 549 et R.W. Lacerda (R); dunas ao lado do bairro Vila do Sol, 1. IV. 2008, L.C. Pederneiras 388 et M.S. Faria (R). Búzios. 7. VIII. 2004, A.F.P. Machado 237 et ai (RB). Mangaratiba, 6.V.2008, LC. Pederneiras 432 et ai (R). Niterói, restinga da Praia de Itaipu, 27. V. 1 969, D. Sucre 5090 et ai (RB, GUA). Maricá, 30.XI.2006, L.C. Pederneiras 302 et ai (R). Rio de Janeiro, Restinga da Barra da Tijuca, I6.V.1932, J.G. Kuhlmann s/n (RB 150055); Grumari, 6.XI.I972, J.A. Jesus 2080 (RB). Saquarema, 28.11.2008, LC. Pederneiras 374 et ai (R). Brosimum guianense ocorre na América Central c América do Sul tropical. No Brasil nas matas secundárias da floresta ombrófila densa atlântica c Pederneiras LC et ai X amazônica, estacionai semidecidual e.decidual e cerrado. Nas restingas fluminenses são encontradas em seis localidades de restinga (Barra de São João, Cabo Frio, Maricá, Rio de Janeiro, Grumari, Marambaia), com extensão de ocorrência de ca. 3000 knr, na Formação Arbustiva Fechada e Mata Seca, em lugares que recebem intensa radiação solar como as bordas de trilhas e estradas. A proporção da população global da espécie presente nas restingas não foi estimada porque não foram visitados todos os herbários das regiões de sua distribuição geográfica. A espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos e, por isso, diminui-se uma categoria do passo dois. Espécie considerada vulnerável, VU B 1 . Dorstenia L, Sp. Pl. 1 : 1 21 . 1 753. Ervas monóicas ou dióicas, geral mente com ramos subterrâneos e entrenós hipertrofiados. Folhas alternas a espiraladas. Inflorescências em capítulos discóides (cenanto), solitárias, pedunculadas, compostas frequentemente por brácteas marginais coroando o receptáculo. Flores imersas no alvéolo, periantos tubulares, 2-4 partido; 2 estames, filetes curvos no botão; estiletes bífidos, laterais. Gênero com 105 espécies distribuídas na África, na Ásia e na América. No neotrópico ca. 47 espécies são reconhecidas (Berg 2001). No Brasil ocorrem 37 espécies (Carauta 1978), no Rio de Janeiro 1 8 (Carauta 1996), e nas restingas fluminenses duas. Dorstenia hirta , coletada por Luschnath (Miquel 1853), em Copacabana, não foi encontrada em nenhuma outra localidade. 2. Dorstenia arifolia Lam., Encycl. 2 ( 1 ): 3 1 7. 1 786. Ervas 24 cm de alt., hemicriptófitas, monóicas, látex branco. Caules 5,5-8,2 cm compr., entrenós entre 1 -2 mm compr. Estipulas 4-9 mm compr., ápice agudo, glabras, sub-coriáceas, persistentes. Folhas com pecíolo 1 0-34 cm compr., glabros; lâminas sagitadas a alabardinadas, 16,5-33 cm compr., membranáceas a subcoriáceas, base auriculado-alabardinas, ápice acuminado ou agudo, face adaxial glabra, lisa e lustrosa e abaxial pubérula, levemente áspera, margem ondulada, levemente ondulado-serreada ou 5-7 lobado; 7-10 pares de nervuras secundárias. Inflorescências verdes, receptáculos discóides a orbiculares, peitados, coroado por brácteas foliáceas verdes a vináceas, 0,7-3, 1 cm diâm.; pedúnculo 4- 16 cm compr., glabros. Flores estaminadas entre as pistiladas; estames 2. Rores pistiladas com estigma bífido, extrorso, alvo. Frutos 1-1,5 mm compr. Rodriguésia 62 ( 1 ): 077 - 092 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. M oraceae das restingas, RJ Materiais selecionados: Angra dos Reis, 21.VI.I991, J.P.P. Carauta 6334 et R.C. Santos (GUA). Parati, 16.V.1975, G. Martinelli 596 et Garken (RB). Rio de Janeiro, Recreio dos Bandeirantes, 28. IV. 1937, F.R. Silveira 15768 et Brade (RB): Grumari, 14.VII.2008, LC. Pederneiras 471. 472 et M.D.M. Vianna-Filho (R). Maricá, 6.IX.1978, H.C. Lima 648 (RB). Dorstenia arifolia é endêmica do Brasil, ocorre na floresta ombrófila densa atlântica c estacionai semidecidual, nos estados da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Nas restingas fluminenses ocorre em cinco localidades de restinga (Marica, Rio de Janeiro, Grumari, Praia do Sul c Parati), com extensão de ocorrência ca. 350 km 2 , na Mata Seca, próxima a encosta. A proporção da população global presente nas restingas é de 1 1%. A espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos e. por isso. diminui-se uma categoria do passo dois. Espécie considerada vulnerável, VU B 1 . 3. Dorstenia cayapia Vell., Fl. Flumin.: 52. 1 825 ( 1 829). Ervas dióicas, látex branco. Caules 10,5—1 1,5 cm compr., parte aérea quase nula. Estipulas 2-3 mm compr., ápice arredondado, congestas no caule. Folhas com pecíolo 7-19,5 cm compr., glabros ou pubescentes na proximidade da lâmina, lâminas cordiformes a deltoides, 8.5-14,5 x 10,5-7,5 cm, membranáceas, base cordada, ápice arredondado, face adaxial lustrosa, máculas verde-leitosas irregulares acompanhando a direção da nervura central, glabra e lisa, face abaxial fosca, glabra, verde-clara, margem inteira, lisa a ondulada, 5—7 pares de nervuras secundárias, lnflorescências com receptáculos discóides, 0,9-2 cm diâm., coroados por brácteas inconspícuas, até lmm compr.; pedúnculos 5- 1 2,5 cm compr., glabros, alvos. Flores roxo-avermelhadas. Materiais selecionados: Rio de Janeiro, Recreio dos Bandeirantes, 3.V.1969, D. Sucre 4942 (RB): Barra da Tijuca, 22.IX.1972./.A. Jesus 1965 (RB). Dorstenia cayapia é endêmica do Brasil, ocorre na floresta ombrófila densa atlantica e estacionai semidecidual, nos estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerias, Rio de Janeiro e São Paulo. Nas restingas fluminenses ocorre em apenas uma localidade de restinga (Rio de Janeiro), com extensão de ocorrência inferior a 5 km 2 , na Mata Seca próxima a encosta. A proporção da população global presente nas restingas é de 5%. A espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma Rodriguésia 62( 1 ): 077-092. 201 1 81 fonte de imigração de propágulos e, por isso, diminui-se uma categoria do passo dois. Espécie considerada como em perigo, EN B 1 . Ficus L..Sp. P1.2: 1059. 1753. Arvores, frequentemente hemiepífitas, estranguladoras quando jovens, monóicas. Folhas de margem lisa, inteiras. lnflorescências em capítulos urceolados (sicônio), axilares, pareados ou solitários, deixando cicatriz ao caducar, ostíolos planos, elevados, crateriformes ou triangulares. Flores com perigônios com 2-4 segmentos irregulares envolvidos por brácteas hialinas; estaminadas geralmente sésseis ou curto-pedunculadas, menores em tamanho e número que as pistiladas, geralmente concentradas perto do ostíolo, 1-2 estames, filetes retos no botão; pistiladas sésseis ou com pedicelo bem desenvolvido, distribuídas em várias séries no interior do sicônio, estiletes únicos, laterais, curtos ou longos. O gênero compreende ca. 800 espécies em todas as regiões tropicais do mundo. No neotrópico em torno de 120 (Berg & Villavicencio 2004). No Brasil estima-se ca. 100 espécies, mas somente 65 descritas (Carauta & Ernani-Diaz 2002) e nas restingas fluminenses 13 espécies. 4. Ficus arpazusa Casar., Nov. Stirp. Bras. Dec.: 15. 1842. Árvores 3-10 m alt., látex branco. Estipulas terminais 10-13 mm compr.. Folhas com pecíolos 1,2-3, 6 cm compr., glabros; lâminas elípticas a ovadas, 6,5-12 x 3-4,7 cm, subcoriáceas, base arredondada a truncada, ápice agudo a levemente cuspidado, ambas as faces glabras, abaxial com superfície verde-clara; 6-10 pares de nervuras secundárias. Sicônios verdes. 10-13 mm diâm., glabros, lisos; pedúnculos 5- 1 0 mm compr., glabros, pareados; epibrácteas 2, deltoides, 1-1,5 mm compr.; ostíolos crateriformes. Flores cor paleácea. Infrutescências brúneas. Materiais selecionados: Cabo Frio, Condomínio Florestinha, 9. VI. 2008, LC. Pederneiras 465 et al. (R). Carapebus, PNRJ, entre as Lagoas Comprida e de Carapebus, 22.IX.1995, R.C. Oliveira s/n et al. (RB 326302, 326303). Macaé, PNRJ, 31.X.2008, L.C. Pederneiras 536 et R. VV. Lacerda (R). Magé, Praia de Piedade, 16. IX. 1976, D. Araújo 1210 (GUA). Mangaratiba, Restinga de Marambaia, Campo de Provas da Marambaia, 23.1.2005, H.M. Dias 25 et R. Freitas (RB). Saquarema: Ipitangas, 29.X.1991, G.V. Somner 707 et al. (RBR); R.E.E. Jacarepiá, 5.1.1994, V.S. Fonseca 279 et al. (RB). SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 82 Pederneiras LC et al. \ Ficus ctrpctzusa ocorre na América Central e América do Sul (Carauta 1 989). No Brasil, na floresta ombrófila densa atlântica e amazônica, estacionai semidecidual e decidual, nas matas de galeria do cerrado e caatinga. Nas restingas ocorre em cinco localidades de restinga (Macaé, Barra de São João, Cabo Frio, Baía de Guanabara e Marambaia), numa extensão de ocorrência ca. 6900 km 2 , na formação de Mata Seca e Mata Inundável. A proporção da população global da espécie presente nas restingas não foi estimada porque não foram visitados todos os herbários das regiões de sua distribuição geográfica. Cumpre com os critérios de VU B 1 , mas a espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos e, por isso, diminui-sc uma categoria. Espécie próxima a ameaçada, NT. 5. Ficus castellviana Dugand, Caldasia 1 (4): 33. 1942. Fig. 1 Árvores 10 m, heliófilas, látex hialino, abundante. Ramos pubérulos, ferrugíneos, folhas prostradas. Estipulas terminais 15-19 mm compr., glabras, rosadas. Folhas com pecíolos 1,5-5 cm compr., glabros a puberulentos, ferrugíneos; lâminas elípticas, 1 2,3-23 x 4, 3-7 ,5 cm, membranáceas a subcoriáceas, base arredondada, ápice agudo a cuspidado, face adaxial glabra, abaxial puberulento, ferrugíneo; 12-18 pares de nervuras secundárias, levemente rosadas a verde-claras. Sicônios verde- claros quando jovem, ferrugíneos a arroxeados quando maduro, interior cor paleácea, 12-14 mm diâm., glabros a puberulentos; pedúnculos 2-4 mm compr.; epibrácteas 2. deltoides a arredondadas, 1-3 mm compr.; ostíolos planos. Materiais selecionados: Cabo Frio, Parque Municipal do Mico Leão Dourado, 30.X.2008, LC. Pederneiras 505, 507. 529 et R.W. Lacerda (R). Rio de Janeiro, Restinga de Jacarepaguá, 10.IX.1958,£. Pereira 4 153 et al. (HB. RB). Ficus castellviana ocorre na Colômbia, Peru, Equador e Bolívia (Berg & Villaviccncio 2004). No Brasil, na floresta ombrófila densa atlântica e amazônica e na floresta estacionai semidecidual de Minas Gerais. Nas restingas fluminenses ocorre em duas localidades (Barra de São João e Rio de Janeiro), com extensão de ocorrência ca. 115 km 2 , na formação de Mata Seca. A proporção da população global da espécie presente nas restingas não foi estimada porque não foram visitados todos os herbários das regiões de sua distribuição geográfica. A quantidade de registros de herbários existentes das vizinhanças das restinga» (somente Kuhlmann 675 RB) indica uma escassez de fontes de imigração de propágulos e, por tanto, não foi modificada a classificação do passo dois. Espécie em perigo, EN B 1 . 6. Ficus clusiifolia (Miq.) Schott, Syst. Veg., ed. 16, 4(2): 409. 1827. Árvores 6-30 m, hemiepífitas, bem ramificada desde a base, látex branco. Raízes tabulares. Estipulas terminais verdes a brúneas, 9-16 mm, glabras. Folhas com pecíolos 0,9-3, 1 compr., glabros; lâminas elípticas a obovadas, (6,7)9-l 1(16) x 4,5-6(8,5), coriáceas, base cuneada, ápice arredondado, ambas as faces glabras, lustrosa; 10- 19 pares de nervuras secundárias. Sicônios de verdes a amarelados, com ou sem máculas claras, 5-7 mm diâm., glabros, pareados; pedúnculos (1)3- 4 mm, glabros; epibrácteas 2-A, bipartindo-se ao amadurecer, deltóides, mais raramente renifonne, 3-5 mm compr.; ostíolos planos. Flores de cor palha. Infrutescências vermelho-alaranjadas. Materiais selecionados: Arraial do Cabo. 3.111.2008, L.C. Pederneiras 378 et al (R). Cabo Frio, Estação de Rádio da Marinha Campos Novos, 2.IV.2008, L.C. Pederneiras 391 et M.S. Faria (R); Vila do Sol, dunas atrás da Rua Augusturas, 1.IV.2008, L.C. Pederneiras 389 et M.S. Faria (R). Carapebus, 18. X. 2007, L.C. Pederneiras 322 et al. (R). Macaé, 3I.X.2008, L.C. Pederneiras 531 et R.W. Lacerda (R). Maricá, 15.IV.1985, D. Araújo 6823 et N.C. Maciel (GUA). Quissamâ, 9.IV.1980, D. Araújo 3719 et al. (GUA). Rio das Ostras, 28.V.1986, D. Araújo 75 II et N.C. Maciel (GUA). Rio de Janeiro: Restinga do Arpoador, I I. XII. 1896, s/c (R 39338); Recreio dos Bandeirantes, 12.1. 1965, N. Santos 5325 et al. (R). São João da Barra. III. 1942,4.7. Sampaio 8967 (R). Saquarema, 17.1.2008, L C. Pederneiras 358 et A. F.P. Machado (R). Ficus clusiifolia é endêmica do Brasil, ocorre principalmente na floresta ombrófila densa atlântica, de Pernambuco ao Rio de Janeiro, e mais raramente na estacionai semidecidual. Nas restingas fluminenses ocorre em sete localidades de restinga (São João da Barra, Macaé, Barra de São João, Cabo Frio, Maricá, Baía de Guanabara e Rio de Janeiro), com extensão de ocorrência ca. 9500 km 2 , nas Formações Arbustiva Fechada, Mata Seca e Mata Inundável. A proporção da população global presente nas restingas é de 28%. Cumpre com os critérios de VU Bl, mas a espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos e, por isso, diminui- sc uma categoria. Espécie considerada próxima a ameaçada NT. Rodriguósla 62 ( 1 ): 077 - 092 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 Figura 1- Ficus castellviana Dugand - a. ramo com figos jovens; b. sicônio; c-d. sicônio evidenciando ostíolo e epibráctcas, respectivamente; e. sicônio em seção longitudinal; f. indumento da lâmina da folha (a-d, f L.C. Pederneiras 507 et R. W. Lacerda; e A.P. Duarte 7669). Figure 1- Ficus castellviana Dugand - a. leafy brancb with young figs; b. fig; c-d. fig showing ostiole and epibracts, respectively; e. fig longitudinal section; f. leaf blade indumentum (a-d, f L.C. Pederneiras 507 et R. W. Lacerda ; e A.P. Duarte 7669). Rodriguésia 62 ( 1 ): 077 - 092. 201 1 Moraceae das restingas. RJ cm .. 84 I. Ficus cyclophylla (Miq.) Miq., Ann. Mus. Bot. Lugduno-Batavi. 3: 297. 1867. Árvores 5-10 m alt., látex branco. Estipulas terminais de verde a vinácea ou brúnea, 1 2—43 mm compr., persistentes, frequentemente congestas e secas nos ramos. Folhas com pecíolos 1-1,5 cm compr., glabros; lâminas obovadas, 12-25 x 7-13 cm, coriáceas, base cuneada, truncada, ápice arredondado, ambas as faces glabras; 8-1 1 pares de nervuras secundárias. Sicônios verde 1,4-3 cm diâm., glabros, pareados; pedúnculos sésseis; epibrácteas 2, arredondadas a deltoides, persistentes, 1 ,3-1,6 cm compr.; ostíolos elevados. Flores cor paleácea. Infrutescências roxas. Materiais selecionados; Angra dos Reis, 19.1X.I99I. D. A ranjo 9464 (GU A ). Arraial do Cabo. 1 0. VI 1 1.200 1 , J. P.P. Carauta 6163 et Ernani-Diaz( GUA). Cabo Frio, 2. IV. 2008, L.C. Pederneiras 403 et M.S. Faria (R). Mangaratiba. 7. V. 2008, LC. Pederneiras 449 et al. (R). Maricá, 17. XI. 1988, A. Souza 2534 et al. (R). Rio das Ostras, 1.V.1978.LE. Mello-Filho 4340 et al. . Acesso em junho 20 1 0. Pederneiras LC et al. Ule, E. 1967. A vegetação de Cabo Brio. Boletim Geográfico, Rio de Janeiro 26: 2 1 -32. Vasconcellos, J.C. 1969 Noções sobre a Morfologia externa das Plantas Superiores. 3*ed. Série Estudos e Informação Técnica. Serviço Editorial da Repartição de Estudos, Informação e Propaganda. Lisboa. 227p. Vellozo, J.M.C. 1881. Flora Fluminensis. Vol. 5. Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Veloso, H.P.; Rangel-Filho, A.L.R. & Lima, J.C. A. 1991 . Classificação da vegetação brasileira, adaptada a um sistema universal. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Rio de Janeiro. 123p. Vianna-Filho, M.D.M.; Carrijo, T.T. & Romaniuc- Neto, S. 2009. Sorocea carautana (Moraceae): a new species from Southeastern Brazil. Novon 19: 549-551. Artigo recebido em 09 / 02 / 2010 . Aceito para publicação em 27/09/2010. Rodríguésia 62 ( 1 ): 077-092. 201 1 SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Rodriguésla 62(1): 093-105. 201 1 http://rodriguesia.jbrj.gov.br Flora da Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Convolvulaceae Flora ofthe Usina São José, Igarassu, Pernambuco: Convolvulaceae Maria Teresa Buril 1 ' 2 & Marccus Alves 1 Resumo Convolvulaceae é uma família predominantemente tropical e compreende entre 1600 e 1700 espécies. O Brasil é um importante centro de endemismo do grupo, mas sua diversidade ainda é pouco conhecida e subestimada no país. A flora de Convolvulaceae da Usina São José, aqui apresentada, portanto, incrementa o conhecimento sobre a diversidade da familia no Nordeste. Foram registradas doze espécies e cinco gêneros de Convolvulaceae na região: Bonamia marípoides , Evolvulus nummularius, Ipomoea bahiensis, I. hederifolia, I. nil , /. philomega, I. quamoclit , /. tiliacea, Jacquemontia glaucescens, J. sphaerostigma, Merremia macrocalyx e M. umbellata. O tratamento conta com chave de identificação, descrições, ilustrações e comentários para os táxons. Palavras-chave: florística, liana. Mata Atlântica, taxonomia, trepadeira. Abstract Convolvulaceae is a predominantly tropical family and comprises between 1600 and 1700 species. Brazil is an importam center of endemism of the group, but its diversity is still poorly understood and underestimated in the country. Therefore, the flora of Convolvulaceae from the Usina São José, presented here, increases the knowledgc about the diversity of the family in the Northeast Brazil. Twelve species and fíve genera of Convolvulaceae is reported in the region: Bonamia marípoides , Evolvulus nummularius , Ipomoea bahiensis, I. hederifolia, I. nil, I. philomega, I. quamoclit, I. tiliacea, Jacquemontia glaucescens, J. sphaerostigma, Merremia macrocalyx, and M. umbellata. The treatment includes identification key, descriptions, illustrations, and comments for the taxa. Key words: Atlantic rainforest, floristics, liana, taxonomy, vine. Introdução Convolvulaceae compreende entre 1600 e 1700 espécies agrupadas em 55 a 60 gêneros, e possui distribuição cosmopolita, com centro de diversidade na região tropical (Mabberley 1987; Austin 1998a). No Brasil, são reconhecidos 18 gêneros, sendo os mais representativos Ipomoea L„ Evolvulus L. e Jacquemontia Choisy, aos quais pertence a maioria das cerca de 300 espécies registradas para o país. Ocorrem em formações vegetacionais variadas, desde a Caatinga até a Amazônia, sendo mais frequentes em ambiente de campos abertos e em bordas de mata (Simão- Bianchini & Pirani 1997; Souza & Lorenzi 2005). São geralmente trepadeiras sem gavinhas, ervas ou subarbustos, raramente arbustos ou holoparasitas áfilas ( Cuscuta L.), quase sempre latcscentes. As folhas são alternas, na maioria simples, por vezes lobadas a compostas, sem estipulas. As flores são dialissépalas, gamopétalas, campanuladas, inf undibiliformes ou hipocrateriformes, com áreas mesopétalas proeminentes, estames epipétalos, ovário supero e fruto do tipo cápsula valvar ou indeiscente (Simão-Bianchini & Pirani 1997; Smith etal. 20(M). Grande parte das pesquisas aplicadas conduzidas com a família é focada na utilização e nas propriedades químicas e genéticas da Ipomoea batatas (L.) Lam., popularmente conhecida como batata-doce (Padda & Picha 2008). No entanto, estudos recentes vêm demonstrando o potencial de outras espécies, principalmente para a indústria farmacêutica (Cervenka etal. 2008; Yen etal. 2008). Segundo Gentry (1991), 26 famílias de angiospermas incluem 85% de todas as trepadeiras do Novo Mundo e Convolvulaceae agrega o 'Universidade Federal de Pernambuco. Dcplo. Botânica. Av. Prof. Moraes Rego 1235. 50670-901, Recife, PE. 'Autora para correspondência: tercsavital@gmail.com SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 94 segundo maior número de espécies. No Brasil, as discussões sobre a importância ambiental e ecológica da família ainda são pouco enfatizadas, apesar dela ser bem representada em nossa flora (Simão-Bianchini & Pirani 2005; Simão-Bianchini 2009). Em vários inventários florísticos (e.g., Udulutsch et al. 2004; Tibiriçá et al. 2006; Alves- Araújo et al. 2008; Durigon et al. 2009), a família aparece entre aquelas com o maior número de espécies, sendo destacada principalmente na diversidade de trepadeiras. Na Região Nordeste, o conhecimento sobre a diversidade de Convolvulaceae é ainda mais restrito, principalmente devido à incipiência de especialistas na Região. A Flora de Convolvulaceae da Usina São José, em Igarassu, Pernambuco, apresentada a seguir, vem, portanto, contribuir para o conhecimento da diversidade da família na Mata Atlântica ao Norte do rio São Francisco. Material e Métodos A Usina São José localiza-se na Zona da Mata Norte, a 28 km de Recife, no município de Igarassu, Pernambuco (7°40'21,25”-7°55’50,92”S e 34°54’ 14,25”-35°05’2 1 ,08"W) (Trindade et al. 2008). Compreende uma área total de 280 knr e possui aproximadamente 100 fragmentos florestais; seis deles foram selecionados para este estudo. As coletas foram realizadas entre 2007 e 2010, em fragmentos que variam de 30 a 400 ha. Foram ainda agregadas informações obtidas a partir das coleções depositadas nos herbários ASE, HST, HUEFS, HURCA, HVASF, IPA, JPB, K, M, MAC, P, PEUFR, UFRN. UFP (siglas de acordo com Thiers Buril, M.T. & Alves M. \ 2009). As amostras botânicas foram processadas de acordo com as técnicas usuais em taxonomia vegetal (Mori et al. 1985) e os “vouchers” depositados no Herbário UFP, com duplicatas distribuídas para o IPA e RB. As identificações foram realizadas com auxílio de bibliografia específica (0’Donell 1941; Robertson 1971; Austin 1975; Austin& Cavalcante 1982;Gentry 1996; Austin 1998b; Simão-Bianchini 1998; Buril 2009) e comparação com amostras previamente identificadas por especialistas, incluindo os tipos. A caracterização morfológica seguiu principalmente Harris & Harris (2000) e Steam (2004), além de Gonçalves & Lorenzi (2007) para a venação e forma da corola. O presente trabalho adota a organização apresentada para as demais famílias monografadas para a Usina São José (e.g., Al ves- Araújo & Alves 20 1 0). Resultados e Discussão Doze espécies e cinco gêneros de Convolvulaceae foram registrados na Usina São José, sendo Ipomoea (6 espécies) o mais representativo em número de espécies, adicionando quatro à lista florística da área (Al ves- Araújo et al. 2008). As espécies são, de modo geral, amplamente distribuídas na Mata Atlântica do Nordeste, e em alguns casos, a exemplo de /. bahiensis Willd. ex Roem. & Schult., são comumcnte encontradas em capoeiras, áreas de borda, e com influência antrópica, desde a Caatinga (Buril 2009) até a Mata Atlântica. Em contraposição, Bonamia maripoides Hallicr f. ocorre apenas no interior da mata, sendo incomum em áreas perturbadas. Tratamento Taxonômico Chave de Identificação para as Convolvulaceae da Usina São Jose 1. Lianas, látex abundante, ramos rugosos, às vezes com lenticelas verrucosas. 2. Folhas elípticas, largamente elípticas a ovadas, base cuneada ou arredondada, face abaxial densamente serícca, venação camptódroma T Bonamia maripoides 2’. Folhas ovadas, base cordada, puberulentas em ambas as faces, venação actinódroma 6. Ipomoea philomega F. Ervas trepadeiras, cretas ou prostradas, subarbustos eretos ou escandentes, látex geralmcnte escasso, ramos lisos, sem lenticelas verrucosas. 3. Ervas prostradas, folhas inteiras, orbiculares, inflorcscências unifloras axilares, gineceu com 2 estiletes 2. Evolvulus nummularius 3’. Trepadeiras herbáceas ou subarbustos eretos a escandentes, folhas compostas ou simples, inteiras ou lobadas, ovadas quando inteiras, inflorescências multifloras, raramente unifloras, gineceu com 1 estilete. Rodriguésiã 62 ( 1 ): 093 - 105 . 201 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. Convolvulaceae da Usina Sào José, PE 95 4. Folhas simples inteiras. 5. Plantas pilosas, tricomas estrelados, frutos 8-valvares, sementes com anel de tricomas rijos na margem Jaequemontici 6. Tricomas glandulares principalmente nos ramos jovens, sépalas lanceoladas, flores com estilete inserto 10. J. sphaerostigma 6'. Tricomas glandulares ausentes, sépalas orbiculares a obcordadas, flores com estilete exserto 9. J. glaucescens 5’. Plantas glabras a glabrescentes, tricomas simples, frutos 4-valvares, sementes glabras ou pilosas. 7. Tricomas na face abaxial da lâmina foliar restritos às nervuras secundárias, inflorescência em umbela, corola amarela, anteras retorcidas após a antese 12. Merremia umbellata 7’. Tricomas na face abaxial da lâmina foliar ausentes ou quando presentes nunca restritos às nervuras secundárias, inflorescência em dicásio, corola rósea ou roxa, anteras retas após a antese Ipomoea 8. Folhas com 7 pares de nervuras secundárias, 1 sépala externa menor (ca. 6x4 rnm) que as demais (8x5 mm), nunca rostradas 8. /. tiliacea 8’. Folhas com 6 pares de nervuras secundárias, sépalas externas e internas do mesmo tamanho (ca. 7x4 mm), as externas rostradas 3 . / bahiensis 4’. Folhas lobadas, pinatipartidas a palmadas. 9. Corola vermelha, hipocraterifomie, estames e estilete exsertos Ipomoea 10. Folhas pinatipartidas, sépalas lisas 7. / quamoclit 10'. Folhas 3-5-lobadas, nunca aparentando uma folha pinada, sépalas com um rostro subapical 4. 1. hederifolia 9’. Corola branca, azul ou rósea, infundibuliforme, estames e estilete insertos. 1 1. Folhas palmadas, inflorescência dicasial, anteras retorcidas após a antese 11. Merremia macrocalyx 1 1’. Folhas 3-lobadas, inflorescência uniflora axilar, anteras eretas após a antese Ipomoea nil Bonamia Thouars, Hist. vég. ísles France: 33. 1 804. Lianas, raramente trepadeiras ou subarbustos. Folhas ovadas, elípticas, lanceoladas, oblongas ou lineares, glabras ou seríceas a vilosas na face abaxial. Inflorescências axilares, cimeiras, compostas ou simples, raramente flores isoladas, axilares. Flores pediceladas ou sésseis, corola azul, purpúrea ou rósea, raramente vermelha ou amarela, geralmente pubescentes na nervura mesopétala. Estames com tricomas glandulares na base dos filetes, anteras eretas. Ovário piloso a glabro, 2-carpeIar, 2-locular, 2 estiletes, livres a parcialmente livres, estigmas globosos a capitados, reniforme ou raramente peitado. Fmto cápsula, 4-8- valvar. Sementes largamente elípticas a trigonais, lisas ou punctadas, glabras ou ciliadas. 1. Bonamia maripoides Hallicr f., Bot. Jahrb. Syst. 16:529.1893. Fig. 1 a-d Liana látex branco, abundante. Ramos maduros rugosos, seríceos, lenticelas verrucosas. Folhas 7,1— 10,9 x 3, 7-5, 6 cm, cartáceas, inteiras, elípticas, largamente elípticas a ovadas, base cuneada ou Rodrlguèsiã 62 ( 1 ): 093 - 1 05 . 20 1 1 arredondada, ápice agudo a acuminado, face abaxial densamente serícea, dourada, tricomas simples, raramente bífidos e assimétricos, face adaxial glabra, acinzentada; venação camptódroma, 7 pares de nervuras secundárias. Pecíolo 0,5— 1,3 cm compr., seríceo. Dicásios 3— 7-floros; pedúnculos ca. 1 cm compr., seríceos. Cápsula ca. 1 ,2 cm compr., globosa, 4-valvar, sépalas persistentes. Sementes trigonais ou largamente elípticas, lisas, glabras. Material examinado: Mata da Cruzinha, 26.XI.2009. fr., J.D. Garcia 1339 (UFP); Mata de Piedade, 18.IX.2009, J.D. Garcia 1216 (UFP); Mata de Vespas, 12.111.2009, J.D. Garcia 976 (UFP). Material adicional: BRASIL. PERNAMBUCO: Paulista, estrada de Aldeia-Caetés, 14.V.1985, A. Chisppeta 556 (1PA). BAHIA: Uruçuca, 11.1X.1991, fr, A.M. Carvalho 3511 (HUEFS). Espécie sul-americana, conhecida para a Amazônia e para a Mata Atlântica. No Nordeste, há apenas registros em Pernambuco e na Bahia. Na Usina São José, e encontrada no interior dos fragmentos ou em áreas mais úmidas, próximas a riachos. Às vezes confundida com representantes de Icacinaceae SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. 96 Buril, M.T. & Alves M. (Gentry 1 996), dos quais difere pelos frutos, que nesta última são drupas. Devido à fornia e coloração dos tricomas das folhas, pode ser confundida com espécies de Maripa , gênero frequente na Amazônia ( Ribeiro et al. 1 999), mas que apresenta tricomas glandulares na face abaxial das folhas e frutos indeiscentes. As sementes são trigonais quando formadas quatro por fruto e largamente elípticas em frutos com menos de quatro sementes. Evolvulus L., Sp. pl. (ed. 2): 39 1 . 1 762. Ervas ou pequenos arbustos, eretos ou prostrados. Folhas inteiras, lineares a orbicularcs. Inflorescências axilares, pedunculadas ou sésseis, dicasiais, às vezes reduzidas a uma tlor. Flores com pedicelos tão longos quanto o cálice, ou pedicelo aparentemente ausente, sépalas geralmente iguais entre si, corola infundibuliforme, hipocrateriforme ou rotácea, geralmente azul ou branca. Estames geralmente exsertos, anteras eretas. Ovário glabro, 2-carpelar, 2-Iocular, 2 óvulos por lóculo, 2 estiletes, livres ou parcialmente unidos, cada estigma profundamente bífido, lobos estigmáticos filiformes. Fruto cápsula, 4-valvar. Sementes lisas ou discretamente verrucosas. 2. Evolvulus nummularius (L.) L., Sp. pl. (ed. 2): 391.1762. Fig. le Erva prostrada, sem látex. Ramos puberulentos, tricomas simples e longos, raízes nos nós. Folhas 4—8 x 3-7 mm, membranáceas, inteiras, orbiculares, base arredondada ou discretamente cordada. ápice arredondado, glabras; venação camptódroma, 3 pares de nervuras secundárias. Pecíolo ca. 1,5 mm compr., puberulento. Inflorescências unifloras, axilares, pedicelo ca. 2 mm compr., puberulento, 1 par de bractéolas ca. 1,2 mm compr., lineares. Sépalas iguais, ca. 3 x 1 mm, oblanceoladas, ciliadas. Corola ca. 5 mm compr., rotácea, distintamente lobada, glabra, branca. Estames de mesma altura. Disco nectarífero ausente. Ovário 2-locu!ar, 2 óvulos por lóculo. Cápsula ca. 3 mm compr., ovoide, pedicelo reflexo. Material examinado: Mata de Piedade, I6.XII.2(X)9, 11., D. Cavalcanti 25 (UFP). Material adicional: BRASIL. PERNAMBUCO: São Lourenço da Mata. Tapacurá, 1 1.V.2004, 11. e fr., M.S. Sobrinho 576 (UFP). Amplamente distribuída no Novo e no Velho Mundo, ocorrendo em áreas de clareiras e ambientes antropizados (Austin & Cavalcante 1982; Austin 1998b). Na Usina São José, ocorre ocasionalmente em áreas de borda com solo arcno-argiloso. Ipomoea L. Sp. pl.: 159. 1753. Trepadeiras ou subarbustos, raramente arbustos ou árvores. Folhas inteiras a compostas, glabras ou pubescentes. Inflorescência axilar na maioria, 1 -muitas flores em dicásios. Flores em pedicelos longos ou curtos, sépalas geralmente não acrescentes, corola infundibuliforme, campanuladaou hipocrateriforme, frequentemente rósea ou lilás, raramente amarela ou branca, nervura mesopetalina bem definida por duas veias distintas. Estames insertos ou raramente exsertos, triangulares na base, comumente de tamanhos diferentes, anteras eretas. Ovário às vezes pubescentc, 2(3)-locular, 4(-6)-ovuIado, estilete 1 , estigmas 2(3)-globosos. Fruto cápsula, 4-valvar. Sementes geral mente 4, glabras ou pubescentes. 3. Ipomoea bahiensis Willd. e.x Roem. & Schult., Syst. veg. 4: 789. 1819. Fig. 1 f-h Trepadeira herbácea, látex branco, escasso. Ramos glabrescentes. Folhas 6.8-1 2,3 x 3.2-6,4 cm, membranáceas, inteiras, ovadas, base profundamente cordada a sagitada, ápice acuminado, glabrescentes; venação actinódroma, 6 pares de nervuras secundárias. Pecíolo 2-4,2 cm compr., às vezes com concentração de tricomas na axila. Dicásios 6-7- floros, às vezes com a flor principal truncada; pedúnculo 4,2-6 cm compr., geralmente não ultrapassando a folha subtendente, 1 par de bractéolas persistentes, 2-4 mm compr., lineares. Sépalas 2 externas ca. 7 x 4 mm, largamente elípticas, base truncada, ciliadas, 3 internas ca. 7 x 4 mm, largamente elípticas, com rostro subapical. Corola 2,5-5 cm compr., infundibuliforme, glabra, roxa. Estames heterogêneos, 2 maiores, 3 menores, com tricomas na base; estilete inserto, maior que os estames; disco nectarífero ausente; ovário globoso. Cápsulas ca. 1 cm compr., largamente elípticas. 4- valvares. Sementes densamente pilosas. Material examinado: Mata de Macacos, 10.XII.2007, fl. c fr., P.Y. Ojirna 1 10 (IPA, UFP); Mata de Pczinho. 25.11.2008, fr.. P.Y. Ojirna 115 (IPA. UFP); Mata de Piedade, 20. IX. 2009, fl., J.D. Garcia 1159 (UFP); 14.IX.2009. fl. e fr., J.D. Garcia 1088 (UFP). Endêmica do Brasil, bastante frequente, principalmente em áreas de capoeira, campos abertos e bordas de mata (Austin & Huáman 1996), incluindo áreas de Caatinga (Buril 2009) a matas úmidas (Simão-Bianchini 2009). Na Usina São José, apresenta grande variabilidade na forma, de cordadas a sagitadas, e no tamanho foliar. Facilmente reconhecida pelas sépalas rostradas. Rodriguésia 62( 1 ): 093- 1 05. 20 1 1 -SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Convolvulaceae da Usina Sào José. PE Figura 1 - a-d. Bonamia marípoides ( Garcia 1339) - a. ramo florífero; b. detalhe da face abaxial da folha; c. detalhe da face adaxial da folha; d. semente, vista frontal, e. Evolvulus nummularius ( Cavalcanti 25) - hábito, f-h. Ipomoea bahiensis (Garcia 1159) - f. sépala externa; g. sépala interna, vista dorsal; h. sépala interna, vista frontal, i-k. /. hederifolia (Melo et al. 141) - i. ramo florífero; j. flor, vista lateral; k. fruto com septos persistentes, vista lateral. Figure 1 - a-d. Bonamia marípoides ( Garcia 1339 ) - a. fertile branch; b. detail of lhe lowcr surface of leaf; c. detail of the upper surface leaf; d. sced, frontal view; c. Evolvulus nummularius (Cavalcanti 25) - habit. f-h. Ipomoea bahiensis ( Garcia 1 159) - f- externai sepal; g. internai scpal, dorsal view; h. internai sepal, frontal view. i-k. I. hederifolia (Melo et al. 141) - i. fertile branch; j. flowcr, lateral view; k. fruit with persistent septs, lateral view. Rodriguósia 62(1): 093-105. 2011 ■SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 98 4. Iponwea hederifolia L., Syst. nat. (ed. 10): 925. 1759. Fig. 1 i-k Trepadeira herbácea, látex branco. Ramos glabros a glabrescentes. Folhas 5,2-14,5 x 3,9- 10,5 cm, membranáceas, 3-5-lobadas, base profundamente cordada, ápice agudo a acuminado; venação actinódroma, 7 pares de nervuras secundárias. Pccíolo até 7,5 cm compr., glabro, raramente com tricomas na região do nó. Cimeiras dicasiais, com paracládios laterais monocasiais, escorpioides ou dicasiais; pedúnculo 5,3-12,4 cm compr., glabro, bractéolas lineares. Sépalas iguais, ca. 6 x 3 mm, oblongas, com um rostro subapical de ca. 3 mm compr. Corola 3,5-4 cm compr., hipocrateriforme, vermelha, glabra. Estames exsertos, iguais; estilete exserto, pouco maior que os estames; disco nectarífero ausente; ovário cônico. Cápsula ca. 6 mm compr., globosa. Sementes densamente pubérulas. Material examinado: Mata de Piedade, 13. IX. 2007, <1. e fr., A. Melo et ai 141 (1PA e UFP), 18.1X.2009. fl. e fr., J.D. Garcia 1212 (UFP). Amplamente distribuída nas Américas tropical e subtropical, ocorrendo desde o México até o sul da Argentina, comum em áreas de capoeira e bordas de mata (Auslin & Huáman 19%). No Brasil, é considerada daninha, principalmente em regiões da Mata Atlântica (Simão-Bianchini 1 998), sendo raramente citada para o semi-árido. Na Usina São José, assim como Iponioea quamoclit, diferencia-se das demais espécies do gênero pela corola hipocrateriforme vermelha, mas são facilmente distintas entre si pelas folhas pinatipartidas em /. quamoclit. 5. Iponwea nil (L.) Roth., Catai, bot.: 36. 1 797. Fig. 2 a Trepadeira herbácea, látex branco. Ramos hirsutos. Folhas 6,2-1 1 x 7-9,5 cm, membranáceas, 3-Iobadas, ovadas, base profundamente cordada, ápice acuminado a caudado, face abaxial glabrescente a adaxial puberulenta, com tricomas restritos principalmente às nervuras principais; venação actinódroma, 6 pares de nervuras secundárias. Pecíolo 1-3 cm compr., glabrescente. Inflorescências unifloras, axilares; pedúnculo 5-6,5 cm compr., hirsuto, com 1 par de bractéolas lineares, ca. 5 mm compr. Sépalas iguais, 0,8-1 cm compr., lineares, com tricomas hirsutos na base, ca. 2,5 mm compr., dourados. Corola ca. 4 cm compr., infundibuliforme, glabra, branca. Estames heterogêneos, 2 maiores, 3 menores, insertos, Buril. M.T. & Alves M. % tricomas na base, anteras eretas após a antese; estilete inserto, maior que os estames, lobos estigmáticos oblongos; disco nectarífero ausente; ovário globoso. Cápsula ca. 1 cm compr., globosa. Material examinado: Mata de Piedade. 28. X. 2009, 11. e fr ..J.D. Garcia 1251 (UFP). Material adicional: BRASIL. PERNAMBUCO: Mirandiba, Serra do Tigre, 30.V.2006, fl. c fr., K. Pinheiro 114 (UFP). Amplamcnte distribuída nas Américas (Austin & Huáman 1996), ocorre em capoeiras, campos abertos e bordas de mata (Simão- Bianchini 1998). De uma forma geral, as flores desta espécie são bem marcantes pela coloração azul-celeste com a fauce do tubo alva. Contudo, esse pode ser um caráter plástico na espécie, variando do branco ao róseo. Também é considerada uma espécie invasora e daninha (Simão-Bianchini 1998). 6. Iponwea philomega (Vell.) House, Ann. New York Acad. Sei. 18(6): 246. 1908. Fig. 2 b-d Liana, látex branco, abundante, lenticelas planas. Ramos rugosos. quando jovens glabrescentes. Folhas 9,5-27 x 7,5-26 cm, cartáceas, inteiras, ovadas, base cordada, ápice acuminado a cirroso, quando jovens lanulosas, as mais desenvolvidas puberulentas em ambas as faces; venação actinódroma, 8 pares de nervuras secundárias, 3 divergindo da base. Pecíolo 1 ,2-4,8 cm compr., puberulento. Tirsos 9-1 8-floros; pedúnculo 12-16 cm compr., bractéolas caducas. Sépalas 2 externas 1,8-2 x 1 ,5-1,6 cm, ovadas, base levemente cordada, ápice agudo, 3 internas 1-1,2 x 1-1,1 cm, orbiculares, ápice arredondado, mucronulado, côncavas. Estames subiguais, dilatados na base, puberulentos; estilete inserto, maior que os estames; disco nectarífero ausente; ovário globoso. Cápsula ca 2 cm compr., globosa. Sementes pilosas. Material examinado: Mata de Piedade, 24. V. 2008, fl., A. Melo et al. 358 (IPA, UFP); 7.III.2009. J.D. Garcia et al. 935 (UFP); 15. IX. 2009, fl. e fr., J.D. Garcia 1 100 (UFP). Há registros da espécie desde o México até a América do Sul tropical, no Brasil, Equador, Colômbia, Guianas c Venezuela (Austin & Huáman 1 996). Na Usina São José, apesar de também ocorrer cm áreas de borda, é frequente no interior da mata, alcançando o dossel, podendo desenvolver caule bastante robusto e lignificado. O látex branco é abundante, as folhas mais velhas podem alcançar 30 cm compr. e, nas folhas jovens, a face abaxial apresenta coloração púrpura. Rodriguésia 62 ( 1 ): 093 - 105 . 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 Convolvulaceae da Usina São José. PE 99 Figura 2 - a. Ipomoea nil ( Garcia 1251)- flor, vista lateral, b-d. I. philomega ( Garcia 1100)- b. ramo florífero; c. detalhe da folha; d. flor sem parte da corola, e. /. quamocht (Alves-Araújo 531)- ramo florífero. f. Ipomoea tiliacea ( Nascimento 655) - flor, vista lateral. Figure 2 - a. Ipomoea nil ( Garcia 1251) - flower, lateral view. b-d. I. philomega ( Garcia 1100 ) - b. fertile branch; c. detail of leaf; d. flower without part of corola, e. /. quamoclit (Alves-Araújo 531) — fertile branch. f. Ipomoea tiliacea (Nascimento 655) - flowxr, lateral vieu 1 . 7. Ipomoea quamoclit L., Sp. pl. 1: 159. 1753. Fig. 2 e Trepadeira herbácea, látex escasso e transparente. Ramos delgados, glabros. Folhas 2,2-4,5 x 2-4,2 cm, membranáceas, pinatipartidas, lobos lineares, agudos, gemas 0,5-2 cm compr., semelhantes às folhas, profundamente lobadas, glabras. Pecíolo 0,3-2 cm, glabro. Cimeiras Rodriguésia 62(11:093-105. 2011 monocasiais, geralmente 2-fIoras; pedúnculo 4- 6 cm compr. Sépalas iguais, ca. 1,2 x 0,6 cm, largamente elípticas, base arredondada, ápice mucronado. Corola ate 4 cm compr., hipocrateriforme, glabra, vermelha. Estames e estilete exsertos; disco nectarífero presente; ovário globoso. Cápsula ca. 6 mm compr., elíptica. Sementes com tricomas em blocos. SciELO/ JBRJ 13 14 15 cm .. 100 Buril. M.T. & Alves M. % Material selecionado: Mata dos Macacos, 16. VIII. 2007, fl. e fr., A. Alves-Araújo et al. 531 (IPA, UFP). Distribuída do México a Argentina, com exceção de algumas ilhas da América Central ( Austin & Huáman 1996). É amplamente cultivada como ornamental, e algumas vezes citada como ruderal. As flores, vermelhas e hipocrateriformes, são semelhantes às de Ipomoea hederifolia, porém suas folhas pinatipartidas a distinguem facilmente daquela espécie. 8. Ipomoea tiliacea ( Willd.) Choisy, Prodr. 9: 375. 1845. Fig. 2 f Trepadeira herbácea, látex branco. Ramos glabros a glabrescentes. Folhas 3,5-13,3 x 2,8- 1 1,2 cm, membranáceas, inteiras, ovadas, base cordada, ápice acuminado, glabras; venação actinódroma, 7 pares de nervuras secundárias, com 4 destas convergindo da base. Pecíolo 4,3-7, 8 cm compr., glabro. Dicásios laxos, 3-7-floros; pedúnculo 7,5-1 1 cm compr., glabro, bractéolas ca. 2 mm compr., subuladas, caducas. Sépalas 1 externa maior ca. 6 x 4 mm, oblanceolada, 1 externa e 3 internas ca. 8 x 5 mm, obovadas, ápice cuspidado a acuminado, glabras, paleáceas no fruto. Corola ca. 5 cm compr., infundibuliforme, glabra, rósea. Estames de tamanhos diferentes, 2 maiores e 3 menores, insertos, com tricomas na base; estilete inserto, maior que os estames; disco nectarífero ausente; ovário globoso. Cápsula ca. 8 mm compr., globosa. Sementes densamente pilosas. Material selecionado: Engenho Campinas, 14.XI.2007, II. e fr., LM. Nascimento & G. Batista 655 (IPA, PEUFR, UFP). Registrada para o Brasil, Colômbia, Suriname, Guiana Francesa, Venezuela, México e países da América Central (Austin & Huáman 1996). No Brasil, é referida principalmente para a Mata Atlântica (Simão-Bianchini 1998). Na Usina São José, pode ser diferenciada das demais espécies de Ipomoea pela presença de uma sépala externa menor que as internas, com consistência paleácea. Jacquemontia Choisy, Mém. Soc. Phys. Gcnèvc 6: 476. 1833. Trepadeiras herbáceas ou lianas, ervas ou subarbustos. Folhas inteiras, geralmente cordadas, glabrescente ou densamente pubérulas, tricomas estrelados, 3-7-ramificados. Inflorescência do tipo cimeira com 3-muitas flores, brácteas ausentes ou presentes em grande quantidade. Flores sésseis ou pedunculadas, infundibuliformes, azuis ou brancas, raramente com outra cor. Estames de tamanhos diferentes, puberulentos na base, anteras eretas. Ovário glabro, 2-carpelar, 2-locular, 4-ovulado, estilete 2-Iobado, lobos largamente elípticos, planos, a raramente filiformes. Fruto cápsula, 8-valvar. Sementes trigonais, com anel de tricomas rijos na margem. 9. Jacquemontia glaticescens Choisy, Mém. Soc. Phys. Gcnève 8(1): 64. 1 837. " Fig. 3 a-i Trepadeira herbácea, látex branco. Ramos com indumento velutino, tricomas 5-(7)-armados. Folhas 5-7,3 x 2,3-4,7 cm, membranáceas, inteiras, ovadas, base arredondada, ápice agudo a obtuso, raramente mucronado, face abaxial densamente velutina, coloração glauca, tricomas 5-7-armados, face adaxial pubesccnte, quando secas com coloração marrom, tricomas 5-(7)-armados; venação camptódroma, 7 pares de nervuras secundárias. Pecíolo 0.6-2.3 cm compr., velutino. Cimeiras dicasiaisumbeliformes.com até 12 flores; pedúnculo de tamanho variável, em ramos jovens as inflorescências podem parecer sésseis ou com pedúnculo bem curto, ca. 5 mm compr., em ramos desenvolvidos alcançam ca. 4 cm compr., bractéolas ausentes. Sépalas 3 externas ca. 4x3 mm. coriáceas, orbiculares, côncavas, puberulentas, 2 internas 5- 6 x 4-5 mm, obcordadas, ciliadas. Corola 1 ,9- 2,3 cm compr., infundibuliforme, glabra, azul. Estames maiores 2, menores 3, com tricomas na base; estilete exserto, lobos estigmáticos cilíndricos, mais longos que largos; disco nectarífero presente, ovário globoso. Cápsula ca. 6 mm compr., ovoide, 8-valvar. Sementes trigonais, lisas. Material examinado: Mata de Piedade, 20.IX.2009, J.D. Garcia 1161 (UFP); 15.IX.2009, II. e fr.. J.D. Garcia 1104 (UFP); 15.1X.2(X)9, fr., J.D. Garcia 1099 (UFP); 15.1X.2009, fl., J.D. Garcia 1095 (UFP); 28.VI1.2007, 11., A. Melo et al. 95 (IPA, UFP); Mata de Vespas, 12.111.2009. fr., J.D. Garcia 977 (UFP); Mata de Zambana, 13.111.2009, fr . J.D. Garcia et al. 990 (UFP). Endêmica do Brasil, predominantemente em áreas de Mata Atlântica e nos brejos de altitude do Nordeste. Na Usina São José, é a espécie de Convolvulaceae mais comum, formando densas populações nas bordas dos fragmentos. Devido à base espessa dos caules é aqui tratada como uma liana de caule fibroso persistente. Pertence a um complexo de espécies bastante semelhantes morfologicamente e pode ser relacionada a J. holosericea (Weinm.) 0'Donell. diferenciando-se principalmentc pelas folhas discolores, pela proporção do tamanho entre as sépalas externas e as internas e pelo indumento dos ramos (0’Donell 1953). Rodriguèsia 62( 1 ): 093- 1 05. 20 1 1 6 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. Figura 3 - a-i. Jacquemontia glaucescens ( Garcia 1104)- a. ramo florífero; b flor, vista frontal, c. inflorescência; d. corte longitudinal da flor; e. detalhe do ovário e a base dos filetes; f. sépalas externas (2) à esquerda, as internas (3) à direita; g. tricomas; h. fruto; i. semente, da esquerda para direta, detalhe dos tricomas na margem, face ventral e vistas laterais. Figure 3 -a-i. Jacquemontia glaucescens (Garcia 11 04) - a. fertile branch; b. flower in a frontal view; c. inflorescence; d. longitudinal cut flower, delail of thc ovary and lhe base of filaments; f. externai scpals (2) at left and intcmal sepals (3) at right; g. trichomes; h. fruit; i. seed, from left to right, margin with detail of trichomes, ventral face, lateral views. Rodríguésiá 62(1): 093- 1 05. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. 102 10. Jacquemontia sphaerostigma (Cav.) Rusby, Buli. Torrey Bot. Club 6: 151. 1899. Fig.4a-g Trepadeira herbácea, látex branco, escasso. Ramos pilosos, tricomas simples ou 3-armados homogêneos ou heterogêneos com um dos braços 3 vezes mais longo do que os demais. Folhas 2,4-4, 3 x 1, 4-2,4 cm, membranáceas, inteiras a sinuosas, lanceoladas a ovadas, base cordada, ápice agudo a acuminado, puberulentas, tricomas 3-armados com 1 dos braços bem mais longo; venação camptódroma, 6 pares de nervuras secundárias. Pecíolo 0,7-1 ,5 cm compr., glabresccnte. Cimeira monocasial umbeliforme, 4-9-flora; pedúnculo 3,6-9,8 cm, com tricomas 3- armados e glandulares, brácteas ca. 4 mm compr., lanceoladas, quando secas com coloração vinácea. Sépalas iguais, ca. 7 mm compr., lanceoladas, com tricomas 3-armados homogêneos e heterogêneos, e tricomas glandulares, não acrescentes no fruto. Corola infundibuliforme.ca. 1 cm compr., glabra azul. Estames 3 maiores e 2 menores, com tricomas curtos na base; estilete inserto, lobos estigmáticos largamente elípticos, planos; disco nectarífero ausente; ovário oblongo. Cápsula 3-4 mm compr., globosa. Sementes trigonais, lisas. Material selecionado: Mata de Piedade, 17.IX.2009, n. e fr.. J.D. Garcia 1117 (UFP). Ocorre desde o sul dos Estados Unidos até o Brasil (Austin & Cavai vante 1982; Austin 1998b). No Brasil, ocorre tanto em áreas fragmentadas de Mata Atlântica quanto na Caatinga. Na Usina São José, está presente em ambientes de capoeiras, sendo mais rara que J. glaitcescens. Pode ser confundida com J. agrestis (Mart. ex Choisy) Meisn. eJ. evolvuloides Meisn., devido à presença de tricomas glandulares principalmente em ramos mais jovens dás duas espécies. Contudo, a estrutura das inflorescências é bastante peculiar, geralmente cimeiras congestas com 3-7 flores, enquanto nas outras espécies elas são cimeiras laxas similares a racemos, geralmente 3-floras. Merremia Dennst., Schlüssel Hortus malab.: 34. 1818. Trepadeiras geralmente herbáceas e sem látex. Folhas inteiras, lobadas ou digitadas com 3-7 folíolos. Inflorescências axilares, unifloras ou com poucas flores, politélicas. Flores pediceladas, brancas, raramente amarelas ou róseas. Estames geralmente glabros na base, anteras retorcidas na antese. Ovário glabro, 2- ou 3-carpelar, 2- ou 3- locular, 4-6-ovulado, estilete 1 , estigma 2-globoso. Fruto cápsula, 4-vaIvar. Sementes trigonais. Buril, M.T. & Abes M. % 11. Merremia macrocalyx (Ruiz & P;;v.) 0'Donell. Lilloa 6: 506. 1941. Fig. 4 h Trepadeira herbácea, látex não observado. Ramos glabros, às vezes com tricomas restritos às regiões nodais. Folhas 4-5,2 x 6.2-8, 3 cm, cartáceas, palmadas, folíolos com margem inteira ou discretamente serreada, oblanceolados, base cuneada, ápice agudo, glabros. Pecíolo 1-2,3 cm compr., glabro. Cimeira dicasial laxa 3— 7- flora, às vezes com a flor principal truncada; pedúnculo 6,4— 8,5 cm compr., brácteas e bractéolas ausentes. Sépalas subiguais, 1,7-2 x 0,7-0,8 cm, elípticas a ovadas, acrescentes no fruto, paleáceas, coloração dourada. Corola 3,4— 3,8 cm compr., infundibuliforme, glabra, alva. Estames 4 menores e 1 maior, insertos, com tricomas na base; disco nectarífero presente; ovário globoso, 4-locular, 1 óvulo por lóculo. Cápsula ca. 1 cm compr., globosa. Material examinado: Mata dc piedade, 23.XI.2009, J.D. Garcia 1304 (UFP); 19.XII.2007, fl„ 4. Alves- Araújo & D. Araújo 723 (IPA, UFP); Mata de Vespas, 12. XI.2007, fl. c fr., P.Y. Ojima 103 (IPA, UFP). Amplamente distribuída na América do Sul (O Donell 1941; Austin 1998b). No Brasil, é frequente principalmente em áreas de Mata Atlântica. Na Usina São José, é comum e facilmente reconhecida pelas folhas palmadas e, quando cm frutificação, pelas cápsulas com sépalas persistentes, acrescentes e com coloração dourada. 12. Merremia umbellata (L.) Hallier f„ Bot. Jahrb. Syst. 1 6(4-5): 552. 1 893. Fig. 4 i-j Trepadeira herbácea, látex não observado. Ramos puberulentos. Folhas 3,7-8, 8 x 1 ,8-6,2 cm, membranáceas, inteiras a discretamente sinuosas, ovadas, base profundamente cordada, ápice acuminado a mucrunado, face abaxial com tricomas restritos à região das nervuras secundárias, face adaxial glabresccnte; venação actinódroma, 6 pares de nervuras secundárias. Pecíolo 1-4,5 cm compr., tomentuloso. Umbela 6-8-fiora, pedicelos ca. 1 ,5 cm compr., glabros; pedúnculo 4,8-8, 2 cm compr. Sépalas subiguais, 9- 1 0 x 6-8 mm compr., côncavas, largamente elípticas, base arredondada, ápice obtuso, glabras. Corola ca. 3 cm compr., infundibuliforme, tubo muito estreito na base, glabra, tricomas às vezes restritos ao ápice das plicas, amarela. Estames ca. 4 mm compr., insertos, com tricomas na base; disco nectarífero presente; ovário 2-locular, 2 óvulos por lóculo. Cápsula ca. 1 ,5 cm compr., globosa. Material examinado: Mata de Piedade, I7.IX.2009, fl., J.D. Garcia 1121 (UFP); Mata de Zambana, I9.X.2007, fi. e fr., A. AWes-Araúja et al. 665 (IPA, UFP). Rodriguésia 62( 1 ): 093- 1 05. 20 1 l 6 SciELO/JBRJ 13 14 cm .. Convolvulaceae da Usina Sào José, PE Figura 4 - a-g. Jacquemontia sphaerostigma ( Garcia 11 17) -a. ramo florífero; b. inflorescência; c. tricomas, da esquerda para direita, simples, 3-ramificado com 1 braço bem mais longo, 6-ramificado com 1 braço bem mais longo, 3-rami ficado com todos os braços iguais, glandular ; d. flor, e. androceu e gineceu; f. fruto; g. semente, face dorsal à esquerda, face ventral à direta, h. Merremia macrocalyx ( Ojima 103) - ramo florífero. i-j. M. umbellata ( Alves - Araújo 665) - i. ramo florífero; j. detalhe das anteras e lobos estigmáticos. Hgure 4 - a-g. Jacquemontia sphaerostigma (Garcia 1117) - a. fertile branch; b. inflorescence; c. trichomes, from left to right, simple, 3-branchcd with 1 arm longer, 6-branched with 1 arm longer, 3-brached with equal arms, glandular; d. Power; e. androecium and gynoccium; f. fruit; g. seed, dorsal face at left, ventral face at right. h. Merremia macrocalyx ( Ojima 103) - fertile branch. i-j. M. umbellata (Alves-Araújo 665) - i. fertile branch; j. detail of anthers and stigmatic lobes. Rodriguésia 62 ( 1 )'. 093 - 1 05 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. 104 Pantropical (Austin 1998b), bastante cultivada como ornamental. Na Usina São José, ocorre principalmente nas bordas dos fragmentos, e pode ser facilmente reconhecida quando em estágio florífero, pela coloração amarela intensa da corola. Agradecimentos A primeira autora agradece à FACEPE, a bolsa de Doutorado concedida, aos curadores dos Herbários visitados, a presteza durante a consulta das coleções, à Regina Carvalho as ilustrações botânicas, e à Dra. Rosângela Simão- Bianchini pelas valiosas discussões sobre Convolvulaceae. Este estudo foi apoiado pela FACEPE e pelo CNPq. Referências Alves-Araújo, A. & Alves, M. 2010. Flora da Usina São José, Igarassu. Pernambuco: Sapotaceae. Rodriguésia 6 1 : 303-3 1 8. Alves-Araújo, A.; Araújo, D.; Marques, J.; Melo, A.; Maciel, J.R.; Uirapuâ, J.; Pontes, T.; Lucena. M.F.A.; du Bocage, A.L. & Alves, M. 2008. Diversity of angiosperms in fragments of Atlantic Foresl in the state of Pernambuco. Northeastem Brazil. Bioremediation, Biodiverstity and Bioavailabilily 2: 14-26. Austin, D.F. 1975. Family 164: Convolvulaceae. In: VVoodson, R.E. & Schery, R.W. (orgs.) Flora of Panama. Part IX. Annals of the Missouri Botanical Garden 62: 157-224. Austin, D.F. 1998a. Convolvulaceae. Moming Glory family. Journal of the Arizona-Nevada Academy of Science 30: 61 -83. Austin, D.F. 1998b. Convolvulaceae. In: Steycrmark, J.A.; Berry, P.E. & Holst, B.K. (eds.). Flora of the Venezuelan Guayana, 4. Missouri Botanical Garden Press, Saint Louis. Pp. 377-424. Austin, D.F. & Cavalcante, P.B. 1982. Convolvuláceas da Amazônia. Museu Paraense Emilio Gocldi, Belém. 134p. Austin, D.F. & Huáman, Z. 1 996. A synopsis of Ipomoea (Convolvulaceae) in the Américas. Taxon 45: 3-38. Buril. M.T. 2009. Convolvulaceae. In: Alves, M.; Araújo, M.F.; Maciel, J.R. & Martins, S. (es.). 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Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo 1 6: 1 25- 1 49. Rodriguésia 62 ( 1 ): 093 - 1 05 . 20 1 1 ISciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Convolvulaceae da Usina São José, PE 105 Simão-Bianchini, R. & Pirani, J.R. 2005. Duas novas espécies de Convolvulaceae de Minas Gerais, Brasil. Hoehnea 32: 295-300. Smith, N.; Mori, A.; Henderson, A.; Stevenson, D.VV. & Heald, S.V. 2004. Flowering plants of the Neotropics. Princeton University Press, Princeton. Pp. 229-232. Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2005. Botânica sistemática. Instituto Plantarum de Estudos da Flora, Nova Odessa. 640p. Steam, W.T. 2004. Botanical Latin. 4 ed. David & Charles Publishers, Newton Abbot. 546p. Thiers, B. 2009 [continuously updated]. Index Herbaríorum: a global directory of public herbaria and associated staff. New York Botanical Garden s Virtual Hcrbariutn. Disponível em Aacesso em 15 fevereiro 2010. Tibiriçá, Y.J.A.; Coelho, L.F.M. & Moura. L.C. 2006. 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Lista de Exsicatas Alvcs-Araújo, A. 531 (8); 665 (12); 723 (II); Carvalho, A.M. 3511 (1); Cavalcanti, D. 25 (2); Chisppeta, A. 556 (1); Garcia, J.D. 935 (7); 976 (1); 977 (9); 990 (9); 1088 (3); 1095 (9); 1099 (9); 1100 (6); 1104 (9); 1 117 (10); 1121 (12); 1159 (3); 1161 (9); 1212 (4); 1216(1); 1251 (6); 1304 U 1); 1339 (1); Melo, M. 95 (9); 141 (4); 358 (7); Nascimento, L.M. 655 (5); Ojima, P.Y. 103 (1 1); 1 10 (3); 1 15 (3); Pinheiro, K. 1 14 (6); Sobrinho, M.S. 576 (2). Artigo recebido em 06/04/2010. Aceito para publicação em 28/07/2010. Rodriguèsiá 62( 1 ): 093- 1 05. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Rodríguésia 62(1): 107-122. 2011 http: / /rodriguesia.jbtj.gov.br m Machaerium (Leguminosae, Papilionoideae, Dalbergieae) nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Brasil Machaerium ( Leguminosae , Papilionoideae, Dalbergieae) from theMato Grosso and Mato Grosso do Sul States, Brazil X Caroline do Amaral Polido 1 & Ângela Lúcia Bagnatori Sartori 2 Resumo Neste estudo, sào confirmados 1 8 táxons de Machaerium para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Dos 1 5 táxons ocorrentes em Mato Grosso, seis são citados pela primeira vez no Estado: M. biovulatum, M. floribundum var. floribundum, M. macrophyllum var. macrophyllum, M. paraguariense, M. quinatum var. parviflorum e M. quinatum var. quinatum. Das nove espécies ocorrentes no Mato Grosso do Sul, M. eriocarpum e M. isadelphum sào novas ocorrências para o Estado. O gênero encontra-se amplamente distribuído nos Estados e está representado em diversas formações vegetacionais. São apresentadas chave analítica, descrições e informações sobre a fenologia e os ambientes preferenciais de cada táxon, além de ilustrações para determinados táxons. Palavras-chave: Centro-Oeste, Fabaceae, florística. Jacarandá, taxonomia. Abstract In this study, 18 taxa of Machaerium are confirmed for Mato Grosso and Mato Grosso do Sul. Amongst the 1 5 taxa occurring in Mato Grosso, six were cited for the first time in the State: M. biovulatum , M. floribundum var. floribundum, M. macrophyllum var. macrophyllum , M. paraguariense, M. quinatum var. parviflorum, and M. quinatum var. quinatum. Amongst the nine species confirmed for Mato Grosso do Sul, M. eriocarpum and M. isadelphum are new records for the State. The genus is widely distributed in the States and is represented in vanous vegetational formations. Analytical key, descriptions, and information on the phenology and preferential environments of each taxon are presented, besides illustrations for certain taxa. Kev words: Center-West Brazil, Fabaceae, floristics, Jacarandá, taxonomy. Introdução Machaerium Pers. é um dos maiores gêneros arbóreos tropicais de Papilionoideae (Leguminosae), com cerca de 1 30 táxons, distribuídos do México à Argentina, com centro de diversidade no Brasil (Lewis etal. 2005). Em geral, espécies do gênero são popularmente conhecidas como jacarandás ou caviúnas, e apresentam importância econômica e ecológica, sendo utilizadas para a recomposição de áreas degradadas (Lorenzi 1 992, 1 998; Pott & Pott 1 994). Diversos trabalhos foram realizados com Machaerium no Brasil (Bentham 1862; Hoehne 1941; Bastos 1987; Lewis 1987; Lima etal. 1994; Mcndonça-Filho 1996; Dubs 1998; Sartori & Tozzi 1998; Bortoluzzi etal. 2004; Camargo, 2005; Lima et al. 2007; Mendonça-Filho et ai 2007; Polido & Sartori 2007). Estudos florísticos e fitossociológicos ainda são incipientes em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, porém confirmam a ampla distribuição do gênero e sua importante representatividade nas diferentes formações vegetacionais (Pinto & Oliveira- Filho 1999; Damasceno Junior etal. 2000; Marimon & Lima 2001 ; Salis et al. 2004; Borges & Shepherd 2005; Daniel & Arruda 2005; Pinto & Hay 2005). Os objetivos deste estudo foram realizar o levantamento das espécies de Machaerium ocorrentes em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e fornecer chave analítica, descrições, ilustrações e informações sobre a floração, a frutificação e os ambientes preferenciais de cada táxon. 'Universidade Estadual de Campinas, Instituto dc Biologia. Dcpio. Biologia Vegetal. Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, C.P. 6 1 09, 1 3083-970, Campinas, SP. 'Universidade Federal dc Mato Grosso do Sul, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Depto. Biologia, Programa de Pós-Graduação cm Biologia Vegetal, C.P. 549. 79070-900, Campo Grande, MS. Autora para correspondência: albsartori @gmail.com ISciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 108 Polido. CA. & Sõrtori. ALE Material e Métodos Foram examinadas 210 exsicatas depositadas nos herbários nacionais, além de materiais-tipo ou foto de tipos disponíveis. A sigla dos herbários segue Holmgren & Holmgren (1998). As plantas foram identificadas a partir da literatura e de comparações. A chave de identificação e as descrições foram baseadas nas análises morfológicas de espécimes coletados nos dois Estados, complementadas pelas informações dos coletores e observações em campo. Para espécies que não apresentavam flores e frutos foram utilizados dados de bibliografias específicas. A terminologia morfológica adotada nas descrições foi baseada em Font Quer (1953), Hickey (1973), Radford et al. (1974), Harris& Harris(1994)e Barroso etal. (1999). As mensurações foram feitas com paquímetro digital. Informações a respeito do período reprodutivo, distribuição geográfica e ambiente preferencial das espécies foram obtidas das etiquetas de herbário, consulta bibliográfica e observações em campo. As formações vegetacionais foram classificadas de acordo com o IBGE ( 1 992). Foram ilustrados os 10 táxons não incluídos no levantamento de Machaerium para o Pantanal (Polido & Sartori 2007). As ilustrações foram realizadas a partir de material herborizado e hidratado, com auxílio de câmara-clara acoplada a estereomicroscópio Zeiss. Tratamento Taxonômico Machaerium Pcrs., Syn. pl. 2: 276. 1807. Tipo: M. ferrugineum (Willd.) Pers. Árvore, arvoreta, arbusto a liana; ramos geralmente com sulcos longitudinais, raramente transversais (A/, villosum): estipulas quando transformadas em espinhos persistentes, aos pares na base da folha; lenticclas e exsudado em geral presentes; catáfilos raramente evidentes (A/, villosum). Folhas imparipinadas, sem estipela; folíolos sésseis, subsésseis ou pedicelados, alternos ou subopostos, concolores ou discolores, de formas variadas, nervação broquidódroma ou craspcdódroma. Inflorescências paniculadas ou racemosas, axilares e/ou terminais; brácteas geralmente caducas. Flores sésseis, subsésseis ou pcdiceladas; bractéolas adpressas ao cálice; cálice campanulado ou cilíndrico, 5 lacínios; corola de diversas colorações; estandarte às vezes com mácula amarela, alva ou creme na base; asa com unguícula linear, esculturas difusas, com dobras na face ventral; pétalas da quilha conatas dorsalmente, elípticas ou oblongas; estames 10. raramente 8 (A/, acutifolium). monadelfos, raramente cm duas falanges pentâmeras (A/. aculeatum, M. hirtum, M. isadelphum ), diadelfos (A/, brasiliense), filetes de alturas iguais ou diferentes, glabros, anteras elípticas, oblongas, ovadas ou triangulares, dorsifixas, inlrorsas; ovário estipitado. uniovulado, com disco nectarífero anelar na base, estigma capitado ou clavado. Fruto sâmara, cultrifomie ou falciforme. estipitado, região seminífera basal, asa apical, reticulada, raramente legume samaroide (A/, immdatum). Chave para os táxons de Machaerium ocorrentes em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul 1. Folíolos com nervação broquidódroma. 2 Folhas com 19 ou mais folíolos 1 8. A/, villosum 2’. Folhas com menos de 1 9 folíolos. 3. Folíolos ovados ou largo-ovados. raramente largo-elípticos. 4. Folíolos de ápice acuminado, inflorescências paniculadas, frutos legumes samaroides 9. M. immdatum 4’. Folíolos de ápice cuspidado a raramente acuminado, inflorescências racemosas, frutos sâmaras 1 3. M. paraguariense y. Folíolos lanceolados, oblongo-lanceolados, oblongo-elípticos ou oval-lanceolados. 5. Pecíolo e raque vilosos a esparso- vi losos 5. A/, brasiliense 5’. Pecíolo e raque nunca vilosos a esparso-vilosos. 6. Folhas 5-foliolada, cálice viloso, bractéola ovada 1 1 . M. macrophyllum var. macrophyllum 6’. Folha 9-1 7-foliolada, cálice glabrescente, tomenloso no ápice, bractéola geralmentc ovado-comprimida. Rodfiguéíiá 62( I ): 1 07- 1 22. 20 1 1 ■SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Machaerium no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul \ 09 7. Pecíolo pubescente a glabro, folíolos em geral lanceolados ou oblongo-lanceolados, região seminífera mais que 3 cm compr 2. M. acutifolium T. Pecíolo tomentoso a glabrescente, folíolos em geral elípticos, região seminífera menos que 3 cm compr. 17. M. stipilatum 1 Folíolos com nervação craspedódroma. 8. Estipulas não modificadas em espinhos. 9. Arbusto escandente, face abaxial dos folíolos serícea 7. M. floribundum var.floribundum 9’. Arvoreta, face abaxial dos folíolos puberulenta ou glabrescente. 10. Folíolos elípticos ou largo-elípticos, de ápice arredondado ou obtuso, cálice campanulado 15. M. quinatum var. parviflorum 10’. Folíolos lanceolados ou oblongo-lanceolados, de ápice acuminado ou agudo, cálice cilíndrico 1 6. M. quinatum var. quinatum 8’. Estipulas modificadas em espinhos. 1 1. Espinhos retilíneos na base da folha. 12. Folíolos oblongos ou estreito-oblongos, de ápice retuso, cálice campanulado 8. M. hirtum 12’. Folíolos elípticos ou estreito-elípticos, de ápice agudo, cálice cilíndrico 1 4. M. pilosum 1 1’. Espinhos recurvados na base da folha. 13. Folíolos sésseis 12. M. multifoliolatum 13’. Folíolos subsésseis ou peciolados. 14. Pecíolo e raquc com dois tipos de revestimento (esparso-setosos e vilosos), folíolos oblongos ou estreito-oblongos 10. A/, isadelphum 14’. Pecíolo e raque com apenas um tipo de revestimento, folíolos elípticos, estreito- elípticos ou largo-elípticos. 1 5. Arvore, sâmaras falciformes. 16. Espinhos mais que 2 mm compr., folíolos de ápice emarginado ou retuso, cálice extemamente seríceo, região seminífera castanho-escura, estrigosa e tomentosa 4. M. biovulatum 16’. Espinhos até 2 mm compr., folíolos de ápice agudo ou apiculado, cálice extemamente glabrescente, região seminífera acinzentada, tomentosa a puberulenta 6. M. eriocarpum 15’. Arbusto escandente ou liana, sâmaras cultriformes. 1 7. Ramos vilosos, folhas 29-39 folioladas, cálice campanulado, flores com asa oblonga 1. Af. aculeatum 17'. Ramos glabros, folhas 9-17 folioladas, cálice cilíndrico, flores com asa elíptica ou estreito-elíptica 3. M. amplum 1. Machaerium aculeatum Raddi, Mem. Mat. Fis. Soc. Ital. Sei. Modena, Pt. Mem. Fis. 18(2): 398. 1 820. Arbustos escandentes, 2,5-4 m alt., às vezes lianas; ramos vilosos; espinhos recurvados, ca. 6 mm compr.; lenlicclas inconspícuas, exsudado acastanhado. Folhas 29-39-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo vilosos a glabrescentes, pecíolo 1 -2 cm compr., raque 1 0,5-1 6,5 cm compr., peciólulo 1-1,5 mm compr.; folíolos peciolados, alternos, discolores, scríccos a glabrescentes, elípticos ou estreito-elípticos, base arredondada, às vezes Rodríguéíía 62 ( 1 ): 1 07 - 1 22 . 20 1 1 equilateral, ápice emarginado ou retuso, nervação craspedódroma, 2-3,5 x 0,5-1 cm. Panículas terminais, axilares, eixos vilosos, o principal ca. 16 cm compr. Flores subsésseis, pedicelos vilosos, ca. 1 mm compr.; bractéolas internamente glabras, externamente esparso-tomentosas a glabras, elípticas ou largo-ovadas, 2,5-3,5 x 2,5-3 mm; cálice campanulado, glabro, lacínios superiores oblongos, os inferiores estreito-oblongos, ca. 6 mm compr.; corola lilás ou rosa; estandarte ventralmente glabro, com mácula amarela, dorsalmente seríceo, largo- SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. 1 10 ovado, ápice obcordado, às vezes retuso, ca. 8 x 5 mm; asa e pétalas da quilha glabras, oblongas, asa 8- 9 x 5-6 mm, pétalas da quilha 7-7,5 x 4-5 mm; androceu monadelfo, filetes de mesma altura anteras elípticas; ovário velutino, estigma capitado. Sâmaras cultriformes, estipe tomentoso, ca 2 mm compr., região seminífera glabra, castanho-escura, 1-2 x 0,5-1 cm, asa glabra, oblonga, castanho-clara, pontuações enegrecidas dispersas, 1 ,5-4,5 x 1-1 ,5 cm. Material selecionado: MATO GROSSO DO SUL: Corumbá. 9.IX.2004, 0.. R.R. Silva & R. Silva 1120 (CGMS, UEC); 26.XI.2004. fr.. R.R. Silva & R. Silva 1329 (CGMS. UEC). Ladário, 18.X.200I. fr., G.A. Damasceno Junior et al. 2816 (CGMS, COR). Miranda, 1 .VIII. 1996, O., M. Nadruz et al. 12591 RB). Machaerium aculeatum caracteriza-se pelos espinhos recurvados, folíolos elípticos ou estreito- elípticos, de ápice emarginado ou retuso, asa c pétalas da quilha oblongas e filetes com duas falanges pentâmeras. Estudos realizados no Rio de Janeiro (Lima 1995) e em Minas Gerais (Mendonça- Filho 1 996) relatam a espécie como liana, porém seu hábito parece variar de arbustivo escandente (Silva 1120 , 1329) a lianescente ( Damasceno-Júnior 2816). Os espinhos recurvados a diferenciam de M. hirtum c de M. pilosum. que possuem espinhos retilíneos. Também pode ser distinguidas de M. hirtum a partir de dados citotaxonômicos (Mendonça-Filho et al. 2007) e de M. isadelphum pelos folíolos, que são oblongos ou estreito- oblongos naquela espécie. E restrita ao noroeste de Mato Grosso do Sul, podendo ser encontrada em floresta estacionai semidecidual, Savana (Cerrado) e Savana florestada (Cerradão). Floresce nos meses de agosto e setembro, frutificando em outubro e novembro. 2. Machaerium acutifolium Vogei, Linnaea 11: 187. 1837. Arvoretas a árvores, 2,5-18 m alt.; ramos glabros, às vezes esparso-seríceos; estipulas não modificadas em espinhos; lenticelas esbranquiçadas, exsudado acastanhado. Folhas 9- 17-folioladas; pecíolo e raque pubescentes a glabros, pecíolo 2-5,5 cm compr., raque 6-19,5 cm compr., peciólulo viloso a glabrcscente, 2-6 mm compr.; folíolos peciolados, alternos ou subopostos, concolores, glabros, tomenlosos a esparso-tomentosos sobre a nervura principal da face abaxial, lanceolados ou oblongo-lanceolados, raramente oval-lanccolados, base arredondada ou atenuada, às vezes oblíqua, ápice agudo, raramente acuminado, nervação broquidódroma, 4-8 x 1 ,5-3 Polido. CA. & Sartori. A.LB. \ cm. Panículas terminais, axilares, eixos glabrescentes a glabros, o principal 3,5-9,5 cm compr. Flores sésseis ou subsésseis, pedicelos vilosos, ca. 1 mm compr.; bractéolas intemamente glabras, externamente tomentosas, ovadas- comprimidas, 0,5-1, 5 x 1,5-2 mm; cálice campanulado, intemamente glabro, externamente glabrescente, ápice tomentoso, lacínios superiores elípticos, inferiores estreito-elípticos, 1-3 mm compr.; corola alva ou creme; estandarte ventralmente glabro, dorsalmente denso-seríceo, obovado, raramente ovado, ápice obtuso ou retuso. 5.5- 7 x 2,5-6 mm; asa e pétalas da quilha glabras, estreito-oblongas, asa4,5-7.5 x 1 ,5-2,5 mm, pétalas da quilha 6-7 x 1 ,5-3 mm, tomentosas na região da unguícula; androceu monadelfo, filetes de alturas diferentes, anteras oblongas ou triangulares; ovário velutino, estigma capitado. Sãmaras tenuemente falciformes; estipe tomentoso a glabrescente, 5- 1 1 mm compr., região seminífera esparso-pubesccntc a glabra, marrom, 3,5-4 .5 x 1 -2 cm. asa glabrescente, elíptica, castanho-clara, discolor na região seminífera, com pontuações brilhantes dispersas, 3.5- 6 x 1-2,5 cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Alto Paraguai, 20.V.1997, fr., V.C. Souza et al. 16687 (C GMS, ESA). Aripuanã, 3. VII. 1 997, fr., G.F. Árbocz et al. 4071 (CGMS, ESA). Barra do Garças, 22.V11I.1972, fl„ J.A. Ratter et al. s/n (UB 4552). Chapada dos Guimarães, 23.11.1997, fr., A.G. Nave et al. 1193 (CGMS, ESA). Cuiabá, 1. XI. 1914, f|„ J.G. Kuhlmann 426 (RB); 3. II. 1979, 11.. M.G. Silva & A. Pinheiro 4423 (INPA. RB). Diamantino, 1 5. V. 1 997, fr., V. C. Souza et al. 16185 (CGMS, ESA). Guarantà do Norte, 8. X. 1993, fr.. V.C. Souza et al. 16185 (CH). Nova Xavantina, 28.111.1997, fr., G.F. Árbocz et al. 3690 (CGMS. ESA). Ponte Branca, 20.1.1988. fr „J. Ramos et al. 362 (INPA, RB). Pontes e Lacerda, 9.XI. 1 996. fl„ G. Hatschbach et al. 65479 ( RB ); 14.IV. 1997, fr., G.F. Árbocz 3777 ( ESA). Rosário Oeste, 9.X. 1997. fl„ V.C. Souza et al. 20505 (CGMS. ESA). MATO GROSSO DO SUL: Aquidauana, 15.XII.I999, fl„ M.S. Ferrucci 1472 (ESA). Bataguaçu, 24.XI.1992, fl.. /. Cordeiro et al. 1196 (SP). Bela Vista, 1 1. II. 1993, fr., G. Hatschbach et al. 58886 (SPSF). Bonito, 8.XI.2002, fl.,A. Pottetal. /0500(HMS).CampoGrande, 19.V1II.2004, fl.. A. Pott & V.J. Pott 7065 (HMS). Corumbá. I6.IX.1987, fr., A. Pott et al. 3430 (CPAP, HMS). Coxim, 23.11.1994. fr., A. Pott & V.J. Pott 661 6 (CPAP. CGMS). Dourados. 19. X. 1999, boi., A. Sciamarelli <5 Z.V. Pereira 770 (DDMS). Miranda, 1. VI. 2006, fl.. C.R. Lehn et al. s/n (CGMS 17591). Nioaquc, 20.X.1988, fl., G. Hatschbach et al. 52427 (BS A. INPA, MBM). Nova Andradina, 24. X. 1986. fl.. U. Pastore <& R.M. Klein 132 (RB). Pirapuianga, 16.VI.2002, fr.. A.L.II Sartori et al. 921 (CGMS, DDMS). Selvíria. Rodríguèsiã 62 ( 1 ): 107 - 122.2011 ISciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Machaerium no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul 19.XII.1984, fr., M.R. Pereira-Noronha 478 (RB); 6. XI. 1985, n., A.M.A. Tozzi et al. s/n (HRCB 9931, SP 224627, UB 139). Sidrolândia, 12.IX.2001, 11.. A. SciamareUi et al. 998 (CGMS). Tcrcnos. 30.111.1996, fr., A. Pott & S.G. Nunes 7734 (CPAP. HMS). Três Lagoas. 30.X1I.2004, fr., E.L Jacques et al. 1658 (CEUL, CGMS). Material adicional selecionado: MINAS GERAIS: São João Batista, 1837, II.. J.E. Pohl s/n. (foto K). Machaerium aciitifolium é reconhecida pelos folíolos lanceolados ou oblongo-lanceolados, caule com sulcos longitudinais e cicatrizes horizontais (Sartori & Tozzi 1 998), estandarte denso-senceo na face dorsal e sâmaras tenuemente falciformes. Pode ser confundida com M. brasiliense e M. villosum devido à forma e dimensão dos folíolos. Entretanto, M. acutifolium possui pecíolo e raque pubescentes a glabros, enquanto em M. brasiliense eles são vilosos a esparso-vilosos, e seus folíolos são glabros, enquanto em M. villosum eles são velutinos a esparso-velutinos. Neste estudo, a variação morfológica não permitiu o reconhecimento de táxons infraespecíficos, pautados na morfologia dos folíolos c no comprimento das flores. A espécie está amplamente distribuída em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. principalmente em Savana (Cerrado) e Savana Florestada (Cerradão), mas também ocorre em Florestas Estacionais Decidual e Semidecidual e Floresta Ombrófila Densa. Floresce e frutifica simultaneamente, o ano todo. 3. Machaerium aniplum Benth., Cornm. Legum. Gen.:33. 1837. Arbustos escandentes, 2-4 m alt.; ramos glabros; espinhos recurvados, 2-6 mm compr.; lenticelas esbranquiçadas, exsudado amarelado. Folhas 9-17-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo pubescentes a glabrescente, pecíolo 1-2,5 cm compr.. raque 3-9,5 cm compr., peciólulo 1-3 cm compr.; folíolos peciolados, alternos, discolores, glabros, seríceos a esparso-seríceos sobre a nervura principal da face abaxial, elípticos, oblongo-elípticos ou largo-elípticos, base arredondada, ápice retuso, às vezes apiculado, nervação craspedódroma, 2- 3,5 x 0,5-2 cm. Panículas terminais, axilares, eixos lomcntosos, o principal 5,5-15,5 cm compr. Flores pediceladas, pedicelos tomentosos, 1-2,5 mm compr.; bractéolas glabras, largo-elípticas ou largo- ovadas, 1,5-3 x 1, 5-2,5 mm; cálice cilíndrico, csparso-tomentoso a glabro, lacínios superiores oblongos, inferiores estreito-oblongos, 4-5 mm compr.; corola azul, lilás ou roxa; estandarte ventralmente glabro, com mácula alva ou creme, Rodriguésia 62< I ): 1 07- 1 22. 20 1 1 1 1 I dorsalmente seríceo, obovado ou ovado, ápice obtuso ou retuso. 8-13 x6,5-7.5 mm; asa e pétalas da quilha glabras, asa elíptica ou estreito-elíptica, aurícula breve, 8,5-13 x 3,5 — 4.5 mm, pétalas da quilha oblongas, 11-13 x 3,5-5 mm; androceu monadelfo, filetes de mesma altura, anteras elípticas; ovário esparso-velutino, estigma clavado. Sâmaras cultriformes, estipe velutino, 6-9 mm compr., região seminífera tomentosa a glabra, castanho-escura; 1-2,5 x 0.5-1 cm, asa tomentosa a glabra. oblonga, castanho- clara, discolor na região seminífera, 2-3,5 x 0,5-1 ,5 cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Alta Floresta, 29.VI. 1 988, fl„ M. Macedo & A. Assumpção 63 (BHCB. INPA); 15.111. 1 989, fr., M. Macedo & A. Assumpção s/n (INPA 176628). Barra do Garças, 21. IV. 1978. 11, G.J. Shepherd et al. 751 1 ( RB). Cuiabá, 22. VII. 1 976, fr.. A.A. Maciel et al. 1 79 (INPA). Gaúcha do Norte, 29.111.1979, 11 , F. Dario et al. 1 149 (CGMS, ES A). Jauru. 24.IV. 1 997, fl. G.F. Árbocz 3811 (CGMS, ESA). Nortelândia, 2I.V.I997, fr., V.C. Souza et al. 16752 (ESA). Nova Ubiratã, 28.IV. 1997, II, A.G. Nave et al. 1333 (CGMS, ESA). Nova Xavantina, 2.V.1968, fl., R.R. Santos et al. s/n ( RB 1 65758, UB 4742). Pontes e Lacerda. 4. V. 1983, 11. L Carreira et al. 670 (INPA). Ribeirão Cascalheira, 18. VIII. 1998, fr.. J.A. Ratter et al. s/n (CH 23619, UB 8089). Rio Branco, 1 1.V.1995, fl., G. Hatschbach et al. 62635 (MBM, RB). MATO GROSSO DO SUL: Anastácio, 20.X.1988, 0., G. Hatschbach et al. 52446 (INPA). Aquidauana, 15. V. 1989, II, A. Pott á C.A. Mazza 4773 (CPAP, HMS). Campo Grande, 19. IX. 2006, fl. e fr.. C.A. Polido 42 (CGMS). Corumbá, 25. VI. 1 985, II e fr., A. Pott & V.J. Pott 1942 (CPAP, HMS). Coxim, 1.V.191 1. fl.. E.C. Hoehne 2550 (RB. SP). Dourados, 4. VIII. 2001, fr.. A. Sciamarelli et al. 919 (CGMS, DDMS). Miranda. 17. VIII. 1990, fr., U.M. Resende 163 (CGMS). Nioaque, 2. V. 1995, fl., G. Hatschbach et al. 62210 (BHCB. MBM). Material adicional selecionado: GOIÁS: Caretão, 1837, 11. J.E. Pohl s/n. (foto UEC). Machaerium amplum caracteriza-se pelo hábito escandente, espinhos recurvados e folíolos elípticos ou oblongo-elípticos, com nervação craspedódroma, corola azul, lilás ou roxa, com mácula alva ou creme e ovário esparso-velutino. Apesar da semelhança nos folíolos, M. amplum diferencia-se de M. biovulatum pelo hábito escandente e pelos folíolos menores, com até 3,5 cm compr. Está amplamente representada nos dois Estados, exceto na Região Leste de Mato Grosso do Sul. Ocorre principalmente em Savana (Cerrado) e Savana Florestada, podendo ser encontrada também em Floresta Estacionai Decidual e Florestas Ombrófilas Aberta Submontana e Densa. Floresce de março a outubro e frutifica de maio a outubro. SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 112 4. Machaerium biovulatum Micheli, Mém. Soc. Phys. Genève 34: 265; pl. 15. 1903. Fig. 1 a-j Árvores ca. 5 m alt.; ramos pubescentes; espinhos recurvados, ca. 6 mm compr.; lenticclas conspícuas, exsudado não observado. Folhas 1 7- 3 1-folioladas; pecíolo e raque tomentosos a glabrescentes, pecíolo 1,5-4, 5 cm compr., raque 1 2,5-2 1 cm compr., peciólulo viloso a glabrescente, ca. 4 mm compr.; folíolos peciolados, alternos, discolores, glabrescentes, seríceos sobre nervura principal da face abaxial, elípticos, oblongo-elípticos ou largo-elípticos, os apicais obovados, base oblíqua, ápice emarginado ou retuso, nervação craspedódroma, 4-6 x 1-2,5 cm. Panículas terminais, axilares, eixos velutinos, o principal ca. 26 cm compr. Flores pediceladas, pedicelos velutinos, 2—4 mm compr.; bractéolas internamente glabras, externamente tomentosas a esparso-tomentosas, largo-ovadas, ca. 3 x 2,5-3 mm; cálice campanulado, internamente glabro, extemamcnte seríceo, lacínios superiores oblongos, inferiores estreito-oblongos, ca. 4,5 mm compr.; corola lilás; estandarte ventralmente glabro, dorsalmente esparso-seríceo, largo-elíptico, ápice retuso, ca. 1 2,5 x 8,5 mm; asa e pétalas da quilha glabras, asa 12-13 x 3,5-5 mm, elíptica, pétalas da quilha 9,5-10,5 x 7-8 mm, oblongas; androceu monadelfo, filetes de mesma altura, anteras oblongas; ovário velutino, estigma clavado. Sâmaras falciformes, estipe velutino, 7-9 mm compr., região seminífera estrigosa e tomentosa, castanho-escura, 1-2 x 0,5-1 cm, asa estrigosa e tomentosa, oblonga, castanho-clara, 3—4 x 1-1 ,5 cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Figueirópolis d’Oeste, 8.V. 1 995. 11., G. Hatschbach et al. 62489 (ESA, MBM). Indiavaí, 8.V.I995, fr„ G. Hatschbach et al. 62497 (MBM, RB). Machaerium biovulatum apresenta como características diagnósticas o hábito arbóreo, eixo da inflorescência e pedicelo velutinos, região seminífera estrigosa e tomentosa. Esta amplamente distribuída na América Central, Venezuela e Brasil (Lozano & Klitgaard 2006). Foi encontrada na região sudoeste de Mato Grosso, sendo sua ocorrência inédita para o estado. Habita exclusivamente Floresta Ombrófila Densa. Floresce e frutifica em maio. 5. Machaerium brasilietise Vogei, Linnaea 11: 185. 1837. Fig. 1 k-1 Árvores até 23 m alt.; ramos tomentosos a glabrescentes; estipulas não modificadas em espinhos; Icnticelas amareladas, exsudado amarronzado. Folhas 7-9-folioladas; pecíolo, raque Polido, CA. & Sartorí, A.LB. e peciólulo vilosos a esparso- vilosos, pecíolo 3,5- 5 cm compr., raque 6,5-10.5 cm compr.. peciólulo 5- 7 mm compr.; folíolos peciolados, alternos ou subopostos, concolores, glabros, vilosos sobre a nervura principal da face abaxial, oblongo-elípticos ou oblongo-Ianceolados, base equilateral, ápice acuminado, nervação broquidódroma, 6,5-9,5 x 2- 3 cm. Racemos simples, axilares, eixos ferrugíneo- vilosos. Flores pediceladas, pedicelos ferrugíneo- vilosos, ca. 1 mm compr.; bractéolas ferrugíneo- vilosas, linear, ca. 2 mm compr.; cálice campanulado, ferrugíneo-tomentoso externamente, ca. 3 mm compr.; corola creme-esvcrdeada; estandarte dorsalmente seríceo na metade superior, orbicular, 6- 7 x ca. 5 mm; asa e pétalas da quilha 7-8 x ca. 3 mm, oblongas, seríceas na unguícula da asa e no dorso das pétalas da quilha; androceu diadelfo, filetes de alturas diferentes, anteras oblongas a elípticas; ovário esparsamente ferrugíneo-vilosos (Sartori & Tozzi, 1998). Sâmaras tenuemente falciformes, estipe glabro, ca. 1 mm compr., região seminífera esparso-pubcscente a glabra. marrom, 2-3 x 1-2 cm, asa glabrescente, elíptica, castanho- escura, manchas claras próximas da região seminífera, 4,5-6 x 1,5- cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Chapada dos Guimarães, 6.X. 1984, fr., J.R. Borges et al. 137 (INPA, UB). Jauru, 6.VI.I995, S.M. Salis et al. 908 (CPAP). Pontes c Lacerda, 1 5 .IX. 1 997, fr., A. G. Nave et al. 2172 (CGMS, ESA). Machaerium brasilietise é reconhecida pelo revestimento viloso a esparso- viloso no pecíolo, raque e face abaxial dos folíolos, além da sâmara tenuemente falciforme. Ocorre nas regiões ccntro- sul e sudoeste de Mato Grosso; ocorre em Floresta Estacionai Semidecidual e Savana Florestada (Ccrradâo). Floração não observada; frutificação em setembro e outubro. 6. Machaerium eriocarpum Benlh.,Comm. Lcgum. Gcn.: 34. 1837. Árvores 2-8 m alt.; ramos pubescentes a glabrescentes; espinhos recurvados, ca. 2 mm compr.; Icnticelas inconspícuas, exsudado amarronzado. Folhas 43-63-folioladas; pecíolo e raque velutinos a glabrescentes, pecíolo 4-7 mm compr., raque 3, 5-9, 5 cm compr., peciólulo viloso a esparso-viloso, ca. 1 mm compr.; folíolos subsésseis, alternos, raramente subopostos, discolores, glabros na face adaxial, glabrescentes na abaxial, tomentosos a glabrescentes sobre a nervura principal e a margem, estreito-elípticos, base arredondada ou Rodriguésiá 62 ( 1 ): 107 - 122 . 2011 ■SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 Machaerium no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul 113 Figura 1 - a-j. Machaerium biovulatum (a-b Hatschbach 62497 ; c-j Hatschbach 62489) - a. fruto; b. folíolo, face adaxial; c. flor; d. bractéola; e. cálice; f. estandarte; g. asa; h. pétalas da quilha; i. androceu; j. gineceu, k-1. M. brasiliense ( Nave 21 72) - k. fruto; 1. folíolo, face adaxial. m-n. M. floribundum vai. floribundum ( Arbocz 3472) - m. fruto; n. folíolo, face adaxial. o-w. M. inundatum (o-p Mattos 15535; q-w Árbocz 4612 ) - o. fruto; p. folíolo, face adaxial; q. flor; r. bractéola; s. cálice; t. estandarte; u. asa; v. pétalas da quilha; w. androceu; x. gineceu. Figure 1 - a-j. Machaerium biovulatum (a-b Hatschbach 62497; c-j Hatschbach 62489) - a. fruit; b. leaflet, adaxial surface; c. flower d. bractcolc; c. calyx; f. standard; g. wing; h. pctals of the kcel; i. androecium; j. gynoecium. k-1. M. brasiliense ( Nave 2172) - k. fruit; 1. lcaflct, adaxial surfacc. m-n. M. floribundum var. floribundum (Ârbocz 3472) - m. fruit; n. leaflet, adaxial surface. o-w. M. inundatum (o-p Mattos 15535, q-w Ârbocz 4612) - o. fruit; p. leaflet, adaxial surface; q. flower; r. bracteole; s. calyx; t. standard; u. wing; v. pctals of the kccl; w. androecium; x. gynoecium. Rodriguésia 62( 1 ): 1 07- 1 22. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. I 14 Polido. CA. & Sartori. A.LB. \ oblíqua, ápice agudo ou apiculado, nervação craspedódroma, 0,5-1 ,5 x até 0,5 cm. Partículas terminais, axilares, eixos velutinos, o principal 7.5- 19 cm compr. Flores subsésseis, pedicelos velutinos, ca. 1 mm compr.; bractéolas glabras, às vezes externamente esparso-tomentosas, largo-ovadas ou ovado-comprimidas, 1,5-2, 5 x 1-2,5 mm, cálice campanulado, internamente glabro, externamente glabrescente, denso- tomentoso sobre o ápice, lacínios superiores elípticos, os estreito-elípticos, 4-5 mm compr., corola azulada, lilás ou roxa; estandarte glabrescente, com mácula creme, elíptico ou largo- obovado, ápice obcordado ou retuso, 7-9,5 x 7.5- 9, 5 mm, asa e pétalas da quilha glabras, asa obovada, 7-10 x 4-6,5 mm, pétalas da quilha oblongas, 6,5-8,5 x 4-6 mm; androceu monadelfo, filetes de mesma altura, anteras oblongas; ovário esparso-velutino, estigma clavado. Sâmaras falciformes; estipe tomentoso, 6-9 mm compr., região seminífera tomentosa a pubcrulenta, acinzentada, 1-2.5 x 0,5-1, 5 cm. asa tomentosa a puberulenta, elíptica, acinzentada, 2,5— 1.5 x 0,5- 1 ,5 cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Cuiabá. 20X1990, fl„ Ü.N. Conceição s/n (RB 295194). Poconé. 30.XI.1982, U..J.U. Santos & C.S. Rosário 611 (INPA.). MATO GROSSO DO SUL: Bela Vista. 13.XI.1977, 0., J.S. Costa 148 (RB); 21 .IV. 1984, fr„ J.F.M. Valls et al. 7649 (RB). Bonito, 1 1.IX.1996, i\..JA. Ratteretal. s/n (UB 7670). Corumbá. 14.XII.1986. 0. e fr„ C.N. Cunha et al. 2113 (CPAP, HMS). Ladário, I6.XI.1996, 0., M.A.O. Bezerra & J.L. Peixoto 7 (CGMS, COR). Miranda, 18.XII.1990. 0., U.M. Resende et al. 360 (CGMS); 19.XI.2002, fr„ A. Pott et al. 10860 (HMS). Porto Murtinho, 5.IV.2001, fr., A.LB. Sartori et al. 475 (CGMS. HMS); I6.IV.2005, fl„ LE.A.M. Lescano et ai 209 (CGMS). . Machaerium eriocarpum possui como características diagnósticas os folíolos estreito- elípticos, com ápice agudo ou apiculado, de margem espessada, ápice do cálice denso- tomentoso e sâmaras falciformes, acinzentadas, de asa elíptica. Considerando-se o tamanho dos folíolos, é próxima de M. pilosum, da qual se diferencia principalmente pelo hábito arbóreo ( versus escandente em M. pilosum). As inflorescências axilares, paniculadas a aproximam de M. hirtutn, da qual se distingue pelos folíolos estreito-elípticos, de ápice agudo ou apiculado e sâmaras falciformes (ví. folíolos oblongos ou estreito-oblongos, de ápice retuso, e sâmaras cultriformes). Ocorre na região oeste de Mato Grosso do Sul e no sudoeste de Mato Grosso. Sua ocorrência é inédita para o Mato Grosso do Sul. Os ambientes preferenciais são Florestas Estacionais Decidual e Semidecidual. Savana (Cerrado), Savana Florestada (Cerradão), Savana Parque e Floresta-Estépica Florestada (Chaco), este último exclusivo de Mato Grosso do Sul. Floresce de fevereiro a dezembro e frutifica de março a dezembro. 7. Machaerium floribtindum Benth. var. jloribundiim, J. Proc. Linn. Soc., Bot. 4(Suppl.): 68. 1860. Fig. 1 m-n Arbustos escandentes; ramos puberulentos; estipulas não modificadas em espinhos; lenticelas enegrecidas, exsudado amarronzado. Folhas 5-9- folioladas; pecíolo e raque lomentosos a glabrescentes, pecíolo 3-5 cm compr., raque 6-10.5 cm compr., peciólulo tomentoso, 3-5 mm compr.; folíolos peciolados, alternos, discolores, glabrescentes a glabros na face adaxial, seríceos na abaxial, obovados, base cquilateral ou oblíqua, ápice retuso, nervação craspedódroma. 6,5-1 1 .5 x 4-6 cm. Panículas terminais, axilares, eixos puberulentos a tomentosos, o principal 15-34 cm compr. Flores sésseis; bractéolas tomentosas, deltoides, ca. 2 x 2 mm; cálice campanulado, tomentoso, ca. 3 mm compr.; corola alva a esverdeada; estandarte dorsalmente tomentoso, ca. 10x4 mm; asa ca. 9 x 4 mm, pétalas da quilha ca. 7 x 3,5 mm; androceu monadelfo, filetes de mesma altura; estigma reto (Lozano & Klitgaard, 2006). Sâmaras imaturas, cultriformes, estipe velutino, ca. 1 mm compr., região seminífera serícea, castanho- clara, 1 .5-2 x 0,5-1 ,5 cm, asa glabrescente, oblonga, amarelada, 3,5-5 x 1 ,5-2 cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Cláudia, 9.XI.1996. fr., C.F. Arbócz et al. 3472 (CGMS. ESA). Machaerium floribundum var. floribundum possui hábito escandente, folíolos obovados e sâmara com região seminífera serícea. O material analisado possui flores de 9-10 mm compr. c cálice de ca. 3 mm compr., se enquadrando na circunscrição da variedade típica (flor de 6- 10 mm compr. e cálice de 3-4 mm compr.; Rudd, 1 987). As var. parvijlorum Benth. e var. hypergyreum (Harms) Rudd podem apresentar flores até 6(-7) mm compr. e cálice até 2,5 mm compr. (Rudd 1987). E registrada para a região norte de Mato Grosso, sendo este o primeiro registro no Estado. É encontrada em Floresta Ombrófila Aberta. O período de floração não foi observado, mas apresentou frutos imaturos em novembro. Rodriguésia 62( 1 ): 1 07- 1 22. 20 1 1 !scíelo/jbrj 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Machaerium no Md to Grosso e Mato Grosso do Sul 1 1 5 8. Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld, Tribuna Farm. 12: 132. 1944. Árvores 3-1 1 m alt.; ramos pubescentes a glabrescentes; espinhos retilíneos, 1,5-3 mm compr.; lenticelas inconspícuas, exsudado amarelado. Folhas 31— 17-folioladas; pecíolo e raque vilosos a glabrescentes, pecíolo 3-10 mm compr., raque 6-1 2,5 cm compr., peciólulo glabrescente, 1- 2 mm compr.; folíolos subsésseis, alternos ou subopostos, discolores, glabros na face adaxial, esparso-seríccos a glabros na abaxial, oblongos ou estreito-oblongos, os apicais oblongo-lanceolados, base oblíqua, raramente arredondada, ápice retuso, nervação craspedódroma, 1-2 x até 0,5 cm. Panículas terminais, axilares, eixos vilosos, o principal 9,5-16,5 cm compr. Flores subsésseis, pedicelos vilosos, ca. 1 mm compr., bractéolas glabras, tomentosas sobre margem da face externa, largo-ovadas ou ovadas, 2-2,5 x 1 ,5-2,5 mm; cálice campanulado, internamente glabrescente, externamente esparso-seríceo, lacínios superiores oblongos, os inferiores estreito-oblongos, 3, 5-5,5 mm compr.; corola lilás; estandarte ventralmentc glabro, com mácula alva, dorsalmente seríceo a esparso-seríceo, obovado, raramente ovado, ápice emarginado. 6,5-1 1 x 5,5-8 mm; asa e pétalas da quilha glabras, asa elíptica, 7.5-12 x 3-5,5 mm, pétalas da quilha oblongas, 7-10 x 4,5-7,5 mm; androceu monadelfo, filetes de mesma altura, anteras elípticas; ovário velutino, estigma clavado. Sâmaras cultriformes, estipe tomentoso, 5,5-7,5 mm compr., região seminífera tomentosa a glabra. castanho-escura, 1-2 x 0,5-1 cm, asa tomentosa a glabra, oblonga ou ovada, castanho- clara, 2-3,5 x 1-1,5 cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Chapada dos Guimarães, 21. II. 1997, fl„ A.G. Nave et al. s/n (CGMS 17581, ES A). MATO GROSSO DO SUL: Anaurilândia. 19.VI.1998, fr.. J.L.G. Salvador et al.50 (CGMS). Bataguaçu. 22.1. 1992, 0., M.M. Los s/n (CGMS 17590). Bela Vista, 2.XI. 1 998, 11., O.S. Ribas et al. 2450 (ES A, INPA, SO). Bodoquena, 23.V.2002, fr„ S. Aragaki & U.M. Resende 985 (DDMS). Bonito, 12.VI1I.2001, fr.. R. Constantino 130(C GMS. HRCB); 15.XI.2002, 11.. A. Pott et al. 10744 (HMS). Camapuã, 26.11.2002, fl„ A. Pott et al. 9523 (HMS). Caarapó, 2.11.2001, fl.. A. Sciamarelli et al. 846 (DDMS). Corumbá, 31.111.2004, 0. e fr.. R.R. Silva & J.S. Velásquez 623 (CGMS. UEC). Ladário, 16.III.2003, (1., G.A. Damasceno Junior et al. 2763 (CGMS, COR). Miranda. 19.11.1993, fl.. A. Pott et al. 7095 (CPAP). Mundo Novo, 7.II.1993, fl„ G. Hatschbach et al. 58552 (MBM, SPSF). Piraputanga, 6. VIII. 2006, fr.. C.A. Polido et al. 3 (CGMS 1 7579). Rio Brilhante, 24. X. 2002, fl.. A. Sciamarelli et al. 1344 (CGMS, DDMS). Rio Negro, I4.IV.1984. fl. e fr.. V.J. Pott et al. 3508 (CGMS). Três Lagoas, 22. VI. 1996, fr., J.C. Gomes Junior 1988 (CPAP, HMS, SP, UB). Material selecionado: BRASIL. Brasília meridionalis, 1836, fl., Humboldt 240 (foto UEC). Machaerium hirtum é reconhecida pela casca lisa, com cicatrizes circulares (Sartori &Tozzi 1998), espinhos retilíneos, folíolos oblongos ou estreito- oblongos, de nervação craspedódroma, eixo da inflorescência e pedicelo vilosos e hábito arbóreo. Assemelha-se a M. isadelphum por causa dos folíolos oblongos ou estreito-oblongos, porém eles são menores em M. hirtum (mais que 2 cm compr. em A/, isadelphum) e os espinhos são recurvados em M. isadelphum. Difere de M. aculeatum e M. pilosum pelo hábito ereto (vs. escandente naquelas espécies). As semelhanças em relação aos folíolos e às inflorescências também podem levar a identificações equivocadas entre M. hirtum e M. eriocarpum. No entanto, essas duas espécies podem ser diferenciadas pelas sâmaras, cultriformes e castanho-escuras em M. hirtum, enquanto em M. eriocarpum elas são falciforme e acinzentada. Machaerium hirtum está amplamente distribuída em Mato Grosso do Sul, enquanto em Mato Grosso pode ocorrer nas regiões central e sudeste. Habita Florestas Estacionais Decidual e Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa e Savana Florestada (Cerradão). Apresenta flores de agosto a abril e frutos de abril a agosto. 9. Machaerium inundatum (Mart. ex Benth.) Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 31 1. 1925. Fig. 1 o-x Árvores 2-5 m alt.; ramos glabrescentes, às vezes esparso-tomentosos; estipulas não modificadas em espinhos; lenticelas esbranquiçadas, exsudado amarronzado. Folhas 5- 7-foIioladas; pecíolo, raque e peciólulo esparso- tomentosos a glabros, pecíolo 2-3,5 cm compr., raque 4-7 cm compr. e peciólulo 4-6 mm compr.; folíolos peciolados, alternos, concolores, glabros na face adaxial, esparso-seríceos sobre a nervura principal da face abaxial, ovados ou largo-ovados, base arredondada, ápice acuminado, nervação broquidódroma, 4-7 x 2-5 cm. Panículas axilares, eixos velutinos, o principal 2,5-5 cm compr. Flores sésseis; bractéolas internamente glabras, externamente velutinas, circulares ca. 1 ,5 x 2 mm; cálice cilíndrico, internamente glabro, externamente velutino, lacínios superiores largo- Rodriguésis 62 ( 1 ): 107 - 122.2011 SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. 116 Polido. CA. & Sàrtorí. AL B. % oblongos, os inferiores estreito-oblongos, 2,5-4 mm compr.; corola amarela na face interna, verde- alvacenta na externa (Hoehne 1941); estandarte ventralmente glabro, dorsalmente velutino, obovado, ápice retuso, 6,5-8 mm; asa e pétalas da quilha esparso-velutinas, asa estreito-elíptica, 7— 8 x 2-3 mm; pétalas da quilha oblongas, 6-8 x 2- 3.5 mm; androceu monadelfo, filetes de alturas diferentes, anteras elípticas; ovário velutino, estigma capitado. Legumes samaroides, 2-3 X 1,5- 2.5 cm, sésseis, seríceos, amarelados. Material selecionado: MATO GROSSO: Cocalinho, 1 997, fl.. G.F. Árbocz et ai 4612 (CGMS. ESA). Luciara. 15.VIII.1969, fr„ J. Mattos 15535 (CGMS, SP); 25.XI.1977, fr„ C.T. Falcão 5125 (RB). Os folíolos ovados ou largo-ovados, de ápice acuminado, estandarte extemamente velutino e fruto do tipo legume samaroide, sericeo são características diagnósticas de M. immdatiun. Ocorre no extremo leste de Mato Grosso, exclusivamente em Floresta Ombrófila Densa. Seu período de floração não foi registrado, mas a frutificação ocorre de agosto a novembro. 10 . Macltaerium isadelphiim (E. Mey.) Amshoff, Meded. Bot. Mus. Herb. Rijks Univ. Utrecht 52: 53. 1839. Arvores, 4-1 2 m alt. ou arvorctas escandentes, ca. 2 m alt.; ramos vilosos a pubescentes, às vezes estrigosos; espinhos recurvados, 6-8 mm compr.; lenticelas esbranquiçadas, exsudado acastanhado. Folhas 25-49-folioladas; pecíolo e raque esparso- setosos e vilosos, pecíolo 0,5-2 cm compr, raque. 9,5- 21 cm compr., pecióluloviloso a tomentoso, ca. I mm compr.; folíolos subsésseis, alternos na base da folha opostos no ápice, discolores, seríceos a glabrescentes, pontuações enegrecidas na face adaxial, oblongos ou estreito-oblongos, base equilateral ou oblíqua, ápice emarginado ou retuso, nervação craspedódroma, 2,5-5 x 0,5-1, 5 cm. Panículas terminais, axilares, eixos vilosos, o principal 6-7 cm compr. Flores pediceladas, pedicelos tomentosos, 2- 3 mm compr.; bractéolas intemamente glabras, extemamente esparso-tomentosas a glabras, ovadas ou largo-ovadas, 2,5-4 x 2-3 mm; cálice campanulado, intemamente glabro, extemamente esparso- vi loso a glabro, lacínios superiores oblongos, inferiores estreito-oblongos, 5-6,5 mm compr.; corola roxa; estandarte ventralmente glabro, dorsalmente sericeo, ovado ou largo-ovado, ápice emarginado ou retuso, 7-9 x 4,5-7 mm; asa e pétalas da quilha glabras, asa elíptica, 9-10 x 4—5 mm, pétalas da quilha oblongas, 7,5-8,5 x 4-5.5 mm; androceu monadelfo, filetes de mesma altura, anteras oblongas; ovário velutino, estigma capitado. Sâmaras cultriformes, estipe tomentoso, 5,5-7 mm compr., região seminífera tomentosa a glabresccnte, castanho-escura 1-1,5 x 0.5-1 cm, asa esparso-tomentosa a glabra, elíptica castanho-clara, 2-3,5 x 1 - 1 ,5 cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Cáceres, 1 -VIU. 1 908, fl., F. C. Hoehne 272 ( RB). Poconc, 5.X. 1 989, fr.. A. Fott 4990 (CPAP). MATO GROSSO DO SUL: Piraputanga, 24.IX.2006. fr., A.L.11. Sartori et al. s/n (CGMS 17586). Miranda, I .VH.2006, fl. e fr., C.R. Lelm etal. s/n (CGMS 17592). A espécie é caracterizada pelos espinhos recurvados e folíolos oblongos ou estreito-oblongos, de nervação craspedódroma, com pontuações enegrecidas na face adaxial. O hábito da espécie é variável, constando como árvore (Lelm s/n), arvoreta escandente (Fott 4990), arbustos ou lianas escandente (Lozano & Klitgaard 2006). Sua ocorrência é inédita para Mato Grosso do Sul, onde se distribui nas regiões central e oeste. Em Mato Grosso, está restrita a região sudoeste. Em ambos os estados. Aí, isadelphum ocorre em Floresta Estacionai Semidecidual e Floresta Ombrófila Densa. Floresce e frutifica cm julho e agosto, com frutificação se estendendo até outubro. 11. Macltaerium macrophyllum Benth. var. macrophyllum, Comm. Legum. Gen.: 35. 1 837. Fig. 2 a-j Arbustos a árvores, 2-7 m alt.; ramos puberulentos a glabros; estipulas não modificadas em espinhos; lenticelas esbranquiçadas, exsudado amarronzado. Folhas 5-folioladas; pecíolo e raque esparso-tomentosos a glabrescentes, pecíolo 1—1,5 cm compr., raque 1 .5-5,5 cm compr., peciólulo tomentoso a esparso-tomentoso, 2-5,5 mm compr.; folíolos pcciolados, alternos ou subopostos, discolores, glabros, manchas vináceas na face adaxial, pubescentes sobre a nervura principal da face abaxial, oblongo- lanceolados. os apicais obovados, base arredondada ou equilateral, ápice agudo ou obtuso, nervação broquidódroma 5-1 1 .5 x 2-525 cm. Panículas terminais, axilares, eixos tomentosos, o principal 1 0,5- 1 9 cm compr. Flores pediceladas, pedicelos vilosos, ca I mm compr.; bractéolas intemamente glabras, extemamente tomentosas, ovadas, 1-2 x 0,5-1 mm; cálice campanulado, extemamente viloso, intemamente glabro, lacínios superiores laigo-oblongos, os inferiores oblongos, 3-4 mm compr.; corola vinácea; estandarte glabro, largo-clíplico. ápice obtaso ou retuso, 7,5-8,5 x 4—4 J5 mm; asa e pétalas da quilha glabras, elípticas, asa ca 7.5 x 2,5 mm, pétalas da quilha 6-7 x 2-3 mm; Rodriguèsia 62(1): 107-122.201 I SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Figura 2 - a-j. Machaerium macrophyllum var. macrophyllum (a-b Pereira 396; c-j Hatschbach 67004) - a. fruto; b. folíolo, face adaxial; c. flor; d. bractéola; e. cálice; f. estandarte; g. asa; h. pétalas da quilha; i. androceu; j. gineceu, k. M. mullifoliolaium (PhUcox4I9l) - folha, face adaxial. 1. M. pilosum (Silva 3374)- folha, face adaxial. m-u. M. quinatum var. quinatum (m-u Thomas s/n) - m. folíolo, face adaxial; n. flor; o. bractéola; p. cálice; q. estandarte; r. asa; s. pétalas da quilha; t. androceu; u. gineceu, v-x. M. quinatum var. parvijlorum (v-x Mattos 13530) - v. fruto; w. folíolo, face adaxial. x-y. M. stipitatum (w-y Arruda 152) - x. fruto; y. folíolo, face adaxial. Figure 2 - a-j. Machaerium macrophyllum var. macrophyllum (a-b Pereira 396 ; c-j Hatschbach 67004) - a. fruit; b. leaflet, adaxial surfacc; c. flowcr, d. bractcole; e. calyx; f. standard; g. wing; h. pctals of the kcel; i. androccium; j. gynoecium. k. M. multifoliolatum (.Philcox 4191) - leaf, adaxial surfacc. 1. M. pilosum ( Silva 3374)- leaf, adaxial surface. m-u. M. quinatum var. quinatum (m-u Thomas s/n) m. leaflet, adaxial surfacc; n. Ilowcr; o. bractcole; p. calyx; q. standard; r. wing; s. pctals of the keel; t. androecium; u. gynoecium. v-x. M quinatum var. parvijlorum (v-x Mattos 15530) - v. fruit; w. leaflet, adaxial surface. x-y. M. stipitatum (w-z Arruda 152) - x. fruit; y. leaflet, adaxial surfacc. Rodriguésia 62( 1 ): 1 07- 1 22. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 118 Polido. CA. 8c Sãrtori, /VLB. androceu monadelfo. filetes de alturas diferentes, anteras oblongas; ovário velutino, estigma clavado. Sâmaras falciformes, estipe viloso, 4-6 mm compr., região seminífera tomentosa a glabrescentc, castanho-clara, 1-2 x 0,5-1 cm, asa tomentosa a glabrescente, elíptica amarelada 2,5—4 x 1-1 3 cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Chapada dos Guimarães, 19.IX.1988, fr.. M. Pereira 396 ( RB). Nova Xavantina, 25. IX. 1949, fr., J.E. Oliveira s/n (RB 67959). Poxoréu, 30.X.1976, fr., M. Macedo et al. 276 (INPA). Vila Bela da Santíssima Trindade, 18.VIII.1997. II., G. Halschbach et al. 67004 (RB). Machaerium macrophyllum var. macrophyllwn apresenta estipulas não modificadas em espinhos, a maioria dos folíolos oblongo- lanceolados, com manchas vináceas na face adaxial, cálice externamente viloso, corola vinácea e estandarte largo-elíptico, denso-tomentoso. A sâmara não reniforme, provida de ala desenvolvida (5-6 x 1 ,5-2 cm), diferencia a var. macrophyllum da var. brevialatum Rudd, caracterizada por sâmara reniforme com ala terminal curta (2,5-3 x 3,4 cm) (Rudd 1972, 1987). A variedade típica possui registros para as regiões central e Sul de Mato Grosso, sendo esta a primeira citação para o estado. Habita Florestas Ombrófilas Aberta e Densa. Floresce em agosto e frutif ca em setembro e outubro. 12 . Machaerium multifoliolatum Ducke. Buli. Mus. Natl. Hist. Nat„ ser. 2 4(6): 734. 1932. Fig. 2 k Arbustos escandenles; ramos pubescentes; espinhos recurvados, ca. 2 mm compr.; lenticclas inconspícuas, exsudado amarronzado. Folhas 75- 102-folioladas; pecíolo tomentoso, raramente setoso, 1, 5-2,5 mm compr., raque setoso, 8-1 1,5 cm compr.; folíolos sésseis, opostos, concolores, glabros, estreito-oblongos ou estreito-elípticos, os apicais obovados, base oblíqua, ápice retuso, nervação craspedódroma, 0,5-1, 5 x ca. 0,2 cm. Panículas terminais, eixos tomentosos. Flores pediceladas; bractéolas tomentosas, orbiculares, ca. 1 mm compr.; cálice campanulado, tomentoso, região mediana glabra, ca. 2 mm compr.; corola branca; estandarte externamente pubescente, ca. 5 mm compr.; asa e pétalas da quilha glabras, ca. 5 mm compr.; androceu monadelfo, filetes de mesma altura, anteras oblongas; ovário tomentoso, estigma clavado. Sâmaras cultriformes, estipe tomentoso, ca. 0.5 mm compr, região seminífera tomentosa, ca. 2,5 cm compr, asa tomentosa, ca. 4 X 0,5 cm (Bastos 1981). Material examinado: MATO GROSSO: Nova Xavantina. 25.1. 1968, 0. Philcox & A. Ferreira 4191 (UB). Machaerium multifoliolatum é recqnhecida pelo número elevado de folíolos (75- 102), não ultrapassando 1 3 cm compr. Foi registrada apenas no extremo leste de Mato Grosso, em Floresta Ombrófila Densa. Não possui dados sobre floração e frutificação. 13 . Machaerium paraguaríense Hassl., Buli. Herb. Boissicr, sér. 2, 7: 358. 1907. Arvoretas a árvores, 2-20 m a 1 1 . ; ramos glabrescentes; estipulas não modificadas em espinhos; lenticclas esbranquiçadas, exsudado não observado. Folhas 5-7-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo vilosos, pecíolo 2—4 cm compr., raque 2- 4.5 cm compr., peciólulo 2,5-5 mm compr.; folíolos peciolados, alternos ou subopostos, concolores, glabros, esparso-tomentosos apenas sobre a nervura principal da face abaxial, ovados ou largo- ovados, raramente largo-elípticos, base arredondada, ápice cuspidado, raramente acuminado, nervação broquidódroma. 4,5-6 x 2,5- 5 cm. Raccmos em fascículos, axilares, eixos vilosos, o principal 5-6,5 cm compr. Flores sésseis; bractéolas internamente glabras, externamente tomentosas, ovadas ou largo-ovadas, 2,5-3 x 2- 2.5 mm, cálice campanulado, glabro, externamente tomentoso no ápice, lacínios superiores largo- elípticos, os inferiores elípticos, ca. 4 mm compr.; corola alva ou creme-csverdcada; estandarte ventralmente glabro, dorsalmente tomentoso, largo- ovado ou ovado, raramente obovado, ápice obtuso ou retuso. ca. 6,5 x 6 mm; asa e pétalas da quilha glabras, elípticas, asa ca. 7 x 3 mm. pétalas da quilha ca. 7,5 x 3 mm, androceu monadelfo, filetes de alturas diferentes, anteras ovadas, às vezes triangulares; ovário esparso-velutino. estigma clavado. Sâmaras falciformes, estipe viloso, 6,5- 9.5 mm compr., região seminífera tomentosa a glabrescente, castanho-escura, 1-2 x 1-1,5 cm, asa tomentosa a glabrescente. oblonga, castanho- clara, 3 ,5-4.5 x 1-1,5 cm. Material selecionado: MATO GROSSO: Alta Floresta, 11.1988, fr.. S. Assumpção s/n (CH). Barra do Garças, 25.V1II.1972. fr., J.A. Ratter et al. s/n (UB). Cáceres. 1997, fr., F. Dário et al. s/n (ESA 61804), Juscimeira, 16.IX.1995, fr., A. Pott et al. 7294 (CGMS. CPAP). Poconé. 7.X. 1989. 11. e fr.. A. Pott 5083 (CPAP, HMS); 12.XI.2005, fr.. A. Pott & V.J. Pott 13559 (HMS). Rondonópolis, 15.IX.1995, fr., S.M. Salis et al. 826 (CGMS. CPAP). MATO GROSSO DO SUL: Bonito. XI. 1997, n.. U.M. Resende 2006 (CGMS). Corumbá. 24.11.1988. fr.. A. Pott et al. 474 (CGMS, CPAP). Miranda, 20.X.199I. fr., U.M. Resende 563 (CGMS). Nioaque, 11.2001. fl„ RJ. Bastos 798 (CGMS). Rodriguèsiã 62 ( 1 ): 107 - 122 . 2011 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. Machaerium no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul 1 1 9 Material adicional selecionado: PARAGUAI. YPACARAI: 1.1845-1895, 0., E. Hassler 1849 (holótipo G). Caule e ramos esfoliantes (Sartori & Tozzi 1998), folíolos geralmente ovados ou largo-ovados, com ápice em geral cuspidado, e inflorescência racemosa são características diagnósticas de M. parciguariense. Em Mato Grosso do Sul, está distribuída na região noroeste, especialmente no Alto Pantanal. Este é o primeiro registro para o Mato Grosso, tendo sido encontrada na região sul e extremo norte do estado. Ocorre preferencialmente em Florestas Estacionais Decidual e Semidecidual e Savana (Cerrado). Floresce em outubro e novembro e frutifica de outubro a fevereiro. 14. Machaeríum pilosum Benth., J. Linn. Soc., Bot. 4(Suppl.):57. 1860. Fig. 2 1 Lianas escandentes; ramos puberulentos; espinhos retilíneos, 1-1,5 mm compr.; lenticelas enegrecidas, exsudado não observado. Folhas 47- 57 folioladas; pecíolo, raque e peciólulo vilosos, pecíolo ca. 3 mm compr., raque 8-9,5 cm compr., peciólulo ca. 1 mm compr.; folíolos alternos, discolores, glabrescentes na face adaxial, com resinas amarelas, seríceos a glabrescentes na face abaxial, margem tomentosa, elípticos ou estreito-elípticos, base arredondada ou oblíqua, ápice agudo, nervação craspedódroma, 7-9 x 1 ,5-3 cm. Panículas terminais, eixos vilosos, o principal ca. 18 cm compr. Rores pediceladas; bractéolas tomentosas, largo-ovadas, 1 0-20 mm compr., cálice cilíndrico, glabrescente, 40- 50 mm compr.; estandarte ventralmente glabro, dorsalmente puberulento, 100-120 mm compr; asa 80-100 mm compr., pétalas da quilha 80-100 mm compr.; androceu monadelfo, filetes de mesma altura; ovário densamente tomentoso (Bastos 1981). Sâmaras imaturas, cultriformes; estipe 0.5-1, 0 cm compr., região seminífera ca. 1 ,5 cm compr, asa ca. 3 x 0,5-1 cm (Bastos 1981). Material examinado: MATO GROSSO: s/loc., I8.VII.1977, fl. c fr., M.G. Silva <5 J. Maria 3374 (RB). Machaerium pilosum pode ser identificada pelos espinhos retilíneos e diminutos (1-1.5 mm compr.), pecíolo, raque e peciólulo vilosos e folíolos de margem tomentosa. Bastos ( 1 987) descreveu A/. pilosum como arbórea, enquanto o material aqui analisado apresenta hábito escandente, semelhante ao observado por Hoehne (1941). O hábito escandente a difere de A/, eriocarpum e A/, hirtum, duas espécies arbóreas. O hábito e a morfologia geral dos folíolos, por outro lado, aproximam A/. pilosum , A/, aculeatum e A/, isadelphunv, nas últimas duas espécies, no entanto, os espinhos são recurvados, ao passo que, em A/, pilosum, eles são retilíneos. A espécie é registrada para Mato Grosso, mas sem indicação de localidade na etiqueta de herborizado. Ocorre em Floresta Ombrófila Densa Aluvial. Foi coletada em julho, final de floração, com frutos imaturos. 15. Machaerium quinatum (Aubl.) Sandvvith var. quinatum. Buli. Misc. Inform. Kew 1931(7): 359. 1931. Fig. 2 m-u Arvoretas 3-5 m alt.; ramos pubescentes; estipulas não modificadas em espinhos; lenticelas inconspícuas, exsudado acastanhado. Folhas 1 1- 13-folioladas; pecíolo e raque pubescentes a tomentosos, pecíolo 2.5-5 cm compr.. raque 9,5- 1 4.5 cm compr., peciólulo tomentoso, 2-3,5 mm compr.; folíolos peciolados, alternos ou subopostos, discolores, puberulentos na face adaxial, vilosos a glabrescentes na abaxial, lanceolados ou oblongo- lanceolados, base equilateral, ápice agudo ou acuminado, nervação craspedódroma, 6- 1 0 x 2-3,5 cm. Raccmos axilares ou terminais, eixos vilosos, o principal 12,5-18 cm compr. Flores pediceladas, pedicelos vilosos, ca. 1 mm compr.; bractéolas intemamente glabras, extemamente vilosas, largo- ovadas ou ovado-comprimidas, 2,5-3,5 x 2-2,5 mm; cálice cilíndrico, intemamente glabro, externamente tomentoso a glabrescente, lacínios superiores largo- elípticos, inferiores elípticos, 3.5-4 mm compr.; corola enegrecida; estandarte ventralmente glabro, dorsalmente seríceo, obovado ou largo-obovado, ápice retuso, ca. 1 0 x 8,5 mm; asa e pétalas da quilha glabras, elípticas, asa ca. 10,5 x 4 mm, pétalas da quilha 9-10 x ca. 3 mm; androceu monadelfo, filetes de mesma altura, anteras oblongas, às vezes triangulares; ovário velutino, estigma capitado. Sâmaras falciformes, hirsutas, amareladas, 6-9,5 x 2-2,5 cm (Lozano & Klitgaard 2006). Material examinado: MATO GROSSO: Nova Suia, 14.VIII.I997, fl., LC. Bemacci 2449 (ESA. IAC). Sinop, 31.X. 1985, 11, W. Thomas et al. s/n (1NPA 150676). Machaerium quinatum var. quinatum apresenta folíolos oblongo-lanceolados ou lanceolados, inflorescência racemosa, cálice cilíndrico e corola enegrecida. O hábito arvoreta e os folíolos vilosos ou glabrescentes na face abaxial aproximam este táxon de M. quinatum vai.paniflonmi. Os folíolos são lanceolados ou oblongo-lanceolados, de ápice agudo ou acuminado, e o cálice cilíndrico na variedade típica, enquanto, na var. pan iflorum , os folíolos são Rodriguésia 62(1): 107-122.2011 SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 120 elípticos ou largo-elípticos, de ápice arredondado ou obtuso, e o cálice é campanulado. Trata-se da primeira citação deste táxon para o Mato Grosso, ocorrendo na região norte, em Floresta Ombrófila Densa. Foram observadas flores de agosto a outubro, mas não foram obtidos dados de frutificação. 16. Machaerium quinatum var. parviflorum (Bcnth.) Rudd, Phytologia24(2): 121. 1972. Fig. 2v-w Arvoretas ca. 2,5 m alt.; ramos puberulentos a pubescentes; estipulas não modificadas em espinhos; lenticelas inconspícuas, exsudado não observado. Folhas 9- 1 1 -folioladas; pecíolo e raque pubescentes, pecíolo 1, 5-2,5 cm compr., raque 5,5- 7 cm compr., peciólulo tomentoso, 2-3 mm compr.; folíolos peciolados, alternos, discolores, face adaxial glabra, face abaxial glabrescente, tomentosa apenas sobre a nervura principal, elípticos ou largo- elípticos, base arredondada, ápice arredondado ou obtuso, nervação craspedódroma, 3.5-5 x 2-3 cm. Panículas axilares ou terminais, eixos ferrugíneo- tomentosos. Flores pediceladas; bractéolas ovadas ou elípticas, ca. I x 1,5 mm; cálice campanulado. ferrugíneo-seríceo, 3—4,5 mm compr.; corola alva ou amarelada; estandarte pubescente (Rudd 1972). Estandarte, asas, pétalas da quilha, androceu e gineceu não observados. Sâmaras falcifonnes, estipe velutino. 5,5-7,5 mm compr., região seminífera tomentosa, castanho-clara, 1, 5-2,5 x 0,5-1 cm, asa tomentosa a glabrescente. elíptica amarelada 4,5-6 x 1 -2 cm. Material examinado: MATO GROSSO: Luciara. 15.X1I.1969. fr.. J. Manos / 5530 (SP). Machaerium quinatum var. parviflorum caracteriza-se pelas estipulas não modificadas cm espinhos, folíolos elípticos ou largo-elípticos, com nervuras secundárias proeminentes, cálice campanulado e asa da sâmara amarelada. Esta variedade é citada pela primeira vez para o Mato Grosso, ocorrendo no extremo da região nordeste do estado. Ocorre em Floresta Estacionai Decidual. Não foram observadas flores, mas os frutos foram encontrados em dezembro. 17. Machaerium stipitatum (DC.) Vogei, Linnaea 11:189.1837. Fig.2x-y Arvores ca. 7 m alt.; ramos glabrescentes; estipulas não modi ficadas em espinhos; lenticelas esbranquiçadas, exsudado não observado. Folhas 9- 1 1 folioladas; pecíolo tomentoso a glabrescente, 0,5- 2.5 cm compr.; raque c pcciólulo vilosos a glabrescentes, raque 3-6,5 cm compr., pcciólulo 2-3 mm compr.; Polido. CA. & Sartori. A.L.B. \ folíolos peciolados, alternos, discolorçs, glabros na face adaxial, esparso-pubescentes na face abaxial. vilosos sobre a nerv ura principal, oblongo-elípticos ou oblongo-lanceolados, base arredondada, ápice arredondado, nervação broquidódroma, 2,5-5 x 1-2 cm. Panículas terminais, axilares, eixos esparsamente ferrugíneo-tomentosos. Flores sésseis; bractéolas externamente pubémlas a tomentelas, oblongas, ca. 1 mm compr.; cálice campanulado. extemamente esparso e curto-tomentoso, ca. 2 mm compr.; corola creme ou esverdeada; estandarte dorsalmcnte seríceo, amplamente obovado; ca. 5 x 3 mm: asa e pétalas da quilha glabras, oblongas, asa ca. 5 mm compr., pétalas da quilha ca. 4 mm compr.; androceu monadeifo, filetes de mesma altura, anteras oblongo-arredondadas; ovário esparso- viloso no ápice (Sartori & Tozzi 1998). Sâmaras falcifonnes; estipe esparso-tomentoso a esparso-pubescente, 4-7 mm compr., região seminífera glabra, marrom, I -2 x 0,5-1 cm, asa glabra. elíptica, castanho-clara. 2-3,5 x0,5-1 ,5 cm. Material selecionado: MATO GROSSO DO SUL: Anaurilândia, 18.VI.1998, U..J.LG. Salvador et al. I (CGMS). Corumbá. 31.111.2003, fr„ M.C.V. Arruda et al. 152 (CH). Machaerium stipitatum pode ser identificada pelo hábito arbóreo, folíolos oblongo-elípticos ou oblongo-lanceolados, de ápice arredondado e nervação broquidódroma e sâmara com asa elíptica castanho-clara. Ocorre no extremo da região noroeste e sudeste de Mato Grosso do Sul, em Floresta Estacionai Semidecidual. Sua floração não foi observada, mas frutos foram encontrados em março e junho. IH. Machaerium villosum Vogei, Linnaea 1 1: 189. 1837. Árvores 4-8 m alt.; ramos vilosos a glabrescentes; estipulas não modificadas em espinhos; lenticelas amareladas, exsudado amarronzado. Folhas 19-25 folioladas; pecíolo viloso a glabrescente, 2-4,5 cm compr.; raque e peciólulo vilosos, raque 1 9-29.5 cm compr., peciólulo 2,5-5 mm compr.; folíolos peciolados, alternos ou subopostos, concolorcs, velutinos a esparso-velutinos, lanceolados ou oblongo-lanceolados, base arredondada ou equilateral, ápice agudo ou acuminado, nervação broquidódroma, 6-9 x 1-3 cm. Panículas axilares, eixos vilosos, os de segunda ordem fasciculados, o principal 12-14,5 cm compr. Flores sésseis; bractéolas internamente glabrescentes, extemamente tomentosas, largo-ovadas ou ovado- comprimidas, l-2x 1-1,5 mm; cálice campanulado, intemamente glabrescente. extemamente tomentoso a glabrescente, tomentoso sobre ápice, lacínios Rodriguésia 62( 1 ): 1 07- 1 22. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 cm .. Machaerium no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul 1 2 1 superiores oblongos, inferiores estreito-oblongos, 2,5- 3 mm compr.; corola alva; estandarte ventralmente glabro, dorsalmente seríceo, ovado ou largo-ovado, ápice obtuso ou retuso; ca. 7,5 x 5.5 mm; asa e pétalas da quilha glabras, asa tomentosa na região da unguícula elíptica, 6,5-8 x 2.5-3 mm; pétalas da quilha oblongas, ca. 7,5 x 3 mm; androceu monadelfo, filetes de mesma altura, anteras oblongas ou triangulares; ovário velutino, estigma capitado. Sâmaras cultriformes; estipe glabrescente, 0,5-1 .5 mm compr., região seminíferaglabra, marrom, brilhante, l,5-3x 1- 2 cm, asa glabrescente. elíptica, castanho-clara. 4-5 x 1,5-2 cm. Material selecionado: MATO GROSSO DO SUL: Bodoquena, 25.VIII.2002, fr.. U.M. Resende <í S. Aragaki 1208 (CGMS, DDMS); 19.VIII.2006. CA. Polido et al. 16 (CGMS). Bonito, IX. 1998. fr., GA. Damasceno Junior et al. 1621 (CGMS); 9.X.2G03, IL. G. Hatschbach et al. 76049 ( MBM. SPSF). Corumbá, 28.X. 1 980, II. e fr.. J.E Guimarães 1237 (RB); 30.IX.1996. 11. ,4. Pott 7880 (CPAP, HMS). Material adicional selecionado: s/loc„ s/d. 11. , F. Sellow s/n (isótipo K n.w, foto UEC). Machaerium villosum caracteriza-se pela raque e peciólulo vilosos, folíolos lanceolados ou oblongo- lanceolados, velutinos a esparso-velutinos em ambas as faces, e flores sésseis, de corola alva. A espécie é encontrada no Mato Grosso do Sul, na porção noroeste do estado, em Savana (Cerrado) e Floresta Estacionai Scmidecidual. Floresce em setembro e outubro, sendo observados frutos em agosto e setembro. Agradecimentos Aos curadores dos herbários o empréstimo das exsicatas; às biólogas Caroline Leuchtcnberger e Luciana A. Spindola, as ilustrações; à FU N DECT (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino. Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) a bolsa de Mestrado concedida à primeira autora; à coordenação do Mestrado em Biologia Vegetal da UFMS e à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, o auxílio às excursões de campo. Referências Barroso. G.M.; Morim. M.P.; Peixoto, A.L. & Ichaso, C.L.F. 1 999. Frutos e sementes: morfologia aplicada à sistemática de dicotiledôncas. Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 443p. Bastos, M.N.C. 1987. Contribuição ao estudo de algumas espécies do gênero Machaerium Pêrsoon (Leguminosae - Papilionoideac) ocorrentes na Amazônia brasileira. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. série Botânica 3: 183-278. Bentham. G. 1862. Leguminosae. Dalbergieae. 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Ilatschbach, G. 37488, 52427 (2); 52446 (3); 52465 (6); 58552 (8); 58886 (2); 62210, 62489, 62497 (4); 62635 (3); 65479 (2); 67004 (1 1); 76049 (18); 77453 (6). Ilochne, F.C. 272 (10); 2550(3). Jacques, EL. 960, 1658 (2). Kuhlmam, J.G. 426 (2). l.chn, C.R. s/a CGMS 17592 (10). Lescano, L.E. 209 (6). Lima, A. 3153 (3). Loureiro. R.L. 26 (6). Macedo, M. 63 (3); 276 (11); 1356 (6); sJn INPA 164601 (1); s/n INPA 176628 (3). Maciel, A.A. 179 (3). Maria, V.R. 339 (6). Mattos, J. 15530 (16); 15535 (9). Melo, P.H.A. 115 (6). Nadruz, M. 1259 (1). Nave, A.G. 1 193 (2); 1333 (3); 2172 (5). Nunes, M.S. 17 (2). Oliveira, J.E. s/n. RB 67959 (11). Pastorc, U. 132 (2). Pereira, M. 396 (11). Pcrcira-Noronha, M.R. 478 (2). Philcox, D. 3017, 3570 (2); 4191 (12). Pinto, J.R.R. 76 (5). Polido, C.A. 16 (18); 17 (8). Pott, A. 474 (13); 1904, 1942 (3); 2238 (2); 3267 (6); 3418 (8); 3430 (2); 3508 (8); 3806 (13); 4228, 4282 (8); 4773 (3); 4990 ( 1 0); 5083 ( 1 3); 661 6. 7065 (2); 7095 (8); 7294 (13); 7734 (2); 7880 ( 1 8); 9523 (8); 10500 (2); 10744 (8); 10860 (6); 1 3559 (13). Prance, G.T. 26676, s/n INPA 42461 (2). Ramos, A.E. 222 , 263, 288, 309, 362 (2). Ramos, J. s/n RB 1 64375 (2). Ratter, J.A. s/n RB 1 65756, UB 2053, UB 4552 (2); s/n UB 524 1 , UB 7070, UB 7670 (6). Resende, U.M. 1 63 (3); 262 (2); 360 (6); 563 ( 1 3), 1 208 ( 1 8); 2006 (13); s/n CGMS 2142 (2). Ribas, O.S. 2450 (8). Ribeiro, E. 9 (3). Salis, S.M. 826 (13); 908 (5). Salvador, J.L.G. 1(17); 50 (8). Santos, J.U. 563 (6); 61 1 (6); Sartori, A.L.B. 475 (6); 921 (2); s/n. CGMS 17586 (10). Schwcnk, EM. 42 (3). Sciamarclli, A. 770 (2); 846 (8); 919 (3); 998 (2); 1344 (8). Shcphcrd, GJ. 751 1 (3). Silva, M.G. 3374 (14); 4423 (2). Silva, R.R. 623 (8); 1120, 1329 (1). Souza, P.R. s/ n CGMS 1 1425 (1). Souza, V.C. 15520 (3); 16185, 16687 (2); 16752 (3); 20505 (2). Torres, A.C. 10 (2). Thomas, W. s'n. INPA 150676 (15). Valls, J.F.M. 7649 (6). Artigo recebido em 1 8/05/20 1 0. Aceito para publicação em 26/ 1 0/20 1 0. Rodriguésia 62( I ): 1 07- 1 22. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. Rodriguésia 62(1): 123-137. 201 1 http://rodriguesia.jbij.gov.br Species composition and floristic relationships in southem Goiás forest enclaves Composição e relações florísticas de encra ves florestais no sul de Goiás Paulo Osivaldo Garcia 1 2 , Arthur Sérgio Mouço Valente', Daniel Salgado Pi fano ' , José Felipe Salomão Pessoa 3 4 , Luiz Carlos Busato', Marco Aurélio Leite Fonte * s 1 & Ary Teixeira Oliveira-Filho 5 Abstract Hinterland fragments of Atlantic forcsLs situated in transitional arcas are poorly known with rcspect to lhe eflects of human impacts on thcir species composition and regcneration. The purpose of this study was to describe and characterize the structure and composition of tlie trce community of forest remnants localed in Itumbiara, Goiás State, Central Brazil, and to analyze their floristic relationship with other areas of seasonal and transitional vegetation ecotones. Five forest fragments wcrc chosen for tree community sampling. The survey was carried out using PCQ (point-centercd quarter) method and 25 points were distributed along linear transects totalling 125 sampling units. Four livc trces with circumference at breast height ( 1 .30 m) > 1 5 cm were recorded at each point. The floristic and phytosociological surveys recorded 149 tree species bclonging to 1 10 gencra and 47 families. Tlie analysis of similarity confirmcd the ccotonal character with many generalist species and other with occasional occurrcnce in 'Cerrado' (woody savanna) and seasonal forcsts. The forest remnants in Itumbiara showed a high tree species diversity. In spite of this, the trce community species suggests highcr similarity with savanna vegetation. Kcy words: Atlantic rainforest. Cerrado, secondary forest, ecotone. Resumo Os fragmentos de Mata Atlântica interioranos localizam-se em região de tensão ecológica e carecem de conhecimento sobre os efeitos de impactos antrópicos sobre sua composição e regeneração. Objetivou-sc caracterizar e descrever a estrutura e composição da comunidade arbórea em remanescentes florestais localizados em Itumbiara, Goiás, além de analisar as relações florísticas entre esses e outros fragmentos de formações estacionais e de áreas ccotonais. Foram selecionados cinco fragmentos para a amostragem da comunidade arbórea. Foi aplicado o método de quadrantes, sendo alocados, em cada fragmento, transecçõcs lineares contendo 25 pontos, o que resultou no estabelecimento de 1 25 unidades amostrais. Em cada ponto, foram inventariados os espécimes arbóreos vivos com circunferência a 1 ,30 m acima do solo >15 cm. As coletas florísticas e o levantamento fitossociológico registraram 149 espécies arbóreas, pertencentes a 1 1 0 gêneros e distribuídas em 47 famílias. A análise de similaridade demonstrou o caráter ccotonal, com muitas espécies gencralistas e outras de ocorrência mais pontual no Cerrado ou em matas estacionais. Os remanescentes florestais em Itumbiara apresentaram elevada diversidade arbórea No entanto, a comunidade arbórea sugere relações florísticas mais estreitas com as formações savânicas. Palavras-chave: Mata Atlântica, cerrado, floresta secundária, ecótono. Introduction The Atlantic Domain comprises various threatcned ecosystems with high structural and floristic complexity and acknowledged value (SOS Mata Atlântica & INPE 2008). It covers tlie mountain ranges of the eastem Brazilian coast and extends far inland (Morellato & Haddad 2000; Oliveira-Filho & Fontes 2000), where it intcrsects with Caatinga to the North. Cerrado in its central part and Araucaria forcsts to the South (Oliveira-Filho & Fontes 2000). Remnants are estimated to represent only 7% of its original extension (SOS Mata Atlântica & INPE 2008). 'Universidade Federal dc Lavras, DcpCo. Ciências Florestais. Ijib, Dinâmica de Florestas Tropicais, C.P. 3037, 37200-000, Lavras, MG. ‘Autor para correspondência: paulogarc tamg a pmgrad ufla br 'Universidade Federal de Juiz de Fora. R. Josê Lourcnço Kelmcr s.n., 36036-900. Juiz de Fora, MG. 4 Signus Vitae Comércio c Elaboração dc Estudos c Projetos Ambientais l.tda. . R. Berlim 73, 27265-000, Volta Redonda. RJ. 'Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto dc Ciências Biológicas, Dcpto. Botânica. 3 1 270-901 , Belo Horizonte. MG. SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 124 Deforestation main causes have been lumbcring and farming aclivities, not to mention urban expansion. According to Oliveira-Filho & Fontes (2000), Atlantic forest formations include the ombrophilous and seasonal types, which are associatcd to high rainfall and tempcratures, and to their seasonality, respectively. Since agricultural borders, energy production, population and road networks arc ever expanding, forest fragmentation provoked by human inOuence is a continuous process that often has irreparable consequences on the environment (Sabbag 2003). Fragments of Atlantic Forest are scattered throughoul what used to be its original territory. In Cendal Brazil, relict formations are found in southem Goiás and in Mato Grosso do Sul (MMA 2000). Penetration occurs through riparian forests, which act asecological corridors (Ledru et ai 1998; Oliveira- Filho & Ratter 2000). According to Ab’sáber(2003), these relicts, surrounded and enclaved in morphoclimatic and phytogeographic Cerrado domain, reflect the impact of the Quatemary climatic and paleoecological changes on the formation and fragmentation of corridors or. on a wider scale, on the expansion and rctraction of biomes. In Goiás, the Atlantic Forest, which covers 4% of the state, includcs seasonal deciduous and semi- deciduous forests (SOS Mata Atlântica & INPE 2008), associatcd w ith recently exposed valleys and slopes with mineral-rich rocks or soils of médium to high fertility (Oliveira-Filho & Ratter 2000; Imana- Encinas et al. 2007). The township of Itumbiara, Southern Goiás, is charactcrized as an ecotone between Atlantic Forest and Cerrado physiognomies. Since local plant cover is no exception tb the national disturbance history, fragments result from the interaction between urban growth and the use of environmental resources. Atlantic Forest, which used to cover approximately 54% of the tow nship, has now been reduced to 3% of its surface (SOS Atlantic Forest & INPE 2008), mainly owing to the excellent farming potential of its soils of basaltic origin (Oliveira-Filho & Ratter 2000). The region is classificd as “insuflficiently known, Iikely to be biologically valuable", so that surveys are needed in order to establish in sita conservation units to protect biological diversity (MMA 2000). The present study describes the strueture and composition of the trec community in forest remnants located in Itumbiara, Goiás, and analyzes tlieir flori Stic relationships with Atlantic and Cerrado formations to characierize lhe inlluencc of these domai ns on species composition. lt also analyzes forest regeneration in Garcia, P.O. et al. different-aged communities, in this trajisitional area, to obtain data that hclp us understand better the dynamics of the vegetation confronted to the current model of land use and occupation. and make decisions to preserve these ecosystems. Material and Methods This work was conducted at the Fazenda São Fernando ( 1 8°2 1 ' S and 49°06’W), in Itumbiara, Southern Goiás. Located on the banks of river Paranaíba, its circa 1 ,470 ha are inoxtly used to grow sugar cane. The landscape presents forest and Cerrado physiognomies, in addition to arcas with huge gullies, where research is devcloped to recover plant communities. Mean altitude is 448 mandelimate is "Aw , according to Koppen’s classification, with two distinct seasons: dry winters (4 to 5 months) and humid summers (SEPLAN-GO 2005; EPE 2006). Nincty pcrcent of annual rainfall (between 1 ,200 and 1,800 mm) occur in the wet season, with monthly rates superior to 1 00 mm (SEPLAN-GO 2005; EPE 2006). Tempcratures have monthly means superior to 1 8°C, and annual amplitude is inferior to 4°C ( EPE 2006). According to Oliveira-Filho & Fontes (2000). within the Atlantic domain, forest communities located to the North of 23°20’S, characterized by a dry season superior to 30 days, and at altitudes between 300 and 700 m, arc classificd as seasonal semi-deciduous submontane forests. The occurrence of various Cerrado physiognomies (Ribeiro & Walter 1998) was also observed in the region, which includcs Cerradão , the forest physiognomy of that Domain. The forest fragments located at the Fazenda São Fernando are usually smaller than 5 ha and at different successional stages. Basedon aerial picturcs shot in 1968 (Fig. la) and 2005 (Fig. lb), we selected five fragments to sample the tree community (Fig. 1). Infact.in 1968, two fragments (Al and A2) were already observed and considercd in a more advanced stage of natural regeneration since they presented an established tree community. The three other remnants (Rl, R2 and R3) comprehended degraded areas covered mainly with herbaccous and slirub sinusiae, which have been regenerating over the last 40 years and currently present a forest physiognomy. Since the establishment of their tree community is more rcccnt, they were categorizcd as at an earlier stage of regeneration. The point-centered quarter method (Muellcr- Dombois & Ellcnberg 1974; Brower & Zar 1984; Martins 1991) was used to describe the tree phytocoenosis. In each fragment, a 10 m transect Rodriguésia 62 ( 1 ): 1 23 - 1 37 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. Florístic rehtionships in Southern Goiás enclaves with 25 equidistant points was established, totaling 5 transects, 1 25 points and 500 individuais. At each point, four live tree specimens with acircumference at breast levei (CBH) equal or superior to 1 5 cm were inventoried in 2008. Specimens with multiple stems were only sampled when theirquadratic mean CBH met the minimum criteria for inclusion. The total height, estimated with the help of ( 1 0 m long) pruning sheers, and circumference of each individual were recorded. When possible, species were identiftcd in the field. Voucher material of all individuais was collected cither to confirm or detemtine identifications through bibliographic rescarch or comparisons with specimens kept at the ESAL herbarium of the Federal University of Lavras. The family classification of the Angiosperm Phylogeny Group (APG III 2009) was used. Nomenclature was checked based on the Tropicos database (2010), but synonymies and new combinations follow Oliveira-Filho (2009). For the phytosociological analyses, we separated the samples into two groups: collected in fragments in more advanced stage of regeneration (AI+A2) and gathered in communities at earlier stages (R1+R2+R3). Botli Shannon’s divcrsity and Pielou’s evenness indexes were obtained. The former were compared both through pairwise t-test (Zar 1999) and diversity curves generated from 500 randomizations of Shannon’s index per fragment. The diversity curves were constructed with the help of EstimateS 8.0 (Colwcll 2006). To compare the structural patterns between groups, heights and diameters (at CBH) were distributed into frequency classes and then compared through a partition chi- square test (Ayres et al. 2007) to quantify the influence of the different disturbance histories on tree species stratification. A Kruskal-Wallis test was run (Zar 1 999) to observe possible differences among basal area values in the groups. The occurrence of the species sampled in this study in different phytophysiognomies of the Atlantic and Cerrado domains was determined according to data found in Treeatlan 1.0 (Oliveira- Filho 2009) and Mendonça etal. (1998) and used to construct a Venn diagram to characterize phytogeographical relationships. We also constructed a UPGMA dendrogram based on Sorcnsen similarity index, involving tree communities from the Cerrado and seasonal forests of center- westem (Distrito Federal, Goiás and Mato Grosso do Sul) and eastem (Minas Gerais) Brazil (Tab. 1). Data from a preparatory floristic survey carried out in the Fazenda in 2007 were added to the inventory and PC-ORD 4.0 (McCune & Mefford 1999) was used to construct the dendrogram. An abundance matrix was generated to perform a Detrended Correspondence Analysis (DCA) and verify vegetation gradients between the two groups, due to their distinct preservation history. EstimateS 8.0 also constructed accumulation curves for the specific richness observed (Mao Tau) in the different fragments, after 500 randomizations (Colwell 2006). Results We recorded 149 tree species pertaining to 1 10 genera and 47 families (Tab. 2), with a predominance of Fabaceae (3 1 species), which corresponds to Figure 1- Imagcs taken from the air in 1 968 (a) and 2005 (b) of the forest fragments in São Fernando farm, Itumbiara, Goiás State. A 1 and A2 are forest fragments in later successional phases; RI , R2 and R3 are forest fragments in earlier successional phases. Rodriguésia 62( 1 ): 123-137.2011 ■SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 126 20.9% of the richness. Out of these species. 7.3% werc only indentifled to the family or genus levei. The inventory sampled 500 tree individuais, 300 of which grew in the fragments at an earlier stage of regeneration and 200, in the fragments in a more advanced stage of regeneration, resulting in an estimate of 1,039.5 and 882.2 individuals.ha-1, respectively. As for the tree community, Shannon's index (H’) was4.02 and Pielou’s evenness index (J’), 0.87. The number of sampled species that only presented a single individual was high (32.7%). The number of species rccorded in the fragments at earlier (Tab. 2) and more advanced stages of regeneration was 72 and 50 species, respectively. The Shannon’s index of the fragments at earlier stage, 3.68, was significantly superior (t0.05, 430 = 8.23; p < 0.05) to that of the more advanced ones, 3.3 1 . Except for R3, the other fragments at an earlier stage of regeneration presented a Shannon’s index superior to that of the fragments in a more advanced stage of regeneration (Fig. 2a), the high value of RI being noteworthy. All remnants presented a similar specific richness (Fig. 2b), except for R 1 whose number of species was quite superior to the others. The species accumulation curves tend to reinain constam as the sampling effort increases, suggesting that the species composition sampling was representative (Fig. 2b). All fragments presented similar evenness values: 0.86 in those at an earlier stage of regeneration and 0.84 in the ones at a more advanced stage of regeneration. Xylopia aromatica (Lam.) Mart., Tapiríra guianensis Aubl. and Myracrodruon urundeuva Allemão represented 30% of the importance value (I V) in the fragments at an earlier stage of regeneration (Tab. 2), but either were not rccorded in the fragments in a more advanced stage of regeneration ( T . guianensis and M. urundeuva) or had a drastically reduced importance in the community (X. aromatica). Conversely, Nectandra lanceolata Nees, Acacia polyphylla DC. and Trichilia hirta L., which correspond to 31% of the IV in the fragments in a more advanced stage of regeneration (Tab. 2), presented a reduced importance in the fragments at earlier stages, while T. hirta was not even recorded in them. It is worth noting that no species of the genus Trichilia , which mainly formed the understory of the more mature fragments, mainly due to the density of T. hirta, were recorded in the fragments at earlier successional stages. No species with higher 1 Vs were common to communities in different stages of regeneration (Tab. 2). Garcia, P.O. et al. % The difference in tree species composition between the fragments in different stages of regeneration became evident in the Dctrended Correspondence Analysis (DCA), with high eigenvalues on the first two axes (Braak 1995). Axis 1 (0.879) distinguishes fragments in a more advanced stage of regeneration from those in earlier stage of regeneration (Fig. 3), while axis 2 (0.762) differentiates the composition within the very communities both in advanced and earlier stages (Fig. 3). The biggest differences in strueture and composition were observed between fragments A 1 and R3, represented at the extremities of axis 1 . With regard to the distribution of the identified species (Fig. 4), 64.2% are common both to the •FA1 »FA2 aFRI ofTL2 oFRJ • FAI «FA2 âFRl GFR2 oFKJ b Figure 2 - Accumulation curv es for the Shannon index (a) and observed number of species (b), obtaincd from 500 randomized combinations of sample plots used to survey five forest fragments at São Fernando farm, Itumbiara, Goiás State, Brazil. Al and A2 are forest fragments at later successional phascs; Rl, R2 and R3 are forest fragments at earlier successional phases. Rodriguésià 62( t ): 1 23- 1 37. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 62(1): 123-137.2011 Tablc 1 - Trce community survcys uscd for similarity analysis. CAP or DAP, circumfercncc or diameter at brcast hcight (1.30 m); CA30 or DA30, circumfcrcncc and diametcr at 0.30 m above ground; M, methods; Q, point-centercd quartcr; P, plots; H\ Shannon diversity index; J’, Piclou cvcnncss index; NI, numbcr of individuais per hectare; FED or FES, scmideciduous and deciduous forest, respectively; Ce, Cerrado; GO and MG, Goiás and Minas Gerais States, rcspcctivcly; DF, Distrito Federal. Authors Locality Geographical coordinatcs Cliniate Admission criteria (cm) M H’ J’ NI N° of species (% rare) Typology Presente trabalho Itumbiara, GO 18°2rS49°06’W Aw CAP>15 Q 3.3 to 3.7 0.8 to 0.9 972 148 (32.7) FLO-GO 1 Balduinoera/. 2005 Paraopeba, MG I9 0 20’S44 0 20'W Cwb CA30>I5.7 P 3.6 0.8 1990 75(14.7) CE-MG 1 Costa & Araújo 2001 Uberlândia, MG 19°10 , S48°23’W Aw CAP^15 P 3.8 0.8 1867 107(11.2) CE-MG 2 Espírito-Santo et aL 2002 Lavras, MG 2ri3’S44°57'W Cwb DAP^5 P 4.2 0.8 1411 to 1700 238 (23.0) FES-MG 3 Fonseca & Silva Júnior 2004 Brasília, DF 15°52’S47°50’W Aw a Cwa DA30>5 P 3.2 to 3.4 0.8 to 0.9 1219 64 (9.4) CE-DF Haidar et al. 2005 BR-060 Goiânia a Anápolis 16°33’S49°10'W Aw DAP>5 P - - 1097 124(17.5) FES-GO 3 Imana-Encinas et al. 2007 Pirenópolis, GO 15°45’S49°ÍH’W Aw DAP>5 P 3.8 0.9 1855 83(18.1) FES-GO 2 Nascimento et al. 2004 Monte Alegre, GO 13°08’S46°39’W Aw DAP>5 P - - 663 52(28.8) FED-GOl Salis et al. 2004 Corumbá, MS 19°33’S57°50’W Aw CAP>9 Q 2.5 to 3.2 0.8 to 0.9 1020 to 3240 79 (44.0) FED-MS Silva & Scariot 2004 São Domingos, GO 13°4’S46°44’W Cw DAP>5 P 3.0 0.8 924 48 (22.9) FED-G02 Sou7.a et al. 2006 Araguari, MG 18°38’S48°1 l’W Cwa CAP>15 P 3.3 to 3.7 0.7 to 0.8 1472.5 110(8.18) FES-MG 1 Souza et al. 2007 Uberlândia, MG 18°48’S48°I0’W Aw CAP>I5 P 2.6 to 2.8 0.7 1279 59 (20.33) FED-MG Sposito & Stehmann 2006 Belo Horizonte, MG 20°05'S43°46’W Cwb CAP>15 Q 3.0 to 4.0 0.8 to 1.0 1724 to 4058 221 (36.19) FES-MG 2 SciELO/ JBRJ 6 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Floristic relatíonships in southem Goiás endaves 127 cm .. 128 (ombrophilous and/or seasonal) forest and savanna physiognomies. The species that only occur in the Atlantic Domain accounted for 33.5% of the total. Nonetheless, the floristic relationships between the tree community of the Fazenda São Fernando and other formations point out a greater similarity to Cerrado vegetations (Fig. 5). Analyzing the frequency distribution of individuais in height ( X^.OS, 5 = 30.63; p < 0.000 1 ) and diameter (X^.OS, 5 = 24.72; p = 0.01 ) classes showed significant differences between fragments. A reduction of higher specimens was observed in the fragments at earlier stages of regeneration, cspecially of individuais higher than 1 2 m (Fig. 6a) and over 25 cm in diameter (Fig. 6b). On the whole, individuais are between 4.1 m and 8 m high and corrcspond to 48% in the earlier fragments and 54.6% in the more advanced ones. The distribution of individuais in diameter classes (Fig. 6b) showed a higher abundance of sampled trees in the smaller size classes and a gradual decrease as we move toward bigger classes. A difference(H0.05, 1 =7.02; p = 0.008) between basal area values was also observed: they were higher in the more mature fragments, 23.7 1 m 2 .ha', than in the ones at an earlier stage of regeneration, 11.11 m 2 .ha '. Garcia. P.O. et ai. % Discussion This survey recorded generalist species with a wide geographical distribution that colonize from Atlantic rainforest to hinterland savanna communities, as is the case of Amaioua guianensis Aubl., Apuleia leiocarpa (Vogei) J.F. Macbr., Casearia sylvestris Sw. and Cecropia pachystachya Trécul (Oliveira-Filho & Fontes 2000; Oliveira-Filho 2009). On the other hand, Byrsonima crassa Nied., Ferdinandusa ovalis Pohl, Mouriri elliptica Mart., Sorocea sprucei (Baill.) J.F. Macbr., Tachigali vulgaris L.G. Silva & H.C. Lima - prcdominantly distributed in Central Brazil - and Erythroxylum tortuosum Mart., Salada crassifolia (Mart.) G.Don and Zeyheria montana Mart., characteristic of Cerrado (Mendonça et al. 1998; Oliveira-Filho 2009), were also reported. According to Mendonça et al. ( 1 998 ), the distribution of F. ovalis and S. sprucei in the Cerrado Domain is limited to riparian forcsts, while II. crassa, A 1. elliptica and T. vulgaris are more directly associatcd with lower savanna formations. On the other hand, among the species prcdominantly distributed in the Atlantic Domain “sensu latíssimo" (Oliveira-Filho 2006), we reported Machaerium stipilatum (DC.) Vogei, Nectandra lanceolata Nees, Bauhinia ungulata L„ Manihot Figure 3 - Detrcnded correspondence analysis (DCA) of 125 samplc points used to survey the forest fragments at São Fernando farm, Itumbiara, GO. Al and A2 are forest fragments in later successional phases; RI , R2 and R3 are forest fragments in earlier successional phases. Figure 4 - Venn diagram produeed for the tree species surveyed in forest fragments of the São Fernando farm, Itumbiara, Goiás State, floristic and phytossociologica! stands showing number of species shared by rain, semidcciduous and dcciduous forcsts and Cerrado (woody savanna) vegetation. N, total number of species. Rodriguitsia 62( 1 ): 123-137.2011 SciELO/JBRJ 13 14 cm .. Roristic relationships in Southern Goiás enclaves 129 Table 2 - Families and species recorded in floristic and phytossociological surveys carried out in forest fragments with different disturbance histories in Itumbiara, Goiás State. N, number of individuais; AB, basal area in m 2 ; NP, number of point-quarter species occurrence; VI, Importance Value; ***Species surveyed only in floristic surveys. FAMIL1ES/SPECIES N Floristic communities Initial stage Advanced stage AB NP VI N AB NP VI Anacardiaceae Astronium fraxinifolium Schott. ex Spreng.*** - - - - - - - - Myracrodruon urundeuva Allemão - - - - 22 0.219 17 21.00 Tapirira guumensis Aubl. - - - - 26 0.421 18 29.03 Thyrsodium spruceanum Salzm. & Benth. - - - - 1 0.002 1 0.79 Annonaceae Annona crassiflora Mart. - - - - 3 0.024 3 2.95 Cardiopetalum calophyllum Schltdl.*** - - - - - - - - Gualteria aff. pogonopus Mart.*** - - - - - - - Xylopia aromatica (Lam.) Mart. 2 0.020 2 2,62 43 0.332 30 36.73 Xylopia sericea A.St.-Hil.*** - - - - - - - - Apocynaccae Aspidosperma cf. cuspa (Kunlh) S.F.Blake ex Piltier*** . _ _ _ _ _ Aspidosperma cylindrocarpon Miill. Arg. 7 0.087 6 8.85 6 0.079 5 6.46 Aspidosperma parvifolium A. DC. - - - - 2 0.009 2 1.74 Araliaceae Schefflera macrocarpa (Cham. & Schltdl.) Frodin 1 0.006 1 1.23 1 0.003 1 0.83 Schefflera morolotoni (Aubl.) Maguire et ai.*** - - * - * " - Arecaccae Mauritia flexuosa L.f.*** - - - - - - - * Bignoniaceae Cybistax antisyphilitica (Mart.) Mart. 1 0.005 1 1.21 - - - - Tabebuia chrysotricha (Mart. ex A.DC.) Standl.*** - - - - * - - * Tabebuia ochracea (Cham.) Standl. - - - - 1 0.003 1 0.83 Tabebuia sp. - - - - 1 0.004 1 0.85 Zeyheria montana Mart.*** - - - - - Boraginaceae Cordia ecalyculata Vell. 1 0.003 I 1.18 - - * Burseraceae Protium heptaphylium (Aubl.) Marchand 3 0.106 3 5.33 3 0.033 3 3.24 Calophyllaceae Kielmeyera sp. 1 0.005 1 1.21 - - - - Celastraceae Maytenus ilicifolia (Schrad.) Planch. 2 0.010 2 2.43 - - - Salada crassifolia (Mart.) G. Don 5 0.033 5 6.22 - “ - Chrysohalanaceae Hirtella giandulosa Spreng. . _ _ 1 0.015 1 1.20 Hirtella hebeclada Moric. ex DC. 3 0.049 3 4.27 - - - Hirtella racemosa Lam.*** - - - * - - - Hirtella sp. - - - - 3 0.020 2 2.42 Licania kunthiana Hook. f. 8 0.468 7 17.06 - - * Clusiaceae Symphonia globulifera L.f.*** - - - - - - Combretaceae Terminalia argentea (Cambcss.) Mart.*** . _ _ . _ _ _ Terminalia fagifolia Mart. 1 0.002 1 1.16 2 0.006 1 1.26 Connaraceae Rourea cf. induta Planch. - - - - 1 0.005 1 0.88 Dilleniaceae Curatella americana L. - - - - 10 0.159 9 11.89 Ebenaccac Diospyros hispida A.DC.*** . _ _ _ . . Rodriguésia 62( 1 ): 1 23- 1 37. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. 1 30 Garcia. P.O. et al. FAMILIES/SPECIES N Initial AB Fluristic communities » stagc Advanced stage NP VI N AB NP VI Erythroxylaceae Erythroxylum deciduum A. St.-Hil. 8 0.069 7 7.63 Erythroxylum torluosum Mart. - - - - 1 0.016 I 1.23 Euphorbiaceae Manihol anômala Pohl 1 0.010 1 1.31 Maprounea guianensis Aubl. - - - - 1 0.008 1 0.97 Pera glabrala (Schott) Poepp. ex Baill. 1 0.003 I 1.17 5 0.056 5 5.41 Sapium glandulalum (L.) Morong 3 0.017 2 3.06 - - - - Fabaccae Acacia polyphylla DC. 18 0.271 13 22.11 1 0.017 1 1.26 Acosmium dasycarpum (Vogei) Yakovlev - - - 1 0.004 1 0.85 Albizia niopoides (Spruce ex Benlh.) Burkart*** - - - - - - . - Anadenunthera colubrina ( V e 1 1 . ) Brenan 3 1.302 3 27.58 - - . . Apuleia leiocarpa (Vogei) J.F.Macbr.*** - - - - - - - - Bauhinia brevipes Vogei - - * 2 0.007 2 1.68 Bauhinia rufa (Bong.) Steud. - * - - i 0.029 1 1.63 Bauhinia ungulala L.*** - - - - - - - - Bowdichia virgilioides Kunth - - - 2 0.020 1 1.69 Copaifera langsdorffii Desf. 1 0.828 1 16.52 3 0.1 13 3 5.72 Deguelia costata (Benth.) Az.-Tozzi - - - - 1 0.002 1 0.80 Dimorphandra mollis Benth. - - * - 3 0.036 3 3.31 Dipleryx alala Vogei 1 0.009 1 1.29 - - - - Diptychandra auranliaca Tul.*** - - - - - - - - Enleroiobium gummiferum (Mart.) J.F.Macbr.*** - - - - - - Hymenaea marliana Hayne*** - - - - - - Hymenaea sligonocarpa Mart. ex Hayne - - 5 0.024 3 3.63 Inga laurina (Sw.) Willd.*** - - * - - - - Inga sessilis (Vell.) Mart. * - - 1 0.002 1 0.79 Machaerium acutifolium Vogei*** - - - - - - Machaerium opacurn Vogei - - * 3 0.019 3 2.80 Machaerium stipitalum (DC.) Vogei - * - 2 0.081 1 3.59 Mimosa bimucronata (DC.) Kuntze*** - - - * - - - Ormosia fasligiata Tul. - - - - 3 0.103 3 5.42 Plathymenia reliculala Benth. 1 0.076 1 2.53 1 0.020 1 1.35 Pialypodium elegans Vogei 1 0.012 1 1.34 2 0.013 2 1.87 Pterodon emarginatus Vogei 5 0.071 5 6.92 - - - - Stryphnodendron adslringens (Mart.) Cov. - * 9 0.221 8 13.11 Tachigali subvelutina (Benth.) Oliveira-Filho 3 0.007 2 2.87 6 0.026 6 5.21 Tachigali vulgaris L.G. Silva & H.C.Lima*** - - - * - - - Vatairea macrocarpa (Benth.) Ducke*** - - - “ - - - Humiriaceae Sacoglouis cf. guianensis Benth. - - - 2 0.014 2 1.89 Icacinaceae Emmotum nilens (Benth.) Miers . 1 0.016 1 1.23 Indeterminada Indeterminada 1 0.018 i 1.45 - - - - Lauraceae Nectandra cuspidata Nees*** - - - - - - - - Neclandra lanceolata Nees 34 0.717 20 42.77 1 0.002 1 0.79 Ocotea cf. corymbosa (Meisn.) Mez*** - - - * - - - I.ecythidaceae Cariniana legalis (Mart.) Kuntze 2 0.246 2 6.82 - - - - Lecythis sp. 1 0.009 1 1.29 - - - - Loganlaceae Antonia ovala Pohl*** - - - - * - - - Strychnos cf. pseudoquina A. St.-Hil.*** - - - - - - - Malpighiaceae Byrsonima cf. intermedia A.Juss.*** _ . - - . _ _ Rodriguésia 62( 1 ): 1 23- 1 37. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 cm .. Floristíc relationships in Southern Goiás enclaves FAMILIES/SPECIES N Floristic communities Initial stage Advanced stage AB NP VI N AB NP VI Byrsonima cf. verbascifolia (L.) DC.*** _ . . _ _ . _ Byrsonima coccolobifolia Kumh. - - - 2 0.020 1 1.68 Byrsonima crassa Nied. - - - 1 0.006 1 0.92 Byrsonima sericea DC. - - - 6 0.032 5 5.01 Byrsonima sp. 2 0.239 2 6.68 - - - - Malvaceae Apeiba tibourbou Aubl.*** - - - - - - - Ceiba speciosa (A.St.-Hil.) Ravenna*** - - - - - - - Guazuma ulmifolia Lam. 4 0.019 3 4.21 3 0.054 2 3.47 Luehea grandiflora Man. & Zucc. 3 0.067 3 4.60 10 0.033 6 6.79 Pseudobombax longiflorum (Mart. & Zucc.) A.Robyns*** - - - - - - - Melastomataceac Miconia albicans (Sw.) Triana - - - 2 0.007 2 1.69 Miconia sp. 1 0.002 1 1.17 - - - - Mouriri elliplica Mart.*** - - - - - - - Mcliaccac Guarea guidonia (L.) Sleumer 1 0.007 1 1.25 - - - - Gitarea macrophylla Vahl*** - - - - - - - Trichilia claussenii C.DC. 8 0.056 6 8.76 - - - - Trichilia hirta L. 21 0.108 13 20.58 - - - - Trichilia pallida Sw. 3 0.024 3 3.80 - - - - Moraceae Brosimum gaudichaudii Trccul*** - - - - - - - Sorocea sprucei (Baill.) J.F.Macbr. 1 0.007 1 1.26 - - - - Myristicaccae Virola sebifera Aubl. 6 0.065 5 7.31 8 0.030 6 6.02 Myrtaceae Campomanesia sp. - - - 3 0.01 1 3 2.54 Eugenia adenantha O.Berg*** - - - - - - - Eugenia brasiliensis Lam. 1 0.005 1 1.21 - - - - Eugenia punicifolia (Kumh) DC.*** - - - - - - - Myrcia sp. - - - 1 0.006 1 0.92 Myrcia tomentosa (Aubl.) DC.*** - - - - - - - Myrtaceae sp. 1 3 0.050 3 4.30 - - - - Psidium salutare (Kunth) O.Berg - - - 8 0.085 7 8.12 Siphoneugena cf. densifiora O.Berg*** - - - - - - - Ochnaceae Ouralea hexasperma (A.St.-Hil.) Baill. 1 0.004 1 1.20 - - - - Olacaceae Heisteria silvianii Schwacke - - - 2 0.005 2 1.62 Ximenia americana L. - - - 2 0.007 2 1.69 Polygonaceae Coccoloba mollis Casar. - - - 4 0.043 4 4.29 Primulaceae Myrsine umbellata Mart. 1 0.007 1 1.25 4 0.015 2 2.59 Proteaceae Roupala montaria Aubl. - - - 1 0.003 i 0.82 Kubiaceae Alibertia edulis (L.C.Rich.) A.Rich. ex DC. - - - 2 0.010 2 1.79 Arnaioua guianensis Aubl. 1 0.004 1 1.19 - - - - Cordiera concolor (Cham.) Kuntze 2 0.008 2 2.40 - - - - Ferdinandusa ovalis Pohl - - - 4 0.047 4 4.39 Guettarda uruguensis Cham. & Schltdl. - - - 1 0.008 1 0.99 Ixora brevifolia Benth. 5 0.069 5 6.89 - - - - Simira sampaioana (Standl.) Steyerm.*** - - - - - - - Kutaceae Zanthoxylum rhoifolium Lam. - - - 3 0.102 3 5.38 Rodríguésia 62( 1 ): 1 23- 1 37. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. 132 Garcia, P.O. et al. FAMILIES/SPECIES N Floristic communitics * Initial stage Advanced stage AB NP VI N AB NP VI Salicaceae Casearia sylvestris Sw. 7 0.033 6 7.84 - - - - Sapindaceae Cupania raeemosa (Velt.) Radlk. - - * 6 0.034 6 5.48 Cupania vernalis Cambess. - «* - - 2 0.008 2 1.73 Dilodendron bipinnatum Radlk.*** - - * - - - - Magonia pubescens A.St.-Hil. - - - - 1 0.007 i 0.95 Matayba elaeagnoides Radlk. - - - 2 0.015 2 1.93 Matayba guianensis Aubl. 3 0.128 2 5.1 1 8 0.043 7 6.83 Sapotaceae Chrysophytlum sp. . _ _ _ 6 0.061 6 6.31 Pouteria ramiflora (Mart.) Radlk. - - - 1 0.006 1 0.92 Pouteria tona (Mart.) Radlk.*** - - - - - - - Siparunaceac Siparuna guianensis Aubl. 9 0.034 9 10.72 4 0.014 4 3.37 Solanaceae Solanum lycocarpurn A.St.-Hil.*** - - * - - - - Styracaceae Styrax ferrugineus Nees & Mart. 2 0.021 1 2.01 1 0.003 1 0.82 Styrax pohlii A.DC.*** - - - - Urticaceae Cecropia pachystachya Trécul - - - - 5 0.034 4 4.33 Vochysiaceae Callisthene major Marl. 1 0.008 1 1.26 1 0.191 I 6.69 Qualea cf. paniflora Mart. - - 1 0.009 1 1.01 Qualea grandiflora Mart.*** * - - * - - Qualea multiflora Mart. 2 0.018 1 1.95 4 0.012 3 2.91 Vochysia acuminata Bong.*** - * * • * - Vochysia cf. pyramidalis Mart.*** - - - * * * - Vochysia thyrsoidea Pohl i 0.008 1 1.26 - - - - anômala Pohl and Trichilia hirta L., and B. ungulata , M. anômala and T. hirta , which are related to seasonal forests (Oliveira-Filho 2009). Other species found in ecotonal areas as Dipterix alata Vogei, Emmotum nitens (Benth.) Miers, Hirtella glandulosa Spreng., Magonia pubescens A. St.-Hil. and Myracrodruon urundettva Allemão reaffirm the transition between Atlantic Forest and Cerrado Domain (Oliveira-Filho & Ratter 2002 ). Few recorded species are exclusive to semi-deciduous forniations, as hora brevifolia Benth. and Styra.x pohlii A. DC. (Oliveira-Filho 2009). Among the species associated with the semi-deciduous forests of western Brazil (Oliveira-Filho & Fontes 2000) are Acosmium dasycarpum (Vogei) Yakovlev, Albizia niopoides (Spruce ex Benth.) Burkart, Apeiba tibourbou Auhl., Astronium fraxinifolium Schott. ex Spreng., Callisthene major Mart., Cordiera concolor (Cham.) Kuntze, Diospyros hispida A.DC, Eugenia punicifolia (Kunth) DC.. Machaerium acutifolium Vogei, Myrcia tomentosa (Aubl.) DC., Platypodium elegans Vogei, Siparuna guianensis Aubl., Siphoneugena cf. densiflora O.Berg, Terminalia argentea (Cambess.) Mart., Virola sebifera Aubl., Xylopia aromatica (Lam.) Mart. and Zanthoxylum rhoifolium Lam. The high values of specific richness and diversity reported for the tree phytocoenosis of the Fazenda São Fernando were compatible with those obtained in semi-deciduous forests in the Atlantic Domain (Meira-Neto & Martins 2002) and are also characteristic of Southern Goiás woodlands, which are considered as ecotonal areas (Oliveira- Filho & Ratter 2002). Central Brazil forests constitute an importam link between northeastem, souiheustem and Pantanal seasonal forniations and pre- Amazonian vegetation (Oliveira-Filho & Ratter 2000; Fcllili 2003; Haidarc/íi/. 2005) and, naturally, theircomposition is influenced hy these zoncs (Leitão Filho 1987). According to survcys carried out by Flaidar et al. Rodrigu&sià 62 ( 1 ): 1 23 - 1 37 . 20 11 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Fhristic relationships in Southern Goiás enclaves (2005) and Imana-Encinas et al. (2007) in Goiás semi-deciduous forests, the most representative species in the community structures were Acacia polyphylla DC., Amaioua guianensis Aubl., Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan, Callisthene major Man., Dilodendron bipinnatum Radlk., Guazuma ulmifolia Lam., Myracrodruon urundeuva Aliemão, Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand, Qualea multiflora Mart. and Tapirira guianensis Aubl., which were also recorded in the present survey. Nonetheless, the similarity of the tree community inventoried in Itumbiara to savanna formations reveals the remarkable influence of the Cerrado Domain, highlighted by the increased importance of genera associated with it, as Byrsonima and Qualea (Ledru 1 993; Mendonça et al. 1 998; Oliveira-Filho & Ratter 2002; Ratter et al. 2003; Carvalho & Marques-Alves 2008). Thus, the records of species characteristic of Goiás semi-deciduous forests and of species distributed in the Atlantic Domain as well as the floristic relationships to Cerrado manifest that this area is an ecotone between seasonal and Cerradão types. Delimiting the extension of Cerradão communities ( Cerrado Domain) and of seasonal forests (Atlantic Forest) in transition areas is complex ( Ribeiro et al. 1 983). Cerradão can act as a distribution limit for tree species of the Atlantic Domain (Costa & Araújo 2001) and share a high numberof species with the lattertRizzini 1979). Differences among the compositions of plant communities can derive from habitat heterogeneity, climatic and edaphic conditions and modifications, inter-specific interactions, and disturbance histories (Whittaker 1972; Ledru 1993; Oliveira-Filho etal. 2001; Tabarelli et al. 2004; Sposito & Stehmann 2006). Since they modify the demographic rates, the geographical distribution of plant populations and impact the extension of the biome zones (Ledru 1993; Ledru etal. 1996; Ledru etal. 1998; Hill & Curran 2003; Tabarelli etal. 2004; Durigan & Ratter 2006; Malhi etal. 2008; Lenoire/r;/. 2008; Ledru et al. 2009; Mantgem etal. 2009), such factors interfere in the vcgetation resilience and generate floristic dissimilarities. According to Oliveira-Filho & Ratter (2002), the forest physiognomies of Central Brazil can be distinguished according to the availability of water in the soil and fertility of the latter. Then. except for the variable climate (the proximity between fragments leads us to presupposc they are submitted to similar climatic conditions). the other factors potentially affect the floristic Rodriguésiá 62( I ): 123-137. 20 tl 133 Figure 5 - Floristic relationships obtained from Sorensen similarity index including the present study and the other surveys listed in Table 1 . composition of the fragments at the Fazenda São Fernando. There was a clear distinction between species whose high importance values stood out, as Xylopia aromatica and Nectandra lanceolata , which demonstrated a lower recruitment capacity in forests in more advanced and earlier successional stages, respectively. Floristic separations also occurred between fragments of similar ages, albeit on a minor scale. Again, the composition peculiarities between fragments can reflect soil modifications (Oliveira-Filho & Ratter 2002) or correspond to distinct successional stages (Durigan & Ratter 2006). Also, the differences between fragments of the Fazenda São Fernando can be explained by past disturbances, since those in earlier stages of regeneration were exposed to human activity for a Ionger period of time. Such disturbances affect both water sources and the availability of propagules to restore vegetation (Castellani & Stubblebine 1993; Roberts & Gillian 1995; Frelich etal. 1998). The tree density obtained for the community inventoried in Itumbiara is inferior to that found in savanna formations and other semi-deciduous forests, and is closer to that of Goiás deciduous forests (Tab. 1 ). Lower densities can be attributed to the presence of clearings (caused by the fali of trees or parts of them ) and/or to the penetration of Cerrado physiognomies, characterized by fewer and lower tree specimens, into the forest. In such circumstances, the lesser presence of trees entails an increase in the mean value of the point-plant distance and, consequently. in the mean area, which, in turn, implies a lower estimate of absolute density. In the fragments in more advanced stages of regeneration, we mainly observed clearings, while in those at earlier stages of regeneration we found intersections with lower savanna types. In the communities regenerated SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 134 C Ussrv de diâmetro (em) b Figure 6 - Frequency distribution into heighl (A) and diameter (B) classes of lhe tree specimens surveyed in São Fernando farm forest fragments, Itumbiara, Goiás State. A1+A2, forest fragments in latcr successional phases; R1+R2+R3, forest fragments in earlier successional phases over the last 40 year.s, basal area and structural complexity were lower. According to Rosa & Schiavini (2006), the tree stratum of Central Brazil mesophilic forests comprises individuais between 15 and 25 m high. Yct, mainly in the fragments in earlier stages of regeneration, we checked the absence of specimens higher than 1 2 m, which made these communities similar to Cerradão or Campo Cerrado phytophysiognomies, dcpending on the fragments (according to Silva & Bates 2002; Durigan & Ratter 2006). In this survey, biomass loss and stratum reductions in lhe canopy are probably due to the fact that sampling included Cerrado patches composed of lower specimens. It is worth highlighting tliat in the moa* mature fragments, where intersections w ith lower savanna communities were less frequent, the basal area value (23.71 m 2 .ha ‘) , Garcia. P.O. et al. was superior to that obtained by Haidarefa/. (2005) ( 1 9,9 m 2 .ha 1 ) and I mana-Encinas et al. (2007 ) ( 20.08 m 2 .ha ') in Goiás semi-deciduous forests. Thus, the greater representativeness of savanna phytophysiognomies in the fragments at an earlier stage of regeneration also gave rise to the differcnces and to specics divcrsity, incrcasing the values ol the latter to numbers closer to those proposed by Sposito & Stehmann (2006). Another source of biological variability can be the conjugation of the permanencc of species related to the beginning of succession and of the recruitment ot species from more advanced stages, in a facilitation model (Conncll & Slatyer 1977), thus weakening possible dominancc relationships among species. The occasional occurrcnce of disturbances can gcncrate and/or maintain plant community di versity (Connell 1978) and prevent competitive exclusion. However, the incrcase in frequency and intensity of these disturbances impoverishes the community composition and strueture. During lhe Quatemary climatic fluetuations, oscillations in the territorial extension of biomes(Ledru 1993; Ledru etal. 1996; Lcdru etal. 1998; Oliveira- Filho & Ratter 2000; Ab’sáber 2003; Joly 2007; Ledm et al. 2009;) provoked speciations and promoted geographical dissimilarities (Joly 2007; Ledru et al. 2009). Cerrado expanded over mesophytic forests, which were unable to re-expand their zone, a failure that can be attributed to human actions (Oliveira-Filho & Ratter 2000). The succession process encompasses a recovery of species richness and diversity, guild recomposition, tlora restoration and, finally, a vegetation restrueturing (Brown & Lugo 1990; Tabarclli & Mantos ani 1 999; Oliveira-Filho cr ai 2004). The Fazenda São Fernando in Southern Goiás represents an ecotonal area between the Atlantic and Cerrado domains. Its vegetation was degraded and is currcntly undergoing a natural regeneration process. Characterizing the local vegetation and following its transformations can provide information allowing to understand the phytogeographical relationships. Although we found species richness and diversity values compatible with other semi-deciduous formations, the composition of the inventoried remnants showed floristic relationships closer to savanna tree communities. In Itumbiara. it was eslimated that the Atlantic forest covcred more than 50% of the township (SOS Mata Atlântica & INPE 2008) and it may have been predominam in the study area. Thus, two hypotheses can be formulated: the past vegetation was mainly constituted by species Rodrígué sia 62(1): 1 23- 1 37. 20 1 1 ■SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm i R oristic relationships in Southern Goiás enclaves 1 35 of the Atlantic Forest, but environmental degradation drastically reduced their populations, and natural regeneration encompassed the recruitment of species from adjacent savanna physiognomies, in which case the balance between forest physiognomies and types would result from the interaction between disturbance frequency and intensity (Durigan & Ratter 2006); or, the floristic relationships with Cerrado used to be and still are narrower, so that phytophysiognomy distinction depends mainly on edaphic attributes (Oliveira-Filho & Ratter 2002) and the disturbance history affects the similarity between local communities because it impacts the succession process. Further clarification with regard to these hypotheses can come out of edaphic, paleoccological and palynological surveys or even of a monitoring of the forest community development over time ( Durigan & Ratter 2006). This scenario demonstrates how difficult it is to delimit zones or vegetation types. Nevertheless, the forest community inventoried in Itumbiara, Goiás, presented high species richness and it is located in a transitional area between two hotspots characterized by the urgency of surveys describing their biological di versity and allowing to implement conservationist activities. References Ab'Sáber, A.N. 2003. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. Ateliê Editorial. São Paulo. 160p. APG - Angiosperm Phylogeny Group III. 2009. An update of the Angiosperm Phylogeny Group dassificalion for the orders and families of flowering plants: APG III. Botanieal Journal of the Linnaean Society 161; 105-121. Ayres, M; Ayres Júnior. 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The richest plant families in Serra do Ouro Branco were Poaceae (22 spp.), Asteraceae (14 spp.) and Cypcraceae (10 spp.), while in Serra do Ribeiro, they were Poaceae (17 spp.), Cyperaceae (12 spp.) and Asteraceae (8 spp.). Variation between the number of species and altitude was not significam. The higher number of species in Serra do Ouro Branco may be due to differcnt local cnvironmental factors and to the occurrcnce of grazing and fires. The serras presented a high similarity value (J = 0.44), but cluster and ordination analysis indicated the formation of two distinct groups, reflecting the imponance of local factors to determine the tloristic composition of neighboring areas of campos rupestres. Kcy words: biogeography, gradient, diversity, mountains, similarity. Resumo A variação da riqueza de plantas herbáceas ao longo do gradiente altitudinal foi estudada em campos rupestres das Serras do Ouro Branco e do Ribeiro, localizadas respectivamente nos municípios de Ouro Branco e Ouro Preto. A similaridade entre a flora das serras também foi verificada. Foram amostrados 20 pontos num gradiente altitudinal de 440 m (1.105 m a 1.545 m); em cada ponto, as ervas foram coletadas em parcelas de 1 m', totalizando 200 m 2 . Foram encontradas 101 espécies em 59 gêneros e 25 famílias. Na Serra do Ouro Branco, as famílias com maior número de espécies foram Poaceae (22 spp.), Asteraceae (14 spp.) e Cyperaceae (10 spp.), enquanto na Serra do Ribeiro foram Poaceae (17 spp.), Cyperaceae (12 spp.) e Asteraceae (8 spp.). Não houve variação significativa da riqueza de espécies com a altitude e a Serra do Ouro Branco apresentou um maior número de espécies. As serras apresentaram elevada similaridade entre si (J = 0,44), porém houve a formação de dois grupos distintos nas análises de agrupamento e ordenação, indicando que a riqueza de espécies em áreas relativamente próximas de campo rupestre podem estar sob influência de fatores locais predominantes. Palavras-chave: biogeografia, gradiente, diversidade, montanhas, similaridade. Introduction Although Brazilian mountain ecosystems are of great ecological and economic importance, they are threatened by human activities and their biology is poorly known (Martinelli 2007). Studies on tropical mountain ranges are important to understand the processes and mechanisms that influence biodiversity and organism responses to environmental changes, as global warming (Gottfriede/a/. 1999; Lomolino 2001; Beckage etal. 2008). Universidade Federal de Ouro Prelo (UFOP). Instituto de Ciências Exatas e Biológicas, DEBIO, Lab. Entomologia Ecológica. 35400000. Ouro Preto, MG. Brasil. ■Centro Nacional de Cooscrvaçio da Flora - PROBIO 11, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), R. Pacheco Lcâo 91 5, 22460030, Rio de Janeiro. RJ. Brasil. Autor para concspondência: rafaclborgcsrô jbtj.gov.br ‘Universidade Federa! dc Minas Gerais (UFMG), Instituto de Ciências Biológicas (ICB). Dep. Botânica. 30123-970. Beto Horizonte. MG. Brasil. SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. 1 40 Borges. R.A.X.: Carneiro. M.AA & Viana. P.L Variations in species richness along altitudinal gradients are relatively well studied (Hodkinson 2005). In short, two plant specics distribution pattems were described for different organisms and biogeographical regions (Lomolino et ai 2006). The first one maintains that the number of species decreases as altitude increases (Rosenzweig 1995). This negative linear relationship was reported for different organisms, as birds (Terborgh 1977), herbivore insects (Fernandes & Price 1988; McCoy 1990; Carneiro et ai 1995) and plants (Givnish 1999; Jones et ai 2003). The second one holds that the number of species diminishes as we get closer to the extremes of the altitudinal gradient, and defines a maximum value of species richness at intermediate altitudes (Gentry & Dodson 1987; Rahbek 1997; Colwcll & Lewis 2000; Lomolino 2001 ; Grytnes 2003). It was described fordifferenl groups of plant species (Tryon 1989; Grytnes 2003; Bachman et ai 2004; Kromer et ai 2005), herbivore insects (McCoy 1990), birds ( Herzog c/ «/. 2005) and mammals (Nor 2001 ). Campos rupestres are found in the States of Minas Gerais, Bahia and Goiás. Thcy are usually constituted by mosaies of plant communities, formed by a herbaceous stratum followed by perennial and sclerophyllous bushes and subshrubs occurring at altitudes between 900 and 2070 m, on great extensions of quartzitic oulcrops with shallow, compact litholic soils (Giulictti & Pirani 1988; Romero 2002). The herbaceous stratum is mainly formed by species of the families Poaccae, Cyperaceae, Eriocaulaceae and Xyridaceae. The bush stratum comprises a high number of species of Asteraceac, Melastomataceae, Lamiaceae, and Velloziaceae (Giulietti & Pirani 1988). In the Southern Espinhaço Range, the Quadrilátero Ferrífero (Iron quadrangle) stands out by its rich deposits of mineable resources and remarkable biological diversity (Drummond et ai 2005). The region is distinguished by its high diversity of habitats, which may bc rclated to edaphic peculiarities, to lhe characteristic mountain relief of the region and to the fact that it is located in a transition area between the Atlantic Forest and cerrado biomes (Council & Murta 2007). Among its different phytophysiognomies. we can menlion forest (e.g. seasonal forests, gallcry forests, cloudy forests), savanna (cerrado sensu stricto) and grassland (campos rupestres on quartzite, campos rupestres on canga and campos limpos) fomiations (Viana & Lombardi 2007). The present work surveycd herlraceous plants in two serras located in the Southern Espinhaço Range and verified if species richness diminishes with altitude. The influence of the environmental heterogencity on the species composition of each serra was also assessed by analyzing the floristic similarity of the sampled places. Material and Methods This work was carried out in Serra do Ouro Branco (SOB ) and Serra do Ribeiro (SR), located in the townships of Ouro Branco and Ouro Preto (Fig. 1 ), respectivcly. The SOB stands out as the most significam clement of the Southern border of the Quadrilátero Ferrífero. The altitude of its circa 65 ha varies from 1,000 to 1,573 m (Alkmim 1987). Located approximatcly 10 km to the North of the SOB, with altitudes varying between 1,270 and 1,550 m, the SR comprises a set of two smaller fomiations. Climate is mesothcrmic-Cwb (Kõppen 1948). with mild, rainy summers and dry, cold winters. Mean annual temperatures vary between 17°C and 2()“C and the annual rainfall records are approximately 1 ,500 mm (Giulietti & Pirani 1988). In the campos rupestres of both serras , the sampling places are characterizcd as quartzitic grasslands with or without subshrubs (Rizzini 1979), usually next to rocky outerops, sometimes with cvidence of grazing and fires. Field expeditions were carricd out between March and July 2004. Tcn collection points arbitrarily defined, in an attempt to encompass the different types of habitats along the altitudinal gradient of each serra, were sampled; geographical coordinates and spot heights (Tab. 1) were determined using an Etrex Venture (Garmin®) GPS. Sampling was performed in ten 1 irUplots systematically distributed, at a distance of 5 m from each other along a 50 m imaginary line (Pivello et ai 1999), so that 10 m 2 were sampled at each altitudinal point, totaling 200 m 2 . Plants were identified by comparison with specimens kept at the OUPR and BHCB herbaria (acronyms according to Holmgren et ai 1990) and with the hclp of specialists. Only the angiosperms composing the herbaceous stratum were sampled. Fcrtile samples were deposited at the OUPR herbarium. Botanical families are circumscribed according to the Angiospcrm Phylogeny Gmup - APG II (APG 2003). Analyses of covariance were performed to determine if plant species richness diminishes with Rodriguósia 621 1 ): 1 39- 1 52. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. Distributíon and richness ol herbs in campos rupestres Figure 1 - Localization of the study areas in the southem Espinhaço Range, Minas Gerais, Brazil. altitude (Crawley 2002). On our model, plant richness was the response variable and altitude (covariable) and the serras (categorical variable) were the explanatory variables. The analyses were performed with the statistical package R version 2.5.1 (R Development, Core Team 2005), using the ‘glnT procedure, and Poisson errors were calculated through chi-square tests (X 2 )- Residual analyses were carried out to check error distributíon and adjust the model (Crawley 2002). We used the Jaccard index to measure similarity between the sampling points (McCune & Grace 2002) and the relationships between them were characterized by cluster and ordination analyses based on the method of unweighted means (UPGMA), using the F1TOPAC software (Shepherd 1996), and on a multidimensional scale analysis (MDS) carried out with XLSTAT data analysis and statistical solution for Microsoft ® Excel 2007. Results One hundred and one species distributed in 59 genera and 25 families were collected in the two studied íwm(Tab. 2). The families with the highest number of species were Poaceae (25), Asteraceae (14), Cyperaceae (13) and Polygalaceae (9). Out of this total, 86 species grow in the SOB, 41 of which Rodriguésiá 621 1 ): 1 39 - 1 52 . 20 1 1 are exclusive to it, and 61 species occur in the SR, 1 6 of which are exclusive to it (Tab. 2). In the SOB, the families with the greatest number of species were Poaceae (22), Asteraceae (14) and Cyperaceae (10), while in the SR, they were Poaceae (17), Cyperaceae (12) and Asteraceae (8). The species growing in the widest altitudinal range, since they found practically along the whole gradient of both places, were Inulopsis scaposa (Asteraceae) and Echinolaena infle.xa (Poaceae). The most frequent species in both serras were: Inulopsis scaposa and Lessingianthus linearifolius (Asteraceae); Bulbostylis paradoxa (Cyperaceae); Apochloa poliophylla, Echinolaena inflexa, Mesosetum loliifome and Paspalum hyalinum (Poaceae); Polygala paniculata and P. longicaulis (Polygalaceae). A single sampling point presented 33 species and no exotic species were collected in the study (Tab. 2). Although there was no significam variation in species richness with altitude for herbaceous plants (X 2 = 2.170; p = 0.141, n = 20), a higher number of species was found in the SOB (x 2 = 1 6.5 1 5; p < 0.000 1 ; n = 20) (Fig. 2). When each of the four richest plant families were analyzed separately, the same pattern was found between the number of species and the explanatory SciELO/ JBRJ 13 14 15 Rodriguésiã 62( l ): 1 39- 1 52. 20 1 1 Tablc 1 - Localization, spot height and description of the collection points in the Serra do Ouro Branco (OB) and in thc Serra do Ribeiro (SR). Places Geographic Coordenates OB1 2(f30'2 1 ,8"S; 43°38’35"W OB2 20°30’6,4”S; 43°38’ 10,3”W OB3 20“30'34.5"S; 43°37'54,4"W OB4 20"30'28,6"S;43°37’32.8"W OB5 20°30’ 1 7.6"S; 43°39’26,6"W OB6 20*30' l,l"S;43°4r3,5"W OB7 20“29* 1 2,9"S; 43°42’36,7"W OB8 2(T29'4.2"S; 43°42’22,7"W OB9 20 1> 30' 1 8.9"S; 43°36’28,6”W OB1 20‘ > 30'29,5"S; 43°37'5,5”W SR1 2(T27'27,4"S; 43°36’9"W SR2 20“27' 19,2”S; 43°35’7,3"W SR3 2(T27'4 1 ,6”S; 43°35'4"W SR4 20°29’ 1 ,9"S; 43°35’ 1 ,5"W SR5 2(r28’ 1 9,8"S: 43°34’5 1 ,9"VV SR6 20°28’20,8”S; 43°35’ 1 5"W SR7 20°29’4,3”S; 43°34’45,8”W SR8 20°28’50,6 , 'S; 43°34'54, 1 "W SR9 20°29’3,4"S; 43°34’5,8"W SR 10 20“29’7,2"S; 43°34’25.4"\V Description Altitude (m) Grassland with a dense herbaceous stratum and small outerops. 1314 Grassland with rare bushes close to the serra watershed. 1232 Grassland with a dense herbaceous stratum, close an outerop with velozias. 1 190 Grassland with bushes and subshrubs. 1236 Grassland with small outerops, few bushes and small trees. 1318 Grassland close to a riparian forest, with signs of fires and cattle grazing. 1363 Grassland with outerops and a large population of velozias. 1544 Grassland close to the serra watershed with signs of cattle grazing. 1477 Grassland close to a riparian forest with signs of cattle grazing. 1 105 Grassland with a large population of velozias. 1254 Grassland with waterlogged areas on clayey soil. 1517 Slope grassland with outerops and waterlogged areas on clayey soil. 1367 Grassland with few bushes close to a large outerop and a watershed with riparian forest. 1314 Grassland surrou nded by small outerops and velozias. 1381 Grassland with bushes, close a small outerop. 1318 Grassland with bushes close to thc serra watershed with great erosion. 1294 Grassland with small outerops close to a creek. Moist and loose soil. 1458 Grassland with a dense herbaceous stratum, close to an outerop and small temporary lakes. 1545 Grassland with a dense herbaceous stratum and moist soil, bctween a large outerop and a creek. 1438 Grassland with small outerops and a large population of velozias. 1472 10 SciELO/JBRJ 5 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 1 42 Borges. R.A.X.; Carneiro. 8c Viana, P.L Rodrlguésia 62(1): 139-152. 2011 Tablc 2 - Prcscncc (+) and abscnce (-) of spccics of hcrbaccous plants along thc altitudinal gradicnt in the serras do Ouro Branco and do Ribeiro, locatcd in the Espinhaço Range, Minas Gerais, Brazil. Voucher material is rcprcscntcd by thc collcction number of R.A.X. Borges (B). Family /Spccics 1 2 Serra do Ouro Branco 3 4 5 6 7 8 9 10 1 2 3 Serra do Ribeiro 4 5 6 7 8 9 10 Amaranthaceae Gomphrena scapigera Mart. (B 96) + - - + - - - - - - - Apiaceae Eryngium pandanifolium Cham & Schltdl. (B 58) - - - - + - - - - - Aristolochiaceae Aristolocliia smilacina Duch. (B 15) + - + + Apocynaceae Barjonia erecta (Vell.) Schw. (B 32) - + - - - - + - - - Asteraceae Baccharis aphylla DC. (B 45) - - + - + - - - + - - - - - - + - - - Calca pilosa Baker (B 37) - + - - + + - - - - Clmmolaena decumbens (Gardner) R.M. King & H. Rob. (B 10) + + + + + + + + + + + - + Heterocondylus amphidictyus (DC.) R.M. King & H. Rob. (B 54) - - - - + - - - - - - - - - + - - - Inulopsis scaposa (DC.) O. Hoffm. (B 1 ) + + + + + + + + + + - + + + + + + + - - Lessingianthus linearifolius (Lcss.) H. Rob. (B 2 1 ) + + - - + - + + + - + + + + + + - + - - Mikania microphylla Sch. Bip. ex Baker (B 46) - - + - - - - - - - Porophyllum lineare DC. (B 3 1 ) - - - - - - - + - - + + - - - - + + Richlerago radiata (Vell.) Roque (B 40) - - - + - - - - - - Stevia lundiana DC. (B 39) - - + - - - - - - - Lessingianthus psilophyllus (Gardner) H. Rob. (B 7 1 ) - + + + + - + - - - Stenocephallum megapotamicum (Spreng.) Sch. Bip. (B 35) - + Eupatoriae spl (B 108) + - - + - - - - Vemoniaespl (B88) + + + + + + + + - - - - + - - . . . - - SciELO/JBRJ j 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Distribution and ríchness of herbs in campos rupestres j 43 Rodriguésia 62( 1 ): 1 39- 1 52. 20 1 I Family /Species Serra do Ouro Branco Serrado Ribeiro ' 1 2 3 456 7 S 9 10 1 23456789 10 Burmanniaccae Bunmnnia bicolor Mart. (B 131) + + Convolvulaccae Iponwea procumbens Mart. ex Choisy (B 69) ---------- Evolvulus aurigenius Mart. (B 70) Cyperaceae Bulbostylis jacobinae (Spreng) Lindm (B 114) ---------- ---+++---- Bulbostylis juncifonnis (Humb.Borpl. & Kunth.) C.B. Clarke (B 111) +-+- ---+ Bulbostylis capillaris (L.) C.B. Clarke (B 90) --------+- Bulbostylis paradoxo (Spreng.) Lindm. (B 3) + + -+ + ++ + ++ + + + + - + - + - + Bulbostylis 5cafcra(Persl.)C.B.Clarkc(B7) +---+----+ --+ +- Lagenocarpus rigidus (Kunth) C.B. Clarke (B 130) - - - - + + + Lagenocarpus tenuifolius (Kunth) C.B. Clarke (B 62) - - - - + + + + + ++ + +- + Rhynchospora consanguínea Boeck. (B 120) + - - + + ----+-+ + Rhynchospora lapcnsis C.B. Clarke (B 1 18) +-- Rhynchospora pilosa (Kunth) Boeck (B 121) +++ + + -+ ++ + + + + Rhynchospora setigero (Kunth) Boeck. (B 123) .......... Scleria virgata Stench. (B 52) +--- Scleria cuyabensis Pilg. (B 53) - + Droseraceae Drosera montana A. St-Hil. (B 84) + Kriocaulaceae Paepalanthus freyreissii (Thumb) Koern. (B 117) ---------- + - - - - - Paepalanthus pubescens var. chapadensis (Koern.) Ruhl. (B 119) ---------- ----- + + + + + Paepalanthus sphaerocephalus Ruhl. (B 97) -+ + ------- Syngonanthus caulescens (Poir.) Ruhl. (B 132) .......... --------- + 10 SciELO/JBRJ 17 18 144 Borges, R.A.X.; Carneiro, MAiA. & Viana, P.L 62 ( 1 ): 139 - 152.201 1 Family /Spccies Fabaceae Galactia marlii DC. (B 1 26) Stylosanthes capitata Vog. (B 91 ) Zomia diphylla (L.) Pcrs. (B 86) Gentianaceac Curtia cl i ff usa Chain. (B 109) Schultesia gracilis Mart. (B 102) Iridaceae Sisyrinchium alatum Hook. (B 9) Sisyrinchium vaginatum Sprcng. (B 59) Trimezia jimcifolia Klatt. (B 22) Trimezia lutea (Klatt) R.C. Foster (B 78) Lamiaceae Hyptis nudicaulis Bcntli. (B 43) Lentibulariaceae Utricularia amethystina Salzm.cx A.St.Hil. (B 82) Utricularia flaccida A. DC. (B 1 33) Utricularia gihba L. (B 103) Melastomataceae Tibouchina hieracioides Cogn. (B 28) Orchidaceae Habenaria rupicola Barb. Rodr. (B 93) Epidendrum spl (B 27) Serra do Ouro Branco Serra do Ribeiro 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1 23456789 10 + - + + - + + - - - - +-- + + + + -+ + ++ -+ + + - + + + + + - + + - - - - + + + + ++ -- - + + + + - - - Orobanchaceae Buchnera lavandulacea Cham. & Schdlt. (B 29) - + 10 SciELO/JBRJ 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Distribution and richness of herbs in campos rupestres Rodriguésia 62( 1 ): 1 39- 1 52. 20 1 1 Family /Species Serra do Ouro Branco Serra do Ribeiro 2 3 4 5 6 7 8 9 10 12 3 456789 10 Poaccae Apochloa euprcpes (Renvoize) Zuloaga & Morrone (B 94) Apochloa poliophylla Renvoize & Zuloaga (Zuloaga & Morrone) (B 42) Aristida recurvata Kunth (B 20) Aristida torta (Ness) Kunth (B 47) Axonopus brasiliensis (Spreng.) Kuhlm. ( B 17) Axonopus canescens Ness ex Trin. (B 61 ) Axonopus cluysoblepharis (Lag.) Chase (B 1 3) Axonopus fastigiatus (Ness) Khulm. (B 25) Axonopus pressus (Ness ex Steud.) Parodi (B 79) Echinolaena inflexa (Poir.) Chase (B 4) Mesoseturn loliifonne (Hochst. ex Steud.) Chase (B 5) Paspalum hyalinum Ness ex Trin. (B 2) Paspalum polyphyllutn Ness ex Trin. (B 1 8) Schizachyriuin sanguineum (Rctz.) Alston (B 100) Schizachyrium tenerum Ness. (B 67) Sporobolus metallicolus Longhi-Wagner & Boechat (B 34) Steinchisma decipiens (Ness ex Trin.) W. V. Br. (B 87) Thrasyopsis repanda (Ness ex Trin.) Parodi ( B 74) Trachypogon spicatus (L.f.) Kuntzc (B 8 1 ) Trachypogon vestitus Anderson (B 14) Tristachya leiostachya Ness. (B II) Poaccae spl (B 23) Poaccae sp2 ( B 44) Poaccae sp3 ( B 73) Poaccae sp4(B 65) - + - + - - - - - + - + - - + - + - - - + - + + - - + + + - + + - + + + + - + + + - - - + - - - + + - - + - - - - + - - + + + + + - - + - - - - - - + - - - + - - - - + + + + + - - + - - - + - + + + - - - + + + + + + + + + + + - + + + + + + + + + + + - + + + - + + - + + + + + - - - - + - + + + + + + - + + + - + + + - + - - - - - + - + + + - - - - - + - - - - - - - - + - - + + + + - - - + - - - - - + + + - + - + + + - - + - - - + - - - + - + - + - + - - - + - + + - - - + - - - - - - - - - - - - + - + + + + _ _ _ _ _ + _ _ Polygalaceae Polygala bryoides A.St-Hil. (B 66) Polygala cuspidata DC. (B 70) - + - - - - + + - - - - SciELO/ JBRJ 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 146 Borges, RA.X.: Carneiro. MJ\.A. & Viana, P.L Rodrigués/a 62( 1): 1 39- 1 52. 20 1 1 Family /Speeies 1 2 Serra do Ouro Branco 3 4 5 6 7 8 9 10 Polygala filiformes A. St.-Hil. (B 51) - - + - - + + - - - Polygala longicaulis Humb.Borpl. & Kunth (B 129) + + + + + + + + - - Polygala paludosa A. St. Hill. (B 60) - - - + - - - - - - Polygala paniculata L. (B 41 ) - - + + - - + + + + Polygala radlkoferi Chodat. (B 1 10) Polygala rhodoptera Mart. cx A.W.Benn. (B 48) - - + + Polygala spl (B 16) + + - - - - + - - - Rubiaccae Galianthe angustifolia ( Cham. & Schltdl.) E.L. Cabral (B 19) - - - + - - - - - - Spermacoce verticillata L. (B 75) - - - - - - + - - - Spermacoce suaveolens (G. Mey.) Kuntze (B 68) - - - + - - + - + - Spermacoce neolenuis Govacrts (B 72) - - - - - - + - - - Declieuxia cordigera Mart. & Zucc. (B 6) + + - + + + + - - - Psyllocarpus schwackei K. Schum. (B 38) - - + + - - + - - + Solanaceae Schwenckia americana L. (B 95) + Tu mera cea e Tumera oblongifolia Cambess. (B 56) - - - + - - - - - - Verbenaceac Lippia sericea Cham. (B 55) - - - + - - - - - - Xyridaceae Xyris graminosa Pohl cx Mart. (B 1 13) + - - - + - + + - - Xyris trachyphylla Mart. (B 12) - - + + - - + - - - Serra do Ribeiro 1 23456789 10 + + - + + + - - - - + + - + ++ + -- + + + + + - + +- - + + + - - + 10 SciELO/JBRJ 17 18 Disthbution and richness of herbs in campos rupestres 147 cm .. 148 variables, but, again, there was no significant variation in species richness with altitude: Asteraceae (X 2 = 3.708; P = 0.054; n = 20), Cyperaceae (x 2 = 1 .08 1 ; P = 0.299; n = 20), Poaceae (X 2 = 1 .9702; P = 0. 1 60; n = 20) and Polygalaceae (X 2 = 0.554; P = 0.457; n = 20). Neverthelcss, the number of species of families Poaceae (x 2 = 3.74 1 ; P = 0.05; n = 20), Asteraceae (X 2 = 10.563; P = 0.001; n = 20) and Polygalaceae (X 2 = 6.252; P = 0.01; n = 20) was significantly higher in the SOB, whereas the number of species of Cyperaceae (X 2 = 4.68 1 ; P = 0.03; n = 20) was higher in the SR. Forty-five species (44.5% of the total) were sampled in both serras, whose similarity was high (J = 0.44), although the cluster and ordination analyses yiclded two distinct groups (Fig. 3 and Fig. 4). The cluster analysis showcd that contiguous points on the altitudinal gradient tend to be more similar, mainly in the SR, whose samples prescnted higher similarity values than those oí the SOB. Although the MDS analysis showed an organization similar to that of the UPGMA. it revealed different relationships betwecn some points, i.e. points 1 and 2 ol the SR and point 8 ot the SOB; and the points 7, 9 and 10 of the SR (Fig. 4). The highcst similarity value is bctween points 5 and 6 of the SR (J = 0.61 ), while points 9 and 10 of the SR grouped oulside the set of the two serras (Fig. 3 and Fig. 4). Borges. RA.X/. Carneiro. MA. A. & Viana. P.L $ Discussion The total herbaceous richness recorded in this study is similar to that reported in other floristic surveys in campos rupestres (Giulietti et al. 1987; Stannard 1 995; Pirani et al. 2003; Zappi et al. 2003; Conceição & Pirani 2005; Viana & Lombardi 2007). However, these results are probably underrated because the sampled area was small and the field work was only carried out in one climatic season of the year, so that it does not take seasonal variations into account. The higher species richness found for families Poaceae, Asteraceae and Cyperaceae is also corroborated by previous work (Giulietti et al. 1987; Safford 1999; Filgueiras 2002). The absence of exotic species at collection points shows that few disturbances affect the studied place, despite of the presence of cattle and the occurrence of frequent fires, especially in the SOB, where populations of Melinis minutiflora P. Beauv. and Hyparrhenia rufa (Nees) Stapf. grow along the highway that crosses it. The occurrence of fires increases the probability of intrusion of invasive African grasses as Melinis minutiflora , Urochloa decumbens Stapf. and Megathyrsus maximum Jacq. (Pivello 1999). Although the geographical proximity and the similar orogeny of the two serras imply similar climatic conditions, geology and biogeographical history of the species, the SOB presented higher richness of herbaceous plants than the SR. A possible explanation is the effect of grazing and fires on the plant community strueture of grassland vegetation (Howe 1994), since, in the SOB. the Figure 2 - Variation in herbaceous species richness according to altitude (x 2 = 2.170; p = 0.141, n = 20). Serra do Ouro Branco (* ) and Serra do Ribeiro (•). o!Õ4 Coeficiente de Jaccard Figure 3 - Floristic similarity dendrogram based on Jaccard index among the 20 sampled points of both serras (O ; Serra de Ouro Branco, R =Scrra do Ribeiro). 1-10 M0 Rodriguèsia 62( 1 ); 1 39- 1 32. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Distribution and richness oí berbs in campos rupestres os w Figure 4 - Multidimensional analysis of the similarity values between thc 20 sampled points in the two serras (O = Serra de Ouro Branco, R = Serra do Ribeiro), 1-10 1-10 resulting from 1 0,000 repetitions (Kruskal ( 1 ) stress = 0 . 146 ). presence of cattle and a more fires is frequently observed during the dry season. Herbaceous species composition, mainly in natural grassland formations, has been found to present modifications related to the intensity and to the historical time of cattle grazing (Pucheta et al. 1998; Olff & Ritchie 1998). When comparing samplcs of a same area impacted by large grazers in eastern Australia, Mclntyree/ a!. 2003 verified that those with médium disturbance intensity presented higher plant richness as compared to samplcs with little or much disturbance, which they explained by a decrease in competition and an increase in regeneration. Along lhe altitudinal gradient, local factors can be more important than regional ones to determine the occurrence of species (Pausas & Austin 2001; Herzogef al. 2005). In this context, the facts that almost 30% of the total species occur in a single sampling point and that different species richness was found between samples at similar altitude suggest that the communities can be influenced by local factors or present a great natural variation in their species composition, with high â- diversity values (Lieberman et al. 1 996). Again, one should keep in mind that the result interpretation is partial and restricted, due to the small sample size. In addition, the higher numberof species of families Burmanniaceae, Cyperaccae. Eriocaulaceae and Gcntianaceae in the Serra do Ribeiro is related to Rodriguésia 62( 1 ): 1 39- 1 52. 20 1 1 149 favorable local characteristics, as the presence of slopes with moist or soaked soils, a typical environment for given species of these families, as Burmannia bicolor Mart., Rhynchospora consanguínea Boeck. and Syngonanthus caulescens (Poir.) Ruhl. According to Sano & Almeida ( 1 998), campos rupestres often shelter single species clusters, whose presence is conditioned, among others factors, by soil moisture. In the Espinhaço Range, seasonality is evident, with heavy cloud cover during the winter. which causes high moisture, sporadic rains and a lot of dew, so that some regions have a waterlogged soil all year round (Giulietti & Pirani 1988). The absence of pattern in species richness variation as altitude increases in both serras rellects the heterogeneity of the studied vegetation, which suggests the need of studies on the influence of local environmental and biological factors on the distribution of herbaceous plants, such as the availability of nutrients or water in the soil and competition or facilitation, respectively (Mallen- Cooper & Pickering 2008). The Espinhaço Range is a low altitude, very fragmented formation, which implies a small influence of macro-scale factors along the altitudinal gradient (Carneiro etal. 1995) as, for instance, climatic changes and the formation of different habitats (Whittaker etal. 2001 ). Furthermore, the proximity between the sample points and the differences in elevation ranges and distances between them should also be considered to explain the absence of an altitudinal pattern. Nonetheless previous studies carried out on broader altitudinal ranges presented consistem variations in organism distribution. which resulted in a statistically significam relationship between species richness and altitude (Gottfried etal. 1999; Kessler 2000; Jones et al. 2003; Grytnes 2003; Bachman etal. 2004). Since the .serrai presented a high number of species (44.5%) in common, the formation of the two groups observed in the UPGMA and MDS analyses probably reflects the different occurrence of species at the sample points of each serra, w hich, in turn, have peculiarities similar to insular systems in the determination of species richness (Conceição & Pirani 2007). The higher similarity found between contiguous SR samples is probably due to the low species richness variation between them, since great part of the species of this serra grow in various sample points. SciELO/JBRJ 13 14 15 cm .. 150 Borges. RA.X.i Carneiro. M.A.A. fy. Mana. P.L Nevertheless, despite lhe small area sampled at each point, lhe marked difference between points 9 and 10, in lhe SR, may be related to their isolation in the landscape. In addition, the occurrence of species in specific places and the concentration of species in a single sampling point (Tab. 2) and the presence of different species richness between samples at similar altitude (Fig. 2) point out the importance of local factors in the species composition found, which contribute to the formation of mosaics in campos rupestres (Conceição & Pirani 2005). Acknowledgements We thank researchers Dr. Rômulo Ribon (UFOP), Dr. Geraldo Wilson Fernandes (UFMG) and the two anonymous reviewers for their suggestions and criticisms of the manuscript; the Institute of Exact and Biological Sciences of the Federal Uni versity of Ouro Preto for their logistical support; and the Laboratory of Plant Systematics of the Department of Botany of the UFMG as wcll as Nadia S. Ávila (UMC) for identifying part of the collected materiais. References Alkmim. F.F. 1987. 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O estudo consistiu na realização de 5 1 entrevistas semi-estruturadas, com residentes do local há pelo menos cinco anos e maiores de 1 8 anos. Os resultados permitiram-nos concluir que os entrevistados retêm amplo e diverso conhecimento sobre plantas e que grande parte do que conhecem é por eles utilizado (82%). As plantas mais conhecidas são em sua maioria nativas, apesar de verificarmos maior proporção de uso entre as exóticas (95%). O conhecimento e uso variaram conforme a categoria de uso dos recursos c se mostraram, de modo geral, equivalentes em relação à idade e gênero dos informantes. Em relação à atividade exercida, constatou-se que as donas de casa asam um maior número de plantas exóticas medicinais, que os pescadores conhecem e usam mais plantas nativas manufatureiras e que monitores ambientais e os que exercem atividades relacionadas ao turismo demonstraram conhecimento semelhante, predominando o de plantas medicinais, apesar de menos usadas, em comparação com os de outras atividades profissionais. Palavras-chave: etnobotânica, conhecimento local. Mata Atlântica, uso de recursos. Abstract This study aims to investigate if plant resources are efifective used by caiçaras ’ communities of the Cardoso Island. Wc also want to verify if the biogeografic origin of plants, their uses and socioeconomic factors influence the locais' knowledge. We carried out 51 semi-struetured interviews with people who have been living there for at least 5 years, who were older than 1 8. We concluded that the interviewees’ knowledge is still diverse and that most of the plants known are used by them (82%). Native plants are largely known, while the exotic ones are the most used (95%). Knowledge and use vary according to the use of plants, although they were very similar, considering the interviewees* age and gender. We also realized that housewivcs use a large quantity of medicinal plants, which are mainly the exotic ones. Fishermen know and use native plants, usually for handicraft purposes. The environmental guides and people, whose job is tourism related, have a similar know ledge, especially about medicinal plants, which are less ased w hen compared with the other professional activities. Kcy words: ethnobotany, local knowledge, Atlantic Forest, resource use. Introdução Caiçaras são habitantes rurais nativos tia região que se estende do litoral norte do Paraná ao litoral sul do Rio de Janeiro, em áreas de Floresta Atlântica. Originaram-se da miscigenação entre indígenas e portugueses e sobrevivem da agricultura de pequena escala, da pesca artesanal e da extração de recursos do ambiente, com o que garantem a subsistência familiar (Begossi 1998). Nos últimos 20 anos, têm se dedicado também a atividades relacionadas ao turismo (Begossi 1998; Hanazaki et al. 2007). 'Universidade Estadual Paulista. UNESP/Rio Claro, Dcpto. Botânica. Programa de Pós-Graduado cm Ciências BiotógicaVBioIogia Vegetal. Av. 24A. 1515, 13506-900, Rio Claro, SP, Brasil. Autor para correspondência: ünotam u yahoo.com.br •Universidade Federal dc Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas. Dcpto. Ecologia c Zoologia. Lab. Ecologia Humana e Etnobotânica, 880 1 0-970. Florianópolis, SC, Brasil. l Univ crsidade Estadual Paulista, UNESP/Rio Claro, Dcpto. Estatística, Matemática Aplicada c Computação. Av. 24A, 1 5 1 5, 1 3506*900, Rio Claro, SP , Brasil. 4 R. Estcro Bclaco 274, ap. 1 4. 04055- 1 10. Sào Paulo, SP. Brasil. SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 154 Diversos estudos apontam que distintos grupos humanos, incluindo os caiçaras, apresentam amplo conhecimento local do ambiente em que vivem, bem como dos recursos vegetais nele presentes (Prance et al. 1987; Philips & Gentry 1993a, b; Miranda & Hanazaki 2008). Hanazaki (2003) aponta que há pelo menos 25 anos discussões relativas a importância e a valorização do conhecimento local para a conservação da biodiversidade começaram a ganhar espaço no meio científico e alguns estudos evidenciam essa tendência (Antweiler 1998; Gazzanco et al. 2005; Albuquerque & Oliveira 2007). Entretanto, diversos fatores influenciam a ampliação, a prática, a perpetuação ou a perda do conhecimento local e o uso dos recursos vegetais por grupos humanos. Características demográficas, culturais e econômicas como idade, gênero, escolaridade, atividade econômica desenvolvida, entre outras, são apontadas por pesquisadores como possíveis geradores de diferenciação intracultural do conhecimento local, assim como do uso dos recursos vegetais (Nesheim et al. 2006; Gavin & Anderson 2007; Reyes-Gracia et al. 2007; Voeks 2007; Camou-Guerrcro et al. 2008). Torre-Cuadros & Islebe (2003) apontam ainda que a diferenciação no corpo do conhecimento pode ocorrer devido às diferenças no acesso aos recursos locais, à aparência morfológica das plantas, às formas de transmissão de conhecimento, bem como no modo de observação dos recursos. Albuquerque et al. (2005) destacam que o entendimento da influência de fatores biológicos e culturais no conhecimento local é de fundamental importância no desenvolvimento de estratégias de manejo mais adequadas dos recursos. Ao analisar também as diferentes nuances das relações entre conhecimento local e a utilidade dos recursos, há que se considerar que as populações humanas, ao fazerem uso dos recursos para satisfação de suas necessidades, avaliam c usam as espécies vegetais de modo distinto (Camou-Guerrcro et al. 2008). Gavin & Anderson (2007) e Camou- Guerrero et al. (2008) asseguram que o emprego de um recurso implica no conhecimento sobre ele c na habilidade de usá-lo. Destaque-se ainda que a utilidade de um dado recurso está relacionada não só às suas finalidades específicas, mas também à sua utilidade simbólica ou cognitiva (Hunn 1980). Nesse contexto, o presente estudo busca analisar a relação entre conhecimento local e uso efetivo de recursos vegetais. Pretende verificar se os recursos vegetais citados são efetivamente usados pelos caiçaras da Ilha do Cardoso, estado de São Miipndã, T.M et al. Paulo, considerando fatores como idade, gênero, atividade desenvolvida pelos entrevistados, origem biogeográfica (nativa ou exótica) c a finalidade de uso das plantas. Material e Métodos Área de estudo A Ilha do Cardoso localiza-se no litoral sul do estado de São Paulo, Brasil, entre as coordenadas 48°05’42”W, 25°03'05"S c 48°53'48"W, 25° 1 8’ 1 8"S. Pertencente ao município de Cananéia, abrange uma arca aproximada de 22.500 ha, constituída por áreas de campos de altitude, florestas de encosta e de restinga, vegetação de dunas e manguezais. Em decorrência da sua importância biológica, criou-se na ilha, em 1962, o Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC) (Barros etal. 1991 ; Sampaio et ai 2005). As comunidades estudadas foram Pereirinha, Itacuruçá, Foles e Cambriú. Coleta de dados A metodologia de coleta de dados empregada foi a mesma utilizada por M iranda & Hanazaki (2008), ao descreverem e analisarem o conhecimento etnobotânico de caiçaras habitantes de áreas de restinga da Ilha do Cardoso (SP). A coleta de dados consistiu na realização de entrevistas semi- estruturadas com os moradores, residentes no local há pelo menos cinco anos, maiores de 18 anos, de ambos os sexos. As entrevistas continham questões relativas a aspectos sócio-económicos e ao conhecimento dos entrevistados sobre os recursos vegetais e seus respectivos usos. Os participantes foram solicitados a nomear as plantas que conheciam, a indicar-lhes as respectivas utilidades, a informarem o local em que se encontravam e se já haviam sido usadas. As plantas citadas foram categorizadas nos seguintes grupos de finalidades; manufatura, alimentação, medicina c outros. Em manufatura foram incluídas as plantas empregadas em artesanato, na construção de casas e na fabricação de canoas. Na categoria outros foram consideradas as espécies usadas para ornamentação e/ou como alimento da fauna. Tal classificação, feita a partir de outros estudos etnobotânicos (Prance et al. 1987; Figueiredo et al. 1993; Hanazaki et al. 2000), considerou as categorias tidas como as mais usuais. Vale ressaltar que o termo “ctnoespécie” é aqui empregado como sinônimo de “nome popular” de uma planta. As plantas citadas foram classificadas, segundo seu status de origem em nativas, ou seja, de ocorrência Rodriguéslá 62( 1 ): 1 53- J 69. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm Existe utilização efetiva dos recursos vegetais na Ilha do Cardoso? natural em áreas de domínio do bioma Mata Atlântica, ou exóticas, de ocorrência não natural em áreas de domínio do bioma Mata Atlântica. Tal tarefa foi efetuada com auxílio de material bibliográfico (Barros et ol. 1991; Hanazaki et al. 2000; Hanazaki 2001; Lorenzi & Matos 2002; Sampaio et al. 2005; Souza & Lorenzi 2005). As plantas citadas foram coletadas e identificadas pelo Prof. Dr. Daniel Falkenberg (Departamento de Botânica da UFSC), sendo posteriormente incorporadas ao acen o de referência do Laboratório de Ecologia Humana e Etnobotânica do Departamento de Ecologia e Zoologia (UFSC 1-354). Tabulação dos dados O sistema utilizado para extração dos relatórios de dados foi desenvolvido sobre a plataforma SQL (Structured Query Language) 2000, com uso de recursos de Business Intelligence (Turban et al. 2006) que permitem extração rápida e precisa de relatórios e números. O programa é composto por uma planilha Excel, contendo todos os dados dos questionários respondidos, que são carregados em uma estrutura de dados denominada "Modelo Estrela”, estruturada de forma a atender as necessidades do projeto. A carga é feita através de um pacote de extração de dados que lê, valida e carrega os dados no “Modelo Estrela". O Modelo serviu ainda de suporte, com a utilização do Analysis Manager, pertencente também à plataforma SQL 2000, para a construção de uma base multidimensional, organizada com várias dimensões e medidas, possibilitando a extração de relatórios baseados em vários e diversos cruzamentos de informações. Análise de dados O teste de proporção Z (Vieira 2003) (5% de significância) foi usado para comparar a proporção de citações de plantas usadas em relação ao conjunto total de plantas conhecidas e a proporção de plantas nativas e exóticas conhecidas e usadas pelos entrevistados. As comparações entre as plantas usadas e não usadas, segundo os respectivos números de citações, de espécies botânicas, o status de origem e as categorias de uso foram feitas com a utilização do teste Qui-quadrado de comparação de várias proporções (Vieira 2003). Para se apurar a significância ou não da variação das plantas usadas conforme a idade, o gênero e as atividades exercidas pelos informantes, utilizou-se o teste de Friedman Rodriguésia 62 ( 1 ): 153 - 169.2011 155 (5% de significância) (Vieira 2003), considerando as informações referentes ao número de citações, de etnoespécies, de espécies botânicas, o status e as categorias de uso. Os testes Qui-quadrado e Friedman foram calculados com auxílio do software BioEstat, versão 5.0 (Ayres et al. 2007). Para as análises referentes à idade, os entrevistados foram agrupados em duas categorias: uma com idade entre 1 8 e 40 anos; outra, a partir de 41 anos. Em relação às análises relativas às atividades exercidas, foi considerada a principal ocupação desenvolvida pelos informantes, sendo elas as seguintes: turismo, atividades domésticas, monitoria ambiental, pesca, funcionários do PEIC e outras atividades. Nessa última categoria, enquadraram-se atividades relacionadas ao setor terciário. Resultados e Discussão Dos 51 entrevistados (9 da comunidade de Pereirinha, 1 1 de Itacuruçá, 8 de Foles e 23 de Cambriú), 57% eram homens. A idade de quase metade deles (47%) variava entre 18 e 30 anos e 94% eram caiçaras de origem, nascidos no próprio local ou nas proximidades. Cerca de 90% dos entrevistados moravam no local há mais de 10 anos. Quanto ao nível de escolaridade, 76% declararam não ter concluído o ensino fundamental, 14% chegaram ao ensino médio, sendo 10%; analfabetos. No tocante à atividade profissional, para 45% a pesca era a ocupação principal, seguida do turismo (31%), atividades domésticas (29%) e do cumprimento das atribuições de cargo público (6%). Em relação aos moradores entrevistados nas comunidades de Pereirinha e Itacuruçá, 50% deles (n= 1 0) eram funcionários do PEIC. onde trabalhavam como monitores e vigias. Alguns moradores exerciam mais de uma atividade, para complementar seus ganhos econômicos. O conhecimento etnobotânico local e o uso dos recursos A síntese das 813 citações feitas pelos entrevistados é apresentada na Tabela 1. As 154 espécies mencionadas foram agrupadas em 66 famílias botânicas, das quais destacam-se Myrtaceae e Asteraceae (19 espécies cada) e Poaceae (com 12 espécies). Pela tabela, constata-se a evidente predominância das plantas utilizadas: 666 citações, correspondente a 82% do total das citações. Cálculos com o uso do teste de proporção Z confirmam a ocorrência de diferença significativa SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 156 entre as plantas declaradas usadas e não usadas, quanto às proporções de citação de plantas (Z = 23,7; p<0,05) quanto às espécies botânicas (Z = 7,54; p<0,05), quanto às nativas (Z = 4,06; p<0,05) e quanto às exóticas (Z = 8,5; p<0,05), comprovando que a grande maioria do que é conhecido pelos entrevistados é ou já foi efetivamente utilizado por eles. Estes resultados indicam que os caiçaras residentes da Ilha do Cardoso ainda retém amplo e diverso conhecimento local sobre plantas, especialmente nativas, fazendo uso da maioria delas, o que indica a relativa dependência dos moradores locais dos recursos vegetais que os cercam. Estudos etnobotânicos realizados em distintas localidades do Brasil também indicaram elevada amplitude do conhecimento local sobre plantas entre distintos grupos populacionais (Albuquerque & Andrade 2002; Amorozo 2002; Silva & Andrade 2006). Albuquerque & Oliveira (2007) destacam ainda que a resiliência e a flexibilidade do conhecimento local é de extrema importância para que ele se mantenha frente aos diversos tipos de pressão que podem ameaçar sua permanência cm grupos populacionais de diversas origens. Shanley & Rosa (2004) ressaltam que a ausência de aplicação, representada pelo pouco uso dos recursos, pode acarretar um processo de erosão e até mesmo de extinção do conhecimento local. Tais autores, ao estudarem o conhecimento local dos caboclos amazônicos residentes nas proximidades do Rio Capim, no município de Miranda, T.M et al. % Paragominas, estado do Pará, identificaram grande diferença entre o conhecimento e o uso de plantas, pois muitas espécies apontadas como úteis, apresentavam declínio na sua utilização efetiva, fato evidenciado por afirmações que indicavam o uso pretérito de determinados recursos. No estudo, espécies medicinais e da categoria "tecnologia", por exemplo, existiam principalmente na memória dos caboclos e os autores questionavam, por isso, se o conhecimento sobre a identificação, as formas de manejo, a coleta e o processamento dessas espécies sobreviveria sem o exercício de sua prática. Mesmo concluindo que a ausência do uso dos recursos locais apurada no presente estudo não configura ameaça real à existência do conhecimento das comunidades estudadas, convém considerar que o uso dos recursos na Ilha do Cardoso passou a sofrer maior controle, com a implantação do PEIC. Até o ano de 2006, por exemplo, a extração de madeira pelos moradores locais era permitida pelo Parque, desde que solicitada autorização com antecedência. Após a solicitação, cabia à direção do Parque analisar o pedido e aprová-lo ou não, decisão que dependia, entre outros fatores observados, da área que abrigava a espécie. Uma observação que também se mostra pertinente envolve a acepção do termo “uso”. Habitualmente empregado como sinônimo de * consumo , de “gasto , o vocábulo prestou-se também, muito apropriadamente, para definir situações em que significa apenas e tão somente “utilização" ou “emprego". Plantas adequadas, por Tabela 1 - Síntese das citações. 'Os totais gerais, exceto os de citações, não correspondem à soma das respectivas colunas, pois, de acordo com a resposta dos informantes, a mesma planta figura, em vários casos, entre “usadas”, “não usadas” e de uso "não informado”; * = diferença significativa (p<0,05) - testada a igualdade de proporções entre usadas e não usadas. Tablc I - Cilation summary. 'Grand total, cxccpt that referring to citations, is not rclatcd to thc sum of its rcspeclivc columns, bccausc the same plant can be mentioncd as “used", “not used” and “not informed”, depending on thc interviewees’ answcr; * = significativc diflcrcnce (p<0,05) - proportion’s equality tested betueen used and not used plants. Características Geral Usadas Não usadas Não informado Citações de plantas 813 666* 128 19 Etnoespécies 1 205 180 64 21 Espécies 1 154 136* 47 14 Espécies exóticas 1 56 53* 8 2 Citações de plantas exóticas 300 285 13 2 Espécies nativas 1 90 76* 36 13 Citações de plantas nativas 457 341 103 13 Média de citações de plantas por informante 16 13 3 0 Rodriguésia 62 ( 1 ): 1 53 - 1 69 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 Existe utilização efetiva dos recursos icgetais na Ilha do Cardoso? exemplo, para a ornamentação, na verdade estão em uso, quando enfeitam. Hunn ( 1 980), Torre-Cuadros & Islebe (2003), Albuquerque & Luccna (2005) e Lucena et iil. ( 2007 ) alertam para a necessidade de se diferenciar o “uso real” de um recurso e o conhecimento acerca do mesmo, ou “uso cognitivo”. Esses autores apontam que é natural que recursos vegetais amplamente citados como úteis por grupos humanos não sejam necessariamente usados em situações atuais. A constatação merece, a nosso ver, um estudo mais aprofundado, que ao defini-la em pormenores, clarifique melhoras “situações atuais” de uso de recursos vegetais. Espécies nativas e exóticas As informações sobre as plantas nativas totalizaram 457 citações, 75% das quais foram declaradas usadas ao menos uma vez. Das espécies botânicas. 72% são utilizadas para manufatura, 47% como medicamento e 41% para alimentação. Das espécies botânicas usadas, 70% são empregadas na manufatura, 50% na medicina c 47% na alimentação. Já das espécies nativas não usadas, 78% destinam- se à manufatura, 35% à medicina e 8% à alimentação (Tab. 2). Quanto às plantas exóticas, foram registradas 300 citações. Das espécies botânicas citadas, 7 1 % são empregadas para fins medicinais, 52% utilizadas como alimento e 1 1 % para manufatura As utilizadas correspondem a 95% das citações. Em relação as espécies botânicas usadas, 72% têm uso medicinal. 55% alimentar e 7% manufatureiro. Todas as alimentares são usadas (Tab. 2). Já as não utilizadas apresentam reduzido número de citações e de espécies botânicas. Embora o uso de plantas seja significativamente grande, quer entre nativas quer entre exóticas, os cálculos do teste Z evidenciaram a ocorrência de maior diferença nas citações de plantas usadas e não usadas exóticas. Entre elas, o número de citações de plantas usadas é proporcionalmentc maior que o apurado entre as nativas (exóticas: Z = 38,4; p<0,05; nativas: Z = 1 3,4; p<0,05). O cálculo do teste Z para o conjunto de espécies botânicas mencionadas evidenciou que também há uma diferença significativa entre as plantas usadas e não usadas, nativas e exóticas. Entre as exóticas, constatou-se também maior diferença nas proporções de usadas (95%) e não usadas (4%) (Z = 8,54; p<0.()5) do que a registrada entre as nativas (usadas: 75%; não usadas: 22%) (Z = 3,90; p<0.05), indicando que um maior número de espécies não usadas foi registrado entre as plantas nativas (Tab. 2). Rodriguésia 62 ( 1 ): 1 53 - 1 69 . 20 1 1 157 Pelo número de citações e de espécies botânicas (Tab. 2), fica evidente que as plantas nativas, com destaque para as empregadas em manufatura, são mais conhecidas pelos moradores do que as exóticas, destinadas principalmente para fins medicinais e alimentares, sendo estas últimas mais usadas. As plantas exóticas, trazidas de outras localidades para ambientes muitas vezes bem diversos do originário, normalmente demandam cultivo, exigindo, por isso, maiores cuidados. Usadas em geral para fins medicinais e alimentares, finalidades de uso relacionadas ao atendimento de necessidades mais imediatas, seu plantio ocorre comumente em áreas próximas às residências, tomando-as dessa forma mais acessíveis e disponíveis para uso frequente que delas se faz. Vale ressaltar que nesse grupo são encontradas plantas de potencial invasor ou de distribuição cosmopolita, como é o caso de Bidens pilosa L. e Plantago australis Lam. As plantas nativas destinam-se predominantemente à manufatura. Por ser um conhecimento mais relacionado a ambientes de floresta e, por isso, de certa forma mais específico, ele se manifesta de forma diversa, quando, por exemplo, se considera o gênero dos informantes. Como se verá adiante, se apresenta de forma mais acentuada entre os homens. Peculiaridades como a facilidade de acesso e a disponibilidade podem também se refletir no uso do recurso, especialmente em áreas florestadas. Aliás, etnobotânicos como Phillips & Gentry (1993b) e Albuquerque & Lucena (2005) já buscaram investigar se tais fatores (acessibilidade e disponibilidade) têm influência no conhecimento local sobre espécies florestais e procuraram resposta para a “hipótese da aparência”, contida na questão: “As plantas mais disponíveis (ou abundantes) na natureza tendem a ser as mais importantes culturalmente, ou seja, as mais conhecidas pelos informantes?” Apesar de consistente em muitos casos, como em Phillips & Gentry (1993b), Galeano (2000) e Albuquerque & Lucena (2005) ressaltam que nem sempre esta relação está presente, como comprovam algumas descobertas no Nordeste do Brasil (Albuquerque et al. 2005), em que se constatou que o uso ou não de um recurso, além de sua acessibilidade, também pode ser influenciado pela frequência com que o ambiente é visitado pelo usuário. Entretanto, Casagrande (2004) concluiu que o conhecimento etnobotânico em áreas manejadas e florestadas em Chiapas, no México, não apresentou diferenças e não estava correlacionado com a frequência de visitas à floresta. SciELO/JBRJ cm .. 158 Categoria de uso Os resultados, conforme as três categorias de uso que se mostraram relevantes (alimentar, medicinal e manufatureira) estão sintetizados na Tabela 3. Para estas categorias houve diferença significativa na proporção citação de plantas usadas e não usadas em todas as categorias de uso (alimentares: x 2 = 216,7; p<0,0001 ; medicinais: X : = 225; p<0,0001 ; manufatureiras: X : - 6,3; p = 0,0 1 2; todos com grau de liberdade: 1 ). A diferença mais expressiva é a das alimentares, que são mais usadas. O mesmo teste, efetuado com base no número de espécies citadas por cada categoria de uso, apontou idêntica tendência, ou seja, quando comparada a outras categorias de uso, as espécies alimentares apresentam maior número (x : = 1 7,8; p = 0.000 1 ; grau de liberdade: 2). O teste Qui-quadrado apontou também uma diferença significativa entre plantas exóticas alimentares e manufatureiras usadas pelos entrevistados (yj = 7,80; p = 0,020; graus de liberdade: 2), bem como entre nativas alimentares e manufatureiras também usadas (y 2 = 1 0,49; p = 0,006; graus de liberdade = 2). O maior número de citações e também a relativa superioridade no número de espécies indicam maior difusão do conhecimento local associado às plantas medicinais. Estes dados reforçam os resultados de alguns estudos realizados no Brasil que destacam a importância da categoria de uso medicinal entre outros grupos caiçaras (Figueiredo et al. 1993; Hanazaki etal. 2000; Begossi et al. 2002). As plantas exóticas medicinais também superaram suas correspondentes alimentares e manufatureiras. Tal destaque aparece também em outros estudos etnobotânicos (Figueiredo et al. 1993; Bennett & Prance 2000; Hanazaki etal. 2000; Fonseca-Kruel & Peixoto 2004). Apesar de não figurar como a classe de uso mais expressiva, as plantas alimentares também se destacaram quanto ao conhecimento local. Elas são proporcionalmentc as plantas com maior porcentagem de uso (97%), em comparação com as medicinais (90%) e as manufatureiras (58%), e pelo reduzido número de plantas não usadas. O fato de se constituírem gêneros de necessidade primordial e direta para a sobrevivência humana, faz com que o conhecimento sobre elas esteja fortemente associado ao uso. Consistem principalmcnte de frutas nativas, como já observaram Hanazaki et al. (2000), e de plantas exóticas cultivadas, com destaque para a mandioca ( Manihot esculenta Crantz.). Estudo realizado entre caiçaras no litoral sul de São Paulo Mjranda, T.M et al. aponta também a importância das plantas0,05) e usadas (Fr = 2,78, grau de liberdade = 1 ; p>0,05) nesses dois grupos etários. liodiiguésiá 62( 1 ): 153-169.2011 SciELO/JBRJ 13 14 Rocfriguésia 62( 1 ): 1 53- 1 69. 20 1 1 Tabela 2 - Plantas nativas e exóticas citadas. 'Os totais gerais, não correspondem à soma das respectivas colunas, pois, de acordo com a resposta dos informantes, a mesma planta figura, cm vários casos, entre “usadas”, “não usadas” e de uso “não informado”, bem como apresentar diversos usos; * diferença significativa (p<0,05) - testada a igualdade de proporções entre usadas e não usadas. Table 2 - Native and exotie plants citcd. 'Grand total, cxcept that referring to citations, is not rclated to thc sum of its rcspcctivc columns, bccausc thc same plant can bc mentioned as “used”, “not used” and “not informed", depending on thc intcrvicwccs’ answcr; * = significativc diffcrcncc (p<0,05) - proportion’s cquality tested bctwccn used and not used plants. Nativas Exóticas Características Geral Usadas Não usadas Não informado Geral Usadas Não usadas Não informado Citações 457 341* 103 13 300 285* 13 2 Etnoespécies 1 111 95 46 15 69 66 11 2 Espécies 1 90 76* 36 13 56 53* 8 2 Espécies medicinais 1 42 38 13 1 40 38 7 0 Citações de plantas medicinais 1 142 121 20 1 184 176 8 0 Espécies manufatureiras 1 65 53 29 1 6 4 3 1 Citações de plantas manufatureiras 1 185 106 78 1 13 7 5 1 Espécies alimentares 1 37 36 3 1 29 29 0 0 Citações de plantas alimentares 1 126 121 4 1 KM KM 0 0 Média de citações por informante 9 7 2 0 6 5 0 0 Tabela 3 - Plantas citadas, por categoria de uso.'Os totais gerais, exceto os de citações, não correspondem à soma das respectivas colunas, pois, de acordo com a resposta dos informantes, a mesma planta figura, em vários casos, entre “usadas”, “não usadas” c de uso “não informado”;* = diferença significativa (p<0,05) - testada a igualdade de proporções entre usadas e não usadas. Table 3 - Plants citcd, by use catcgory. 'Grand total, cxccpt that referring to citations, is not rclated to thc sum of its rcspcctivc columns, bccausc thc same plant can bc mentioned as “used”, “not used" and “not informed", depending on thc intcrvicwccs’ answcr; * = significativc diffcrcncc (p<0,05) - proportion’s cquality tested bctwccn used and not used plants. Alimentares Medicinais Manufatureiras Características Geral Usadas Não usadas Não informadas Geral Usadas Não usadas Não informadas Geral Usadas Não usadas Não informadas Citações 243 236* 6 1 347 313* 33 1 219 127* 89 3 Etnoespécies 1 80 77 6 1 107 98 30 1 95 78 40 4 Espécies 1 70 68* 5 1 85 77* 22 1 72 59* 31 2 Espécies exóticas 1 29 29* 0 0 40 38 7 0 6 4* 3 1 Citações de plantas exóticas 104 104 0 0 184 176 8 0 13 7 5 1 Espécies nativas 1 37 36* 3 1 42 38 13 1 65 53* 29 1 Citações de plantas nativas 126 121 4 1 142 121 20 1 185 106 78 1 Média de citações 5 5 0 0 7 6 1 0 4 2 2 de plantas por informante 0 SciELO/ JBRJ Existe utilização efetiva dos recursos vegetais na Ilha do Cardoso? 159 cm .. 160 Considerando as plantas não usadas, comprova-se que o uso que os mais jovens fazem do conhecimento que possuem é relativamente menor do que o do grupo com mais de 40 anos, tendência esta confirmada pelo teste de Friedman (Fr = 5,44; grau de liberdade = 1 ; p<0,05). Desta forma, é possível considerar que os caiçaras da Ilha do Cardoso apresentam, de modo geral, um conhecimento equilibrado, uma vez que as diferenças constatadas, referentes ao número de citações, de etnoespécies, espécies botânicas, de nativas e exóticas, bem como das categorias de uso das plantas, não são acentuadas. O uso dos recursos também se mostrou semelhante por faixa etária, apesar de ser pouco maior entre os mais novos o número de plantas não usadas. Trata-se, neste caso, de uma tendência já observada em outros estudos (Phillips & Gentry 1993b; Hanazaki et al. 1996, 2000; Begossi et al. 2002; Pilla et al. 2006), de que os mais velhos tendem a conhecer e usar mais plantas manufatureiras e medicinais. Considerando estas diferenças em relação aos grupos de idade, o pressuposto é que, quanto maior a idade, maiores são também as chances dos informantes utilizarem as plantas que conhecem, por terem tido mais tempo de experimentação ao longo da sua vida. Gênero De modo geral, os homens apresentam um conhecimento mais amplo das plantas, evidenciado pelo maior número de citações, de etnoespécies, de espécies botânicas e de plantas nativas. Em relação à categoria de uso, sobressaem o número de plantas manufatureiras e uma pequena diferença nas alimentares. As mulheres mencionam mais exóticas e medicinais e apresentam maior média de citação de plantas usadas por informante (Tab. 5). Embora constatadas, tais tendências não se mostraram significativamente distintas, conforme apontam os cálculos do teste Friedman para o conjunto de plantas citadas (Fr = 1,78; grau de liberdade = 1 ; p>0,05), usadas (Fr = 1 ,00; grau de liberdade = 1 ; p>0,05) c não usadas (Fr = 2,78; grau de liberdade = 1 ; p>0,05 ). As tendências encontradas se assemelham às de outros estudos etnobotânicos, ao comprovarem que conhecimento c uso de recursos naturais são heterogêneos nas comunidades, quando se considera o gênero dos moradores. Seguindo tendência geral, os homens mostraram- se mais familiarizados com plantas manufatureiras. Mirandà, T.M et al. % empregadas na construção de casas, na fabricação de canoas e na confecção de artesanatos e possuem, por isso, conhecimento maior de espécies nativas das florestas que cercam as regiões que vivem ( Phillips & Gentry 1 993a; Hanazaki etal. 2000). Em contrapartida, as mulheres, dedicadas sobretudo aos afazeres domésticos e aos cuidados com a família, dominam um conhecimento sobre o conjunto de espécies utilizadas com finalidades medicinais (Phillips & Gentry 1993a; Begossi et al. 2002), grande parte delas exóticas (Bennett & Prance 2000). O elevado número de plantas não usadas pelos homens pode ser composto por aquelas cujo uso sofre restrições, impostas pela administração do PE1C, conforme já mencionado anteriormente. Atividade De modo geral, um maior número de citações, de etnoespécies, de espécies botânicas e de plantas nativas resultou das entrevistas dos que declararam exercer a pesca como atividade principal. Esses pescadores, todos eles homens, foram também os que se destacaram pelas citações de plantas manufatureiras c alimentares. As donas de casa também merecem destaque, com elevado número de plantas medicinais, e de plantas em sua quase totalidade exóticas. Entre os praticantes de atividades relacionadas ao turismo, com entrevistados geralmente na faixa etária de 1 8 a 40 anos, predominam, como no caso das donas de casa, as plantas medicinais, seguidas das alimentares. Uma diferença que chama a atenção entre esses grupos é que, no terceiro, as espécies exóticas e nativas mencionadas se equiparam, enquanto, no segundo, predominam as exóticas. Os monitores ambientais, também com idade até 40 anos, sobressaíram pelo número de espécies nativas e de plantas medicinais. Entre os funcionários do PE1C, predominam as plantas nativas e as de uso manufatureiro (Tab. 6). Apesar da variação do número de entrevistados, a quantidade de espécies botânicas mostrou-se relativamente constante nas respostas obtidas dos praticantes das atividades de turismo, dona de casa e monitoria ambiental. Um maior número coube, no caso, aos pescadores. Os funcionários do PEIC receberam menor destaque, provavelmente pelo reduzido número de entrevistados. O cálculo do teste de Friedman confirma as tendências acima descritas, apontando que há diferença significativa entre o conhecimento Rodriguésía 62(1): 153-169. 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 Rodriguésia 62(1): 153-169. 201 1 cm .. Tabela 4 - Plantas citadas, por faixa etária dos informantes. 'Os totais gerais, exceto os de citações, não correspondem à soma das respectivas colunas, pois, de acordo com a resposta dos informantes, a mesma planta figura, em vários casos, entre “usadas”, “não usadas” e de uso “não informado";* = diferença significativa (p<0,05) - testados valores absolutos das colunas “geral”, “usadas” e “não usadas”. Tablc 4 - Plants citcd, by intcrviewccs’ agc.'Grand total, cxccpt that referring to citations, is not rclatcd to thc sum of its rcspcctive columns, bccausc thc same plant can bc mentioned as “used", “not used" and “not informed", depending on thc intcrviewccs’ answcr; * = significativc difTercncc (p<0,05) - tested values from thc columns “general”, “used” and "not used". Características Geral < 40 anos Não Usadas Usadas Não Informado Geral >41 anos Não Usadas Usadas Não Informado Citações 445 353 85* 7 368 313 43* 12 Etnoespécies 1 154 133 50* 7 156 135 29* 14 Espécies 1 114 100 37* 6 119 106 22* 9 Espécies exóticas' 45 42 8* 0 -44 43 2* 2 Citações de plantas exóticas 161 151 10 0 139 134 3 2 Espécies nativas' 64 55 27 * 5 68 57 19* 8 Citações de plantas nativas 154 181 68 5 203 160 35 8 Espécies medicinais 1 67 59 21* 1 54 52 2* 0 Citações de plantas medicinais 210 178 31 1 137 135 2 0 Espécies manufatureiras 1 43 33 21* 0 49 40 19* 2 Citações de plantas manufatureiras 108 56 52 0 111 71 37 3 Espécies alimentares 1 42 41 2 * 0 56 54 3* 1 Citações de plantas alimentares 126 123 3 0 117 113 3 1 Média de citações de plantas por informante 15 12 3* 0 17 15 2* 0 10 SciELO/JBRJ 17 lí Existe utilização efetiva dos recursos vegetais na Ilha do Cardoso? Rodriguésia 62(1): 1 53- 1 69. 20 1 1 Tabela 5 - Plantas citadas, por gênero dos informantes. 'Os totais gerais, exceto os de citações, não correspondem à soma das respectivas colunas, pois, de acordo com a resposta dos informantes, a mesma planta figura, cm vários casos, entre “usadas”, “não usadas” c de uso “não informado”. Tablc 5 - Plants citcd, by intcrvicwccs’ gcndcr.'Grand total, cxccpt that referring to citations, is not rclated to thc sum of its rcspcctivc columns, bccause the same plant can bc mentioned as “used", “not used" and “not informed”, depending on thc intcrvicwccs’ answcr. Feminino Masculino Características Geral Usadas Não Usadas Não Informado Geral Usadas Não Usadas Não Informado Citações 344 304 38 2 469 362 90 17 Etnoespécies 1 137 123 32 2 167 143 51 19 Espécies 1 KW 99 23 2 125 108 39 12 Espécies exóticas 1 47 45 5 i 41 38 4 1 Citações de plantas exóticas 175 167 7 i 125 118 6 1 Espécies nativas 1 57 50 17 i 77 64 33 12 Citações de plantas nativas 144 116 27 i 313 225 76 12 Espécies medicinais 1 73 66 15 0 52 44 12 1 Citações de plantas medicinais 213 196 17 0 134 117 16 1 Espécies manufature iras 1 18 8 14 0 66 55 27 2 Citações de plantas manufatureiras 33 12 21 0 186 115 68 3 Espécies alimentares 1 51 50 1 0 55 53 4 1 Citações de plantas alimentares 102 101 1 0 141 135 5 1 Média de citações de plantas por informante 16 14 2 0 16 13 3 0 ri 5 10 ] SciELO/JBRJ 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 cm .. Existe utilização efetim dos recursos vegetais na Ilha do Cardoso? de plantas apresentado pelos informantes conforme a atividade exercida (Fr = 1 7,08; graus de liberdade = 5; p<0,05). As diferenças são mais acentuadas entre pescadores e os que exercem as demais atividades (turismo e pesca: p = 0,038; atividades domésticas e pesca; p = 0,033; monitor ambiental e pesca: p = 0,024; funcionário do Parque e pesca: p = 0,01 1; outras atividades e pesca: p = 0,015). Diferenças significativas também são encontradas entre os que exercem atividades de turismo e funcionários do parque (p = 0,044), bem como entre os primeiros e os incluídos em "outras atividades” (p = 0,015). Entretanto, tal fato talvez seja consequência do diferente número de informantes em cada uma delas. O teste de Friedman também apontou diferenças significativas na porcentagem de uso entre as distintas classes de atividades (Fr = 1 9.08; graus de liberdade = 5; p<0,05). O uso mais acentuado das plantas citadas coube às donas de casa (96%), seguidas dos pescadores (95%), dos que exercem atividades ligadas ao turismo (90% ), dos monitores ambientais (83%) e dos funcionários do PEIC (60% ) (Tab. 6). A aplicação do teste de Friedman indicou diferença significativa de uso entre as seguintes classes de atividades: “atividades domésticas - funcionário do parque” (p = 0,036); “pesca - funcionário do parque" (p - 0,01 1); "pesca - monitor ambiental” (0,02 1 ); "turismo - monitoria ambiental" (p = 0,02 1 ); “turismo - funcionários do parque” (p = 0,017); e “monitoria ambiental - funcionários do parque" (p = 0,021). As diferenças não significativas foram constatadas entre: “pescadores - atividades domésticas” (p = 0,05 1 ) e “pesca - turismo” (p = 0,051). Todas as comparações efetuadas com os informantes incluídos em "outras atividades" apresentaram-se significativas, o que pode ser um viés decorrente do reduzido número de informantes. Nota-se, assim, que, de modo geral, os pescadores e funcionários do parque apresentam maior conhecimento sobre plantas; que as donas de casa são as maiores usuárias dos recursos; que um conhecimento semelhante é mantido entre os monitores ambientais e os que exercem atividades relacionadas ao turismo, apesar do uso ser menor entre estes últimos. O maior conhecimento de plantas nativas manufaturciras demonstrado pelos pescadores decorre, certamente, da prática do próprio ofício, pois, para garantir a produtividade da pesca, dependem de equipamentos (como canoas e armadilhas) feitos com recursos da mata, que Rodriguésía 621 1): 1 53- 1 69. 20 1 1 163 precisam, por isso, ser conhecidos. As plantas utilizadas para manufatura concentram-se também no universo masculino, certamente por caber predominantemente aos homens os afazeres que envolvem o uso de tais recursos (como a construção de casas e de canoas, e a confecção de peças artesanais), como observado também por Hanazaki et al. (2000). O conhecimento de espécies medicinais mostrou-se similar entre as donas de casa, os monitores ambientais e os praticantes de turismo. Estudos etnobotânicos evidenciam a tendência das mulheres apresentarem um conhecimento mais amplo do que homens sobre plantas medicinais. O papel social que desempenham (cuidar da casa e dos familiares, inclusive em questões de saúde) exige conhecimento e uso de recursos que tomem eficaz a intervenção feminina, quando exigida. Entre os monitores ambientais e os que exercem atividades relativas ao turismo, grupos compostos principalmente por jovens, destacam-se também as plantas medicinais. O conhecimento, nesses casos, está também associado à necessidade de transmitir aos turistas, que visitam a Ilha do Cardoso, informações sobre as plantas encontradas no percurso, tornando o seu trabalho mais qualificado. Talvez isso justifique a diferença entre as medicinais usadas e não usadas pelos monitores ambientais (Tab. 6). De qualquer forma, tal prática, denominada por Torre-Cuadros e Isbele (2003) e Albuquerque & Lucena (2005), de “uso cognitivo”, é sem dúvida importante para a manutenção do conhecimento. Plantas citadas As plantas citadas por até 10% dos entrevistados encontram-se na Tabela 7. As mais conhecidas, que receberam um maior número de citação são: garapuvu ( Schizolobium parayba (Vell.) Blake); hortelã (Mentha anensis L. e Mentira sp.); caxeta ( Tabebuia cassinoides (Lam.) A. P. DC.); araçá ( Psidium cattleyanum Sabine); boldo ( Plectrantbus barbatus Andrews, Salvia sp. e uma espécie indeterminada); erva-de-santa-maria ( Chenopodium ambrosioides L.); poejo ( Mentha putegium L.); capim-cidró (Cymbopogon citratus (DC.) Stapf.); goiaba ( Psidium guajava L.) e vacupari (Garcinia gardneriana (Planch & Triana) Zappi). Nesse conjunto, composto por 1 3 espécies, 8 consideradas exóticas de áreas de Mata Atlântica e 5 nativas, destacam-se as empregadas na medicina local: o hortelã (A/. an ensis e Mentha sp.), o boldo (P. barbatus-, Salvia sp. e uma espécie indeterminada). SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 164 Miranda. T.M et al. Tabela 6 - Plantas citadas, por atividade exercida pelos informantes.' Os totais gerais, exceto os de cilações, não correspondem à soma das respectivas colunas, pois, de acordo com a resposta dos informantes, a mesma planta figura, em vários casos, entre “usadas”, “não usadas” e de uso “não informado”; * = diferença significativa (p<0,05) - testados valores absolutos das colunas “geral”, “usadas” e “não usadas; G = geral; U = usadas; NU = não usadas; NI = não informado. Table 6 - Plants cited, by interviewccs' professional activities. 'Grand total, exccpt lhat referring to citations, is not rclated to the sum of its respcctive columns, becausc thc same plant can be mentioned as “uscd", “not uscd" and “not informcd", depending on the intervicwees’ answer; * = significative differencc (p<0,05) - tested valucs from columns “general", “uscd" and “not uscd"; G = general; U = uscd; NU = not used; NI = not informcd. Turismo Do lar Monitorambiental Características G U NU NI G U NU NI G U NU NI Citações 133* 114* 14 5 153* 146* 5 2 124* 85* 39 0 Etnoespécies 1 90* 78* 13 5 81* 77* 7 2 87* 71* 35 0 Espécies 1 68* 61* 10 4 69* 66* 4 2 64* 53* 23 0 Espécies exóticas 1 31* 31* 2 0 37* 36* 1 i 24* 22 * 4 0 Citações de plantas exóticas 55 53 2 0 103 101 1 i 33 28 5 0 Espécies nativas 1 35* 28* 9 3 30* 28* 3 i 38* 30* 18 0 Citações de plantas nativas 65 51 11 3 43 38 4 i 82 52 30 0 Espécies medicinais 1 37* 36* 1 0 42* 41* 2 0 43* 33* 17 0 Citações de plantas medicinais 57 56 1 0 102 100 2 0 78 55 23 0 Espécies manufatureiras 1 13* 6* 9 0 5* 3* 3 0 15* 7* 11 0 Citações de plantas manufatureiras 19 8 11 0 6 3 3 0 25 9 16 0 Espécies alimentares 1 30* 30* 0 0 33* 33* 0 0 23* 22* 2 0 Citações de plantas alimentares 50 50 0 0 45 45 0 0 24 22 2 0 Média de citações de plantas/informante 26* 23* 3 0 10* 10* 0 0 25* 17* 8 0 Características G Pesca U NU NI Funcionário do Parque Outras atividades G U NU NI G U NU NI Citações 295* 250* 42 3 72* 38* 25 9 36* 33* 3 0 Etnoespécies 1 126* 118* 21 3 73* 48* 24 11 47* 43* 4 0 Espécies 1 97* 92* 18 2 50* 33* 19 8 33* 30* 3 0 Espécies exóticas 1 36* 34* 2 i 6* 5* 2 0 11* 11* 0 0 Citações de plantas exóticas 89 86 2 i 9 6 3 0 11 11 0 0 Espécies nativas 1 56* 53* 14 i 44* 28* 18 8 20* 18* 2 0 Citações de plantas nativas 187 151 35 i 59 30 21 8 21 19 2 0 Espécies medicinais 1 35* 32* 5 i 10* 9* 1 0 21* 20* i 0 Citações de plantas medicinais 78 72 5 i 10 9 1 0 22 21 i 0 Espécies manufatureiras' 49* 46* 14 i 25* 12* 17 1 5* 3* 2 0 Citações de plantas manufatureiras 130 91 37 2 33 12 20 1 6 4 2 0 Espécies alimentares 1 40* 40* 1 0 18* 16* 2 1 11* 10* i 0 Citações de plantas alimentares 94 93 1 0 19 16 2 1 11 10 i 0 Média de citações de plantas/informante 13* 11* 2 0 24* 13* 8 0 36* 33* 3 0 Rodriguésút 62( 1 ): 153-1 69. 20 1 2 3 4 5 6 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Existe utilização efetiva dos recursos vegetais na Ilha do Cardoso? o poejo (A/. pulegium), o capim-cidró (C. citratus) e a erva-de-santa-maria (C. ambrosioides). As quatro primeiras são as citadas como mais usadas. O vacupari ( G . gardneriana), o araçá (P. cattleyaruim) e a goiaba [P. guajava) se destinam a uso alimentar. O garapuvu (5. parahyba) e a caxeta (T. cassinoides) são usados para manufatura. As mais citadas delas pelos entrevistados com até 40 anos foram: o hortelã (A/, arvensis e Mentha sp.), o boldo (/’. barbatus , Salvia sp. e uma espécie indeterminada) e a goiaba (P. guajava), com indicação de 100% de uso. Também merecem ser citados o araçá (P. cattleyanum), com 94% de uso; o garapuvu (5. parahyba) e a caxeta ( T. cassinoides), apesar do menor percentual de uso desses dois últimos, com respectivamente 68% e 47%. Entre os mais velhos, com idade acima de 40 anos, destacaram-se também como as mais usadas ( 1 00% de uso): o hortelã (A/, arvensis e Mentha sp.), o capim-cidró (C. citratus), a erva-de-santa- maria (C. ambrosioides), o poejo (A/, pulegium), o boldo (/’. barbatus, Salvia sp. e uma espécie indeterminada) e o vacupari (G. gardneriana). O percentual de uso do garapuvu (5. parahyba) foi, nessa categoria, de 56%. As plantas mais usadas pelos homens foram o vacupari ( G. gardneriana), a caxeta ( T cassinoides) e o garapuvu ( S . parahyba)', e pelas mulheres: o hortelã (A/, anensis e Mentha sp), o boldo (/'. barbatus, Salvia sp. e uma espécie indeterminada) e o poejo (A/, pulegium). Também foi possível observar diferenças no conjunto de plantas mais citadas conforme a atividade exercida. Entre os praticantes de atividades relacionadas ao turismo, as plantas mais citadas foram o boldo ( P. barbatus, Salvia sp. e uma espécie indeterminada), com 46% de uso e o araçá (P. cattleyanum), com 44%. Já entre os pescadores, as mais citadas foram a caxeta ( T . cassinoides) e o garapuvu (5. parahyba), com 58% de uso cada; o vacupari (G. gardneriana), com 43%; a erva-de-santa-maria (C. ambrosioides), com 42% c o araçá ( P. cattleyanum). com 36%. As donas de casa citaram principalmente o poejo (A/. pulegium)', o hortelã (A/, anensis e Mentha sp.); o capim-cidró (C. citratus) e o boldo (P. barbatus, Salvia sp. e uma espécie indeterminada), com as respectivas porcentagens de uso: 55%, 52%, 37% c 31%. Os funcionários públicos mencionaram o vacupari (G. gardneriana), com 13%; a goiaba (P. guajava) e o garapuvu (S. parahyba), com 10% de citação de uso cada. Rodrigué sá 621 1 ): 1 53- 1 69. 20 1 1 165 E interessante notar que as 13 espécies de maior destaque se mantiveram as mesmas independente da característica analisada, o que, além de evidenciar a importância das mesmas, pode indicar que o conhecimento local apresenta-se calcado num conjunto relativamente reduzido de plantas. Vale ressaltar que as variações no conhecimento evidenciadas e discutidas anteriormente se refletem também quando se considera o conjunto de plantas citadas pelos informantes. Os resultados obtidos permitem-nos concluir que os caiçaras da Ilha do Cardoso ainda retêm amplo e diverso conhecimento sobre plantas e que grande parte do que conhecem é por eles utilizado, mostrando-se, nesse aspecto, resilientes frente aos diversos tipos de pressão que vêm sofrendo, dentre elas a restrição ao uso de plantas imposta pelo PEIC. E indiscutível que tal processo impõe grande dificuldade para o uso dos recursos vegetais, que poderá resultar em obstáculo para a manutenção do conhecimento que se tem sobre eles. Futuras investigações poderão verificar como e de que modo as restrições advindas com a implantação do PEIC influíram na manutenção do conhecimento etnobotânico local. As plantas mais conhecidas são em sua maioria nativas, apesar de verificarmos que as exóticas são mais usadas. Isso pode indicar que os moradores locais podem estar reduzindo gradativamente sua interação com o ambiente vegetal, o que pode ser reflexo do fato das espécies nativas situarem-se mais distantes das residências ou de demandarem conhecimento mais específico. Tais fatores, além da presença do PEIC, podem estar influenciando a utilização das plantas nativas. O conhecimento e uso variaram conforme a categoria de uso dos recursos. Espécies medicinais mostraram-se as mais conhecidas, as alimentares destacaram-se pelo uso e as manufatureiras foram as menos usadas. O conhecimento mostrou-se, de modo geral, equivalente em relação à idade dos informantes, apesar de, entre os mais jovens, ser menor a proporção de uso dos recursos. O nível de conhecimento também se mostrou semelhante em relação ao gênero dos informantes. Homens demonstram conhecer mais espécies manufatureiras, enquanto as mulheres mais de plantas medicinais, provavelmente, pelo tipo de trabalho que desenvolvem. Em relação à atividade exercida, constatou- se que as donas de casa usam um maior número de plantas exóticas medicinais, e que os pescadores conhecem e usam mais plantas nativas SciELO/ JBRJ 13 14 62(1): 153-169. 201 1 Tabela 7 - Plantas citadas por 10% dos entrevistados, por número de citação. S = status; E = exótica; N = nativa; 1 = indeterminado; NU = não usada; NI = não informado; U = usada; H = manufatura; M = medicinal; A = alimentar; O = outros usos. Table 7 - Plants citcd by 10% of thc informants, by citation number. S = status; E = exotie; N = native; I = undetermined; NU = not used; NI = not informed; U = used; H = handeraft; M = medicinal; A = food; O « othcr uses. Nome popular/etnoespécic Espécie botânica Família S Número de citações NU NI U Total Uso garapuvu / guapiruvu Schizolobium parahyba (Vcll.) Blake Caesalpinioideae N 19 1 15 35 H/M/O hortelã Menlha anensis L. Lamiaceac E 0 0 25 25 M Mentha sp. Lamiaceac E caxcta Tabebuia cassinoides (Lam.) A. P. DC. Bignoniaceae N 10 0 14 24 H araçá / araçá-roxo Psidium cattleryanum Sabine Myrtaceae N 1 0 21 22 H/M/A boldo Indct. I Astcraceae E 0 0 21 21 M Plectranthus barbatus Andrews Lamiaceac E Sal via sp. Lamiaceac E crva-dc-santa-maria Chenopodium ambrosioides L. Chenopodiaceae N 0 1 18 19 M poejo Menlha pulegium L. Lamiaceac E 0 0 18 18 capim cidró/ capim-limão /erva-cidreira Cytnbopogon citratus (DC.) Stapf. Poaceae E 0 0 17 17 M goiaba / goiaba-branca / goiaba-vermelha Psidium guajava L. Myrtaceae E 0 0 17 17 H/M/A vacupari Garcinia gardneriana (Planch & Triana) ZappiClusiaceae N 0 0 17 17 H/A aipim / mandioca Manilwt esculenta Crantz Euphorbiaccae E 0 0 14 14 A guanandi Calophyllum brasiliense Cambess. Clusiaceae N 9 1 4 14 H cataia Pimenta pseudocaryophyllus (Gomes) Landrum Myrtaceae N 0 0 13 13 M laranja Cilrus aurantium L Rutaccae E 0 0 13 13 M/A abacate Persea americana Mill. Lauraccac E 1 0 11 12 M/A maracujá Passijlora alata Dryand Passifloraceac N 0 0 11 11 M/A Passiflora edulis Sims Passifloraccae N pitanga Eugenia uniflora L. Myrtaceae N 0 0 II 11 M/A araticum Annona crassifoUa Mart. Annonaccae E 0 0 10 10 M/A Rollinia sericea (R. E. Fr.) R. E. Fr. Annonaccac N caju /caju-branco Anacardium occidenlalc L. Anacardiaceae N 0 0 10 10 M/A lissa/ salva-vida Lippia alba (Mill.) N. E. Br. Verbcnaceac E 0 0 10 10 M brejaúva Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret Arecaceae N 2 0 8 10 H/A quebra-pedra Phyllanlhus sp. Euphorbiaccae N 2 0 8 10 M % canela Inga sp. Mimosoideae N 8 0 2 10 II banana Musa acuminata Colla Musaccae E 0 0 9 9 A tucum Bactris setosa Mart. Arecaccac N 0 0 9 9 H/A 10 SciELO/JBRJ 17 lí 19 20 21 22 23 24 25 26 1 66 Miranda. T.M et al. Rodriguésia 62(1): 153-169.2011 Nome popular/etnocspécic Espécie botânica Família S Número de citações NU NI U Total Uso ananás -dc-raposa Indct. 2 Bromeliaccae N 1 0 8 9 M/A mcntrasto / lanchais Plantago australis Lam. Plantaginaceac E 1 0 8 9 M crva-balccira / mentruz / saliana Cordia verbenacea DC. Boraginaccac N 2 0 7 9 M cana-do-brcjo Costus spiralis (Jacq.) Roscoc Zingibcraceac N 2 1 6 9 M/A cipó-timbopeva Indct. 3 Sapindaccae N 3 0 6 9 H limão Citrus limon (L.) Burm. F. Rutaceae E 0 0 8 8 M/A Citrus sinensis (L.) Osbeck Rutaceae E aroeira Schinus terebinlhifolia Raddi Anacardiaceae N 2 0 6 8 H/M/O manguc-bravo / mangue-vermelho Rhizophora mangle L. Rhizophoraceae N 4 1 3 8 H/M aipo Apium sp. Apiaceae N 0 0 7 7 M murta Blepharocalyx salicifolius (Kunth)O. Berg. Myrtaccae N 1 0 6 7 H/A Eugenia sulcata Spring ex Mart. Myrtaceae N palmito Euterpe edulis L. Arccaceae N 1 1 5 7 H/A jacatirão Ttbouchina pulchra Cogn. Melastomataceae N 3 0 4 7 H/O timbuva Pithecellobium langsdorfii Benth. Mimosaceae N 5 0 2 7 H cará Dioscorea alaia L. Dioscoriaceae E 0 0 6 6 A feijão Phaseolus vulgaris L. Faboideae E 0 0 6 6 A picão / pico-pico Bidens pilosa L. Asteraceae E 0 0 6 6 M cipó-caboclo Indet. 4 Indeterminada N 1 0 5 6 M erva-do-bicho Indet. 5 Polygonaccac E 1 0 5 6 M carqueja Baccharis trimera (Less.) DC. Asteraceae N 2 0 4 6 M batata Ipomoea batatas Lam. Convolvulaccac E 0 0 5 5 M/A guapurunga / vapurunga Marlierea tomentosa Cambess. Myrtaceae N 0 0 5 5 A/O hipomea Ipomoea pes-caprae (L.) R. Br. Convolvulaccac E 0 0 5 5 M ambo Syzygium jambos (L.) Alston Myrtaceae E 0 0 5 5 A melancia Citnillus lanatus Thunb. Cucurbitaccae E 0 0 5 5 A olho-de-boi Indet. 6 Faboideae I 0 0 5 5 H/M tabucuva / tapiá Pera glabrata (Schott) Baill. Euphorbiaccae N 0 0 5 5 H orelha-de-gato Ttbouchina clavata (Pers.) Melastomataceae N 1 0 4 5 M serralha Emitia sp. Asteraceae N I 0 4 5 M/A arapaçu Indet. 7 Indeterminada N 2 0 3 5 H cedro Cedrela sp. Meliaceae I 3 0 2 5 H figueira Ficus insípida Willd Moraceae N 3 0 2 5 H/M/A/O taquara Indet. 8 Poaceae E 3 1 1 5 H SciELO/JBRJ 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Existe utilização efetiva dos recursos vegetais na Ilha do Cardoso? 1 67 168 Miranda. T.M et al. manufaturciras. Monitores ambientais e os que exercem atividades relacionadas ao turismo demonstraram também conhecimento semelhante, predominando o de plantas medicinais, apesar de menos usadas, em comparação com os de outras atividades profissionais. Tal fato pode indicar que o conhecimento local sobre as plantas se mantém vivo, nesse caso, também devido ao tipo de atividade exercida. Por não estarem diretamente ligadas à exploração do ambiente, as atividades relacionadas ao turismo e à monitoria ambiental lidam mais diretamente com o conhecimento que se tem de um recurso do que com o recurso em si. Estabelecem, por isso, entre os que as exercem e o meio ambiente, uma relação de dependência indireta para a sobrevivência, diferentemente, por exemplo, dos pescadores, que, via de regra, utilizam os recursos naturais para obtenção de produtos a serem consumidos. Agradecimentos Agradecemos aos moradores da Ilha do Cardoso, que participaram da pesquisa, ao Prof. Dr. D. Falkenbcrg (UFSC), a identificação das espécies; a M. Cultrera, F.C. Oliveira, E. Zuchiwschi, o auxílio na coleta de dados; a J.V. Miranda, a revisão do texto e sugestões; à CAPES, FAPESC e Programa Biota/FAPESP, o auxílio financeiro. Referências Albuquerque, U.P. & Andrade, L.H.C. 2002. Uso de recursos vegetais da caatinga: o caso do agreste do estado de Pernambuco (Nordeste do Brasil). Interciência 27: 336-346. Albuquerque, U.P. & Luccna. R.F.P. 2005. Can apparency affect the use of plants by local people in tropical forests? Interciência 30: 506-5 1 1 . Albuquerque, U.P.; Andrade, L.H.C. & Silva, A.C.O. 2005. 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Aceito para publicação em 19/10/2010. fíodriguésia 62( 1 ): 1 53- 1 69. 20 1 1 JSciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Rodriguésia 62( 1 ): 1 7 1 -202. 20 1 1 http://rodriguesia.jbrj.gov.br Revisão de Andropogon (Poaceae — Andropogoneae) para o Brasil 1 Revision of Andropogon (Poaceae— Andropogoneae! from Brazil Wfú. r y/t Ana Zanin 2A & Hilda Maria Longhi-Wagner * 3 4 Resumo É apresentada uma revisão taxonômica das espécies de Andropogon L. que ocorrem no Brasil com base em coletas, observação de populações no campo e análise de coleções de 72 herbários nacionais c internacionais. Foram confirmadas 28 espécies, incluindo A. gayanus Kunth, introduzida da África para cultivo, além de uma subespécie e uma variedade. O trabalho inclui chaves de identificação, descrições e ilustrações para todos os táxons, além de dados sobre distribuição geográfica, hábitat, periodo de floração, nomenclatura e comentários gerais. Palavras-chave: Gramineae, taxonomia. Abstract A taxonomic revision of the genus Andropogon L. in Brazil is presented. Based on field collections, observation of the populations and revision of 72 national and intemational herbaria, 28 species, including A. Gayanus Kunth introdueed from África were confirmed, besides one subspecie and one variety. The work includes key for the idcntification of the confirmed taxa, descriptions and illustrations, as well as data about geographic distribution, habitat, flowering periods, typification, synonymy and general comments. Key svords: Gramineae, taxonomy. Introdução O gênero Andropogon é um dos mais representativos da tribo Andropogoneae com cerca de 1 00 espécies, distribuídas especialmente através dos trópicos (Clayton & Renvoize 1986). Estas, em sua maior parte, são perenes e de hábito cespitoso, destacando-se especialmente por suas inflorescências plumosas. Algumas espécies constituem-se em importantes componentes de campos naturais, como é observado no sul do Brasil, onde geralmente integram os chamados “campos grossos” (Hervé & Valls 1980), c em áreas de cerrado do Brasil Central (Aliem & Valls 1987). Andropogon gayanus é uma espécie nativa da África e cultivada em diferentes regiões tropicais como forrageira, inclusive no Brasil, onde ocorre como subespontânea, especialmente no Centro- Oeste. Andropogon hypogynus, que é muito comum e procurada pelo gado em áreas do Pantanal Mato- grossense, está entre as forrageiras exponenciais do Pantanal (Aliem & Valls 1987). Estudos de floras de regiões limítrofes têm contribuído para a identificação de algumas espécies do gênero ocorrentes no Brasil. Entre estes, destacam-se as floras agrostológicas do Uruguai (Rosengurtt et al. 1970), Argentina (Burkart 1969,Cabrera 1970), Bolívia (Killeen 1990, Renvoize 1998)eGuianas(Judzie\vicz 1990), bem como o trabalho de Pohl & Davidse ( 1 994), para a Flora Mesoamericana. No Brasil, destacam-se inicialmente os trabalhos de Nees (1829) em Agrostologia brasiliensis e Hackel ( 1 883) na Flora brasiliensis, os quais apresentam descrições originais e complementares detalhadas para diversas espécies, porém, sem a inclusão de chave para a identificação ' Pane da tese dc Doutorado da primeira autora desenvolvida no Instituto de Biocicncias da USP, São Paulo, Brasil. 3 Universidade Federal dc Santa Catarina. Depto. Botânica, 8X040-900, Florianópolis, SC, Brasil . * Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Depto. Botânica. Av. Bento Gonçalves 9500. prédio 43323. 91501 -970. Porto Alegre, RS, Brasil. Bolsista CNPq. 4 Autor para correspondência: ana/anin u ccb.ufsc.br ISciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 172 Zanin. A. 81 Longhi-Wagner H.M. das mesmas. O conceito de Andropogon apresentado por Hackel (1883) inclui vários subgêneros reconhecidos atualmente como gêneros independentes. Mais recentemente, são conhecidos os trabalhos de Hervé & Valls (1980), tratando de nove espécies do gênero Andropogon ocorrentes no Rio Grande do Sul; de Smith et al. (1982) para Santa Catarina; e de Renvoize (1984, 1988)paraas floras da Bahia e Paraná, respectivamente. O gênero carece, no entanto, de uma revisão, como já mencionado por Clayton ( 1 987 ). Este estudo contribui com a revisão dos táxons do gênero ocorrentes no Brasil, apresentando informações nomenclaturais e de tipificação, meios para a identificação e dados sobre hábital, período de floração e distribuição geográfica para as 28 espécies, uma subspécic e uma variedade confirmadas. Material e Métodos O estudo foi realizado com base em análise de material proveniente de coletas realizadas nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil e de coleções de 72 herbários do Brasil e do exterior, acrônimos citados conforme Thicrs (20 1 0), exceto para os que se encontram em negrito, ainda não oficiais: ALCB, ASE. B, BHCB. BHMH, BM, BR. C. CEN, CEPEC, CESJ, CH. CGMS, CNPO. CPAC, CPAP, CTES, CVRD, ES A, ESAL. F, FI, FLOR, FU EL, G, GUA, HB, HGH, HRB, HRCB. HUCS, HUEFS, HUEPG, HURG, IAC, IAN, IBGE, 1CN, 1NPA, IPA, JPB, K. L, M. MBM. MB ML, MG, MO, NY, P. PEL, PEUFR, PMSP, PR, PRE. QCA. R. RB, S, SMDB, $P, SPF, SPSF. TEPB, UB, UEC. UFMT. UPCB, US, VIC, V1ES. W. O estudo morfológico foi realizado com auxílio de microscópio estereoscópio. O material foi analisado a seco, uma vez que a hidratação torna as estruturas internas das espiguetas ainda mais delicadas e praticamente impossíveis de serem retiradas inteiras. A lista completa de exsicatas, com todo o material examinado por táxons, encontra-se disponível com a primeira autora e poderá ser solicitada à mesma (Zanin 2001 ). Para a medição das lâminas foliares, foram excluídas aquelas da folha bandeira, que precede imediatamente a inflorescência. As medidas foram tomadas com auxílio de uma régua com escala em centímetros e milímetros para estruturas maiores e uma lâmina com escala cm décimos de milímetros para as menores. A apresentação das espécies segt/e ordem alfabética. Na descrição de formas, texturas e tipo de indumento, adotou-se principalmente a terminologia apresentada por Radford et al. ( 1 974). São apresentados apenas um exemplar analisado para cada Região do Brasil. As informações sobre o período de floração e nomes vulgares foram referidas apenas com base nos dados obtidos nas etiquetas de material de herbário, enquanto os dados de distribuição geográfica foram estabelecidos com base no material examinado e na literatura. Resultados e Discussão Andropogon L., Sp. pl. 1 : 1045. 1753. Espécie-tipo: A. distachyus L. (Clayton & Renvoize 1986). - Diectomis Kunth. Mém. Mus. Hist. Nat. Paris, 2. 69: 1 8 1 5, nont. cons.. non P. Beauv. 1812. Espécie- tipo: D. fastigiata (Sw.) P. Beauv., typ. cons. - Hypogynium Nces, Agrostologia brasiliensis, in Mart., Fl. bras. enum. pl. 2( 1 ): 364. 1 829. Espécie- tipo: Hypogynium spalhiflorum Necs. Plantas perenes ou anuais, geralmente cespitosas, às vezes rizomatosas. Colmos 20-300 cm alt. Inovação intravaginal. Prefoliaçãoconduplicada ou convoluta. Folhas nunca aromáticas. Lígula membranosa, membranoso-ciliolada ou membranoso-ciliada; lâminas lineares, de base reta ou atenuada, Unear-lanceoladas, ou lanceoladas de base cordada ou subcordada, geralmente planas, às vezes crispadas, menos comumente cilíndricas com a face adaxial reduzida a um pequeno sulco, ápice acuminado, agudo ou obtuso. Inflorescências pouco ou muito ramificadas na metade superior dos colmos floríferos, terminais e axilares, às vezes só terminais; cada ramificação termina em uma unidade de inflorescência formada por uma folha modificada, geralmcnte reduzida ou quase reduzida à bainha foliar, a espatéola, e dois ou mais ramos floríferos que portam as espiguetas, simples ou ramificados, menos frequentemente apenas um ramo florífero por espatéola. Espiguetas aos pares sobre cada nó da ráquis, uma séssil ou subséssil e outra pedicelada. com dois antécios, as sésseis do ápice de cada ramo florífero acompanhadas de duas pediceladas. Ráquis desarticulando-se em cada nó, sendo que o par de espiguetas, o entrenó da ráquis e a espigueta pedicelada geralmente caem juntos, formando uma unidade de dispersão. Entrenó da ráquis e pedicclo lineares, clavados ou RodrigucHia 621 1 ): 1 7 1 - 202 . 20 1 1 -SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Revisão taxonómica de Andropogon do Brasil 173 subclavados, variadamente plumosos ou escabros, ápice inteiro, lobado ou ondulado, geralmente não fimbriado. Espiguetas sésseis dorsal ou lateralmente comprimidas, aristadas ou múticas; calo obtuso, piloso ou glabro; glumas subiguais, ocultando completamente os antécios; gluina inferior bicarenada. cartácea ou subcoriácea, plana ou côncava, com ou sem um sulco longitudinal central, com ou sem nervuras entre as carenas; gluma superior unicarenada; antécio inferior neutro; lema inferior bicarenado, hialino ou vináceo; pálea inferior ausente; antécio superior com flor monoclina, ou pistilada por redução dos estames a estaminódios; lema superior hialino ou palhete hialino, inteiro, bidentado ou bífido em dilerentes graus, no máximo até a metade, aristado ou mútico; pálea superior hialina; lodículas 2; estames 3 ou 1 , às vezes 1-3 estaminódios; estiletes 2. Fruto do tipo cariopse. Espiguetas pediceladas desenvolvidas ou com diferentes graus de redução, então neutras, raramente suprimidas; quando desenvolvidas são múticas, raramente aristadas, comprimidas ou não dorsalmente; glumas subiguais, ocultando os antécios; gluma inferior simétrica, raramente assimétrica (A. fastigiatus ); antécio inferior neutro; lema inferior hialino; pálea inferior ausente; antécio superior com flor estaminada ou menos comumente monoclina; lema superior hialino; pálea superior presente, raramente ausente (A. virgatus), hialina; lodículas 2; estames 3, raramente 2 ou 1 . Chave de identificação para as espécies de Andropogon ocorrentes no Brasil 1 . r. Um ramo florífero por unidade de inflorescência ou espatéola. 2. Espiguetas sésseis múticas. 3. Espiguetas sésseis com flor monoclina. Entrenós da ráquis e pedicelos pilosos, tricomas mais curtos ou atingindo até 1,5 vezes o comprimento da espigueta séssil 8. A. crucianus 3'. Espiguetas sésseis com flor pistilada. Entrenós da ráquis e pedicelos escabros 27. A. virgatus 2\ Espiguetas sésseis aristadas. 4. Gluma inferior da espigueta pedicelada assimétrica, aristada. Entrenós da ráquis e pedicelos clavados 10. A. fastigiatus 4’. Gluma inferior da espigueta pedicelada simétrica, mútica. Entrenós da ráquis e pedicelos lineares ou subclavados. 5. Gluma inferior da espigueta séssil com nervuras entre as carenas. Plantas até 1 1 0 cm alt. Espiguetas pediceladas sempre estaminadas ou sempre neutras, ou neutras e estaminadas na mesma planta. Anteras das espiguetas sésseis e pediceladas subiguais no comprimento, atingindo 1 ,2-1 ,9 mm compr. 6. Espiguetas pediceladas 1 ,5-2,2 mm compr., neutras. Entrenós da ráquis e pedicelos com tricomas mais curtos que a espigueta séssil. Lema inferior da espigueta séssil 3,4— 4 mm compr. 23 . A. palustris 6’. Espiguetas pediceladas 3,5-7,2 mm compr., estaminadas ou estaminadas e neutras ocorrendo ao longo e no ápice dos ramos floríferos, raramente só neutras na mesma planta. Entrenós da ráquis e pedicelos com tricomas do mesmo comprimento ou até duas vezes o comprimento da espigueta séssil, menos comumente mais curtos. Lema inferior da espigueta séssil 4-6 mm compr. 1 6. A. ingratus 5'. Gluma inferior da espigueta séssil sem nervuras entre as carenas. Plantas de 1 70-250 cm alt. Espiguetas pediceladas estaminadas, raramente algumas espiguetas pediceladas neutras na mesma planta. Anteras das espiguetas sésseis e pediceladas desiguais no comprimento, atingindo 0,6-1 mm compr. nas espiguetas sésseis e 2-2,5 mm nas pediceladas 21 . A. monocladus Dois ou mais ramos floríferos por unidade de inflorescência ou espatéola. 7. Lâminas foliares lanccoladas, crispadas quando envelhecidas. Rizomas bem desenvolvidos 7. A. crispifolius T. Lâminas foliares lineares ou Iinear-lanceoladas, nunca crispadas. Rizomas ausentes ou pouco desenvolvidos. Rodriguésia 621 1): 1 7 1 -202. 20 1 I SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 174 Zanin. A. & LonghhWagner H.M. cm 1 8. 8 ’. Gluma inferior da espigueta pedicelada aristada, arista ( 1 ,5-) 4,2-9 mm compr. • 9. Espiguetas sésseis 7,2-8,2 mm compr., gluma inferior elíptico-lanceolada, plana, com sulco mediano e com nervuras entre as carenas. Gluma inferior da espigueta pedicelada com 20 a mais nervuras 1 . 4. gayanus 9’. Espiguetas sésseis 4,2-5,5(-7) mm compr., gluma inferior linear, profundamente côncava, sem sulco e sem nervuras entre as carenas. Gluma inferior da espigueta pedicelada 7-nervada 1 . A. angustatus Gluma inferior da espigueta pedicelada mútica 10. Lâminas foliares linear-lanceoladas, ápice longamente acuminado. Entrenós da ráquis clavados, às vezes subclavados na mesma planta 1 1. Espiguetas pediceladas 2-4 mm compr., gluma inferior 7-1 1-nervada, lema inferior 3, 1-3,5 mm compr. Espiguetas sésseis com arista de 8-15 mm compr. 15.4. indetonsus 1 1'. Espiguetas pediceladas 7,1-10 mm compr., gluma inferior 14 a mais nervada, lema inferior 6,7- 7,5 mm compr. Espiguetas sésseis com arista de 1 8-22 mm compr. 24. A. pohlianus 10’. Lâminas foliares lineares, de ápice apiculado ou variadamente agudo a obtuso. Entrenós da ráquis lineares ou subclavados. 12. Lâminas foliares, especialmente as inferiores, fortemente atenuadas em direção à base, reduzindo- se praticamente à região da nervura central 12. A. glaucophyllus 12'. Lâminas foliares de margens paralelas até a base, não atenuadas. 13. Lâminas foliares cilíndricas, com a face adaxial reduzida a um pequeno sulco, rijas, menos frequentemente planas na mesma planta. Gluma inferior da espigueta pedicelada 7-9- nervada 9. A. durifolius 13’. Lâminas foliares planas, conduplicadas ou convolutas, não rijas. Gluma inferior da espigueta pedicelada 3-7-nervada. 14. Espiguetas pediceladas todas neutras, geralmente ruduzidas ou rudimentares, raramente do mesmo comprimento das sésseis 15. Espiguetas sésseis com arista conspícua, de 8-3 1 mm compr. Entrenós da ráquis e pedicelos com tricomas até 1 ,5-2 vezes o comprimento da espigueta séssil. 16. Lígula membranoso-ciliada. Lâminas foliares 3,5-17 x 0,05-0,2(-0,4) cm. Espiguetas pediceladas (2— )3— 5 mm compr.; 2— 3(— 5) ramos floríferos por unidade de inflorescência (por espatéola) 4. A. brasiliensis 16’. Lígula membranoso-ciliolada. Lâminas foliares 4-38 x 0.2-0.7 cm. Espiguetas pediceladas 0,2-4, 5 mm compr.; 2-1 1 ramos floríferos por unidade de inflorescência (por espatéola). 17. Gluma inferior da espigueta séssil com 2-5 nervuras entre as carenas. Folhas glaucas 16.4. ingratus 17’. Gluma inferior da espigueta séssil sem nervuras entre as carenas. Folhas verdes ou vcrde-vináceas. 1 8. Lema inferior da espigueta séssil 3-nervado, com uma nervura central entre as carenas. Espiguetas pediceladas 3-5 mm compr. Entrenós da ráquis e pedicelos densamente pilosos; 2-3(-4) ramos floríferos por unidade de inflorescência (por espatéola) 26.4. tematus 1 8’. Lema inferior da espigueta séssil 2-nervado, sem nervura central entre as carenas. Espiguetas pediceladas 0,2-3 mm compr. Entrenós da ráquis e pedicelos com tricomas subdensos; (2-3-) 4-1 1 ramos floríferos por unidade de inflorescência (por espatéola) 20. 4. niacrothrix 15’. Espiguetas sésseis múticas ou com arista inconspícua, de 0,5-6 mm compr. Entrenós da ráquis c pedicelos com tricomas 2—4 vezes o comprimento da espigueta séssil. fíodhgucsiá 62( 1 ): 1 7 1 -202. 20 1 1 ISciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Rexisào taxonômica de Andropogon do Brasil 1 7 5 19. Espiguetas pediceladas 3,3-6,3 mm compr., mais curtas ou mais longas que as espiguetas sésseis 2. A. arenarius 19’. Espiguetas pediceladas 0, 1— 2(— 3) mm compr., mais curtas que as espiguetas sésseis. 20. Lâminas foliares 1— 2(— 3,5) mm larg., ápice agudo. Espiguetas sésseis 2,5-3,2(-3,8) mm compr. Tricomas dos entrenós da ráquis e pedicelos 3-4 vezes o comprimento da espigueta séssil 18. A. leucostachyus 20'. Lâminas foliares (2.5— )3— 6(— 1 0) mm larg., ápice obtuso-navicular. Espiguetas sésseis 3-5 mm compr. Tricomas dos entrenós da ráquis e pedicelos 2-3 vezes o comprimento da espigueta séssil 25. A. selloanus 14'. Espiguetas pediceladas estaminadas, desenvolvidas, presentes em toda ou, ao menos, em parte da inflorescência, às vezes somente no ápice dos ramos floríferos, então as restantes neutras, menores ou do mesmo comprimento das sésseis. 21. Inflorescências muito ramificadas, corimbiformes, congestas no ápice dos colmos floríferos. Espiguetas sésseis múticas 3. A. bicomis 21’. Inflorescências laxas, alongadas, terminais ou terminais e axilares, mais raramente subcongestas e subcorimbiformes, então espiguetas sésseis aristadas ( Andropogon sp.). Espiguetas sésseis múticas ou aristadas. 22. Entrenós da ráquis e pedicelos com tricomas 3^f vezes mais longos que o comprimento da espigueta séssil. 23. Espiguetas pediceladas geralmente estaminadas e neutras na mesma planta, as estaminadas (4_)6_7 mm compr. Calo da espigueta séssil com os tricomas mais longos alcançando (6-) 8-14 mm compr. Arista da espigueta séssil 1-6 mm compr. 2. A. arenarius 23’. Espiguetas pediceladas geralmente estaminadas, raramente neutras na mesma planta, as estaminadas 4,2-6, 1 mm compr. Calo da espigueta séssil com os tricomas mais longos alcançando (2-)3^t(-6) mm compr. Arista da espigueta séssil 4- 1 0,5 mm compr. 19. A. lindmanii 22’. Entrenós da ráquis e pedicelos com tricomas mais curtos ou até duas vezes o comprimento da espigueta séssil. 24. Anteras das espiguetas sésseis e pediceladas subiguais no comprimento. 25. Espiguetas pediceladas estaminadas e monoclinas na mesma planta. Arista da espigueta séssil 4-7 mm compr. 5. A. campestris 25’. Espiguetas pediceladas todas estaminadas, ou estaminadas e neutras na mesma planta. Arista da espigueta séssil 8-24 mm compr. ou apenas vestigial no interior da espigueta. 26. Espiguetas sésseis 5-7 mm compr., lema inferior 4-6 mm compr., pálea 0,8- 1,1 mm compr. Folhas glaucas 16. A. ingratus 26’. Espiguetas sésseis 4-5 mm compr., lema inferior 3-4 mm compr., pálea 1 ,9-3 mm compr. Folhas verdes 6. A. carinatus 24’. Anteras das espiguetas sésseis e pediceladas desiguais no comprimento. 27. Espiguetas pediceladas todas estaminadas, raramente algumas espiguetas neutras misturadas na mesma planta. 28. Entrenós da ráquis e pedicelos glabros, ou com tricomas esparsos nas margens, tricomas mais curtos que a espigueta séssil 14. A. hypogynus 28’. Entrenós da ráquis e pedicelos pilosos, tricomas distribuídos em toda a superfície abaxial ou especialmente no ápice e margens, tricomas mais curtos, subiguais ou alcançando até 1,3 vezes o comprimento da espigueta séssil 17. A. lateralis 27’ . Espiguetas pediceladas estaminadas e neutras na mesma planta. 29. Entrenós da ráquis e pedicelos com tricomas mais curtos que a espigueta séssil. Espiguetas sésseis geralmente múticas, às vezes múticas e aristadas na mesma planta 22. A. multifloriis Rodriguèsia 62(1): 171 -202. 20 1 1 ISciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 1 76 Zanin. A & Longhi - Wagner H.M. • 29’. Entrenós da ráquis e pedicelos com tricomas 1 ,5-2 vezes o comprimento da espigueta séssil. Espiguetas sésseis sempre aristadas, aristas (2-) 4,2-10 mm compr. 30. Espiguetas pediceladas todas estaminadas, ou todas neutras, ou estaminadas c neutras misturadas, ao longo dos ramos floríferos. Inflorescências laxas, alongadas e estreitas. Lâminas foliares seríceas em ambas as faces, especialmente quando jovens 13. A. gtaziovii 30’. Espiguetas pediceladas neutras ao longo e no ápice dos ramos floríferos, às vezes uma espigueta estaminada no ápice dos mesmos. Inflorescências subcongestas, subcorimbiformes. Lâminas foliares vilosas nas duas faces, menos comumente glabras 28. Andropogon sp. 1. Andropogon angustatus (J. Prcsl) Steud., Syn. pl. glumac. 1: 370. 1854. Diectomis angustata J. Presl in C. Presl, Rcliq. haenk. 1 : 333. 1830. Tipo: MÉXICO (fotocópia PR! fotos K!). Diectomis laxa Nees, in Mart., Fl. bras. enuin. pl. 2 ( 1 ): 340. 1 829 (non Andropogon laxus Willd., 1 806). Tipo: "Habitat in apricis montosis Serra dos Dois Irmãos et prope Oeiras, provinciae Piauyensis” (holótipo M!). Andropogon apricus Trin., Mém. Acad. Imp. Sei. Saint-Pétersbourg ser. 6. Sei. Math. Nat. 3(2): 83. 1836, nom. superfl., baseado em Diectomis laxa Nees. Fig. la Plantas anuais, ccspitosas, sem rizomas, 56-140 cm. Bainhas foliares com margens ciliadas quando jovens; lâminas (4,5-)9-30 x 0,02-0,4 cm, lineares, planas ou convolutas, ápice agudo, base reta, verdes nas duas faces, glabras a variadamente pilosas; lígula 1-2 mm compr., membranoso-ciliolada. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 1, 5-3,5 cm compr., estas com 2(3) ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis clavados, com tricomas mais curtos que a espigueta séssil, distribuídos apenas nas margens. Espiguetas sésseis 4,2-5,5(-7) mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1 ,5-2 mm compr., aristadas, arista 27-38 mm compr.; gluma inferior 4, 2-5, 5(— 7) x 0,3-0,6 mm, profundamente côncava, linear, 2-4 nervada, sem nervuras e sem sulco entre as carenas; gluma superior 4—5 x 1,1 — 1 ,5 mm, 3 nervada, ansiada, arista 7,2- 1 1 mm compr.; lema inferior 3, 1 -3,9 x 0,5-0,6 mm, 2- nervado; pálea ausente; lema superior 3 x 0,4-0,6 mm, 3-nervado, aristado; pálea 1,5-2, 2 x 0,4-0, 5 mm; estames 3, anteras 1 ,9-2mm compr., amarelas. Cariopse não vista. Espiguetas pediceladas geralmente neutras, raramente estaminadas, de 3,5-5,5 mm compr. ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, aristadas; gluma inferior 3, 5-5,5 x 1-1 , 1 mm, aristado, arista ( 1 ,5-)4,2-9 mm compr., simétrica, 7-nervada; gluma superior (2-)3,5-5 x 1—1,1 mm; lema inferior 4,5-5 x0,7-0,9 mm; pálea ausente; lema superior 4,5-4,7 x 0,8 mm; pálea 2,2- 2,5 x 0.2-0.3 mm; estames 3, anteras 1, 9-2,2 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. CEARÁ: Coreaú, 29.IV. 1987, J.F.M. Valls et al. 11014 (CEN). GOIÁS: Alvorada do Norte, 1 2 km ao sul de Alvorada, a leste da BR -020, 29.111. 1985, J.F.M. Valls etal. H524( SP, UEC). RORAIMA: Boa Vista, BR 202, km 4, 20.V.I995, 1.S. Miranda 602 (IBGE, INPA). Espécie presente no México, Cuba e Brasil. No Brasil, ocorre nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Segundo Coradin (1978), é comum nas áreas de pastagens dos campos de Roraima, em solos secos ou periodicamente inundados. Ocorre também em áreas de caatinga, campo- cerrado limpo, seco ou úmido ou em afloramentos rochosos do Brasil Central. Coletada com flores de março a junho, outubro a dezembro. Andropogon angustatus é morfologicamente semelhante a A. fastigiatus. As duas espécies apresentam o entrenó da ráquis e o pedicelo clavados, com a espigueta séssil forlemcnte comprimida entre os mesmos, e a gluma inferior da espigueta séssil profundamente côncava e linear. Além disso, apresentam as espiguetas pediceladas desenvolvidas, semelhantes às sésseis no comprimento c neutras, às vezes estaminadas cm A. angustatus. As diferenças entre ambas, no entanto, são bem evidentes. Andropogon angustatus apresenta 2-3 ramos floríferos por unidade de inflorescência (por espatéola), gluma inferior da espigueta pedicelada simétrica, 7-nervada e lígula de 1-2 mm compr., truncada. Em A. fastigiatus a unidade de inflorescência apresenta apenas um ramo florífero, a gluma inferior da espigueta pedicelada é assimétrica, com dez ou mais nervuras e a lígula é aguda, com 9-14 mm compr. Rodriguèsia 62 ( 1 ): 171 - 202 . 20 1 1 -SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm l SciELO/ JBRJ Revisão taxonômica de Andropogon do Brasil 177 Figura 1 - a. Andropogon angustatus - diásporo terminal do ramo florífero. b. A. arenarius - diásporo mediano com a espigueta pcdicelada desenvolvida, c. A. bicornis - inflorescência. d-e. A. brasiliensis - d. lígula; e. diásporo mediano, f. A. campeslris - diásporo mediano, g. A. carinatus - diásporo terminal do ramo florífero. h. A. crispifolius folhas crispadas, i-j. A. crucianus - i. inflorescência; j. diásporo mediano, k-1. /). durifolius - k. lâmina foliar, corte transversal; 1. diásporo mediano, m. A.fastigiatus - espigueta pcdicelada, vista da gluma inferior, n. A. gayanus - diásporo mediano (a. Valls et al. 8525; b. Zanin & Alves 757; c. Zanin 737;d-c.Joly et al. 1851; f. Riedels.n.; g. Black 548b; h. Guala & Filgueiras 1345; i-j. Harley et al. 15771; k-1. Hatschbach 47997; m. Zanin et al. 493; n. Zanin et al. 583). Figure 1 - a. Andropogon angustatus - terminal dispersai unit of the flowcring branches. b. A. arenarius - dispersai unit of the mid portion of the flowcring branches with onc dcvclopcd pcdiccllate spikclct. c. A. bicornis - infloreseence. d-e. A. brasiliensis - d. ligulc dispersai unit of the mid portion of the flowcring branches. f. A. campestris - dispersai unit of the mid portion of the flowering branches. g. A. carinatus - terminal dispersai unit of the flow ering branches. h. A. crispifolius - leaves crisped. i-j. A. crucianus - i. inílorcsccncc; j. dispersai unit of the mid portion of the flowering branches. k-1. A. durifolius - k. leaf-blade, transversal cut; I. dispersai unit of the mid portion of the flow cring branches. m. A. fastigiatus - pcdiccllate spikclct, low er glume vicw. n. A. gayanus - dispersai unit of the mid portion of the flow cring branches (a. Valls et al. 8525', b. Zanin & Alves 757; c. Zanin 737; d-e. Joly et al. 1851 ; f. Riedels.n.', g. Black 548b', h. Guala & Filgueiras 1345; i-j. Harley et al. 15771; k-1. Hatschbach 47997; m. Zanin et al. 493; n. Zanin et al. 583). Rodriguésia 621 1 ): 171 -202. 20 1 1 cm .. 178 2. Andropogon arenarius Hack., Flora 68 (8): 1 34. 1 885. Tipo: MONTEVIDEO. Arenales da Costa, leg. Arechavaleta n. 204 (holótipo W!; isótipos G, K!) Andropogon arenarius Hack. f. subcompletus Hack. in Lindm., Kongl. Svenska Vetenskapsakad. Handl. 346: 6. 1900. Tipo: "Brasiliae austr.. Rio Grande do Sul, Ilha dos Marinheiros prope oppidium Rio Grande, in collibus arenae profunda, C.A.M. Lindman, Exp. I. Regnellian". A. 699 (lectótipos! designado por A. Zanin & Longhi- Wagner 2005; isolectótipos S, W!). Fig. lb Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 21- 90(— 1 50) cm. Bainhas foliares glabras; lâminas 6-53 x 0, 1-0,2 (-0,35) cm, lineares, conduplicadas, às ve7.es involutas, mais raramente planas, ápice agudo ou subobtuso, base reta, glauco-esverdeadas nas duas faces, glabras a variadamente pilosas: lígula 1- 2 mm compr., membranoso-ciliolada. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 2,5-5 cm compr., estas com 2—4 ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis lineares, com tricomas, 3—4 vez.es o comprimento da espigueta séssil, distribuídos em toda a superfície abaxial. Espiguetas sésseis 3- 5.5 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo (6— )8— 14 mm compr., aristadas, arista 1-6 mm compr; gluma inferior 3-5,5 x 0,7- 1,1 mm, levemente côncava, lanceolada, 2-3-nervada, sem nervura c sem sulco entre as carenas, raramente com uma nervura central; gluma superior 3, 2-4,5 x 0,9-1 mm, 3- nervada; lema inferior 2,5-3, 1 x 0.5-0.6 mm, 2- nervado; pálea ausente; lema superior 1, 8-2,3 x 0.3-0.5 mm, 1 -nefvado, aristado; pálea 0,6-1 ,5 x 0.2-0.5 mm; estames 3, anteras 0.4-0.8 mm compr., amarelas. Cariopse 2-2,5 x 0,6-1 mm. Espiguetas pediceladas estaminadas e neutras ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, menos frequentemente só estaminadas ou só neutras em plantas separadas; espiguetas neutras 3, 3-6, 3 mm compr., mais curtas a mais longas que a espigueta séssil, porém mais estreitas; espiguetas estaminadas (4-)6-7 mm compr., semelhantes às sésseis no comprimento, múticas; gluma inferior (4-)6-7 x 0,8-1, 2 mm. simétrica, 3-5-nervada; gluma superior 4-5,3 x 0,8- 1,4 mm; lema inferior 3,5- 4.5 x 0,5-1 mm; pálea ausente; lema superior 3- 3.5 x 0,7-1, 2 mm; pálea 1-1,8 x 0.5-0.7 mm; estames 3, anteras 1 ,5-2 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. RIO GRANDE DO SUL: Osório, Balneário Xangrilá, 2 1 .1. 1997, A. Zanin & Zanin . A. & Longhi - Wagner H.M. • H. M. Longhi- Wagner 415 (FLOR. SPF). SÂO PAULO: Cananéia, Ilha do Cardoso, Praia do Itacuruçá. 23.X. 1 984. T. S. Silva 358 (SP). Espécie presente no Brasil e Uruguai, estendendo-se desde Montevidéu até o estado de São Paulo. Forma densas e extensas populações no litoral dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, diminuindo no sentido norte, onde tem registros apenas para a Ilha do Mel (Paraná), c para a Ilha do Cardoso (São Paulo). É uma espécie característica e exclusiva de dunas secundárias e solos arenosos do litoral atlântico sul, sendo geralmentc dominante nos locais onde ocorre. Coletada com flores c/ou frutos de setembro a maio. Andropogon arenarius é de fácil identificação devido à sua área específica de ocorrência, nos solos arenosos do litoral, e por apresentar os tricomas do entrenó da ráquis e do pedicelo longos e vistosos, com 3-4 vezes o comprimento da espigueta séssil. Assemelha-se a A. lindmanii , porém geralmentc apresenta plantas menores, localizadas mais próximas ao mar. Em/\. arenarius é comum a ocorrência de espiguetas pediceladas neutras c estaminadas misturadas ao longo e no ápice dos ramos floríferos. Em A. lindmanii as espiguetas pediceladas são estaminadas, raramente neutras e as aristas das espiguetas sésseis são exsertas e em geral bem visíveis, de 4- 1 0.5 mm compr., enquanto em A. arenarius são apenas vestigiais. 3. Andropogon bicomis L„ Sp. pi. 1046. 1 753, nom. cons. Tipo: PORTO RICO. Mayagücz, between Monte Mesa and the sea, 27.X., A. Chase 247 (MO), typ. cons. Andropogon bicomis L. var. genuinus Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 284. 1 883, nom. inval. Andropogon bicomis L. var. absconditus Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 284. 1883. 1 ipo: BRASIL, in Monte Corcovado prope Rio de Janeiro. Schot in herb. Vindob. (W holótipo!). Andropogon bicomis L. var. burchelii Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 285. 1 883. Tipo: BRASIL, prope Rio de Janeiro. BurchelI 808 cx parte (isótipo K \). Andropogon bicomis L. var. gracillimus Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2 (3): 285. 1883. Tipo: PAR AGUA Y. Lamboré pr. Assumpcion, Balansa a. 1874 n. 271" (lectótipo W!, designado por A. Zanin & Longhi-Wagner 2005; isolectótipos G, K!). Andropogon bicomis L. var. virginicoides Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2 (3): 284. 1883. Tipo: BRASIL, prope Rio de Janeiro, Gaudichaud 260, in herb. De Cand. (holótipo G!). Fig. lc Rodrigudsia 62( l ): 171 -202. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Revisão taxonómica de Andropogon do Brasil Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 130-1 80 cm. Bainhas foliares glabras; lâminas 20- 72 x 0,30-0.5 cm, lineares, planas, ápice agudo, base reta, glaucas na face adaxial e verdes na abaxial, escabras ou vilosas na face adaxial, glabras na face abaxial; ligula 0.7— 1 , 1 mmcompr., membranoso-ciliolada. Inflorescências muito ramificadas, congestas, corimbiformes, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares, de 2—4 cm compr., estas com 2(-3) ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da raquis lineares, com tricomas 2,5-3 vezes o comprimento da espigueta séssil, distribuídos em toda a superfície abaxial. Espiguetas sésseis 3-4 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 2-2,5 mm compr., múticas; gluma inferior 3—4 x 0.6-0, 7 mm. levemente côncava, lanceolada, 2- nervada, sem nervuras e sem sulco entre as carenas; gluma superior 2-3.5 x 0.5-0.7 mm, 3 nervada: lema inferior 1, 8-2,5 x 0.3-0.5 mm, enérveo ou 3- nervado; pálea ausente; lema superior 1 ,3-2 x 0, 1 - 0,3 mm, enérveo ou com uma nervura central tênue, mútico; pálea 0,25- 1 x 0, 1 -0,3 mm; estames 3, ou 1 estame e 2 estaminódios, ou 2 estames e 1 estaminódio, anteras dos estaminódios 0, 1-0,2 mm compr., brancas, anteras funcionais 0,5-0,6 mm compr., amarelas. Cariopse 1,5-2 x 0,4 mm. Espiguetas pediceladas geralmente neutras 0,5- 1 ,5(-3) x 0.05-1 mm, ao longo dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, às vezes estaminadas misturadas, no ápice dos ramos geral mente uma neutra e outra estaminada, menos frequentemente as duas neutras ou as duas estaminadas; espiguetas estaminadas 3.1 — 4 mm compr., múticas; gluma inferior 3,1-4 x 0,6-1 mm, simétrica, 3-5-nervada; gluma superior 2.5-3 x 0,7-1 mm; lema inferior 2, 8-3,5 x 0,8-1 mm; pálea ausente; lema superior 2,5-3 x 0,5- 0,8 mm; pálea 1-1,8 x 0.1-0.2 mm; estames 3, anteras 1-1,5 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. AMAPÁ: Mazagão, Morro do Felipe I. esquerda do Rio Jarí. 16. VIII. 1985.7. Murça Pires el al. 556 (INPA. MG). BAHIA: Abaíra. Catolés de Cima, 23.111.1999. A. Zanin et al. 785 (FLOR). GOIÁS: Alto Paraíso, saída da cidade. 24.11.1997. A. Zanin & H.M. Longhi-Wagner 512 (FLOR). MINAS GERAIS: São Tomé das Letras, 6.XII.1997, A. Zanin & H.M. Longhi-Wagner 671 (FLOR). SANTA CATARINA: Içara. Balneário Rincão, trevo cerca de 1 km do mar, 22.XIL 1998, A. Zanin & A.C. Alves 754 (FLOR, SPF). Rodriguásia 62 ( 1 ): 1 7 1 - 202 . 20 1 1 179 Nomes vulgares: capim-rabo-de-cavalo, capim-rabo-de-raposa, capim-rabo-de-burro, capim- vassoura, capim-barba-de-bode, capim-peba, capim-andaime, capim-rabo-de-boi. Espécie presente na América do Sul e Central, estendendo-se entre a Argentina e o México e, nas Antilhas, apresentando também um registro de coleta para o sul dos Estados Unidos. No Brasil, ocorre em quase todos os Estados. Não foi observado apenas material do Rio Grande do Norte, porém muito provavelmente ocorre também neste Estado. Andropogon bicornis geralmente forma grandes populações dominantes em ambientes brejosos e margens de cursos d’ água. Pode ocorrer de forma mais esparsa em áreas de declive ou em ambientes alterados como margens de caminhos, clareiras e áreas de cultura abandonada. Coletada com flores e/ou frutos durante todo o ano. Andropogon bicornis distingue-se das demais espécies estudadas pelas inflorescências densamente plumosas, com aspecto corimbiforme. congestas, no ápice dos colmos floríferos. Outra característica diagnóstica é a presença comum de uma espigueta pedicelada estaminada no ápice dos ramos floríferos. As glumas desta espigueta se afastam na maturidade, assemelhando-se a dois pequenos chifres, de onde vem o epíteto específico, de acordo com Hervé & Valls ( 1 980). 4. Andropogon brasiliensis A. Zanin & Longhi- Wagner. Novon 13: 368. 2003. Tipo: BRASIL. MINAS GERAIS: Congonhas do Norte, Serra da Carapina, 18°52’S-43°14’W, 2 111.1998, R.C. Forzza elal. 694 (holótipo SPF!, isótipos FLOR. K!). Fig. ld-e Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 34-64 cm. Bainhas foliares glabras; lâminas 3.5- 17 x 0,05-0,2(-0.4) cm, lineares, geralmente conduplicadas, às vezes convolutas ou com margens involutas, ápice agudo ou subobtuso, base reta, verdes nas duas faces, glabras na face abaxial, pubérulas na face adaxial, geralmente setosas na porção proximal; ligula 0,2-0,6 mm compr., membranoso-ciliada. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais ou terminais e axilares de 2,5-6 cm compr., estas com 2— 3(— 5) ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis lineares, com tricomas mais curtos ou atingindo SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 180 até 1,5 vezes o comprimento da espigueta séssil, distribuídos nas margens e na metade ou no terço superior da face abaxial, raramente apenas nas margens. Espiguetas sésseis 4,5-6,5 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1-2 mm compr., aristadas, arista 12-22 mm compr.; gluma inferior 4,5-6,5 x 0,6-1 mm, levemente côncava, lanceolada, 4-nervada, sem nervuras e sem sulco entre as carenas; gluma superior 4, 1-5 x 0,8-1 ,4 mm, 3-nervada; lema inferior 3,9— 1,5 x 0,7-1 mm, 2-nervado; pálea ausente; lema superior 3-4 x 0,4-0,9 mm, 3-nervado, aristado; pálea 1 ,2-2,8 x 0.3-0.7 mm; estames 3, anteras 0,7- 1.2 mm compr., amarelas. Cariopse 1,5- 1,8 x 2-3 mm. Espiguetas pediceladas neutras ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, de (2— )3, 1— 5 x 0,l-0,2 mm. Material selecionado: BRASIL. MINAS GERAIS: Jaboticatubas, km i 4 1 ao longo da rodovia Lagoa Santa- Conceição do Mato Dentro-Diamantina, 1 7.1 V. 1 972, A. li. Joly et al. 1851 (ICN, SP, SPF). Endêmica do Brasil, dos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, no estado de Minas Gerais. Distribui-se desde São Tomé das Letras e Serra do Ibitipoca, ao sul, estendendo-se pelos campos da Serra do Cipó, região da Bandeira, em Diamantina, e Serra da Carapina, em Congonhas do Norte. Ocorre como indivíduos isolados, sem formar populações densas, em solos úmidos, arenosos e pedregosos. Coletada com flores e/ou frutos em dezembro, março a abril, junho a julho. Andropogon brasiliensis assemelha-se a A. macrothrix, diferenciando-se por apresentar plantas mais delicadas, com lâminas foliares estreitas, geralmente não ultrapassando 2 mm de largura, e de comprimento médio menor, alcançando, no máximo, 1 7 cm. Em A. macrothrix, a largura das lâminas foliares geralmente é superior a 2 mm e estas atingem até 38 cm compr. As inflorescências de A. brasiliensis também são muito delicadas, geralmente apenas terminais, com um número sempre baixo de ramos floríferos, dois a três, raramente até cinco. As espiguetas pediceladas são longas, com (2— )3, 1 -5 mm compr. Em A. macrothrix, as inflorescências são mais robustas, sempre terminais e axilares, com números de ramos floríferos, que podem variar de 2-1 1 , e as espiguetas pediceladas geralmente são mais curtas, com 1.2- 3.2 mm compr, além da presença de lígula membranoso-ciliada (Fig. ld), enquanto cm A. macrothrix a lígula é membranoso-ciliolada (Fig. 21), ou apenas membranosa de ápice eroso. Zanin. A & Longhi-Wagner HM. * 5. Andropogon campestris Trin., Mém. Acad. Imp. Sei. Saint-Pétersbourg, ser. 6, Sei. Math. Nat. 2(3): 277. 1832. Tipo: BRASIL, in campis siccis graminosis, S. da Lapa Langsdorff s.n. (foto LE! fragmento US ! ). Andropogon camporum Trin. ex Steud., Syn. pl. glumac. 1: 378. 1854, nom. snperfl., baseado em A. campestris Trin., non Kunth. Fig. 1 f Plantas perenes, cespitosas, com rizomas curtos, 1 24 cm. Bainhas foliares glabras; lâminas 16- 30 x 0, 1 -0,2 cm, lineares, geralmente conduplicadas, ápice agudo, base reta, ver-des nas duas faces, glabras em ambas as faces; lígula 0,7-1, 7 mm compr., membranoso-ciliolada. Inflorescências laxas, compostas por unidades de inflorescência terminais de 4-9 cm compr., estas com 2—1 ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis subclavados, com tricomas mais curtos que a espigueta séssil, distribuídos em uma ou em ambas as margens. Espiguetas sésseis 6-7 mm compr., monoclinas, calo glabro ou escassamente piloso, os tricomas mais longos atingindo 0,2 mm compr., aristadas, arista 4-7 mm compr.; gluma inferior 6-7 x 0,8- 1 ,2 mm, plana a levemente côncava lanceolada, 4-6-nervada, com 2- 4 nervuras entre as carenas, com ou sem sulco; gluma superior 6x1,1 mm, 3-ncrvada; lema inferior 5.5 x 1 mm, 3-nervado; pálea ausente; lema superior 3.5 x 0,6 mm, 1-nervado, aristado; pálea 2 x 1 mm; estames 3, anteras 2, 1 mm compr., amarelas. Cariopse não vista. Espiguetas pediceladas estaminadas e monoclinas misturadas ao longo c no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, menos frequentemente reduzidas, estas de 2 x 0,1 -0,2 mm; espiguetas estaminadas e monoclinas 5,5-7 mm compr., múticas; gluma inferior 5,5-7 x 1,1 mm. simétrica, 6-nervada; gluma superior 6x1,1 mm; lema inferior 5,5 x 1 mm; pálea ausente: lema superior 4,5 x 1 mm; pálea 2 X 0,6 mm; estames 3. anteras 1 ,2-1 ,6 mm compr., amarelas. Material examinado: BRASIL. S. loc. (provavelmente Minas Gerais, Serra da Lapa, segundo Hackcl, 1883), s. d., Riedel 1134 (K), Riede! s. n. (W). Parte da coleção-tipo. Conhecida somente de duas coletas pertencentes à coleção-tipo, das quais uma explicita claramente Serra da Lapa (provavelmente Serra do Cipó-MG). Esta região é conhecida espccialmente por formações de campos rupestres, porém não há informação específica sobre o hábitat preferencial da espécie. Não há informação sobre quando foi encontrada com flores, pois os materiais estudados não apresentam as datas de coleta. Assemelha-se a A. durifolius, devido à forma subclavada dos entrenós da ráquis e à presença de RodriguésU) 62( 1 ): 171-202.2011 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Revisão tãxonômica de Andropogon do Brasil nervuras entre as carenas da gluma inferior da espigueta séssil. No entanto, apresenta aristas menores, com 4-7 mm compr., sendo em A. durifoUus de 10-14 mm compr., e lâminas foliares conduplicadas e não tipicamente cilíndricas, como em A. durifoUus. Em A. campestris, as espiguetas pediceladas são monoclinas, além de estaminadas como em A. glaucophyllus. 6. Andropogon carinatus Nees, Agrostologia brasiliensis, in Mart., FI. bras. enum. pl. 2(1): 330. 1829. Tipo: BRASÍLIA: Sellow s.n., destruído (lectótipo K!, designado por A. Zanin & Longhi- VVagner 2005; isolcctótipo W!). Andropogon carinatus Nees var. genuinus Hack. in Mart. & Eichler. Fl. bras. 2(3): 288. 1883, nom. inval. Andropogon carinatus Nees var. exserens Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 288. 1 883. Tipo: “prope Lagoa Santa. Lund in herb., Warming", Andropogon carinatus var. leiophyllus Hack. in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 434. 1889. Tipo: "Brasília. Prov. Minas Gerais” Glaziou 17381 (lectótipo W! designado por A. Zanin & Longhi- Wagncr 2005; isolcctótipo K!). - Andropogon sanlorenzanus Killeen. Ann. Missouri Bot. Gard. 77( 1 ): 1 37. 1 990. Tipo: BOLÍVIA. Serrania de San Lorcnzo, 10 km W of San Javier, Pvcia. Nuflo de Chávez, Depto. Santa Cruz, 16° 15'S,62°40'\V, 800- 900 m. 30.X. 1987. Killeen 2832 (isótipo US!). syn. nov. Fig. lg Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 30-63 cm. Bainhas foliares vilosas, menos freqücntemcnte glabras; lâminas 1,5-23 x 0,1- 0,3(-0,4) cm, lineares, planas ou conduplicadas, ápice subagudo ou obtuso, base reta, verdes nas duas faces, densamente vilosas na face abaxial, com tricomas esparsos a subdensos na face adaxial, menos frequentemente glabras nas duas faces, ápice geralmcntc barbado; lígula 0,2-1 mm compr., membranoso-ciliolada. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais ou terminais e axilares de 2,5-5 cm compr., estas com 2—1 ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis lineares, com tricomas geralmcnte mais curtos que a espigueta séssil, às vezes igualando-a ou ultrapassando-a brevemente, raramente atingindo 2 vezes o seu comprimento, distribuídos em toda a superfície abaxial. Espiguetas sésseis 4-5 mm compr., monoclinas. calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1, 2-2,5 mm compr., aristadas, arista 8-14 mm compr.; gluma inferior 4-5 x 0,8-1 ,5 Rodriguésia 62(t): 171-202.2011 181 mm, levemente côncava, lanceolada, 2-4-nervada, sem ou com duas nervuras entre as carenas, sem sulco; gluma superior 3,2-4,5 x 0,7-1 mm, 3- nervada; lema inferior 3—1 x 0,6-1, 3 mm, 1-3- nervado; pálea ausente; lema superior 2-3,5 x 0,4- 1,5 mm, 1-3-nervado, aristado; pálea 1,9-3 x 0,9- 1,2 mm; estames 3, anteras 2-2,2 mm compr., amarelas. Cariopse 2-3,5 x 0,6 mm. Espiguetas pediceladas geralmente estaminadas ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, raramente neutras na mesma planta, estas de 1 — 2,5(— 3.5) x 0, 1-0,2 mm; espiguetas estaminadas 3-5 mm compr., múticas; gluma inferior 3-5 x 1-1,5 mm, simétrica, 5-7-nervada, aparentemente 3-nervada devido à proximidade das nervuras laterais,; gluma superior 3^1 x 0,5-1 mm; lema interior 3—1 x 0,8-1 ,5 mm; pálea ausente; lema superior 2,8-3, 1 x 0,5-1 mm; pálea 2-3 x 0,5-1 mm; estames 3, anteras 1 ,6-2, 1 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Abaíra. Catolés. 13°17'N 4l°5 - VV, 20.XII.1991, R.M. Harley et id. H50I9I (SPF). GOIÁS: Mineiros, Parque Nacional das Emas. estrada do Portão Jacuba, 25.XI. 1997, A. Zanin etal. 650 (FLOR). MINAS GERAIS: São Roque de Minas. Serra da Canastra. 18.X.1994, R. Romero et al. 1378 (IBGE). Espécie presente no Brasil e Bolívia. No Brasil, está presente especialmente nas formações de cerrado do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, sendo menos comum no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Existe também uma coleta para Catolés (Bahia), com informações correspondentes a solos arenosos de área recém queimada, em cerrado de altitude. Além disto, há um registro para os campos de altitude da Serra do Itatiaia (Rio de Janeiro), e dois registros para São Paulo. Na Bolívia, ocorre também em formações de cerrado, na região de Chiquitania, para onde é referida como abundante (Killeen 1990). No Brasil, suas populações são formadas por indivíduos esparsos e pouco vistosos, em meio à vegetação de cerrado pouco alterado. Coletada com flores e/ou frutos principal mente de agosto a dezembro, com algumas coletas entre abril e junho. A maior parte do material de Andropogon carinatus analisada encontrava-se sem identificação ou com identificação errônea e frequentemente confundida com A. lateralis. Em A. carinatus , a pálea superior da espigueta séssil é bem desenvolvida, medindo de 1,9-3 mm compr., ciliada nas margens e ápice ou apenas no ápice, raramente glabras e em A. lateralis a pálea atinge 0,6-1 mm compr., sendo sempre glabra. Em A. SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 182 Zanin, A. & Longhi-Wõgner H.M. lateralis as anteras das espiguetas sésseis apresentam cerca da metade do comprimento das anteras das espiguetas pediceladas. Além disto, as plantas de A carinatus são menores (30-63 cm alt.) e as lâminas foliares verdes nas duas faces e A. lateralis são maiores (50-170 cm alt.), as lâminas foliares são consistentemente glaucas na face adaxial e em geral com mais inflorescências axilares, especial mente em A. lateralis subsp. lateralis. I. Andropogon crispifolitis Guala & Filg., Nordic. J. Bot. 15(1) 59. 1995. Tipo: BRASIL. GOIÁS. Mineiros, Parque Nacional das Emas, ca. 10 km NE of thc park headquarters, vicinity of Rio Jacuba, 27. V. 1992, Filgueiras 2304 (holótipo IBGE!). Fig. lh Plantas perenes, com rizomas bem desenvolvidos, 90-170 cm. Bainhas glabras ou ciliadas nas margens em direção ao ápice; lâminas 5- 25 x 0,8-0,16 cm, lanceoladas, planas quando jovens e crispadas quando envelhecidas, ápice longamente acuminado, base subcordada, glaucas nas duas faces, glabras; lígula 0,4-1 mm compr., membranoso-ciliolada. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 6-9 cm compr., estas com 2(-3) ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis clavados, com tricomas mais curtos que a espigueta séssil, distribuídos apenas nas margens. Espiguetas sésseis 5,1-8 mm compr., pistiladas, contendo 2-3-estaminódios, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1-2,2 mm compr., aristadas, arista 9-23 mm compr.; gluma inferior 5. 1-8 x 1,2 mm, côncava, linear-lanceolada, 4-ó-nervada, com duas ou quatro nervuras entre as carenas, com sulco; gluma superior 5-8 x 2-2,2 mm, 3-nervada; lema inferior 4,2-5^ X 1-1,4 mm, 2-nervado; pálea ausente; lema superior 3^4,2 x 0,6-1 mm, 1 -nervado, aristado; pálea 2,5-4,2 x 0,8-1 ,5 mm; estaminódios 2-3, anteras 04-0,8 mm compr., brancas ou levemente amareladas. Cariopse 2 x 0,6 mm. Espiguetas pediceladas estaminadas e neutras ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, de 6-10 mm compr., múticas ou aristuladas; gluma inferior 6- 10x2-2,1 mm, simétrica 14 amais nervada; gluma superior 6-9 x 1, 1-1 ,5 mm; lema inferior 6-8 x 1,4- 2 mm; pálea ausente; lema superior 54-7,5 x 1 ,2-2 mm; pálea 3-6x 1-1,2 mm; estames 1-3, anteras 3- 7 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. MATO GROSSO: Rondonópolis, Serra da Petroliva, 13.11.1974, G. Hatschbach 34144 (MBM. K). Endêmica do Brasil, dos campos de cerrado do Brasil Central. Ocorre, especialmente, nos arredores do Parque Nacional das Emas, onde foi observada formando pequenas populações em solo com vegetação rala. Segundo Guala & filgueiras (1995), é importante no controle da erosão e como forrageira, durante a estação seca. Existe também um registro para a região de cerrado de Rondonópolis (Mato Grosso). Encontrada com flores e/ou frutos cm fevereiro, maio a junho. Andropogon crispifolitis assemelha-se a A. pohlianus nas características do diásporo. Apresentam os entrenós da ráquis c os pedicelos fortemente clavados, espiguetas sésseis pistiladas, com os estames reduzidos a estaminódios com anteras de 04—0,8 mm de compr. Menos frequentemente foram observadas flores monoclinas nas espiguetas sésseis de A. pohlianus , com anteras de 3 mm compr., cheias de grãos de pólen. Além disso, apresentam em comum espiguetas sésseis com aristas bem desenvolvidas, de 9-23 mm compr., e gluma inferior linear- lanceolada, com nervuras entre as carenas. A. crispifolitis é de fácil reconhecimento e se distingue de A. pohlianus por apresentar lâminas foliares lanceoladas, de base subcordada, fortemente crispadas quando envelhecidas. Outro caráter desta espécie é a presença de rizomas bem desenvolvidos, cobertos por muitas escamas foliáceas densamente imbricadas. 8. Andropogon crucianus Renvoize, Gram. Bolívia: 596. 1998. Tipo: BOLÍVIA. Santa Cruz, Nuflo de Chávez, est. Salta, 1 5 km S of Concepción, 16° 1 3’ S 62°00'W,23.IV. 1987, T. Kiileen 2484 (holótipo LPB, fotoK!). Fig. li-j Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 1 50 cm. Bainhas foliares glabras; lâminas 30-60 x 0,2- 0,3 cm. lineares, convolutas ou conduplicadas. ápice agudo, base reta, glaucas na face adaxial e verdes na abaxial, escabro-setosas na face adaxial, vilosas cm direção à base. glabras na face abaxial; lígula 0.5-0.7 mm compr., membranoso-ciliolada. Inflorescências congestas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais c axilares de 1 .5-2.5 cm compr., estas com 1 ramo florífero simples. Pedicelos e entrenós da ráquis lineares, tricomas mais curtos ou atingindo até 1 ,5 vezes o comprimento da espigueta séssil, distribuídos nas margens ou nas margens c na superfície abaxial, Rodriguisía 62( 1 ): 171 -202. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Reviséo taxonómica de Andropogon do Brasil 1 83 especialmente no terço superior. Espigueta séssil 3-4 mm compr., monoclinas. calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1 mm compr., múticas; gluma inferior 3-4 x 0,8-1 mm, levemente côncava, lanceolada. 2-nervada. sem nervuras e sem sulco entre as carenas; gluma superior 2,8-3 x 0,8-1 mm, 3- nervada; lema inferior 2.5-3 x 0.5-0.7 mm. cnérveo ou 1 -nervado; pálea ausente; lema superior 2-2,2 x 04- 0,6 mm, 1 -nervado, mútico; pálea 0.3-0.7 x 0,2 mm; estames 3, anteras 0.5-0.8 mm compr., amarelas. Cariopse não vista. Espiguetas pediceladas estaminadas ao longo e no ápice dos ramos florífenos das unidades de inflorescência, raramente neutras na mesma planta estas de 1 .4-2.2 x 0, 1 -025 mm; espiguetas estaminadas 3-4,5 mm compr.; gluma inferior 3-4,5 x 1-1.2 mm. simétrica, 5-nervada; gluma superior 2,8-4 x 0,8- 1 mm; lema inferior 2,8-3 x 0,7- 1 mm; pálea ausente: lema superior 2,8-3 x 0.5-0.6 mm; pálea 0,7 x 0, 1 -0,2 mm; estames 3, anteras 1 ,4- 1 ,5 mm compr., amarelas. Material examinado: BRASIL. BAHIA: Ibicoara, 19 km NE of Ibicoara. 41°13'VV, 13°20'S, 1. II. 1974. R. M. Híirley et oi 15771 (B. CEPEC. K. MO). Espécie presente no Brasil e Bolívia, sendo conhecida apenas por dois registros de coleta um para a região de brejos de Ibicoara na Chapada Diamantina (Bahia) e outro para o leste da Bolívia. Neste último, segundo Renvoi/e ( 1 998 ), ocorre em campos úmidos a 500mde altitude, na região de Chávez, próximo a Concepción. Coletada com flores em fevereiro. Andropogon crucianus assemelha-se a A. bicomis devido à ausência de arista nas espiguetas sésseis c à presença de inflorescências congestas no ápice dos colmos floríferos. Porém, estas são mais alongadas, não assumindo o aspecto geralmente corimbiforme das inflorescências de A. bicomis. A. crucianus apresenta espiguetas pediceladas estaminadas ao longo c no ápice dos ramos, ao contrário dc A. bicomis, onde estas são em geral neutras, ocorrendo geralmente somente uma espigueta estaminada no ápice dos ramos floríferos. Além disto, A. crucianus apresenta apenas um ramo florífero por unidade de inflorescência, enquanto A. bicomis apresenta 2 (-3). 9. Andropogon durifolius Renvoize, Kcvv Buli. 39(1): 181. 1984. Tipo: BRASIL. BAHIA. Pico das Almas, ca. 25 km NW of the Vila de Rio de Contas, aprox.41°57’W, 13°33’S". 17fev. 1977,R.M.Harley etaL 19569 (holótipo CEPEC!; isótipos CEPEC. K. UB!). Fig. lk-1 Plantas perenes, cespitosas, com rizomas curtos, 71-250 cm. Bainhas foliares glabras ou com tricomas esparsos submarginais em direção ao ápice; lâminas 12-65 x 0, 1-0,3 cm, lineares, cilíndricas, rijas, ápice agudo, base reta, verdes nas duas faces, glabras nas duas faces, ou setosas na face adaxial, em direção à base; lígula 0,6-2 mm compr., membranoso-ciliolada. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 6-8 cm compr., estas com 2(— 3) ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis subclavados, com tricomas mais curtos que a espigueta séssil, distribuídos em uma ou nas duas margens. Espiguetas sésseis 5-6,5 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1-2.5 mm compr., aristadas, arista 10-14 mm compr.; gluma inferior 5-6,5 x 1,4— 1,5 mm, levemente côncava, lanceolada, 4-6-nervada, com duas ou quatro nervuras enue as carenas, com ou sem sulco; gluma superior 5,5-6 x 0,6-1, 5 mm, 3- nervada; lema inferior 4,2—5, 1 x 1-1.5 mm, 2-3- nervado; pálea ausente; lema superior 3-5 x 0,6-1 mm, ( I -)3-nervado, aristado; pálea 1 , 1-2,5 x 0,4~0,9 mm; estames 3, anteras 2,7-3 mm compr., amarelas. Cariopse não vista. Espiguetas pediceladas estaminadas ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, de 5, 1-7,3 mm compr., múticas: gluma inferior5, 1-7,3 x 1,1-1. 5 mm. ápice apiculado. simétrica, cartácea, 7-9-nervada, escabra no terço superior das nervuras, às vezes escabérula em toda a superfície, margens ciliadas na metade superior; gluma superior 4,9-6,5 x 0,9-1, 5 mm; lema inferior 4-6 x 1-1,5 mm; pálea ausente; lema superior 4-5,3 x 1 - 1 ,3 mm; pálea 1 -3 x 0.3-0.5 mm; estames 3, anteras 2,5-3, 1 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Abaíra, Campo do Cigano, 24.11. 1992, P. T. Sano £ T. Laessoe H52300 (SPF). MINAS GERAIS: Diamantina, ca. 10 km SW of Diamantina, 3. II. 1 972, IV. R. Anderson et al. 35221 (UB). Endêmica do Brasil, de locais úmidos dos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, com registros entre Palmeiras e Abaíra, na Chapada Diamantina (BA) e um registro mais ao sul, em Diamantina (MG). Coletada com flores em dezembro, fevereiro, março, junho e julho. Andropogon durifolius caracteriza-se especialmente por apresentar as lâminas foliares cilíndricas e firmes, com a face adaxial reduzida a um pequeno sulco, menos frequentemente conduplicadas ou planas na mesma planta. Outras características diagnósticas importantes são a forma subclavada dos entrenós da ráquis e dos pedicelos, e a presença de gluma inferior da Rodriguésia 62 < 1 ): 1 7 1 - 202 . 2011 SciELO/JBRJ ! 13 14 15 16 17 18 cm .. 184 espigueta séssil subcoriácea, com 2 -4 nervuras entre as carenas. Suas inflorescências não são plumosas, por apresentarem tricomas mais curtos que a espigueta séssil, distribuídos apenas em uma ou nas duas margens dos entrenós da ráquis e pedicelos. Esta espécie foi estudada apenas com base em material de herbário, não existindo praticamente informações sobre a mesma. 10 .Andropogon fastigiatus Sw„ Prodr. 26. 1788. Diectomis fastigiata (Sw.) P. Beauv., Ess. Agrostogr.132. 160. 1 812. Tipo: JAMAICA. Swartz (holótipoS!, foto K!, isótipoM!). Fig. lm Plantas anuais, cespitosas, sem rizomas, 20- 1 80 cm. Bainhas foliares glabras ou vilosas, ciliadas nas regiões submarginais; lâminas 10-40 x 0,15- 0,4 cm, lineares, planas, ápice acuminado, base reta, verdes nas duas faces, escabras na face abaxial c escabro-pubescentes na face adaxial; lígula 9-14 mm compr., membranosa de ápice liso ou eroso. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 3-6,5 cm compr., estas com 1 ramo florífero simples. Pedicelos e entrenós da ráquis clavados, com tricomas mais curtos ou alcançando o comprimento da espigueta séssil, distribuídos apenas nas margens. Espiguetas sésseis 4-5,5 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1 ,8-4 mm compr., aristadas, arista 33—47 mm compr.; gluma inferior 4-5,5 x 0.7- 1,2 mm, profundamente côncava, linear, 2— 4-nervada, sem nervuras e sem sulco entre as carenas; gluma superior 4-4,5 x 2-2,2 mm, aristada, arista 1 4,5- 1 8 mm compr., 3-nervada; lema inferior 3-3,5 x 0.7-0.8 mm, 2-nervado; pálea ausente; lema superior 3-3,5 x 1 ,6-2,2 mm, 3(— 4)-nervado, aristado; pálea 2,1-3 x0,5- 0,6 mm; estames 3, anteras 1,1 -1,6 mm compr., amarelas. Cariopse 2 x 0,6 mm. Espiguetas pediccladas neutras ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, de 7-1 1 mm compr., aristadas; gluma inferior 7-1 1 x 2-3 mm, aristada. arista 6-9 mm compr., assimétrica, 1 0 a mais nervada; gluma superior 4-4,5 X 1 ,1 -1 J5 mm; lema inferior 3.5—4 x 0,8- 1 ,2 mm; pálea ausente; lema superior 4-4,2 x 0.5-0, 8 mm; pálea 1-2.5 x 0.3-0.5 mm. Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Corrcntina, 37 km N from Corrcntina, on the Inhaúmas road, 44°47’W 13*7’S, 29.IV.1980, R.M. Harley 21965 (B, CEPEC). GOIÁS: Cristalina, estrada para a Barragem. 23.111. 1 997, A. Zuniu <í li.M. Longhi-Wagner 506 (FLOR). MINAS GERAIS: Joaquim Felício, Serra do Cabral. 15.1V. 1996, G. Hatschbach ctaL 64847 (MBM). PARÁ: Conceição do Araguaia, 7.VI.1953, R.L Fróea 29712 (UB). Zan/n. A & Longhi-Wâgner H.M. t América Central, México, Panamá, região das Antilhas, norte da América do Sul. Bolívia e Continente Africano. No Brasil, ocorre em quase todas as Regiões, exceto na Região Sul, com maior número de registros no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. Forma pequenas e densas populações dominantes cm locais alterados, com solos limpos c secos, com ou sem pedregulhos, geralmente de beira de estrada. Coletada com flores e/ou frutos durante todo o ano, mas, principalmente, de fevereiro a maio. Andropogon fastigiatus é facilmente reconhecida por apresentar apenas um ramo florífero por unidade de inflorescência, com espiguetas sésseis comprimidas entre o entrenó da ráquis e o pedicelo, com aristas longas, de 33- 47 mm compr., sendo o entrenó da ráquis e o pedicelo fortemente clavados. A espigueta pedicelada é diferenciada das demais espécies por apresentar a gluma inferior bem mais longa c larga do que a superior e assimétrica. 1 1. Andropogon gayanus Kunth, Enum. pl. 1 : 491. 1833. Tipo: Senegalia,Gay s.n. (isótipo K!). Fig. In Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 140-300 cm. Bainhas foliares glabras ou hirsutas; lâminas 1 7-72 x 0,4-0, 1 8 cm, linear-lanceoladas, as inferiores atenuadas na base, planas, ápice longamente acuminado, glauco-esverdeadas nas duas faces, às vezes com manchas avermelhadas ou vináceas, glabras, vilosas ou hirsutas nas duas faces; lígula 1 — 1 ,5(— 2) mm compr., membranoso- ciliolada. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais c axilares de 5,5-10 cm compr., estas com 2—4 ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis clavados, com tricomas mais curtos que a espigueta séssil. distribuídos ao longo das margens. Espiguetas sésseis 7.2-8, 2 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 2—4 mm compr., aristadas, arista (22- )25- 33 mm compr.; gluma inferior 7,2-8,2 x 1-1,7 mm, plana, elíptico-lanceolada, 8 a mais nervada, com 6 a mais nervuras entre as carenas, com sulco; gluma superior 6,2-8 x 2,2 mm, 3-nervada; lema inferior 5,5-6, 1 x 1-1,5 mm, 2-3-nervado; pálea ausente; lema superior 5-6,1 x 1-1,2 mm, 1- nervado, às vezes 3-nervado na base, aristado; pálea 3, 1 -4 x 1 - 1 ,2 mm; estames 3, anteras 3,9- 4.5 mm compr., amarelas. Cariopse 2,8-3 x 0,8-1 mm. Espiguetas pediceladas estaminadas ao Rodriguósia 62( 1 ): 1 7 1 -202. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. ReiisSo taxonómica de Andropogon do Brasil longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, de 7-9 rnm compr., aristadas; gluma inferior 7-9 x 1 ,2-1,5 mm, ápice arislado. arista (3— )5— 8 mm compr., simétrica, 20 a mais nervada, glabra; gluma superior 6.5-8 x 1-1.5 mm compr.; lema inferior 6-6.5 x 1-1,5 mm; pálea ausente; lema superior 5,5-8 x 0,5- 1,2 mm; pálca 1 ,2-3 x 0.5-1 ,5 mm; estames 3, anteras 3,5- 4.5 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. CEARA: Sobral, BAG-Forragciras CNP Caprinos. 19. VI. 1979, L. Coradin et ai 2072 (CEN). GOIAS:Água Fria. estrada para São João da Aliança. 24.11.1997, A. Zanin <£• H.M. Longhi- Wagner 511 (FLOR). MINAS GERAIS: Coronel Pacheco, 23.V.1989, L KriegerA M. Brüggers.n. (CESJ 23710). RIO GRANDE DO SUL: Viamão, Escola Técnica de Agricultura. 17. IV. 1974, A. Pott s.n. (SP 174635). TOCANTINS: Pedro Afonso, Fazenda Santa Vitória, 15.V.1994. M. Alves & M. B. Mano 1409 {V B). Espécie nativa da África, introduzida no Brasil como forrageira (Renvoize 1984; Filgueiras 1990). É encontrada atualmente fora das áreas de cultivo, em margens de estradas, especialmente no Brasil Central. Coletada com flores e/ou frutos durante todo o ano. Andropogon gayanus foi incluída no presente trabalho por já ser uma espécie comum fora das áreas de cultivo, ao longo das rodovias, especialmente do DF e GO, e por estar relativamente bem representada em alguns herbários revisados. Trata-se, segundo Stapf (1917-19), de uma espécie polimórfica, que o autor reuniu cm três variedades, genuinus, squamulatus e bisquamulalus. As duas últimas variedades foram observadas entre o material estudado, diferenciando-se especialmente pelas espiguetas pediceladas escabérulas na variedade squamulatus e vilosas na variedade bisquamulalus. 12. Andropogon glaucophyllus Roseng.. B.R. Arrill. & Izag., Gram. Urug. 165. 1970. Tipo: URUGUAI. Montevideo, Cult. in Hort. Bot. Facultad de Agronomia, orig. Arroyo Los índios, Rocha. IV. 1966, Rosengurtt B-2634b (holótipo MVFA; isótipos B, K, MBM!). Fig. 2a-b Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 1 10- 200 cm. Bainhas foliares glabras ou com tricomas esparsos; lâminas 17-80 x 0,2-0, 1 0 cm, lineares, planas, ápice acuminado, base atenuada, especialmente nas folhas inferiores, glaucas nas duas faces, glabras, raramente vilosas na face adaxial; lígula 1,2-5 mm compr., membranoso-ciliolada. Inflorescêneias laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 6- 10.5 cm compr.. estas com 2-30 ramos floríteros Rodriguésia 62 ( 1 ): 171 - 202 . 20 1 1 185 simples ou com ramificações secundárias. Pedicelos e entrenós da ráquis subclavados ou tendendo a lineares, glabros ou com tricomas mais curtos que a espigueta séssil, distribuídos em uma ou nas duas margens. Espiguetas sésseis 4,5-6,5 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 0,8-2 mm compr., aristadas, arista 0,5-8 mm compr.; gluma inferior 4,5-6,5 x 1, 1-1,6 mm, levemente côncava a plana, lanceolada, 2-8-nervada, sem ou com 2-4 nervuras entre as carenas, com ou sem sulco; gluma superior 4,2-6,2 x 1,1-2 mm, 3- nervada; lema inferior 3,9-5,5 x 1-1,4 mm, 2(— 3)- nervado,; pálea ausente; lema superior 3,1 -5 x 0,4— 1 ,5 mm, 3-nervado, aristado ou aristulado; pálea 1 ,5- 3 x 0,6-1 mm; estames 3, anteras 1 ,8-3 mm compr., amarelas. Cariopse 2-4 x 0.5-0.8 mm. Espiguetas pediceladas estaminadas e monoclinas ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, raramente espiguetas neutras na mesma planta, estas de 2-3 x 0.2-0.5 mm; espiguetas estaminadas e monoclinas 5-8 mm compr., múticas; gluma inferior 5-8 x 1-1,3 mm, simétrica, 5-7- nervada; gluma superior 4,8-5,6 x 1-1 ,4 mm; lema inferior 4-6 x 1,1-1, 5 mm; pálea ausente; lema superior 4-5,1 x 1-1,2 mm; pálea 1-2,5 x0,6-l mm; estames 3, anteras 2-3 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. RIO GRANDE DO SUL: Porto Alegre, Morro da Polícia 19.111. 1997, A. Zanin 541 (FLOR, SPF). SÃO PAULO: São Paulo, Linha Santo Amaro- Ibirapucra. 1 7.1. 1942, D. B. Bickel 5792 (IPA). Espécie presente no Brasil e Uruguai. Para o Uruguai, foi referida por Rosengurtt et al. (1970) como escassa em áreas marítimas úmidas. No Brasil, ocorre especialmcnte no litoral do Rio Grande do Sul c Santa Catarina, em solos arenosos das planícies próximas ao mar. No Rio Grande do Sul, ocorre também em morros graníticos próximos a Porto Alegre e, com menor abundância, em solos arenosos nas proximidades do município de Santa Maria. Existe ainda um registro para as imediações do Rio Tibagi (Paraná), e dois registros antigos para a cidade de São Paulo. Geralmente, forma pequenas e densas populações, em áreas arenosas ou pedregosas relativamente úmidas. Coletada com flores e/ou frutos de dezembro a maio. Andropogon glaucophyllus caracteriza-se por apresentar plantas de grande porte, formando densas touceiras devido a muitas inovações concentradas na base da planta. As lâminas foliares variam muito no comprimento na mesma planta, porém as lâminas das folhas basais geralmente são longas, alcançando até 80 cm de comprimento. SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. 186 Muito característico, nesta espécie, é a lâmina foliar estreitada em direção à base, onde reduz-se praticamente à região da nervura central. As folhas são tipicamente glaucas, o que confere o nome à espécie. Andropogon glaucophyllus assemelha-se superficialmente a A. lateralis subsp. late ralis, com a qual convive simpatricamente. Esta última, no entanto, apresenta lâminas foliares geralmente mais estreitas, sem estreitamento na base, e glaucas apenas na face adaxial. Além disto, apresentam diferenças no diásporo, como a presença de espiguetas pediceladas monoclinas misturadas com estaminadas em A. glaucophyllus e somente estaminadas em A. lateralis, sendo as anteras do par de espiguetas subiguais no comprimento em A. glaucophyllus e desiguais em A. lateralis. Os exemplares Nomnann etal. 146 ( CTES ), considerado por Norrmann (1999) e Zanin & Longhi-Wagner (2006) como pertencente a A. barretoi Norrmann & Quarin e também o material A. Zanin & T. Canto- Dorow 797 (FLOR, SPF), foram considerados como a A. glaucophyllus no presente trabalho. Os caracteres morfológicos destes dois táxons se sobrepõem em sua maioria, sendo de difícil separação. 13. Andropogon glaziovii Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 286. 1 883. Tipo: BRASIL, prope Rio de Janeiro cl. Glaziou 1 1 672 ex parte; altera parsest A. spathiflorus Kunth (isótipos G. K, S!). Fig. 2c-d Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 140-270 cm. Bainhas foliares geralmente seríceas; lâminas 37-60 x (0,3-)0,5-0,8 cm, lineares, planas, ápice agudo, base reta, verdes nas duas faces, seríceas nas duas faces, especialmcnte quando jovens, ou glabras na face abaxial; lígula 1-2 mm compr., membranoso-ciliolada. Infiorescências laxas, alongadas, estreitas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 1 ,5-3,5 cm compr., estas com 2-5 ramos floríferos simples ou menos freqüentemente ramificados. Pedicelos e entrenós da ráquis lineares, com tricomas atingindo 1,5 vezes o comprimento da espigueta séssil, distribuídos nas margens e na metade ou terço superior da face abaxial. Espiguetas sésseis 2,2-4 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1-1,2 mm compr., aristadas, arista (2-)4,2-10 mm compr.; gluma inferior 2,2-4 x 0,7-1 mm, levemente côncava, lanceolada, 2- nervada, sem nervuras e sem sulco entre as carenas; gluma superior 2,9-3, 1 x 0,6-1 mm, 3-nervada; lema inferior 2, 2-2,5 x 0,6-0,7 mm, enérveo ou 2-3- Zanin. A. & Longhi-Wagnfr H.M. nervado: pálea ausente; lema superior 2-2,3 x 0,3-0,6 mm, 3-nervado, aristado; pálea 0.6- 1,1 x 0,3-0,5 mm; estames 3, anteras 0.5-0.8 mm compr., amarelas. Cariopse 2 x0,5 mm. Espiguetas pediceladas estaminadas e neutras na mesma planta, em ramos floríferos separados ou misturadas ao longo c no ápice dos mesmos, espiguetas neutras 0,5-3 x 0,1 -0,5 mm; espiguetas estaminadas 3—4 mm compr., múlicas; gluma inferior 3-4 x 0,8-1 mm, 5-nervada; gluma superior 3-3.5 x 0,8-1 . 1 mm; lema inferior 2,5-3 x 1-1,2 mm; pálea ausente; lema superior 2,2-3 x 0,6-1 mm; pálea 0,6-1 x0,2-0,6 mm; estames 3, anteras 1 , 1 - 1,5 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. MATO GROSSO DO SUL: Sidrolândia, sul de Campo Grande, I0.IV.I985, J.F.M. Valls et al. 8650 (CEN. CPAP). SÃO PAULO: GuzoJândia, SP 3 1 0, km 574, 1 2. VI. 1 999. A. Zanin 793 (FLOR. SPF). Espécie presente no Brasil, Paraguai e Bolívia. Foi referida por Killeen (1990) como abundante na região de Chiquitania, Bolívia, onde ocorre uma vegetação semelhante ao cerrado do Brasil Central. No Paraguai, distribui- se em regiões pantanosas da porção sul e leste do país, formando densas c pequenas populações (Norrmann 1999). No Brasil, ocorre nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, formando pequenas populações, sempre associadas a ambientes úmidos ou áreas permanentemente brejosas. Coletada com flores e/ou frutos em fevereiro e de abril a junho. Andropogon glaziovii está entre as espécies do gênero que apresentam indivíduos robustos, de grande porte. Suas infiorescências são alongadas, estreitas, lineares, com cerca de 50-100 cm de comprimento, com ramificações axilares abundantes e, consequentemente, com espatéolas numerosas. Estas destacam-se por serem mais vistosas que os ramos floríferos, os quais são curtos e total ou em sua maior extensão envolvidos pelas espatéolas. No campo, observaram-se as espatéolas com duas cores contrastantes, a base verde e o ápice castanho, porém, cm material de herbário, elas apresentam-se tipicamente castanhas. As lâminas foliares e, em geral, também as bainhas são seríceas, especialmente quando jovens. Os tricomas, no entanto, são facilmente decíduos e, cm material herborizado, aparecem esparsos ou mesmo são ausentes, em algumas partes das folhas. A. glaziovii apresenta espiguetas pediceladas estaminadas e neutras. Estas ocorrem em combinações muito aleatórias, com ramos floríferos Rodriguésia 62 ( 1 ): 1 7 1 -202. 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm 1 SciELO/JBRJ 187 Revisão taxonômica de Andropogon do Brasil Figura 2 - a-b. Andropogon glaucophyllus - a. base da lâmina foliar; b. diásporo mediano, c-d. A. glaziovii - c. diásporo mediano com a espigueta pedicelada reduzida; d. diásporo mediano com a espigueta pedicelada desenvolvida, e. A. hypogynus - diásporo mediano com espigueta séssil mútica. f. A. indetonsus - espigueta pedicelada desenvolvida, vista da gluma inferior, g. A. ingratus - diásporo mediano com a espigueta pedicelada desenvolvida, h. A. lateralis subsp. lateralis - diásporo terminal do ramo florífero. i. A. lateralis subsp. cryptopus - unidade de inílorescência. j. A. leucostachyus - diásporo mediano. k.A. lindmanii- diásporo terminal do ramo florífero. 1-m. A. macrothrix — 1. lígula; m. diásporo mediano (a-b. Zanin 541; c-d. Vai Is et al. 11765 ; e. Zanin & Canto-Dorow 744; f. Maguire & Magnire 40148 ; g. Zanin & Longhi-Wagner 684; h. Fernandes 451;i. Fonseca et al. 1296;]. Zanin & Longhi-Wagner 469; k. Campbell 4562; 1. Hatschbach 45700; m. Zanin & Longhi-Wagner 435). Figure 2 - a-b. Andropogon glaucophyllus - a. base of the leaf-blade; b. dispersai unit of the mid portion of the flowering branches. c-d. A. glaziovii - c. dispersai unit of the mid portion of the flowering branches with rudimentary pedicellate spikelet; d. dispersai unit of the mid portion of the flowering branches with devcloped pedicellate spikelet. e. A. hypogynus - dispersai unit of the mid portion of the flow ering branches with sessile spikelet awnless. f. A. indetonsus - devcloped pedicellate spikelet; lower glume view. g. A. ingratus — dispersai unit of the mid portion of the flowering branches w ith developed pedicellate spikelet. h. A. lateralis subsp. lateralis — terminal dispersai unit of the flowering branches. i. A. lateralis subsp. cryptopus - unit of the inflorescence. j. A. leucostachyus - dispersai unit of the mid portion of the flowering branches. k. lindmanii - terminal dispersai unit of the flowering branches. 1-m. A. macrothrix - 1. ligulc; m. dispersai unit of the mid portion of the flow ering branches (a-b. Zanin 541 ; c-d. l'alls et al. 11765 ; c. Zanin & Canto-Dorow 744 ; f. Maguire & Maguire 401 48; g. Zanin & Longhi-Wagner 684; h. Fernandes 451; i. Fonseca et al. 1296 ; j. Zanin & Longhi-Wagner 469; k. Campbell 4562 ; 1. Hatschbach 45700; m. Zanin & Longhi-Wagner 435). Rodríguésia 621 1 ): 1 7 1 -202. 20 1 1 cm .. 188 da unidade de inflorescência contendo apenas espiguetas pediceladas neutras, ou apenas estarninadas, ou as duas em distintas combinações. Em todo o material estudado, sempre foram observados os dois tipos de espiguetas pediceladas no mesmo indivíduo. 14. Andropogon hypogynus Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 290. 1 883. Tipo: Brasília, Riedel 1655 ( lectótipo G! designado por A. Zanin & Longhi-Wagner 2005; isolectótipo K !). Andropogon hypogynus Hack. var. genuinus Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 290. 1883, nom. inval. Hypogynium campestre Nees, Agrostologia brasiliensis, in Mart., Fl. bras. enurn. pl. 2(1): 365. 1 829. Andropogon hypogynus Hack. var. anatherus Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2 (3): 290. 1 883. Tipo: “in campis Provinciae Piauhiensis, Martius s.n." (M holótipo!). Andropogon hypogynus Hack. var. conjungens Hack. in Mart. & Eichler. Fl. bras. 2(3): 290. 1 883. Tipo: “Brasil, pr. Lagoa Santa, Wanning s.n. ex parte” (holótipo W!). Fig. 2c Plantas perenes, com rizomas curtos, 80-220 cm. Bainhas foliares glabras ou levemente vilosas; lâminas 6-85 x 0.2-0.8 cm, lineares, planas ou conduplicadas, ápice apiculado, apículo quebrando facilmente ficando o ápice obtuso, base reta, glaucas na face adaxial e verdes na abaxial, glabras nas duas faces, ou escabras a esparsamente vilosas na face adaxial; lígula 0,5-1, 2 mm compr., membranoso- ciliolada. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 6-1 6 cm compr., estas com 2-23 ramos floríferos simples oú com ramificações secundárias. Pedicelos e entrenós da ráquis lineares, pedicelos glabros ou com tricomas mais curtos que a espigueta séssil. esparsos nas margens; entrenós glabros, escabros ou com tricomas cm uma ou em ambas as margens, mais curtos que a espigueta séssil. Espiguetas sésseis 3,2-5,5 mm compr., monoclinas, calo glabro ou escassamente piloso, os tricomas mais longos atingindo 0,1-1, 2 mm compr., aristadas ou múticas, arista 1-8 mm compr.; gluma inferior 3,2-5.5 x 0,8-1, 1 mm, levemente côncava, lanceolada 2-3-nervada, sem ou raramente com uma nervura central entre as carenas, sem sulco; gluma superior 3-3,5 x 0.7-0.8 mm, 3- nervada; lema inferior 2,5-3 x 0,2-0,6 mm, 2-3- nervado; pálea ausente; lenta superior 2-2.8 x 0,2- 0,4 mm, 1 -nervado, mútico ou aristado; pálea 0,2- 0,6 x 0,2-0, 3 mm; estames 3. anteras 0,6-1 mm compr.. amarelas ou violáceas. Cariopse 2, 5-2, 8 x Zanin. A. & Longhi-Wagner H.M. » 0,5 mm. Espiguetas pediceladas estarninadas ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, raramente espiguetas neutras na mesma planta, estas de 2, 5-2,9 x 0,2 mm; espiguetas estarninadas 4-6 mm compr., múticas; gluma inferior 4-6 x 1-1,2 mm, simétrica, 3-5-ncrvada; gluma superior 3,5-5 x 0,9-1 .2 mm; lema inferior 4-4.2 x 0,9- 1 ,5 mm; pálea ausente; lema superior 3,1— t x 0,5-1 mm; pálea 0,2-1 x 0, 1 -0.5 mm; estames 3. anteras 2-3 mm compr., amarelas. Nome vulgar: rabo-de-lobo. Material selecionado: BRASIL. MATO GROSSO DO SUL: Corumbá, estrada para o Porto da Manga. 1 9. VII I. 1998, A. Zanin & T. Canlo-Dorow 744 (FLOR, SPF). MINAS GERAIS: Formoso, Parque Nacional Grande Sertão Veredas, I5°8'S 45°46’W. 5.XI.I989, T. S. Filgueiras IVI6 (IBGE. 1CN, SP). TOCANTINS: Santa Jzabel, Ilha do Bananal, Parque Nacional do Araguaia, 2 1 .VI. 1 979, F.C. Silva et al. 2H0 (UB). Espécie presente no Brasil, Bolívia. Paraguai c Argentina. Sua principal área de ocorrência corresponde à região do Pantanal, no noroeste do Mato Grosso do Sul e sul do Mato Grosso, onde é comum em áreas periodicamente inundadas, formando densas e extensas populações. Coletada com flores c/ou frutos praticamente durante todo o ano, com ausência de registro para os meses de maio, julho e setembro. Andropogon hypogynus apresenta um número muito variável de ramos floríferos por unidade de inflorescência. Estes podem ser simples ou ramificados, assemelhando-se mais, no primeiro caso, a A. lateralis subsp. lateralis, com distribuição centrada nos campos do sul do Brasil e, no segundo caso, a A. lateralis subsp. cryptopus, mais comum no cerrado do Brasil Central. Porém, a ocorrência de ramos floríferos simples ou ramificados é comum cm uma mesma planta. Suas inflorescências, no entanto, são mais delicadas e podem ser facilmente diferenciadas das duas subespécies de A. lateralis, por serem glabras ou com tricomas esparsos, pouco conspícuos, característica na qual Hackel ( 1 883) baseou-se para descrever a espécie. 15. Andropogon indetonsus Sohns, Mem. New York Bot. Gani. 9(3): 269-271 . 1957. Tipo: BRASIL. Serra Tepcquem, l(XX)-120üm. Terr. Rio Branco (Roraima], 4. XII. 1954, B. Maguirrc&C.K. Maguirre 40148 (holótipo, foto US!; isótipos IAN. NY!). Fig.2f Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 200-300 cm. Bainhas foliares glabras: lâminas 1 1 x 30 cm. linear-lanceoladas, planas, ápice longamcnte Rodriguéáa 62 ( 1 ): 1 7 1 - 202 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 cm .. Revisão taxonómica de Andropogon do Brasil 189 acuminado, base reta, verdes nas duas faces, glabras; lígula 1, 5-2,5 mm compr., membranoso- ciliolada. Infiorescências laxas, alongadas, unidades de inflorescência terminais e axilares de 2,5-8 cm compr., estas com 2-4 ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis clavados ou subclavados, com tricomas 1,5-2 vezes o comprimento da espigueta séssil, distribuídos nas margens ou nas margens e na face abaxial. Espiguetas sésseis 4—5,5 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1 ,5- 2 mm compr., aristadas, arista 8-15 mm compr.; gluma inferior 4— 4.5 x 1-1,2 mm, plana, elíptico- lanceolada. 4-nervada, com duas nervuras entre as carenas, geralmente com sulco; gluma superior 3,5- 5 x 1 ,2-1,5 mm, 3-nervada; lema inferior 3,5-4 x 0,5-1, 1 mm, 0-2-nervado; pálea ausente; lema superior 2,5-3,5 x 1 mm, 3-nervado, aristado; pálea 2-3 x 0.2-0.3 mm; estames 3, anteras 2-2,2 mm compr., amarelas. Cariopse não vista. Espiguetas pediceladas geral mente estaminadas ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, às vezes neutras na mesma planta, estas 2-2.5 x 0,1 -0,2 mm; espiguetas estaminadas 3,5-4 mm compr., múticas; gluma inferior 3-4 x 1- 1,2 mm, simétrica, cartácca, 7-1 1-nervada; gluma superior 3-3,8 x 1,2 mm; lema inferior 3. 1-3,5 x 1,2 mm; pálea ausente; lema superior 2,5-3,2 x 0,7- 1 , 1 mm; pálea 1 ,5-2 x 0.6-0.8 mm; estames 3, anteras 2- 2,5 mm compr., amarelas. Material examinado: BRASIL. AMAZONAS. Encosta da Serra Aracá, 6. II. 1978, N.A. Rosa & S.B. Ura 2395 (MG). Conhecida apenas pelas amostras aqui ciladas. Coletada com flores cm dezembro e fevereiro. Andropogon indetonsus caracteriza-se por apresentar plantas de grande porte, com lâminas foliares linear-lanceoladas, de ápice longamente acuminado. Sohns ( 1957) referiu que A. indetonsus assemelha-se superficialmente a A. lateralis. Isto decorre apenas da semelhança na riqueza de infiorescências axilares e no número de ramos floríferos por unidade de inflorescência. As características das lâminas foliares, a presença constante de nervuras e, geralmente, de sulco entre as carenas da gluma inferior da espigueta séssil, o elevado número de nervuras na gluma inferior da espigueta pedicelada, além da forma clavada, às vezes subclavada do entrenó da ráquis em A. indetonsus, diferenciam facilmente esta espécie de A. lateralis. 16. Andropogon ingratus Hack., Oesterr. Bot. Z. 51(5):151. 1901. Fig.2g Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 50- 1 1 0 cm. Bainhas foliares glabras ou hirsutas; lâminas 5-35 x 0, 1 5-0,6 cm, lineares, planas, ápice agudo, base reta, glaucas nas duas faces, geralmente escabérulas ou hirsutas em ambas as faces; lígula 0,5- 1,2 mm compr., membranoso-ciliolada. Infiorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 4-9 cm compr., estas com ( 1 )2— 3(4) ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis lineares ou subclavados, com tricomas geralmente atingindo o mesmo comprimento ou até 2 vezes o comprimento da espigueta séssil, menos comumente mais curtos, distribuídos em toda a superfície abaxial ou apenas nas margens. Espiguetas sésseis 5-7 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 1,5-3 mm compr., aristadas, arista 8-24 mm compr.; gluma inferior 5-7 x 1-1,2 mm, levemente côncava, lanceolada, 4-7-nervada, com duas a cinco nervuras entre as carenas, sem sulco; gluma superior 4,5-6 x 1-1 ,2 mm, 3-nervada; lema inferior 4-6 x 1 mm, 2— 3-nervado; pálea ausente; lema superior 3-4 x 0,5-1 mm, 3-nervado, aristado; pálea 0,8-1 , 1 x 0,3-0, 6 mm; estames 3, anteras 1 ,2- 1 ,9 mm compr., amarelas. Cariopse 2,5 x 0,6 mm. Espiguetas pediceladas estaminadas, ou estaminadas e neutras misturadas ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, raramente só neutras na mesma planta, estas de 3,5-5, 5 x 0,5-0, 6 mm; espiguetas estaminadas 4,2— 7,2 mm compr., múticas; gluma interior 4,2-7,2 x 1-1,2 mm, simétrica, 3-7-nervada; gluma superior 4-5,5 x 0,8-1 ,2 mm; lema inferior 4— 5,1 x 1-1,2 mm; pálea ausente; lema superior 3,2-5 x 0,6- 1 mm; pálea 0,5- 1 ,5 x 0.3-0.8 mm; estames 3, anteras 1,2-1, 8 mm compr., amarelas. Andropogon ingratus pertence ao grupo de espécies com plantas delicadas, que não ultrapassam 1 1 0 cm de altura e com ramos floríferos das unidades de inflorescência geralmente com pilosidade densa e alva. Possui as lâminas foliares e as bainhas totalmente glaucas e as lâminas em geral assumem um aspecto ondula-do nas folhas envelhecidas. Um caráter diagnóstico importante é a presença de nervuras entre as carenas da gluma inferior da espigueta séssil. Estas podem variar de 2-5, sendo desenvolvidas até a base ou somente visíveis no terço ou na metade superior, porém estão sempre presentes. As espiguetas pediceladas nesta espécie são geralmente estaminadas, ou Rodriguásia 62( 1 ): 1 7 1 -202. 20 1 1 SciELO/ JBRJ, 13 14 cm .. 190 Zanin. A & Longhi-Wagner H.M. estaminadas e neutras na mesma planta. Alguns indivíduos somente com espiguetas neutras também foram observados. A grande maioria do material estudado de A. ingratus apresenta as folhas e as espatéolas glabras. No entanto, cm um pequeno número de indivíduos, as bainhas, as duas faces da lâmina foliar e as espatéolas são hirsutas. Os tricomas são longos e alvos, conferindo à planta uma coloração esbranquiçada, que se destaca em meio à vegetação. Chave para as variedades de A. ingratus ocorrentes no Brasil 1. Bainhas, lâminas foliares e espatéolas glabras A. ingratus var. ingratus 1’. Bainhas, lâminas foliares e espatéolas hirsutas A. ingratus var. hirsutus 16a. Andropogon ingratus Hack var. ingratus. Tipo: Brasília, Província Minarum, 1891,Glaziou 18681 (lectótipo W! designado por A. Zanin & Longhi-Wagner 2005; solectótipos W, US!). Andropogon sincoranus Renvoize, Kew Buli. 39(1): 181-182. 1984. Tipo: BRASIL. BAHIA: Serra do Sincorá, W of Barra da Estiva, on thc road to Jussiape, 41°27’W, 13°35’S”, 22.III. 1980, R.M. Harlcy et al. 20765 (holótipo CEPEC!, isótipos K!) syn. nov. Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Palmeiras, Morro do Pai Inácio, 29.VIII.1996, A.A. Conceição <£ A.A. Grillo 148 (SPF); MINAS GERAIS: Santana do Riacho, estrada Conceição do Mato Dentro, 7. XII. 1997, A. Zanin & H.M. Longhi-Wagner 684 (ELOR, SPF). Espécie presente no Brasil, especialmente nas formações de campos rupestres e de campo cerrado da Cadeia do Espinhaço (Minas Gerais e Bahia). Distribui-se desde São Tomé das Letras, região de Ouro Branco e Ouro Preto (Minas Gerais) até a Chapada Diamantina (Bahia). Neste último Estado, também há várias coletas da região litorânea ou próxima do litoral, ao norte de Salvador, alcançando o estado de Sergipe, com um registro para a Serra de Itabaiana, limite setentrional da variedade conhecido até o momento. Coletada com flores e/ou frutos praticamente durante todo o ano. 16b. Andropogon ingratus Hack. var. hirsutus A. Zanin & Longhi-Wagner, Novon 13: 372. 2003. Tipo: BRASIL. BAHIA: Mun. Abaíra, Catolés de Cima, 23. III. 1999, A. Zanin et al. 786 (holótipo SPF!, isótipo FLOR!). Material examinado: BRASIL. BAHIA: Abaíra, 17 km da cidade em direção a Catolés, 22.111. 1999, A. Zanin et al. 784 (SPF). Andropogon ingratus var. hirsutus é conhecida de Abaíra e Jussiape (Chapada Diamantina-Bahia), onde ocorre em formação de cerrado de altitude. Existe também um registro para Cachoeirinha (Pernanbuco), sem informações sobre hábitat. Coletada com flores e/ou frutos entre março e agosto. 17. Andropogon lateralis Nees, Agrostologia brasiliensis, in Mart, FI. bras. enum. pl. 2( 1 ): 329. 1 829. Plantas perenes, cespilosas, sem rizomas ou com rizomas curtos, 50-170 cm. Bainhas foliares glabras ou vilosas; lâminas 4,5-60 x 0, 1 -0,7 cm, lineares, planas, ápice agudo ou apiculado, apículo quebrando facilmente ficando o ápice subagudo ou obtuso, base reta, glaucas na face adaxial e verdes na abaxial, glabras, vilosas ou hirsutas nas duas faces; lígula 0.5-2.4 mm compr., membranoso- ciliolada. Inflorescências laxas, alongadas, unidades de inflorescência terminais ou terminais e axilares, de 3-8 cm compr., estas com 2-25 ramos floríferos simples ou com ramificações secundárias. Pcdicelos e entrenós da ráquis lineares, com tricomas geralmente mais curtos que a espigueta séssil, às vezes igualando-a ou alcançando até 1 ,3 vezes o seu comprimento, distribuídos em toda a superfície abaxial ou especialmente nas margens e ápice. Espiguetas sésseis 4-5,5 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 0,5- 2,5 mm compr., aristadas ou múticas, arista 2,2-16 mm compr.; gluma inferior 4-5,5 x 0,3-1, 3 mm, levemente côncava, lanceolada. 2-6-nervada, sem ou com duas a quatro nervuras entre as carenas, sem sulco; gluma superior 3-4,1 x 0,3-1, 1 mm. 3- nervada; lema inferior 3-4 x 0.2-0.7 mm, enérveo ou 1 -3-nervado; pálea ausente; lema superior 2-3,2 x 0, 1 -0,6 mm, 1 -nervado, arislado ou mútico; pálea 0.6- 1 x 0.2-0.5 mm; estames 3, anteras 0.6-0.9 mm compr., amarelas ou violáceas. Cariopse 2-2,5 x 0.4-0.6 mm. Espiguetas pediceladas estaminadas Rodriguésia 62( 1 ): 1 7 1 -202. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Revisão taxonômica de Andropogon do Brasil 191 ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, raramente neutras na mesma planta, estas de 1,5-3, 8 x 0,1 -0,2 mm; espiguetas estaminadas 3-7,3 mm compr., múticas ou aristuladas; gluma inferior 3-7,3 x 0,5-1 , 1 mm, simétrica, 3-5-nervada; gluma superior 2,9-6 x 0,4- 1 ,2 mm; lema inferior 2,7-5,5 x 0,3-1 ,5 mm; pálea ausente; lema superior 2,7-5,3 x 0,2-1 ,5 mm; pálea 0,5-1 x 0,2-0, 8 mm; estames 3, anteras 2-3 mm compr., amarelas ou violáceas. Andropogon lotercilis possui ampla distribuição na América do Sul c está entre as espécies mais abundantes do gênero no sul do Brasil, onde é conhecida como “capim caninha". Sua abundância diminui cm maiores latitudes. Foram descritos muitos táxons infra-específicos para A. lateralis, a maioria deles hoje incluída em sinonímia. No presente trabalho são reconhecidas duas subespécies, Andropogon lateralis Nees subsp. lateralis com distribuição especialmcntc no sul do Brasil c Andropogon lateralis Nees subsp. cryptopus (Trin. ex Hack.) A. Zanin, com ocorrência principal nos campos- cerrado da Região Centro-Oeste do Brasil. Nas populações de A. lateralis subsp. cryptopus as aristas das espiguetas sésseis são nulas ou, quando presentes, variam de 2,2 a 6,5(— 1 0) mm compr. Estas espiguetas apresentam também a gluma inferior com ou sem uma nervura entre as carenas. Nesta subespécie há um maior número de ramos floríferos por unidade de inflorescência, com pilosidade mais densa do que o ocorrente nas populações do sul do Brasil. O maior número de ramos geralmente é decorrente de ramificações secundárias dos ramos floríferos digitados. Nas populações de A. lateralis que ocorrem principalmente no sul do Brasil, os ramos floríferos digitados não apresentam ramificações secundárias e possuem pilosidade menos densa; as aristas estão sempre presentes nas espiguetas sésseis e são mais longas, atingindo de 6 a 16 mm compr. Além disto, a gluma inferior destas espiguetas não apresentam nervuras entre as carenas. Nestas populações, os ramos floríferos são digitados sobre um eixo curto, enquanto que no material do Brasil-Central os ramos floríferos dispõem- se sobre um eixo relativamente alongado. Chave para as subespécies de Andropogon lateralis ocorrentes no Brasil I. Unidade de inflorescência (porção subtendida por espatéola) com ramos floríferos simples, em número de 2 — 6( — 7). Entrenós da ráquis e pedicelos com tricomas subdensos. Espiguetas sésseis sempre aristadas, arista 6-16 mm compr., com a gluma inferior sem nervuras entre as carenas. Lâminas foliares glabras, raramente vi Iosas A. lateralis subsp. lateralis 1 '. Unidade de inflorescência (porção subtendida por espatéola) com ramos floríferos geralmente ramificados, em número de (2-)4—25, incluindo as ramificações. Entrenós da ráquis e pedicelos densamente pilosos. Espiguetas sésseis múticas ou aristadas, geralmente variando na mesma planta, arista 2,2-6,5(-10) mm compr., com a gluma inferior sem ou com 2-4 nervuras entre as carenas. Lâminas foliares frequentemente vilosas A. lateralis subsp. cryptopus 17a. Andropogon lateralis Nees subsp. lateralis, Agrostologia brasiliensis, in Mart., Fl. bras. enum. pl. 2(1 ): 329. 1 829. Andropogon glaucescens sensu Hack. var. lateralis (Nees) Hack. subvar. typicus Hack., in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 289. 1883, p.p. Andropogon incanus Hack. var. lateralis (Nees) Hack. subvar. typicus Hack., in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 432. 1889. p.p. Tipo: "habitat in Brasília australi, ScIIow s.n - vidi in herb. Reg. Berol." (lectólipo B ! designado por A. Zanin 2006; isolectótipo K. ! ; fotocópia isolectótipo US!). Andropogon brevis Trin., Mém. Acad. Imp. Sei. Saint-Pétersbourg ser. 6, Sei. Math. Nat. 2: 268. 1 832. Andropogon glaucescens sensu Hack. var. brevis (Trin.) Hack. in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 289. 1 883. Andropogon incanus var. brevis (Trin.) Hack. in A.DC. & DC. Monogr. phan. 6: 432. 1889. Andropogon lateralis Nees var. brevis (Trin.) Henrard, Med. Rijks-Hcrb. Leiden. 40: 43. 1921. Tipo: "V. spp. Brasil". Andropogon glaucescens sensu Hack. var. genttinus Hack. subvar. typicus Hack., in Mart. & Eichler, Fl. bras. 2(3): 289. 1883, p. p„ nom. inval. (a outra parte = A. glaucescens Kunth, do Equador). Andropogon glaucescens sensu Rodrigiiúsia 621 1 ): 1 7 1 - 202 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 192 Hack. var. genuinus Hack. subvar. subtilior Hack., in Mart. & Eichier, Fl. bras. 2(3): 289. 1 Andropogon incanus Hack. var. subtilior (Hack.) Hack. in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 432. 1889. Andropogon lateralis Nees var. subtilior (Hack.) Henrard. Med. Rijks-Herb. Leiden, 40: 42. 1 92 1 . Tipo: “prope Caldas, Mosén”. Andropogon incanus Hack., in A. DC.& DC., Monogr. phan. 6: 43 1 . 1 889. Andropogon lateralis Nees var. incanus (Hack.) Henrard, Med. Rijks-Herb. Leiden, 40: 42. 1921. Tipo: "Montevideo, Sellow s.n." (lectótipo W! designado por A. Zanin 2006). Andropogon incanus Hack. var. genuinus Hack., in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 43 1 . 1 889, nom. inval. Andropogon incanus Hack. var. ramosissimus Hack., in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 43 1 . 1 889. Andropogon lateralis Nees var. ramosissimus (Hack.) Henrard, Med. Rijks-Herb. Leiden 40: 42. 1 92 1 . Tipo: PARAGU A Y. Balansa 229. Andropogon incanus Hack. var. trichocoleus Hack. in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 432. 1889. Andropogon lateralis var. trichocoleus (Hack.) Henrard. Med. Rijks-Herb. Leiden, 40: 42. 1921. Tipo: PARAGUAY . Balansa 226 (holótipo G !). Fig. 2h Material selecionado: BRASIL. MATO GROSSO DO SUL: Bela Vista, I8.VI.1946, J. R. Swallen 94X0 (PEL). RIO GRANDE DO SUL: Eldorado do Sul, Estação Experimental da UFRGS, 1 8. XII. 1 9%, A. Zanin <í T. Canto- Dorow 367(ICN). SÃO PAULO: Itararé, 24.1.1996, //. M. Longhi-Wagner & A. Zanin 3140 (UEC, ICN). Nome vulgar: capim-caninha. Existem divergências na literatura quanto à área total de ocorrência de Andropogon lateralis subsp. lateralis, porém vários autores concordam com sua ocorrência na América do Sul austral, incluindo Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia. No Brasil, ocorre nas Regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, sendo muito abundante nos campos sulinos e diminuindo de forma significativa no sentido norte, alcançando seu limite setentrional no estado de Mato Grosso. Geralmente forma densas e extensas populações, fisionomicamente dominantes onde ocorre. Desenvolve-se cm ambientes variados, com solos secos, arenosos ou pedregosos, em ambientes turfosos, margens de cursos d’água e baixadas úmidas, onde é mais comum. Renvoize ( 1 984) referiu A. lateralis para a Bahia, citando quatro registros de coleta. Destes, apenas Salzmann s. n. não foi estudado, e os demais correspondem a A. ingratus, não sendo, portanto, confirmada a ocorrência de A. lateralis naquele estado. Coletada com flores e/ou frutos durante todo o ano. Zanin. A. & Longhi-Wagner H.M. 17b. Andropogon lateralis Nees subsp. cryptopus (Trin. ex Hack.) A. Zanin, Insula: 35: 60. 2006. A. glaucescens sensu Hack. var. lateralis (Nees) Hack. subvar. cryptopusTnn. ex Hack., in Mart. & Eichier, Fl. bras. 2(3): 289. 1 883. Andropogon incanus Hack. var. lateralis (Nees) Hack. subvar. cryptopus Trin. cx Hack. in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 432. 1 889. Tipo: "ad Rio Pardo, Riedcl” (holótipo LE, foto!). Fig. 2i Material selecionado: BRASIL. AMAZONAS: Humaitá, 15. VIII. 1980, A. Janssen <£ I. Gemtchujnicov 518 (CEN, SPF). GOIÁS: Alto Paraíso, Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, ca. 23 km do Parque para Alto Paraíso, 23. X. 1996, M.L Fonseca et al. 1296 (IBGE). MARANHÃO: Balsas, Projeto Geral de Balsas, 20. XI. 1 995, R. C. Oliveira & G. P. Silva 365 (CEN). SÃO PAULO: Angatuba, estrada para Itatinga, ca. 29 km de Angatuba, 27.1.1996, V. C. Souza et al. I0789( ESA). Ocorre especialmente em baixadas úmidas, brejos e margens de cursos d’água em formações de campo cerrado da região Centro Oeste do Brasil, sendo mais comum no Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso. Apresenta apenas dois registros ao norte do Brasil Central, para solos inundáveis de Humaitá (Amazonas) e para Balsas (Maranhão) em solo úmido c humoso. Ao sul, apresenta vários registros para Minas Gerais tendo seu limite meridional em campos de altitude do estado de São Paulo. Foi observada formando pequenas e densas populações, ou ocorrendo como indivíduos isolados, sempre associadas a ambientes úmidos. Coletada com flores e/ou frutos praticamente todo o ano, predominando nos meses de outubro a janeiro. 18 .Andropogon leucostachyus Kunth in Humb., Bonpl. & Kunth, Nov. gcn. sp. 1: 187. 1816. Tipo: “Venezuela, crescit in ripa rivulorum qui vallem percurrunt Caripensen Cumanensium, altit. 400” (holótipo P!). Andropogon virginicus sensu Hack. subsp. genuinus Hack. subvar. typicus Hack. in Mart. & Eichier, Fl. bras. 2(3): 286. 1 883, nom. inval. Andropogon leucostachyus Kunth subsp. genuinus Hack. subvar. typicus Hack. in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 420. 1889, nom. inval. Andropogon virginicus sensu Hack. subsp. genuinus Hack. subvar. mas Hack. in Mart. & Eichier, Fl. bras. 2(3): 286. 1883. Andropogon leucostachyus Kunth subsp. genuinus Hack. subvar. mas Hack. in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 420. 1 889. Tipo: “Brasilia, Sellow s. n.” (B síntipo!). Andropogon virginicus sensu Hack. subsp. genuinus Hack. subvar. subvillosus Hack. in Mart. Rodrtguésiá 621 1 ): 171 - 202 . 2011 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. Revisão taxonõmica de Andropogon do Brasil & Eichler, Fl. bras. 2(3): 286. 1883. Andropogon leucostachyus Kunth subsp. genuinus Hack. subvar. subvillosus Hack. in A. DC. & DC. Monogr. phan. 6: 420. 1 889. Síntipo: '“Prope Ilhéus (Riedel), inter Vitória et Bahia (Sello)”. Fig. 2j Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 50-1 10 cm. Bainhas foliares geralmente glabras, menos freqüentemente vilosas; lâminas 5-52 x 0, l-0,2(-0,35) cm, lineares, planas, ápice geralmente agudo, base reta, verdes nas duas faces, escabérulas ou escabérulo-vilosas nas duas faces, às vezes lanosas; lígula 0,5-2 mm compr., membranoso-ciliolada. In florescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axi-lares de 2-5 cm compr., estas com 2- 8 ramos florífcros simples. Pedicelos e entrenós da ráquis lineares, com tricomas 3-4 vezes o comprimento da espigueta séssil, distribuídos em toda a superfície abaxial ou apenas nas margens. Espiguetas sésseis 2,5-3,2(-3,8) mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo 3,2-7 mm compr., geralmentc aristadas, raro múticas, aristas 0,5-3 ,5 (-6 ) mm compr.; gluma inferior 2.5-3,2 x (),5-0.9 mm, levemente côncava lanceolada 2-nervada, sem nervuras e sem sulco entre as carenas; gluma superior 2-3 x 0.5-0.8 mm, 3-nervada; lema inferior 2-2.2 X 0.2-0.6 mm, 2-nervado; pálea ausente; lema superior 1 ,2-3 x 0.2-0.5 mm, 1 -nervado, aristado, raro mútico; pálea 0,8-1 x 0.1-0.6 mm; estames 3, anteras 0,5-0,8 mm compr., amarelas. Cariopse 1 ,5-2 x 0,5 mm. Espiguetas pediceladas neutras ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, de 0,4— 2(-2,5) x 0.05-0,2 mm, mais curtas e estreitas que a espigueta séssil. Nomes vulgares: capim-membeca, capim- colchão, capim-seda. Material selecionado: BRASIL. AMAZONAS: Manaus. Reserva Ducke, 28.V. 1986. J. Ferraz 2 (INP A). BAHIA: Ihicoara, A. Zanin et ai 780 (FLOR. SPF). ESPIRITO SANTO: Santa Tcreza, morro da estação repetidora de TV. s.d., H.Q.B. Fernandes 1136 (MBML). MATO GROSSO: Alto Araguaia. BR 364. 20 km da divisa Goiás/Mato Grosso em direção a Cuiabá, 26.X1. 1 997, A. Zanin et ai 655 (FLOR. SPF). PARANÁ: General Carneiro, saída BR 1 53 cm direção a Bituruna. 24.1. 1 997, A. Zanin i£ H.M. Longhi-Wagner 447 (FLOR, SPF). Espécie presente nas Américas Central e do Sul, México, Antilhas e Argentina. No Brasil, distribui-se em todas as Regiões, não apresentando registro apenas para o estado do Acre, onde muito provavelmente deve ocorrer. Ocorre como indivíduos isolados ou formando densas e extensas populações localmente dominantes. É uma espécie bastante Rodriguésia 62( l ): 171 -20Z. 20 1 1 193 indiferente quanto ao ambiente de ocorrência, estando presente geralmente em locais alterados das diferentes formações campestres do Brasil. Encontra-se em áreas descampadas, em beira de estradas, barrancos, áreas abandonadas de cultura, bem como em campos arbustivos e capoeiras, entre outros. Ocorre também em solos arenosos do litoral. Encontrada com flores e/ou frutos durante todo o ano. Andropogon leucostachyus caracteriza-se por apresentar inflorescências muito plumosas, com tricomas longos nos entrenós da ráquis e pedicelos, alcançando 3— í vezes o comprimento da espigueta séssil. Assemelha-se a A. selloanus, da qual diferencia-se especialmente por apresentar lâminas foliares mais estreitas e de ápice agudo, sendo este obtuso em A. selloanus. Além disso, A. leucostachyus geralmente forma touceiras mais densas, com inflorescências mais delicadas, contendo espiguetas sésseis de dimensões menores do que em A. selloanus. Há também diferenças na superfície do fruto vistas em microscopia eletrônica de varredura entre estas duas espécies. Em A. leucostachyus, as paredes anticlinais longitudinais são onduladas e delgadas, sem projeções, e as periclinais lisas, enquanto em A. selloanus as paredes anticlinais longitudinais são sinuosas e angulosas, espessas, com ou sem projeções, c as periclinais rugosas (Zanin & Longhi- Wagner 2001). 19. Andropogon lindmanii Hack. in Lindm. Kongl. Svenska Vetenskapsakad. Handl. 346: 6. 1 900. Tipo: in Brasilia australi. Rio Grande do Sul, Quinta prope Oppidium São Pedro do Rio Grande, locis arena mobili obtectis, mens. dec. florens, C.A.M. Lindman, Exp. I. Regnellian. A. 855” (holótipo S! , isótipos S, W!). Fig.2k Plantas perenes, cespitosas, sem rizomas, 70- 105 cm. Bainhas foliares glabras; lâminas 7,5—15 x 0, 1 5-0,4 cm, lineares, planas ou conduplicadas, às vezes convolutas, ápice agudo ou apiculado, apículo quebrando facilmente, ficando o ápice subagudo ou obtuso, base reta, glaucas na face adaxial c verdes na abaxial, escabras ou vilosas na face adaxial, glabras na face abaxial; lígula 1,2-2 mm compr., membranoso-ciliolada. Inflorescências laxas, alongadas, compostas por unidades de inflorescência terminais e axilares de 4-6 cm compr., estas com 2— 3(— 4) ramos floríferos simples. Pedicelos e entrenós da ráquis lineares, com tricomas 3-4 vezes o comprimento da espigueta séssil, distribuídos em toda a superfície abaxial. SciELO/JBRJ 13 14 15 194 Zanin. A. & Longhi-Wagner H.M. Espiguctas sésseis 3, 1-4,5 mm compr., monoclinas, calo piloso, os tricomas mais longos atingindo (2— )3 — 4(— 6) mm compr., aristadas, arista 4-10,5 mm compr. ; gluma inferior 3, 1 -4,6 x 0,7- 1 ,4 mm, levemente côncava, lanceolada, 2-nervada, sem nervuras e sem sulco entre as carenas; gluma superior 3, 1-4,1 x 0,8-l,5 mm, 3-nervada; lema inferior 2.3-3 x 0.4-0.7 mm, 2-nervado; pálea ausente; lema superior 1, 5-2,7 x 0.2-0.5 mm, 1- nervado, aristado; pálea 0.5-1, 3 x 0, 2-0,5 mm; estames 3, anteras 0, 6-0,9 mm compr., amarelas. Cariopse 1 ,5-3 x 0,5 mm. Espiguetas pediceladas geralmente estaminadas ao longo e no ápice dos ramos floríferos das unidades de inflorescência, raramente neutras na mesma planta, estas de 3-4 x 0,1 mm; espiguetas estaminadas 4,2-6, 1 mm compr., múticas; gluma inferior 4,2-6, 1 x 1 mm, simétrica, 5-7-nervada; gluma superior 3,9-4,6 x 1-1,5 mm; lema inferior 3, 1-4,9 x 0,9-1, 2 mm; pálea ausente; lema superior 2.4-4 x 0,6-1 ,2 mm; pálea 0,4-1 x 0,2-0,3 mm; estames 3, anteras 1 .5- 2,2 mm compr., amarelas. Material selecionado: BRASIL. SANTA CATARINA: Içara, Balneário Rincão, entre Lagoa dos Esteves c Lagoa Faxinai. 22.X11. 1998, A. Zanin . Acesso em Setembro 2010. Trinius, C.B. 1832. Andropogineorum genera. Mém. Académie Impériale des Sciences de Saint- Petersbourg ser. 6, Sei. Math. Nat. 2: 239-290. Zanin, A. & Longhi-Wagner H.M. * Zanin, A. 200 1 . Revisão de Andropogon L. (Poaceae - Panicoideae - Andropogoneae) no Brasil. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, São Paulo. 404p. Zanin, A. 2006. Uma nova combinação em Andropogon L. (Poaceae - Andropogoneae). Insula 35: 51-67. Zanin, A. &Uonghi-Wagner, H.M. 2001 . Micromorfologia da superfície do fruto em espécies de Andropogon L. (Poaceae) ocorrentes no Brasil. Insula 30: 35-46. Zanin, A. & Longhi-Wagner, H.M. 2005. LectotypiFications in the genus Andropogon (Poaceae). Novon 15: 250-252. Zanin, A. & Longhi-Wagner, H.M. 2006. Sinopse do gênero Andropogon L. (Poaceae-Andropogoneae) no Brasil. Revista Brasileira de Botânica 29: 289-299. Artigo recebido em 24/02/2010. Aceito para publicação em 27/09/2010. Rodriguésia 62( 1 ): 171 -202. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 Rodriguésia 62(1): 203-212. 2011 http://rodriguesia.jbrj.gov.br w mw SEM studies on the leaf indumentum of six Melastomataceae species from Brazilian Cerrado 1 Microscopia eletrônica de varredura do indumento foliar de seis espécies de Melastomataceae do cerrado Camilla Rozindo Dias Milanez 2 & Silvia Rodrigues Machado 3 Abstract The wide diversity of thcir trichomes, which vary from simple unicellular to very complex structures, is a remarkable characteristic in Melastomataceae. This papcr characterizes the leaf indumentum of Miconia albicans (Sw.) Triana, M. chamissois Naudin, M. fallax DC., M. ligiistroides (DC.) Naudin, Microlepis oleaefolia (DC.) Triana and Rhynchanthera dichotoma DC., typical species from Brazilian cerrado. Samples collected from the median third of young and mature leaf blades wcre processed following the usual scanning electron microscopy techniques (SEM). We observed ten morphological types of trichomes and four of emergences. With five different types, four of which are reported for the first time, Rhynchanthera dichotoma is the species that presents the most diverse indumenta. A mixed type of trichome formed by a glandular and a branchcd non-glandular portion called “lateral-gland” was observed in M. ligustroides. Such non-glandular portion presents different degrees of dcvelopment. A correlation is suggested between the stage of dcvelopment of the non-glandular portion and the exposition to light of these "lateral gland” on young leaves. Key words: emergence, leaf, trichome, morphology. Resumo A grande diversidade de tricomas, variando desde estruturas unicelulares a tricomas muito complexos é uma característica marcante em Melastomataceae. Este trabalho caracteriza o indumento foliar de Miconia albicans (Sw.) Triana, M. chamissois Naudin, M. fallax DC., M. ligustroides (DC.) Naudin, Microlepis oleaefolia (DC.) Triana e Rhynchanthera dichotoma DC., espécies típicas do cerrado brasileiro. Amostras retiradas do terço mediano do limbo de folhas jovens e adultas foram processadas segundo técnicas usuais para microscopia eletrônica de varredura (MEV). Verificaram-se dez tipos morfológicos de tricomas e quatro de emergências. Rhynchanthera dichotoma foi a espécie que apresentou maior diversidade de indumento, cinco, sendo que destes, quatro foram registrados pela primeira vez. Um tipo misto de tricoma constituído por uma porção glandular e outra não-glandular rami ficada, denominado de “lateral-gland”, foi observado em M. ligustroides. A porção não-glandular apresentou diferentes graus de desenvolvimento. Sugere-se uma correlação entre o grau de desenvolvimento da porção não-glandular e a exposição à luz destes tricomas em folhas jovens. Palavras-chave: emergência, folha, tricoma, morfologia. Introduction Melastomataceae is the largest family of Myrtales, with 1 66 gencra and approximately 4,570 species, predominantly distributed in tropical and subtropical regions (Clausing & Renner 2001). In Brazil, it is one of the most representative families of the Cerrado flora, with about 237 species, predominantly shrubs (Mendonça et al. 1998). According to W urdack ( 1 986), Melastomataceae present the most diverse indumentum types among the angiosperms, even though only about 1 1% of the neotropical species have been studied. The type of indumentum and lhe morphology of trichomes are important to classify Melastomataceae and circumscribe their genera and species (Wurdack 1986; Guimarães & Martins 1 Part of the first authoris doctoral dissertation. Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas, Universidade Estadual Paulista. 3 Universidade Federal do Espírito Santo, Depto. Ciências Biológicas, Setor dc Botânica, Av. Fernando Ferrari 514, 29075-910, Vitória, ES, Brasil. Corresponding author: camilla.milanez@gmail.com J Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biocièncias, Depto. Botânica, C.P. 5 1 0, 1 8618-000, Botucatu, SP, Brasil. SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 cm .. 204 1997; Guimarães et al. 1999), and often allow to recognize species even in a vegetative State (Guimarães & Martins 1997). Studies on leaf indumentum usually analyze dried malure leaves of herbarium specimens, which may lead to erroneous interpretations since some trichomes are persistem while others fali during leaf development (Uphof 1962). In addition, the distinction between the types of trichomes and the structure of the indumentum is not often clearly drawn in the literature. Such distinction is important in an ecological eontext because it is Iikely that environment has a greater influence on indumentum modifications than on changes in the type of trichome (Johnson 1975). Developmental patterns are not easily categorized since trichomes are produced on almost all plant organs at various stages of their development. Trichome production may continue through ontogeny, and as a consequence, different kinds of trichomes may be produced at different degrees of development (Hammond & Mahlberg 1973; Johnson 1975). Evidence from the ontogenetic and developmental studies indicate that pubescence is related to genetic control and environmental factors, especially to availability of water regimes and radiation, since it is stimulated by red and inhibited by far-red radiation, as a typical example of the phytochrome reaction (Johnson 1975; Gitz & Liu-Gitz 2003). Usually, leaves developing in environments with high radiation tend to show high trichome density (Crawley 1997; Sandquist & Ehleringer 1997). In this paper, we characterized the leaf indumentum of young and mature leaves of Melastomataceae species occurring in the Brazilian Cerrado as a framework for taxonomic and ecophysiological studies. Milanez, C.R.D. & Machado, S.R. 0 Material and Methods Plant material Studied species are: Miconia albicans (Sw.) Triana, Miconia chamissois Naudin, Miconia fallax DC., Miconia ligustroides (DC.) Naudin, Microlepis oleaefolia (DC.) Triana and Rhynchanthera dichotoma DC. They were selected because of their importance index at a well-preserved fragment of cerrado located at the “Palmeira da Serra Reserve” in the township of Pratânia, State of São Paulo (22°48’50.2”S and48°44’35.8”W), Brazil. Voucher specimens were deposited at the Herbarium of the Department of Botany (BOTU), Botucatu Campus, Universidade Estadual Paulista, Brazil. Each species data are listed in Table 1 . Study site The study site is a seasonal savanna referred as Cerrado (Oliveira & Marquis 2002). This biome is extremely variable in physiognomy and ranges from open grasslands to forests with a discontinuous layer of deciduous and ever-green trees with a low and shrubby growth form. Most trees and shrubs have thick bark, twisted trunks and scleromorphic leaves (Franco 2002). Soils are deep, strongly acid dystrophic latosols, with high aluminum contents. Climate is Cwb (mesothermal with dry winters) according to Kõppen’s (1931) classification. The warmest month presents an average temperature inferior to 22"C, and July is the coldest and driest month of the year. Annual rainfall is 1 ,534 mm, with a distinct dry season from May to September (81-89 mm, respectively). Average (diurnal) relative humidity is around 80% during the rainy season, but it drops to 55% during the dry season when daily minimum relative humidity reaches values around 15%. Mean annual temperature is about 20,3"C. Table 1 - Melastomataceae species studied and their respective environment at cerrado vegetation, habit and herbarium record. Species Environment Habit BOTU Herbarium Miconia albicans (Sw.) Triana Cerrado stricto sensu Shrub 24,283 Miconia chamissois Naudin Border of gallery forest Shrub 24,284 Miconia fallax DC. Cerrado stricto sensu Shrub 24,285 Miconia ligustroides (DC.) Naudin Border of gallery forest Shrub 24,286 Microlepis oleaefolia (DC.) Triana Border of gallery forest Shrub 24,287 Rhynchanthera dichotoma DC. Wet open site Sub-shrub 24,288 Rodriguésia 62 ( 1 ): 203 - 212 . 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 Leaf indumentum of Melastomataceae species from Brazilian Cerrado 205 Scanning electron microscopy study (SEM) Leaf blade samples were taken from the median third of young and mature functional leaves, situated between the 2" d and 6' h nodes from the apical bud downwards. Materials were collected from three specimens of each species and processed for analysis by scanning electron microscopy (SEM). Samples were fixed in glutaraldehyde (2.5% with 0.1 M phosphate buffer, at pH 7.3; ovemight at 4°C), dehydrated in a graded alcohol series, critical-point dried (Robards 1978), mounted on aluminum stubs, gold-coated and examined with a Phillips 515 scanning electron microscope. The terminology employed to describe indumenta follows Payne (1978), Theobald et al. ( 1 979), Wurdack ( 1 986) and Mentink & Baas ( 1 992). Resulte The analysis of the leaf surfaces of lhe species under study revealed the occurrence of 1 4 different morphological types of indumenta: Miconia albicans (Sw.)Triana Fig. 1 a-b Type I: Non-glandular, vermiform, feiruginous trichomes (Fig. 1 a-b). They occur on the suiface of young and mature leaves. On young leaves, they fonn a dense indumentum on both surfaces. On mature leaves, they form a dense cover on the abaxial surface (Fig. la) but are restricted to the midrib region on the adaxial surface (Fig. 1 b). Miconia chamissois Naudin Fig. 1 c-d Type II: Sessile to short-stalked non- glandular stellate trichomes, covered with alveolar cuticle (Fig. 1 c-d); they are present on both surfaces of young leaves, and distributed along the veins and the intercostal regions. Mature leaves are glabrous. Miconia fallax DC. Fig. 1 e-f Type III: Sessile to short-stalked non-glandular stellate trichomes (Fig. le-f); occurring on both surfaces of young leaves and on the abaxial surface of mature leaves, forming a dense cover. They are predominantly distributed in the intercostal regions. Miconia ligustroides (DC.) Naudin Fig. 2 a-f Type IV: Glandular trichomes, predominantly short-stalked, prostrate, with an elongated, slightly roughened, multicellular glandular head (Fig. 2a-c). On young leaves, they are abundant in the intercostal region of the abaxial surface (Fig. 2a). On mature leaves (Fig. 2b), they occur on both surfaces and are distributed along the veins and in the intercostal regions. Type V: Lateral glands (Fig. 2a-e). A mixed type of hair formed by glandular and non-glandular portions; lhe non-glandular portion is usually branched and may present different degrees of development (Fig. 2c-e). Always prostrate, the glandular portion consists of a short or long stalk and an elongated, biseriate glandular head (Fig. 2c- e). In the intercostal regions of the abaxial surface of young leaves, hairs present a poorly developed, often bifurcated non-glandular portion (Fig. 2c-d). Trichomes whose non-glandular portion is highly developed and branched occur predominantly on the veins of the abaxial surface of young leaves (Fig. 2a, e) and on the adaxial surface of mature leaves (Fig. 2b). Type VI: Non-glandular emergences with a multiseriate wide base and piercing ápices (Fig. 2b, f). They occur along the margins of young and mature leaves. Microlepis oleaefolia (DC.) Triana Fig. 3a-c Type VII: Dendritic, long-stalked, multiseriate non-glandular hairs, uniformly branched (Fig. 3a). They occur on the abaxial surface of young and mature leaves and are distributed over the whole surface. Type VIII: Dendritic, predominantly short- stalked, non-glandular emergences, uniformly branched (Fig. 3b). They occur on the adaxial surface of young and mature leaves, where they form a dense cover. Type IX: Glandular, short-stalked hairs with a multicellular glandular head (Fig. 3c). They occur on the abaxial and adaxial surface of both young and mature leaves. Rhynchanthera dichotoma (Desr.) DC. Fig. 3d-h; 4a-g Type X: Glandular, long-stalked emergences with a pedestal base and a multiseriate, ovate multicellular glandular head (Figs. 3d-g; 4a, 0- They are present on both surfaces of young and mature leaves, distributed along the veins and in the intercostal regions. Visible to the naked eye, they stand out by their reddish color due to abundant anthocyanins. Type XI: Glandular, long-stalked emergences with a pedestal base and a multiseriate, branched multicellular glandular head (Fig. 4a-d). The Rodriguésia 62 ( 1 ): 203 - 2 1 2 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 cm .. Figure 1 - a-f. Leaf indumentum of Melastomataceae from cerrado, a-b. Mature leaf of Miconia albicans - a. abaxial surface showing vermiform trichomes; b. adaxial surface showing trichomes restricted to midrib. c-d. Young leaf of Miconia chamissois - c. abaxial surface showing non-glandular, stellate trichomes covered with alveolar cuticle; d. detail of trichomes. e-f. Mature leaf of Miconia fallax - e. abaxial surface showing dense indumentum; f. detail of non-glandular, stellate trichomes. Scale bars: a = 66.7 gm; b = 64.5 gm; c = 71 .4 gm; d = 48.8 gm; e = 91.2 gm; f = 62.5gm. Rodriguésia 62 ( 1 ): 203 - 2 1 2 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 Leaf indumentum of Melastomataceae species hom Brazilian Cerrado 207 Figure 2 - a-f. Leaf indumentum of Miconia ligustroides - a. abaxial surface of a young leaf showing glandular trichomes and lateral glands; b. adaxial surface of a mature leaf showing glandular trichomes, lateral glands and non- glandular emergences; c. detail of a glandular trichome and lateral gland; d. lateral glands showing non-glandular portion slightly developed; e. lateral gland with a highly developed, branched non-glandular portion. The arrow indicates the glandular portion of a lateral gland; f. detail of a non-glandular emergence. (GT = glandular trichome; LG = lateral gland; NE = non-glandular emergence). Scalebars: a= 194.1 pm; b = 285.7 pm; c = 23.3 pm; d = 26.7 pm; e =1 6.7 pm; f = 74pm. Rodriguésia 62(1): 203-212. 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm 1 !scíelo/jbrj Figure 3 - a-h. Leaf indumentum of Melastomataceae from cerrado, a-c. Mature leaf o íMicrolepis oleaefolia - a. abaxial surface showing dense indumentum composed of dendritic, long-stalked trichomes; b. adaxial surface covered with dendritic, non-glandular emergences; c. detail of a glandular trichome on the adaxial surface. d - h. Abaxial surface of a mature leaf of Rhynchanthera dichotoma - d. general aspect; e. detail of the previous figure, showing long-stalked glandular emergences, and a glandular trichome; f. aspects of glandular emergence, glandular trichome, and sessile gland on the intercostal region; g. aspects of glandular emergence with a pedestal base, and glandular trichome on a secondary vein; h. detail of a non-glandular trichome and a glandular trichome. (GE = glandular emergence, GT — glandular trichome, NT = non-glandular trichome; SG = sessile gland). Scale bars: a= 105.3 pm; b = 51.3 pm, c — 27.8 pm, d — 645.2 pm, e = 1 66.7 pm; f = 47.6 pm; g = 9 1 pm; h = 25.6 pm. Rodríguésia 62 ( 1 ): 203 - 2 1 2 . 20 1 1 208 Milanez, C.R.D. & Machado, S.R. cm l SciELO/ JBRJ Figure 4 - a-g. Indumentum abaxial surface of a mature leaf of Rhynchanthera dichotoma - a. general aspcct showing a variety of trichomes and emergences; b. detail of a long-stalked emergence with a branched glandular hcad (arrow); c. detail of the base of a glandular emergence, showing stomata (arrows). Note glandular trichomc; d. detail of the branched glandular head of an emergence; e. glandular trichomes distributed along a secondary vein; f. glandular trichome, sessile gland and glandular emergence distributed along the intercostal region; g. detail of a non-glandular trichome and a glandular trichome. (GE = glandular emergence; GT = glandular trichome; NT = non-glandular trichome; SG = sessile gland). Scale bars: a = 400 gm; b = 166.7 gm; c = 38.5 gm; d = 18.9 gm; e = 87 gm; f = 91.5gm; g = 35.1 gm. Rodriguésia 62(1): 203-2 1 2. 20 1 1 209 Leaf indumentum of Melastomataceae species from Brazilian Cerrado 210 Milanez. C.R.D. & Machado, S.R. presence of stomata at the base of these emergences is commonly observed (Fig. 4c) along the margins of young and mature leaves. Visible to the naked eye, their reddish color is due to abundant anthocyanins. Type XII: Claviform, short-stalked glandular hairs wilh a multicellular glandular head (Figs. 3e-h; 4a, c, e-g), occurring on both surfaces of young and mature leaves. Type XIII: Spherical, sessile glands (Figs. 3f; 4f) present on both surfaces of young and mature leaves, except on the veins. Type XIV: Short, multiseriate, ercet (Fig. 3h) or declined (Fig. 4g) non-glandular hairs observed in the intercostal regions of both surfaces of young and mature leaves. Discussion Trichomes were usually denser on the young leaves of all the species studied here. The functions and adaptive value of trichomes include protection against solar radiation, reduction of water loss, protection against predators, and physical control of materiais and metabolic regulation (Johnson 1975). Therefore, the presence of a dense indumentum on young leaves which are frequently devoid of olhertypes of protection, such as waxy deposits or lignified tissues, for example, may represent an important factor of adaptation to the Cerrado conditions of intense solar radiation and high temperatures (Coutinho 2002; Oliveira & Marquis 2002). On the other hand, the highly reflexive adaxial surfaces of glabrous mature leaves, as observed in Miconia albicans, M. cltamissois and M.fallax can act analogously to trichomes and reflect a large part of the incident light, thus being of great value to protect against excessive insolation, desiccation and thermal variations (Hallé et al. 1978; Ehleringer& Mooney 1984). The results of this study corroborate previous reports on the wide diversity of indumenta and the predominance of varied and complex forms of hairs among Melastomataceae (Solereder 1908;Metca!fe&Chalk 1950; Wurdack 1 986; Guimarães et al. 1999). Rhynchanthera dichotoma presented a great morphological variety of foliar indumenta, and four morphological types of hairs are described for the first time: glandular claviform trichomes; long-stalked glandular emergences with branched multicellular glandular heads; sessile glands; and short, multiseriate non- glandular trichomes. Wurdack (1986) recorded lhe occurrence of long-stalked glands with thin- walled heads on the hypanthium and the adaxial surface of leaves of R. dichotoma. The sessile and spherical glands observed on the surface of R. dichotoma leaves are similar to the trichomes described by Metcalfe & Chalk (1950) as “bladder-like glands”. These glands are similar to the pearl-like ones observed in Piper regnellii, which were related to mucilage and protein secretion (Silva & Machado 1 999). A mixed type of trichome formed by a glandular part and a branched, non-glandular portion similar to a lateral-gland, reported by Wurdack (1986) on the leaves of Miconia glyptophylla and M. plumifera var. bangii, was also observed on the surface of young and mature leaves of Miconia ligustroides. In the present work, the variable degree of ramification of the non-glandular portion was a remarkable feature of these struetures. The young leaves of M. ligustroides occupy a vertical position, thus exposing the abaxial surface to radiation; on this face, veins are very prominent and exposed to radiation, while the intercostal areas are shadowed and protected from light. The intercostal areas Show a predominance of lateral glands whose non- glandular portion was little developed, while the veins showed lateral glands with a highly branched non-glandular portion. Recent studies demonstrated a functional link between UV radiation and drought that acts on the induction of trichome development. UV signal perception can lead to photomorphogenic responses as trichomes differentiation which may confer adaptive advantages under abiotic stress conditions associated with high-light environments, such as water stress (Gitz & Liu- Gitz 2003). In our opinion, this is a very interesting species to study trichome morphogenesis. The presence of vermiform hairs on the abaxial surface of Miconia albicans leaves was also observed by Wurdack (1986). Guimarães et al. (1999) also recorded this type of trichome in Tibouchina chamissoana and T. heteromalla, characterizing them as a tangle of smooth and long hairs present on the abaxial surface of the leaves. According to Baumgratz & Ferreira (1980), the upper surface of M. albicans leaves is glabrous, while its lower surface is pilose. In the present study, we also observed vermiform Rodriguésia 62 ( 1 ): 203 - 2 1 2 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Leal indumentum of Melastomataceae species from Brazilian Cerrado 211 trichomes distributed along lhe midrib on lhe adaxial surface of inature leaves. These trichomes are abundant on bolh surfaces of young leaves and on the abaxial surface of mature leaves. As for Miconia chamissois , our findings are congruent wilh previous descriptions classifying the mature leaves of this species as glabrous (Martins et al. 1996; Reis et al. 2005). However, it is worth noting that short stellate trichomes covered with alveolar cuticle are present on both surfaces of young leaves. Miconia fallax showed sessile, short-stalked, stellate non-glandular hairs on both surfaces of young and mature leaves. Martins et al. (1996) described this indumentum as stellate canescent, with lhe upper surface of the leaf glabrous and the lower surface densely covered with stellate non-glandular hairs. The morphology of the non- glandular trichomes observed on the young and mature leaves of Microlepis oleaefolia is similar to that described by Mentink & Baas ( 1 992) and Reis et al. (2005). Considering the species here studied, leaf indumentum constitutes an important instrument to circumscribe genera and species of Melastomataceae, as was pointed out by different authors (Wurdack 1986; Guimarães & Martins 1997; Guimarães et al. 1999). Acknowledgments We thanks FAPESP for financial support to this study (C.R.D. Milanez scholarship Process DR 03/00958-8 and Biota Program Process 00/ 12469-3), CNPq (Research grant to S.R. Machado) and the technical team of the Institute of Biosciences’ Electron Microscopy Center, UNESP Botucatu, SP, Brazil, for their assistance in prcparing the samples. We also thank Dr. Angela Borges Martins, from the Institute of Biosciences at UNICAMP, for identifying the botanical material. References Baumgratz, J.F. & Ferreira, G.L. 1980. Estudo da nervação e epiderme foliar das Melastomataceae do Município do Rio de Janeiro. Gênero Miconia. Seção Miconia. Rodriguésia 32: 161-170. Clausing, G. & Renner, S.S. 2001. 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Os polinizadores (abelhas sociais e solitárias), no entanto, foram observados coletando apenas pólen. As visitas, que podem durar de um a poucos segundos até mais de um minuto, acontecem desde o momento da abertura das flores (ca 5:30 h) até o fenecimento. Cada flor dura cerca de oito horas. Todos os indivíduos das populações produzem apenas flores hermafroditas. A porcentagem de grãos de pólen viáveis é de 75%. As populações estudadas são auto- incompatíveis e, como consequência, polinizadores são necessários para transferência de pólen. Em condições naturais e a partir das polinizações cruzadas realizadas manualmente, todos os receptáculos apresentaram aquênios maduros. Através das análises dos tubos polínicos das flores autopolinizadas manualmentc, e devido ao fato dos aquênios derivados desse tratamento abortarem cerca de 30 dias a partir das autopolinizações, aparentemente, as populações de E. grandiflorus estudadas apresentam um mecanismo de auto-esterilidade de ação tardia. Palavras-chave: Alismataceae, auto-compatibilidade, biologia da polinização. Abstract The reproductive biology and the pollination of Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli were studied in populations native to interior of the State of São Paulo, Brazil. This species blossoms in summer and its flowers offer both néctar and pollen as rewards to pollinators. Néctar is produced in nectaries located at the base of the marginal carpels, opposite the pelais. However, the effective pollinators (social and solitary bees), were recorded collecting pollen only. Visits, which can last ffom one or a few seconds to more than one minute, occur during the whole flower lifespan. Each flower opens at about 5:30 a.m. and lasts circa eight hours. All plants in the studied populations produce only hermaphrodite flowers. Percentage of pollen viability is 75%. The studied populations are self-incompatible and, as a consequence, pollinators are needed to transfer pollen among individuais. In natural conditions and after hand cross-pollinations, all receptacles presented mature achenes. Based on the analyses of pollen tube growth ffom hand self-pollinatcd flowers, and as a consequence of achenes abortion circa 30 days after sclf-pollinations, the populations of E. grandifloius studied apparcntly presents a mechanism of late-acting self-sterility. Key words: Alismataceae, pollination biology, self-compatibility. Introduction Alismataceae is subcosmopolitan and it is represented in the temperate, subtropical and tropical regions of both hemispheres (Haynes & Holm-Nielsen 1994). This family includes circa 80 species distributed in approximately 1 1 genera, three of which occur in Brazil: Echinodorus Rich., Sagittaria L. and Helanthium (Benth. & Hook.f.) Engelm. ex J.G. Sm. Echinodorus is one of its largest genera, with 26 species distributed exclusively on the American Continent, from Northern United States to Argentina (Rataj 1978). In the State of São Paulo, Echinodorus is represented by seven species that grow in aquatic habitats, since they are found in fresh or briny water or on marshy soils (Pansarín & Amaral 2005). 'University of São Paulo, FFCLRP, Dept. Biology, Av. Bandeirantes 3900, 1 4040-901 , Ribeirão Preto, SP, Brazil. Corresponding authon epansarin@lTclrp.usp.br 2 State University of Campinas, Post-Graduation Program in Plant Biology, Institute ofBiology, Dept. Plant Biology, C.P. 61 09, 13083-970, Campinas, SP, Brazil. SciELO/JBRJ 3 14 15 16 17 18 19 214 Pansarin, E.R. & Pansarín, LM. Data on the floral and reproductive biology involving neotropical species of Echinodorus are scarce in the literature and only concern two species: E. longipetalus Micheli (Pansarin 2008) and E. grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli (Vieira & Lima 1 997), which are pollinated by native bees (Vieira & Lima 1997; Pansarin 2008). The main characteristic used to differentiate Echinodorus and Sagittaria, two genera occurring in Brazil, is the production of hermaphrodite and unisexual flowers, respectively (Haynes & Holm- Nielsen 1994; Pansarin & Amaral 2005). Yet, Pansarin (2008) reported the occurrence of gynodioecy for E. longipetalus, in populations of rural areas of the State of São Paulo. According to the classification by Haynes & Holm-Nielsen (1994), E. grandiflorus present two subspecies. Both occur in the State of Minas Gerais and present different reproductive systems: E. grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli ssp. aureus (Fasset) Haynes & Holm-Nielsen is self-compatible, while E. grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli ssp. grandiflorus Haynes & Holm-Nielsen is self- incompatible (Vieira & Lima 1997). Nevertheless, phylogenetic analyses based on morphological (Lehtonen 2008) and molecular (Lehtonen & Myllys 2008) data show that E. grandiflorus is part of a paraphyletic group. Based on such data, Lehtonen (2008) currently considers E. grandiflorus ssp. aureus as a synonym for E. floribundus (Seub.) Seub. and E. grandiflorus ssp. grandiflorus as a synonym for E. grandiflorus. Echinodorus grandiflorus ( sensu Lethonen 2008) occurs in South America and in Florida (U.S.A.). In the State of São Paulo, it is a widespread species, found throughout the State (Pansarin & Amaral 2005). Its flowers are hermaphrodite (Vieira & Lima 1997; Pansarin & Amaral 2005; Pansarin 2009), and offer both pollen and néctar to their visitors (Vieira & Lima 1997). Campbell (1987) discussed the problems brought on by generalizations made in studies on floral biology carried out in a single study region. When studies involving widely distributed species are carried out in more than one area, differences are observed with regard to their pollination systems (Smith & Snow 1976; Cole & Firmage 1984). Based on these assertions, the present work investigated the reproductive system of E. grandiflorus in populations native to the rural area of Ribeirão Preto, State of São Paulo, through studies on floral morphology, pollinators and pollination mechanisms, reproductive systems and fruiting rates in natural environments. Material and methods Place of study This study was carried out in marshy areas of rural areas around Ribeirão Preto, State of São Paulo, namely in the townships of Jaboticabal (circa 2 1 ° 1 5’ S and 48° 1 9’ W), Luiz Antônio (circa 21 °33 ’ S and 47°42’ W), Matão (circa 2 1 0 1 6’ S and 48°22’W) and Sertãozinho (circa 21°08’S and 47°59’ W). The region of Ribeirão Preto is located in the northwestern part of the State of São Paulo and has a mean altitude of 555 m, with regular reliefs and some plateau areas. Mean annual temperature varies between 17°C and 28°C. Climate is mesothermic, with humid summers and dry winters, considered as “Cwa” in Kõppen’s classification (1948). The rainy season and high temperatures occur from October to March, and the dry season from May to August. Dark red latosol, sandy phase, originating from sandstones, covers almost half of the territory of the region. Purple latosol is found in the lower parts of the territory and it originates from the decomposition of basaltrocks (e.g., Centurion et al. 1995; Pissarracffl/. 2004). The native flora is predominantly composed by mesophytic, seasonal semi-deciduous forests. Yet, the advance of monocultures, initially coffee and, more recently, sugar cane, has significantly reduced native wood areas in that region. Nowadays only forest fragments remain, essentially on ri ver and creek banks (Pinto 1989). Studied species Echinodorus grandiflorus is found in aquatic habitats and on marshy soils (Pansarin & Amaral 2005). It is easily recognized by it large leaf blades usually oval, with cordate base and translucent marks forming points or points and lines. Echinodorus grandiflorus also has very characteristic paniculiform cymose inflorescences that produce many white flowers. Gynoecium is apocarpic and androecium presents many stamens free from each other. Fruits are achenes (Haynes & Holm-Nielsen 1994; Pansarin & Amaral 2005). Floral phenology and morphology Visits to field were conducted monthly, from November 2007 to March 2008, in order to determine Rodriguésia 62 ( 1 ): 2 1 3 - 22 1 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 Reproductive biology of Echinodorus grandiflorus 215 the phenological patterns of Echinodorus grandiflorus in the stuclied populations. To do so, we surveyed leaf, inflorescence, flower, and fruit production periods. We also controlled the time and sequence of anthesis, the duration of each flower, in addition to the reward availability and production period checked while observing pollinators and pollination mechanisms. During flowering period, between October and March, field visits were intensified to obtain more data on the floral and reproductive biology of this species. The fresh material of flowers of Echinodorus grandiflorus collected in the townships of Matão (n = 98; 49 plants; 49 inflorescences), Jaboticabal (n = 60; 3 plants; 3 inflorescences), Sertãozinho (n = 60; 4 plants; 4 inflorescences) and Luiz Antonio (n = 30; 1 plant; 1 inflorescence) was analyzed with the help of magnifying glass binoculars. We observed the form, symmetry, disposition and size of floral structures such as sepals, petals, anthers, and related them to both the morphological features of the pollinators and the pollination mechanism (Faegri & van derPijl 1980). To investigate the occurrence of gynodioecy, the production of pollen grains by the anthers of fresh flowers collected in the field (n = 98) was verified according to Pansarin (2008). Furthermore, lo ascertain pollen grain viability, anthers were macerated in a solution of acetic carmine and observed under an optical microscope (Radford et al. 1974). For each flower 200 pollen grains were sampled. The anatomical analyses of the néctar secreting structures were carried out on newly opened flowers (n = 6) collected in the field. Flowers were previously fixed in FAA 50% (Johansen 1940) and dehydrated in butyl series (tertiary butyl alcohol), embedded in paraffin according to the method described in Sass (1951) and cut with a rotative microtome. The cuts (4 pm) were then stained with safranin and Astra blue 1%, and the slides were mounted in synthetic resin. Plant material was deposited at the herbarium of the Uni versity of São Paulo (SPFR): E.R. Pansarin & J.F. Sicchieri 1275, 1288, 1289 and 1 290. Reproductive system Between November 2008 and February 2009, treatments were carried out to verify the reproductive system of Echinodorus grandiflorus in the populations of the township of Sertãozinho (4 plants; 5 inflorescences), Matão (3 plants; 4 inflorescences), Jaboticabal (3 plants; 3 inflorescences) and Luiz Antonio (2 plants; 2 inflorescences). Four types of treatments were performed on inflorescences previously enclosed in tulle bags (Keams & Inoye 1993): hand self- pollination (n = 240), spontaneous self-pollination (n = 189), cross-pollination (n = 129) and emasculation (n = 60). Treatments were randomly applied to each inflorescence. Floral buds were emasculated before the occurrence of anthesis (circa 5:00 a.m.) and cross- and self-pollinations were performed between 8:30 a.m. and 1 0:30 a.m. In addition, both hand self-pollinations (n = 30) and cross-pollinations (n = 30) were carried out on individuais lhat had been collected in the field (population of Matão) and were culti vated for over a year in the aquatic plant tanks of the Sector of Botany (Department of Biology, FFCLRP, USP), municipality of Ribeirão Preto (circa 21°09’S and 47°5 1 ’ W). Pollen tube growth of the aborted flowers produced through self-pollinations was analyzed. Flowers were fixed in Carnoy’s solution for 24 h, and then transferred to 70% alcohol. To mount the slides, the material was then immersed in NaOH for a mean time of 30 minutes, washed in distilled water, stained with aniline blue, compressed under a coverslip and observed under a fluorescence microscope (Martin 1959). Fruiting rates in natural environment (open pollination) were verified on 5,965 receptacles (30 infrutescences; 30 plants) collected in the population of the township of Sertãozinho. The number of flowers producing fruits, as well as the total number of achenes yielded after our treatments and on the infrutescences collected in the field were also assessed. Fruiting rates (in the field and after treatments) were quantified when achenes were mature. The number of fruits was estimated by weighing 200 achenes on a precision analytical balance (0.0001 g). Flower visitors Field visits to observe flower visitors and the pollination process of the species were conducted in two of the studied populations, in the townships of Sertãozinho and Matão. The observations of the Sertãozinho population were performed from November 24lh lo December 03rd, 2008. In the township of Matão, they took place between December 05th and 07th, 2007 and between December 21 st and 24th, 2008. In both Rodriguésia 62 ( 1 ): 21 3 - 22 1 . 20 1 1 SciELO/ JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 216 Pansarín, E.R. & Pansarin, LM. places, lhey occurred between 5:30 a.m. and 1:30 p.m. (between flower opening and withering), totaling 1 36 hours. Flower visitors were collected, identified and deposited in the collcction of the Zoology Museum of the University of São Paulo (MZUSP). Results Floral phenology and morphology - In all the studied regions, Echinodorus grandiflorus grows in marshy habitats, on river and creek banks, in waterlogged places or on marshy soil. During the drier periods of the year, in autumn and winter, plants do not have leaves and only present roots, stems and subterranean rhizomes. In spring, with the First rains (October), rhizomes resprout and each plant produces various petioled, rosulate leaves with very evident cordate blades. Each individual then develops one or more, albeit rarely two, lateral inflorescences that produce up to 250 flowers. Flowering period is from November to February (spring to summer), with a peak in December and January. During flowering, each plant may present up to 15-20 open flowers per day, which open at sunrise (approximately 5:30 a.m.) and last circa 8 hours. No morphological differences were registered among the flowers of the different studied populations. Flowers are trimerous, pedicelled and hermaphrodite (Fig. la). Sepals (5.6-73 X4.5-7.3 mm) are green, coriaceous, and persistent, and protect the achenes while they ripen. Petals (2-2.5 x 23-2.5 cm) are white, frail and ephemeral. Stamens (ca. 25-30) are arranged in various whorls around the gynoecium (Fig. 1 a-b). Anthers measure 1 .6 mm, are versatile and all present viable pollen grains. Anther opening coincides with flower anthesis. Pollen grain viability is 75% (n = 1 9,600). The apocarpic gynoecium presents numerous pistils, each bearing a single ovule and a rudimentary stigma at apex. Mature achenes are scattered between February and March. The flowers of Echinodorus grandiflorus offer both néctar and pollen to their visitors. Néctar is sccreted at the base of the periphcral carpels, opposite the petals (Fig. 2a). The secretory tissue is composed of a single layer of oval, juxtaposed epidermal cells (Fig. 2b) that have a strongly stained, dense cytoplasm, and a well- developed nucleus (Fig. 2b), characteristic of metabolically active cells. The subjacent tissue comprises parenchymatous cells that are apparently not involved in the process of néctar secretion. Reproductive system The populations of Echinodorus grandiflorus here studied are self-sterile and only produce fruits through cross-pollinations Figure 1 - a-b. Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli - a. detail of a flower, note the numerous stamens around the apocarpic ovary and the néctar guides at petal base; b. Trigona spinipes Fabricius collccting pollen from flower anthers, note their corbiculae full of pollen grains. Scale bars = 1 cm. Rodriguésia 62( 1 ): 2 1 3-22 1 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm Reproductive biology of Echinodorus grandifloms 2 1 7 Figure 2 -a-b. Longitudinal sections ofa flowerof Echinodorus grandifloms (Cham. & Schltdl.) Micheli - a. detail of the receptacle (R) and the nectary (N), located on the margin of the more distai carpel (arrow), opposite the petal (P); b. detail of the nectary (N) evidencing the néctar secretory epidennal cells (arrow). Scale bars = 100 gm. (Tab. 1 ). No fruits were fonned in flowers that were emasculated, manually self-pollinated or spontaneously self-pollinated (untouched flowers) (Tab. 1). Thus, a pollinator is necessary to transfer pollen among different individuais of the populations. Fruits are mature circa 45 days after cross-pollinations. In natural conditions, fruiting rates are high (Tab. 1 ). All lhe sampled (cross- and open-pollinated) flowers presented mature achenes (predated receptacles were excluded). Achene production in each receptacle is higher after cross- pollinations (mean of 250 fruits) than in natural conditions (mean of 190 fruits). The reproductive system of E. grandifloms is presented in Table 1. Achenes yielded after hand self-pollination treatment aborted tardily, circa 30 days after manipulations. The analyses of the pollen tube growth of the manually self-pollinated flowers showed that the tubes had reached the ovules, but no evidence of fertilization was found. Flower visitors The flowers of Echinodorus grandifloms are visited by various species of beetles, flies and bees. Neverthcless, only species of solitary and social bees really act as pollinators (Tab. 2). All the bee species collect pollen from the flowers. We never observed bees accessing the néctar produced in the nectaries located at the base of the marginal carpels. Beetles were seen feeding on floral pieces (petals, stamens and pistils), damaging flowers and often making them inaccessible to effective pollinators. Flies of the family Bombyllidae were the only visitors to collect néctar from the flowers. Rodríguésia 62 ( 1 ): 2 1 3 - 22 1 . 20 11 Nevertheless, their long proboscides give them access to the reward without touching the stamens and, therefore, they were not seen acting as pollinators of E. grandifloms. All the bee species except Xylocopa suspecta presented similar behaviors when coOecting pollen. They usually landed either on the petals before heading to the stamens or directly on the anthers and pistils. They collected pollen grains from each anther with their front and middle legs and then transferred it to their hind legs. When collecting pollen, bees contacted the stigmas with ventral part: legs, thorax and abdômen (Fig. 1 b), where pollen grains get attached. Xylocopa suspecta landed directly on the receptacle (anthers and pistils) and collected pollen from various stamens simultaneously by buzz-pollination. During these vibratory movements, great quantities of pollen were also deposited on the stigmas. Bees of the family Halictidae sometimes perfomned buzz-pollination, but on one anther at a time. Bees begin visiting flowers immediately after opening and continue as long as they were open. Each visit lasts from one or a few seconds to more than a minute. Individuais of Trigona spinipes (Fig. lb) stayed even more than one minute on each single flower. Visits only took place on sunny and cloudy days. Since there is no flower anthesis when it rains, no visits were registered in these conditions. The number of bee visits could not be checked due to the great number of individuais exploiting rewards simultaneously on a one inflorescence. Bee dimension was not a limiting factor to pollination, since different-sized species were registered as pollinators of Echinodorus grandifloms (Tab. 2). ISciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 2 1 g Pansarin. E.R. & Pansarin, LM. Table 1 - Reproductive system of Echinodorus grandiflorus-. percentage of flowers that formed fruits and fruiting rate (quantity of achenes produced) after each treatment carried out and in natural conditions (open pollination). Between parentheses is the number of flowers that formed fruits/flowers. Treatment Flowers that formed fruits (%) Quantity of achenes produced (n) Cross-pollination 100(129/129) 32,250 Manually self-pollinated 0(0/240) - Spontaneously self-pollinated 0(0/189) - Open pollination 100(5.965/5.965) 1,133,350 Emasculation 0(0/60) - Discussion Among the genera of Alismataceae growing in Brazil ( Echinodorus Rich., Sagittaria L. and Helanthium (Benth. & Hook. f.) Engelm. ex J.G. Sm.), the production of hermaphrodite flowers is the main characteristic used to distinguish Echinodorus (including Helanthium - a genus segregated from two species classically recognized as Echinodorus , Lehtonen & Myllys 2008) from Sagittaria (Haynes & Holm-Nielsen 1986, 1994; Pansarin & Amaral 2005). Nevertheless, gynodioecy (i.e., hermaphrodite and female flowers) was registered and documented for E. longipetalus in populations of the State of São Paulo (Pansarin 2008). The present study confirms that all the populations of E. grandiflorus studied comprise individuais that exclusively produce hermaphrodite flowers, corroborating previously published data (e.g., Rataj 1 978; Haynes & Holm-Nielsen 1986, 1994; Pansarin & Amaral 2005), including those on Helanthium (Lehtonen & Myllys 2008). In all the studied populations, we verified that Echinodorus grandiflorus offers both néctar and pollen as a reward, which had been previously described in a study carried out in the township of Viçosa, in the State of Minas Gerais (Vieira & Lima 1997). Although néctar is the most common reward among Alismataceae species, since it is described in Baldellia (Vuille 1 988), Caldesia (Gituru etal. 2002), Damasonium (Vuille 1 987) and Sagittaria (Wooten 1971, Sarkissian et al. 200 1 ), and although bees were watched exploiting this kind of reward in flowers of E. grandiflorus, in addition to pollen grains (Vieira & Lima 1 997), during our observations, hymenoptera were only seen collecting pollen from the flowers. In the studied populations, néctar was only exploited by flower visitors (Bombyllidae flies) that are not involved in the pollination process of this species. As is the case with E. grandiflorus, in the studied populations, the exclusive collection of pollen by bees was also reported for the hermaphrodite flowers of E. longipetalus (Pansarin 2008). Pemale flowers of E. longipetalus are pollinated by deceit, since their staminodes, albeit smaller, look like the stamens of hermaphrodite flowers (Pansarin 2008). The presence of nectary at the base of the marginal carpels opposite the petals, as in the flowers of E. grandiflorus, is common in Alismataceae species that offer néctar as a reward. This family comprises other genera that also secret néctar at the base of the filaments and petals (Pansarin 2009). Studies of floral biology involving species of Echinodorus (Vieira & Lima 1997; Pansarin 2008) reveal that the flowers are exclusively pollinated by bees, which is confirmed by the present report. Other insects, as beetles (Vieira & Lima 1 997, Pansarin 2008) and flies (Pansarin 2008), only act as flower visitors. The observations of pollinator behavior on the flowers confirm that social and solitary bees of different sizes act as pollinators of Echinodorus grandiflorus. Some species should be highlighted because they were reported by other pollination studies on species of this genus. Exomalopsis fulvopilosa was also registered as a pollinator of E. grandiflorus in the State of Minas Gerais (Vieira & Lima 1 997) and of E. longipetalus in the interior of the State of São Paulo (Pansarin 2008). Another species registered as a pollinator of E. grandiflorus in populations of Minas Gerais is Protodiscelis echinodori (Vieira & Lima 1997), while Xylocopa (NeoXylocopa) suspecta was also documented on flowers of E. longipetalus (Pansarin 2008). The family Alismataceae presents a great diversity as for the reproductive system of its species. Genus Sagittaria comprises dioecious and monoecious species (Wooten 1971; Sarkissian et al. 2001). The flowers of Caldesia grandis Samuel. Rodriguésia 62( 1 ): 2 1 3-22 1 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Reproductive biology of Echinodorus grandiflorus 2 1 9 Table 2 - Bee species (pollinators) collected on flowers of Echinodorus grandiflorus and their body length (mm). Bee species Body length (mm) Apis mellifera L. 14.5 Augochlora sp. 10.0 Dialictus sp. 6.0 Exomalopsis fulvopilosa Spindola, 1853 10.5 Pseudoaugochloropsis sp. 8.0 Protodiscelis echinodori Melo, 1996 7.0 Thygater analis Lepeletier, 1841 12.0 Trigona spinipes Fabricius, 1793 9.0 Xylocopa ( Neoxylocopa ) suspecta Moure & Camargo, 1988 28.0 (Gituru et al. 2002 ), Baldellia ranmculoides (L.) Pari. var. ranunculoides and Baldellia alpestris (Cosson) Vasc. (Vuille 1988), and those of various species of Damasoniwn (Vuille 1987) are hermaphrodite and self-compatible. Although the species of Sagittaria occurring in this region are self-compatible, all are monoecious, and their intlorescences produce íemale flowers at base and male ones at apex, so that self- pollination is avoided by protogyny (Haynes & Holm-Nielsen 1994; Pansarin & Amaral 2005). Echinodorus longipetalus is gynodioecious: the hermaphrodite flowers are self-compatible, while lhe female ones necessarily need cross-pollination to yield fruits (Pansarin 2008). The occurrence of self- sterility, as seen in populations of E. grandiflorus from interior of the State of São Paulo, is rare in that family but had been previously reported for this species in the municipality of Viçosa, Minas Gerais (Vieira & Lima 1 997) and for a subspecies of Baldellia ranunculoides (Vuille 1988). According to Vieira & Lima (1997), following the classification of Haynes & Holm-Nielsen (1986, 1994), E. grandiflorus ssp. aureus is self-compatible, while E. grandiflorus ssp. grandiflorus is self-incompatible. Currently both subspecies have been heightened to the category of species by Lehtonen (2008). Echinodorus grandiflorus ssp. aureus is now a synonym for E. floribundus, while E. grandiflorus ssp. grandiflorus is a synonym for E. grandiflorus (Lehtonen 2008). The most common mechanisms that tend to avoid self-feitility in Alismataceae are pre-pollination barriers. Within this family, the occurrence of protogyny was reported for species of Sagittaria (Pansarin & Amaral 2005), while protandry occurs in Damasoniwn (Vuille 1 987). Although the species of Sagittaria occurring in the neotropics are all Rodríguési a 62(1): 21 3-22 1 . 20 1 1 monoecious (e.g., Rataj 1978; Haynes & Holm- Nielsen 1 986, 1 994; Pansarin & Amaral 2005), at least two North- American species (i.e., S. latifoliaWúXà. and S. lancifolia L.) have dioecious populations and, consequently, need cross-pollination ( Wooten 1971; Sarkissian et al. 2001). Gynodioecy also favors the formation of fruits by cross-pollination in Echinodorus longipetalus (Pansarin 2008). The populations of Echinodorus grandiflorus studied clearly show a post-pollination barrier that prevents the production of fruits as a result of self- pollinations. Hand self-pollination treatments indicate the occurrence of a late-acting self-incompatibility system, since the tubes present themselves well fomied but the pistils abort circa 30 days after self- pollination. Some authors reveal that in systems of late-acting self-sterility, there are no differences in pollen tube growth between self- and cross-pollination treatments (e.g., Seavey & Bawa, 1 986). According to Gibbs (1990), mechanisms of late-acting self- incompatibility have proved relatively common in neotropical species, and were reported for various tree species (see Freitas & Oliveira 2002). Nevertheless, for the populations of E. grandiflorus here analyzed, studies will be needed to confirm if ovules fertilize in flowers self-pollinated by hand and verify the kind of late-acting self-sterility mechanism involved. Studies on tropical species of Alismataceae are extremely important, since many taxa are difficult to identify morphologically. Above all, in Brazil, the understanding of this family taxonomy presents gaps, mainly with regard to Echinodorus (Lehtonen 2008). Furthermore, features classically used to delimit genera, as the presence of unisexual ( Sagittaria ) or hermaphrodite ( Echinodorus ) flowers (Haynes & Holm-Nielsen 1986, 1994; Pansarin & SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. 220 Amaral 2005), can no longer be considered, since female flowers were found in populations of E. longipetalus (Pansarin 2008). As a consequence, research on the relations between the neotropical species of Echinodorus and Sagittaria, their pollinators and pollination mechanisms, their forms of reproduction, as well as the elaboration of phylogenetic hypotheses based on morphological and molecular features are needed to understand the taxonomy and the evolution of this subcosmopolitan family of monocots. Acknowledgements The authors thank A.R. Pinhal (Laboratory of Histology, FFCLRP-USP) for his help during the preparation of the slides, M.H. Pires (Laboratory of Plant Systematics, FFCLRP-USP) for help with laboratory procedures and S.R.M. Pedro (Laboratory of Systematics and Biogeography, FFCLRP-USP) for bee identiíication. L.M. Pansarin is a doctoral student at the Post-Graduation Program in Vegetal Biology of the State University of Campinas. References Campbell, D.R. 1987. Interpopulational variation in fruit production: the role of pollination-limitation in the Olympic Mountains. 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No presente estudo foi avaliada a viabilidade polínica de cinco espécies de Floresta Atlântica, T. cerasíifolia, T. clinopodifolia, T. gracilis, T. pulchra e T. sellowiana , utilizando-se três soluções histoquímicas: carmim acético, Alexander e cloreto de 2,3,5-trifenil-tetrazólio. Foi avaliada a variação de viabilidade entre as anteras dimórficas, entre as soluções histoquímicas e entre os indivíduos. Em T. pulchra e T. sellowiana também foi avaliada a variação entre os dois primeiros dias a partir da abertura da flor. Nenhuma espécie apresentou variação relacionada ao dimorfismo das anteras. Nas duas espécies que apresentam maior longevidade floral, a viabilidade foi semelhante no primeiro e segundo dias em T. pulchra, enquanto que em T. sellowiana as flores de segundo dia apresentaram pólen menos viável. As soluções histoquímicas empregadas revelaram taxas de viabilidade polínica distintas. Flouve variação na viabilidade polínica entre os indivíduos em todas as espécies. A solução de cloreto de 2,3,5-trifenil-tetrazólio revelou a menor taxa de viabilidade em todos os indivíduos. As soluções histoquímicas empregadas, a amostragem e a longevidade floral foram fatores relacionados à variação da viabilidade polínica. Palavras-chave: pólen, polinização, reprodução, soluções histoquímicas. Abstract The genus Tibouchina is common in Brazil, mainly found in Atlantic Forest, in Soulheast region. In this study the pollen viability was evaluated in five species of Atlantic Forest, T. cerasíifolia, T. clinopodifolia, T. gracilis, T. pulchra and T. sellowiana, using threc histochemical Solutions: acetocannine, Alexander and 2, 3, 5-triphenyltetrazolium chloridc. The variation of pollen viability was evaluated among the dimorphics anthers and among individuais. In T. pulchra and T sellowiana it was also evaluated the variation among the two first days after flower openning. There was no variation related to anther dimorphism. Considering the two species with the longest flower longevity, the viability was similar in the first and second day in T. pulchra, but in T. sellowiana the pollen from the second day was less viable. The histochemical tests employed showed distinct rates ofpollen viability. Rates of pollen viability were distinct among individuais in each species. The stain 2, 3, 5-triphcnyltetrazolium chloride showed the smaller viability. The results show that the treatments employed, sampling and flower longevity were factors related to pollen viability. Key words: histochemical Solutions, pollen, pollination, reproduetion. Introdução As flores de Tibouchina Aubl. (Melastomataceae) são quase que exclusivamente polinizadas por abelhas (Renner 1989) sendo bastante atrativas, tanto pela coloração de suas pétalas quanto pela produção de pólen. As abelhas recolhem o pólen das anteras poricidas de formato tubuloso por meio de vibrações, chamada de polinização por vibração (Renner 1989; Larson & Barrett 1999; Goldenberg & Varassin 2001). Estas vibrações proporcionam a deposição de pólen no abdômen e nas laterais do corpo da abelha (Renner 1989; Larson & Barrett 1999). Os grãos de pólen coletados são levados para os ninhos das abelhas para alimentação das larvas (Renner 1989; Schlindwein etal. 2005). Em muitas espécies de Melastomataceae, como as do gênero Tibouchina, há existência de flores com estames dimórfícos (heteranteria sen.su 'Universidade Tuiuti do Paraná, R. Sydnei Antônio Rangel Santos 238, 820 10-330, Santo Inácio, PR, Brasil. : UFPR, Centro Politécnico, Setor dc Ciências Biológicas, Dep. Botânica, C.P. 1 903 1,81531 -980, Curitiba, PR, Brasil. Autor para correspondência: isagalarda@ufpr.br SciELO/JBRJ 13 14 cm .. 224 Endress 1994). O fato de haver estames maiores e menores faz com que, durante a visita às flores, abelhas de grande poite abracem todas as anteras, enquanto que as abelhas menores abracem as anteras uma a uma (Renner 1 989; Oliveira-Rebouças & Gimenes 2004). A heteranteria tem sido interpretada como uma divisão funcional de trabalho entre as anteras (Faegri & van der Pilj 1 979; Buchmann 1983), devido a uma deposição diferencial do pólen de anteras de ciclos diferentes em regiões distintas do corpo das abelhas. Existem anteras funcionais, de fertilização, cujo pólen não é retirado do corpo das abelhas durante a limpeza e, portanto, estão envolvidos no processo de polinização. Outro tipo de anteras são as de alimento, cujo pólen é coletado para alimentação (Renner 1989). Associado a isto também foi considerado que apenas nos estames longos, os de fertilização, os grãos de pólen são férteis ( Renner 1989). Em espécies que exibem heteranteria, a implicação de diversos tipos de anteras para reprodução tem sido investigada. Em Solanum L. (Solanaceae) a presença de mais de um tipo de antera não implica em diferenças reprodutivas para a planta (Bowers 1975), mas em Melastomamalabathricum L. (Melastomataceae), Luoetal. (2008) observaram uma maior deposição estigmática de grãos de pólen oriundos de anteras maiores. Em função destas diferenças, é possível que a viabilidade polínica seja distinta em anteras maiores e menores. Ainda que os polinizadores contribuam significativamente para a reprodução em Tibouchina , outros fatores ligados à biologia do grão de pólen podem afetar a reprodução. A viabilidade e a longevidade polínicas, ou mesmo sua capacidade de fertilização, podem ser afetadas, por exemplo, pela ocorrência de dessecação, pela baixa umidade relativa, disponibilidade de substância de reserva, idade da flor, metabolismo, alterações morfológicas da antera, temperatura entre outros (Dafni & Firmage 2000). A fim de compreender a biologia da polinização são também necessários estudos que visem avaliar a fertilidade do grão de pólen e os fatores que podem alterar a viabilidade. E possível avaliar ou estimai - a fertilidade masculina a partir de testes simples, como testes histoquímiços, focando na viabilidade polínica (Stanley 1965; Kearns & Inouye 1993; Dafni & Firmage 2000). Existem diversos métodos para estimar a viabilidade polínica, havendo vantagens e desvantagens no uso de cada um deles (Dafni & Firmage 2000). Hoffmann, G.M. & Varassin, I.G. t Dentre os métodos histoquímiços, três soluções são frequentemente usadas, sendo elas a solução de carmim acético, solução de Alexander e solução de cloreto de 2,3,5-trifenil-tetrazólio (TTC). O presente artigo tem por objetivo avaliar a variação da viabilidade polínica em cinco espécies do gênero Tibouchina , sendo duas espécies arbóreas ( T.pulchra Cogn. e T. sellowiana Cogn.) e três espécies arbustivas (T. cerastifolia Cogn., /'. clinopodifolia Cogn. e T. gracilis (Bonpl.) Cogn. Para isso, foram considerados o dimorfismo das anteras (diferença de viabilidade polínica das anteras maiores e menores), a possível perda de viabilidade durante a antese nas espécies arbóreas e a relevância das soluções histoquímicas para a realização de testes de viabilidade. Material e Métodos Foram coletados botões e flores de cinco indivíduos de cada uma das espécies de Tibouchina , sendo T. cerastifolia, T. gracilis, T. pulchra e T. sellowiana os indivíduos coletados em área urbana de Curitiba, PR e T. clinopodifolia nos mananciais da Serra, Piraquara, PR (Reserva da S ANEPAR). Os materiais foram depositados no Herbário UPCB (I. G. Varassin 173; I.G. Varassin 174; I.G. Varassin 1 75; I. G. Varassin 1 76; I. G. Varassin 1 77). Nas espécies arbustivas, T. clinopodifolia, T. cerastifolia, T. gracilis, as flores foram coletadas logo após a abertura das flores, pela manhã. Para as espécies arbóreas, T. pulchra e T. sellowiana, foram coletadas flores de primeiro dia (flores brancas) e flores de segundo dia (mudando coloração para o rosa), também no período da manhã. A viabilidade das anteras maiores e menores foi avaliada separadamente para cada indivíduo para avaliar um possível papel diferencial dos dois tipos de antera na reprodução. Em T. pulchra e T. sellowiana foi comparada a influência da duração da antese na viabilidade dos grãos de pólen. Os grãos de pólen foram extraídos com o auxílio de pinça, sendo dispostos em lâmina e submetidos aos testes histoquímiços com três corantes específicos separadamente: solução de Alexander (Alexander 1980), solução de Carmim Acético (Kearns & Inouye 1 993) e solução de cloreto de 2,3,5-trifenil telrazólio 0,5% (Cook & Stanley 1 960). A solução de Alexander cora o protoplasma (Alexander 1980; Dafni 1 992) e distingue os grãos de pólen abortados dos não abortados. O composto verde malaquita reage com a celulose da parede celular do pólen e a fucsina ácida com o Rodríguésia 62 ( 1 ): 223 - 228 . 2011 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Viabilidade políníca em Tibouchina protoplasma, refletindo a coloração púrpura (Alexander 1980; Keams & Inouye 1 993). Para essa solução foram considerados viáveis grãos corados de púrpura, enquanto que os não viáveis corados de verde (pólen abortado, deficiente em protoplasma) (Alexander 1980). A solução de carmim acético atua sobre os cromossomos do grão de pólen não abortado, corando-o, e podendo corar ainda pólen imaturo e inviável (Stanley & Linskens 1974; Keams & Inouye 1993). Para essa solução, foram considerados viáveis os grãos de pólen corados de vermelho e não viáveis os grãos não corados. A solução de 2,3,5-trifenil-tetrazólio ou TTC é distinta dos outros testes por envolver uma reação enzimática (Stanley 1965; Stanley & Linskens 1974; Keams & Inouye 1993). Os sais de cloreto de 2,3,5-trifenil- tetrazólio confirmam a viabilidade polínica através das enzimas ativas que provocam mudanças na cor dos grãos para o vermelho na presença da atividade oxidativa. A reação do corante indica a presença da atividade enzimática contida nas células vivas (Vieitez 1952; Stanley 1965). Para essa solução foram considerados viáveis os grãos de pólen que coraram de vermelho e não viáveis os sem coloração ou muito claros. Foram avaliadas 210 lâminas em campos aleatórios com aumento de 10x, considerando 100 grãos de pólen por lâmina. Em cada solução histoquímica empregada foi definido o percentual de grãos viáveis. A diferença de viabilidade média entre as anteras dimórficas em cada espécie, assim como entre flores de primeiro e segundo dia de antese foram avaliadas por teste t. As diferenças de viabilidade polínica média entre os indivíduos e os tratamentos empregados foram avaliadas por análise de variância de dois fatores ou unifatorial. Para os resultados que não apresentaram influência de uma variável sobre a outra, as médias foram então analisadas separadamente (Zar 1996). Um dos indivíduos de T. gmcilis apresentava as anteras menores predadas, acarretando em resultados negativos no tratamento com TTC e, portanto, este dado foi excluído para não interferir nos demais resultados. Resultados Em relação ao dimorfismo das anteras, tanto as grandes quanto as pequenas apresentaram a mesma viabilidade polínica em todas as espécies (Fig. la), T. cercistifolia (f ;i =0,36; P> 0,05), T. dinopodifolia (t, s =0,46; P > 0,05), T. gmcilis (f, 7 =- 0, 1 9; P > 0,05), T. pulchra (í 58 =-0,07; P > 0,05), T sellowiana (r 58 = -0,46; P > 0,05). Rodriguésia 62(1): 223-228. 201 1 225 Em relação ao período de antese, em T. pulchra as flores de primeiro dia e segundo dia apresentaram a mesma viabilidade (t Jg =l,03; P > 0,05; Fig. lb) enquanto que em T. sellowiana, as flores de segundo dia apresentaram menor viabilidade (r=0,60; F )54 = 14,47; P < 0,05). A resposta entre os tratamentos variou durante a antese (^=0,60; F 2;5 =4,48;P<0,05). De uma maneira geral, os tratamento histoquímicos empregados revelaram viabilidades polínicas distintas (Fig. 1c). A viabilidade polínica foi consistentemente menor nos ensaios onde se usou solução de TTC e foi semelhante entre os tratamentos usando a solução de Alexander e solução de Carmim Acético (Fig. lc). Em todas as espécies, à exceção de T. sellowiana, a viabilidade polínica variou entre os indivíduos, assim como os tratamentos empregados revelaram taxas distintas de viabilidade (Tab. 1), sendo para algumas espécies, como T. dinopodifolia, T. gracilis, T. pulchra, os indivíduos responderam de forma distinta para os três tratamentos (Tab. 1). Discussão Apesar da possibilidade de haver divisão de atividade entre as anteras dimórficas em Melastomataceae (Renner 1989; Buchmann 1983; Luo et al. 2008), não foi constatada variação na viabilidade polínica entre os diferentes tipos de anteras das espécies aqui estudadas. Esta ausência de variação na viabilidade polínica nas anteras dimórficas foi também constatada em Cambessedesia hilariana (Fracasso & Sazima 2004) e em T. pulchra (Silva 2006). Esta similaridade na viabilidade polínica em ambos os tipos de anteras deve ser em função do processo meiótico, que é o mesmo em ambas as anteras, independentemente de seu papel (na reprodução ou como fonte alimentar para abelhas). Deste modo, nas espécies de Tibouchina estudadas, os grãos de pólen oriundos dos dois tipos de anteras poderiam ser usados para reprodução. Tibouchina pulchra e T. sellowiana, apresentam, entre elas, uma diferença na queda da viabilidade desde a antese até o fenecimento da flor. A viabilidade mais longa em T. pulchra pode estar associada com a manutenção da funcionalidade reprodutiva da flor, uma vez que a flor está disponível aos polinizadores por até nove dias (Silva 2006). Em T. sellowiana, como cada flor dura de dois a três dias (Goldenberg & Varassin 2001), uma extensão SciELO/JBRJ 13 14 226 b c Figura 1 - Viabilidade polínica em Tibouchina- a. em anteras maiores (esquerda) e menores (direita); b. em flores de primeiro (esquerda) e segundo dia de antese (direita); c. em diferentes tratamentos histoquímicos: Alexander (esquerda), Carmim acético (centro) e TTC 0,5% (direita), cer = T. cerastifolia; cli = T. clinopodifolia; gra = T. gracilis; pul = T. pulchra; sei = T. sellowiana Figure 1 - Pollen viability in Tibouchina - a. in the larger anthers (lefl) and smaller (left); b. in flowers from the first (left) and second day of anthesis (right); c. in different histochemical Solutions: Alexander (left), Acetic-carmine (center) and TTC 0,5% (right). Hoffmann, G.M. & Varassin, I.G. 0 da viabilidade polínica por mais tempo não resultaria em maior chance de fecundação. Isto pode também estar relacionado com o período de visitação das abelhas. Enquanto em T. sellowiana os polinizadores visitam flores apenas no dia em que a flor abriu (Goldenberg & Varassin 2001 ), em T. pulchra podem ocorrer visitas no segundo dia, porém em menor proporção (Silva 2006). Neste caso, visitas posteriores ao primeiro dia podem ainda resultar em fecundação já que, do ponto de vista masculino, a viabilidade é mantida. Ensaios realizados por Silva (2006) em T. pulchra demonstram que os grãos de pólen de segundo dia são capazes de fecundar a oosfera com formação de frutos similar aos ensaios com grãos de pólen de flores de primeiro dia. Silva (2006) aponta ainda em seu estudo, a influência da diminuição da viabilidade polínica na formação de frutos com os grãos de pólen provenientes de flores de terceiro dia. A redução de viabilidade polínica em T. sellowiana no segundo dia de antese foi observada por Goldenberg e Varassin (2001) e se reflete em redução do sucesso reprodutivo, uma vez que polinizações em flores de segundo dia têm menor sucesso do que as de primeiro dia (Goldenberg & Varassin 2001 ). Em autopolinizações espontâneas os tubos polínicos conseguiram atingir os óvulos, mas em apenas 3,4% do total de ensaios ocorreu fecundação da oosfera e formação de frutos (Goldenberg & Varassin 2001). O fato dos tratamentos histoquímicos empregados revelarem diferentes respostas de viabilidade era esperada, pois cada teste histoquímico atua sobre um componente do grão de pólen. Comparando os três testes histoquímicos, é interessante ressaltar que a viabilidade média foi mais baixa em todas as espécies e indivíduos com os testes conduzidos com a solução de 2,3,5- trifenil-tetrazólio. Isto parece indicar que mesmo grãos de pólen íntegros e com cromossomos viáveis podem ter uma redução na viabilidade em função de baixa atividade enzimática dos grãos de pólen, uma vez que o TTC atua sobre as enzimas desidrogenases e peroxidases ativas, relacionadas com a respiração celular (Stanley 1965; Stanley & Linskens 1974; Kearns & Inouye 1993). A alta viabilidade polínica encontrada aqui para todas as espécies pode estar associada à ausência de apomixia e ocorrência de autocompatibilidade (Goldenberg & Varassin 200 1 ), conforme observado em T. cerastifolia, T. clinopodifolia, T. gracilis (Franco 2007), T pulchra (Silva 2006) e T. sellowiana Rodriguésia 62(1): 223-228. 2011 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 19 cm .. Viabilidade polínica em Tibouchina 227 Tabela 1 - Variação da viabilidade polínica entre os indivíduos, entre os tratamentos e da interação entre indivíduo e tratamento (Anova uni- ou bifatorial). Tabela 1 - Variation of pollen viability among individuais, treatments, and interaction among individuais and treatments (One- or two- way Anova). Espécie Variação individual Variação entre tratamentos Efeito do indivíduo sobre o tratamento Tibouchina cerastifolia P=-0,06 F 4 . 25 =0,62 P<0,05 F=-0,68 F =31 F'< 0,05) ns Tibouchina clinopodifolia r=0,94 F 4 „=34,07 P < 0,05 H=0,94 F =153,03 P<0,05 r=0,94 F=5,39 P<0,05 Tibouchina gracilis F=0,92 F. . =13,16 P<0,05 r*=0,92 F, 14 =104,86 P<0,05 r=0,92 F 8;14 =5,62 P<0,05 Tibouchina pulchra P=0,84 F =22,00 P < 0,05 r=0,84 F r45 =104,14 A<0,5 P=0,84 F, 4 s=2,50 P<0,05 Tibouchina sellowiana P=0,05 P> 0,05 F=0,05 F 4;55 =l,84 P>0,05 ns (Goldenberg & Varassin 2001). Espécies do gênero Lecmdra Raddi e Miconia Ruiz & Pav. possuem baixas taxas de viabilidade polínica (Goldenberg 2000), geralmente em função de malformações polínicas de indivíduos de origem poliplóide. De fato, em algumas espécies apomíticas de Melastomataceae foram observadas irregularidades meióticas, provavelmente responsáveis pelos baixos níveis de viabilidade polínica (Goldenberg & Shepherd 1998). A variação individual da viabilidade polínica demonstra a importância de estudos populacionais para avaliar a fertilidade masculina. Neste estudo, na maioria das espécies trabalhadas, os indivíduos de uma mesma espécie apresentaram viabilidade polínica variável. As diferenças de viabilidade encontradas neste estudo indicam que a estimativa de viabilidade polínica pode ser afetada pela amostragem (indivíduo) e que o uso de soluções histoquímicas diferentes influi nos resultados encontrados de viabilidade. Além disso, fatores biológicos e ecológicos como a longevidade da flor podem estar associados à variação na taxa de viabilidade polínica. O dimorfismo das anteras, por outro lado, não se reflete em diferenças de viabilidade polínica para essas espécies de Tibouchina. Rodriguésia 62(1): 223-228. 2011 Agradecimentos À Miriam Kaehler pelas sugestões, à UFPR por disponibilizar os laboratórios, à SANEPAR pela autorização das coletas e à EMBRAPA FLORESTAS e UTP pelos reagentes. Esse estudo faz parte do Trabalho de conclusão de curso da primeira autora. Referências Alexander, M.P. 1980. A versatile stain for pollen fungi, yeast and bactéria. Stain Technology 55: 13-18. Bowers, K.A.W. 1975. The pollination of Solanum rostratum (Solanaceae). American Journal of Botany 62: 633-638. Buchmann, S.L. 1983. Buzz pollination in Angiosperms. In: Jones, C.E. & Little, R. J. (eds.). Handbook of experimental pollination biology. Van Nostrand & Reinhold, New York. Pp. 73-1 13. Cook, S.A. & Stanley, R.G. 1960. Tetrazolium chloride as indicator of pine pollen germinability. Silvae Genetic9: 134-136. Dafni, A. 1992. Pollen and stigma biology. In: Pollination ecology: a practical approach. Oxford University Press, Oxford. Pp. 59-89. Dafni, A. & Ftrmage, D. 2000. 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Ressalta-se que os manuscritos enviados em Língua Inglesa terão prioridade de publicação. A Rodriguésia aceita o recebimento de manuscritos desde quei todos os autores do manuscrito tenham aprovado sua submissão; os resultados ou idéias apresentados no manuscrito sejam originais; o manuscrito enviado não tenha sido submetido também para outra revista, a menos que sua publicação tenha sido recusada pela Rodriguésia ou que esta receba comunicado por escrito dos autores solicitando sua retirada do processo de submissão; o manuscrito tenha sido preparado de acordo com a última versão das Normas para Publicação da Rodriguésia; se aceito para publicação e publicado, o artigo (ou partes do mesmo) não seja publicado em outro lugar, a não ser com consentimento do Editor-chefe; sua reprodução e o uso apropriado de artigos publicados na Rodriguésia não apresentem fins lucrativos e tenham propósito educacional, qualquer outro caso deverá ser analisado pelo Editor-chefe; o conteúdo científico, gramatical e ortográfico de um artigo seja de total responsabilidade de seus autores. Envio de Manuscritos O endereço para o site de submissão eletrônica é: http://rodriguesia-seer.jbrj.gov.br/index.php/rodriguesia Para consulta à integra de nossas normas de publicação os autores interessados devem acessar o endereço! http://rodriguesia.jbrj.gov.br Instructions to Authors Manuscripts submitted to Rodriguesia must go beyond the pure descriptive approach, revealing interpretation related to morphology, ecology or conservation. Such interpretation is expected to appear under a separate section (Discussion or Conclusion). Articles that contain only nomenclatural approach will not be accepted. Opinion or review articles may be accepted through voluntary demand or at the request of the editorial board. Manuscripts should be prepared in Portuguese, English or Spanish. Manuscripts submitted in English will be given priority for publication. The Rodriguésia accepts manuscripts provided that all authors have approved the manuscript submitted; the results or ideas presented in the manuscript are original; the manuscript has not been submitted to another joumal, unless the manuscript has been refused by that other joumal or the author asks that other joumal to withdraw the manuscript from the submission processl the manuscript has been prepared in agreement with the latest version of the Guidelines for Publication in Rodriguésia. If accepted and published, the article (or its paris) cannot be published elsewhere, except with the consent of the Editor-in-chief. The reproduction and proper use of articles published in Rodriguésia can not receive any profit and must have educational purpose. Any other cases must be examined by the Editor-in-chief. The scientific content, grammar and spelling within an article are the sole responsibility of its author. Submission of Manuscripts The address for the submission site ist http://rodriguesia-seer.jbrj.gov.br/index.php/rodriguesia To access the full text of our Guidelines, please access the followingi http://rodriguesia.jbrj.gov.br Instruciones a los Autores Los manuscritos enviados a Rodriguesia deben superar el enfoque descriptivo, destacando su importância interpretativa en relación con la morfologia, ecologia y conservación. Se alienta que esto se hace a través de una sección de Discusión o Conclusion. Artículos de revisión o de opinión serán aceptados solo por pedido dei Cuerpo Editorial. Los manuscritos deberán ser preparados en português, inglês o espanol. Resaltándose que los manuscritos enviados en Lengua Inglesa tendrán prioridad para su publicación. Rodriguésia, acepta los manuscritos enviados desde quei todos los autores dei manuscrito hayan aprobado su envio; los resultados o ideas presentadas en el manuscrito sean originales; el manuscrito enviado no haya sido sometido también a otra revista, a menos que su publicación haya sido rechazada por la revista Rodriguésia o que esta reciba un comunicado por escrito de los autores solicitando ser retirada dei proceso de evaluación; el manuscrito haya sido preparado de acuerdo con la última versión de las Normas para Publicación de Rodriguésia; si es aceptado para publicación y publicado, el articulo (o partes de este) no hayan sido publicados en otro lugar, a no ser con el consentimiento dei Jefe Editorial; su reproducción y el uso apropiado de los artículos publicados en Rodriguésia no presentan fines económicos y tienen un propósito educacional, cualquier otro caso deberá ser analizado por el Jefe Editorial; el contenido científico, gramatical y ortográfico de un artículo es en su totalidad responsabilidad de los autores. Preparación dei Manuscrito La dirección para el sitio de envio electrónico esi http://rodriguesia-seer.jbrj.gov.br/index.php/rodriguesia Para la consulta de nuestras directrices de publicación, los autores interesados deben visitar la dirección: http://rodriguesia.jbrj.gov.br SciELO/JBRJ 13 14 Sumário/ Contents Artigos Originais / Original Papers Florística e distribuição geográfica das samambaias e licôfitas da Reserva Ecológica de Gurjaú. Pernambuco, Brasil / Floristic and geographical distribution of ferns and lycophytes from Ecological Reserve Gurjaú, Pernambuco, Brazil Anna Flora de Novaes Pereira. Iva Carneiro Leão Barros. Augusto César Pessoa Santiago & [vo Abraão Araújo da Silva Dennstaedtiaceae (Polypodiopsida) no estado de Minas Gerais, Brasil / Dennstaedtiaceae (Polypodiopsidal in Minas Gerais, Brasil Francine Costa Assis & Alexandre Salino Adiciones a la ficoflora marina de Venezuela. II. Ceramiaceae, Wrangeliaceae y Callithamniaceae (Rhodophyta) / Additions to the marine phycoflora of Venezuela. II. Ceramiaceae, Wrangeliaceae and Callithamniaceae (Rhodophyta) Mayra Garcia. Santiago Gòmez y Nelson Gil Fungos conidiais do bioma Caatinga I. Novos registros para o continente americano, Neotrópico, América do Sul e Brasil / Conidial fungi from Caatinga biome I. New records for Américas, Neotropics, South America and Brazil Davi Augusto Carneiro de Almeida. Tasciano dos Santos Santa Izabcl & Luís Fernando Pascholati Gusmão Solanaceae na Serra Negra, Rio Preto, Minas Gerais / Solanaceae in the Serra Negra, Rio Preto, Minas Gerais 055 Eveline Aparecida Feiiciano & Fátima Regina Gonçalves Saiimena Moraceae das restingas do estado do Rio de Janeiro / Moraceae of restingas of the State of Rio de laneiro 077 I c.uuiru Cardoso Pederneiras. Andréa Ferreira da Costa. Dorothy Sue í)unn de Araújo & Jorge Pedro Pereira Carauta Flora da Usina São losé, Igarassu, Pernambuco: Convolvulaceae / Flora of the Usina São )osé, Igarassu, Pernambuco: Convolvulaceae Maria Teresa Buril & Marccus Alves Machaerium (Leguminosae, Papilionoideae, Dalbergieae) nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Brasil / Machaerium 107 ILeguminosae, Papilionoideae, Dalbergieael from the Mato Grosso and Mato Grosso do Sul States, Brazil Caroline do Amaral Polido & Ângela Lúcia Baguatori Sartori Species composition and floristic relationships in Southern Goiás forest enclaves / Composição e relações ílorísticas de encraves 12a florestais no sul de Goiás Paulo Oswaldo Garcia. Arthur Sérgio Mouço Valente. Daniel Salgado Pifano. José Felipe Salomão Pessoa. Luiz Carlos Busato. Marco Aurélio Leite Fontes & Ary Teixeira Oliveira-Filho Altitudinal distribution and species richness of herbaceous plants in campos rupestres of the Southern Espinhaço Range, 139 Minas Gerais, Brazil / Distribuição altitudinal e riqueza de espécies de plantas herbáceas em campos rupestres do sul da Cadeia do Espinhaço, Minas Gerais, Brasil Raíael Augusto Xavier Borges. Marco Antônio Alves Canteiro & Pedro Lage Viana Existe utilização efetiva dos recursos vegetais conhecidos em comunidades caiçaras da Ilha do Cardoso, estado de São Paulo, Brasil? / Is there efíective resources utilization among Cardoso Island population fcaiçaras'/. São Paulo State, Brazil? Tatiana Mota Miranda, Natalia llana/aki. José Silvio Govone & Daoiela Mota Miranda Alves Revisão de Andropogon {Poaceae — Andropogoneae) para o Brasil / Revision of Andropogon (Poaceae — Andropogoneae) from Brazil Ana Zanin & Hilda Maria Longhi-Wagner SEM studies on the leaf indumentum of six Melastomataceae species from Brazilian Cerrado / Microscopia eletrónica de varredura do indumento foliar de seis espécies de Melastomataceae do cerrado Camilla Ro/indo Dias Milanez & Silvia Rodrigues Machado Reproductive biology of Echinodorus grandiflorus (Alismataceae): evidence of self-sterility in populations of the State of São Paulo / 213 Biologia reprodutiva de Echinodorus grandiflorus (Alismataceae): evidência de auto-esterilidade em populações do estado de São Paulo Emerson R. Pansarin & Ludmila M. Pansarin Variação da viabilidade polínica em Tibouchina (Melastomataceae) / Variation of pollen viability in Tibouchina (Melastomataceae) Glaucia Margery Hoffmann& Isabela Galarda Varassin 223 3 i i 1 i j i / 1 L SciELO/JBRJ i ' 7 : i /,• , fj V / . 7 - - ISSN 0370-6583 -fe* 7 -/ / /f . - / ' i 7 • / / V/ 7 • ■ , ' 7 • 7 /< , .•// i /; / y / / / / / í \ ; / 7 / / 7 /// / ' ' / / / / 1 / /> - f : / / / ' , / / / / -/ / // 7 / / / y / / / / / // / I — ^ Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 62 Número 2 201 1 cm 1234 SciELO/JBRJ, 13 14 15 16 17 18 cm .. INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Rua Jardim Botânico 1008 - Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - CEP 22460-180 © JBRJ ISSN 0370-6583 Presidência da República Dilma Vana Rousseff - Presidenta Ministério do Meio Ambiente Izabella Mônica Vieira Teixeira - Ministra Francisco Gaetani — Secretário-Executivo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Liszt Vieira - Presidente Corpo Editorial Editora-chefe Karen Lucia Gama De Toni, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil Editores -assistentes André Mantovani, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. RJ, Brasil Cássia Monica Sakuragui, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil Conselho Editorial Ary Teixeira de Oliveira Filho, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil Jorge E.A. Mariath, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil Nicholas Hind, Royal Botanic Gardens, Kew, Inglaterra Renato Goldenberg, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil Rogério Gribel, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil William Wayt Thomas, The New York Botanical Garden, NY, EUA Editores de Área Ana Claudia Araújo, Royal Botanic Gardens, Kew, Inglaterra André Márcio Araújo Amorim, Universidade Estadual de Santa Cruz, BA, Brasil Dorothy Sue Araújo, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. RJ, Brasil Emerson Pansarin, Universidade de Sâo Paulo, Sào Paulo, SP, Brasil Lana da Silva Sylvestre, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, Brasil Luiz Antônio de Souza, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR, Brasil Maria das Graças Sajo, Universidade Estadual Paulista. Rio Claro, SP, Brasil Maria Teresa Menezes de Széchy, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. RJ. Brasil Natalia Macedo Ivanauskas, Instituto Florestal do Estado de Sào Paulo, Sào Paulo, SP, Brasil Nivaldo Peroni, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil ’ Ricardo de Souza Secco, Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, PA, Brasil Sandra Cristina Müller, Universidade Federa] do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil Editoração Carla Molinari Simone Bittencourt Evelyn dos Santos Almeida (bolsista CNCFlora) Capa Simone Bittencourt Edição on-line Carla Molinari Simone Bittencourt Edição eletrônica http! / /rodriguesia.jbrj.gov.br Apoio! %ÇNPq &0 ANOS CNCFL®RA SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Volume 62(2): 229-444 Abril-Junho 201 1 SciELO/JBRJ, 13 14 15 16 cm .. INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO Rua Jardim Botânico 1008 - Jardim Botânico - Rio de Janeiro - RJ - CEP 22460-180 © JBRJ ISSN 0370-6583 Rodriguésia A revista Rodriguésia é uma publicação trimestral do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a qual foi criada em 1935. A Revista publica artigos científicos originais, de revisão, de opinião e notas cientificas em diversas áreas da Biologia Vegetal (taxonomia, sistemática e evolução, fisiologia, fitoquímica, ultraestrutura, citologia, anatomia, palinologia, desenvolvimento, genética, biologia reprodutiva, ecologia, etnobotânica e filogeografia), bem como em História da Botânica e atividades ligadas a Jardins Botânicos. Ficha catalográfica Rodriguésia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. — Vol.l, n.l (1935) - .- Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas Jaidin Botinco cfa Rb cte Janáu 1935- v. : il. ; 28 cm. Trimestral Inclui resumos em português e inglês ISSN 0370-6583 1. Botânica 1. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro CDD - 580 CDU - 58(01) Indexação DOAJ Index of Botanical Publications (Harvard University Herbaria) Latindex Referativnyi Zhumal Review of Plant Pathology U!rich’s International Periodicals Directory Esta publicação é afiliada à ABEC-Brasil Edição eletrônica ISSN: 2175-7860 httpV/rodriguesia.jbrj.gov.br SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 SUMÁRIO/CONTENTS V Artigos Originais / Original Papers Fungos conidiais do bioma Caatinga II. Novos registros para o continente americano, Neotrópico, América do Sul e Brasil 229 Conidial fungi of Caatinga biome II. New records for American continent Neotropics, South America and Brazil Tasciano dos Santos Santa Izabel, Dalila Souza Santos, Davi Augusto Carneiro de Almeida & Luís Fernando Pascholati Gusmão Madeiras históricas do barroco mineiro: interfaces entre o patrimônio cultural material e a anatomia da madeira 241 Historical timbers from Baroque period of the State of Minas Gerais, Brazil: interfaces between material and cultural heritage and wood anatomy Fernando Andreacci & João Carlos Ferreira de Melo Júnior Estruturas secretoras de Pavonia alnifolia (Malvaceae), uma espécie ameaçada de extinção Secretory structures In Pavonia alnifolia (Malvaceae), an endangered species of extinction 253 Rafael Ribeiro Pimentel, Silvia Rodrigues Machado & Joecildo Francisco Rocha Morfologia de sementes e de estádios iniciais de plântulas de espécies de Bromeliaceae da Amazônia Seed morphology and early seedling stages in Bromeliaceae from the Amazon 263 Ivone Vieira Silva & Vera Lúcia Scatena Ecophysiological aspects of the seed and seedling of Raulinoa echinata (Rutaceae), a species endemic to the riparian forests of Itajaí valley, SC, Brazil Aspectos ecoflsiológicos da semente e da plântula de Raulinoa echinata (Rutaceae), espécie endémica da vegetação ciliar do vale do Itajaí, SC, Brasil Adriano Antonio Darosci & Maria Terezinha Silveira Paulilo O gênero Inga (Leguminosae-Mimosoideae) na Província Petrolífera de Urucu, Coari, Amazonas, Brasil The genus Inga I Leguminosae-Mimosoideae I in the Urucu Petroleum Province, Coari, Amazonas, Brazil Julio dos Santos de Sousa, Maria de Nazaré do Carmo Bastos & Ely Simone Cajueiro Gurgel Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae das restingas do estado do Rio de Janeiro Ulmaceae, Cannabaceae and Urticaceae of restingas of the State of Rio de janeiro Leandro Cardoso Pederneiras, Andréa Ferreira da Costa, Dorothy Sue Dunn de Araújo & Jorge Pedro Pereira Carauta Two new species of Anthurium sect Urospadix (Araceae) for Brazil Duas novas espécies de Anthurium sect Urospadix Engl. (Araceae) para o Brasil Lívia Godinho Temponi & Marcus A. Nadruz Coelho 283 299 315 SciELO/ JBRJ 13 14 15 cm .. Composição, estrutura e similaridade floristica da Floresta Atlântica, na Serra Negra, Rio Preto —MG Composition, stwcture and floristic similaríty of Atlantic Forest Sena Negra. Rio Preto - MC Arthur Sérgio Mouço Valente, Paulo Oswaldo Garcia, Fátima Regina Gonçalves Salimena & Ary Teixeira de Oliveira-Filho Floristics and life-forms along a topographic gradient, central-western Ceará, Brazil Floristica e fornias de vida ao longo de um gradiente topográfico no centrooeste do estado do Ceará, Brasil Francisca Soares de Araújo, Rafael Carvalho da Costa, Jacira Rabelo Lima, Sandra Freitas de Vasconcelos, Luciana Coe Girào, Melissa Souza Sobrinho, Morgana Maria Arcanjo Bruno, Sarah Sued Gomes de Souza, Edson Paula Nunes, Maria Angélica Figueiredo, Luiz Wilson Lima-Verde& Maria Iracema Bezena Loiola Estmtura do estrato herbáceo de uma restinga arbustiva aberta na APA de Massambaba Rio de janeiro, Brasil Herblayer structure of an open scrub restinga in the Massambaba Environmental Protection Area, Rio de laneiro, Brazil Daniele Andrade de Carvalho & Cyl Famey Catarino de Sá Physiognomy and structure of a seasonal deciduous forest on the Ibiapaba plateau, Ceará, Brazil Fisionomia e estmtura de uma floresta estacionai decídua no planalto da Ibiapaba, Ceará, Brasil Jacira Rabelo Lima, Everardo Valadares de Sá Barretto Sampaio. Maria Jesus Nogueira Rodai & rrancisca Soares Araújo Composição floristica e fisionomia de floresta estacionai semidecídua submontana na Chapada Diamantina, Bahia, Brasil Flonstic composition and physiognomy of a submontane seasonal semi-deciduous forest on Chapada Diamantina, Bahia, Brazil Ana Paula Lima do Couto, Lígia Silveira Funch & Abel Augusto Conceição C °T^iSr5 fl0ríStÍCa C estru i ura um fra 8mento de vegetação savânica sobre os tabuleiros pre-litoraneos na zona urbana de Fortaleza, Ceará l°TTT SÍt: ° n an , d phyt ° socío,0 S ical structure of an urban savannk veg etation fragment m the pre-htoranean plams of Fortaleza, Ceará Marcelo Freire Moro, Antônio Sérgio Farias Castro & Francisca Soares de Araújo Cha E “ ,0rea 0Ver a ^ in ** Anl azon-Cer,ado transiüon, zt^ de seií ~ ™ Daniel David Franczak. Beatriz Schwantes Marimon, Ben Hur Marimon -Junior. Hennque Augusto Mews, Leandro Maracahipes & Edmar Almeida de Oliveira Nota Cientifica / Short Communication Ontogênese do pericarpo de Temnadenia violacea (Apocynaceae sl) Ontogenesis of the pericarp of Temnadenia violacea l Apocynaceae si.) Fabiano Machado Martins & Jamile Fernandes Üma SciELO/JBRJ 13 14 15 321 341 367 379 391 407 423 437 17 18 cm Rodrl guésia 62(2): 229-240. 201 1 http://rodriguesia.jbrj.gov.br Fungos conidiais do bioma Caatinga II. Novos registros para o continente americano, Neotrópico, América do Sul e Brasil Conidial fungi of Caatinga biome II. New records for American continent, Neotropics, South America and Brazil Tasciano dos Santos Santa lzabel l,z , Dalila Souza Santos', Davi Augusto Carneiro de Almeida 1 & Luís Fernando Pascholati Gusmão' Resumo Durante investigação de fungos conidiais associados a materiais vegetais em decomposição cm uma área de extrema relevância biológica no bioma Caatinga, município de Morro do Chapéu, estado da Bahia, novos registros para o continente Americano, América do Sul, Neotrópico e Brasil foram encontrados. Dendryphiopsis biseptata Morgan-Jones, R.C. Sinclair & Eicker e Virgariella atra S. Hughes são novos registros para o continente Americano; Dictyochaeta matsushimae (Hewings & J.L. Crane) Whitton, McKenzie & K.D. Hyde, Endophragmiella boothii (M.B. Ellis) S. Hughes são reportados pela primeira vez para o Neotrópico; Anungitea palustrís R.F. Castancda & W.B. Kendr., Dictyochaeta anamorfo de Chaetosphaeria dingleyae S. Hughes, W.B. Kendr. & Shoemakcr, Dictyochaeta anamorfo de Chaetosphaeria pulchriseta S. Hughes, W.B. Kendr. & Shoemakcr, Eversia parvula Hol.-Jech., Gyrothrix hughesii Piroz. e Minimelanolocus navicularis (R.F. Castafieda) R.F. Castancda são novos registros para a América do Sul; Endophragmiella pallescens FE Sutton, I lelicoubisia coronala Lunghini & Rambclli c Selenodriella ponmudiensis (Varghesc & V.G. Rao) R.F. Castancda & Saikawa são reportados pela primeira vez para o Brasil. Descrições, comentários, distribuição geográfica e ilustrações são apresentados para estas espécies. Palavras-chave: biodiversidade, fungos anamórficos, taxonomia. Abstract During investigation of conidial fungi from dead plant material in an arca of extreme biological importancc at Caatinga bionic, municipality of Morro do Chapéu, Bahia State, Brazil, some new records for American continent, South America, Neotropics, and Brazil wcre found. Dendryphiopsis biseptata Morgan-Jones, R.C. Sinclair & Eicker and Virgariella atra S. Hughes are new records for American continent; Dictyochaeta matsushimae (Hewings & J.L. Crane) Whitton, McKenzie & K.D. Hyde and Endophragmiella boothii (M.B. Ellis) S. Hughes are reported for thc first time for Neotropics; Anungitea palustrís R.F. Castafieda & W.B. Kendr., Dictyochaeta anamorfic of Chaetosphaeria dingleyae S. Hughes, W.B. Kendr. & Shoemakcr, Dictyochaeta anamorfic of Chaetosphaeria pulchriseta S. I lughcs, W.B. Kendr. & Shocmaker, Eversia parvula I Fol.-Jech., Gyrothrix hughesii Piroz. and Minimelanolocus navicularis (R.F. Castafieda) R.F. Castafieda are new records to South America; Endophragmiella pallescens B. Sutton, I lelicoubisia coronata Lunghini & Rambclli and Selenodriella ponmudiensis (Varghesc & V.G. Rao) R.F. Castaõcda & Saikawa are reported for lhe first time for Brazil. Dcscription, comments, gcographical distribution and illustrations are presented for these specics. Kcy words: anamorfic fungi, biodiversity, taxonomy. Introdução Na região semi-árida do Brasil o aspecto fitofisionômico predominante é a Caatinga, ocorrendo outros tipos vcgetacionais como matas úmidas, matas estacionais, cerrados, tabuleiros e campos rupestres (Andrade-Lima 1981). O conhecimento da diversidade de fungos conidiais na região semi-árida brasileira c bastante pontual (Gusmão et ai. 2006). Maia & Gibcrtoni (2002), em inventário da diversidade de fungos no semi-árido brasileiro, apresentaram uma listagem com 45 1 espécies distribuídas entre os Filos Ascomycota, 'Universidade Estadual de Feira de Santana, Depto. Ciências Biológicas, Lab. Micologia, Av. Transnordcstina s/n, 44036-900, Feira de Santana. BA, Brasil. J Autor para correspondência: ta/ucfsbotíu grnail.com SciELO/ JBRJ 13 14 15 230 Santa Izabel, T.S. et aL Basidiomycota, Oomycota, Zygomycota (incluindo a ordem Glomales, atualmente Glomcromycota) e os fungos conidiais, sendo estes representados por 198 espécies. Gusmão et al. (2006) através de uma compilação de dados chegaram ao número de 407 espécies de fungos conidiais no semi-árido. Trabalhos publicados recentemente têm revelado novas espécies e novos registros destes fungos, ampliando consideravelmente o conhecimento da distribuição geográfica mundial de diversas espécies (Barbosa et al. 2007 ; Castaneda-Ruiz et al. 2006; Cruz et al. 2007a,b, 2008, 2009; Gusmão et al. 2008; Leâo- Ferreira etal. 2008; Marques etal. 2007). Esse trabalho teve como objetivo caracterizar as espécies que constituem novos registros para o continente Americano, Neotrópico, América do Sul e Brasil, coletadas em áreas de Caatinga, campo rupestre e mata estacionai que ocorrem no município de Morro do Chapéu, estado da Bahia. Materiais e Métodos O presente estudo foi realizado no município de Morro do Chapéu, situado ao Norte da Chapada Diamantina ( 10°40’-1 1°50'S e 40°50’-41°20’ W), área considerada de extrema importância biológica ( Velloso et al. 2002). A região possui uma tipologia vegetal única de Caatinga, que não se encontra representada em nenhuma das Unidades de Conservação no semi-árido (Maury 2002). Além da vegetação de Caatinga, apresenta outras formações vegetacionais como campo rupestre, florestas estacionais, vegetação de dunas interiores e áreas de transição (Junqueira & Bianchini 2006). Quatro expedições foram realizadas, entre maio de 2008 e fevereiro de 2009, quando substratos vegetais em decomposição (cascas, folhas e galhos) foram coletados em seis pontos distintos: um de caatinga, um de campo rupestre e quatro de floresta estacionai. Os substratos vegetais foram acondicionados em sacos de papel Kraft, transportados ao laboratório e submetidos à técnica de lavagem em água corrente (Castaneda-Ruiz 2005). Após secagem, as amostras foram acondicionadas em câmaras-úmidas. No período de 30 dias os substratos foram observados sob estereomicrocópio, sendo as estruturas de reprodução dos fungos coletadas e transferidas para meio de montagem permanente com resina PVL (álcool polivinílico + lactofenol). A identificação das espécies foi realizada comparando-se as estruturas reprodutivas encontradas com as descrições apresentadas em bibliografia especializada. O material foi depositado no Herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana (HUEFS). Resultados e Discussão Foram encontradas 83 espécies de fungos conidiais, das quais duas constituem novos registros para o continente Americano, duas para o Neotrópico, seis para a América do Sul e três para o Brasil. A maioria das espécies foi coletada sobre folhas (51), seguido de cascas (28) e galhos (23). Quarenta e uma espécies ocorreram exclusivamente em folhas, 13 somente em cascas e 13 apenas em galhos. Três espécies ocorreram nos três substratos, seis ocorreram em folhas e cascas, uma em folhas e galhos e seis em cascas e galhos. Anungitea palustris R.F. Castaneda & W.B. Kendr., Univ. Waterloo Biol. Ser. 35; 10. 1991. Fig. 1 a-d Conidióforos macronemáticos, mononemáticos. simples, solitários ou em grupos, eretos, retos, septados, lisos, castanhos a castanho-claros, subhialinos no ápice, 34,5-1 27,5 x 4,5-6 pm; células conidiogênicas poliblásticas, integradas, raramente evidentes, terminais, raramente laterais; dentículos proeminentes, 1-2 pm compr.; conídios catenulados, cilíndricos a fusiformes, secos, lisos, 1 -septados, raramente 0-septados, hialinos, 13,5-1 8 x 1 ,5-2,0 pm. Material examinado: 12.11.2009, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155095). O gênero Anungitea B. Sutton é caracterizado pelos conídios solitários ou formando cadeias simples, surgindo de dentículos conspícuos (Sutton 1973; Castaneda-Ruiz et al. 1997b). O gênero é composto por 13 espécies (Castaneda-Ruiz et al. 1997b). Anungitea palustris assemelha-se com A. fragilis B. Sutton pela morfologia do conídio, no entanto, essa espécie apresenta células conidiogênicas integradas, conídios castanho-claros e maiores (Sutton 1973). O material examinado está de acordo com a descrição apresentada por Castaneda-Ruiz & Kendrick (1991). Este é o segundo registro da espécie para o mundo e o primeiro para a América do Sul. Estando presente também cm Cuba (Castaneda-Ruiz & Kendrick 1991). Dendryphiopsis biseptata Morgan-Jones, R.C. Sinclair & Eicker, Mycotaxon 17: 304. 1983. Fig. 1 e-f Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, solitários ou em grupos, eretos, retos ou levemente flexuosos, ramificados no ápice, septados, lisos ou verrucosos, castanhos a castanho-escuros, 60-210 x 7,5-9 pm; células conidiogênicas monotréticas, integradas, subglobosas, lisas, castanhas a Rodhguésiá 62(2): 229-240. 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 Novos registros de fungos conidiais da Caatinga 231 Figura 1 - a-d. Anungitea paluslris R.F. Castaikda & W.ü. Kendr- a. aspecto geral; b. detalhe da célula conidiogênica; c. cadeia de conidios (seta); d. conidio. c-f. Dendryphiopsis biseptata Morgan-Jones, R.C. Sinclair & Eiekcr- c. aspecto geral; f. detalhe da célula conidiogênica (seta), g-h. Dictyochaeta anamorfo de Chaelosphaeria dingleyae S. Hughes, W.B. Kendr - g. aspecto geral; h. conidio, i-k. Dictyochaeta anamorfo de Chaelosphaeria pulchriseta S. Hughes, W.H. Kendr - i. aspecto geral; j. detalhe do conidióforo; k. conidio. 1-n. Dictyochaeta matsushimae (I lewings & J.L, Crane) Whitton - 1. aspecto geral; m. detalhe do conidióforo; n. conidios. o-q. Endophragmiella boothii (M.B. F.llis) S. Hughes -o. aspecto geral; p, conidióforo; q. conidio. Barra= 50p (f, i, I); 20p (a, c, c, g,j, o, q); 10p (b, m, n, p); 5|i (d, h, k). Figure 1 - a-d. Anungitea paluslris R.F. Castaikda & W.ü. Kendr - a. general nspcct; b. detail of conidiogcnous ccll; c. catenate conidia (arrow); d. conidium. e-f. Dendryphiopsis biseptata Morgan-Jones, R.C. Sinclair & Eiekcr - c. general uspcet; f. detail of conidiogcnous cell (arrow). g-h. Dictyochaeta anamorlle of Chaelosphaeria dinglevae S. Hughes, W.H. Kendr - g. general aspcel; h. conidium. i-k. Dictyochaeta anamorlic of Chaelosphaeria pulchriseta S. I luglics, W.H. Kendr - i. general aspcel; j. detail of conidiophorc; k. conidium. l-n. Dictyochaeta matsushimae (I lewings & J.L. Crane) Whitton - 1. general aspcel; m. detail of conidiophorc; n. conidia. o-q. Endophragmiella boothii (M.B. Ellis) S. Hughes - o. general aspcel; p. conidiophorc; q. conidium. Uar=50p (f, i, I); 20p (a, c, c, g, j, o, q); IOp (b, m, n, p); 5g (d, h, k). Rodriguésia 62(2): 229-240. 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. 232 castanho-claras, 1 2-1 8 x 6-9 pm; conídios solitários, secos, elipsóides a obovais, lisos, 2-septados, raramente 1-septados, castanhos, 33-42 x 18-21 pm. Material examinado: 28.XII.2007, D.S. Santos s n (HUEFS 134726). Dend ryph i opsis S. Hughes inclui cinco espécies (CABI 2010). Dendryphiopsis biseptata assemelha-se a D. atra (Corda) S. Hughes pela morfologia do conidióforo e do conídio; porém, distingue-se pelo número de septos nos conídios (Morgan-Jones et al. 1983). Dendryphiopsis biseptata foi descrito originalmente com conidióforos lisos. No entanto, no material estudado estes se apresentaram também verrucosos. Essa é a segunda ocorrência para o mundo e a primeira para o continente americano. Antes localizada na África do Sul (Morgan-Jones et al. 1983). Dictyochaeta anamorfo de Chaetosphaeria dingleyae S. Hughes, W.B. Kendr. & Shoemaker N.Z. Jl. Bot. 6: 343. 1 968. Rg. 1 g-h Setas eretas, retas ou flexuosas, septadas, lisas, ápice arredondado, castanhas a castanho-escuras, castanho-clara no ápice, 97,5-150 x 5-5,5 pm; conidióforos macronemáticos, mononemáticos, solitários ou em grupos de 2—4 associados a uma seta, eretos, retos ou ligeiramente flexuosos, septados, lisos, castanho-claros, 37,5-73,5 x 2,4- 3,6 pm; células conidiogênicas monofialídicas, integradas, terminais, lisas, determinadas, com colaretes proeminentes; conídios agregados em mucilagem, falcados a fusiformes, lisos, 1-septados, hialinos, 12-15 x 1-1,5 pm; uma sétula em cada extremidade, 5,4— 8,4 pm compr. Material examinado: 6.XII.2007, D.S. Santos v n (HUEFS 134727). A combinação dos caracteres conídios 1 -septados, uma sétula nas extremidades e presença de seta, é encontrada em quatro espécies: Dictyochaeta malaysiana Kuthub., D. novae- guineensis (Matsush.) A.I. Romero, D. tortuosa (B. Sutton) Whitton, McKenzie & K.D. Hyde e Dictyochaeta anamorfo de Chaetosphaeria dingleyae (Kuthubutheen & Nawawi 1991a). Dictyochaeta malaysiana e D. novae-guineensis possuem conídios mais largos (3-4 pm e 2,5- 3,5 pm, respectivamente) e D. tortuosa apresenta setas tortuosas (Kuthubutheen & Nawawi 1991a; Whitton et al. 2000). As características do materiai examinado estão de acordo com Hughes & Kcndrick (1968) e Whitton et al. (2000). Esta é a primeira referencia da espécie para a América do Sul. Registros dessa espécie na Austrália (Whitton et al. 2000); Santa Izabel, T.S. et al. Estados Unidos da América (Raabe et al. 1981); México (Abarca et al. 2004); Nova Zelândia (Hughes & Kendrick 1968). Dictyochaeta anamorfo de Chaetosphaeria pulchriseta S. Hughes, W.B. Kendr. & Shoemaker, N.Z. Jl Bot. 6: 356. 1 968. Fig. 1 i-k Setas eretas, retas ou ligeiramente flexuosas, septadas, lisas, castanhas, penúltima célula geralmente castanho-escura, 168-330 x 5-7 pm; conidioloros macronemáticos, mononemáticos, solitários ou em grupos de 2-5 ao redor da seta, eretos, retos ou flexuosos, septados, lisos, castanhos a castanho-claros, 25,5-45 x 3,6-5 pm; células conidiogênicas polifialídicas, com até três proliferações percurrentes, integradas, terminais, com colaretes; conídios 0-septados, agrupados em mucilagem, falcados a fusiformes, ligeiramente curvos, gutulados, lisos, hialinos, 1 5-25 x 1 ,8-4 pm, com uma sétula em cada extremidade, 1 ,8-3 pm compr. Material examinado: 24.XII.2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155085); 8.VI.2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155086); 21.X.2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155087); 24.X1I.2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155088); 23. V. 2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155089); 7.1.2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155090). Setas com a penúltima célula castanho-escura e conídios multigutulados estão presentes em Dictyochaeta vittata Kuthub. & Nawawi e D. intermedia Gusmão & Leão-Ferreira (Cruz et al. 2008). Dictyochaeta anamorfo de Chaetosphaeria pulchriseta difere das espécies relacionadas pelas sétulas menores. O material examinado está de acordo com Kuthubutheen & Nawawi (1991b) e Holubová-Jechová (1984). Este constitui o primeiro registro da espécie para América do Sul. Espécie anteriormente registrada em Brunei, China (Whitton et al. 2000); antiga Checoslováquia, Cuba (Holubová-Jechová 1984); Estados Unidos da América. Malásia (Kuthubutheen & Nawawi 1 99 1 b); Nova Zelândia (Hughes & Kendrick 1 968). Dictyochaeta matsushimae ( Hewings & J.L. Crane) Whitton, McKenzie & K.D. Hyde, Fungai Diversity 4. 140. 2000. Bas.: Codinaea matsushimae Hewings & J.L. Crane, Mycotaxon 13(2); 423. 1981. Fig. 1 1-n Setas solitárias, eretas, retas ou flexuosas, lisas, castanho-escuras na base, castanho-claras no ápice, 300-360 x 4.5-6 pm; conidióforos macronemáticos, mononemáticos, eretos, retos ou flexuosos, simples, lisos, castanho-claros, 40.5-66 Rodriguósia 62 ( 2 ): 229 - 240 . 2011 SciELO/JBRJ, Novos registros de fungos coniáais da Caatinga 233 x 4,5 pm; células conidiogênicas mono ou polifialídicas, determinadas, integradas, lageniformcs, lisas, subhialinas, 25,5-34,5 x 2 |im; conídios falcados a alantóides, 3-septados, hialinos, 2 1-25,5 x 3 pm; uma sétula em cada extremidade, 9-1 2 pm compr. Material examinado: 29. VIII. 2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 134724); 17.V.2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155084). Conídios 3-septados e com sétulas nas extremidades são observados em Dictyochaeta matsushimae , D. caatingae A.C. Cruz & Gusmão, D. macrospora Kuthub. & Nawawi e D. triseptata (Matsush.) R.F. Castaneda. Destas, D. macrospora c D. triseptata não apresentam setas. A presença de seta é observada em Dictyochaeta caantigae, a qual se diferencia de D. matsushimae pelos conídios maiores e sétulas inconspícuas (Castaneda-Ruiz 1986; Kuthubutheen& Nawawi 1991a; Cruze/ ai. 2008). O material examinado está de acordo com a descrição de Hewings & Crane (1981). Este constitui o primeiro registro para o Neotrópico. Distribui-se nos Estados Unidos da América (Hewings & Crane 1 98 1 ) c na antiga União Soviética (Farr & Rossman 2009). Endophragmiella boothii (M.B. Ellis) S. Hughes, N.Z. Jl Boi. 17(2): 147. 1979. Bas.: Entiophragmia boothii M.B. Ellis, Mycol. Pap. 72: 35. 1959. Fig. 1 o-q Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, solitários ou em grupos, eretos, retos ou levcmcnle flexuosos, 4-6 septudos, simples, lisos, castanhos, 92-189 x 4 pnv, células conidiogênicas terminais, cilíndricas, ápice truncado, lisas, 2-4 proliferações percurrentes, castanho-claras, 3-4 pm larg.; conídios solitários, secos, obpiriformes, 3-septados, lisos, lúmen celular reduzido, castanhos a castanho- claros, 18-22,5 x 9 pm; base truncada, 2 pm larg. Secessão rexolítica. Material examinado: 17.V.2008, T.S. Santa izabel s.n. (HUEFS 1 5509 1 ); 28.VII.2(X)8, D.S. Santos s.n. (HUEFS 148831). Endophragmiella B. Sutton foi proposto com a espécie-tipo E. pallescens B. Sutton, para acomodar espécies anteriormente incluídas cm Endophragmia Duvcrnoy & Maire que apresentam conídios com secessão rexolítica e células conidiogênicas com proliferações percurrentes (Hughes 1 979; Castaneda- Ruiz. et ai. 1 995). Endophragmiella boothii difere das demais espécies do gênero pelos conídios triseptados com o lúmen da célula reduzido (Wu & Zlniang 2(X)5). O material examinado está de acordo com Wu & Zhuang (2005), porém, apresentou conídios menores que os descritos por Ellis (1959). Este constitui o primeiro registro para o Neotrópico. Além destes registros para China (Wu & Zhuang 2005); Escócia (Farr & Rossman 2009); Estados Unidos da América (como Endophragmia boothii, Sutton 1978); Inglaterra (como Endophragmia boothii, Ellis 1971); Nova Zelândia (Hughes 1979). Endophragmiella pallescens B. Sutton, Mycol. Pap. 132:62. 1973. Fig.2a-d Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, solitários ou em grupos, eretos, retos ou llexuosos, septados, simples, lisos, castanhos, castanho- claros no ápice, 50-150 x 4, 5-6, 5 pm; células conidiogênicas terminais, cilíndricas, ápice truncado, lisas, com proliferações percurrentes; conídios solitárias, secos, elipsóides, célula basal maior que a apical, 1 -septados, lisos, castanhos, 12-16 x 4, 5-7,5 pm. Secessão rexolítica. Material examinado: 15.X.2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155092). Endophragmiella pallescens assemelha-se a E. uniseptata (M.B. Ellis) S. Hughes pelos conídios 1 -septados, elipisóides com célula basal maior que a apical. No entanto, E. uniseptata possui conídios maiores (Hughes 1979). O material examinado difere dos apresentados por Sutton (1973) e Holubová- Jechová (1986) no que se refere ü ramificação dos conidióforos e na presença de conídios 1-2-septado, porém, está de acordo com Wu & Zhuang (2005). Este é o primeiro registro para o Brasil. Anteriormente registro para Argentina (Rornero & Pildain 2003); Canadá (Sutton 1973); antiga Checoslováquia (Holubová-Jechová 1986); China (Wu & Zhuang 2005); Inglaterra (Farr& Rossman 2009). Eversia parvula Hol.-Jech., Èeskd Mykol. 41(1): 31.1987. Fig. 2 c-f Conidioma em esporodóquio. Conidióforos semi-macronemáticos a macronemáticos, mononemáticos, retos ou flexuosos, simples ou ramificados, septados, castanho-claros, 40-60 x 3- 4 pm. Células conidiogênicas holoblásticas, integradas, terminais, cilíndricas, com proliferações percurrentes; conídios solitários, oblongos, secos, aplanados, muriformes, lisos, formados por dois braços unidos, célula basal subhialina, castanho- claros a castanhos, 1 8-24 x 7.5-1 0,5 pm. Material examinado: 9.VI.2008. T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155094); 13.X.2008, D.S. Santos s.n. (HUEFS 148832). Rodriguéíla 62 ( 2 ): 229 - 240 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 234 Sanfa Izabel. T.S. et aL Eversia J.L. Crane & Schokn. é constituído por duas espécies, £. parvula e E. subopaca (Cooke & Ellis) Crane & Schokn. que se diferenciam pelo número de braços no conídio. £. subopaca possui 3-4 braços enquanto £. parvula possui 2 braços. (Holubová-Jechová 1987). O material examinado apresentou conidióforos maiores e conídios mais largos que os descritos por Holubová-Jechová ( 1 987) e Abarca et al. (2004). Não foi observ ada a formação de anelações conspícuas castanho- escuras na região apical dos conidióforos; entretanto, as demais características do material examinado possibilitaram o enquadramento do espécime em £. parvula. Esta é a primeira referência da espécie para a América do Sul. Registros para Cuba (Holubová-Jechová 1987); México (Abarca et al. 2004); antiga União Soviética (Melnik 2000). Gyrothrix liughesii Piroz., Mycol. Pap. 84: 22. 1962. Fig. 2 g-i Setas eretas, septadas, 3-5 ramificações verticiladas, lisas, castanhas, 82,5-105 x 2-3 pm; conidióforos ausentes; células conidiogênicas poliblásticas, anelídicas, evidentes, surgindo latcralmente à superfície da hifa somática ou da base da seta, oboclavadas a lageniformes, subhialinas 6-7,5 x 3-4,5 pm; conídios cilíndricos a fusiformes, arranjados numa tina camada esbranquiçada na base da seta, hialinos, 13,5-15 x 1,5-2 pm. Material examinado: T.S. Santa Izabel s.n 7 VIII 08 (HUEFS 155098). Gyrothrix foi proposto por Conda cm 1 884 ( apud Pirozynski 1 962) e é caracterizado por apresentar setas ramificadas, lisas ou verrucosas, conidióforos ausentes, células conidiogênicas poliblásticas, lageniformes à subuladas, subhialinas a hialinas e conídios falcados, cilíndricos ou fusiformes. Circinotríchum possui características semelhantes à Gyrothrix diferindo deste por apresentar setas não ramificadas (Pirozynski 1 962). Gyrothrix liughesii é semelhante a G. inops (Berlese) Piroz. e G. ramosa Zucconi & Onofri pela presença de setas verticiladas (Pirozynski 1962; Zucconi & Onofri 1989). Gyrothrix inops diferencia-se das espécies mencionadas pelas setas maiores, levemente verrucosas e com ramificações opostas (Pirozynski 1962). Gyrothrix ramosa possui setas verrucosas maiores, com ápice curvo e filiforme (Zucconi & Onofri 1 989). Este constitui o primeiro registro para a América do Sul. Anteriormente com registros para Cuba (Mercado-Sierra & Mena-Portales 1 995); Gana. Serra Leoa, Sudão, (Farr & Rossman 2009); índia (Pirozinski & Patil 1970); Paquistão (Pirozinski 1962). Helicuubisia coronata Lunghini & Rambelli, Micol. Uai. 8(1): 2 1 . 1 979. Fig. 2 j-1 Conidióforos macronemáticos. mononemáticos, solitários, eretos, retos, simples, septados, lisos, castanho-escuros, 63-107 x 4—6 pm; ápice inflado com quatro células conidiogênicas em verticilo; células conidiogênicas holoblásticas, evidentes, denticuladas, terminais, determinadas, cuneiformes, lisas, castanho-claras, 3,5-4 x 2,5—3 pm; conídios solitários, lisos, secos, enrolados 1 vez, 6-8 septados, simples, castanho-claros a subhialinos, 8-1 1 pm diâm.; largura do filamento 2,5-4 pm. Material examinado: 25.VII.2008, D.S. Santos sn (HUEFS 137808). O gênero monotípico Helicoubisia foi introduzido por Lunghini & Rambelli ( 1979) com a espécie-tipo H. coronata. Matsushima (1993) propôs uma nova espécie para o gênero Moorella P. Rag. Rao & D. Rao, M. monocephala Matsush.. que apresentava as mesmas características de H. coronata. Pinnoi et al. (2004), analisando esses dois gêneros, propôs a sinonimização de M. monocephala com H. coronata. O material examinado está de acordo com o descrito por Lunghini & Rambelli (1979), exceto pela largura do filamento do conídio, que no material examinado possui dimensões maiores. Esta representa a primeira ocorrência da espécie para o Brasil. Espécie presente também na China (Lu et al. 2000); Costa do Marfim (Lunghini & Rambelli 1979); Equador e Peru (como Moorella monocephala; Matsushima 1993); índia (Vittal & Dorai 1995); Malásia (Kuthubutheen & Nawawi 1 994); Tailândia (Pinnoi etal 2006). iviinimelanolocus navicularis (R.F. Castaneda) R.F. Castaneda, Cryptog. Mycol. 22( 1 ): 9. 2001 . Bas.: Pseudospiropes navicularis R.F. Castaneda, Pungi Cubenses II (La Habana): 1 0. 1 987. Fig. 2 m-o Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, simples, solitários ou em grupos, eretos, retos ou flexuosos, septados, lisos, castanhos, castanho-claros no ápice, 45- 1 55 x 4-5 pm; células conidiogênicas poliblásticas, integradas, terminais, simpodiais, lócus comdiogêmco inconspícuo; conídios solitários, naviculados, secos, lisos, 3-scptados, raramente 2-septados, célula basal e apical subhialinas a castanho-claras, células centrais castanho-escuras, 1 8-23 x 6.5-8.0 pm. Material examinado: 28.VI1.2008. T.S. Santa Pabel 6X2008 - “ s “'"“ Rodríguésiá 62(2): 229-240. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Novos registros de fungos conidiais da Caatinga 235 Figura 2 - a-d. Endophragmiella pallescens B. Sulton - a. aspecto geral; b. detalhe das proliferações porciirrentes (seta); c-d. conídios. e-f. Eversia parvula Hol.-Jech - c. conldios; f. conídio. g-i. Gyrothrix hughesii Piroz - g. seta; h. detalhe das células conidiogênicas; i. conldios. j-1. Helicoubisia coronala Lunghini & Rambelli -j. aspecto geral; k detalhe das células conidiogênicas; I. conídio. m-o. Minimelanolocus navicularis (R.F. Castaneda) R.F. Castaficda - m. conidíoforos; n. conídio; o. conídios. p-r. Selenodriella ponmudiensis (Varghesc & V.G. Rao) R.F. Castaficda & Saikawa - p. aspecto geral; q. detalhe das células conidiogênicas; r. conídios. s-u. Virgariella atra S. I lughes - s. aspecto geral; t-u. conídios. Barra= 50g (p, s); 20 g (e, g, j, m); 10p (a, b, h. i, n, o, q, r, t, u); 5p(c, d, f, k, I). pi rc 2 - a-d. Endophragmiella pallescens D. Sutton - a. general aspeet; b. detail of pereurrent proliferations (urrow); e-d. eonidia. c-f Eversia parvula Hol.-Jech - c. eonidia; f. conidium. g-i. Gyrothrix hughesi Piroz - g. selac; h. detail of conidiogcnous eclls; i eonidia j-i. Helicoubisia coronala Lunghini & Rambelli - j. gcnerul aspeet; k. detail of eonidiogenous eclls; I. conidium. m-o Minimelanolocus navicularis (R.F. Castaficda) R.F. Castaficda - m. conidiophorcs; n. conidium; o. eonidia. p-r. Selenodriella ponmudiensis (Varghesc & V.G. Rao) R.F. Castaficda & Saikawa - p. general aspeet; q. detail of conidiogcnous eclls; r. eonidia. s-u. Virgariella atra S. Hughes - s. general aspeet; t-u. eonidia. Bar= 50p (p, s); 20p (c, g, j, m); lOp (a, b, h, i, n, o, q, r, t, u); 5p(c, d. f, k, I). Rodriguésia 62(2): 229-240. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 236 Santa Izabel T.S. et aL Minimelanolocus R.F. Castaneda & Heredia foi estabelecido com a espécie-tipo M. navicularis, para acomodar espécies anteriormente incluídas em Pseiidospiropes M.B. Ellis, que apresentam conídios euseptados, células conidiogênicas poliblásticas, integradas, com proliferações simpodiais, holoblásticas, raramente enteroblásticas e com lócus conidiogênico inconspícuo ou com uma pequena proeminência (Castaneda-Ruiz et al. 200 1 ). O gênero é composto atualmente por 1 8 espécies (Ma et. al. 2008; Zhang et al. 2009). Minemelanolocus navicularis difere das demais espécies do gênero pelos conídios naviculados (Castaneda-Ruiz 1987). O material examinado apresenta conidióforos maiores que os apresentados por Castaneda-Ruiz (1987). Esta espécie é reportada pela primeira vez para a América do Sul. Anteriormente registros para Cuba (Castaneda-Ruiz 1987). Selenodriella ponmudiensis (Varghese & V.G. Rao) R.F. Castaneda & Saikawa, Mycotaxon 85: 225. 2003. Bas.: Circinotrichum ponmudiensis Varghese & V.G. Rao, Bot. Notiser 1 3 1 (2): 2 1 5. 1 978. . . Fig. 2 p-r Comdioforos setiformes, macronemáticos, mononemáticos, simples, eretos, retos ou flexuosos, septados, castanhos, castanho-claros no ápice] 200-380pm compr., 10-20 larg. na base bulbosa] 1,5-2, 5 larg. no ápice; células conidiogênicas poliblásticas, surgindo diretamente do conidióforo ou de células suportes, ampuliformes a lageniformcs, na região mediana do conidióforo, castanho-claras a subhialinas, 3,0-4,5 x 1 ,5-3,0pm; região fértil, 75—150 pm; conídios clavados a alantóides, lisos, 0— septados, hialinos, agregados em mucilagem 7,2-10,8 x 1,2-1, 5 pm. Material examinado: 31.1.2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155096); 16.11.2009, T.S. Santa Izabel s n (HUEFS 155097). Dentre as espécies de Selenodriella R.F. Castaneda & W.B. Kendr., apenas S. ponmudiensis e S. inaequi I aterospora R.F. Castaneda & W.B. Kendr. possuem células conidiogênicas dispostas apenas lateralmente. No entanto, S. inaequilaterospora diferencia-se de S. ponmudiensis pelas células conidiogênicas lageniformes a subuladas, além de conídios maiores, fusiformes a vermiformes (Castaneda-Ruiz & Kendrick 1991). O material examinado está de acordo com a descrição apresentada por Varghese & Rao (1978). Este é o primeiro registro da espécie para o Brasil. Registro dessa espécie também em Cuba (como C. ponmudiensis, Castaneda-Ruiz et al. 1997a); índia (como C. ponmudiensis, Varghese & Rao 1978); Venezuela (Castaneda-Ruiz etal. 2003). Virgariella atra S. Hughes, Can. J. Bot. 3 1 (5); 654. 1953. Fig. 2s-u Conidióforos macronemáticos, mononemáticos, simples, eretos, retos ou flexuosos, septados, lisos, castanho-escuros, 1 80—270 x 4,5—6 pm; células conidiogênicas poliblásticas. integradas, terminais, cilíndricas, simpodiais; conídios solitários, secos, 0-septados, elipsóides, subglobosos a ovais, lisos, castanho-escuros, 10,5-12 x 10,5-13 pm. Material examinado: 1 1 .V1.2008, T.S. Santa Izabel s.n. (HUEFS 155093). São aceitas oito espécies em Virgariella S. Hughes (Delgado-Rodrigues & Mena-Portles 2003). O gênero é caracterizado pelos conidióforos macronemáticos, mononemáticos, simples, com células conidiogênicas poliblásticas, integradas, terminais, simpodiais, cilíndricas e conídios solitários, secos, fusiformes a elipsóides, subesféricos, esféricos, globosos, subglobosos, lisos ou verrucosos, castanhos (Hughes 1953; Ellis 1971; Sutton 1 992; Delgado-Rodrigues & Mena-Portales 2003). Virgariella atra está mais relacionada a V. globigera (Sacc. & Ellis) S. Hughes; no entanto esta espécie apresenta conídios globosos a subglobosos e menores (Delgado-Rodrigues & Mena-Portales 2003). O material examinado apresentou conidióforos maiores e conídios menores do que os descritos por Hughes (1953). Este constitui um novo registro para o continente americano. Anteriormente apenas China (Farr&Rossman 2009); Inglaterra (Hughes 1953). Outras espécies de fungos conidiais encontradas no município de Morro do Chapéu, Bahia: Actinocladium rhodosporum Ehrenb., Jahrb. Gewachsk. 1(2): 52. 1819. (HUEFS 155193). Atrosetaphiale flagetliformis Matsush., Matsush. Mycol. Mem. 8: 14. 1995. (HUEFS 155194). Beltrania rlwmbica Penz., Michelia 2 (no 8)- 474 1 88" 1 (HUEFS 155148). Beltramella portoricensis (F. Stevens) Piroz. & S.D. Patil, Can. J. Bot. 48(3): 575. 1970. (HUEFS 15515). Brachysporiella gayana Bal., Boi Secr. Agric. (Pernambuco) 19(1-2): 109. 1952. (HUEFS 155->->6) Brachysporiellina fecunda S M. Leão, Gusmão" R.F. Castaneda & A.C. Cruz, Mycotaxon 104: 310 2008 (HUEFS 155161). C balara affntis Sacc. & Berl., Aui Inst. Veneto Sei. lett..ed Ani, Sér.6 3: 741. 1885. (HUEFS 155188). Chalara alabamensis Morgan-Jones & E.G. Ingram Mycotaxon 4(2): 489. 1976. (HUEFS 155189) ttodríguésià 62(2): 229-240. 2011 SciELO/JBRJ 13 14 cm Novos registros de fungos conidiais da Caatinga Chloridium virescens var. virescens (Pers.) W. Gams & Hol.-Jech., Stud. Mycol. 13: 17. 1976.(HUEFS 155162). Chloridium transvaalense Morgan-Jones, R.C. Sinclair & Eicker, Mycotaxon 17:301. 1983. (HUEFS 155163). Circinotrichum falcatisporum Piroz., Mycol. Pap. 84:7. 1962. (HUEFS 155223). Circinotrichum maculiforme Nees, Syst. Pilze (Würzburg): 19. 1816. (HUEFS 155224). Circinotrichum otivaceum (Spcg.) Piroz., Mycol. Pap. 84: 6. 1962. (HUEFS 15522). Cordana musae (Zimm.) Hohn., Zenlbl. Bakt. ParasilK.de, Abt. II 2 (60): 7. 1923. (HUEFS 155190). Cryptophiale kakomhensis Piroz., Can. J. Bot. 46: 1 1 24. 1968. (HUEFS 155198). Cryptophiale udagawae Piroz. & Ichinoe, Can. J. Boi. 46:1126. 1968. (HUEFS 155201). Cryptophialoidea fasciculata Kuthub. & Nawawi, Mycol. Res. 98 (6): 686. 1994. (HUEFS 155196). Crvptohialoidea ramosa G. Delgado, J. Mena & Gené, Fungai Diversity 20: 31. 2005. (HUEFS 155206) Dactylaria candidula ( llohn.) G.C. Blialt & W.B. Kcndr, Can. J. Bot. 46: 1256 1968. (HUEFS 155234). Dacllaria cazorlii Mercado, Gené & Guarro, in Gene, Mercado-Sierra & Guarro, Mycol. Res. 104 (1 1): 1404. 2000. (HUEFS 155230). Dendrypiopsis atra (Corda) S. Hughes, Can. J. Bot. 31: 655. 1953. (HUEFS 155183). Dictyochaeta novae-guineensis ( Matsush.) A.I. Romero, Boln Soc. argent. Bot. 22: 76. 1983. (HUEFS 155142). Dictyochaeta simplex (S. Hughes & W.B. Kcndr.) Hol.- Jech., Folia geobot. phytotax. 19: 434. 1984. (HUEFS 155143). Dischloridium inaequiseptatum (Matsush.) Hol.-Jech., Èeská Mykol. 41(2): 1 II. 1987. (HUEFS 155187). Drechslera rostrata (Drechslcr) M.J. Richardson & E.M. Frascr, Trans. Br. mycol. Soc. 51: 148. 1968. (HUEFS 155235). Ellisembia adscendens (Berk.) Subram., Proc. Indlan naln Sei. Acad., Part B. Biol. Sei. 58(4): 183. 1992. (HUEFS 155127). Ellisembia brachypus (Ellis & Evcrh.) Subram., Proc. Indian natn Sei. Acad.. Part B. Biol. Sei. 58: 183. 1992. (HUEFS 155133). Ellisembia vaga ( Nees & T. Nees) Subram., Proc. Indian natn Sei. Acad.. Part B. Biol. Sei. 58(4): 184.1992. (HUEFS 155104). Exserticlava vasiformis (Matsush.) S. Hughes, N.Z. Jl Bot. 16(3): 332. 1978. (HUEFS 155172). Fusariella obstipa (Pollack) S. Hughes, Mycol. Pap. 28: 9. 1949. (HUEFS 155216). Gonytrchum chlamydosporium var. simile W. Gams & Hol.-Jech., Stud. Mycol. 13:88. 1976.(HUEFS 155166). Gonytrichum macrocladum (Sacc.) S. Hughes, Trans. Br. mycol. Soc. 34: 565. 1951. (HUEFS 155171). Gyrolhrix microsperma (Hohn.) Piroz., Mycol. Pap. 84:14. 1962. (HUEFS 155217). Uelicosporium gracile (Morgan) Lindcr, Ann. Mo. bot. Gdn 16: 281. 1929. (HUEFS 155208). Rodriguèsia 62(2): 229-240. 201 1 237 Uelicosporium griseum Berk. & M.A. Curtis, Grevillca 3 (XXVI): 51. 1874. (HUEFS 155215). Uelicosporium pannosum (Berk. & M.A. Curtis) R.T. Moore, Mycologia49: 582. 1957. (HUEFS 155214). Helicsporium vesiculiferum A.C. Cruz & Gusmão, Mycotaxon 1 10: 55. 2009. (HUEFS 141556). Henicospra coronata B. Sutton & P.M. Kir, Trans. Br. mycol. Soc. 75(2): 249. 1980. (HUEFS 155182). Idriella setifonnis R.F. Caslaneda & G.R.W. Amold. Revta. Jardín Bot. Nac., Univ. Habana 6: 50. 1985. (HUEFS 155144). Junewangia globulosa (Tóth) W.A. Baker & Morgan- Jones, Mycotaxon 81: 308. 2002. (HUEFS 155231). Memnoniella echinata (Rivolta) Galloway, Trans. Br. Mycol. Soc. 18(2): 165. 1933. (HUEFS 155180). Menisporopsis novae-zelandiae S. Hughes & W.B. Kcndr., N.Z. Jl Bot. 6: 369. 1968. (HUEFS 155233). Menisporopsis theobromae S. Hughes, Mycol. Pap. 48:59. 1952. (HUEFS 155232). Myrmecridium schulzeri var. schulzeri (Sacc.) Arzanlou, W. Gams & Crous, Stud. Mycol. 58: 84. 2007. (HUEFS 155260). Neojohnstonia minima Gusmão & Grandi, Mycotaxon 80: 98. 2001. (HUEFS 133851). Paliphora inflata Gusmão, Marques & D. A.C. Almeida, Mycologia 100(2): 306. 2008. (HUEFS 155175). Pappimyces hastatus B. Sutton & Hodges, Nova Hcdwigia 26(2-3): 528. 1975. (HUEFS 155225). Paraceratocladium silvestre R.F. Castaneda, Fungi Cubenscs II (La Habana) 2: 9. 1987. (HUEFS 155207). Periconia cookei E.W. Mason & M.B. Ellis, Mycol. Pap. 56:72. 1953. (HUEFS 155213). Phaeostalagmus tenuíssimas (Corda) W. Gams & 1 lol.- Jeeh., Stud. Mycol. 13: 93. 1976. (HUEFS 155202). Phaeoisria infrafertiUs B. Sutton & Hodges, Nova Hcdwigia 27(1-2): 219. 1976. (HUEFS 155205). Kamichloridium anceps (Sacc. & Ellis) de Hoog, Stud. Mycol. 15: 59. 1977. (HUEFS 155165). Speiropsis scopiformis Kuthub. & Nawawi, Trans. Br. mycol. Soc. 89(4): 584. 1987. (HUEFS 155186). Speiropsis pedatospora Tubaki, J. Ilattori bot. Lab. 20: 171 1958. (HUEFS 155184). Sporidesmiella aspera Kuthub. & Nawawi. Mycol. Res. 97(11): 1305.1993. (HUEFS 155136). Sporidesmiella cuneiformis (B. Sutton) P.M. Kirk, Trans. Br. mycol. Soc. 79(3): 481 . 1982. (HUEFS 155140). Sporiesmiopsis zhejiangensis Wongsawas, 11. K. Wang, K.D. Hydc & F.C. Lin, J. Zhcjiang Univ., Sei. B,9: 798. 2008. (HUEFS 155101). Sporídesmium tropicale vnr. tropicale M.B. Ellis, Mycol. Pap. 70: 58. 1958. (HUEFS 155141). Stachybotrys chartarum (Ehrenb.) S. Hughes, Can. J. 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Neste viés, conhecer as plantas por meio da cultura material utilizadas por populações significa entender ou se aproximar do sentido simbólico ou real da relação estabelecida entre o homem e o meio ambiente no qual está inserido. O presente estudo objetivou identificar taxonomicamente e estabelecer relações etnobotünicas sobre as espécies vegetais utilizadas na construção da igreja Nossa Senhora da Conceição, datada de 1876 e localizada no distrito de Matozinhos, estado de Minas Gerais. A identificação taxonômica das espécies baseou-se na caracterização anatômica das amostras de lenho obtidas das estruturas arquitetônicas que compõem a igreja e comparação com material lenhoso de referência coletado em formações vegctacionais próximas, além dc consultas bibliográficas. Preparações histológicas foram confeccionadas seguindo os planos transversal, longitudinal radial e tangencial para as observações microscópicas. A descrição do lenho adotou a terminologia proposta pela IAWA. Dados ctnobotânicos sobre as essências foram obtidos na literatura especializada. A anatomia das madeiras históricas permitiu a identificação dc três laxa: Myracrodruon urundeuva, Dipteryx sp. e Andira sp. Os resultados obtidos sugerem que o patrimônio arquitetônico cm estudo foi edificado com lenho dc espécies selecionadas para tal finalidade uma vez que apresentam características estruturais c físicas que lhes conferem qualidade necessária. Os resultados fornecem subsídios para futuras ações dc conservação do mesmo. Palavras-chave: anatomia da madeira, cerrado, patrimônio histórico, conservação. Abstract Wood is onc of lhe oldcst building materiais used by man for rnany diflerent purposcs. The Barroco period of Minas Gerais statc is marked by thc manufacturing of architcctural and religious art made of wood. To know which plants are used by pcoplc, through lhe material cultural, we must understand thc real or symbolic meaning ofthe relationship between man and thc cnvironmcnt wherc he lives. This study aimed to identify taxonomically and cstablish ethnobotanical relationships for thc plant spccies used in thc construction of thc Nossa Senhora da Conceição church, datcd 1 876 and located in thc city of Matozinhos, Minas Gerais. Taxonomic Identification was based on thc anatomical characteristics of wood samplcs obtained from thc architcctural struetures that make up the church and comparison with rcfcrcncc wood material collectcd in ncarby plant formations plus rcfcrcncc texts. Ilistological preparations wcrcmade following the transverse, radial longitudinal and tangential scctions for microscopic observations. Wood dcscription adopted thc tenninology proposcd by IAWA. Ethnobotanical data was obtained from specializcd texts. The anatomy of historical wood samplcs allowcd thc Identification ofthrce taxa: Myracrodruon urundeuva , Dipteryx sp. and Andira sp. Thc rcsults suggcst that this architcctural heritage was built with thc wood of spccies choscn spccifically for this purpose since the samplcs have structural and physieal traits that attest to wood quality. The rcsults provide a basis for future conscrvation cfforts. Kcy words: wood anatomy, cerrado, historical heritage, conscrvation. 'Univillc, L«b. Anatomia Vegetal e Xilotcea, Campus Universitário, a/no, Bom Retiro, C.P. 246. K920 1 -974, Joinville, SC, Brasil. 'Autor para correspondência: fandreacci@gmail.com SciELO/JBRJ. 13 14 cm .. 242 Introdução Historicamente as plantas sempre estiveram presentes na cultura das sociedades humanas. Seu conhecimento, por parte da cultura, remete a uma aproximação do sentido simbólico ou da real relação estabelecida entre homens e ambiente natural. É fato que populações tradicionais têm conhecimentos sobre as plantas, não apenas no tocante aos seus nomes ou usos, mas também sobre significados conotativos e metafóricos. Esta relação é tão fortemente marcada em várias sociedades, que não é incomum identificar nomes de diferentes árvores sendo atribuídos a cidades, espaços históricos, monumentos, etc. Conforme Lorenzi (1992) podem ser citadas como exemplo as cidades de: Guaraná (SP), Imbuia (SC), Cedro (SP), Angico (PE), Cabriúva (SP), Castanhal (PA), Joazeiro (BA), Butiá (RS), Curitiba (PR), Massaramduba(SC), Xaxim (SC) e Alecrim (RS), além do próprio nome do nosso país derivado da espécie nominada pelos colonizadores portugueses de pau-brasil. A partir do corpo vegetal, a madeira destaca- se como matéria-prima por suas propriedades e versatilidade (Bardi 1982), e desde a antiguidade é empregada na construção de produtos tão variados quanto às culturas que as manipularam. Para exemplificar os diferentes usos da madeira, pode-se tomar como exemplo o próprio processo de colonização do Brasil. Os colonizadores, logo após a ocupação, dedicaram-se à confecção de utensílios (gamelas e pilões) necessários às atividades cotidianas; o cedro e o jequitibá foram destinados à industria naval (canoas, saveiros, jangadas, barcaças, etc); várias madeiras foram utilizadas no fabrico de maquinários (rodas d’água, carros de boi e engenhos) indispensáveis às produções agrícolas; na criação de di versos utensílios e móveis (palmatórias, talheres, armários, camas, vitrines, mesas, cadeiras, cômodas, tocheiras, teares, etc.); como base para a produção de instrumentos musicais; nas figurações de várias crenças (esculturas); na construção civil e na arquitetura de moradias (passarelas, pontes, choupanas, ocas, chalés, palafitas, etc) (Bardi 1 982). Uma parte bastante representativa do patrimônio cultural brasileiro é expressa em peças de madeira. Dessa forma de expressão no Brasil, destacam-se a estatuária sacra (Lisboa 1 994; Ono et al. 1 996) e as igrejas barrocas (Lyra 2006). Associada ao catolicismo, a arte barroca configura-se como um dos períodos de maior expressão cultural do país. A fé intimista com que cada autor se relacionava com seu santo protetor, bem como os recursos naturais disponíveis na região deram à Andreacci, F. & Melo Júnior, J.C.F. configuração arquitetônica das vilas mineiras uma arte peculiar marcada pelo regionalismo (Priore 1 994). As igrejas barrocas destacam-se na paisagem por constituírem "verdadeiros palácios do período colonial que revelam nossos momentos de maior expressão artística” (Lyra 2006). Segundo Guüerrez ( 1 989) “a obra arquitetônica é testemunho histórico sedimentado e acumulado dos modos de vida do homem — não só dos que a conceberam na origem, mas também dos que ali viveram através dos tempos e lhe conferiram novos usos e significados simbólicos". Entretanto, a herança cultural da arquitetura barroca sofre, em algumas cidades históricas brasileiras, por processos gradativos de biodeterioração, processo pelo qual a matéria-prima decompõe-se por meio da atividade de organismos biológicos (Lelis et al. 200 1 ). No município de Matozinhos, MG, localiza-se a igreja de Nossa Senhora da Conceição, edificação que apresenta características arquitetônicas das igrejas do século X VIII. A referida igreja encontra-se em crescente processo de deterioração de suas estruturas ao longo do tempo e ações de restauro são impreteríveis para a conservação desse patrimônio histórico. No entanto, restaurar pressupõe conhecer previamente todas as características dos materiais usados em determinada obra. Para tal, a anatomia da madeira mostra-se como método satisfatório para a identificação de espécies lenhosas outrora empregadas. Diversos são os estudos que obtiveram resultados positivos na utilização da anatomia da madeira para a identificação taxonômica de espécies lenhosas utilizadas na construção do patrimônio cultural. Merecem destaque o trabalho de Romagnoli et al. (2007), no qual identificaram madeiras presentes nas estruturas arquitetônicas da Capela Palaüna em Palermo Itália; Kristjansdottir et al. (2001), na identificação de madeiras encontradas durante uma escavação arqueológica na área de uma igreja medieval da Islândia; Watters & Miller (2000), na identificação de madeiras de sítios históricos em Barbuda; Ono et al. (1996), na identificação de madeiras utilizadas no entalhamento de estatuárias sacras em dois sítios históricos de Belém do Pará e Lisboa & Cirolo ( 1 995), na identi ficação de madeiras empregadas em implementos indígenas da microrrcgião do Tapajós no Pará. Igualmente, esse conhecimento é de grande valia em se tratando das propriedades físicas e mecânicas da madeira, pois que acabam por determinar, indubitavelmente, o grau de aproveitamento e a sua possível utilização em termos tecnológicos (Melo Jr. 1999). Rodriguèsiâ 62(2): 24 1 -25 1 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Madeiras históricas do barroco mineiro 243 Considerando o expressivo emprego de madeiras nativas na produção da cultura material em determinados períodos históricos do Brasil, principalmente, no tocante ao fabrico de elementos arquitetônicos e artísticos religiosos durante o processo progressivo de expansão do Catolicismo, evidenciado em várias cidades brasileiras, o presente estudo debruçou-se sobre a interface estabelecida entre a anatomia vegetal e a identificação das madeiras utilizadas na construção das estruturas arquitetônicas presentes nas ruínas da igreja de Nossa Senhora da Conceição. Os resultados contribuem com informações de valor etnobotânico e de potencial aplicação tecnológica para o desenvolvimento de metodologias específicas para a conservação e ou restauro do patrimônio histórico em questão. Materiais e Métodos Área de estudo Situada na Fazenda da Jagoara Velha, nas coordenadas geográficas I9°33’00,7”S c 44°02’30,5"W, a margem do rio das Velhas no distrito de Mocambeiro, município dc Matozinhos - MG (Fig. 1 a), a igreja de Nossa Senhora da Conceição (Fig. I b) é uma obra arquitetônica do período Barroco, edificada em 1 786 por Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, artista expoente do período do Barroco brasileiro. Coleta das amostras de madeiras históricas Amostras de madeiras pertencentes às estruturas arquiteturais da igreja de Nossa Senhora da Conceição (Tab. 1) foram coletadas com auxílio de arco de serra, de forma a se obter pequenos segmentos dc madeira que não comprometessem a integridade do patrimônio histórico em questão. As estruturas arquitetônicas e as amostras de madeira correspondentes foram fotografadas, sendo as últimas posteriormente tombadas na xiloteca JOIw. Coleção de referência Baseado na hipótese dc que o ambiente adjacente ao espaço da igreja forneceu matéria prima para sua construção, foi utilizada uma coleção de referência de madeiras desse ambiente para a comparação anatômica com as amostras de madeiras históricas. A coleção utilizada foi obtida a partir da coleta de material botânico das diferentes formações vegetacionais do distrito de Matozinhos e encontra- se depositada na xiloteca JOIw - Universidade da Região de Joinville. Preparação, descrição anatômica das madeiras e interpretação dos dados Foram adotados procedimentos de preparação e descrição anatômica tanto das madeiras que compuseram a coleção de referência quanto das amostras dc lenho obtidas nas estruturas arquitetônicas da igreja Nossa Senhora da Conceição. Os corpos dc prova das amostras, com dimensões aproximadas de 3 x 3 x 3 cm, foram amolecidos por cozimento em água e glicerina (Ferreirinha 1958). Amostras de madeiras históricas mais densas foram amolecidas em etilenodiamina (Carlquist 1 982). Em seguida os corpos foram aparados manualmente com auxílio de uma navalha. Após este procedimento, os mesmos foram re-aparados visando os planos de corte transversal, longitudinal radial e tangencial. Ressalta-se que não foi possível realizar esse processo cm todas as amostras provenientes da igreja, pois Tnbcln I - Origem das amostras de madeiras históricas coletadas. Tablc 1 - Origin of collcctcd historical wood samplcs. Número da amostra Local dc coleta 01 Estrutura de sustentação (pilar) externa (Fig. 2d) 02 Estrutura de sustentação (pilar) externa (Fig. 2e) 03 Esquadria (Fig. 2f) W Estrutura de sustentação (pilar) externa 05 Estrutura de sustentação (pilar) externa 06 Estrutura dc sustentação (pilar) interna (Fig. 4d) 07 Acabamento de estrutura de sustentação (pilar) externa 08 Moldura de esquadria de arco da torre (Fig. 3d) 09 Estrutura dc sustentação (pilar) interna 10 Acabamento de estrutura de sustentação (pilar) interna 11 Base do altar. Rodriguêsla 62(2): 24 1 -25 1 . 20 1 1 SciELO/JBRJ cm .. 244 Kigura 1 - Areadeestudo-a. localização do município de Matozinhos; b. vista frontal da igreja Nossa Senhora da Conceição evidenciando aspectos arquiteturais e de conservação da igreja. Kigurc 1 Study arca - a. Matozinhos city location; b. from view of Nossa Senhora da Conceição chureh showing architcctural and conservation aspccts. muitos tinham dimensões inferiores às descritas. Dessa maneira, essas amostras foram apenas desbastadas de modo a se obter superfícies planas e bem orientadas nos planos de visualização da madeira. Cortes histológicos com espessura aproximada de 1 7 pm foram produzidos com o uso de micrótomo de deslize e navalha tipo C. Para a observação do material em microscópio ótico, foram produzidas lâminas histológicas permanentes, de acordo com Andreacci. F. & Melo Júnior, J.CF. as recomendações de Johansen ( 1 940) e Sass (1951). Os cortes histológicos passaram por um processo de clareamento em hipoclorito de sódio, lavagem em água destilada, desidratação em etanol 20 e 50%, coloração em safrablau (Kraus & Arduin 1997), desidrataçao em etanol 70 e 96% e em acctado de butila. Após esse processo, os cortes foram montados entre lâminas e lamínulas com verniz vitral (Paiva et al. 2006). Para a descrição anatômica do lenho seguiu- se a terminologia proposta pela IA WA ( 1 989). Desta forma, foram estudadas comparativamente as lâminas histológicas provenientes da coleção de referência e as oriundas do material histórico, a fim de se determinar o táxon ao qual pertencem as plantas encontradas sob a forma de estruturas arquitetônicas da igreja. Também utilizou-se materiais de referências disponíveis na literatura e a base dados do Inside Wood (20Q1). Resultados e Discussão Os resultados obtidos da identificação microscópica das madeiras das 1 1 amostras são: Myracrodruon urundeuva (aroeira-do-sertão) (amostras 1—5, 7, 9—1 1 ), Andira sp. (angelim) (amostra 6) e Dipteryx alata (cumaru) (amostra 8). São descritas as características anatômicas e etnobotânicas dos táxons identificados por meio das amostras das madeiras históricas coletadas na igreja em estudo. Myracrodruon urundeuva Allemão ( Anacardiaceae) A madeira de Myracrodruon urundeuva possui camadas de crescimento distintas, demarcadas por espessamento radial da parede das fibras, porosidade difusa (Fig. 2a), vasos solitários, raros múltiplos de 2-4, obstruídos por tilos, com placas de perfuração simples e pontoações intervasculares areoladas alternas; parênquima axial vasicêntrico escasso; fibras septadas; raios 1-3 seriados (Fig. 2b), heterogêneos, com o corpo formado por células procumbentes e células quadradas e eretas marginais (Fig. 2c); presença de canais radiais (Fig. 2b) e cristais de oxalato de cálcio em células marginais do raio. A descrição anatômica corrobora com aquela descrita em literatura anterior (Metcalfe & Chalk 1950; Mainieri & Chimelo 1989; Florsheim & Tomazclo Filho 1 994), assim como aquela obtida pela coleção de referência. Myracrodruon urundeuva é uma árvore conhecida popularmente como aroeira, aroeira-do- sertão ou urundeuva, é uma espécie decídua, heliófita e seletiva xerófita (Lorenzi 1992). Seu limite de Rodríguésiá 62(2): 241-251. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Madeiras históricas do barroco mineiro 245 Rodrignósla 62(2): 24 1 -2S 1 . 20 1 1 Figura 2 - Configuração anatômica das madeiras identificadas como Myracrodruon urundeuva c estruturas arquitetônicas da igreja produzidas com essa espécie - a. parônquima axial vasicêntrico escasso c vasos obstruídos por tilos; b. canal secretor radial; c. raio heterogêneo; d. pilar de sutcntaçüo; c. pilar de sustentação da torre; f. esquadria. Uarra = 400pm(a); 100pm(b,c). Figura 2 Wood anatomical configuration of samplcs idcntilied as Myracrodruon urundeuva and architectural church struetures produced wilh tliis speeie a. axiul parenehyma scanty puratrachcal with tylosis; b. radial canal; c. hctcrogencous rays; d. support column; c. towcr support column; f. wood trame. Bar » 400 pm (a); 100 pm (b.c). cm .. 246 distribuição natural se estende pelas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil até a região chaquenha da Bolívia, Paraguai e Argentina (Santin & Leitão-Filho 1991;Lorenzi 1992; Carvalho 1994; Gurgel-Guarrido et al. 1997). Nas florestas estacionais deciduais do norte de Minas Gerais, a aroeira ocorre freqüentemente nas matas secas calcárias e na caatinga arbórea (Brandão 1994; Santos et al. 2007). O porte da aroeira varia conforme a região de sua ocorrência (Lorenzi 1992; Andrade etal. 2000), podendo atingir 30 m de altura (Rizzini 1971). Sua madeira é classificada como muito pesada (1,19 g/ cm 3 ), de grande resistência mecânica e praticamente imputrescível; alburno diferenciado do cerne e facilmente decomposto (Mainieri & Chimelo 1989). A se julgar pelo epíteto da espécie — urundeuva, que tem origem guarani e traduz-se como imputrescível em água (Almeira-Cortez et al. 2007), suas propriedades tecnológicas são conhecidas desde muito tempo. Considerada a espécie produtora de madeira de maior resistência da flora brasileira, sua utilização é recomendada para obras externas, como postes, moirões, esteios, estacas, dormentes; na construção civil, como caibros, vigas, tacos para assoalhos e ripas para peças torneadas (Lorenzi 1 992; Paula & Alves 2007), como observado neste estudo (Fig. 2d-f). Além da madeira, a aroeira apresenta grande uso farmacológico (Alves et ai 2009). Dipteryx sp. (Leguminosae) Foi possível observar na madeira identificada como pertencente ao gênero Dipteryx sp. Schreb. a porosidade difusa, vasos solitários, múltiplos de 2- 4, com placas de perfuração simples e pontoações intervasculares areoladas alternas e guarnecidas; parênquima axial paratraqueal vasicêntrico escasso (Fig. 3a), às vezes apotraqueal; fibras estratificadas, abundantes e não septadas; raios exclusivamente uniseriados (Fig. 3b), homocelulares (Fig. 3c), formado por células procumbentes.; presença e inclusões minerais em células subdivididas do parênquima axial e de estrutura estratificada dos raios. As características microscópicas encontradas são semelhantes às descritas previamente por Paula ( 1 999) e ao material de referência. Arvore, conhecida como cumaru, de 1 5-25 m de altura, com tronco de 40-70 cm de diâmetros, copa reduzida e tronco reto (Almeida et al. 1998). É uma planta perenifólia, heliófita, seletiva xerófita que ocorre nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso Mato Grosso do Sul e São Paulo, característica das Andreâcci, F. 8c Melo Júnior, J.C.F. formações vegetacionais do cerrado e na floresta latifoliada semidecídua (Almeida et al. 1998). Conforme Lorenzi (1992), produz uma madeira muito pesada com densidade de 1,10 g/cm 3 , de grã irregular a revessa, superfície pouco lustrosa compacta com alburno distinto. Possui alta resistência ao apodrecimento e ao ataque de organismos xilófagos mesmo em condições adversas (Mainieri & Chimelo 1989). Por essas características a madeira é própria para construção de estruturas externas, como estacas, postes, obras hidráulicas, moirões, cruzetas, dormentes, para construção naval e civil, como vigas, caibros, ripas, batentes de portas e janelas, tábuas e tacos para assoalhos, lambris, forros, carrocerias (Mainieri & Chimelo 1 989) e esquadrias (Fig. 3d). A polpa do fruto é aromática e rica em proteínas, serve para nutrir o gado e animais silvestres, além de ser utilizada para consumo humano na produção de doces “pé de moleque” (Almeida et al. 1998). Andira sp. (Leguminosae) A anatomia da madeira da amostra identificada como pertencente ao gênero Andira sp. Lam. apresentou vasos com porosidade difusa (Fig. 4a), solitários, múltiplos de 2-3, com placas de perfuração simples e pontoações intervasculares areoladas alternas; parênquima axial paratraqueal aliforme, confluente, às vezes formando faixas (Fig. 4a) e estratificado (Fig. 4b), fibras libriformes e não septadas; raios exclusivamente 2-5 seriados, homogêneos (Fig. 4c), formado por células procumbentes; presença estratificação dos raios (Fig. 4b). A descrição anatômica corrobora com a de Ferreira et al. (2004) e com o observado na coleção de referência. Vulgarmente conhecidas por angelins, as árvores do gênero Andira representam mais de 30 espécies, sendo a maioria originária do Brasil (Mattos 1979). No Brasil, o maior número de espécies é encontrado nos estados de Minas Gerais e Amazonas, para o primeiro, encontram-se as seguintes espécies: A. micans, A. fraxinifolia, A. anthelmia, A. frondosa, A. paniculata, A. vermífuga, A. laurifolia e A. surinamensis (Mattos 1979). As espécies d e Andira tem portes bem distintos, desde pequenos arbustos até árvores frondosas com mais de 20 m de altura. Essas plantas podem ser asadas em diversas aplicações. Em algumas espécies, a casca, folha e sementes são uúlizadas como vermífugos (Cunhae Silva et al. 2003). Outras, como A. legal is, A. fraxinifolia, A. cuyabenses, A. paniculata, A parvifblia, A. vermífuga, A anthelmia, e A. pisonis produzem madeiras com propriedades que permitem sua aplicação na construção naval e Rodriguésiâ 62 ( 2 ): 241 - 251 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 cm |. jj>ura 3 - Dipteryx sp. - Configuração anatômica c estrutura arquitetônica construída com essa madeira - a.parênquima axial paratraqucal pouco abundante; b. raios uniscriados c estratificados; c. raios homogêneos; d. arco cm madeira. Barra = 1 00 pm (b.c); 200 pm (a). Fijíurc 3 Dipteryx sp. Anatomical configuration and orchitcctural churc strueture built wilh this spccic - a. axial paratrachcal parenchyma absent or cxtrcmcly rare; b. uniseriatc and storicd rays; c. homogeneous rays; d. wood trame. Bar “ 100 pm (b,c); 200 pm (a). em obras externas como esteios, postes, dormentes, carroçaria, bem como a carpintaria (Corrêa 1978) c estruturas internas (Fig. 4d). Mainieri & Primo ( 1 968) relatam que as madeiras de Andira são pesadas ou muito pesadas e que há forte semelhança entre suas estruturas anatômicas. Essa semelhança anatômica e, por conseguinte, uma semelhança de propriedades, faz que várias espécies do gênero Andira sejam comercializadas pelo nome de Angelim. Há de se ressaltar a semelhança da estrutura anatômica desse gênero com outros como Hymenolobium e Vatairea, também comercializados como angelins. Apesar dessa homogeneidade da estrutura da madeira, algumas pequenas diferenças quantitativas observadas microscopicamente entre as espécies (Ferreira et al. 2004), assim como a distribuição geográfica da amostra permitem diferenciá-las, principalmente em nível de gênero. Resistência natural e biodeterioração das madeiras A ação direta ou indireta de agentes biológicos nos materiais em uso pelo homem, causando alterações indesejáveis, é conhecida pelo termo biodeterioração. A madeira é um polímero orgânico natural susceptível a esse tipo dc degradação, tendo os xilófagos como os principais causadores de danos à sua estrutura, pelo fato da madeira ser a sua Rodriguó s/a 6Z(Z): Z4 1 -25 1 . ZO 1 1 SciELO/ JBRJ, Madeiras históricas do barroco mineiro 247 cm l SciELO/ JBRJ, 248 Andreacci. F. & Melo Júnior. J.C.F. principal fonte de alimento. A resistência natural da madeira ao ataque de organismos xilófagos é conferida principalmente por extrativos, tais como taninos e outras substancias fenólicas complexas que são tóxicas para esses organismos (Findlay 1985; Lelles& Rezende 1986; Oliveira et al. 1986; Hunt & Garratt 1967). Além dos extrativos, o tamanho e disposição das células da madeira e a existência de materiais inorgânicos como corpos silicosos e cristais de oxalato de cálcio também influenciam na sua durabilidade natural (Lelis et al. 200 1 ). A configuração arquitetural das construções também contribui a durabilidade das peças em madeira quando que evitam a presença da umidade. Nesse sentido, o conhecimento da resistência natural das madeiras é importante na recomendação de sua correta aplicabilidade, evitando assim, gastos com a reposição de peças deterioradas e reduzindo os impactos sobre os remanescentes florestais. Estudos relativos à perda de massa da madeira de espécies do semi-árido brasileiro, em decorrência da atividade biológica de cupins subterrâneos (Paes et al. 200 1 ) e fungos causadores da podridão mole (Paes etal. 2005), além de confirmar que essa atividade não está relacionada com a densidade básica das madeiras (Scheffer 1973), revelam o potencial de Myracrodruon urundeuva na resistência ao ataque desses organismos. Sá (2008) estudando os constituintes químicos da madeira de M. urundeuva conclui que a lectina, encontrada no cerne dessa espécie, possuiu forte atividade antibacteriana. fungicida e inseticida, o que provavelmente é um dos fatores que lhe confere grande resistência da natural da madeira. Queiroz et al. (2002) em estudo sobre a caracterização dos taninos de M. urundeuva apontam que a elevada quantidade de extrativos pode ser a principal responsável pela grande resistência dessa espécie à degradação química e biológica. Rodríguésia 62(2): 241-251. 201J Figura 4 Andira sp. Configuração anatômica e estrutura arquitetônica construída com essa madeira - a. parênquima axial confluente formando faixas; b. raios estratificados; c. raios homogêneos; d. pilar interno de sustentação do sino. Barra= 400 pm (a); 200 pm (b,c). Figure 4 - Andira sp. - Anatomical configuration and architectural churc strueture built with this specie - a. axial parenchyma conflucnt forming bands; b. stoned rays; c. homogencous rays; d. intcmal tower support column. Bar = 400 pm (a); 200 pm (b.c). Madeiras históricas do barroco mineiro 249 Notável foi a utilização da espécie Mymcrodruon iirundeitvci nus mais distintas estruturas da igreja, desde decorativas como esquadrias (Fig. 2f), até estruturais como pilares de sustentação (Fig. 2d-e). Essa diversidade de utilização pode ser atribuída às preferências dos construtores devido ao conhecimento da resistência da madeira da aroeira-do-sertao. Mainieri & Chimelo (1989), em ensaios de laboratório, concluíram que a madeira de Dipteryx demonstra alta resistência ao ataque de lungos apodreccdores e cupins. A análise da amostra de número 6. identificada como pertencente ao gênero Andira, revelou a existência de agentes degradadores da madeira, caracterizada pela ovipostura ou presença de esporos de fungos (Fig. 5a-b). Essa situação pode ser entendida pela elevada quantidade de purenquimu axial e radial presente no lenho dessa planta. As células do parênquima participam ativamente do metabolismo da planta, no armazenamento, distribuição e produção de substancias orgânicas, e tipicamente possuem uma única parede celular nao lignificada e relativamente menos espessa do que os demais tipos de células da madeira (Evcrt, 2(X)ó). Por esses motivos, a ovipostura nesse tipo celular torna- se mais favorável. Entende-se que a identidade de um povo não é algo inato e que nunca está completa, mas sim, sempre em processo de formação por meio de processos inconscientes (Hall 2002). No conjunto de bens culturais produzidos pela comunidade, a arquitetura constitui um testemunho excepcional na formação da memória histórica dos povos e, por conseguinte, na formação da identidade (Gutierrez 1989). Nesse sentido, entende-se que a perda das características arquiteturais de um determinado espaço leva a destruição de uma rede de significados simbólicos atribuídos por uma comunidade àquele patrimônio, culminando em uma perda da identidade cultural. No presente estudo, ficou claro o conhecimento humano sobre os aspectos tecnológicos da madeira c correta aplicabilidade; a metodologia aplicada em anatomia vegeta! mosti ou- se adequada c satisfatória para a identificação de madeiras históricas; o conhecimento da identidade botânica das estruturas da igreja pode contribuir acerca do desenvolvimento de metodologias específicas para seu restauro e ou conservação. Referências Almeida. S.P.; Procnça. C.E.B.; Sano. S.M. & Ribeiro, F.J. 1998. Cerrado: espécies vegetais úteis. 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Entretanto até o momento não foram encontrados registros de estudos sobre as estruturas secretoras em Pavonia alnifolia A.St.-Hil., uma espécie ameaçada de extinção, endêmica de restingas do Rio de Janeiro c Espírito Santo. No presente estudo são apresentados dados anatômicos c histoquímicos das estruturas secretoras da referida espécie. O material foi coletado na Restinga da Marambaia - Rio de Janeiro c processado de acordo com técnicas usuais para estudos de anatomia e histoquímica. A análise dos resultados mostrou a presença de canais, cavidades, idioblastos e tricomas secretores de mucilagem; idioblastos de substâncias fenólicas c lipídicas, além de ncctários florais. As secreções produzidas por estas estruturas representam um papel potencialmente importante para adaptação da espécie ao ambiente de restinga, estando envolvidas na manutenção de interações com insetos visitantes, o que constitui relevante modelo para realização de estudos experimentais com abordagem ecológica. Palavras-chave: anatomia, estruturas secretoras, restinga, Marambaia, Pavonia. Abstrnct Malvaceae shows a rich morphological diversity of secretory structures, which are of great ccological and taxonomical rclcvancc. Noncthclcss, until lhe present moment, studies on the secretory structures of thc studicd spccies werc not found. Pavonia alnifolia A.St.-Hil. is endangered spccies ofextinction with restricted distribution witliin thc restingas of Rio thc Janeiro and Espírito Santo, Brazil. Thc species were collccted from the former and usual tcchniques on plant anatomy and histochemistry werc performed. Anatomical and histochemical studies of the secretory stnictures of Pavonia alnifolia are showcd in this work. Thc presencc of externai and internai secretory structures of mucilagc in many organs, idioblasts of phenolie and lipid substanees and floral ncetarics what is a very important adaptative survival mcchanism of lhe species in the restinga cnvironmcnt. The sccrction produeed by ncctaries is envolved with maintenanec of interations with visiting insccts, what constitutes a good modcl to experimental studies with an ccological npproach. Kcy words: anatomy, histochemistry, secretory structures, Marambaia, Pavonia. Introdução Uma das características dc grande importância taxonômica e ecológica nos representantes de Malvaceae é a presença de nectários extraflorais e florais, e de estruturas secretoras de mucilagem, presentes nos órgãos vegetativos e reprodutivos, principalmente tricomas secretores, idioblastos, canais e cavidades (Scott & Bystrom 1970; Gregory & Baas 1989; Sawidis 1 99 1 . 1 998; Rocha et ai 2002; Rocha 2004; Rocha & Machado 2009). A mucilagem, secreção de natureza mista constituída principalmente por heteropolissacarídeos ácidos e/ou neutros, proteínas c substâncias fenólicas, apresenta ampla distribuição nos vegetais, formando soluções coloidais que cm contato com a água tomam-sc viscosas (I Violo de Lufrano & Cafflni 1981; Grcgory&Baas 1989;Roshchina&Roshchina 1993). 1 Bolsista PROIC/DPPG. Dcpto. dc Bolânlcada Universidade Federal Kurul do Rio dc Janeiro. ^Universidade Estadual Paulista. Instituto de Diociôneius, Dcpto. Botânica. Botucatu, SP, Brasil. 'Universidade Federal Rural do Rio dc Janeiro, Instituto dc Biologia, Dcpto. Botânica, C.P. 74582. 23890-000, Seropcdien, RJ, Brasil. 4 Autor pura correspondência: joccildoít/ailrrj.br SciELO/JBRJ 13 14 15 cm i 254 Essas substâncias podem desempenhar diferentes funções nas plantas, entre elas, a proteção de estruturas ou órgãos em desenvolvimento, retenção de água, reserva de carboidratos, redução da transpiração, proteção contra radiação dispersando ou refletindo a luz incidente, proteção contra herbivoria, lubrificante do ápice das raízes, como adesivo na dispersão de sementes e na regulação da germinação de sementes (Grcgory & Baas 1989; Fahn 1979; Roshchina& Roshchina 1993;Clifford et al. 2002; Martini et al. 2003). O néctar apresenta diferentes classes de substâncias químicas e encontra-se relacionado com as interações inseto- planta, comumente envolvido na defesa mutualística c/ou atração de polinizadores (Doak et al. 2007). Pavonia alnifolia A.St.-Hil„ uma espécie de Malvaccae com distribuição restrita as restingas do Rio de Janeiro e Espírito Santo, ocorre em vegetação arbustiva densa (Esteves 2001). Esta espécie é referida por Mello Filho et al. ( 1 992) na lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção, enquadrada na categoria “vulnerável (VU)” e por Di Maio & Silva (2000) na categoria “em perigo (EN)” na lista de espécies ameaçadas de extinção no município do Rio de Janeiro. Esta ameaça aparece destacada no anexo do decreto n° 41 .61 2 de 23 de dezembro de 2008, que dispõe sobre a definição de restingas no estado do Rio de Janeiro e estabelece a tipologia e a caracterização ambiental da vegetação de restinga. Neste trabalho são descritas as estruturas secretoras presentes em P. alnifolia enfocando a organização anatômica e as principais classes de substâncias nelas presentes. Materiais e Métodos O material botânico foi coletado na Restinga da Marambaia-RJ, a qual tem início no município do Rio de Janeiro e estendende-se aos municípios de Itaguaí c Mangaratiba. Parte do material foi herborizado e incluído no Herbário (RBR) do Departamento de Botânica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro sob o número de registro RBR 27707. ' Para a descrição anatômica foram utilizadas folhas adultas coletadas do quinto nó, e as secções transversais e longitudinais foram obtidas do terço médio da lâmina foliar e do pecíolo. As estipulas foram retiradas do quinto nó e as secções transversais obtidas das regiões distai, mediana e proximal. As secções transversais e longitudinais do caule foram obtidas no primeiro entrenó. Para análise do nectário foram realizadas secções transversais nas sépalas. Pimentel, R.R.. Machado. S.R. & Rocha. J.F. As amostras foram fixadas em FAA 50 (Johansen 1940), desidratadas em série etílica, incluídas em resina hidroxietilmetacrilato (Gerrits 1991) e seccionadas em micrótomo rotativo. As secções (5-lOpm) foram coradas em Azul de Toluidina 0.05% em tampão acetato, pH 4,3 (0'Brien et al. 1 964) e montadas entre lâmina e lamínula com resina sintética (Gerlach 1969). No preparo de lâminas semipe imanentes foram utilizadas amostras de material fresco e amostras fixadas em F AA 50 (Johansen 1 940), as quais foram seccionadas com o auxílio do micrótomo de Ranvier. As secções foram clarificadas com hipoclorito de sódio a 20%, neutralizadas em água acética a 1%, lavadas em água destilada, coloradas com azul de astra e safranina (Bukatsch 1 972) e montadas entre lâmina e lamínula com glicerina a 50% (Strasburger 1 924). Para verificar os compostos químicos presentes nos diferentes tipos morfológicos de estruturas secretoras, a natureza das paredes celulares e o reconhecimento de alguns metabólitos celulares foram utilizadas secções de material recém coletado, não fixado e/ou estocado em álcool 70%, as quais foram tratadas com Sudan IV (Johansen 1 940) e Sudan black B (Pearse 1 980), para lipídeos cm geral; cloreto férrico a 10% (Johansen 1 940) edicromato de potássio 10% (Gabe 1968), para detectar compostos fenólicos; vermelho de rutênio 0,02% (Jensen 1962), para substâncias pécticas; reagente de Fehling (Purvis et al. 1964), para açúcares redutores; “aniline blue black (Fisher 1968), solução de azul mercúrio de bromorenol (Mazia et al. 1 953) e “xylidine ponceau” (Corte lazzo & Vidal 1991). para detecção de proteínas; Lugol (Johansen 1 940), para amido; ácido penódico/reagente de Schiff(PAS) (Conelazzo 1992), para polissacarídeos neutros; ácido acético e ácido clorídrico (Howart & Homer 1 959), para identificação de enstais de oxalato de cálcio; fioioglucinol em ácido clorídrico (Sass 1951), para evidenciar paredes lignificadas. Foi aplicado tratamento controle para os testes histoquímicos de acordo com a indicação dos respectivos autores acima citados. As análises e as fotomicrografias foram feitas com auxílio do microscópio Olympus CH30 e Olympus BX-5 1 , com sistema de captura composto por câmera Q color 5 e software Image-Pro Express. Resultados Tricomas secretores de mucilagem são pluricelulares, localizados em pequenas depressões a epiderme em ambas as superfícies do limbo foliar (Fig. la), pecíolo, estipulas (Fig. lb)e no caule. São Rodriguésia 62 ( 2 ): 253 - 262 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Estruturas secretoras em Pavonía alnifolia constituídos por uma célula basal, unia porção intermediária bicelular com paredes laterais fortemente impregnadas por substância lipídica e uma cabeça pluricelular, com parede revestida por cutícula fina (Fig. 1 a-b). Canais e cavidades secretoras de mucilagem, por sua vez, são observados em todo o parenquima cortical e medular do caule (Fig. lc), do pccíolo (Fig. 1 d) e da nervura principal da folha e na sépala. Em secção transversal, apresentam contorno de circular a elíptico, lume conspícuo e epitélio secretor constituído por células de tamanho e forma variadas, com paredes delgadas e pectocelulósicas. Os polissacarídeos que constituem a mucilagem reagem com o corante Azul de Toluidina, formando lamelas concêntricas preenchendo o lume dos canais e das cavidades (Fig. 1 d). Secções longitudinais evidenciaram a forma alongada dos canais e que os mesmos apresentam comprimentos diferentes, sendo que os maiores podem ter mais que o dobro do comprimento dos menores, enquanto as cavidades são estruturas mais ou menos isodiamétricas. Canais e cavidades adjacentes podem se fundir formando um grande espaço com forma irregular, o qual fica totalmente preenchido pela mucilagem dificultando, muitas vezes, a classificação dessas duas estruturas. Idioblastos mucilaginosos ocorrem na epiderme da face adaxial do limbo foliar (Fig. lc) e no mesofilo (Fig. I f-g); são conspícuos c apresentam crescimento intrusivo; possuem paredes pectocelulósicas espessas e, em secção transversal, o formato varia de circular a oval. O conteúdo mostra- se denso, ocupa todo o protoplasto e cora-se de azul-escuro a roxo pelo Azul de Toluidina. Cristais de oxalato de cálcio do tipo prismático (Fig. I íj e drusas (Fig. Ig) ocorrem nestes idioblastos. Os testes histoquímicos revelaram que a mucilagem produzida pelos tricomas secretores, pelos canais, cavidades e pelos idioblastos é constituída por polissacarídeos ácidos e neutros e compostos fenólicos. Idioblastos fenólicos ocorrem agrupados ou isolados (Fig. ld,h); encontram-se distribuídos no córtex e medula do pecíolo (Fig. Id), no mesofilo por entre as células dos parênquimas paliçádico e Iacunoso, no córtex da nervura principal da folha e na sépala (Fig. Ih). Na estipula as substâncias fenólicas estão presentes em todas as células da epiderme e do parenquima cortical (Fig. lb). Já idioblastos de substâncias lipídicas foram revelados por testes histoquímicos entre as células do parenquima Iacunoso da estipula. Rodrigutsiá 62 ( 2 ): 253 - 262 . 2011 255 O nectário floral localiza-se na base do cálice, na face adaxial. Possui coloração amarelada e borda irregularmente ondulada. É constituído por tricomas secretores e por parenquima ncctarífcro c parenquima subnectarífero (Fig. I h) vascularizado, predominantemente, por floema. Os tricomas secretores são multicelulares, claviformes e constituídos por uma célula basal, um pedúnculo curto unisseriado, uma porção bisseriada que por vezes se alarga na porção apical (Fig. 1 i). As células apresentam paredes anticlinais espessas, revestidas por cutícula delgada, sendo que nas células do pedúnculo o espessamento é maior e as paredes são impregnadas por substâncias lipídicas; núcleo volumoso; citoplasma denso e vacuoma pouco desenvolvido (Fig. li). O parenquima nectarífcro é constituído por vários estratos celulares, cujas células possuem paredes delgadas, com natureza pectocelulósica. Exibe formas e tamanhos variados com arranjo compacto; citoplasma denso (Fig lh) c núcleo volumoso. O parenquima subnectarífero é constituído por vários estratos celulares, cujas células apresentam dimensões maiores que as do parenquima ncctarífcro c um maior grau de vacuolização (Fig. 1 h). O parenquima subnectarífero é vascularizado predominantemente por floema, o qual pode ser visto cm agrupamentos. Grãos de amido e drusas de oxalato de cálcio são vistos em ambos os parênquimas. Idioblastos de substâncias fenólicas ocorrem isolados e/ou em grupos entre as células do parenquima subnectarífero (Fig I h). Os testes histoquímicos revelaram a presença de açúcares redutores e proteínas no protoplasto das células dos tricomas e dos parênquimas ncctarífcro e subnectarífero; substâncias fenólicas no protoplasto das células tios tricomas e dos idioblastos; grãos de amido nas células dos parênquimas ncctarífcro c subnectarífero; e polissacarídeos no protoplasto das células dos tricomas. Discussão Estruturas secretoras foram registradas ao longo de órgãos vegetativos e reprodutivos de /’. alnifolia. Os tricomas secretores são observados de forma esparsa cm todo o tecido de revestimento de lodos os órgãos descritos no presente trabalho. Alguns autores como Ragoncse (1960) c Rocha et al. (2002) citam que tricomas secretores são mais comuns em folhas jovens, nas espécies de Malvaceac estudadas pelos mesmos. Entretanto, na espécie aqui estudada, estes tricomas são SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. 256 observados não só nas folhas adultas, mas também em todos os outros órgãos e estruturas analisados. Fato esse que se encontra de acordo com autores como Webber ( 1 938) e Inamdar & Chohan ( 1 969). O espessamento de natureza lipídica nas paredes laterais das células do pedúnculo dos tricomas secretores de mucilagcm de P. alnifolia é uma característica comum de tricomas secretores (Fahn 1990, 2000). Tal especialização parece estar relacionada com o controle do fluxo do material secretado através do apoplasto (Schnepf 1969; Shimony et al. 1973), além de promover o isolamento gradual desses tricomas, os quais posteriormente sofrem abscisão. A distribuição e os aspectos morfológicos dos canais, cavidades e dos idioblastos secretores de mueilagem presentes nos diferentes órgãos de P . alnifolia estão, de um modo geral, de acordo com os caracteres descritos para as referidas estruturas em espécies de Hibiscus (Gregory & Baas 1989; Bakker& Gerritsen 1992; Bakker& Baas 1993; Sawidis 1991, 1998; Rocha et al. 2002; Rocha 2004)! A presença, o número e a distribuição de canais secretores de mueilagem são referidos como um valioso caráter taxonômico para Malvaceae, tendo sido recentemente utilizado por Rocha & Neves (2000) e Rocha et al. (2002), como uma das principais características diagnósticas na separação taxonômica de Hibiscus tiliaceus L. e H. pemambucensis Arruda. Segundo Esau ( 1 974), células mucilaginosas são comuns em algumas famílias de dicotiledôneas, entre elas Malvaceae. Idioblastos mucilaginosos foram descritos por Scott & Bystrom (1970) em órgãos vegetativos e reprodutivos de Hibiscus esculentus L. Fahn ( 1 985) assinala que, na família Malvaceae, células epidérmicas podem se mostrar mucilaginosas, inclusive na forma de idioblastos. As células, canais e cavidades secretoras de mueilagem constituem uma sinapomorfia para a ordem Mal vales ( Al verson et al. 1 998; Stevens 200 1 ; Judd etal., 2009). A mueilagem detectada nas diferentes estruturas secretoras de P. alifolia é composta por polissacarídeos ácidos e neutros e substâncias fenólicas. Hegnauer ( 1 969 apud Gregory & Baas 1 989) sugere que em Althaea ojficinalis L. as diferentes frações da mueilagem apresentam funções distintas. A reserva de água é feita pela fração ácida, a qual tem seu pico de produção nos meses do verão e a reserva de carboidratos é feita pela fração neutra, a qual mostra um máximo de produção durante o inverno. Pimenlel. R.R.. Machado. S.R. & Rocha. J.F. A presença de compostos fenólicos na mueilagem. principalmente taninos, tem importância antimicrobiana e ainda, na proteção contra herbívoros, constituindo uma importante barreira de proteção química (Swain 1979;CarmeIloefa/. 1995). Levando em consideração a composição química da mueilagem e o habitat de P. alnifolia, a presença de mueilagem detectada em diferentes tipos morfológicos de estruturas secretoras contribui para a adaptação potencial da espécie ao ambiente de restinga, bem como na proteção contra herbivoria e patógenos. As flores de Malvaceae apresentam grande diversidade morfológica e atraem abelhas, vespas, formigas, moscas, mariposas, aves e morcegos, sendo o néctar secretado na superfície interna das sépalas (Judd et al. 2009), o tipo de recompensa que mais comumente as plantas oferecem como recurso alimentar na atração dos polinizadores (Faegri & Van der Pijl 1980). Os nectários de P. alnifolia localizam-se na base da face interna do cálice sendo constituídos por um grupo de numerosos tricomas secretores e por parênquima nectarífero e subnectarífero. A localização de nectários florais na face interna do cálice, ocupando a porção basal das sépalas, foi relatada por Gunnig & Hughes (1976), Sawidis et al. (1989), Sawidis (1998), Rocha (2004) para representantes dos gêneros Hibiscus e Abutilon. Na interpretação dos resultados relacionados a descrição anatômica dos nectários de P. alnifolia foi adotada a denominação parênquimas nectarífero e subnectarífero proposta por Nepi (2007), em substituição a denominação parênquima subglandular adotada tradicionalmente por Durkee ( 1 983), Sawidis ( 1 998), Machado ( 1 999), Rocha et al. (2002) e Rocha (2004). A presença de tricomas secretores muticelulares e parênquima subglandular foi descrita por Sawidis ( 1 99 1 , 1 998). Rocha et al. (2002), Rocha (2004), Rocha & Machado (2009) para Malvaceae e por Melo et al. (2010) em Fabaceae da caatinga. Nectários florais compostos portricomas multicelulares, os quais usualmenle se unem formando um carpete de pêlos e parênquima subglandular é cilada por Fahn (2000) e V ogel (2000) como um caráter significativo de Malvaceae e constitui uma sinapomorfia para a família (Al verson et al. 1 998; Judd et al. 2009). Segundo Fahn (2000) tais tricomas secretam o néctar pelas células apicais, estando tal característica relacionada com o espessamento de natureza lipídica observado Rodriguèsia 62 ( 2 ): 253 - 262 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 cm l SciELO/JBRJ Estruturas secretoras em Pavonia alnifoiia 257 Rodriguésia 62(2); 233-262. 201 1 Figura 1 - a-b. Secções transversais da lâmina foliar c estipula - a. tricoma secretor de mucilagem na lâmina foliar; b tricoma secretor c parênquima cortical rico cm substâncias fcnólicas na estipula, c. Secção transversal do caule, mostrando canais c cavidades secretores de mucilagem (setas pretas) no córtex c na região pcrimedular. d. Secção transversal do pceíolo mostrando canais c cavidades secretores de mucilagem (setas pretas) na medula c idioblastos fenólicos (cabeças de seta) no córtex c medula, c-g. Secções transversais da lâmina foliar- c. idioblasto mucilaginoso na face adaxial da epiderme (seta branca); f-g. detalhe idioblastos cristalfferos c mucilaginoso no mesofilo. h. Secção transversal da sépala mostrando vista geral do ncetário constituído por tricomns secretores, parônquima nectarifcro c subnccturffero onde se observam idioblastos fenólicos (cabeças de sela). Notar cavidades secretoras de mucilagem (setas pretas), i. Detalhe dc tricomas secretores do ncetário. Figure 1 a-b Cross scctions of lear blade and stipulc a. mucilagc-secrcting trichome on lhe lcaf blade; b. sccrctory trichome and cortical parcnchyma rich in phenolie substances in stipulc. c. Cross scction of thc stem. showing voids secrcting inuciliigc (black arrows) in lhe córtex and thc region pcrimedullary. d. Cross scction of petiole showing voids secrcting mucilagc (black arrows) in bonc a n d phenolie idioblasts (arrowhcads) in thc córtex and medulla. c-g. Cross scctions of thc leaf blade c. mucilagc idioblasts in thc adaxial epidermis (white arrow); f-g. detail crystal and mucilagc idioblasts in thc mcsophyll. h. Cross scction of scpal showing ovcrvicw of thc nectary consists o!' sccrctory trichomes, nectary and subncctary parcnchyma where therc is phenolie idioblasts (arrowhcads). Note mucilagc sccrctory cavitics (black arrows). i. Detail of nectary sccrctory trichomes. cm .. 258 nas paredes anticlinais das células do pedúnculo dos tricomas, sendo um resultado dos processos de impregnação das paredes anticlinais, similar aos que ocorrem nas células da endoderme. De acordo com Sawidis et al. (1989) tais espessamentos atuam como uma barreira que previne o fluxo apoplástico de substâncias. Os parênquimas nectaríferos e subnectaríferos apresentam células com arranjo compacto, paredes delgadas, núcleo conspícuo e citoplasma denso, características que segundo Rocha (2004) e Rocha & Machado (2009), as diferencia das células parenquimaticas adjacentes. Células com estas características foram descritas em diferentes taxa (Sawidis 1 998; Machado 1 999; Melo et al. 20 1 0) c têm recebido uma atenção especial, visto que estão envolvidas ativamente no processo de descarregamento de açúcares oriundos de fotoassimilados transportados pelo floema, produção e transporte dos precursores do néctar. De acordo com Nepi (2007), as primeiras camadas, compostas por células pequenas de paredes delgadas e citoplasma denso são denominadas de parênquima nectarífero e estão dirctamente envolvidas com a produção do néctar, podendo este tecido ser vascularizado por floema. Segundo o mesmo autor, o tecido abaixo do parênquima nectarífero, apresenta feixes vasculares e possui células maiores de citoplasma menos denso e espaços intercelulares maiores, sendo este denominado de parênquima subnectarífero. Os cristais de oxalato de cálcio observados nas células nectaríferas de P. alnifolia são de ocorrência comum em diferentes taxa (Sawidis 1998; Machado 1 999; Castro et al. 200 1 ; Paiva et al. 200 1 ; Rocha etal. 2002; Rocha 2004; Paiva & Machado 2006, 2008; Melo et al. 2010). De acordo com os autores a presença de cristais nas células nectaríferas, provavelmente, está relacionada com processos metabólicos diferencias de tais células, corroborando com as observações de Bõhmker e Koemicke (1917, 1918 apiul Arbo 1 972) que estabelecem uma possível relação entre a secreção de néctar e a presença de cristais de oxalato de cálcio em células nectaríferas. Nos nectários florais notam-se feixes vasculares, com predominância de floema, vascularizando o parênquima subnectarífero. Característica semelhante foi relatada para os nectários florais de Hibiscus rosa-sinensis L. por Sawidis e/ al. ( 1 987a, b) e Sawidis ( 1 998). Segundo Metcalfe & Chalk ( 1 979), os nectários florais tendem a apresentar vascularização constituída unicamente Pimentel, R.R.. Machado. S.R. &. Rocha. Jf. por floema. A formação de elementos de floema por entre as células secretoras foi também observada por Zer & Fahn (1992). Segundo Sawidis et al. ( 1 987a) e Frey-Wyssling ( 1 955 ), há uma correlação positiva entre a quantidade de açúcar no néctar e a quantidade de elementos de floema presentes no nectário. A seiva do floema pode atuar como fonte primária de açúcares essenciais para a composição do néctar (Jianer a/. 1997;Machado 1999). Desta forma, pode-se sugerir que a grande quantidade de floema vascularizando o parênquima subnectarífero dos nectários florais internos pode estar associada com a intensa produção de néctar liberado por estes nectários. Os testes histoquímicos realizados nos nectários detectaram a presença de açúcares redutores, lipídeos, substâncias fenólicas, proteinase polissacarídeos no protoplasto das células. Os constituintes mais comuns do néctar são a sacarose, glicose e frutose. Entretanto, outras substâncias como aminoácidos, proteínas, mucilagens, lipídeos, alcalóides, substâncias fenólicas, terpenóides, glicosídios, ácidos orgânicos, íons minerais, vitaminas, antibióticos e antioxidantes são relatados por diversos autores como fazendo parte da composição do néctar de diferentes taxa ( Baker & Baker 1 983a b, 1 990; Roshchina & Roshchina 1993, Fahn 2000; Stefano et al. 2001 ; Nicolson & Thornburg 2007). De acordo com Scogin (1979) e Leitão et al. (2005), o néctar floral e extrafloral de Malvales é composto por maior concentração de glicose e frutose em relação à sacarose, além de apresentar aminoácidos, proteínas e flavonóides. A presença das diferentes substâncias detectadas no protoplasto das células constituintes do nectário não implica necessariamente que tais substâncias estejam presentes na composição química do néctar, porém que desempenham potenciais funções ecofisiológicas. Os polissacarídeos presentes nas células dos nectários podem ser de grande valor, não somente nutricional, mas também desempenhar importante função para as estruturas em desenvolvimento, protegendo-as contra a dessecação conforme postulado por Meyberg (1988). Além das referidas funções, a mucilagem pode funcionar na preservação de alguns componentes da secreção exposta na superfície (Machado 1999). Sawidis (1991, 1998) ao descrever o tecido subglandular dos nectários de H. rosa-sinensis observ ou a presença de células mucilaginosas e células com óleo. De acordo com o autor, a mucilagem tem importante papel na regulação da economia de água, que é decisiva na secreção do néctar, sendo que o óleo Rodriguèsia 62 ( 2 ): 253 - 262 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Estruturas secretoras em Pr ivonia alnifolia protege principalmente os tecidos que contêm açúcares, contra herbivoria. Além da função atribuída pelo referido autor, as substâncias lipídicas provavelmente apresentam grande valor nutricional na dieta dos insetos visitantes (Baker & Baker 1990). Segundo Machado (1999), os lipídeos detectados nos nectários de Citharexylum mirianthum servem como fonte de energia e/ou de reserva, e ainda podem funcionar na atração ou repelência de visitantes (Rodriguez et al. 1984). As referidas funções podem ser atribuídas aos compostos lipídicos detectados nos idioblastos da estipula, visto que tal apêndice encontra-se envolvido na proteção de gemas c primórdios foliares. Os compostos fenólicos identificados nas células dos nectários da espécie estudada podem oferecer proteção contra herbívoros, microorganismos, excesso de radiação ultravioleta e ainda, proteger o protoplasto celular mantendo sua integridade quando sujeito ao estresse hídrico (Taiz & Zeiger 2006; Paiva & Machado 2008). A presença de plastídios com grãos de amido cm tecidos ncctaríferos tem sido extensivamente relatada cm literatura (Fahn & Shimony 2001; Rocha et al. 2002; Rocha 2004; Pacini & Nepi 2007; Rocha & Machado 2009). O amido acumulado nos plastídios pode ser a fonte de alguns dos componentes do néctar, pois é total ou parcialmcnte degradado durante as manifestações da atividade secretora (Durkec et al. 1981; Pacini & Ncpi 2007). É provável que os açúcares redutores detectados nos nectários de P. alnifolia sejam resultantes da hidrólise da sacarose oriunda do floema, e/ou da degradação dos grãos de amido presentes nos plastídios. Em P. alnifolia foi registrada uma grande diversidade de estruturas secretoras nos eixos vegetativo e reprodutivo envolvidas na produção de néctar, de mucilagem e compostos fenólicos. Considerando-se que a espécie habita um ambiente com alta incidência de radiação solar e luminosidade, temperaturas elevadas c solos com baixa capacidade de retenção de água e alta salinidade, a presença de estruturas externas e internas secretoras de mucilagem cm todos os órgãos da planta cm diferentes fases de desenvolvimento representa um importante mecanismo adaptativo e de sobrevivência da espécie aos ambientes de restinga. Na superfície da planta, a mucilagem atua protegendo contra a Rodrtguósla 62(2): 253-262. 201 1 259 dessecação e ainda, na proteção contra herbivoria e patógenos. No interior da planta, pode atuar na reserva de água e carboidratos, no balanço hídrico, na resistência contra a seca c devido à presença de compostos fenólicos na secreção, pode reforçar a proteção contra herbívoros e patógenos. Visto o papel desempenhado pela mucilagem, pelas substâncias fcnólicas c pelos nectários, os quais provavelmente estão envolvidos na manutenção de interações com os polinizadores, considera-se que a espécie constitui um bom modelo para realização de estudos experimentais com abordagem ecofisiológica. Os resultados estão de acordo com os dados da literatura, que indicam: a) a presença de canais, cavidades e idioblastos secretores de mucilagem e b) nectários florais compostos por tricomas secretores multicclulares sobre as sépalas, como sinapomorfias que corroboram o estabelecimento rcspcctivamcntc de Malvales e Malvaceae como grupos monofiléticos. Agradecimentos Ao DPPG/UFRRJ a concessão da Bolsa de Iniciação Científica. Ao Pesquisador do IPJBRJ, Massimo Giuscppe Bovini as sugestões e identificação da espécie. À Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) o auxílio financeiro para o desenvolvimento de projetos na área de Anatomia Vegetal. Processo n°E-26/l 10.734/2(X)8-INST. Referências Alverson, W.S.; Kami, K.G.; Baum, D.A.; Chase, M.W.; Swenscn, S.M.; McCourt, R. & Systniu, K.J. 1998. Circumscription of the Malvales and rclationships to othcr Rosidac: Evidente from rbcL sequente data. American Journal of Botany 85: 876-887. Arho, M. M. 1 972. Estructurn y ontogenia de los nectários foliares dei gênero Hyttineria (Stcrculinccac). Darwiniana 17:104-158. Baker, H.G. & Baker, 1. 1983a. A brief hlstorical revicw of chemistry of floral néctar. In: Bcnllcy, B & Elias, T.S. The biology of ncctarlcs. Columbia Univcrsity Press, New York. Pp. 126-152. Baker, H.G. & Baker, 1. 1983b. Floral néctar sugar constituents in relution to pollinator typc. 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Artigo recebido em 2 1 /08/20 1 0. Aceito para publicação em 3 1 /0 1 /20 1 1 . Rodriguésia 62(2): 253-262. 201 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Rodríguésia 62(2): 263-272. 201 1 http://rodriguesia.jbrj.gov.br Morfologia de sementes e de estádios iniciais de plântulas de espécies de Bromeliaceae da Amazônia 1 Seed morphology and early seedling stages in Bromeliaceae from the Amazon Ivone Vieira Silva 2,4 & Vera Lúcia Scatena 3 Resumo Sementes de Aechmea brumeliifblia, A. castelmvii (Bromclioideae); Dyckia duckei, I). racemosa (Pitcaimioidcae) e Tillandsia adpressiflora (Tillandsioidcae) foram coletadas em regiões amazônicas ( Mato (irosso) c estudadas visando sua caracterização morfológica e o desenvolvimento pós-scminal com finalidades taxonômicas, além de verificara porcentagem de germinação. Todas as espécies apresentam germinação epigea c plântulas criptocotiledoruircs. As sementes não apresentam dormência e a porcentagem de germinação é alta, acima de K6%, facilitando a produção de mudas c estudos de conservação. Como característica exclusiva dos gêneros, o envoltório das sementes de Aechmea (liromclioidcae) apresenta mueilagem que evita a dessecação; enquanto que o de Dyckia (Pitcaimioidcae) apresenta alas mcmbranáceas e o de Tillandsia (Tillandsioidcae) apresenta apêndices plumosos, neste último caso provavelmente para facilitar a dispersão c estabelecer o hãbito cpifitico. O inicio do desenvolvimento pós-scminal de Aechmea (Bromclioideae) c Dyckia (Pitcaimioidcae) é marcado pela emergência da rai/ primária, interpretado como caráter basal, enquanto que o de Tillandsia cuipressiflora (Tillandsioidcae) é marcado pela emergência do cotilédone, interpretado como caráter derivado. Dyckia e Tillandsia apresentam pequeno tanque apenas na fase de plântula c cm Acclmica ocorre o contrário. Palavras-chave: Aechmea, Dyckia, genninação, semente, Tillandsia. Abstract Sccds of Aechmea hromeliifolía, A. castdnavii (Bromclioideae); Dyckia duckei, D. racemosa (Pitcaimioidcae) and Tillandsia cuipressiflora (Tillandsioidcae) were collcctcd in lhe Amazon regions (Mato (irosso) and studied to descri be morphological characterization and post-scminal dcvelopmcnt, which can be taxonomically ase fui, and to assess pcrccnt germination. All the spccics have epigeous gemiination and producc cryptocotyledonary plantlcts. Secds have no dormaney and pcrccnt germination is high (over 1(6%), which facilitates the production ofseedlings and conscrvation studies. Exclusive charactcristics of the genera includc: the seed coat of Aechmea (Bromclioideae) has mucilage that prevenis desiccntion; whereas that of Dyckia (Pitcaimioideae) lias memhranaccous wings and that of Tillandsia (Tillandsioidcae) has fcathcry appendages, both of which makc dispersai casicr and establish the epiphytic habit. Initial post-scminal dcvelopmcnt of Aechmea (Bromclioideae) and Dyckia (Pitcaimioidcae) is marked by the cmergcncc of primaiy roots, interpreted as a basal charactcr, whereas that of Tillandsia adpressiflora (Tillandsioidcae) is marked by the cmergcncc of the cotyledon, interpreted as u derived charactcr. Dyckia and Tillandsia have a small tank only in the seedling phase while the contrnry occurs in Aechmea. Kcy words: Aechmea, Dyckia, germination, seed, Tillandsia. Introdução Bromeliaceae é uma das 16 famílias pertencentes à ordem Poales (APG III 2009) e apresenta cerca de 3.086 espécies distribuídas em 56 gêneros (Luther 2006). Suas espécies ocorrem nas mais variadas condições de altitude, temperatura c disponibilidade hídrica (Dahlgren cl ui 1 985). Com exceção de Pitcairniafeliciima (A. Chcv.) Harms & Mildbr. que ocorre no oeste do continente africano, as demais espécies da família são csscncialmentc neotropicais (Smith & Downs 1974;Cronquist 1981). 'parte da tese de Doutorado da primeira autora. ‘Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT, Deplo. Biologia, Av. Perimctral Rogério Silva. C.P. 324, 7H5K0-000, Alta I lorcsta, MT. Brasil, Universidade Estadual Paulista * IN! SP. Instituto de Biociéncias, Dcpto. Botânica. Av. 24-A, 1515, Bela Vista, 1 3506-900, Rio Claro. SP. Brasil. 4 Autor para correspondência: iviboKu hoünail.com SciELO/ JBRJ, 13 14 cm .. 264 Silva. I.V. & S caiena. VJL Os representantes da família apresentam em geral inflorescências vistosas e folhas distribuídas em roseta, usualmente com bainha alargada na base, propiciando a formação de um reservatório de água e nutrientes em muitas espécies (Cronquist 1981), importante na nutrição das Bromeliaceae e como micro ambiente para animais diversos (Oliveira 2(X)4). A importância econômica da família está na utilização como plantas alimentícias, como produtoras de fibras e como ornamentais, sendo cultivadas e utilizadas em decoração de interiores e em projetos paisagísticos (Pereira 1988; Nara & Wcber 2002; Santos et al. 2005; Duarte et al .2009). Segundo os autores, as Bromeliaceae da Amazônia estão ameaçadas de extinção pelo intenso desmatamento, que pode gerar perda da diversidade e do banco genético. Embora a semente não seja o principal meio de propagação das espécies herbáceas de monocotilcdôneas, ela é importante evento biológico (Tillich 1 995). A partir do conhecimento de sua estrutura, é possível obter informações que auxiliem em estudos de germinação, armazenamento e métodos de cultivo (Pereira 1988; Andrade et al. 2003), alem de auxiliar estudos sobre regeneração de ecossistemas naturais (Melo & Varela 2006). Para espécies de monocotiledôneas, as características de plantulas toram utilizadas como ferramenta na sistemática do grupo (Tillich 1995, 2000, 2007). De um modo geral, os tipos de plantulas representam uma adaptação funcional ao ambiente e estão associados a fatores ecológicos como: forma de vida da planta, capacidade de dispersão das sementes e estratégias de regeneração (Garwood 1 996; Ibarra-Manríquez et al. 200 1 ). Estudos sobre morfologia de sementes e plantulas com vários representantes de Bromeliaceae forneceram informações importantes para circunscrição infragenérica e infrafamiliar (Pereira 1988; Tillich 1995, 2000, 2007; Strehl & Behcregaray 2006; Scatena etal. 2006; Pereira etal. 2008). Nesse contexto, foram escolhidas para estudo as espécies Aechmea bromeliifolia (Rudge) Baker, Aechmea castelmvii Baker (Bromelioideae), Dxckia clitckei L.B. Smith, Dyckia racemosa Baker (Pitcairnioideae) e Titlandsia adpressiflora Mez. (Tillandsioideae) que ainda não foram estudadas e são abundantes no Parque Estadual Cristalino, localizado na Amazônia Meridional, nos municípios de Alta Floresta - MT e Novo Mundo - MT. O objetivo do trabalho foi estudar a germinação, morfologia das sementes e do desenvolvimento pós-seminal, visando levantar caracteres importantes para a taxonomia do grupo. Os dados obtidos também poderão contribuir para futuros estudos sobre conservação das espécies. Material e Métodos As sementes das espécies em estudo (Aechmea bromeliifolia (Rudge) Baker, Aechmea castelnavii Baker, Dyckia duckei L.B. Smith, Dyckia racemosa Baker e Tillandsia adpressiflora Mez) foram coletadas no Parque Estadual Cristalino, municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, ambos no estado de Mato Grosso, Brasil. As exsicatas estão depositadas no Herbário da Universidade Estadual de Mato Grosso (HERB AM). Para a descrição biomélrica das sementes (comprimento, largura e espessura) foram escolhidas, ao acaso, 50 sementes de pelo menos cinco indivíduos diferentes, medidas individualmente com paquímetro digital Mitutoyo. Foram colocadas para germinar 200 sementes de cada espécie, distribuídas em oito repetições de 25 sementes. As sementes foram distribuídas sobre duas camadas de papel filtro em caixa gerbox e irrigadas com 1 ml de água destilada. As caixas foram colocadas em germinadores a 25°C, com foioperfodo de oito horas, utilizando lâmpadas fluorescentes do tipo luz do dia (4 x 20w). Antes de serem colocadas para germinar, as sementes de Aechmea Ruiz & Pav. foram submetidas a lavagem em água corrente até a completa remoção do envoltório de mucilagem. A emergência da raiz primária ou do cotilédone foi o critério usado para definir germinação (Pereira et al. 2008). Os cálculos de porcentagem e índice de velocidade de germinação foram realizados de acordo com Labouriau & Valadares ( 1 976) e Maguire ( 1 962), respectivamente: G( 7c) = (N/A)x 100, onde N = Número de sementes germinadas e A = número total de sementes; e IVG - L (Gi/ni), onde Gi = número de sementes germinadas e ni = dia da contagem. A observação do desenvolvimento pós- seminal foi feita diariamente e as ilustrações realizadas com o auxílio de estereomicroscópio optico, equipado com câmara clara. Critérios adotados para estádio de plântula foram: desenvolvimento radicular com expansão total da primeira folha e aparecimento da segunda folha. Para planta jovem, foi considerado a expansão total úa segunda e o aparecimento da terceira folha. Atendidos os pressupostos de normalidade e homocedasúcidade, os dados de biometria e germinação (porcentagem e 1 VG) foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey Rodriguésia 62(2): 263-272. 201 1 SciELO/JBRJ; 2 13 14 Morfologia de sementes e de estádios iniciais de plántulas (Bromeliaceae) 265 (p=0,05), sendo os dados de germinação previamente transformados em arcoseno. Todas as análises foram realizadas pelo programa estatístico Sisvar® para Windows® (Ferreira 2(X)4). Resultados Aechmea castelnavii (Fig. 1 a) e/t. bromeliifolia (Fig. 1 b) apresentam sementes elípticas, com porção micropilar mais estreita; com médias aproximadas de 3.87 mm de comprimento e 1 ,60 mm de largura. O envoltório das sementes é liso, com presença de substância mucilaginosa. Aechmea bromeliifolia e A. castelnavii apresentaram em média 99 e 96% de germinação e índice de velocidade (IVG) de 4, 1 c 3,95, respectivamente (Tab. 1). Dyckia duckey (Fig. Ic) e D. racemosa (Fig. Id) apresentam sementes ovaladas, achatadas, discóidcs; com médias de aproximadamente 4,65 mm de comprimento e 6, 1 2 mm de largura. Apresentam envoltório rugoso, com alas membranáccas e circulares em uma das extremidades. A região que delimita o embrião apresenta coloração mais escura. Dyckia duckey e D. racemosa apresentaram em média 92% e 86% de germinação e 1 VG de 5,2 e 4,8, respectivamente (Tab. I ). Tillandsia adpressiflora (Fig. le) apresenta sementes fusiformes; com cerca de 3,60 mm de comprimento e 0,60 mm de largura. Apresenta envoltório rugoso, com apêndices plumosos (Fig. le, 4a). Esses apêndices são filiformes, esbranquiçados, ligados à porção micropilar (Fig. Ic, 4a). T. adpressiflora apresentou médias de 97% de germinação e IVG de 2,8 (Tab. I ). Todas as espécies estudadas apresentam germinação epígea e o cotilédone nao se despicndc do tegumento da semente, mantendo sua 1 unção haustorial, originando plántulas criptocotiledonarcs (Fig.2d-h,3d-h,4d-f). A germinação inicia-se após quatro a cinco dias de embebição em Aechmea bromeliifolia e A. castelnavii. pelo rompimento do envoltóiio e emissão da raiz primária na região da micrópila (Fig. 2a). A raiz primária é esbranquiçada e cônica (Fig. 2a-c). As raízes adventícias crescem antes do aparecimento do eofilo (Fig. 2e-f). Nas duas espécies de Aechmea, o eofilo cresce entre dois a quatro dias após a germinação e apresenta-se levemente lanceolado, de ápice ligeiramente acuminado e bordo inteiro (Fig. 2g). A bainha cotiledonar e foliácea, se rompe no ápice; o colo é demarcado, com hipocótilo conspícuo e cilíndrico (Fig. -d-l). Com aproximadamente três a cinco dias de germinação as plántulas de Aechmea apresentam Tahela 1 - Porcentagem e velocidade de germinação de sementes de espécies de Bromeliaceae. * IVG - índice de velocidade de germinação. (Médias seguidas pelas mesmas letras maiusculas na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 0,05% de significância) Table 1 - Pcrccntagc and speed of germinalion of seeds of spccics of Bromeliaceae. * IVG - speed of gcmiination. (Mcans followcd by same lettcrs are not difTcrcnt by Tukey’s lest, p<0.05) Espécies Geminação (%) IVG* Aechmea bromeliifolia 99,0 A 4,10C Aechmea castelnavii 96,0 A 3,95 D Dyckia duckey 92,0 AB 5,20 A Dyckia racemosa 86,0 B 4,80 B Tillandsia adpressiflora 97, 0A 2,80 E raiz principal robusta, cônica, pilosa, com início de formação de raízes adventícias (Fig. 2g, 2i). O hipocótilo é longo e a bainha cotiledonar é membranosa, cupuliforme ou arqueada, frequentemente reflexas, com escamas (Fig. 2g, 2i). As plantas jovens apresentam hipocótilo cilíndrico, raízes adventícias e folhas elevadas pelos entrenós longos (Fig. 2h-k). Em Dyckia duckey e D. racemosa a germinação inicia-se após três a quatro dias de embebição, com o rompimento do envoltório (Fig. 3a-c) na região micropilar e emissão da raiz primária, que é cônica, com pelos absorventes (Fig. 3c-d). Após um a dois dias de germinação a bainha cotiledonar se rompe no ápice e cresce o eofilo que é largo e cupuliforme, com escamas (Fig. 3d-f). A plântula (cinco a seis dias após a germinação) forma um pequeno tanque, apresentando eofilo com bainha larga e sobreposta com u da segunda folha (Fig. 3e-g). Apresenta raiz principal em processo de necrose, densamente pilosa, com bainha cotiledonar evidente (Fig. 3e-g). As plántulas das Dyckia estudadas com seis a oito dias após a germinação apresentam bainha cotiledonar foliácea, cupuliforme (Fig. 3h). A planta jovem, após nove dias de germinação, apresenta colo delimitado c raiz primária curta (Fig. 3h-j). O hipocótilo é reduzido, com folhas cm roseta e início do crescimento de raízes adventícias (Fig. 3h-i). A bainha cotiledonar é foliácea, cupuliforme, com margem ondulada e fendida (Fig. 3e-h). As folhas subsequentes são dispostas em roseta (Fig. 3g-j), com escamas no limbo c bordos espinhosos. fíodriguésia 62 ( 2 ); 263 - 272 . 2011 SciELO/ JBRJ, 13 14 cm l SciELO/ JBRJ 266 Silva, I.V. & Scatena. V.L Em Tillandsia adpressiflora, após oito dias de embebição, a semente inicia a germinação, que se dá através da emergência do cotilédone haustorial na região micropilar (Fig. 4b-c) e não forma raiz primária. O haustório é longo e tubular (Fig. 4c). Após oito dias de germinação emerge o eofilo (Fig- 4d-e). Com nove a dez dias após a germinação o eolilo apresenta-se clorofilado, suculento, cupuliforme, com ápice acuminado, bordo inteiro, margem flexionada e bainha larga (Fig. 4e-f). Na plântula ocorre pequeno tanque, formado pela base da bainha do eofilo que fica superposta Rodriguésia 62(2): 263-272. 201 1 Figure 1 - Morphological aspccts of sccds - a. Aechmea castelnavii- h A h r'r r ,, adpressiflora. Bars = 1,5 mm (1); 1 mm (2, 3,4); 3 mm (5) ’ °">e ufoha\ c. Dyckia duckei; d. D. racemosa- e. Tillaruhi, cm l SciELO/ JBRJ, L2 13 14 15 16 17 Figura 2 -Dcsenvolvimento pós-seminal de espécies de /fec/wi«j(Bromclioidcac,Bromclinccac)-n-c. fases da germinação; g-i. plântulas; h, j-k. plantas jovens, a-b, d, g-h. j-k. Aechmca castelnavii. c, c-f, i.A. bromeliifolia. Barras = 2 mm (a-j); 3 mm (k). Figure 2 - Post-scminal dcvciopmcnl of «pccics of Aechmea (Bromclioidcac Bromcliaccac) a-c. slagcs of germination; g-i. sccdlings; h, j-k. young plant. a-b, d, g-h, j-k. Aechmea castelnavii. c, c-f, i .A. bromeliifolia. Bars - 2 mm (n-j); 3 mm (k). Rodriguésia 62(2): 263-272. 2011 Morfologia de sementes e de estádios iniciais de plântulas (Bromeliaceae) 267 cm i SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 268 Sitia. LV. & Scatena. V.L Figura 3 - Desenvolvimento pós-seminal de espécies de Dyckia (Piticaimioideae Bromeliaceae) - a-c fases da gcrminaçao; d-g. plantulas; h-j. plantas jovens a d f-h i n, -t-,- „ ■_ - nromciiaceaej a-c. tases da Figure 3 - Post-scminal dcvclopmcm of species of Dyckia (Pticaimioidcae^ 50 l' C ’ ^ '\ ^ duckelm BalTaS = 3 mm •" ^ frUIt 5 " locular (arrow ); 8- seedling. primary eophyll (ef). Bar = a, c, e-g 1 cm; b, d 0.5 cm P ’ ^ lntegument and cotyledons (sm); epicotyls (ep); Rodriguèsia 62(2): 273-281. 201 1 SciELO/JBRJ, L2 13 14 15 16 17 Rodriguésla 62(2): 273-28 1 . 20 1 1 cm .. Table 1 - Characteristic of the seeds of Raulinoa echinata R.S. Cowan in comparison with others Rutaceae species cited in literature. Exalbuminous Exarillate Ovoid Dark brown to copper colored Friable involucre Hilum with different color from the integument Conspicuous micropyle Fleshy cotyledons Bcilfourodendron riedelianum (Engl.) Engl. (Silva & Paoli 2006a) absent present absent present present absent absent present Esenbeckia grandiflora Mart. (Silva & Paoli 2006c) present present absent present present present absent present Dictyoloma vandellianum Juss. (Silva & Paoli 2006b) absent present absent present absent absent absent present Pilocarpus pennatifolius Lem. (Souza et al. 2005) absent absent absent present absent present absent present Zanthoxylum rhoifolium Lam. (Silva & Paoli 2000) absent present present present absent present absent absent Citrus reticulata L. (Coelho et al. 2001) absent absent present absent absent absent not mentioned not mentioned SciELO/JBRJ 6 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Raulinoa echinata ecophysíology seed and seedling 277 cm i 278 Darosri. A.A. & Paulilo. M.T.S. Exabulminous seeds were also found in E. grcmcliflora (Silva &Paoli 2006c) (Tab. 1). A friable involucre was also observed in E. grcmcliflora (Silva & Paoli 2006c) and B. riedelianum (Silva & Paoli 2006a) (Tab. 1 ). The different coloration of the hilum in relation to the integument is also present in E. grandiflora (Silva & Paoli 2006c), Z rhoifolium (Silva & Paoli 2000) and P. pennatifolius (Souza et al. 2005). Conspicuous micropyle was not described in literature for any Rutaceae species (Tab. 1 ). Axial embryo is also present in E. grandiflora (Silva & Paoli 2006c), Z. rhoifolium (Silva & Paoli 2000), B. riedelianum (Silva & Paoli 2006a), D. vandellianum (Silva & Paoli 2006b) and C. reticulaia (Coelho et al. 2001) (Tab. 1). Fleshy cotyledons were mentioned for£. grandiflora (Silva & Paoli 2006c), B. riedelianum (Silva & Paoli 2006a), D. vandellianum (Silva & Paoli 2006b) and P. pennatifolius (Souza et al. 2005) (Tab. 1 ). The R. echinata seed has an ability to float in the water, since the average value obtained for seed density was 0.457 g/cm 3 , which is bclow the water density value ( 1 g/cm 3 ). Kubitzki & Ziburski (1994), while studying trees from the Amazonian floodplain forests, observed the strong relation between these trees and seed dispersai by hydrochory, since the seeds were able to float, due to the presence of specialized tissues and other attributes, and would fruit precisely during the flood season. The transport of seeds by river water contributes to condense and expand plant biomass in the riparian environments (Ab’Saber 2000). Besides that, a structure resembling a dry endocarp appears to aid seed dispersai. In laboratory, the ejection of seeds attached to these structures was observed, falling approximately 1 m distant from the fruits in the dehiscence process (Fig. 1 0. This ejection may be important for the seeds to reach the rivers, so they can be dispersed. In the Rutaceae, Beltrati (1991) mentions, for the fuit of Esenheckia febrífuga (St. Hil.) Juss. ex Mart., the presence of a dry and lignificd endocarp, which participates in the ejection of the seeds, and Souza et al. (2005) also mentions the liberation of the endocarp together with the seed for Pilocarpus pennatifolius Lem. According to the analyses of germination characteristics of the R. echinata seed, it was noted that root emission occurrcd with the breaking of the sharper end (apical) of the seed, and could be observed about 1 0 days after lhe sowing, in the three situations tested. From 1 00 seeds placed to germinate under light and on moistened paper, 76% germinated. With regard to the seeds placed to germinate submeiged, 12 of the 30 seeds (40%0 germinated. The seeds were probably indifferent to light for germination, which also occurred in the dark. Of the 30 seeds placed to germinate in the dark, 1 6 (=53%) germinated. However, more studies are necessary in order to better determine a possible influence of light on the germination of R. echinata seeds. Species that germinate in water may present a strategy similar to the one mentioned by Rodrigues & Shcpherd (2000) for the species that disperse their seeds during the post-flood period, and by Crawford & Braendle (1996), for annual species: gain time for establishment and development of the young individuais in lhe area until the next rainy season. Yet, Himatanthus sucuuba (Spruce) Woodson (Apocynaceae) seeds, species from the riparian Amazon forest, germinated less when submerged (Ferreira et al. 2006). According to Blom & Voesenek (1996), some species may cease to grow when submerged, while others may maintain or even increase biomass produetion. Furthermore, according to Crawford & Braendle ( 1 996), many plants present morphological (aerenchyma) and physiological (hormonal and enzymatic Controls and alternative metabolic pathways) adaptations, and also life strategies (annual plants, for example) for wetland environments, being toleram to anoxia or hypoxia. Besides that, according to those authors, small- sized seedlings present a certain advantage in environments that undergo temporary flooding, since the root system is in close proximity to the leaf base, and therefore the distance for oxygen diffusion from the branches to the roots is small. The germination of the seed independem of the presence or absence of light, on the other hand, is may be due to the fact that the Juminosity at the riparian band may vary according to the characteristics of the river channcl and the route of the river, and also the physiognomy of the surrounding vegetation (Durigan et al. 2000). Besides that, according to Baskin & Baskin (2000), many species may germinate both in the presence and in the absence of light, and there are many factors that can lead a species to germinate in the dark or in the light, such as temperature, seasonality andambient humidity. lhe species studied here achieves the seedling stage about 20 days after sowing. In riparian forest environments, the species which are Rodriguésia 62(2): 273-2S1. 201 1 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 Raullnoa echinata ecophysiology: seed and scedling 279 able to establish faster may be favored (Rodrigues & Shepherd 2000). However, of the 50 germinated seeds transferred to plastic trays, only 10 bccame seedlings. Riparian Forest environments have characteristic environmental trails (Durigan et cil. 2000; Rodrigues & Shepherd 2000). R. echinata seedlings, typical of riparian foresls, wcre developcd in a laboratory, without specific luminosity, temperature and humidity control. According to Felfili et al. (1999), factors such as light, water, temperature and edaphic conditions are some of the environmental elements that contribute to the development of the plants, and therefore could influence the results above. The overall aspect of the R. echinata scedling is seen in Figure lg, where the presence of the pivoting primary root is observed, with a light brown coloration and non-tubcrous. The primary root has one to five ramifications. The secondary roots are ycllowish-white, about 1 .3 cm (±0.8 1 ) long and 0.138 cm (±0.019) wide. The root collar has the same coloration as the primary root and is thicker. It is 0.1 12 cm (±0.021) wide. The hypocotyl, initially, is semi-bcnt, and then aligns with the root. It is about 0. 1 58 cm (±0.03 1 ) wide and it is cylindrical, short, puffed, green, glaborous and straight next to the root collar. The cpicotyl presents scales, is cylindrical and has a green coloration, with average values of 0.591 cm (±0,164) long a 0.107 cm (±0.032) wide. The total Icnglh of the seedling, from the root to the apex is about 2.96 cm. (±0.969), and the hypogca! portion lenglh (primary root, root collar and hypocotyl) is about 1.27 cm (±0.6 11). Allhough nol shown in detail in Figure lg, the eophylls is 1 .6 cm (±0.54 1 ) long and 0.436 cm (±0.14) wide. It presents a greenish color, is simple, glaborous, with no apparent glands, slightly coriaccous, oblanceolate-obovatc, round apex (retuse), sharp base (cuneate), cntire edge, pinnate venalion with a simple primary veining leading to not-so-apparent secondary veining, simple petiole, with opposite phyllotaxis. According to the analyses of Arioli et ai (2008), the adult individuais of R. echinata prcsented leaves with simple leal fronds, with oblanceolate obovate shapc, usuully retuse apex and cuneate base. Thus, the charactcristics of lhe eophylls are apparently not differcnt from those of the adult leaves. The R. echinata seedling does not show the cotyledons; they are kept inside the integument and under the soil, and so could be clussified as reserve cotyledons, and the seedling as crypto- hypogean-reserve, based on Garwood’s classification (1996). Crypto-hypogean-rescrvc seedlings are common in Rutaceae (Watson & Dallwitz 1992). C. reticulata also kecps the cotyledons under the soil (Coelho et al. 200 1 ). Bcing a crypto-hy pogean- reserve can be advantageous, as it potentially reduces the risk of lethal damage to the aerial part of the scedling (Garwood 1996), since the integument of the seed can work as a protectivc barricr (Ressel et al. 2004). Crypto-hypogcan- reserve seedlings are usually biggcr than othcr seedlings which do not present this characteristic (Ressel et al. 2004). Thus, this characteristic of the seedling is very important for its initial establishment. However, there are species which present the very same model for germination and are differcnt when it comes to the biomass allocation aspect, for they populate diffcrent environments, thus developing a larger root or stem according to the light and water requirements for lhe environment (Ressel et al. 2004). The specics that present the crypto- hy pogean-reserve characteristic are usually climax specics or belong to udverse environments (Ressel et al. 2004; Jacomassi et al. 2007), such as those with little light (Kitajima 1996; Ressel etal. 2004)or periodically floodcd (Ressel et al. 2004). This characteristic makes it possiblc for the seedlings to be initially scl f-su fficient until environment conditions changc, which makes these adverse environments not barriers to be overcome, but niches to be colonized (Ressel et al. 2004). Many flood-rcsistant plants are capable of developing a survival mechunism for long floods. Those adaptations are based on rapid changcs in the physiological processes, and even in morphological and anatomical features (Blom & Vocscnck 1 996). Arioli et al. (2008), analyzing the R. echinata leaf, mention the presence of some charactcristics that make survival possiblc in extrcmely adverse conditions, common to riparian forest environments, such as erystals of calcium phosphatc, distributed in idioblasts at the mcsophyil, which would act as a reserve for vital physiologicu! processes during floods, and suberin depository on the internai periclinal and anticlinal walls of the epidermal cclls, which must play an important role in waterproofing, isolatlng the more internai tissues during river floods. In percnnial species of wctland environments, such as R. echinata, the height. Radríguésia 62(2): 273-28X. 201 1 SciELO/JBRJ, 13 14 cm .. 280 density, and distance between the tissues and the oxygen source are important factors to supplement this resource to the plant organs subject to hypoxia or anoxia (Crawford & Braendle 1 996). According to Crawford & Braendle ( 1 996), such adaptations are still sensitive to environmental changes arising from climate, land use and pollution. However. the rclation between special morphological features of the rheophytes and the occupation of their respcctive environmcnts is still not fully understood (Rodrigues & Tozzi 2007). Thus, further studies on ccophysiological strategies used by rheophytic plants to occupy these environmcnts are required to support the preservation of environments and flora. Acknowledgments We would like to thank the researchers of Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Marli Pires Morim and José Fernando Andrade Baumgratz, for contributing to the identification of the morphological structures of the species R. echinata. References Ab'saber, A.N. 2000. O suporte geoecológico das florestas beiradeiras (ciliares).*: Rodrigues, R.R. & Leitão-Filho, H.F. (eds.). Matas ciliares: conservação e recuperação. EDUSP; FAPESP, São Paulo. Pp. 15-25. Arioli, T.; Voltolini, C.H. & Santos, M. 2008. Morfoanatomia foliar da reófita Raulinoa echinata R.S. Cowan - Rutaceae. Acta Botanica Brasílica 22: 723-732. Baskin, C.C. & Baskin, J.M. 2000. Seeds - ecology, biogcography, and evolution of dormancy and germinalion. Academic Prees, San Diego. Pp. 13-16 Battilani, J.L.; Santiago, E.F. & Souza, A.L.T. 2006. Morfologia de frutos, sementes e desenvolvimento de plântulas e plantas jovens de Madura Unaoria (L.) D. Don. ex Steud. (Moraceae). 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Artigo recebido em 07/04/2010. Aceito para publicação em 29/10/2010. Rodríguàsiâ 62(2): 273-281. 201 1 SciELO/JBRJ cm Rodriguésia 62(2): 283-297. 201 1 http://rodrigucsia.jbrj.gov.br O gênero Inga (Leguminosae-Mimosoideae) na Província Petrolífera de Urucu, Coari, Amazonas, Brasil Thegenus Inga ( Leguminosae-Mimosoideae I in the Urucu Petroleum Province, Coari, Amazonas, Brazil Julio dos Santos de Sousa 12 , Maria de Nazaré do Carmo Bastos 2 & E/y Simone Cajueiro Gurgef Resumo Este trabalho trata do estudo taxonômico de Inga Mill. da Província Petrolífera de Urucu, Coari-AM. O gênero está representado na área por nove táxons, distribuídos em cinco seções: Pseudinga Bcnth., composta por Inga nobilis Willd. subsp. nobilis e Inga stenoptera Bcnth.; Bourgonia Bcnth., por Inga taurina (Sw.) Willd., Inga alba (Sw.) Willd. c Inga pezizifera Bcnth.; Langiflorae (Bcnth.) T.D. Penn., por Inga rubiginosa (Rich.) DC. c Inga calantha Ducke; Inga e Leptinga Bcnth., rcspcctivamcntc, por Inga edulis Mart. c Inga heterophvlla Willd. Sáo apresentadas chave de identificação, descrições e ilustrações dos táxons, bem como dados adicionais sobre distribuição geográfica, comentários c hábitat dos mesmos. Palavras-chave: Inga, Amazônia, fioristica, morfologia, taxonomia. Abstract This study dcals with the taxonomic treatment of Inga Mill. from Urucu Petroleum Province, Coari-AM. The genus is represented by nine taxa, distributed in five sections: Pseudinga Bcnth., composed by Inga nobilis Willd. subsp. nobilis and Inga stenoptera Bcnth.; Bourgonia Bcnth., by Inga laurina (Sw.) Willd., Inga alba (Sw.) Willd. and Inga pezizifera Bcnth.; Longiflorae (Bcnth.) T.D. Penn., by Inga rubiginosa (Rich.) DC. and Inga calantha Ducke; Inga and Leptinga Bcnth., rcspcctively, by Inga edulis Mart. and Inga heterophylla Willd. Are givcn idcntification kcy, descriptions, and illustrations of the taxa, as well as data conccming geographical distribution. additional commcnts and habitat of lhe taxa. Key words: Inga, Amaz.onia, floristics, morphology, taxonomy. Introdução Inga Mill. pertence a Leguminosae-Mimosoideae, tribo Ingeae c compreende cerca de 300 espécies (Sousa 2000). Destas, 140 são referidas para o Brasil, com 93 na região fitogeográfica do litoral brasileiro (Mata & Félix 2007). O nome do gênero é derivado do Tupi-Guarani, vcmacu larmente conhecido como ingá (Lewis et ai 2005). Trata-se de um gênero cxclusivamente neotropical, com sete principais áreas de distribuição, das quais o litoral, o interior do Brasil, o sudeste da América Central e o oeste da América do Sul, constituem os principais centros de diversidade do gênero (Pennington 1997; Mata & Felix 2007). Inga caracteriza-se basicamente por apresentar folhas paripenadas, com ncctário na raque foliar, localizado entre cada par de folíolo c legume, com sementes envolvidas por sarcotesta carnosa e adocicada (Bentham 1876). Apresenta potencial económico no rcflorcstamento, fitoterapia, produção de energia e alimentação (Pritchard et ai 1 995; Bilia 2003; Caramori et ai 2008). De acordo com Richardson et ai (2001), sinapomorfias moleculares c a presença da sarcotesta (característica esta única em Mimosoideac) sustentam Inga como monofilético. Apesar de ser um grupo bastante representado na região amazônica, ainda são poucos os trabalhos com ênfase no Amazonas, principalmentc em uma área de clareiras naturais e antrópica como a Base Petrolífera de Urucu, o que levou a realização deste estudo, o qual objetivou tratar taxonomicamente as espécies de Inga Mill. c contribuir para o conhecimento da Hora no estado. 'Autor pura correspondência: jsaousj27@yahisrcoin.hr ■Musc-u Paraense Emílio Gocldi. MCT, Campus de Pesquisa. Coord. Botânica. Av. Perimctral 1901. Terra Finnc. 660 1 7-970, Belém. PA. SciELO/ JBRJ 13 14 15 cm .. Sousa, J.S., Bastos. M.N.C. & Gurgel, ESC. Material e Métodos A área de estudo localiza-se na Base Operacional Geólogo Pedro de Moura (BOGPM), comumente chamada de Base Petrolífera de Urucu (4°30’S e 64°30' W), a 653 km em linha reta de Manaus, na bacia do Rio Urucu, afluente da margem direita do Rio Solimões, caracterizada por uma vegetação de floresta alta e densa de terra firme, no município de Coari, no estado do Amazonas (Lima et cil. 2008). O material botânico foi coletado nas clareiras da Base Petrolífera de Urucu nos anos de 2005-2009 c incorporado nos herbários do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropccuária/Embrapa Amazônia Oriental, Belém. Pará. Brasil (I AN). Para a coleta preservação e herborização dos espécimes foram adotadas as recomendações técnicas propostas por Fidalgo & Bononi (1984). A terminologia utilizada para as estruturas morfológicas está baseada nos trabalhos de Lcón (1966), Sousa (1993), Pennington ( 1 997). Garcia ( 1 998) e Sousa (2009). A identificação dos táxons foi realizada por comparação com o material herborizado e certificado por especialistas, análise dos tipos, quando disponíveis, chaves analíticas, diagnoses e descrições existentes na literatura. As ilustrações foram feitas com o auxílio de um estcreomicroscópio ZEISS, acoplado à câmara clara, em diversas escalas de aumento, utilizando-se a técnica de nanquim, sobre papel vegetal, à mão livre. Neste trabalho, são acatadas as considerações de Lewis et ol. (2005), que mantêm Leguminosae como uma única família dividida cm três subfamílias. Resultados e Discussão Inga Mill. Árvores até 25 m de alt. Ramos cilíndricos, semicilmdricos ou angulosos. Estipulas presentes. Pecíolo e raque alados ou não. Nectário foliar entre cada par de folíolos, sésseis ou estipitados. Folhas compostas, alternas, paripinadas e com 1-6 jugas. Inflorescências axilares, racemosas, espiciformes ou umbeliformes. Brácteas persistentes ou caducas. Flores pentâmeras, actinomorfas, andróginas, gamossépalas, gamopétalas; estames 28-100, monadelfos; anteras bitecas; ovário unicarpelar, com 16-30 óvulos. Legume típico ou nucóide ou folículo, reto, curvado ou torcido, coriáceos a lenhosos, glabros, híspidos, puberulentos ou velutinos. Sementes elipsóides, oblongas ou obovadas, lisas a rugosas, envolvidas por sarcotesta carnosa e adocicada. lnga é o gênero mais representativo da tribo Ingeae, com ca. 300 espécies, distribuídas em 14 secções (Pennington 1997). Destas, 140 espécies foram registradas para o Brasil (Mata & Felix 2007), cuja ocorrência é notada em todos os estados, sendo 75 essencialmente Amazônicas (Lewis 2005), com a bacia amazônica conlituindo seu maior centro de diversidade (Duckc 1949). Possui distribuição exclusivamente neotropical, de um extremo ao outro da zona tropical úmida, desde 24°N, no México, até 34 S, no Uruguai, com representantes nas Antilhas Maiores e Menores (Pennington 1997). Na Base Operacional Geólogo Pedro de Moura, Inga está representado por oito espécies e uma subespécie, distribuídas em cinco seções: Pseudinga Benth., composta por /. nobilis Willd. subsp. nobilis e /. stenoptera Benth.; Bourgonia Benth., por I. laurina (Sw.) Willd.. 1. alba (Sw.) Willd. e /. pezizifera Benth.; Longiflorae (Benth.) T.D. Pcnn., por /. rubiginosa (Rich.) DC. e I. calantha Ducke; Inga e Leptinga Benth., respectivamente, por I. edulis Mart. e /. heterophylla Willd. Chave para identificação dos táxons Raque alada. 2 Ramos glabros a tomentosos; estipulas lanceoladas . L calan,ha 2 ' glabros ou puberulentos; tubo estaminal 0,4-2 ' ou oblongas, glabras a pubescentes; folíolos 3. 3’. P< ,rír.w ni- I, . , . -- cm compr.; fmt o glabro ou esparsamente tomentoso. Pcctolos alados somente no_ap.ee; nectários foliares estipitados até 1 mm compr.; folíolos com ap.ee acuminado; mflorescenc.as umbeliformes; flores pediceladas; legume nucóide Peciolos nao alados ou alados em toda a extensão; nectários foliares sésseis; folMos com CUSP ou a,enuadü; lnnorescências es P icif °™*: notes sés, sesse.s; Rodríguésia 62 ( 2 ): 283 - 297 . 20. 1 SciELO/JBRJ Inga MUI. em Urucu, Coari, Amazonas. Brasil 285 r. 4. Bráctcas ovais; fruto estipitado. 5. Nectários foliares reniformes; folhas 4-6 jugas; folíolos discolores, puberulentos, base arredondada, truncada ou assimétrica; cálice tubular; corola com lobos scrícco-vilosos; ovário oblongo; estigma cupuliforme; folículo 30-180 cm compr., com nervações longitudinais, profundamente sulcado, esparsamente tomentoso, margens lobadas 3. /. edulis 5’. Nectários foliares cupuliformes; folhas 2-3 jugas; folíolos concolores, glabros, base aguda; cálice cupuliforme; corola com lobos puberulentos; ovário elipsóide; estigma globoso; legume 3,7-15,2 cm compr., com nervações transversais, não sulcado, glabro, margens onduladas .... 5. /. Icuirina 4’. Brácteas espatuladas ou elípticas; fruto não estipitado. 6. Estipulas lanceoladas, esparsamente pubescentes, persistentes; nectários foliares cupuliformes; folhas 2-3 jugas; folíolos concolores, nervuras secundárias 9-12 pares; brácteas elípticas, persistentes; cálice tubular; corola com lobos seríceos a vilosos; estigma cupular; fruto não apiculado 9. 1. stenoptera 6'. Estipulas oblongas, puberulentas, caducas; nectários foliares patcliformes ou ciatiformes; folhas 3-6 jugas, folíolos discolores, nervuras secundárias 5-9 pares; brácteas espatuladas, caducas; cálice cupuliforme; corola com lobos puberulentos; estigma globoso; fruto apiculado 1.1. (Ma Raque não alada. 7. Ramos puberulentos; estipulas oblongas a lanceoladas; nectários foliares cupuliformes; inflorescências racemosas; flores pediceladas; cálice I -2,5 mm compr,; tubo estaminal igualando a corola; estigma globoso; fruto não apiculado 7. 1.pezizifera T. Ramos tomentosos ou velutinos; estipulas elípticas ou ovais; nectários foliares patcliformes; inflorescências espiei formes; flores sésseis; cálice 3-7 mm compr.; tubo estaminal incluso ou exserto; estigma expandido; fruto apiculado. 8. Ramos tomentosos; estipulas elípticas, pubescentes, persistentes; folíolos coriáceos, concolores, glabros a esparsamente pubescentes; brácteas espatuladas, tomentosas, persistentes; cálice c corola infundibuliformes; estames 38-60; óvulos 12-16; legume nucóide, pubemlento, ápice obtuso ou arredondado; sementes oblongóides 6. /. nobilis subsp. nobilis 8'. Ramos velutinos; estipulas ovais, velutinas, caducas; folíolos cartáceos, discolores, velutinos; brácteas ovais, velutinas, caducas; cálice cupuliforme e corola tubular; estames 60-90; óvulos 22-26; legume, velutino, ápice agudo; sementes elipsóides 8. /. rubiginosa l.//i£flfl//>«(Sw.)Wüld.,Sp. P1.4: 1013. 1806. Fig. I Árvore até 13 m de alt. Ramos cilíndricos, puberulentos. Estipulas 2-5 mm compr., oblongas, puberulentas, caducas. Pecfolos 0,6-3 cm compr., semicilíndricos, não alados, puberulentos. Nectários foliares 1-2 mm diâm., patcliformes ou ciatiformes, sésseis. Raque 2,5-8,7 cm compr., canaliculada ou plana, alada (ala, 2-3 mm larg.), pubcrulenta. Folhas 3- 6 jugas; folíolos 2-12x1 -5,5 cm, cartáceos, discolores, glabros a ligeiramente puberulentos, elípticos a lanccolados, ápice agudo ou atenuado, base aguda a obtusa, venação cucampdódroma a bnx|uidixlroma, nervuras secundárias 5-9 pares, ascendentes. Inflorescências espiciformes, axilares; pedúnculos 0,3- 2 cm compr., planos a cilíndricos, puberulentos; brácteas 0,5-1 ,5 mm compr., espatuladas, puberulentas, caducas. Flores sésseis; cálice 0,7- 1 .5 mm compr., cupuliforme, lobos puberulentos; corola 2-4,5 mm compr., Rodrlguêsla 62 ( 2 ): 283 - 297 . 20 1 1 infundibuliforme, lobos puberulentos; tubo estaminal 6-9 mm compr., longanientc exserto, estames 28-12, porção livre dos filetes 4-6 mm compr.; ovário I -2 mm compr., elipsóide, glabro; estilete filiforme, igualando ou excedendo os estames; estigma globoso; óvulos 16-18. Legume 8-22 x 1,3-2 x 0,4-0, 6 cm, reto ou curvado, convexo, castanho, com nervações reticulares proeminentes, não sulcado, coriácco, glabro, ápice arredondado, base aguda, margens espessas e onduladas, apiculado, não estipitado. Sementes 0,7- 1 ,2 x 0,5-0, 7 cm. oblongóides, lisas, glabras. Material examinado: Coari, Base de Operação Geólogo Pedro dc Moura, clareira próxima ao rio Urucu, 26.1.2007, Ir.. E.S.C. Gurgcl cl nl. 530 (MG); 23.IX.2008, II., J.S. Sousa et til. 85 { MG). Espécies distribuem-se no México, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru e Brasil, ocorrendo nos estados do AP, RR, AM e PA (Sousa SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm 286 Sousa, J.S.. Bastos. M.N.C. & Gurgel. E.S.C. fS™'- 1993), além do AC, RO, MA, CE, GO e DF. Na província petrolífera de Urucu, ocorre nas clareiras da floresta de terra firme e próximas aos rios. Entre as demais espécies da seção Bourgonia Benlh. citadas neste trabalho (/. laurina e I. pezizifera), /. alba distingui-se por apresentar nectários foliares pateliformes ou ciatiformes, raque canaliculada ou plana com ala 2-3 mm larg. e tubo estaminal 6-9 mm compr. Nessa seção, a espécie se destaca por ser a única na área, que apresenta folíolos de menores tamanhos (2- 12 x 1—5,5 cm), dispostos em 3 a 6 jugas. 2. Inga calantha Ducke. Areh. Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 18. 1925. pj„ 2 Arvore até 15 m de alt. Ramos angulosos, velutinos. Estipulas 2-3 mm compr.. ovais, velutinas. caducas. Pecíolos 1,1-2 cm compr., cilíndricos, não alados, velutinos. Nectários foliares 0,5-1 mm diâm.. cupuliformes, estipitados. Raque 8,5-14 cm compr., cilíndrica, alada (ala 1 ,4-2.2 cm larg.), vclutina Folhas 3-4 jugas, folíolos 4.4—20 x 2,5-10.5 cm, coriáceos, concolores, velutinos, elípticos ou ovais, ápice atenuado, base arredondada ou assimétrica venação Rodriguésia 62 ( 2 ): 283 - 297 . 201 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Figura 2 - Inga calantha Duckc - a. ramo florido; b. ncctário foliar; c. estipula; d. Ilor; e. fruto. Haure 2 Inga calantha Duckc a. Ilowcring branch; b. foliar ncctary; c. slipulc; d. Ilowcr; c. fruit. eucampdódroma a broquidódroma, nervuras secundárias 10-13 pares, convergentes c arqueadas. Inllorcscências espiciformes, axilares; pedúnculos 4- 5 cm compr., cilíndricos, velutinos; brácteas caducas. Flores sésseis; cálice 1 ,2-1.6 cm compr., tubular, lobos tomentosos; corola 4-5 cm compr., tubular, lobos vilosos; tubo cstaminal 4,7-6 cm compr., exscrto, estames 60-80, porção livre dos filetes 2 ,5-4, 2 cm compr.; ovário 0,5-1 cm compr., elipsóide, glabro; estilete filiforme, excedendo os estames; estigma funiforme; óvulos 22-30. Legume 9,9-2 1 x 2,5-3 x 1 , 1 - 1 .8 cm, reto a curvado, plano a levemente convexo, verde a ferrugíneo, sem nervações transversais, não sulcado, coriácco, densamente híspido, ápice arredondado, base aguda a arredondada, margens espessas c lineares, apieulado, estipitado. Sementes 1,5-2 x 0,6-1 em, oblongóides a clipsóidcs, lisas, glabras. Material examinado; Coari, Base de Operação Geólogo Pedro de Moura, clareira em floresta de terra firme, 2 1 .IX. 2008, fi„ J.S. Sousa et al. 63 (MG); 2 1 .XII. 2009, fr.. J.S. Sousa et al. 156 (MG); 2I.XII.2009, fr„ M.M. Félix-ila-Silva et al. 60S (MG). Espécies ocorrem no Brasil. PA, ao longo do Tapajós (Pennington 1997) e também no AM. Na área, a espécie é encontrada em clareiras das florestas de terra firme. Rodríguèsia 62(2K 283-297. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. 288 Inga calantha assemelha-se morfologicamente com I. mbiginosa, da qual difere por apresentar ramos angulosos, raque alada e nectários foliares cupuliformes. Na área de estudo, a espécie é facilmente identificada por ser a única que possui maior tubo estaminal (4,7— 6 cm compr.) e legume densamente híspido. 3. Inga edulis Mart., Flora 20 (2): Beibl. 113-1 14. 1837. Fig. 3 Árvore até 25 m de alt. Ramos semicilíndricos, puberulentos. Estipulas 2-6 mm compr., oblongas ou Sousa, J.S., Bastos, M.N.C. & Gurgel. E.S.C. lanceoladas, puberulentas, caducas. Pecíolos 2-5 cm compr., cilíndricos, não alados, puberulentos. Nectários foliares 2-3 mm diâm., reniformes, sésseis. Raque 7— 20 cm compr., cilíndrica, alada (ala até 1 .6 cm larg.), puberulenta. Folhas 4-6 jugas;folíolos 3,8-19 x 1,9- 8,9 cm. cartáceos, discolores, puberulentos, elípticos, obovais ou ovais, ápice agudo, obtuso, cuspidado ou atenuado, base arredondada, truncada ou assimétrica, venação eucampdódroma a broquidéxlroma nervuras secundárias 6—20 pares, paralelas a convergentes. Inílorescências espiciformes, axilares; pedúnculos Figura 3 Inga edulis Mart. - a. ramo florido; b. ncctário foliar; c. estipula; d. flor; e gineceu- f bráctea- fnur. F,gurc - Inga edulis Mart. - a. flowcring branch; b. foliar ncctary; c. stipulc; d. flowcr. c/gyntccium; f. bract; g. fríj Rodríguésiá 62 ( 2 ): 283 - 297 . 201 1 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 Inga M/7/, em Urucu. Coari, Amazonas. Brasil 289 1- 5 cm compr., cilíndricos, pubcntlentos; brácteas 0,3- 1 cm compr., ovais, puberulcntas, caducas. Flores sésseis; cálice 4—9 mm compr., tubular, lobos puberulentos; corola 0,9— 1,9 cm compr., tubular ou infundibuliformc, lobos seríceo-vilosos; tubo estaminal 1-2 cm compr., incluso ou exserto, estames 55- 1 00, porção livre dos filetes 1 ,5-3 cm compr.; ovário 2- 4,5 mm compr., oblongo, glabro; estilete filiforme, excedendo os estames; estigma cupuliforme; óvulos 20-30. Folículo 30-180 x 2-5 cm, reto, curvado ou torcido, convexo, verde a castanho, com ncrvações longitudinais, profundamente sulcado, coriáceo, esparsamente tomentoso, ápice agudo a rostrado, base arredondada, margens espessas e lobadas, não apiculado, estipitado. Sementes 2-3 x 1—1,5 cm, elipsóides, lisas, glabras. Material examinado: Coari, Base de Operação Geólogo Pedro de Moura, clareira próxima a capoeira, 2().IX.2(X)K, H. e Ir.. J.S. Sousa et al. 55 (MG); 20.XII.2009. fl. e fr„ J.S. Sousa ela!. 142 (MG); clareira próxima à margem do rio, 20.XII.2009, fl. e IV.. M.M. Félix-da-Silva etal. 504 (MG); 20.XI1.2009, fl. e Tr., S. Maciel etal. 1446 ( MG). A espécie ocorre na Colômbia, America do Sul tropical, leste dos Andes, estendendo-se até o noroeste da Argentina, sendo no Brasil encontrada ao longo da costa atlântica (Pennington 1997). Na base petrolífera de Urucu, a espécie é encontrada em clareiras próximas à capoeiras e rios. Inga ethtlis difere-se das demais cogenericas aqui tratadas, principalmente, por apresentar ncctários foliares reniformes, folículos de 30- 1 80 cm compr., com ncrvações longitudinais, profundamente sulcados e com margens lobadas, os quais são caracteres seguros para sua identificação. A.lngaheterophylla Willd.,Sp. Pl. 4(2): 1020. 1806. Fig. 4 Árvore de até 8 m de alt.. Ramos cilíndricos, glabros ou pubescentcs. Estipulas 1 ,5-4 mm compr., lanceoladas, glabras, caducas. Pecíolos 0,3- 1.5 cm compr., cilíndricos, canaliculados na face superior, alados somente no ápice, glabros. Nectários foliares 0,5-1 mmdiâm., pateliformes, estipitadosaté I mm compr. Raque 1, 5-4.5 cm compr., cilíndrica â canal iculada, estreitamente alada (ala até I mm larg.). glabra. Folhas l-4jugas; folíolos 2-12x0,9-5 cm, cartáceos, concolores, glabros, elípticos à eliptico- lanceolados, ápice acuminado, base cuneada ou atenuada, venação eucampdódroma a broquidódroma, nervuras secundárias 6-9 pares, convcrgente- arqueados. lnflorescências umbeli formes, axilares, pedúnculos 0,9-5 cm compr., cilíndricos, glabros ou puberulentos; brácteas 0,7-1 mm compr., linear- espatuladas, puberulcntas, caducas. Flores pediceladas; cálice 1-2 mm compr., tubular, lobos glabros a puberulentos; corola 3-7 mm compr., tubular, lobos glabros; tubo estaminal 0,5-1 cm compr., exserto, estames 30-55; porção livre dos filetes 0,8-1 cm compr.; ovário 0,8-2 mm compr., elipsóide, glabro, estilete filiforme, excedendo os estames, estigma globoso. Legume nucóide 7-20 x 1,2-1, 5 x 0,9-1, 2 cm, reto ou curvado, plano a convexo, castanho, coriáceo, glabro, ápice e base agudos, margem delgada e ondulada, sem nervuras, não sulcado, apiculado, estipitado. Sementes 0,9- 1 ,2 cm, elipsóides, lisas, glabras. Material examinado: Coari, Base dc Operação Geólogo Pedro dc Moura, clareira cm floresta de terra firme, 19.V.2(X)8, fl., E.S.C. Gurgeletal. 777(MG);24.IX.2008, fl., J.S. Sousa et al. 108 (MG); 2I.XII.2009, fr„ J.S. Sousa etal. 160 ( MG). A espécie ocorre no Panamá, Colômbia, Trinidad, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Equador, Peru, Brasil, Bolívia (Bameby cí al. 2001) e Venezuela (Sousa 1993). Na área, a espécie é encontrada nas clareiras da floresta de terra firme. Segundo Sousa (1993) Inga heterophylla possui inflorescências que variam de racemo a umbela, porém nas amostras da base petrolífera de Urucu foram observadas somente inflorescências umbeliformes, que juntamente com o pecíolo alado no ápice são diagnósticos para a identificação da espécie. A espécie relaciona-se morfologicamente com /. sertulifera , da qual difere-se pela raque estreitamente alada (até I mm larg.) e nectário foliar estipitado (até 1 mm compr.), concordando com Pennington ( 1997). 5. Inga laurina (Sw.) Willd., Sp. Pl. 4: 1018. 1806. Fig. 5 Árvore até 1 5 m de alt. Ramos cilíndricos, glabros ou puberulentos. Estipulas 1,5-4 mm compr., lanceoladas, pubcrulentas ou glabras, caducas. Pecíolos 1- 2 cm compr., cilíndricos, não alados, glabros ou puberulentos. Nectários foliares 0,5-2 mm diâm., cupuliformes, sésseis. Raque 2-4 cm compr., cilíndrica, alada (ala, 0,5-2, 5 cm latg.), glabra ou puberulenta. Folhas 2- 3 jugas; folíolos 6,7-17 x 1, 9-7,2 cm, cartáceos, concolores, glabros, elípticos, ápice atenuado, base aguda, venação eucampdódroma a broquidódroma, nervuras secundárias 5-1 1 pares, convergentes e arqueadas. Inflorescências cspiciformes, axilares; pedúnculos 0,5-3 cm compr., cilíndricos, puberulentos; brácteas 1-2 mm compr., ovais, puberulcntas, caducas. Flores sésseis; cálice 0,7-2 mm compr., cupuliforme, lobos puberulentos; corola 3-5,5 mm compr., Rodriguésla 62 ( 2 ): 283 - 297 . 2011 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm 290 infundibuliforme, lobos puberulentos; tubo estaminal 4-6,5 mm compr., exserto, estames 28-60, porção livre dos filetes 5-10 mm compr.; ovário 1 ,5-2 mm compr., elipsóide, glabro; estilete filiforme, excedendo os estames; estigma globoso; óvulos 1 0-20. Legume 3,7- 1 5,2 x 1 ,2-2,5 x 0,3-0, 7 cm, reto ou curvado, convexo, castanho, com nervações transversais proeminentes, não sulcado, coriáceo, glabro, ápice e base agudos a obtusos, margens espessas e onduladas, apiculado, estipitado. Sementes 0,8- 1 ,2 x 0,4-0,6 cm, oblongóides a obovóides, rugosas, glabras. Material examinado: Coari, Base de Operação Geólogo Pedro de Moura, clareira próxima ao rio Urucu, 1 .VII.2005, fl„ E.S.C. Curgel et al. 346 (MG); 29.1.2007, fr., E.S.C. Gurgel et al. 579 (MG); clareira em capoeira, 16.V.2008, Sousa, J.S.. Bastos. M.N.C. & Gurgel, ES.C. fl., E.S.C. Gurgel et al. 606 (MG); clareira próxima ao rio Urucu, 23.LX.2008, fl., J.S. Sousa et al. 83 (MG); clareira em capoeira, 21.XI1.2009, fr., J.S. Sousa etal. 161 (MG). Espécie com distribuição ampla, ocorrendo do noroeste do México (21° N), em quase toda a América Central, América do Sul, até o Paraguai e Norte da Argentina, incluindo nas regiões montanhosas da Costa Rica, Panamá e América do Sul, em altitudes de até 1 500 m, sendo relativamente tolerante às regiões de cerrado e campos secos (Pennington 1997). No Brasil, estende-se desde a região amazônica até o estado do Paraná (Sousa 1 993 ; Garcia 1 998; Lorenzi 2002). Na área de estudo, a espécie foi encontrada nas clareiras de capoeira e nas áreas próximas às margens dos rios. Figura 4 - Inga heterophylla Willd. - a. ramo florido; b. nectário foliar; c. estipula; d. flor, e. gineceu; f. bráctea; g. freto. F,gure 4 - Inga heterophylla W.lld, - a. nowering branch; b. foliar nectary; c. slipulc; d. nowcr; c. gynoecium; f. bract; g frui.. Rodriguésia 62 ( 2 ): 283 - 297 . 201 1 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Inga MUI. em Urucu. Coari. Amazonas, Brasil Inça lamina e I. stenoptera são as únicas espécies, entre as estudadas, a apresentarem folhas com 2 a 3 jugas; no entanto, a primeira caracteriza-se pelas nervuras secundarias de 5— 1 1 pares, brácteas ovais, cálice cupuliforme, tubo estaminal 4-6,5 mm compr., estigma globoso, legume apiculado; enquanto a segunda apresenta nervuras secundarias 9—12 pares, brácteas elípticas, cálice tubular, tubo estaminal 1 ,4-2 cm compr., estigma cupular e legume não apiculado. 291 6. //ign nobilis Willd. subsp. nobilis, Enum. Hort. Berol.2: 1047. 1809. Fig.6 Árvore até 6 m de alt. Ramos cilíndricos, tomentosos. Estipulas 0,5-4 mm compr., elípticas, pubcscentes, persistentes. Pecíolos 0,5-2 cm compr., cilíndricos, não alados, tomentosos. Nectários foliares 1-2,5 mm diâm., pateliformes, sésseis. Raque 3,5- 6,4 cm compr., cilíndrica a canaliculada, não alada, tomentosa. Folhas 3-5 jugas; folíolos 3,4-18,1 x 1,4- 6 cm, coriáceos, concolores, glabros a esparsamente pubescentcs, principalmcnte na nervura central. Finura 5 - Inga taurina (Sw.) Willd. - a. ramo florido; b. ncctário foliar; c. estipula; d. flor; c. gineceu; f. bráctca; g. fruto. Figure 5 Inga taurina (Sw.) Willd. - a. Ilowcring branch; b. foliar ncclary; e. s.ipulc; d. Ilowcr; c. gynoccmm; f. bruet; g. fru.t. Rodhguisla 62 ( 21 : 283 - 297 . 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 292 Sousa, J.S., Bastos, M.N.C. & Gurgel, E.S.C. Figura 6 - Inga nobilis Willd. subsp. nobilis - a. ramo dorido; b. nectário foliar, c. estipula; d. flor, e. gineceu; f. bractea.; g. fruto. Figure 6 - Inga nobilis Willd. subsp. nobilis - a. fiowering branch; b. foliar nectary; c. stipule; d. flower, e. gynoccium; f. bracl; g. fmit. elípticos, oblongo-elípticos, lanceolados ou ovais, ápice atenuado a agudo, base aguda, cuneada ou obtusa, venação eucampdódroma a broquidódroma, nervuras secundárias 5-10 pares, ascendentes. Inflorescências espiciformes, axilares; pedúnculos 1,9-8 cm compr., planos a cilíndricos, tomentosos; brácteas 1-2 mm compr., espatuladas, tomentosas, persistentes. Flores sésseis; cálice 3-7 mm compr., infundibuliforme, lobos pubescentes; corola 0,6- 1,1 cm compr., infundibuliforme, lobos seríceos a vilosos; tubo estaminal 0,8-1 ,2 cm compr., incluso ou exserto, estames 38-60, porção livre dos filetes 1,2— 2,5 cm compr.; ovário 1 ,5-2,5 mm compr., oblongo a oblanceolado, glabro a ligeiramente puberulentos; estilete filiforme, excedendo os estames; estigma expandido; óvulos 12-16. Legume nucóide 9. 1 - 1 4 x 1,5-3, 5 x 0,7-1 cm, reto a ligeiramente curvado, convexo, castanho, com nervações transversais Rodríguésia 62 ( 2 ): 283 - 297 . 201 1 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 Inga Mill. em Urucu. Coari. Amazonas, Brasil 293 proeminentes, não sulcado, coriáceo, pubcrulento, ápice e base obtusos ou arredondados, margens espessas e onduladas, apiculado, estipitado. Sementes 0,9- 1 ,6 x 0,4-0,7 cm, oblongóides, lisas, glabras. Material examinado: Coari, Base de Operação Geólogo Pedro de Moura, clareira à margem do rio Urucu, 26.1.2007, fl„ E.S.C. Gurgel et al. 533 (MG) ; 28.1.2007, 11. e fr„ E.S.C. Gurgel et al. 559 (MG); 12.111.2007,(1.,/?. Lavarecla etal.41 (MG); 21.XII.2009, fr.,/5. Sousa etal. 158 (MG). O táxon ocorre na Amazônia, Andes, desde a Colômbia até a Bolívia, Venezuela, Guianas e regiões amazônica e central do Brasil (Pennington 1997). Na base petrolífera de Urucu, a espécie é encontrada em clareiras próxima a mata ciliar. Inga nobilis Willd. subsp. nobilis diferencia-se de Inga nobilis Willd. subsp. quatemata (Poepp. & Endl.) T.D. Penn. por apresentar espigas congestas, raque floral não expandida e flores sésseis (Pennington 1 997). Na área de estudo, o táxon cm questão é o único que apresenta ramos tomentosos, estipulas elípticas, cálice infundibuliforme e legume nucóide puberulento. 7 . Inga pezizifera Benth., London J. Bot. 4: 587.1845. Fig.7 Árvore até 15 m de alt. Ramos semicilíndricos, puberulentos. Estipulas 2,5-9 mm compr., oblongas a lanceoladas, puberulcntas, caducas. Pecíolos 2-4 cm compr., cilíndricos a canaliculados, não alados, Figura 7 - Inga pezizifera Benth. - a. ramo florido; b. ncctário foliar; c. estipula; d. flor; c. gineceu; f. bráctca; g. fruto. Figure 7 - Inga pezizifera Benth. - a. (lowcring brunch; b. foliar ncctary; c. stipulc; d. flowcr; c. gynoccium; f. bract; g. frult. Rodrtguésla 62(2): 283-297. 2011 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm 294 puberulentos. Nectários foliares 1,5-3 mm diâm., cupuliformes, sésseis ou com estipe 0,5-1 mm compr. Raquc 6,3-14 cm compr., canaliculada, não alada, puberulenta. Folhas 3-6 jugas; folíolos 5,1-19 cm x 2.4- 8, 1 cm, cartáceos. discolores, glabros ou esparsamente puberulentos em ambas as faces, elípticos, lanceolados ou ovais, ápice atenuado, base aguda ou arredondada, venação eucampdódroma a broquidódroma, nervuras secundárias 7-1 1 pares, convergentes e arqueadas. Inflorescências racemosas, axilares; pedúnculos 2,5-6 cm compr., cilíndricos, puberulentos; brácteas 0,5-1, 5 mm compr., espatuladas, puberulentas, caducas. Flores pediccladas; cálice 1-2,5 mm compr., cupuliforme ou tubular, lobos puberulentos; corola 5,5-7 mm compr., infundibuliforme, lobos puberulentos; tuboestaminal 5.5- 7 mm compr., estames 46-55, porção livre dos filetes 6-10 mm compr.; ovário 1-2 mm compr., oblongo, glabro; estilete filiforme, excedendo os estames; estigma globoso; óvulos 16-18. Legume 1 3- 20 x 1 ,8-4 x 0, 3-0,6 cm, reto a curvado, convexo, castanho, sem nervações transversais, não sulcado, coriáceo, esparsamente puberulento, ápice e base arredondados, margens espessas e lineares, não apiculado, não estipitado. Sementes 0,9-2 x 0,5-1 cm, elipsóides, lisas, glabras. Material examinado: Coari, Base dc Operação Geólogo Pedro de Moura, clareira próxima à floresta de terra firme. 19.111.2007, fi. e fr., /í. Lavareda et al. 94 (MG); clareira às margem do rio Urucu, 21.XII.2009, fr., VS Sousa et al. 159 (MG). A espécie ocorre da Costa Rica a Venezuela, Guianas, Amazônia brasileira e Equador (Pennington 1997). Na área estudada, pode ser encontrada nas clareiras da floresta de terra firme e naquelas próximas aos rios. A espécie se destaca e pode ser facilmente reconhecida, quando comparada com as demais estudadas, por apresentar inflorescências racemosas e tubo estaminal igualando ao tamanho da corola. 8. Inga rubiginosa (Rich.) DC., Prod. 2: 434. 1 825. á - Fig. 8 Arvore até 18 m de alt. Ramos cilíndricos, velutinos. Estipulas 1,5—3 mm compr., ovais, velutinas, caducas. Pccíolos 1,3-3 cm compr.! cilíndricos, não alados, velutinos. Nectários foliares 1.5- 3 mm diâm., pateliformes, sésseis. Raque 7,6- 1 3,5 cm compr., cilíndrica, não alada, velutina. Folhas 3-5 jugas; folíolos 5,9-21 x 3-12,5 cm, cartáceos, discolores, velutinos, elípticos ou ovais, ápice cuspidado ou agudo, base obtusa ou arredondada, venação eucampdódroma a broquidódroma! Sousa. J.S.. Bastos. M.N.C. & Gurgel, E.S.C. nervuras secundárias 8—13 pares, ascendentes. Inflorescências espiciformes, axilares; pedúnculos 0,9— 3,5 cm compr., cilíndricos, velutinos; brácteas 1.5— 3 mm compr., ovais, velutinas, caducas. Flores sésseis; cálice 4-7 mm compr., cupuliforme, lobos velutinos; corola 1 ,7-3, 1 cm compr.. tubular, lobos densamente vilosos; tubo estaminal 2-3,5 cm compr., incluso ou exserto, estames 60—90, porção livre dos filetes 2,8-5 cm compr.; ovário 3 — 1,5 mm compr., oblongo, glabro; estilete filiforme, excedendo os estames, estigma expandido; óv'ulos 22—26. Legume 9.5- 30,5 x 1,6-2, 9 x 0.4-0.9 cm, reto a curvado, planos, verde ou castanho, com nervações transversais, não sulcado, coriáceo, velutino, ápice agudo, base aguda a arredondada, margens espessas e onduladas, apiculado, não estipitado. Sementes 2,5-3.5 x 1, 5-2,5 mm, elipsóides, lisas, glabras. Material examinado: Coari. Base de Operação Geólogo Pedro de Moura, clareira próxima ao rio Urucu, 27.1.2007, fr., E.S.C. Gurgel et al. 546 (MG); clareira em mata de capoeira. 23.IX.2008. fl„ J.S. Sousa et al. 91 (MG); 21. XII. 2009, fr., J.S. Sousa et al. 157 (MG). A espécie ocorre no Panamá, Colômbia Guiana Suriname, Guiana Francesa, Venezuela e Brasil (Barneby et al. 200 1 ; Sousa 1 993), ocorrendo nos estados AP, MA, PA (Sousa 1993), BA e AM, como um provável registro para a costa brasileira (Pennington 1997). Na base operacional geólogo Pedro de Moura, a espécie é muito comum nas clareiras às margens dos rios e nas próximas a capoeiras. Inga rubiginosa assemelha-se morfologicamente a /. cayermensis Sagot ex Benth., da qual difere pelo mdumento velutino mais curto, raque foliar cilíndrica e nectários foliares sésseis (Pennington 1997). Esta espécie foi incluída por Bentham na seção Euinga Benth.. entretanto Pennington (1997), analisando o fruto plano, colocou-a na seção Longiflorae (Benth.) T.D. Penn. Na área de estudo, a espécie é facilmente reconhecida por ser a única que apresenta frutos velutinos. 9. Inga stenoptera Benth., London J. Bot. 2: 143. 184tt - Fig.9 Arvore até 8 m de alt. Ramos cilíndricos, glabros. Estipulas 2-4,5 mm compr., lanceoladas, esparsamente pubescenles, persistentes. Pecíolos 1-3,5 cm compr., semicilíndricos, alados ou não (ala, 3-4 mm larg.), glabros ou esparsamente pubescentes. Nectários foliares 1.5-3 mm diâm., cupuliformes, sésseis. Raque 2-5,7 cm compr., canaliculada ou cilíndrica, alada (ala, 3-5 mm larg.). glabra ou esparsamente pubescente. Folhas 2-3 Rodriguésfa 62(2): 283-297. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Inga MM. em Urucu, Coari. Amazonas. Brasil 295 jugas; folíolos 5-20 cm X 2-8 cm, cartáceos, concolores, glabros, elípticos, ápice atenuado, base aguda a arredondada, venação eucampdódroma, nervuras secundárias 9-12 pares, paralelas a ascendentes. Inflorescências espiciformes, axilares; pedúnculos 2-6 cm compr., cilíndricos, esparsamente pubescente; brácteas 1—4 mm compr., elípticas, pubescentes, persistentes. Flores sésseis; cálice 3-5 mm compr., tubular, lobos pubescentes; corola 1,1-1, 7 cm compr., infundibuliforme, lobos seríceos a vilosos; tubo estaminal 1 ,4—2 cm compr., exserto, estames 40-62, porção livre do filete 1- 2 cm compr.; ovário 1,5-2, 5 mm compr., elipsóidc, glabro; estilete fdiforme, excedendo os estames; estigma cupular; óvulos 1 2-25. Legume 9-27 x 2- 2,9 x 0,6-0, 9 cm, reto ou curvado, convexo, castanho, com nervações transversais proeminentes, não sulcado, coriáceo a lenhoso, glabro, ápice e base agudos ou arredondados, margens espessas e onduladas, não apiculado, não estipitado. Sementes 0,9-1, 6 x 0,5-0, 9 cm, oblongóides a elipsóides, lisas, glabras. Figura 8 - Inga rubiginosa (Rich.) DC. - a. ramo dorido; b. nectário foliar; c. estipula; d. dor; e. gineceu; f. bráctca.; g. fruto. Figure 8 - Inga rubiginosa (Rich.) DC. - a. flowcring branch; b. foliar ncctary; c. stipulc; d. dowcr; c. gynoccium; f. bracl; g. fruit. Radrlyuàsla 62 ( 2 ): 283 - 297 . 2011 SciELO/JBRJ ! 13 14 15 16 17 18 296 Sousa, J.S., Bastos, M.N.C. & Gurgel, E.S.C. Figura 9 - Inga stenoptera Benth. Figure 9 - Inga stenoptera Benth. - i a. ramo florido; b. nectário foliar; c. estipula; d. flor; e. gineceu; f. bráctea.; g. fruto, flowenng branch; b. foliar nectary; c. stipule; d. flower; e. gynoecium; f. bract; g. fruit. Material examinado: Coari, Base de Operação Geólogo Pedro de Moura, clareira próxima ao rio Urucu, 25.1.2007, fr„ E.S.C. Gurgel et al. 521 (MG); 28.1.2007, fr„ ES. C. Gurgel et al.562 (MG); 20.IX.2008, fl.,y.S. Sousa et al. 53 (MG). A espécie ocorre no oeste da América do Sul (Colômbia a Bolívia), Venezuela e Amazônia brasileira (Pennington 1997). Na área estudada, a espécie é frequentemente encontrada nas clareiras às margens dos rios. Inga stenoptera pode ser confundida com I . laurina por apresentar semelhança, principalmente, no número de jugas, forma dos folíolos, estipulas, nectários foliares e inflorescências, porém a primeira diferencia-se por apresentar brácteas elípticas, cálice tubular, corola com lobos seríceos a vilosos, estigma cupular e fruto não apiculado; enquanto a segunda apresenta brácteas ovais, cálice cupuliforme, corola com lobos puberulentos, estigma globoso e fruto apiculado. Agradecimentos Os autores agradecem ao Programa de Capacitação Institucional (PCI) do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) a concessão da bolsa e apoio logístico para a realização deste trabalho; à Rede CTPetro Amazônia e à Petrobras o auxílio nas viagens de coleta e aos assessores ad hoc as sugestões. Referências Bibliográficas Bameby, R.C.; Grimes. J.W.; Berry, P.E.; Brunner, D.; Forero, E.; Cárdenas, L.; Martino, G.; Hopkins, H.C.F.; Occhioni, E.M.L. 2001. Mimosaceae. In: Berry, P.E.; Yatskievych, K. & Holst, B.K. Hora of the Venezuelan Guayana: Liliaceae-Myrsinaceae. Vol. 6. Missouri Botanical Garden, St. Louis. Pp. 580-686. Bentham, G. 1 876. Mimosaceae. In: Martius, C.F.P Von; Endlicher, S. & Urban, I. Flora brasiliensis. Monachii. Lipsiae. Vol. 15. Pp. 258-527. Bilia, D.A.C.; Barbedo. C.J.; Cícero, S.M. & Marcos-Filho. J. 2003. Ingá: uma espécie importante para recomposição v egetal em florestas riparias, com sementes interessantes para a ciência. Abrates 1 3: 26-30. Rodriguésia 62(2): 283-297. 201 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Inga Mill. em Urucu, Coari, Amazonas, Brasil 297 Caramori, S.S.; Souza, A. A. & Fernandes, K.F. 2008. Caracterização bioquímica de frutos de Inga alba (Sw.) Willd. e Inga cylindrica Mart. (Fabaceae). Revista Saúde e Ambiente 9: 16-23. Ducke, A. 1949. As Leguminosas da Amazônia Brasileira. Boletim Técnico do Instituto Agronômico do Norte 18: 15-71. Fidalgo, O. & Bononi, V.L.R. 1984. Técnicas de coleta, preservação e herborização do material botânico. Instituto de Botânica, São Paulo. 62p. Garcia, F.C.P. 1998. Relações sistemáticas e fitogeográficas de Inga Mill. (Leguminosae-Mimosoideae) nas florestas da costa sul e sudeste do Brasil. Tese de Doutorado. Universidade Estadual Paulista, Rio Claro. 248p. León, J. 1966. Central American and West Indian species of Inga (Leguminosae). Annals of the Missouri Botanical Garden 53: 265-359. Lewis, G.P.; Schrire, B.; Mackinder, B. & Lock, M. 2(X)5. Legumes of the world. Royal Botanic Gardcns, Kew. 577p. Lima, S.O.F.; Martins, M.B.; Prudente, A.L.C.; Montag, L.F.A.; Monnerat, M.C.; Cabral, P.R. & Rosário, D.A.P. 2(X)8. Biodiversidade na província petrolífera de Urucu. Petrobrás, Rio de Janeiro. 194p. Lorcnzi, H. 2002. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 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Annals of the Missouri Botanical Garden 80: 223-269. Artigo recebido em 04/02/2010. Aceito para publicação em 01/03/201 1. Rodriguésia 62(2): 283-297. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Rodríguésia 62(2): 299-313. 201 1 http://rodriguesia.jbrj.gov.br Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae das restingas do estado do Rio de Janeiro 1 Ulmaceae, Cannabaceae and Urticaceae of restingas ofthe State of Rio de Janeiro Leandro Cardoso Pederneiras ZA , Andréa Ferreira da Costa 2 ^ Dorothy Sue Dunn de Araújo 3 4 & Jorge Pedro Pereira Carauta Resumo As restingas sào planícies arenosas ao longo da cosia litorânea que exibem uma rica c peculiar vegetação. As Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae nativas do Brasil englobam plantas herbáceas a lenhosas que ocorrem preferencialmente cm ambientes em regeneração. Através de pesquisa bibliográfica especializada, consultas a herbários e pesquisas de campo, objetivou-se descrever as espécies e reconhecer a distribuição, o habitat c o estado de conservação das espécies dessas familias nas restingas fluminenses. Ulmaceae está representada por duas espécies, distribuídas em dois gêneros, Cannabaceae por quatro espécies em dois gêneros, e Urticaceae por seis espécies em quatro gêneros. Na formação de mata seca acham-se presentes oito espécies, na arbustiva fechada seis c na mata inundável uma. Dessas, sete encontram-se ameaçadas de extinção: Ampelocera glabra Kuhlm., Cecropia glaziovi Sncthl, Ceitis spinosa Spreng., Laportea aestuans (L.) Chcw, Phyllostylon brasilíense Capan. cx Benth, Ureni aurantiaca Wedd c U. nítida (Vcll.) Brack. Palavras-chave: Urticalcs, conservação. Mata Atlântica. Abstrnct Restingas are sandy Coastal plains with a rich flora and distinct vegetation types. The native Brazilian Ulmaceae, Cannabaceae and Urticaceae includc herbs, shrubs and trees from carly regeneration stages. Specializcd bibliography, herbarium material and field collections wcrc used to deseribe the species and to determine distribution, habitat and current conservation status of species from the sandy Coastal plains of Rio de Janeiro stalc. Thercarc two genera and Iwo species of Ulmaceae, two genera and four species of Cannabaceae, and four genera and six species of Urticaceae. Eight species occur in the Dry Forcst Formation, six in Dense Scrub and onc in Swamp Forcst. Ofthcse species. seven are thrcatcncd with cxtinction: Ampelocera glabra Kuhlm., Cecropia glaziovi Sncthl, Ceitis spinosa Spreng., Laportea aestuans (L.) Chew, Phyllostylon brasilíense Capan. cx Benth, Urera aurantiaca Wedd and U. nitida (Vcll.) Brack. Kcy words: Urticalcs, conservation, Atlantic Forcst. Introdução Após o advento dos estudos moleculares a sistemática das famílias das Urticalcs (senso Cront|uist 1 988) sofreu algumas mudanças estruturais (Wicgrefe et ai. 1 998; Sytsma et ai. 2002; Hadiah et ai. 2008) c no Brasil ficaram evidentes principalmentc na manutenção do gênero Ampelocera Klotzsch dentro de Ulmaceae e nas inclusões dos gêneros Ceitis L. e Trema Lour dentro de Cannabaceae, e Cecropia Loell. e Coitssapoa Aubl. dentro de Urticaceae. Ulmaceae, Cannabaceae, Moraccae e Urticaceae atualmente compõem o ciado das Urticíneas da Ordem Rosalcs (APG 2009) que compreendem espécies com presença de cistólitos, flores inconspícuas, dois carpelos e ovário unilocularcom um único óvulo (Judd et ai 2009). No Brasil importantes estudos demonstram suas circunscrições (Miqucl I853;Carauta 1967, 1969, 1971, 1996; Brack 1987; Romaniuc-Ncto 1992; Rocha et al. 2000; Bcrg & Rossclli 2005; Torres & Luca 1 Parte da disacrtaçSo de Mestrado apresentada pelo primeiro autor no Programu dc Pòs-gradunvitocm Ciências Biológica* (Botânica) do Museu Nacionat/Ut RJ. : UFRJ, Museu Nacional, Dcpto, Botânica, Quinta do Boa Vista i.n., 20940-040, Rio de Janeiro, RJ, 'UFRJ, CCS. Instituto de Biologia, Depto. Ecologia. Cidade Univcrsitiria. 21941 -5 )(), Rio de Jnneim. . trnsi 4 Bolsista do CNPq. ’ Autor para correspondência: afcosta@acd.ufij.br SciELO/JBRJ, 13 14 cm .. 300 2006; Romaniuc-Neto et al. 2009). A flora das restingas fluminenses não contemplou as famílias de Urticales (Segadas-Vianna et al. 1965/78), mas em listagens são reconhecidas cinco espécies (Araújo 2000). O estado do Rio de Janeiro possui uma área de restinga de ca. 1 .200 km 2 , 2,8% da área total do estado (Araújo & Maciel 1 998), que recebe grande influência da ocupação humana e desde o século XVIII cientistas registram sua vegetação. Dentre os relatos históricos de Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae nas restingas fluminenses destacam-se Ceitis iguanaea (Jacq.) Sarg., Única dioica L„ Urera mitis Miq., U. nitida (Vell.) Brack, Cecropia palmata L. em localidade desconhecida próxima ao mar no Estado do Rio de Janeiro (Vellozo 1881); Treina micrantha (L.) Blume, Laportea aestuans (L.) Chew e Boehmeria caudata Sw. em Cabo Frio (Miquel 1853) e Phyllostylon brasiliense e Cecropia sp. em Cabo Frio (Ule 1 967). Diante da diversidade de Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae, pelas peculiaridades do ambiente das restingas, e ainda, pela falta de um trabalho de flora que sintetize e facilite a compreensão dessas espécies nesse bioma, esse trabalho objetivou-se descrever as espécies e reconhecer a distribuição, o habitat e o estado de conservação das espécies dessas famílias nas restingas fluminenses, dando continuidade a proposta de Segadas-Vianna et al. ( 1 965/1978). Material e Métodos Foram realizadas expedições a campo entre setembro de 2007 e dezembro de 2008. Todo o material coletado foi processado de acordo com o método usual em taxonomia (Mori et al. 1989) e depositado no herbário do Museu Nacional (R). Os herbários ALCB, CEPEC, GUA, HB, HRB, HUEFS, R, RB, RBR, SP è SPF (Thiers 2010) e UENF (Universidade Estadual Norte Fluminense), serviram de base para análise do material de Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae das restingas fluminenses. Destaque-se que todos os vouchers examinados são férteis. Os caracteres morfológicos seguem as terminologias apresentadas por V asconcelos ( 1 969), Lawrence ( 1 97 1 ) e Radford et al. (1974). Foi considerada apenas a variação moriológica observada nos exemplares provenientes da área de estudo. Somente as espécies nativas foram inventariadas. O enquadramento das famílias está de acordo com a moderna classificação (APG 2009) consolidado por diversos trabalhos ( Wiegrefe et al. Pederneiras, L.C. et al. 1998: Sytsma etal. 2002; Hadiah et ai 2008). Para a classificação das comunidades vegetais foram usadas as definições de Araújo et al. (1998). A distribuição geográfica e o habitat foram tomados em Pederneiras (2009). A ocorrência das espécies está de acordo com a classificação de Veloso et al. ( 1 99 1 ) e as localidades de restingas com Araújo (2000), acrescidas de Baía de Guanabara e Parati. Somente as espécies carentes de ilustração foram ilustradas. Todas as espécies foram enquadradas como populações reprodutoras e avaliadas sob os critérios de Miller etal. (2007), onde estabelece quatro etapas (ou passos) no processo de classificação das espécies em risco de extinção regionais, sendo o passo dois, o estabelecimento da avaliação pelos critérios da Lista Vermelha da IUCN (2001), e o passo três, a aplicação dos critérios regionais da IUCN (2003). A proporção da população global presente nas restingas foi auferida calculando-se a razão do total de municípios globais sob o total de localidades de restingas fluminenses, baseado no material examinado por Pederneiras (2009). Para verificar a existência de possíveis fontes de imigração de propágulos para as restingas fluminenses, verificou-se em herbários a existência da espécie em localidades interioranas no estado do Rio de Janeiro. Resultados e Discussão Ulmaceae Árvores monóicas ou polígamas, inermes, sem látex. Estipulas livres, laterais, persistentes ou caducas. Folhas simples, alternas, bordo dentado a serrado, peninérveas. Inflorescências axilares, cimosas, fasciculadas, flores estaminadas na parte basal do ramo, flores funcionalmente pistiladas no ápice do ramo. Flores actinomorfas, monoclamídeas, 4-5 lépalas, geralmente unidas na base. Androceu isostêmonc ou diplostêmone, estames retos no botão floral, anteras reniformes, ditecas, dorsiíixas e deiscência longitudinal. Gineceu com 2 estiletes; estigma inteiro; ovário supero, unilocular, uniovular; óvulo apical, anátropo. Fruto drupa ou sâmara. A família Ulmaceae compreende ca. 6 gêneros c 40 espécies com ocorrência predominante na região norte temperada (Judd et al. 2009). No Brasil encontram-se 2 gêneros e 5 espécies (Souza & Lorenzi 2005) e nas restingas fluminenses dois gêneros e duas espécies: Ampelocera glabra e Phyllostylon brasiliense. Rodriguésía 62(2): 299-313. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae das restingas, RJ 30! Chave para as espécies cie Ulmaceae das restingas fluminenses 1. Lâminas foliares de bordo serrado; 5 estames; frutos alados 2.1 Phyllostylon brasiliense 1 Lâminas foliares de bordo inteira a remotamente dentado; 1 0 estames; frutos drupas 1 . 1 Ampelocera glabra 1. Ampelocera Klotzsch, Linnaea20: 541. 1847. Árvores de folhas glabras em ambas as faces, bordo inteiro a remotamente dentado. Flores com 10 estames; estiletes iguais. Fruto drupa com estames e estiletes persistentes. Gênero exclusivamente neotropical ocorrente nas elevações médias c baixas das florestas do México a Bolívia, da costa sudeste brasileira e Antilhas. Compreende nove espécies no total, para o Brasil apenas três (Todzia 1989). Nas restingas fluminenses Ampelocera é representado por uma única espécie. 1.1 Ampelocera glabra Kuhlm., Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 35 1 , pl- 28. 1925. Arvores ca. 17 m de alt. Estipulas 2—3 mm, glabras. Folhas com pccíolos 3-5 mm, glabros, canaliculados; lâminas elípticas, 7,5—10x3— 3, 7 cm, coriáceas, lustrosas, base arredondada, apice agudo a cuspidado, bordo inteiro a inconsptcuamente dentado no ápice, nervuras secundárias 7-9 pares. In florescências geminadas com 3 flores por cimeira, 2-3 mm; bráctea basal 3-3,5 mm, as secundárias 1- 1 ,5 mm, ápice agudo. Flores bissexuais, 5 tépalas, 10 estames livres; ovário supero; estigma filamentoso no botão. Frutos ovoides, glabros, assimétricos, 13-15 mm de diâm., esverdeados. Material examinado; RIO DE JANEIRO: Caho Frio, Condomínio Florestinha, 6.XII.2001, G.S.Z. Rezende 69 etal.(RÜ). A espécie é endêmica do Brasil, encontrada na floresta ombrófila densa e estacionai semidecidual, nos estados da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Nas restingas fluminenses ocorre somente em uma localidade de restinga (Barra de São João), numa extensão de ocorrência ca. 0,6 km 3 , na Formação de Mata Seca, sob continuo decréscimo de sua área de ocupaçuo por causa de construções de residências, empreendimentos c estradas. Após algumas excursões nessa localidade, a espécie não loi reencontrada. A proporção da população global presente nas restingas é de 14%. A quantidade de registros de herbários existentes das vizinhanças das restingas ( Kuhlmann 1221, 6794 RB, Rodrlguésia 62(2): 299-313. 201 1 G.M.Nunes R0 RB) e a atual deterioração desses locais (p. ex. Bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro) indicam escassez de fontes de imigração de propágulos e, por tanto, não modifica a classificação do passo dois. Criticamente em perigo, CE B 1 . 2. Phyllostylon Capan. ex Benth. & Hook.f., Gen. Pl. 3: 352. 1880. Árvores ou arbustos. Folhas com lâminas serradas. Flores com 5 tépalas; 5 estames opostos a tépala; estiletes desiguais. Frutos sâmaras, duas asas, desiguais, a maior, membranácea, falciforme, a menor na base. Trata-se de um gênero pequeno ocorrente na América Tropical, com apenas duas espécies, cujo habitat preferencial constitui-se as florestas arbustivas secas (Todzia 1992). Nas restingas fluminenses Phyllostylon é representado por uma única espécie. 2.1 Phyllostylon brasiliense Capan. ex Benth. & Hook.f., Gen. Pl. 3: 352. 1880. Árvores ca. 3 m. Estipulas intrapeciolares, ca. I mm. Folhas com pccíolos 1-2 mm, pubesccntes alvos; lâminas elíptico-ovadas, 2-3,2 x 0,6-1 cm, base obtusa, ápice agudo, bordo serrado, face adaxial com tricomas sobre as nervuras, abaxial pubérula, principalmente nas nervuras; nervuras secundárias 7-9 pares. Frutos 2,8-3,4 cm, glabros a pubérulos, verdes a avermelhados. Material examinado: RIO DE JANEIRO: Búzios, condomínio Búzios Bnucn Club, 7. XI. 1985, H.C.Uma SIRRetal. (RB). Rio dc Janeiro, São Cristóvão, 28.X. 1890, A.GUtzion s.n. (RB 6842), Phyllostylon brasiliense é endêmica do Brasil, encontrada na floresta ombrófila densa de Pernambuco ao Rio de Janeiro c na estacionai semidecidual de Minas Gerais. Nas restingas fluminenses foi registrada cm duas localidades de restinga (Cabo Frio e Baía de Guanabara), mas somente encontrada em Cabo Frio atualmente, comprimida numa área dc ocupação inferior a 1 0 km 3 , provavelmente em formação de mata seca, sob contínuo decréscimo por causa dc construções SciELO/JBRJ 13 14 302 Pederneiras, L.C. et al. de empreendimentos hoteleiros, estradas e estacionamentos. A proporção da população global presente nas restingas é de 25%. Atualmente há somente um vestígio de ocorrência em regiões vizinhas as restingas fluminenses, na Ilha da Conceição, Niterói (J.P.P.Carauta, comunicação pessoal), e que não indica uma potencial fonte de imigração de propágulos, portanto, não modifica a classificação do passo dois. Criticamente em perigo, CE B2ab(ii,iii). Cannabaceae Árvores ou arbustos lenhosos, eretos ou escandentes, monóicos ou polígamos, sem látex. Estipulas interpeciolares, livres. Folhas simples, alternas, geralmente dísticas, base geralmente assimétrica, bordo dentado a serrado, nervura secundária basal alongada até o terço superior. Inflorescência axilar, cimosa, fasciculada, flores estaminadas agrupadas, flores pistiladas Irequentemente geminadas ou solitárias, no ápice do ráque. Flores actinomorfas, monoclamídeas, 4-5 tépalas, livres ou unidas na base, isostêmone, com ou sem pistilódios ou estaminódios. Androceu com estames opostos a tépala, retos no botão; anteras reniformes, ditecas, dorsifixas com deiscência longitudinal. Gineceu com 2 estiletes, terminais; ovários súperos, uniloculares, uniovulares; óvulo apical, anátropo. Frutos drupas, com estilete persistente. A família Cannabaceae compreende ca. 1 1 gêneros e 1 80 espécies amplamente dispersas em regiões tropicais e temperadas (Judd et al. 2009). No Brasil encontram-se dois gêneros e ca. 15 espécies (Souza & Lorenzi 2005) e nas restingas fluminenses dois gêneros e quatro espécies. Chave para as espécies de Cannabaceae das restingas fluminenses 1 . Ausência de acúleos nos ramos; bordo da lâmina foliar inteiramente serrado; flores com estigma inteiro I . Presença de acúleos nos ramos; bordo da lâmina foliar crenado-serrado somente na metade superior; flores com estigma bífido. 1 Lâminas foliares de face abaxial tomentoso-ferrueínea ? ■ r* r„- i *,* . e , r , . , 3.1 Ceitis brasiliensts 1 • Laminas foliares de face abaxial glabra a pubérula. 3. Lâminas até 3,5 cm de compr., nervuras secundárias 3^ pares 3.3 Ceitis spinosa 3 . Laminas acima de 3,5 cm de compr., nervuras secundárias 5-7 pares 3.2 Ceitis iguanaea 3. Ceitis L„ Sp. Pl., 2: 1 043. 1 753. Arbustos escandentes, ramos armados; acúleos glabros, retos ou curvos, solitários ou geminados. Folhas elípticas a ovadas, base simétrica a assimétrica, bordo na metade superior crenado- serrado, domácias marsupiformes, inconspícuas nas nervuras secundárias e terciárias. Flores estaminadas com pistilódio; flores pistiladas com estaminódios, estigma bífido. Ceitis distribui-se nas regiões temperadas a tropicais do mundo, com ca. 70- 1 (X) espécies ( Burger 1 977 ; Romanczuk & Martínez 1 978). Na América do Sul são estimadas de 6-30 espécies (Miquel 1853; Planchon 1873; Berg & Dahlberg 2001) e nas restingas fluminenses ocorrem três espécies. 3.1 Ceitis brasiliensis (Gardner) Planch., Ann. Sei. Nat., Bot., sér. 3, 1 0: 3 1 0. 1 848. Fig. 1 a-b Arbustos 3-7 m de alt. Estipulas 2-3 mm, tomentoso-ferrugíneas, caducas. Folhas com pecíolos 3-9 mm, pubérulos a tomentosos; lâminas elípticas a ovadas, 3-7 x 1,6-4, 5 cm. base arredondada ou subcordada, frequentemente assimétrica, ápice agudo, cuspidado ou mais raramente arredondado, bordo serrado na metade superior, lace adaxial escabrosa, abaxial tomentoso- ferrugínea, nervuras secundárias 4—6 pares, nervura basal longa passando da metade da lâmina; domácias tomentoso-ferrugíneas. Flores brancas. Frutos geminados, elipsóides, glabros, 9-12x7- 8 mm; pedúnculos ca. 4-6 mm. glabros. Rodrigu ésia 62(2): 299-313. 201 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm Figura 1 - a-b. Ceitis brasiliensis (Gardncr) Planch.-a. ramo; b. detalhe do indumentoda lâmina foliar (V.S.Fonseca 20 et al.). c-d. Ceitis iguanaea (Jacq.) Sarg. - c. ramo; d. folha da base do ramo ( LC.Pederneiras 475). c. Ceitis spinosa Spreng - e. ramo (Araújo 9474). Figure I - a-b. Ceitis brasiliensis (Gardncr) Planch. - a. twig; b. lamina indumentum ( V.S.Fonseca 20 et al ). c-d. Ceitis iguanaea (Jacq.) Sarg. - c. twig; d. Icavc oftwig base ( LC.Pederneiras 475). c. Ceitis spinosa Spreng - c. twig (Araújo 9474). Rodrlguàslâ 62(2K 299-3 1 3. 20 1 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 cm 304 Material examinado: RIO DE JANEIRO: Cabo Frio: Praia do Peró. Carauta 7349 et al. (R); Restinga do Peró, I7.IX.1968, D.Sucre 3675 (GUA, RB). Mangaratiba, Restinga de Marambaia, 6.V.2008, LC.Pedemeiras 428, 429 etal. (R). Niterói, Junijuba, 1 4. VIII. 1 88 1 , J. Saldanha 5808 (R). Rio das Ostras, Restinga da Praia Virgem, 25.IX.I999, H.N. Braga 568 (RB). Rio de Janeiro: Restinga da Barra da Tijuca, 1 6. V. 1 932, 7.G . Kuhlmann s.n. (RB 55416); Restinga de Jacarepaguá, 15.X.I958, E. Pereira 4411 et al. (GUA. RB). Saquarema, R.E.E.Jacarcpiá, 9.III. 1993, V.S.Fonseca20etal. (RB). Ceitis brasiliensis cresce no Brasil, da Bahia até Santa Catarina, e nos estados interioranos do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Ocorre também no Paraguai c Bolívia. Habitam as matas secundárias da floresta ombrófila densa Atlântica, floresta estacionai scmidecidual c decidual, cerrado e caatinga. Nas restingas fluminenses são encontradas cinco localidades (Barra de São João, Cabo Frio, Maricá, Rio de Janeiro, Marambaia), com extensão de ocorrência de ca. 5000 km 2 , em matas secundárias, em clareiras ou bordas de estradas dentro da formação arbustiva fechada, cm áreas de restingas perturbadas cm processo de regeneração. A proporção da população global presente nas restingas é ca. 15%. Cumpre com os critérios de VU Bl, mas a espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, ou seja, uma fonte de imigração de propágulos que diminui uma categoria. Próximo a ameaçado, NT. Pode ser confundido com Ceitis fluminense Carauta ou C. chichape (Wedd.) Miq„ mas a primeira tem folhas maiores e mais alongadas (ca. de 8 cm de compr.), ápice predominantemente agudo e ramos e frutos densamente tomentoso- ferrugíneo, a segunda tem folhas menores (ca. 3 cm de compr.) c arredondadas. 3.2 Ceitis igtianaea (Jacq.) Sarg., Silva 7: 64. 1 895. Fig. lc-d Arbustos 3-6 m de alt. Caule principal sem espinhos. Ramos escandentes, glabros ou providos de tricomas filiformes, até 1,5 mm de compr., relativamente grossos, esparsamente distribuídos; acúlcos 0,5-3 cm. Estipulas terminais 2.5-3 mm, pubescentes, alvas, caducas. Folhas com pecíolos 3-1 1 mm, glabros, raramente pubérulos; lâminas ovadas ou elípticas, 3,5— 6(7) x 2,2-4 cm, subcoriáceas, base arredondada, cordiforme, assimétrica, ápice agudo, bordo dentado-serrado na metade superior, face adaxial escabrosa e abaxial Pederneiras. LC. et al. glabra. glabrescentc ou pubérula, lisa; nervuras secundárias 5-7 pares. Flores verde-amareladas. Frutos elipsóides, glabros, geminados ou solitários, 8-12 x 6-8 mm, verdes, amarelos ou brúneos; pedúnculo ( 1 ,5)2-8 mm, glabro. Material examinado: RIO DE JANEIRO: Angra dos Reis, Praia do Sul. 1 1.III.1986, D.Araujo 7291 et al. (GUA). Araruama, próximo a Lagoa Pernambuca, 3 .XII. 2007, D.Araujo 11049 (GUA). Búzios, Estrada para Búzios, 22.1. 1967, D.Sucre 1447 ( RB). Cabo Frio, Condomínio Florestinha, 9.VI.2008. LC.Pedemeiras 463 et al. (R). Mangaratiba, Restinga de Marambaia, Campo de prova da Marambaia, 20.VI.2002, LF.T.Menezes 972 (RBR). Maricá, APA de Maricá, 2. IX. 2008, LC.Pedemeiras 474. 475. 481 (R). Riodas Ostras. Praia da Virgem, 8.II.2001 , H.N.Braga 1799 { R). Rio de Janeiro: Pedra de Guaratiba. APA da Briza, 5.II.1998. D.Araujo 10616 (GUA); Estrada do Pontal, 23. VII. 1968. D.Sucre 3307 (RB); Grumari, 15.III.1991. D.Araujo 9287 et N. C. Maciel (GUA); Leblon-Gávea, 1925. J. Kuhlmann s.n. (RB 19153); Restinga da Tijuca. 7. IV. 1945, O. X. B. Machado s.n. (RB 76283). Saquarema, Ipitangas, 28.11.2008. LC.Pedemeiras 376 et al. (R). Cestis igtianaea distribui-se do leste dos Estados Unidos, América Central, Antilhas até o sudeste da América do Sul, em florestas perenes ou decíduas, em formações úmidas ou secas, do nível do mar até 1200mde altitude (Burger 1977). No Brasil, ocorre nas matas secundárias da floresta ombrófila densa Atlântica e Amazônica, floresta ombrófila mista, estacionai semidecidual e decidual, cerrado e caatinga. Nas restingas fluminenses ocorre em oito localidades (Barra de São João, Cabo Frio, Maricá, Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, Grumari, Marambaia e Praia do Sul), numa área de ocupação ca. 1000 km 2 , nas bordas de estradas dentro da formação arbustiva fechada, em áreas perturbadas, em processo de regeneração. A proporção da população global da espécie presente nas restingas não foi estimada porque não foram ainda visitados todos os herbários das regiões de sua distribuição geográfica. A espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos. Não ameaçada, LC. C titis iguanaea apresenta uma grande v ariação na forma e tamanho foliar, observada num mesmo indivíduo. A lâmina possui 2,5-9,2 cm. base subcordiforme ou arredondada, simétrica ou assimétrica, ápice cuspidado, agudo ou arredondado, bordo denteado-serrado da metade ou somente no terço superior. A densidade do indumento varia nos indivíduos estudados. A face abaxial da lâmina é glabra, glabresccnte ou pubérula. nunca tomentosa lerrugínea de aspecto viloso como em C. fluminense. Rodriguósia 62(2): 299-313. 201 1 SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae das restingas, RJ 3.3 Ceitis spinosa Sprcng., Syst. Vcg., ed. 16, 1: 931.1825. Fig |e Arbustos 2,5-5 m de alt., muito ramificados. Estipulas 2-3 mm, tomentosas. Folhas com pecíolos 3-5 mm, glabros a pubescentes; lâminas elípticas, raramente ovadas, 2, 1-3,3 x 1,3- 1,6 cm, base arredondada a cuneada, ápice agudo, bordo crenado-serrado no terço superior, face adaxial escabrosa, abaxial pubérula a glabra, nervuras secundárias 3—4 pares. Flores verde-amareladas. Ovário glabrescente a pubescente. Material examinado: RIO DE JANEIRO: Saquarcma: Cômoros da Lagoa Vermelha, orla, 20.X. 1988, D.Araujo 8624 et J. Mauro (GUA); R.E.EJacarepiá, próximo a Itaúna, orla. 29.X. 199 1 , D.Araujo 9474 et C.Famey (GUA). Ceitis spinosa cresce em floresta ombrófila densa atlântica e estacionai scmidecidual, do Rio de Janeiro ao leste da Argentina, e também em Cuiabá, Mato Grosso. Nas restingas fluminenses ocorre em apenas uma localidade de restinga (Cabo Frio), numa área de ocupação inferior a 5 knr, em formação arbustiva fechada. A proporção da população global da espécie presente nas restingas não foi estimada porque não foram visitados todos os herbários das regiões de sua distribuição geográfica. A espécie ocorre no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói, sendo uma fonte de imigração de propágulos e, por isso, diminui-se uma categoria do passo dois. Em perigo, EN B2a,b(ii,iii). Ceitis spinosa assemelha-se a C. chichape, mas aquela tem folhas de ápice agudo (vs. ápice arredondado). Bcrg & Dahlberg (2001 ) sinonimizam C. spinosa com C. igttanaea, mas ao anal isar a obi a princeps e a fotografia do tipo ( B- 1 00247968) notam- se diferenças na forma da folha. C. spinosa possue folhas pequenas, até 3,3 cm de compr. c nervuras secundárias 3—4 pares (vs. folhas acima de 3,5 cm e nervuras secundárias de 5-7 pares). 4. Treina Lour., Fl. Cochinch. 2: 539, 562-563. 1 790. Árvores ou arbustos, inermes. Folhas ovado- lanceoladas, base marcadamcnte assimétrica, bordo inteiramente serrado. Flores estaminadas com pistilódio; flores pistiladas sem estaminodios, estigma inteiro. Treina distribui-se nos tropicos c subtropicos do mundo. As espécies são frequentemente de morfologia variável c de difícil taxonomia. O número total de espécies é incerto, estima-se ca. 30-55 espécies (Burguer 1 977 ). Nas Américas ocorrem de 4 a 5 espécies e no Brasil provavelmente uma (Torres & Luca 2006). 305 4.1 Trema micrantlia (L) Blume, Mus. BoL 2: 58. 1 856. Árvores a arbustos, 2-7 m de alt. Estipulas 1-3 mm, persistentes a caducas. Folhas com pecíolos 6-10 mm, pubescentes, canaliculados; lâminas 6— 9( 1 0,5) x 2,3-3,4 cm, base assimétrica, arredondada, ápice acuminado, cuspidado, bordo serrado desde a base, face adaxial escabrosas, ocasionalmente lustrosa, e abaxial tomentosas a escabrosas; nervuras secundárias 3-5 pares. Inflorescências com raque verde, pubescente, alva; bráctcas persistentes no ramo, ca. 1 mm, vináceasa bruncas. Flores com tépalas verdes, pubescentes; estames e anteras alvos, estigmas 2. Frutos 2- 3,5 mm de diâm., glabros, alaranjados, perigônio e estilete persistentes. Material examinado: RIO DE JANEIRO: Angra dos Reis, Praia do Sul, 13.VI.I984, D.S.Pedrosa II 1 1 et H.Q.fíoudet (GUA). Arraial do Cabo, Restinga de Massambaba, 4.1II.2008, LC. Pederneiras 380 etal. (R). Búzios, Restinga entre a praia de Manguinhos e Rasa, II. 1.1979, G.Martinelli 5620 (RB). Cabo Frio, Condomínio Florestinha, 2.1V.2008, LC. Pederneiras 400 et M.S. Faria (R). Carapebus, PNRJ, Mata do Córrego Fundo, 19. X. 1995, M.G. Santos 591 etal. (RB). Manguratiba, Restinga de Marambaia, em frente ao hotel, 5.V.2008, LC. Pederneiras 422 et al. (R). Maricá, APA de Maricá, 2. IX. 2008, LC.Pedemeiras 476. 477 (R). Niterói, Jurujuba, 8.X.1875, (R 39098). Rio das Ostras, AR1E Itapebuçus, VII. 2004, A.Oliveira 888 et D.Oliveira (RB). Rio de Janeiro: Restinga de Grumari, 24.11. 1972, J. A. Jesus 1314 (RB); Restinga de Jacarcpaguá, 31.X. 1969, D.Sucre 6152 et Graziela (GUA); Recreio dos Bandeirantes, 25.XI.1969, Segadas-Vianna 4683 (R); Restinga da Tijuca, 5.V.1945, 0.X.H.. Machado 1485 (RB); Guaratiba, Praia de Guaratiba, 5.1.1934, Sampaio et al. (R 39093). Saquarcma, R.E.EJacarepiá, 21. V. 1996, A.Q.Lohão 105 et al. (RB). Trema micrantlia ocorre desde o México até o sul da América do Sul (Burger 1977). No Brasil, distrubui-se nas matas secundárias da floresta ombrófila densa Atlântica e Amazônica, floresta ombrófila aberta, estacionai scmidecidual c decidual, cerrado e caatinga. Nas restingas fluminenses ocorre cm nove localidades (Macaé, Barra de São João, Cabo Frio, Maricá, Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, Grumari, Marambaia c Praia do Sul), numa extensão de ocorrência ca. 6900 km 2 , nas bordas de estradas dentro da Formação Arbustiva Fechada, cm áreas perturbadus e em processo de regeneração. A proporção da população global da espécie presente nas restingas não foi estimada porque não foram visitados todos os herbários das regiões de sua distribuição geográfica. Cumpre com os critérios de VU B I , mas Rodriguésia 62 ( 2 ): 299 - 313 . 201 1 SciELO/JBRJ. 13 14 cm 306 Pederneiras. L.C. et al. a espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos. Próxima a ameaçada, NT. Urticaceae Ervas, arbustos ou árvores, monóicas ou dióicas. inermes ou armadas, ramos e folhas com acúleos e tricomas urticantes, laticíferos restritos a casca, látex branco ou hialino. Estipulas intrapeciolares, inteiras ou partidas no ápice, ou conadas e caducas deixando cicatriz amplexicaule. Folhas simples, alternas, inteiras ou lobadas, peninérveas ou palminérveas, bordo liso a dentado. Inflorescências axilares, em panículas, dicásios, capítulos globosos ou amentos. Flores unissexuais. monoclamídeas, actinomorfas ou zigomorfas, 2-5 tépalas livres ou concrescidas, isostêmones, com ou sem pistilódio. Androceu com Filetes retos ou curvos no botão, opostos as tépalas; anteras reniformes, ditecas, dorsifixas, deiscência longitudinal. Gineceu com estilete único; estigmas filiformes ou penicilado-capitados. terminais; ovários súperos, uniloculares; óvulos basais, ortótropos. Frutos aquênios. A família Urticaceae compreende ca. 54 gêneros e 1 1 60 espécies amplamente dispersas em regiões tropicais e temperadas (Judd et al. 2009). No Brasil encontram-se 1 2 gêneros e ca. 80 espécies (Souza & Lorenzi 2005) e nas restingas fluminenses quatro gêneros e seis espécies. 1 ’. Chave para as espécies de Urticaceae das restingas fluminenses Ervas ou arbustos providos de tricomas urticantes. 2. Plantas monóicas; inflorescências paniculadas; tépalas com tricomas translúcidos; acúleos ausentes •; 7.1 Lciportea aestuans í. . Pluntas dióicas, inflorescências em dicásios; tépalas glabras; acúleos presentes. 3. Folhas ovadas, bordo regularmente dentado, ou crenado quando jovem; inflorescências em dicásios perfeitos, estaminadas terminadas em glomérulos. pistiladas uniformes; flores pistiladas , 8.1 Urera auraníiaca 3 . Folhas elípticas, bordo ondulado-dentado; inflorescências em dicásios irregulares, estaminadas escorpióides, pistiladas congestas ao redor do caule; flores pistiladas com estilete curvo... r 8.2 Urera nitida Arvores sem tricomas urticantes. 4. Ramos fistulosos, folhas palmatilobadas, palminérveas; inflorescências em amentos. 5. Estipulas terminais vináccas; amentos alaranjados ou amarelados 5.1 Cecropia glaziovi 5 . Estipulas terminais alvas, verde-claras ou rosadas; amentos estaminados verde-amarelados a grisáceos 5.2 Cecropia lyratiloba 4 . Ramos medulosos; folhas inteiras, peninérvias; inflorescências capitadas ou discóide 1 Coussapoa microcarpa 5. Cecropia Loefl, Iter Hispan. 272. 1758. Árvores dióicas, ramos fistulosos, sem acúleos e tricomas urticantes, látex hialino. Estipula conada e caduca deixando cicatriz amplexicaule. Folhas alternas a espiraladas, palmatilobadas, palminérveas, bordo liso, presença de triquílios na base do pecíolo (denso indumento produtor dos “Corpúsculos de Müller”). Inflorescência em espatas pareadas exibindo um conjunto de amentos ao amadurecer. Flores actinomorfas com perigônio tubuloso; estaminadas 2-lobada, 2 estames. Filetes retos no botão, ausência de pistilódio; pistiladas com estigma penicilado-capitado. Gênero neotropical com 61 espécies reconhecidas, distribuídas nas florestas úmidas e semi-úmidas como árvores pioneiras (Berg & Rosselli 2005). Nas restingas fluminenses está representado por duas espécies. 5.1 Cecropia glaziovi Snethl.. Notizbl. Bot. Gard. Berlin-Dahlem 8: 358. 1923. Árvores ca. 10 m de alt. Estipula terminal vermelha a vinácea. 7.5—20 cm de compr.. pubescente ou glabra. Folha com pecíolo 1 9-55 cm. pubesccnte, glandula basal 5-16 mm pubescente lerrugínea; lâmina de ápice agudo, lobo maior 25- Rodhguèsia 62 ( 2 ): 299 - 313 . 201 1 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 Ulmaceae, Cannabace ae e Urticaceae das restingas, RJ 40 cm de compr., bordo 10— 12-lobado, face adaxial glabra e abaxial pubescente; nervura primária frequentemente vermelha, nervuras secundarias 24— 25 pares no lobo maior. Inflorescência protegida por espata hirsuta alva a amarelo-escuro; estaminada 4-7 amentos, amarelos a alaranjados, tomentosos, pedúnculo primário 3,9-12 cm, secundários 7-10 mm de compr.; pistilada4-5 amentos, pedúnculo primário 6-7,5 cm, secundário sessil. Material selecionado: RIO DE JANEIRO: Búzios, 3.IV.2004, A.F.P. Machado 161 et al. (R). Cabo Frio, 30.X. 2008, LC. Pederneiras 516 et R.W.Lacerda (R). Rio de Janeiro, I8.XI1.1979, J.C. Andrade 25 (GUA). Cecropia glaziovi é endêmica do Brasil, encontrada na floresta ombrófila densa atlântica e estacionai semidecidual, da Bahia ao Rio Grande do Sul. Nas restingas fluminenses ocorre em duas localidades (Barra de São João, Cabo Frio c Rio de Janeiro), com extensão de ocorrência ca. 3500 km e área de ocupação ca. 1 0 km 2 , na formação de Mata Seca em processo de regeneração, próximas a encostas florestadas, como no Recreio dos Badeirantes e na Ilha de Marambaia. A proporção da população global presente nas restingas é de 7%. A espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos e, por isso, diminui-se uma categoria do passo dois. Vulnerável, VU BI +2a,b(ii,iii). 5.2 Cecropia lyratiloba Miq. in Mart.. Fl. bras. 4(1): 144.1853. Árvores 1-9,5 m alt.. Caule com lenticclas esparsas. Estipula terminal alva, verde-claro ou rosada, 8,5-12,5 cm de compr. Folha com pecíolo 1 0,5- 1 8,5 cm. glabm, glândula basal 6-14 mm; lâmina com ápice agudo a mucronado, lobo maior 1 3-20 cm de compr., subcoriáceo, bordo 9-10-lobado, lace adaxial áspero verde c abaxial pubescente, verde-claro a alva; nervuras secundárias 14-17 pares no lobo maior. Inflorescência protegida por espata verde-clara a alva quando jovem; pedúnculo primário de 3-6,2 cm, secundário séssil. ca. 5 mm de compr.; 10-11 amentos estaminados por espata, 3,2-4, 6 cm, verde-amarclados a grisáceos; 4-5 amentos pistilados, 8-9,4 cm. verde- claro. Flores estaminadas com perigônio concrescido, bipartido no ápice. Flores pistiladas envoltas de pêlos aracnóideos alvos, estilete extrorso. Fruto oblongo, 2-2,2 mm. Material selecionado: RIO DE JANEIRO. Angra dos Reis. Praia do Leste. 15.V. 1984. D. Araújo 6274 (GUA). Arraial do Cabo. 3.111.2008, LC.Pederneiras 377 et al. (R). Cubo Frio. 29.X.2008, LC.Pederneiras 499 et R.W.Lacerda (R). Carapebus, Parque de Jurubatiba, 307 9. XI. 1981, D. Araújo 4661 et al. (GUA). Maeaé, 31.X.2008, LC.Pederneiras 533 et R.W.Lacerda (R). Mangaratiba, Restinga de Marambaia, 6. V. 2008, LC.Pederneiras 439 et al. (R). Maricá, APA de Maricá, 23.X. 2007, LC.Pederneiras 326 et al. (R). Quissarnã, 5. V.2005, LC.Pederneiras 1 77 et al. (R). Rio das Ostras, 12.XII.2002, H.N. Braga 4250 (R). Rio de Janeiro, Restinga de Jacarepaguá, 7.V. 1 958, E.Pereira 37 15 et al. (HB). São João da Barra, 1. XI. 2008, LC.Pederneiras 545 et R.W.Lacerda (R). Saquarema, Jacarepiá, 17.1.2008, LC.Pederneiras 359 et A.F.P. Machado (R). Cecropia lyratiloba é nativa do Brasil, encontrada na floresta ombrófila densa de Pernambuco ao Paraná, na estacionai semidecidual e decidual, e no cerrado de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Nas restingas fluminenses ocorre em oito localidades (São João da Barra, Maeaé, Barra de São João, Cabo Frio, Maricá, Rio de Janeiro, Marambaia e Praia do Sul), com extensão de ocorrência ca. 22.000 km 2 , cm áreas degradadas da Formação de Mata Seca, Mata Inundável e Arbustiva Fechada. A proporção da população global presente nas restingas é de 22%. A espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos. Não ameaçada, LC. Andrade & Caruuta (1981) observaram, na restinga da Barra da Tijuca, indivíduos com porte menor (até 4 m), apenas uma ramificação candel abri forme e coloração da estipula verde-clara, conferindo a esses indivíduos nova variedade ( Cecropia lyratiloba var. nana Carauta & Valente). Ao observar a ocorrência ao longo de todas as restingas do estado, notou-se uma grande variedade de tamanhos. Muitos indivíduos apresentaram somente parte das características da variedade nana, por isso optou- se em não adotar essa delimitação. Cecropia lyratiloba se distingue de C. pachystachya Trécul pelas lenticclas esparsas ou raras, geralmcnte distantes mais de 5 cm (Carauta 1996). 6. Coussapoa Aubl., Hist. Pl. Guianc 2; 955, t. 362, 363. 1775. Árvores, arbustos ou hemi-epífitas, ramos mcdulosos, dióicas, sem acúleos e tricomas urticantcs, látex branco ou hialino. Folha inteira, peninérvea, bordo liso. Estipula conada e caduca deixando cicatriz amplexicaule. Inflorescência em capítulos globosos, pareados ou ramificados. Flor actinomorfa, perigônio tubuloso; estaminada 2- lobada, 2 estames, filetes retos no botão, ausência de pistilódio; pistiladas com perigônio único, estigma penicilado-capitado. Fruto glabro, mergulhado no perianto alargado e carnoso. Rodriguèsiã 62(2): 299-313. 201 1 SciELO/JBRJ, 13 14 15 cm .. 308 Gênero com 46 espécies distribuídas do sul do México ao sudeste do Brasil, ausente nas Antilhas (Berg et al. 1990). Nas restingas fluminenses está representado por apenas uma espécie. 6.1 Coussapoa microcarpa (Schott) Rizzini, Duscnia 1(5): 295. 1950. Árvores 3-15 m de alt., látex branco ou hialino. Caule frequentemente bastante ramificado desde a base; ramos hirsutos. Estipula terminal 1 ,5- 3,5 cm, verde ou brúnea, glabra a tomentosa, prateada. Folha com pecíolo 1, 1-3,7 cm, glabro a puberulento; lâmina elíptico-ovada, 5,2-16 x 1,9- 7.2 cm, coriácea, base cuneada, ápice agudo, cuspidado, bordo inteiro, glabra em ambas as faces; nervuras secundárias 6-7 pares. Inflorescência alva, verde-amarelado a avermelhada; estaminada com ramificações de 3 ou mais capítulos globosos, pedúnculo comum 1-2 cm; pistilada solitária ou aos pares, pedúnculo comum 0,7-2,9 cm. Flores estaminadas 2 segmentos no perigônio; 2 estames alvos, filetes unidos, extrorsos quando maduros; flores pistiladas 1 -2 mm. Fruto 1 cm de diâm., alaranjado. Material selecionado: RIO DE JANEIRO: Angra dos Reis, Praia do Sul, IV. 1996, LE.Mello-Filho 5835 et al. (R). Araruama, 29.VIII.1983, D.Araujo 5656 et al. (GUA). Cabo Frio, Condomínio Florestinha, 2.IV.2008, L.C. Pederneiras 401 etM.S.Faría (R). Parati, Trindade, 22. VI 1 1 . 1 99 1 , R.Marquete 3 32 et ai (RB). Rio de Janeiro: Barra da Tijuca, 17.VIII.1965, W.Hoehne 6055 (RB); Grumari, 12. III. 1983, D. Araújo 5667 et N.C. Maciel (GUA). São João da Barra, Grussaí, 16.V. 1989, D.Araujo 8841 (GUA). Saquaretna, Jacarepiá, 17.1.2008, LC. Pederneiras 357 et A.F.P.Machado ( R). Coussapoa microcarpa é endêmica do Brasil, encontrada na floresta ombrófila densa atlântica e estaciona] semidecidual, de Pernambuco ao Rio Grande do Sul. Nas restingas fluminenses ocorre sete localidades (São João da Barra, Barra de São João, Cabo Frio, Rio de Janeiro, Grumari, Praia do Sul e Parati), com extensão de ocorrência ca. 14100 km 2 , na formação arbustiva fechada e mata seca. Na Restinga de Jacarepiá, em Saquarema, foram observados pequena população de 2 a 3 indivíduos. Ocorre em São Joao da Barra, grande faixa arenosa deteriorada do nordeste do estado, mas na restinga preservada de Jurubatiba, logo abaixo, nunca houve registro. A proporção da população global presente nas restingas é de 13%. Cumpre com os critérios de VU B 1 , mas a espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, ou seja, uma fonte de imigração de propágulos que diminui uma categoria. Próximo a ameaçado, NT. Pederneiras. LC. et al. 7. Laportea Gaudich., Voy. Uranie, Bot. 498. 1 830. Ervas monóicas, ramos medulosos, tricomas urticantes presentes em seus ramos e folhas, acúleos ausentes, látex hialino. Estipulas intrapeciolares. inteiras ou partidas no ápice. Folhas inteiras, peninérveas, bordo dentado. Inflorescências em panículas, bissexuais, flores estaminadas no ápice do ráque. Flores com tépalas livres providas de tricomas translúcidos; estaminadas actinomorfas, 4— 5 tépalas iguais, 4—5 estames, filetes curvos no botão, presença de pistilódio; pistiladas zigomorfas, 4 tépalas desiguais, estigmas filiformes. Aquênios perpendiculares ao eixo e perianto persistente. Gênero pantropical, com 22 espécies no total. Na América do Sul duas espécies são encontradas. Laportea aestuans (L.) Chew e L. interrupta (L.) Chew. No Brasil somente ocorre Laportea aestuans (Chew 1969). 7.1 Laportea aestuans (L.) Chew, Gard. Buli. Singapore21 (2): 200. 1965. Ervas até 1 ,5 m de alt., monóicas. Estipulas 5— 7 mm, terço inferior conato. Folhas com pecíolo 5— 7,5 cm, hirsuto; lâminas ovadas, 12-14x8-1 1 cm, membranáceas, base truncado-arredondada, ápice acuminado, bordo continuamente dentado, face adaxial glabrescente, abaxial glabra; nervuras secundárias 5-6 pares. Inflorescências hirsutas, 6- 14 cm de compr. Flores estaminadas com bráctea basal, 1 mm de compr., tépalas alvas com 4-6 tricomas translúcidos no ápice, pistilódios claviformes, anteras alva; flores pistiladas com tépalas alvas, tépalas basais providas de 3-6 tricomas translúcidos. Aquênios 1—1,5 mm. Material examinado: RIO DE JANEIRO: Cabo Frio. Condomínio Florestinha. 9.VI.2008, LC.Pedemeiras 464 etal. (R); 15.ID.1996, LE.Mello-Filho 5898 et al. ( R). Rio de Janeiro, Jacarepaguá, IX. 191 6 , F. C.Hoehne (SP 24900); Prainha, 28.X.1971, D.Sucre 7844 (RB); Restinga da Tijuca, 16.VI.1946, 0.X.B.Machado (RB 75581). Laportea aestuans é uma espécie pantropical. No^ Brasil ocorre na floresta ombrófila densa atlântica e amazônica, ombrófila aberta, estacionai semidecidual e decidual e caatinga. Nas restingas fluminenses ocorre em três localidades (Barra de São João, Rio de Janeiro e Grumari), com extensão de ocorrência ca. 90 km 2 , na Formação de Mata Seca degradada, em terrenos em regeneração e próxima ao calçamento de condomínios. A proporção da população global da espécie presente nas restingas não foi estimada porque não foram visitados todos os herbários das regiões de sua distribuição Rodriguésiá 62 ( 2 ): 299 - 313 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae das restingas, RJ geográfica. A espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte dc imigração de propágulos e, por isso, diminui-se uma categoria do passo dois. Em perigo, EN B 1 . Frequentemente Lciportea aestuans é confundida com espécies de Urera, em especial U. aurantiaca, devido ao hábito herbáceo, folhas ovadas e de bordo dentado. Porém Lciportea aestuans diferencia-se dc Urera por ser uma planta monóica (v.v. dióicas). 8. Urera Gaudich. Voy. Uranie, Bot. 496. 1 830. Ervas ou arbustos, dióicos, ramos medulosos, acúleos e tricomas urticantes presentes em seus ramos e folhas, látex branco ou hialino. Estipulas intrapeciolares, inteiras ou partidas no ápice. Folhas inteiras, peninérvcas, bordo dentado a ondulado- dentado. Inflorescências em dicásios. Flores com tépalas livres, glabras; estaminadas actinomorfas, 4-5 tépalas iguais, 4-5 estames, filetes curvos no botão, presença de pistilódio; pistiladas zigomorfas, 4 tépalas desiguais, estigmas penicilado-capitado. Aquênios retos ao eixo e parcialmente fechados pelo perianto. Gênero com ca. 50 espécies distribuídas pelas zonas tropicais do mundo (Stcinmann 2005). No Brasil ocorrem oito espécies (Carauta 1967) e nas restingas fluminenses duas espécies. 8.1 Urera aurantiaca YVedd., Ann. Sei. Nat. Bot., sér. 3. 18:201.1852. Fig.2a-d Arbustos ca. 1,5 m. Estipulas 1-1,2 cm. Folhas com pecfolos 3-4 cm, glabros; lâminas ovadas, 8- 1 5 x 4,5-7,5 cm, membranáceas, base cordada, ápice agudo, bordo regularmente dentado, ou crenado quando jovem, face adaxial glabra c abaxial pubcsccnte; nervuras secundarias 6-8 pares. Inflorescências em dicásios perfeitos; estaminadas formando glomêrulos nos ápices, até 3 cm de compr.; pistiladas distribuídas uniformemente nos ramos, até 5 cm de compr. Flores pistiladas com tépalas com máculas arredondadas claras, estiletes curtos, retos. Material examinado: RIO DE JANEIRO: Cabo frio, Condomínio Florestinha, 15.111.1996. LE.Mcllo-Filho 5898 et al ( R); Estação de Rádio da Marinha. 1 5.V. 1 993. R.Mello-Silva 871 et Piram (SP). Maricá, Ponta Negra. 25.IV. 1943, J. Viciai (R 38969). Rio de Janeiro, Jacarepaguá, 15.111.1933,7. V/t/fl/(R58519). Urera aurantiaca distribui-se da Colômbia a Argentina. No Brasil ocorre em floresta ombrófila densa atlântica c amazônica, estacionai Rodríguésia 62(2): 299-313. 2011 309 scmidecidual e cerrado. Nas restingas fluminenses ocorre em três localidades (Barra de São João, Maricá e Rio de Janeiro), com extensão de ocorrência ca. 740 km 2 , em Formação de Mata Seca degradada. A proporção da população global da espécie presente nas restingas não foi estimada porque não foram visitados todos os herbários das regiões de sua distribuição geográfica. A espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos e, por isso, diminui-se uma categoria do passo dois. Vulnerável, VUB1. 8.2 Urera nitida (Vell.) Brack, Napaea 1 : 7. 1987. Fig. 3 a-e Arbustos 1-2 m de alt., látex branco. Caules e ramos verdes, aculeados. Estipulas 5-9 mm. Folhas com pecíolos 4-9 cm, glabros, espinhos urticantes esparsos, curtos, até ca. 2 mm; lâminas elípticas, 18,5-24,5 x 7-12,5 cm, membranáceas, base arredondada a truncada, ápice cuspidado, bordo ondulado-dentado, ca. 1-2,5 cm entre-dente, face adaxial glabra com espinhos esparsos espalhados, 1-1,5 mm cada, face abaxial glabra com espinhos nas nervuras; nervuras secundárias 6-7 pares. Inflorescências em dicásios irregulares, raque vináceo, espinhos urticantes translúcidos a alvos; estaminadas escorpióides, 2-4 cm; pistiladas congestas ao redor do caule, gcralmentc se misturando com a inflorescência posterior, até 8 cm. Flores estaminadas 2-3 mm; flores pistiladas 0,5- 1 ,5 mm, tépalas alvas, estiletes até 1 mm, curvos. Frutos 2-3 mm de compr. Material examinado: RIO DE JANEIRO: Cabo Frio: APA do Pau Brasil, 9.VI.2008, LC.Pederneiras 456 et al. (R); Estação de Rádio da Marinha, 29. X. 2008, L.C. Pederneiras 490, 492, 49 J et R.W. Lacerda (R): Condomínio Florestinha, 2. IV. 2008, LC.Pederneiras 399 et M.S. Faria (R). Manguratiba, Restinga de Marambaiu, ao lado do Posto de Saúde, 5. V. 2008, LC.Pederneiras 424 et al. (R). Parati, enseada de Parati- Mirim, Praia das Almas, 1 3. VI. 1994, T.Konno4IOet al. (RB). Rio de Janeiro, Ipanema, 1917, C. Dingo 807 (R). Rio das Ostras, Restinga do Balneário das Garças, Í0.V.2000, //.i N. Braga 1093 et Damasceno (RB). Urera nitida distribui-se na América Tropical. No Brasil, ocorre na floresta ombrófila densa atlântica e amazônica, estacionai scmidecidual e decidual c caatinga. Nas restingas fluminenses ocorre em seis localidades (Barra de São João, Cabo Frio, Baia de Guanabara, Grumari, Marambaia c Parati), com extensão de ocorrência ca. 4000 km 2 , na Formação dc Mata Seca degradada em processo SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 SciELO/JBRJ cm 1 2 13 14 15 16 17 Figura 2 - Urera aurantiaca Wedd. - a. ramo Distilado- h fWec a (a,b Rangel et Schwacke s/n (R 39396); c,d A J Sampaio 7248) C ' ram ° eStam,nado; d ' n ° r «taminada ,w,e; b ' pi “'"“ '• ■% . «o.» « ^ , Rodriguésia 62 ( 2 ): 299-313. 201 1 310 Pederneiras, LC. et al. Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae das restingas, RJ 311 Figura 3 - Urera nitida (Vell.) Brack - a. ramo estaminudo; b. flor estaminada; c. ramo pistilado; d. flor pistilada; c. Fruto (a b L C Pederneiras 559 • c-e L.C.Pederneiras et al. 424). Figure 3 Urera niiida (VcIL) Bmck - a. slamina.c twig; b. slaminatc flower. c. pistillate twig; d. pistíllatc flowcr. e. fmll (a.b LC.Peden, eiras 559; c-e L.C.Pederneiras et al. 424). Ftodriguésià 62(2): 299-313. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm Pederneiras, LC. et al. de regeneração. A proporção da população global da espécie presente nas restingas não foi estimada porque não foram visitados todos os herbários das regiões de sua distribuição geográfica. A espécie ocorre nas vizinhanças das restingas, sendo uma fonte de imigração de propágulos e, por isso, diminui-se uma categoria do passo dois. Vulnerável, VU Bl. Agradecimentos Ao CNPq a concessão de bolsa de Mestrado ao primeiro autor. A Marinha do Brasil e a empresa LLX a autorização de coleta em Campos Novos e Lagoa de Grussai, respectivamente. Aos curadores e demais funcionários dos herbários visitados a permissão do uso de suas coleções. Aos colegas de excursão de campo e motoristas do departamento de transporte da UFRJ pelas excursões e auxílio de campo. Aos Dr. Sérgio Romaniuc-Neto, Dra. Regina Helena Potsch Andreata, Dra. Genise Vieira Somner e Dra. Claudia Petean Bove as sugestões prestadas. A Isabel Lima e Silva pelo preparo das ilustrações. Bibliografia Andrade, J.C. & Carauta, J.P.P. 1981. Cecropia lyratiloba Miq. var. nana , nova variedade para o Brasil- Sudeste. Bradea 3: 163-169. APG. 2009. An update of lhe Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III. Botanical Journal of the Linnean Society 161: 105-121. Araújo, D.S.D. 2000. Análise florística e fitogeográfica das restingas do Estado do Rio de Janeiro. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 176p. Araújo, D.S.D. & Maciel, N.C. 1998. Restingas fluminenses: biodiversidade e preservação. Boletim FBCN 25: 27-51. 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Nadruz Coelho Abstract Two new species of Anthurium are dcscribcd for Brazil, Anthurium cipoense Temponi endemie of lhe Serra do Cipó National Park, Minas Gerais and Anthurium polynervium Temponi & Nadruz, endemie to municipality of Santa Maria Madalena, Rio de Janeiro State. Both have rcstrictcd distributioas and studies on their conscrvation are needed. Descriptions, illustrations and commentarics on gcographic distribution. ccology, phcnology and conservation status are provided for both species. Kcy words: taxonomy, Minas Gerais, Rio de Janeiro. Resumo Duas espécies novas de Anthurium sào descritas para o Brasil, Anthurium cipoense Temponi, endêmica do Parque Nacional da Serra do Cipó. MG e Anthurium polynervium Temponi & Nadruz, endémica do município de Santa Maria Madalena, RJ. Ambas apresentam distribuição restrita c estudos sobre a sua conservação se fazem necessários. Sáo fornecidas diagnoses, ilustrações c comentários sobre distribuição geográfica, ecologia, fenologia c estado de conservação das espécies aqui apresentadas. Palavras-chave: taxonomia, Minas Gerais, Rio de Janeiro. Introduction Anthurium Schott is neotropical and has 1 l(X) species, being the largcr Araceae genus (Mayo et til. 1997, Govaerts & Frodin 2002. Coelho & Catharino 2(X)8). Thosc species are distributed from northcrn México and the Grcater Antilles to Southern Brazil and northcrn Argentina and Uruguay, occurring in open or forested habitats. Thcy may be tcrrestrial, cpiphyte or rupicolous (Mayo <’/«/. 1997 ). Brazil, withabout 130 Anthurium species, is a country with great diversity in this genus (Coelho et al. 2010). Anthurium is divided into 1 8 seetions (Croat & Sheffer 1983), some of which have becn revised and rc-circumscribed (e.g. Croat 1 99 1 ). Anthurium sect. Urospadix was interpreted dilfcrcntly by Engler ( 1 878, 1 898, 1 905 ) and Croat & Sheffer ( 1 983. 2002), but according to these authors, the scction has a disjunct distribution. with sevcral species in Central America and western South America, and others in the eastern Brazil. Based on morphological and molecular studies, Temponi (2006) proposcs the rc- circumscription of Anthurium sect. Urospadix, restricting this group to 60 species of usually ground herbs, with short internodes, up to 0.5 cm long, simple leaves, with brochidrodome venation and interprime veining. trichomcs usually present at the funiculus and distribution rcstrictcd to eastern Brazil. During the survey of this group of Anthurium sect. Urospadix Engl. Brazilian species, two new species wcrc rccognizcd and are dcscribcd here. Since they are species of local occurrence and fcw populations, they are considercd to be vulncrable according to the IUCN critcria (2010), and studies on their preservation are therefore required. . - .i i„ wq j.riitm Univmitírio, 85819-110. Ciwcavel. PR, HtmíI. livialcinponiírl.yahcxu-om.br UnivenudíuIctsiatlualdoOcsicdoPanina. R, Llmvcrsitána, -.069, . , . . n . , u P u hrtrolcào 91 5.22460-030, Rio dc Janeiro. RJ. Braiil. ’ Instituto dc Pesquisas do Jardim Uolànicodo Rio dc Janeiro. R. •» SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Temponi, LG & Coelho. M.A.N Material and Methods Tü perform this study, samples of Anthurium cipoense and Anthurium polynervium, as well some closed species were examined in the BHCB, MO, K, RB, SP, SPF herbaria (acronyms in accordance with Thiers 2010). The morphological description of the vegetative and reproductive structures followed terminology presented in Madison (1977), Radford et ai (1974), Croat & Bunting ( 1 979). Mayo (1991) and Mayo et ai ( 1 997). Anthurium cipoense Temponi, sp. nov. Type: BRAZIL. MINAS GERAIS: Santana do Riacho, Parque Nacional da Serra do Cipó, 19°16’1.2”S, 43°33’5.5”W, elcv. 1 ,220 m. 22.Xn.2004, fr„ Temponi et ai 384 (holotype SPF!; isotype K!, RB!). Figs. la-c, 2a-d Anthurium cipoense Temponi sp. nov. Anthurio megapetiolato E.G. Gonç. habitu terrestri, foliorum laminae nervis in paginam adaxialem insculptis affinis, sed petiolo breviori (nec longo), foliorum lamina anguste elliptica usque elliptica (nec oblonga usque oblongo-elliptica), nervis secundariis paucis ( nec ultra 14 utroque costae latere), flori bus paucis in quoque spira manifestis (nec multior) differt. Terrestrial. Erect stem; short internodes, totally covered by the sylleptic prophylls and mesophylls; brownish, persistem, entire prophylls and mesophylls. Leaf with slightly reddish, cylindrical to slightly adaxially furrowed petiole, 1 8- 30.9 x 0.15-0.3 cm; geniculum 0.4-2. 1 cm long, thicker, concolor slightly Iighter than the petiole; erect, chartaceous, strongly discolored greenish leaf blade, narrowly elliptical toelliptical, acute apex, obtuse base, 19-27.3 x 4.8-1 1 . 1 cm; adaxially acute] abaxially obtuse primary vcins; secondary veins strongly prominent adaxial, 7-9 on both sides; collecting veins 0.5-1 .5 cm away from the margin; no basal veining. Inflorescence with erect, vinaccous, cylindrical peduncle, 25.5-43 x 0.12-0.15 cm; vinaceous, deflexed spathe, forming an acute angle at the junction with the peduncle, decurrcnt leaf 0.6 cm long, 3 x 0.4 cm; spadix, 5.3-1 7.4 x 0.63- 1.45 cm, shortly stipitate, stipe 0.3 cm long, 4-5 flowers at the primary spiral. 3 at the secondary spiral; tepals 1 .8-2.2 x 1 mm.stamens 1. 5-2 x 0.7- 0.8 mm, apocarp 1.9 x 1.65 mm, brown stigma, bilocular ovary, one ovule per locule, axile-apical placentation. Green berries with vinaceous apex. Anthurium cipoense is related to Anthurium megapetiolatum E.G. Gonç., and they share the same terrestrial habit and strong veining on the adaxial side; howevcr, it differs from the latter species by having a short petiole, no longer than 32 cm, narrowly elliptical toelliptical leaf blade, with 7-9 secondary veins on both sides and 4-5 flowers on the primary spiral and 3 on the secondary spiral; while A. megapetiolatum has a long petiole, up to 81 cm in length, oblong to oblong-elliptical leaf blade, with 14-18 secondary veins on both sides and 4-9 flowers on the primary spiral and 4-5 on the secondary spiral of the spadix. The specific epithet honors the collection site. Serra do Cipó National Park, which is home to outcrops and also to areas with still unexplored riparian forest, where forest interior species such as A. megapetiolathum (Gonçalves, 2001) and A. cipoense are still being discovered and described. Anthurium polynervium Temponi & Nadruz, sp. nov. Type: BRAZIL. RIO DE JANEIRO, Santa Maria Madalena. Macuco to Santa Maria Madalena roadway, near the cloverleaf interchange to São Sebastião do Alto, 22°0' 14.04"S, 42°4r23.99"W, 24.V1I.2006, fl. and fr., Temponi et ai 429 (holotype RB!; isotype SPF!, K!, MO!). Figs. ld-f, 2 e-g Anthurium polynervium Temponi & Nadruz sp. nov. Anthurio augustino K. Koch & Lauche affinis, sed foliorum lamina lanceolata, oblonga usque elliptica (nec ovato-lanceolata), nervis basal ibus 1-2 (nec 3), nen is secundariis 17-26 (nec 24-30) differt. Terrestrial, rupicolous, saxicolous. Erect stem; very short internodes, totally covered by the prophylls and mesophylls; greenish prophylls and mesophylls, entire when young, becoming brown, decomposed in a fibrous mass, persistem from the apex to the stem base. Leaf with greenish petiole, cylindrical to slightly adaxialy furrowed when young and furrowed cylindrical, with adaxially obtuse margins in adult individuais, 1 9.5-43.8 x 0.22-56 cm; thicker geniculum, concolor and slightly Iighter then the petiole, 0.4-2. 1 cm long; erect, chartaceous, discolored greenish. lanceolate, oblong to elliptical leaf blade, with acute apex, shortly apiculate. sub- cordate base, with slightly decurrent blade. spatulate posterior lobes 1 /1 5-1 /56of the blade length, 25.1- 6 1.5 x 7-20.8 cm; obtuse to rarely adaxially acute primary veins on both laces; secondary veins visible only adaxially. slightly abaxially prominent, 1 7-26 on both sides; collecting veins emerging over the blade base. 0.5-1 .3 cm from the margin; 1-2 basal veins on Rodhguésia 62 ( 2 ): 315 - 320 . 201 1 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Two new species of Anthurium for Brazil Ficiire 1 - Two new species of Anthurium scct. Urospadix Engl. (Araccae) for Brazil. a-c. Anthurium cipoense Temponi (Temponi 584) - a. Icaf with fcw secondary vcins, sunkcn abovc, collective veins 0.5-1.5 cm Imm the margins and absenee of basal vcins; b. spadix with bcrrics mature excrtcd from «epals; c. Mocular ovary one ovule per locule, axile-apical placentation nearapex ofsep.um. d-f : Anthurium polynervium Tempom & Nadn» (Temponi e, al. 356)- d erect stenr very short intcmodes. persistcnt mcsophylls and prophylls at uppcr mtemodcs. decomposing m brown fibers; e. erec’t leaf bladc, sharp apex. shortly apiculatc, sub-cordate base, numcrous secondary vems and basal veins 1-2 on both sides; f. spadix with erect peduncle and spadix scssilc. Rodriguésla 62(2): 3 1 5-320. 20 1 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 F.gure 2 - Two new spec.es of Anthurium seet. Urospadix Engl. (Araceae) for Brazil. a-d. Anthurium cipoense Temponi - a. leaf with few secondary ve.ns, suken above; b. light green leaf down, purple petiole and midnb; c. spadix at floration d. spadix at fru.t.on, e-g. Anthurium polynervium Temponi & Nadruz - e.blade erect; f. blade with apcx acute, shortly apiculate, sub-cordate base; g. spadix sessile. Rodríguésiá 62 ( 2 ): 315 - 320 . 201 cm 1 SciELO/JBRJ 1 Temponi, LG & Coelho. M.A.N cm Two new species of Anthurium for Brazil boih sides, the outermost extending to the base of the posterior lobe, the inncnnost ending at the margin of the leaf blade lowerquarter. Inflorescencc with erect, greenish, cylindrical to slightly flat pedunclc, 2 1 .5- 74.4 x 0.2-0.24 cm; greenish to vinaceous spathc, forming a right, obtuse to acute angle with the peduncle, decurrent leaf 0.6 long, 5.4-1 1 .7 x 0.8-1 .3 cm; sessile, greenish to vinaceous stipitatc, 5.3- 1 7.4 x 0.63- 1 .45 cm; 8-9 fiowers on the primary spiral, 6 on the secondary spiral; hooded tepals with rough walls, side tepals slightly concave and dorsally acute; front and rear tepals strongly ventrally concave and dorsally sub-carinate to carinated, 1 . 1-1 .5 mm; stamens 1 .6-1.9 x0.5-0.8 mm; apocarp 1.3 x 0.8- 1.1 mm, inconspicuous stigma, oblong, bilocular ovary, one ovule per loeule, axile-apical placentation. Creamy-grecn berries with dark purple apex. Species endemic to the State ot Rio de Janeiro, occurring only in the Santa Maria Madalena municipality, between 756 and 964 m altitude, in dense rain forest. This is an ombrophilous and rare species. CoIIected with flower and Iruit in Octobcr. Material examined; BRAZIL. RIO DE JANEIRO: Santa Maria Madalena, cultivado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 28.IX.2005, M. Nadruz 1644 (RB); 22°0'2.K8"S 42°7'0.98"W, 1 7. VI.21XM, II. and fr„ Temponi et al. 356 (SPF); Fazenda Dubois. 2 1 °56’53"S 4 1 °59’29"W, 28.X. 2004, 0. and fr„ J.M. Bruna 7511 (RB). Anthurium polynervium is relatcd to Anthurium augustinum C. Koch & Lauche by having a lanceolate, oblong to elliptical leaf blade, 1-2 basal veins and 17-26 secondary veins, while A. augustinum has an ovate-lanceolate leal blade, 3 basal veins and 24-30 secondary veins. The specific epithet relers to the large number of secondary veins on both sides; although being only adaxially visible, slightly abaxially prominent, the large number of secondary veins gives a wavy appearance to the leaf surfacc. The diversity of Anthurium seet. Urospadix species in Brazil has been verified in recent studies. Ovcr the past 20 ycars, 23 new species have been descri bed (Sakuragui & Mayo 1 999; Coelho & Mayo 2000; Mayo etitl. 2000; Sakuragui 2(XM); Gonçalves 200 1 ; Coelho & Leoni 2(X)4; Coelho & Catharino 2005; Coelho & Croat 2005; Gonçalves 2005; Coelho 2006; Coelho & Catharino 2008; Gonçalves & Jardim 2009; Catharino & Coelho 2010). Moreover. nine species are being described for Bahia and Espírito Santo, totalling 32 rccently discovered species lor Anthurium sect. Urospadix. a section almost exclusive to the Atlantic Forest. Ho drlguésia 62(2): 3 1 5-320. 20 1 1 319 Sincc this is a group of probably reccnt diversification, specific differences are usually small. Less widely used characteristics for the distinction of species of other Anthurium scctions, such as primary veining shape, habit, internode length, color and degree of dccomposition of cataphylls and prophylls (Coelho et al. 2009), as well as anatomical characteristics of the leaf and spathe (Mantovani et ai 2010), have proven tobc important for the recognition of these species. Thus, taxonomic studies must continue, to include population studies, sincc the diversification of the group suggests an adaptation to different micro- environments of eastern Brazil. Acknowledgments The authors thank Reinaldo Antônio Pinto for illustralions of the species here described, the Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) fellowship (bolsa de doutorado) and Simon J. Mayo for writing the Latin diagnosis. Referências Catharino L.E.M. & Coelho, M.A.N. 2010. Uma espécie nova de Anthurium Schott (Araeeac), endêmica na Serra da Bocaina, município de Bananal, São Paulo, Brasil Rodriguésia 6 1 : 69-72. Coelho, M.A.N. 2006. New species of Anthurium (Araeeae) frorn Brazil. Aroideanu 29: 91-103. Coelho. M.A.N. & Catharino, L.E.M. 2005. Duas espécies novas de Anthurium Schott (Araeeae) para o Brasil. Rodriguésia 56: 35-42. Coelho, M.A.N. & Catharino, E.L.M. 2008. Duas novas espécies de Anthurium (Araeeae) endémicas do litoral de São Paulo. Brasil. Rodriguésia 59: 829-833. Coelho, M.A.N. & Croat. T.B. 2005. A new endemic species of Anthurium (Araeeae) from Brazil. Aroideanu 28: 65-68. Coelho, M.A.N. & Leoni. L.S. 2(X)4. Duas espécies novas de Anthurium Schott (Araeeae) para o Brasil. Puhslia 15: 1-9. Coelho, M.A.N. & Mayo, S.J. 2000. Anthurium maricense Nadruz & Mayo - ti new species of Anthurium Schott (Araeeae: tribe Anlhuricac) for Brazil. Aroideana 23: 82-87. Coelho. M.A.N.: Soares, M. L.. Sakuragui; C.M., Mayo, S.: Andrade, I.M. & Tcmponi, L.G. 2010. Araeeae in Lista de espécies da flora do Brasil. Availuble in . Aeeessedon 12 mai 2010 . Coelho, M.A.N.; Waechter. J.l. & Mayo. S.J. 2009. Revisão taxonômica das espécies de Anthurium (Araeeae) seção Urospadix subseção Fluveseentiviridia. Rodriguésia 60: 799-864. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 320 Croat, T.B. 1991. A revision of Anthurium section Pachyneurium (Araceae). Annals of the Missouri Botanical Garden 78: 539-855. Croat, T.B. & Bunting, G.S. 1979. Standardization of Anthurium descriptions. Aroideana 2: 15-25. Croat, T.B. & Sheffer, R.B. 1 983. The sectional groupings of Anthurium (Araceae). Aroideana 6: 85-123. Croat, T.B. & Sheffer, R.B. 2002. The sectional groupings of Anthurium (Araceae). Available in chttp:// www.aroid.org/genera/Anthurium/anthsections>. Accessed on 1 2 oct 2002. Engler, H.G.A. 1878. Araceae. In: Martius, C. F. P. Von. Flora brasiliensis. München, Tipografia Regia. 3- 25-224, tabs 2-52. 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Com o objetivo de investigar o comportamento das variáveis comunitárias da flora arbórea em condições diferentes de altitude e alagamento, determinou-sc a composição florística, estrutura e similaridade entre três fragmentos de floresta (aluvial, montana e nebular) e a suas relações floristicas com estudos da região. Foram amostrados 2 572 indivíduos, identificados cm 194 espécies, distribuídas cm 59 famílias c 118 gêneros. As famílias com maior riqueza foram Myrtaceac (30 espécies), Lauraccae (20), Mclastomataccac (17) c Fabaccac ( 13) Os três tipos de vegetação estudados, associados a diferentes condições ambientais, diferem entre si cm sua composição e estrutura. A floresta aluvial revelou-se com reduzida diversidade, baixa estatura c alta dominância ecológica A floresta nebular destacou-se por apresentar elementos típicos de altitude em detrimento de espécies frequentes na região abaixo da escarpa da serra, onde a diversidade foi maior. A flora arbórea da Serra Negra, formada pelo conjunto das áreas estudadas, apresenta um conjunto considerável de elementos com distribuição característica de ambientes montanhosos do Sudeste do Brasil. Palavras-chave: ecologia de comunidades, flora arbórea, gradiente de altitude, floresta nebular, floresta ombrófila aluvial. Abstract Serra Negra is a region surrounded by some stretchcs of mountain, covered by Atlantic Forests and eloud serubs locatcd in the Southern part of Zona da Mata of Minas Gerais, in Serra da Mantiqueira, be.ween the rises of the massif of Itatiaia (RJ, SP e MG) and the Serra do Ibilipoea (MG). The aim of this study was to determine the compositíon, structure and florístic similarity of arboreal flora among three forest types of Atlantic Forest (Alluvial, Montane and Cloud Forest) and also the similarity with other stud.es. A total of 2,572 individuais was samplcd, from 194 spccics, 59 families and 1 18 genera. The highcs, number of specics was reeordcd in the families Myrtaccae (30 morphospecics), Lauraccae (20), Mclastomataccac ( 1 7) and Fabaccac (13) The three vegetation types associated with dilTercnt environmental conditions diffcr tn thc.rcompos.t.on and structure The alluvial proved with low diversity and stature and high ceologieal dominancc. The eloud forest stood out for its typical elements of altitude over other common spcctes tn the arca bclow the range, where diversity was higher. The tree flora of Sierra Negra presents various indica.or species to charae.ens.tc distribution of highlands of southcastcm Brazil. Kcy words: community ccology, tree flora, altitudinal grad.cnt, eloud forest, alluvial forest. Introdução A Mata Atlântica mineira é a maior área tio bioma numa unidade da Federação, mesmo sem considerar disjunções nos outros domínios do estado, o que evidencia a responsabilidade deste na conservação do bioma (Meira-Neto 2006). Na Zona da Mata mineira, cinco formações da Floresta Atlântica são encontradas, sendo elas as florestas ombrófilas baixo-montana e alto- montana c as florestas estacionais semidcciduais submontana, baixo-montana e alto-montana (Valente et al. 2006). Essas formam um conjunto de . r c .|,, n i a, juiz dc Fora. Instituto dc Ciências Biológicas. 36036-330, Juiz de Fora. MO, Brasil. JgramadcPós-Graduaçiio cm Ecologia. Universidade Federal ücJu.mil tora. aversidade Federal de M, nas Gera, s. Dcpto. Botânica, 31270-901, Belo Horizonte. MG. B»tl. itor para correspondência: artvaIcnte@yahoo.com.br SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 18 cm .. 322 ecossistemas da Floresta Atlântica, inseridos no grande domínio dos “mares de morros”, na porção sul-oriental de Minas Gerais. O nível de interiorização da Mata Atlântica em Minas Gerais e interior fluminense perfaz de 500 a 600 km, comportando sempre florestas tropicais de planaltos, dotados de clima mesotérmico, com 1 8 o a 20°C de temperatura e 1 .300 a 1 .600 mm de precipitações anuais (Ab'Sáber2003j. Reiteram-se os fortes acréscimos de chuvas e nevoeiros na fachada atlântica das serras do Mar e da Mantiqueira (Ab’ Saber 2003). Naturalmente, devido à ampla extensão territorial de Minas Gerais, ocorrem diferenciações florísticas com as variações espaciais, como as de latitude e grau de interiorização (Oliveira-Filho & Fontes 2000). Porém, em menor escala, a heterogeneidade fitof sionômica e florística apresenta intríseca relação com a heterogeneidade ambiental local (Durigan et al. 2000; Pereira et al. 2007). Estas peculiariedades e/ou dissimilaridades estruturais e de composição podem ser decorrentes da altitude (Pendry & Procter 1996), de propriedades do solo (Oliveira-Filho et ui 1994; Tomes etal. 1997;Dalanesi et al. 2004; Carvalho et al. 2005) e do nível de encharcarmento do substrato (Rodrigues & Leitão Filho 2004). Outros fatores associados à altitude foram estudados como causas diretas dessas variações (Damasceno-Júnior 2005), como a diminuição da temperatura mínima e aumento da nebulosidade. Em florestas tropicais, as diferenças florísticas ao longo do gradiente de altitude ocorrem com mudanças na estrutura (Lieberman et al. 1996; Whitmore 1 998; Meireles et al. 2008) e na riqueza e diversidade de famílias e espécies, padrões já bem detalhados para as florestas andinas (Gentry 1 995) e brasileiras (Rodrigues 1989; Guedes 1998; Oliveira- Filho & Fontes 2000; Sanchez 2001 ; Meireles et al. 2008). A caracterização das florestas de altitude e suas relações florísticas tomam-se importantes, pois permitem a compreensão dos padrões de diferenciação florística existentes nas serras da costa atlântica (Oliveira-Filho etal. 2005; Soares etal. 2006; Pereira etal. 2006). A serra da Mantiqueira abrange parte dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Em Minas Gerais, encontram-se neste complexo serrano cerca de 20% dos remanescentes da Mata Atlântica, bioma reduzido a pouco mais de 4% de sua cobertura original no estado (Costa & Herrmann 2006). A Serra Negra, componente do complexo da Mantiqueira, está incluída na região denominada Bom Jardim, com alta prioridade para a Valente, A.S.M. et al conservação da flora de Minas Gerais, sendo recomendada a investigação científica em forma de inventários, devido à alta diversidade e ao baixo conhecimento científico da área (Drummond et al. 2005). Desta forma, este estudo contribui pioneiramente para o conhecimento das comunidades florestais dessa área. O presente estudo desenvolveu-se em três fragmentos de tipos florestais distintos na Serra Negra, MG, com os objetivos de descrever, para cada área, a composição e diversidade florística do estrato arbóreo, bem como sua estrutura horizontal e vertical; e comparar a similaridade entre os três fragmentos e destes com outros estudos na Serra da Mantiqueira. Material e Métodos Área de estudo O estudo foi realizado na região da Serra Negra, que compõe a microbacia do Ribeirão do Funil, situada no município de Rio Preto (22°05’S e 43°49’W), na região sul da Zona da Mata mineira (Fig. 1). Esta serra, cuja altitude máxima está a 1 .698 m, é uma elevação de rochas quartzíticas semelhantes às da Serra do Ibitipoca. da qual dista cerca de 20 km em linha reta ao norte. A paisagem constitui um mosaico de florestas e campos rupestres, cujas características são pouco estudadas. O clima é do tipo Cwb, segundo classificação de Küppen (Peei et al. 2007), mesotérmico úmido, com invernos secos e frios e verões brandos e úmidos. A média da precipitação anual, entre 1946 e 2004, foi de 1 .886 mm e mediana de 1 .902 mm segundo dados da Prefeitura Municipal de Rio Preto, Estação Metereológica da vila do Funil. Caracterização dos fragmentos Mata Aluvial (22°00‘ 13”S e 43°53’ 1 8"W): fragmento de 9,2 ha, a cerca de 900 m de altitude. Compreende um trecho de embaciamento, periodicamente inundado pela elevação do nível freático, com microrrelevo composto de murundus e depressões. O substrato é argiloso (Tab. 1 ) com drenagem muito pobre. É conhecida localmente por Mata de Cambuí, uma referência ao nome popular da espécie Myrciaría tenella (DC.) O.Berg. que predomina nesta área. A formação classifica-se como floresta ombrófila densa aluvial, de acordo com Veloso et al. ( 1 99 1 ), c floresta latifoliada pluvial perenifólia tropical inferomontana inundável. de acordo com Oliveira-Filho (2009a). Rodriguèsia 62 ( 2 ): 32 1 - 340 . 20 1 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Composição, estrutura e similaridade florística. Rio Preto, MG SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 Figura 1 - Mapa com a localização dos três trechos inventariados cm um levantamento fitossociológico da comunidade írbórea realizado na Serra Negra, em Rio Preto (MG), e as áreas aplicadas nas anál.scs de smulandadc e agrupamento. ‘ST SpÍdi^rrcSn of sarnpled arcas for phytosociology studies in Serra Negra, Rio Preto (MO), and app.ied arcas n the similarity and clustcr analysis. (image from Google Earth map Service Mata montana (2I°59'57”S e 43°53’27”W): trecho interfluvial com 10,7 ha ca 1 .(XX) m de altitude, cm relevo ondulado e solo de textura média (Tab. 1 ). Este fragmento pertenceu à antiga fazenda Eunil. limítrofe à mata aluvial. A formação classifica-se como floresta ombrófila densa montana, de acordo com Veloso i -tal. (1991), e floresta lati foliada pluvial perenifólia tropical inferomontana interfluvial, de acordo com Oliveira-Filho (2(X)9). Mata nebular (21°58’35”S e 43°52 , 44”W): trecho de 4,5 ha situado em faixa altitudinal de 1 .300 m, onde predomina o relevo escarpado, de lomias abruptas c rochosas. A mata situa-se em fundo de vale, cm forma suave côncava ou platô, c o solo é arenoso (Tab. I ). A formação florestal classifica-se como floresta ombrófila densa alto-montana, de acordo com Veloso et aí. ( 1991 ).c floresta lati foliada nebular perenifólia tropical superomontana interfluvial, de acordo com Oliveira-Filho (2(XW). Procedimento de amostragem A amostragem fitossoeiológica ocorreu entre maio de 2005 c dezembro de 2006, pelo método de parcelas (Mucllcr-Dombois & Ellcmbcrg 1974). Em Rodriguésià 62 ( 2 ): 321 - 340 . 2011 Grupos Altitude (m) UPGMA ■ 0-300 Ô / ■ 300-700 ■ 700-1100 ■ 1100-1800 D >1800 cm .. 324 Tabela 1 - Classe textural e níveis médios dos parâmetros de fertilidade do solo na profundidade de 0-20 cm nos trechos da mata aluvial, mata montana e mata nebular. Rio Preto, MG. SB = soma de bases trocáveis (K+Ca+Mg), (t) = Capacidade de Troca Catiônica Efetiva, (T) = Capacidade de Troca Catiônica a ph 7,0, V = índice de Saturação de Bases, m = índice de Saturação de Alumínio, MO = Matéria orgânica, P-rem = Fósforo remanescente. Análise real izada pelo Departamento de Ciências do Solo, Universidade Federal de Lavras. Tablc 1 - Textural class and middle leveis ofthc parameters of soil fertility at a depth ofO-20 cm in parts of Alluvial Forest, Lowcr Montanc Forest and Cloud Forest, Rio Preto, MG, Brazil. SB = sum of exchangeablc bases (K + Ca + Mg), (t) = EITectivc Cation Exchange Capacity (T) = Cation Exchange Capacity at pH 7.0, V = Base Saturation Index, m = Aluminum Saturation Index, OM = Organic Matter, P-rem = Remaining Phosphoms. Analysis by Departamento de Ciências do Solo, Universidade Federal de Lavras. Parâmetros de fertilidade Aluvial Argilosa Fragmento Montana Classe textural Média Nebular Arenosa PH (H.O) 3,9 4,1 3,7 P mg/dm’ 3,1 1,4 2.8 K 47 28 39 Ca : * cmol/dm’ 0,5 0,4 0,7 Mg : * 0,2 0,1 0,2 AP* 3,4 1,8 2.2 H+Al 15,3 11 11 SB cmol/dm 3 0,8 0,6 1 0) 4,2 2,4 3,2 (T) 16,1 11,6 12 V % 5,1 4.9 8,3 m 81 76 69 MO dag/kg 5,4 3,4 3,4 P-rem mg/L 7,5 14.7 35,7 cada fragmento foram estabelecidas 25 parcelas contíguas de 1 0 x 1 0 m, totalizando 0,75 ha, com os maiores eixos dos blocos de parcelas paralelos às curvas de nível do terreno. Amostraram-se todos os indivíduos arbóreos ou arborescentcs com circunferência a 1,30 m acima do solo (CAP) maior ou igual a 1 0 cm, sendo os espécimes perfilhados (múltiplos caules) inventariados quando a circunferência quadrática fosse igual ou maior ao critério de inclusão. Os indivíduos receberam plaquetas de alumínio numeradas e tiveram a altura estimada por comparação com vara de alta-poda. As árvores mortas em pé, por dividirem espaço com as demais, foram Valente. A.S.M. et al. amostradas e agrupadas na classe “mortas”. Os indivíduos não coletados e não identificados em campo foram agrupados na classe “desconhecidas”. O material botânico de cada espécie foi coletado, herborizado e, quando fértil, incorporado no acervo do Herbário CESJ da Universidade Federal de Juiz de Fora. Foram calculados os parâmetros fitossociológicos (Mueller-Dombois & Ellemberg 1974) para a estrutura horizontal em cada fragmento, processadas pelo software Fitopac 1 (Shcpherd 1994), sendo eles: densidade relativa (DR), frequência relativa (FR); dominância relativa (DoR) c valor de importância (VI). Os parâmetros densidade absoluta e área basal computados por parcelas foram comparados através de ANOVA- unifatorial associada ao teste de médias de Tukcy (Ayres et al. 2007), com a finalidade de diagnosticar diferenças estruturais entre as áreas. Foram preparados histogramas de frequência da distribuição de indivíduos por classes de diâmetro e altura, que posteriormente foram comparadas pelo teste Qui-Quadrado de partição (Ayres et al. 2007) para verificar diferenças entre os fragmentos. O índice de diversidade de Shannon, a equabilidade de Pielou e os estimadores de riqueza Jackknife de 1* e 2“ ordens foram calculados de acordo com Kent & Coker (1992). Os índices de diversidade obtidos foram comparados através do procedimento proposto por Hutcheson (Zar 1996). Os coeficientes de similaridade de Jaccard e Sorensen (Kent & Coker 1992) foram calculados dentre os três fragmentos estudados e entre a composição fiorística geral e levantamentos no maciço do Itatiaia, Mantiqueira Sul e Norte e Vale do Paraíba do Sul. As relações fiorísticas entre a comunidade arbórea da Serra Negra e demais locais foram observadas a partir da construção de um dendrograma com a medida de distância de Srirensen, utilizando o algoritmo UPGMA. através do software PC-Ord 4.0 (McCune & Mefford 1 999). Com o auxílio do PC-OnJ 4.0 (McCune & Mefford 1999), foi efetuada a Análise de Correspondência Destcndenciada (DCA) para verificação do gradiente de substituição de espécies arbóreas entre os três fragmentos. A DCA foi efetuada a partir da matriz de abundância das espécies por parcela, eliminando-se aquelas representadas por um único indivíduo. A identificação das espécies foi feita por meio de comparação com exsicatas depositadas nos herbários CESJ e RB, consulta a especialistas e literatura disponível. A classificação taxonômica foi efetuada segundo o proposto pelo Angiosperm Phylogeny Group ( APGII ), de acordo com Souza & Rodriguésía 62 ( 2 ): 321 - 340 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 cm Composição, estrutura e similaridade floristica, Rio Preto, MG Lorenzi (2005) para o nível de famílias. As identificações das espécies foram atualizadas seguindo Oliveira-Filho (2006) e Trópicos (2010). O sistema fitogeográfico adotado na classificação das comunidades inventariadas foi o de Oliveira-Filho & Fontes (2000), com os domínios e sub-domínios propostos por Oliveira-Filho (2006). Utilizou-se o banco de dados TreeAtlan 1.0 de Oliveira-Filho (2009b) para a descrição da distribuição das espécies pelos tipos florestais. Resultados Para os 7.500 m 2 estudados, incluindo as matas aluvial, montanae ncbular, foram amostrados 2.572 indivíduos, identificados em 194 espécies, incluídos em 59 famílias e 1 18 gêneros (Tab. 2). O índice de diversidade de Shannon e a equabilidade de Pielou para o conjunto das três áreas foram, respectivamente, de 4, 1 1 e de 0,76, sendo que o intervalo estimado para a riqueza específica da comunidade arbórea variou entre 241 e 247 espécies. A riqueza inventariada representou entre 78 e 80% das espécies esperadas 325 segundo os estimadores Jackknife de 1" c 2° ordens (Tab. 2). Todas as comparações dos índices de Shannon foram significativamente diferentes (P < 0,001) pelo teste de Hutcheson. As famílias com maior riqueza foram Myrtaceae (30 espécies), Lauraceae (20), Melastomataceae ( 1 7) e Fabaccac ( 1 3). Os gêneros com maior número de espécies foram Ocotea e Miconia (12), Eugenia e Myrcia (8) e Casearia e Solanum (4). As espécies mais abundantes foram Myrciaria tendia (519), Alchornea triplinervia (259), Aparisthmium cordatwn (94), Guapira venosa (7 1 ), Eugenia widgreniilfii), Psychotria vellosiana (59), Phyllostemonodaphne geminiflora (45), Maytenus salicifolia (40), Myrcia splendens (37), Psychotria stachyoides (34) e Calyptranthes widgreniana (33), correspondendo a 49% do total. Analisando-se cada um dos tipos florestais separadamente, verificaram-se níveis inferiores de riqueza e diversidade em relação ao conjunto das áreas, além das diferenças fiorísticas c estruturais. Na mata aluvial, foram encontradas 26 espécies (Tab. 3), incluídas em 23 gêneros e 1 5 famílias, que, Tabela 2 - Parâmetros de estralara, aboittlâacia. riqueza e diversidade para a sinúsia arbórea nos tieeltos da mata aluvial, mata mon.ana e mata nebular. Rio Preto. MG. DA - densidade de arvotes vtvas (md.ba >! AB - área basG do, indivíduos vivos ba ÃB - área basal média dos indivíduos ; vivos P»r parcela; N - numero de m , Gd os N = número médio de indivíduos vivos por pareelatN.fam- número de famibastN.spp— numero de espécies, H-indlce de Shannon J- Equabilidade, SUackl) - estimador de riqueza de cspccics de Jackkmle de 1 onlem, S(jaek2) estimado, dit riqueza de espécies de Jackknife de 2' ordem. Diferentes letras evidenciaram dtlerença, eslailslicas significantes ao nível a = 0,05. r MonUme Forest nnd cioud Forcst. <ç?>- or,p “ 1 “ 1 ‘ ” J 2 nJ order jackknife, respcctivcly. Dislinct letters show s.gmficant dlfTcrcnccs a. U - 0.05. Arca DA AH Ãií N N NJam N.spp ir j S(jackl) S(jack2) Aluvial IVIontuna Ncbular Conjunto tlasári 2.7% 3.744 3.428 3.322.66 2535 36,63 38,15 33,41 0,253 (±0,07 1)“ 0,366 (±0,1 48) b 0,382 (±0. 1 35) h 0,334 (±0.1 34) 712 984 876 2.572 27.96 (±6,87/ 37,44 (±8, 7 f 34.28 (±9, 23 f 33,22 (±9, 12) 15 49 33 59 26 127 81 194 IJ 4,19' 3,42 K 4,11 0,39 0,86 0,77 0,76 35 153 107 241 40 156 U5 247 Rodriguésia 62(2): 3Z 1 -340. 20 1 1 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 326 Valente. A.S.M. et al. somadas às árvores mortas em pé ( 1 3 ind.), resultaram em 712 indivíduos. O índice de diversidade de Shannon foi de 1,3 para uma equabilidade de 0,39 (Tab. 2). Dentre as espécies melhor representadas de acordo com o VI destacaram-se Myrciaria tenella , Calyptranthes widgreniana e Alchomea triplinervia que perfizeram 66,4% do total, sendo que a única que esteve presente em todas as unidades amostrais foi M. tenella (Tab. 3). Na mata montana foram encontradas 127 espécies (Tab. 4), incluídas em 92 gêneros e 49 famílias, que, somadas às árvores mortas em pé (48 ind.) e às desconhecidas ( 6 ind.), resultaram em 984 indivíduos. O índice de diversidade de Shannon foi de 4, 1 9 para uma equabilidade de 0,86 (Tab. 2). Myrtaceae (19), Lauraceae (14), Fabaceae (9) e Rubiaceae (7), destacaram-se pela riqueza específica. As 20 espécies de maior VI representaram cerca de 47% do VI total. Na mata nebular foram encontradas 84 espécies (Tab. 5), incluídas em 53 gêneros e 33 famílias, que, somadas às árvores mortas em pé (19 ind.) e às desconhecidas (10 ind.), resultaram em 876 indivíduos. O índice de diversidade de Shannon foi de 3,42 para uma equabilidade de 0.86 (Tab. 2). As Tabela 3 Parâmetros fitossociológicos das espécies arbóreas amostradas na mata aluvial, na serra Negra Rio Preto, MG. N - número de indivíduos; DR = densidade relativa; DoR = dominância relativa; FR = frequência relativa; VI = valor de importância. T ã ble a 3 T P ^ t0S0C ! 0l0gÍ “ l P arametcrs oftree s P e C'« sampled in Alluvial Forest, Serra Negra, Rio Preto, MG. N = number of mdlVlduals; DR “ relatlve densl, y- DoR = rc,al ‘ ve dominante = FR = relative frequency; VI = importance value. Espécies Myrciaria tenella (DC.) O.Berg Calyptranthes widgreniana O.Berg Alchomea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg. Mortas Casearia sylvestris Sw. Nectandra oppositifolia Nees & Mart. Matayba junglandifolia Radlk. Alchomea sidifolia Müll. Arg. Sorocea bonplandii (Baill.) W.C.Burger, Lanj. & Wess.Boer Vernonanthura divaricata (Spreng.) H.Rob. Myrcia guianensis (Aubl.) DC. Citpania vernalis Cambess. Peritassa flaviflora A.C.Sm. Andira fraxinifolia Benth. Seguieria langsdorfti Moq. Mimosa bimucronata (DC.) Kuntze Eugenia cf. melanogyna (D.Legrand) Sobral Marlierea obscura O.Berg Casearia lasiophylla Eichler Tibouchina estrellensis (Raddi) Cogn. Ouratea pamjlora (DC.) Baill Zollernia ilicifolia (Brongn.) Vogei Miconia sp. 2 Aniba finnula (Nees & Mart.) Mez Dictyoloma vandellianum A.Juss. Miconia stenostachya DC. Mollinedia schottiana (Spreng.) Perk N DR DoR FR VI 519 72,89 65,02 16,45 15436 31 4,35 7,64 1 1.84 23,84 38 5,34 6,58 931 21,13 13 1.83 5,45 734 1431 19 2,67 2,9 638 1315 13 1,83 2,38 5,92 10,13 12 1,69 1.5 638 9.76 10 1,4 2,88 536 935 8 U2 13 3,95 6,37 9 1.26 0,79 3,95 6 9 1,26 032 3,95 533 5 0.7 132 339 531 5 0,7 0,23 1,97 2.91 3 0,42 031 1,97 39 3 0,42 031 1,97 371 2 0,28 0,12 1,32 1,71 2 0,28 0,09 132 1,69 2 0,28 0,08 1,32 1,67 1 0,14 03 0,66 1 1 0,14 0,11 0,66 0,91 1 0,14 0,1 0,66 0,89 1 0,14 0,08 0,66 0.88 1 0,14 0,07 0,66 0,87 1 0,14 0,04 0,66 0,84 1 0.14 0.04 0,66 0.84 1 0.14 0.03 0.66 0.83 1 0,14 0.01 0.66 0.81 Rodriguésia 62 ( 2 ): 321 - 340 . 2011 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 18 cm 327 Composição, estrutura e similaridade floristica, Rio Preto, MG Tabela 4 - Parâmetros fitossociológicos das espécies arbóreas amostradas na mata montana, na Serra Negra, Rio Preto, MG. N = número de indivíduos; DR = densidade relativa; DoR = dominância relativa; FR = frequência relativa; VI = valor de importância. Table 4 - Phytosociological parameters of tree spccies samplcd in Mon individuais; DR = relative density, DoR = relative dominancc - FR - rcl. Espécie Aparisthmium cordatum (Juss.) Baill. Mortas Eugenia widgrenii Sonder ex O.Berg Xylopia brasiliensis Spreng. Cryptocarya micrantha Meisn. Litania kunlhiana Hook.f. Ocotea lancifolia (Schott) Mez Maytenus salicifolia Reissek Ocotea odorífera (Vell.) Rohwer Ocotea aciphylla (Nees) Mez Abarema langsdorffii (Benth.) Barneby & J.W.Grimes Geonoma schottiana Mart. Vinda bicuhyba (Schott) Warb. Posoqueria latifolia (Rudge) Roem. & Schult. Beilschmiedia taubertiana (Schwacke & Mez) Kosterm. Lacistema pubescens Mart. Gymnanthes concolor (Spreng.) Müll.Arg. Erythroxylum pelleterianum A.St.-Hil. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin Spirotheca rivieri (Dccne.) Ulbr. Copaifera langsdorffii Desf. Psychotria vellosiana Benth. Myrcia sp. 3 Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand Eugenia acutata Miq. Eugenia involucrata DC. Amaioua guianensis Aubl. hora brevifolia Benth. Tapirira obtusa (Benth.) J.D.Mitch. Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. Guatteria australis A.St.-Hil. Coussarea verticillata Müll.Arg. Ocotea ajf. lobbii (Meisn.) Rohwer Guapira graciliflora (Schmidt) Lundell Byrsonima myricifolia Griseb. Sloanea stipitata Sprucc ex Benth. Protium spruceanutn (Benth.) Engl. Prunus myrtifolia (L.) Urb. Copaifera trapezifolia Hayne Myrcia splendens (Sw.) DC. Forcst, Serra Negra, Rio Preto, MG. N frcqucncy; VI = importance valuc. = number of N DR DoR FR VI 9\ 9,55 4,58 3,35 17,48 48 4,88 5,26 3,51 13,65 63 6,40 1,66 3,19 1 1,26 20 2,03 6,23 2,24 10,50 20 2,03 5,73 1,92 9,68 8 0,81 6,49 0,96 8,26 20 2,03 4,52 1,60 8,15 40 4,07 1,98 2,08 8,12 15 1,52 3,78 1,76 7,06 12 1,22 3,98 1,44 6,64 2 0,20 5,16 0,32 5,69 27 2,74 0,28 2,56 5,58 13 1,32 2,96 1,28 5,56 16 1,63 2,08 1,60 5,30 20 2,03 0,95 2,24 5,22 20 2,03 0,89 2,24 5,16 21 2,13 0,77 2,24 5,14 21 2,13 0,50 1,92 4,55 19 1,93 0,69 1,76 4,38 17 1,73 0,54 2,08 4,34 14 1,42 1,04 1,76 4,22 17 1,73 0,30 2,08 4,10 19 1,93 0,35 1,76 4,03 12 1,22 1,15 1,44 3,80 13 1,32 0,51 1,92 3,75 14 1,42 0,40 1,76 3,58 16 1,63 0,34 1,44 3,40 9 0,91 0,93 1,44 3,28 7 0,71 1,52 0,96 3,19 12 1,22 0,86 U2 3,19 9 0,91 1,05 0,96 2,92 13 1,32 0,62 0,96 2,90 7 0,71 1,18 0,96 2,85 8 0,81 0,77 1,12 2,70 5 0,51 1,32 0,80 2,63 7 0,71 1,19 0,64 2,54 8 0,81 0,56 1.12 2,50 9 0,91 0,38 1.12 2,42 10 1,02 0,42 0,96 2,40 7 0,71 0,69 0,96 2,36 Rodriguésla 62(2): 321-340. 201 1 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 328 Valente, A.S.M. et ai. Espécie Byrsonima laxiflora Griseb. Desconhecida M a t ay ba juglandifolia Radlk. Mollinedia widgrenii A.DC. Neomitranthes sp. 1 Alchornea triplinervia(Sprcng.) Müll.Arg. Lap lace a fruti cosa (Schrad.) Kobuski Duguetia lanceolata A.St.-Hil. Puuteria gardneriana (A.DC.) Radlk. Casearia arbórea (Rich.) Urb. Tabernaemontana laeta Mart. Guapira opposita (Vell.) Reitz Sloanea guianensis (Aubl.) Benth. Campomanesiaci. lundiana (O.Berg) Kiaersk. Miconia urophylla DC. Myrsine umbellata Mart. Garcinia brasiliensis Mart. Cybianthus peruvianus (A.DC.) Miq. Guapira venosa (Choisy) Lundell Dalbergia nigra (Vell.) Allemão ex Benth. Hirlella glandulosa Spreng. Jacaranda puberula Cham. Vochysia schwackeana Warm. Quiina glaziovii Engl. Vernonanthura divaricata (Spreng.) H.Rob. Maytenus glazioviana Loes. Qualea gestasiana A.St.-Hil. Chrysochlamys saldanhae (Engl.) Oliveira-Filho Cheiloclinium cognatum (Miers.) A.C.Sm. Miconia tristis Spring Miconia sp.4 Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez Leucochloron incuriale (Vell.) Barneby & J.W.Grimes Myrcia cf. palustrisDC. Ouratea pannflora (DC.) Baill. Calyptranthes widgreniana O.Berg Lamanonia temata Vell. Allophylus edulis (A.St.-Hil., Cambess. & A.Juss.) Radlk. Vismia magnoliifolia Schltdl. & Cham. Micropholis gardneriana (A.DC.) Pierre Cupania ludowigii Somner & Ferruci Daphnopsis coriacea Taub. Chomelia sericea Müll.Arg. Maprounea guianensis Aubl. Picramnia glazioviana Engl. N DR DoR FR VI 5 0.51 1,18 6 0,61 0,75 7 0,71 0,48 8 0,81 0,32 10 1,02 0,21 3 0,30 1,32 3 0.30 130 7 0,71 0,85 2 0,20 134 3 0,30 130 8 0.81 0,19 6 0,61 030 3 0.30 0,94 4 0,41 0,61 7 0,71 0.13 7 0,71 032 5 0,51 036 6 0,61 0,16 5 0.51 0,17 2 030 0,95 3 0,30 0,68 4 0.41 0.35 5 0.51 0,18 2 0,20 0,92 3 0,30 0,43 2 0,20 0,68 2 030 0,68 6 0,61 0,10 2 0,20 0,65 4 0.41 0,13 4 0.41 0,44 4 0,41 0,12 4 0,41 0,09 4 0,41 0,07 4 0,41 0,05 2 030 032 1 0.10 0.76 3 0,30 0,32 3 0,30 0.31 3 030 0,10 3 0,30 0,24 3 0,30 0.05 3 0,30 0,05 2 0.20 0.31 3 0.30 0.05 0,64 233 0,96 232 1,12 231 U2 235 0.96 2,19 0,48 2,10 0,48 2,08 0,32 1,88 032 1.86 032 1,83 0.80 1,80 0.96 1,77 0.48 1,72 0.64 1,66 0.80 1,64 0,64 137 0,80 137 0,80 137 0,80 1,48 032 1,48 0,48 1,47 0.64 1,39 0.64 133 0,16 138 0,48 \22 032 131 032 131 0.48 1,19 032 1,18 0.64 1,18 0,32 1,17 0,64 1,16 0,64 1,14 0.64 1,11 0.64 1.10 0,32 1,04 0,16 1.02 0,32 0,94 0,32 0.93 0,48 0,88 0,32 0.87 0,48 0.84 0,48 0.83 0.32 0.48 0,83 0,83 Rodríguésia 62(2): 321-340. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Composição, estrutura e similaridade florística, Rio Preto. MG Espécie Myrcici guianensis (Aubl.) DC. Gitarea macrophylla Vahl Platypodium elegans Vogei Heisteria silvicmii Schwacke Ocotea bicolor Vattimo-Gil Ocotea minarum (Nees) Mez Tenninalia cf. triflora (Griseb.) Lillo Sacoglottis mattogrossensis Malme Styrax polilii A.DC. Cabralea canjerana ( Vell.) Mart. Sloanea monosperma Vell. Aniba firmula (Nees & Mart.) Mez Tapirira guianensis Aubl. Ile.x theezans Mart. ex Reissek Cordia trichotoma (Vell.) Arrab. ex Steud. Eugenia cerasiflora Miq. Capsicodendron dinisii (Schwacke) Occhioni Solanum pseudoquina A.St.-Hil. Schefflera morototoni (Aubl.) Maguirc et al. Persea sp. Trichilia emarginata (Turcz.) C.DC. Kielmeyera coriacea Mart. & Zucc. Eugenia brasiliensis Lam. Neomitranthes sp. 2 Lithraea molleoides (Vell.) Engl. Siphoneugena densiflora O.Bcrg Dictyoloma vandellianum A.Juss. Eugenia sp. 2 Inga tenuis (Vell.) Mart. Persea sp. 2 Xylosma prockia (Turcz.) Turcz. Marlierea laevigata (DC.) Kiaersk. Psidium myrtoides O.Berg Pseudopiptadenia warmingii (Bentli.) G.P.Lewis & M.PLima Agonandra excelsa Griseb. Siphoneugena widgreniana O.Berg Ocotea glaziovii Mez Psychotria suterella Miill.Arg. Myrsine coriacea (Sw.) Roem. & Schult. Miconia sp. 1 Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler) Engl. Ormosia arbórea (Vell.) Harms Eugenia sp. 1 Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Mez Rodrlguésia 62 ( 2 ): 321 - 340 . 201 1 329 N DR DoR FR VI 0.30 0,04 0,48 0,82 0,30 0,03 0,48 0,82 0,10 0,55 0,16 0,81 0,20 0,28 0,32 0,80 0,20 0,42 0,16 0,78 0,20 0,12 0,32 0,64 0,20 0,12 0,32 0,64 0,20 0,11 0,32 0,63 0,20 0,10 0,32 0,63 0,30 0,15 0,16 0,61 0,20 0,07 0,32 0,59 0,20 0,07 0,32 0,59 0,20 0,06 0,32 0,58 0,20 0,05 0,32 0,58 0,20 0,05 0,32 0,58 0,20 0,04 0,32 0,56 0,10 0,30 0,16 0,56 0,20 0,03 0,32 0,56 0,20 0,02 0,32 0,55 0,10 0,24 0,16 0,50 0,10 0,22 0,16 0,48 0,10 0,21 0,16 0,47 0,20 0,09 0,16 0,45 0,20 0,07 0,16 0,44 0,10 0,16 0,16 0,42 0,10 0,14 0,16 0,40 0,10 0,12 0,16 0,38 0,10 0,10 0,16 0,36 0,10 0,09 0,16 0,35 0,10 0,05 0,16 0,31 0,10 0,03 0,16 0,29 0,10 0,03 0,16 0,29 0,10 0,02 0,16 0,29 0,10 0,02 0,16 0,28 0,10 0,02 0,16 0,28 0,10 0,01 0,16 0,27 0,10 0,01 0,16 0,27 0,10 0,01 0,16 0,27 0,10 0,01 0,16 0,27 0,10 0,01 0,16 0,27 0,10 0,01 0,16 0,27 0,10 0,01 0,16 0,27 0,10 0,01 0,16 0,27 0,10 0,01 0,16 0,27 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm 330 Valente. AS.M. et aL 1 abcla 5 - Parâmetros fitossociológicos das espécies arbóreas amostradas na mata nebular, na Serra Negra, Rio Preto, MG.. N = número de indivíduos; DR = densidade relativa; DoR = dominância relativa; FR = frequência relativa; A.Mcd. = altura media; VI = valor de importância. Tablc 5 - Phytosociological parameters of tree spccics sampled in ( individuais; DR - rclativc density, DoR - rclativc dominante = FR = i Espécies Alchomea triplinervia (Spreng.) Müll. Aig. Solanum cinnamomeum Sendtn. Guapira venosa (Choisy) Lundell Phyllostemonodaphne geminiflora (Mc/.) Kosterm. Psychotria velloziana Bcnth. Solanum leucodendron Sendtn. Myrcia splendens (Sw.) DC. Morto Psychotria stachyoides Bcnth. Cordia tríchoclada DC. Myrcia fenzliana O.Berg Annona cacans Wami. Prunus myrtifolia (L.) Urb. Miconia urophylla DC. Tibouchina granulosa (Dcsr.) Cogn. Guatteria australis A.St-Hil. Ilex paraguariensis A.St.-Hi 1 . Drymis brasiliensis Micrs Tibouchina sp 3 Desconhecida Miconia buddlejoides Triana Cecropia hololeuca Miq. Inga sessiUs (Vell.) Mart. Myrcia spl Myrcia sp2 Cyathea delgadii Stcrnb. Aegiphila sellowiana Chain. Geonoma schottiana Mart. Posoqueira latifolia (Rudge) Roem. & Schult. Cabralea canjerana (Vell.) Mart. Myrcia guianensis (Aubl.) DC. Chomelia sericea Müll.Arg. Mollinedia triflora (Spreng.) Tul. Euterpe edulis Mart. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudin Cupania vernalis Cambcss. Eugenia widgrenii Sondcr ex O.Berg Coussarea verticillata Müll.Arg. Miconia tentaculifera Naudin Meriania claussenii Triana Cordia sUvestris Frescn. Forcst, Serra Negra, Rio Preto. MG. N .'C frcqucncy; VI = importante valuc. = number N DR DoR FR VI 218 24.89 41.% 5.85 7270 18 2,05 li. a) 338 1634 64 731 3,88 4.92 1611 45 5.14 134 3.98 10.66 41 4.68 137 338 933 3) 238 338 331 937 30 3,42 135 338 836 19 2.17 2,45 281 7.43 34 3.88 0.71 238 7.17 7 0,80 4,68 1,17 6.65 14 1,60 2.41 238 638 3) 238 1.42 281 632 10 U4 3.03 211 637 16 1,83 036 338 5.47 9 1.03 2.67 1.41 5.11 17 1.94 0.46 211 431 13 1.48 034 234 436 12 137 036 234 4.08 9 1,03 1.45 1.41 3.88 10 1.14 039 211 3.84 13 1.48 030 211 3.79 4 0.46 235 0.94 3.74 10 1.14 0.61 1.87 3.62 13 1.48 033 1.64 335 14 1.60 036 1.17 3.13 7 0.80 0.69 1.64 3.13 10 1.14 0.78 1.17 3.09 9 1.03 0.13 1.87 3.03 9 1,03 031 1.64 298 10 1.14 032 1.41 286 10 1.14 0.13 1.41 268 7 0,80 034 1.41 234 10 1.14 030 0.94 238 6 0.68 030 1.41 229 6 0.68 039 U7 215 6 0.68 039 1.17 215 7 0.80 0.12 1.17 209 8 0.91 0.17 0.94 202 6 0.68 0.18 0.94 1.80 1 0.11 1.43 033 1.77 6 0.68 036 0.70 1.74 Rodhguèsia 62(2): 321-340. 201 1 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 Composição, estrutura e similaridade florística, Rio Preto, MG 331 Espécies Citronella paniculata (Mart.) R.A.Howard Guapira opposita (Vell.) Reitz Vernonanthura divaricata (Spreng.) H.Rob. Ocotea dispersa (Nees) Mez Piptocarpha macropoda Baker Seguieria langsdorfii Moq. Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez Miconia doriana Cogn. Cryptocarya micrantha Meisn. Tibouchina mutabilis Cogn. Sloanea guianensis (Aubl.) Benth. Aspidosperma olivaceutn Müll.Arg. Ocotea catharinensis Mez Myrceugenia sp. Macropeplus dentatus (Perkins) I. Santos & Peixoto Ocotea laxa (Nees) Mez Byrsonima lancifolia A.Juss. Clethra scabra Pers. Pimenta pseudocaryophyllus (Gomes) Landrum Aspidosperma australe Müll.Arg. Ocotea glaziovii Mez Ocotea sp 1 Miconia cinerascens Miq. Casearia sylvestris Sw. Hirtella hebeclada Moric. ex DC. Pouteria gardneriana (A.DC.) Radlk. Casearia decandra Jacq. Ocotea minarum (Nees) Mez Rudgea jasminoides (Cham.) Müll.Arg. Myrsine coriacea (Sw.) Roem. & Schult. Eugenia spl Quiina margallano-gomesii Schwacke Marlierea laevigata (DC.) Kiaersk. Amaioua guianensis Aubl. Miconia mellina DC. Sparattosperma leucanthum (Vell.) K.Schum. Persea willdenowii Kosterm. Solanum bullatum Vell. Miconia sp. 3 Guapira graciliflora (Schmidt) Lundell Myrcia hebepetala DC. Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Mez Myrceugenia myrcioides (Cambess.) O.Berg Calyptranthes grandifolia O.Berg Matayba guianensis Aubl. N DR DuR 4 0,46 0,20 4 0,46 0,14 2 0,23 0,60 4 0,46 0,12 3 0,34 0,35 4 0,46 0,21 2 0,23 0,35 4 0,46 0,06 3 0,34 0,06 2 0,23 0,17 2 0,23 0,14 2 0,23 0,12 2 0,23 0,10 2 0,23 0,08 2 0,23 0,04 2 0,23 0,04 2 0,23 0,04 2 0,23 0,04 2 0,23 0,03 1 0,11 0,23 2 0,23 0.05 1 0,11 0,17 2 0,23 0,04 1 0,11 0,10 1 0,11 0.07 1 0,11 0,05 1 0,11 0,04 1 0,11 0,04 1 0,11 0,04 1 0,11 0,03 1 0,11 0.03 1 0,11 0,03 1 0,11 0,02 1 0,11 0,02 1 0,11 0,02 1 0,11 0,02 I 0,1 1 0,02 I 0,11 0,02 I 0,11 0,01 I 0,11 0,01 I 0,11 0,01 I 0,11 0,01 1 0,11 0,01 1 0,11 0,01 I 0,11 0,01 IR VI 0,94 1,60 0,70 1,30 0,47 1,30 0,70 1,28 0,47 1,16 0,47 U4 0,47 1,05 0,47 0,98 0,47 0,87 0,47 0,86 0,47 0,83 0,47 0,82 0,47 0,80 0,47 0,77 0,47 0,74 0,47 0,74 0,47 0,74 0,47 0,74 0,47 0,73 0,23 0,58 0,23 0,52 0,23 0,51 0,23 0,50 0,23 0,45 0,23 0,41 0,23 0,40 0,23 0,39 0,23 0,39 0,23 0,39 0,23 0,38 0,23 0,37 0,23 0,37 0,23 0,37 0,23 0,37 0,23 0,37 0,23 0,37 0,23 0,36 0,23 0,36 0,23 0,36 0,23 0,36 0,23 0,36 0,23 0,36 0,23 0,36 0,23 0,36 0,23 0,36 Rodriguésia 62 ( 2 ): 321 - 340 . 201 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 332 famílias com maior riqueza específica foram Myrtaceae, com 1 3 espécies, Melastomataceae (11), Lauraceae (11) e Rubiaceae (6). As espécies que perfizeram 49% do VI corresponderam às 1 0 espécies de maior valor de importância no trecho nebular. Estrutura vertical A distribuição dos indivíduos em classes de altura revelou, para a mata aluvial, que 83,5% destes apresentaram altura entre 4-8 m, enquanto este valor correspondeu a 54,5% e 48,7% na mata montana e nebular, respectivamente (Fig. 4). Na mata aluvial não foram verificados espécimes com altura superior a 16 m (Fig. 4) e apenas na mata montana foram amostradas árvores com altura superior a 20 m. A distribuição de frequência dos indivíduos por classes de altura entre os trechos evidenciou diferenças significativas (x 2 , l05 . , 0 = 33 1 .4; p < 0,0001 ), proporcionadas principalmente pelas maiores abundâncias observadas de plantas com altura entre 4—6 m, na mata aluvial e com altura entre 1 2-1 8 m, na mata nebular. Também foram verificadas abundâncias interiores à esperada de árvores na primeira classe de altura e de indivíduos com altura superior a 8 m, na mata aluvial. Na mata aluvial verificou-se um dossel fisionomicamente mais homogêneo quando comparado às demais áreas, resultante da representatividade de Myrciaria tenella neste trecho, que apresentou altura média de 5,58 m (± 1,00). Outras espécies destacaram-se devido à altura, como emergentes, incluindo: Calyptranthes widgreniana, Alchornea triplinervia. Casearia sylvestris , Nectandra oppositifolia, Matayba juglandifolia e A. sidifolia. Na mata montana, o subosque foi representado principalmente por Geonoma schottiana e Mxrcia cf. palustris, seguidas de Picramnia glazioviana e Guarea macrophylla. Os indivíduos com altura igual ou superior a 20 m na mata montana corresponderam às espécies Abarema langsdorffii , Cryptocarya micrantha , Lamanonia ternata, Laplaceafruticosa, Licania kiuuhitina , Ocotea aciphylla, O. odorífera, Platypodium elegans, Pouteria gardneriana , Tapirira obtusa e Xylopia brasiliensis. Na mata nebular, destacou-se no subosque Psychotria stachyoides , espécie de menor porte e abundante neste trecho (Tab. 5). As espécies com maior altura na mata nebular ( 1 8 m 0,05) (Tab. 2). Resultado semelhante foi observado para área basal, havendo diferenças significativas entre as áreas (F = 8.14 : p= „ . 0.05(11.2.72 r 0,00 1 ). A mata aluvial apresentou a menor área basal média (Tab. 2) quando comparada àquelas obtidas para mata montana (q = 4,57; p < 0.0 1 ) e mata nebular (q = 5,23; p <().() 1 ). Não houve diferença significativa entre as áreas basais médias registradas para mata montana e mata nebular (q = 0,65; p > 0,05 ). Ao reunir as três áreas em um único conjunto, a densidade absoluta de indivíduos vivos foi de 3.322,66 ind./ha e a área basal equivaleu a 33.4 1 mVha (Tab. 2). Na mata aluvial, dos 712 indivíduos amostrados (incluindo a categoria “mortas"), 62,2% (443) apresentaram perfilhamento (Pti) e, das 26 espécies, 57% continham ao menos um indivíduo perfilhado (Ps) (Fig. 2). □ sem perfilhos ■ com perfilhos Espécies Indivíduos Figura 2 - Relações entre espécies e indivíduos arbóreos perfilhados c não perfilhados em um levantamento fitossociológico no trecho de mata aluvial, em Rio Preto, MG. Figure 2 - Branching relations among spccics and individuais samplcd in lhe alluvia! forest, Rio Preto, MG. Rodriguésia 62(2): 321-340. 2011 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Composição, estrutura e similaridade fiorística. Rio Preto, MG Houve diferença significativa na distribuição de indivíduos por classe de diâmetro entre os trechos (X 2 w . t = 123,8; p < 0,0001), havendo na mata aluvial menor densidade de indivíduos no intervalo de diâmetro entre 3,3-4,8 cm, quando comparado ao esperado (Fig. 3). Na mata montana, quando comparado ao esperado, ocorreu maior abundância de indivíduos com diâmetro até 4,8 cm, porém, houve ainda uma carência de árvores com diâmetro entre 9,8—39,2 cm, enquanto na mata nebular verificou-se menor abundância de indivíduos com diâmetro entre 9,8-19,6 cm e um aumento de espécimes com diâmetro entre 1 9,6-39,2 cm. Ressalta-se que, na mata aluvial, a dominância relativa de Myrciaria tenella explicou 65% da área basal na comunidade, valor este muito superior ao de Calyptranthes widgreniana (7,64%). na segunda posição. Os maiores valores de dominância relativa foram diretamente relacionados com a posição hierárquica dos valores de importância. A correspondência entre dominância relativa e valor de importância não ocorreu para a mata montana. Entre as dez espécies de maior valor de importância, a maior dominância loi observada em Licania kunthiana, na quinta posição em VI. Em contraposição, a espécie de maior importância, Aparisthmiurn cordatum, obteve a quinta maior dominância. Essa espécie se destacou em tunção dos valores mais altos de densidade e frequência (Tab. 4). Situação similar foi verificada para Eugenia widgrenii, na segunda posição de VI, mesmo com a menor dominância entre as dez principais espécies. Na mata montana, Xylopia brasiliensis foi inventariada com indivíduos de grande porte e regularmente distribuídos pelas unidades amostrais, o que conferiu elevados parâmetros de dominância e frequência, com consequente destaque fitossociológieo. Ocotea lancifolia , Ocotea odorífera c Abarenia langsdorfii , apresentaram altos valores de dominância, o que repercutiu nos valores de importância. Na mata nebular, com 4 1 ,96% de dominância, Alchomea tríplinervia foi a espécie com maior VI, seguida por Solanum cinna/notneitm(l 1%). Guapira venosa, Phyllostenionodaplme geminiflora, Psychotría stachyoides e Psychotría vellosiana compuseram o subosque e apresentaram valores elevados de densidade e frequência e menores dominâncias. Houve baixa similaridade entre as três áreas (Tab. 6). sendo as maiores semelhanças observadas entre as matas montana e nebular, enquanto as menores ocorreram entre as matas montana e aluvial. No diagrama de Venn (Fig. 5) observou-se que apenas Rodriguésía 62 ( 2 ): 321 - 340 . 20 1 1 Classes de diâmetro (cm) Figura 3 - Distribuição de frequência cm classes de diâmetro dos indivíduos arbóreos amostrados cm três trechos florestais, na Serra Negra, Rio Preto, MG. Figure 3 - Frcqucncy distribution in diameter classes of individuais samplcd in ihrcc foresl typcs, Rio Preto, MG. Classe de altura (m) Figura 4 - Distribuição de frequência em classes de altura dos indivíduos arbóreos amostrados cm três trechos florestais, na Serra Negra, Rio Preto, MG. Figure 4 - Frcqucncy distribution in hcight classes of individuais samplcd in three forest typcs, Rio Preto, MG. três espécies foram comuns âs três áreas, sendo elas Alchomea tríplinervia, Myrcia guianensis c Vemonanlhura divaricata. Embora a similaridade tenha sido menor entre a mata aluvial e montana, entre elas houve duas espécies a mais e em comum, do que entre as matas aluvial e nebular. Ainda, estas áreas apresentaram diferenças significativas entre os índices de diversidade de Shannon (Tab. 2), com destaque para a elevada diversidade da mata montana. A análise de correspondência dcstcndcnciada (DCA) (Fig. 6) produziu autovalores elevados para o eixo I (0,908) e baixos para o eixo 2 (0,226), evidenciando o gradiente de substituição de espécies (ter Braak 1995). O eixo 1 apresentou coeficiente de determinação de 0,492 entre os 0,53 acumulados nos dois primeiros eixos. Em relação às variáveis número de indivíduos, espécies e equabilidade, a DCA resultante parece refletir o SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 334 Tabela 6 - índices de similaridade de Jaccard (em negrito) e de Sorensen obtidos para a comunidade arbórea inventariada em três trechos na Serra Negra, Rio Preto, MG. Table 6 - Jaccard (bold) and Sorensen Index betwccn sampled arcas. Aluvial Montana Nebular Aluvial _ 10,53 12,73 Montana 5,56 — 28.57 Nebular 6,80 16,67 - Mata Montana Figura 5 - Diagrama de Venn, mostrando o número de espécies arbóreas compartilhadas entre os três tipos florestais estudados na Serra Negra, Rio Preto, MG. Figure 5 - Venn diagram showing lhe number of tree species sharcd by lhe tree forest typcs sampled. 200 • • Parcela o Aluvial • Montana • Nebular 0 0 £ 200 4oo Eixo 1 (0 908) 600 Figura 6 - Análise de Correspondência Destendenciada (DCA) envolvendo ocorrência e abundância de espécies arbóreas em três trechos florestais, na Serra Negra, Rio Preto, MG. Figure 6 - Dctrended Corrcspondcncc Analysis (DCA) matrix of species abundance in each plot sampled. Valente. A.S.M. et al. gradiente do número de indivíduos e espécies no eixo 1 , enquanto a equabilidade ou distribuição das abundâncias parece influenciar o segundo eixo. A heterogeneidade florística da composição arbórea inventariada, quando comparada com demais levantamentos no complexo serrano da Mantiqueira e Zona da Mata mineira (Tab. 7), é evidenciada pela baixa similaridade florística. As maiores semelhanças em ordem decrescente de similaridade ocorreram com as áreas de Lima Duarte, seguida por Juiz de Fora, Ibitipoca, Aiuruoca, Bocaina de Minis e Araponga 1 (Tab. 7). As menores similaridades ocorreram com as regiões da Mantiqueira Sul e Norte de altitudes muito elevadas como em Camanducaia, Monte Verde e Araponga 2. A análise de agrupamento, primeiramente, reuniu duas áreas da Mantiqueira Sul inventariadas em altitudes acima de 1.800 m, no município de Camanducaia (Fig. 7), na região sul de Minas Gerais. O segundo grupo reuniu os inventários realizados na Mantiqueira Norte, representados pelo Parque Estadual da Serra do Brigadeiro e seu entorno. O terceiro grupo formado reuniu os trabalhos realizados no maciço do Itatiaia e Ibitipoca. O quarto e último grupo reuniu os inventários da bacia do Pai aíba do Sul na Zona da Mata mineira. Rio Preto, Lima Duarte e Juiz de Fora. Discussão A análise da composição, estrutura e similaridade florística do estrato arbóreo entre os três tipos de vegetação estudados na Serra Negra mostrou que. apesar da proximidade geográfica, os três tipos de vegetação são florística e estruturalmente distintos, o que configura alta diversidade beta para as florestas da região, com grande variação de ambientes pela altitude, posição topográfica e potenciais diferenças edáficas. Considerando a riqueza arbórea estimada pelos índices Jacknife, a grandeza de 247 espécies para o conjunto dos três tipos de vegetação estudados, fortalece os argumentos para a conservação e reflete a riqueza da flora local, também verificada anteriormente no componente não arbóreo (Menini Neto et al. 2009). Cada tipo de vegetação estudado apresentou composição florística própria, suportada pelos baixos níveis de similaridade e pela DCA, além de se diferenciarem também quanto ao nível de diversidade. A maior diferença foi observada entre os índices de diversidade das matas aluvial e montana, ainda que Rodriguésiâ 62(2): 32 1 -340. 20 1 1 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm Composição, estrutura e similaridade floristíca, Rio Preto, MG 335 Tabela 7 - índices de similaridade florística de Sorensen (Is) e Jaccard (Ij) entre a comunidade arbórea amostrada na Serra Negra, Rio Preto, MG, c outras áreas de floresta inventariadas em Minas Gerais, nas serras da Mantiqueira c Zona da Mata. NE = número de espécies; Tipo Veg = Tipo vcgetacional; FN = Floresta Ncbular; FS = Floresta Scmidecídua; FO = Floresta Ombrófila. . D Tablc 7 - índices of floristic similarity of Sorensen (Is) and Jaeeard (lj) betwccn the tree flora samplcd m thc Serra Negra, R.o Prelo MG, and o.her forest areas in Mantiqueira range and Zona da Mata. The si.es are lis.ed in deseendtng order of Is. NE - nuntber of species; Veg typc = vegetation type; FN = Cloud Forest, SF = Semi-dcctduous Forest; FO = Ram Forest. Fonte Sigla Local de estudo Altitude N2 Área Tipo média Total spp. Is Veg. (m) comuns Presente estudo Funil Rio Preto FO 1100 194 - - - Almeida 1996 LimDua Lima Duarte FO 1063 176 66 23,08 37,50 Garcia 2007 StaCanJF Juiz de Fora FS 850 172 65 22,97 3736 Fontes 1997 Ibit Ibitipoca PO 1450 267 78 21,37 35,21 Pereira etal. 2006 Aiu Aiuruoca FO 1095 207 66 20,82 34,46 Pereira <7 al. 2006 Bocaina Bocaina de Minas FO 1300 156 51 18,15 30,72 Soares etal. 2006 entPESB Araponga 1 FS 1200 110 43 17,7 30,07 Ribeiro 2003 PESB Araponga 2 FN 1410 103 27 10,71 19,35 Meireles et al. 2008 MV Monte Verde FN 1880 58 20 9,35 17,09 França & Cam Camanducaia FN 1900 48 15 7,18 13,39 Stehmann 2004 estas estejam mais próximas geograficamente entre si do que com a mata nebular. Muito provavelmente tal fato é decorrente das condições mais drásticas para recrutamento e estabelecimento de espécies arbóreas observadas na primeira, visto a periodicidade das inundações no sistema aluvial. A diversidade da mata montana foi superior a de florestas semidecíduas (Oliveira-Filho etcil. 1 994, Lopes et al. 2002) e similares a florestas bem conservadas da Serra da Mantiqueira (Meira-Neto c/í;/. 1989; Saporetti Júnior 2005). A floresta aluvial estudada apresentou diversidade muito baixa, semelhante à de comunidades monodominantes (Nascimento & Villela 2006; Silva et al. 2009). Em matas paludosas, caracterizadas por substrato turfoso, a condiçüo de encharcamcnto permanente do solo constitui-se no principal lator abiótico selecionando a ocorrência das espécies vegetais, o que resulta em diminuição da diversidade (Ivanauskas & Rodrigues 2000). O tempo de encharcamcnto do solo influencia na seletividade dessas espécies em função de sua tolerância ao alagamento (Lobo & Joly 2000). Da característica fisionômica mais evidente da mata aluvial, dada pela alta frequência de perfilhamento e pela monodominância de Myrciaria tenella , Rodriguésia 62 ( 2 ): 321 - 340 . 2011 observou-se interessante relação com as dez espécies seguintes de maior VI que apresentam altura superior à de M. tenella. Muito provavelmente essas espécies conseguiram o estabelecimento na comunidade aluvial não apenas por serem resistentes aos efeitos do alagamento, mas por levarem vantagem na competição por luz ao elevarem suas copas acima do denso dossel perenifólio. Entre as plantas com até 4 m de altura, a mata aluvial apresentou de metade a um terço da densidade de plantas observada na mata montana c na mata nebular, respectivamente (Fig. 4). O dossel denso e perenifólio de M. tenella parece contribuir para a manutenção da monodominância e dos baixos valores de diversidade e equabilidade e deve conferir alguma limitação ao estrato inferior, afetando a estrutura vertical da comunidade. Essa evidência é corroborada por Ivanauskas et al. (1997), que estudaram floresta decidual sob influência do alagamento no estado de São Paulo e verificaram que a equabilidade não foi aletada pela laxa de perfilhamento das espécies, mas u deciduidade talvez tenha influenciado positivamente o recrutamento das espécies, atenuando as relações de dominâcia. Tanto o estresse pelo alagamento como a dominância de M. tenella parecem interferir negativamente na estrutura da comunidade arbórea, SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 336 Valente. ASM. et ai. Figura 7 - Dendrograma de similaridade baseado em dados binários de 722 espécies arbóreas em 1 0 áreas de floresta atlântica nas serras da Mantiqueira e da Zona da Mata mineira. Com base na medida de distância de Sorensen e no método de agrupamento UPGMA. Siglas (vide Tabela 7). Figure 7 - Similarity dendrogram, based on a binary matrix for 722 trcc species from 10 atlantic forest regions in the Mantiqueira’s range and Zona da Mata, MG. Based on the Sorensen distancc measure and elustering melhod UPGMA. Acronymous (see Table 7). que se caracterizou pelas menores médias de área basal e densidade de indivíduos vivos na mata aluvial. Assim, esses fatores podem promover o aumento de importância de poucas populações em matas ciliares como verificado neste estudo, ocasionar menor riqueza de espécies (Lieberman & Lieberman 1987), além de alteraras interações bióticas (Lobo & Joly 1995). O gradiente de altitude implica em transformações das condições ambientais e influencia a distribuição de espécies arbóreas (Oliveira-filho & Fontes 2000). Em florestas tropicais, à medida que ocorre a variação das cotas altimétricas, há a alteração nas características estruturais da comunidade florestal, com a diminuição no porte das árvores e o aumento da densidade em altitudes elevadas (Lieberman et al. 1 996; Meireles et al. 2008). Também, ao longo de um gradiente altitudinal ocorrem modificações nas classes de solo, que tendem a se tomar mais rasos (Oliveira-Filho & Fluminhan-Filho 1 999). Contudo, o trecho amostrado na mata nebular está localizado no lundo de vale, onde é menos frequente a exposição da rocha e, consequentemente, os solos são mais profundos. Assim, a presença das espécies heliófitas e a maior profundidade dos solos ocasionaram a estratificação vertical mais complexa em relação ao esperado para florestas de altitude. Entre as espécies mais abundantes do levantamento, Myrciaria tenella (5 1 9),Aparisthmium eordatum (94) e Alchomea triplinema (259) ocorreram com maior VI nas matas aluvial, montana e nebular, respectivamente. Dessas, apenas A. triplinema foi bem representada nas matas aluvial e nebular, o que provavelmente influenciou a proximidade destas áreas na DCA. As variações das famílias com maior riqueza de espécies entre a mata montana e a mata nebular refletem os padrões encontrados no gradiente de altitude. Torres et al. (2004) observaram que espécies de Solanaceae (especialmente do gênero Solanum) ganham importância ao longo de um gradiente de altitude, enquanto espécies de Fabaceae tendem a desaparecer (Morim 2006). Myrtaceae e Lauraceac são características das florestas montanas neotropicais, geralmente bastante úmidas (Gentry 1995). Estes padrões florísticos decorrente do efeito da altitude foram congruentes com as diferenças observadas neste estudo entre as mata montana a 1 .000 m e nebular a 1.300 m de altitude, apresentando as famílias Myrtaceae e Lauraceae com maior riqueza, e a expressiva riqueza de Fabaceae observada a 1 .000 m sendo substituída por espécies de Solanaceae e Melastomataceae a partir de 1 .300 m. A altitude tem sido considerada como um gradiente complexo, dentro do qual muitos outros fatores ambientais variam e atuam em conjunto (Kent & Coker 1992). Segundo Damasceno- Júnior (2005), as variações altitudinais trazem consigo alterações das condições ambientais que vão influenciar a distribuição e estrutura da vegetação e os padrões de riqueza das espécies. Os principais fatores envolvidos nas variações de distribuição de espécies ao longo dos gradientes altitudinais são: temperatura e umidade do ar, a forma de chuva ou de neblina, se intermitente ou permanente, ventos e fatores edáficos, como idade dos solos e disponibilidade de nutrientes. A exposição de vertentes em cadeias de montanha pode ter um papel fundamental na definição de padrões de precipitação e temperatura e, por conseguinte, na distribuição de espécies de plantas. Porém, em escala local, os gradientes edáfico e altitudinal são mais perceptíveis (Pereira et al. 2006). Para Oliveira-Filho et al. (2005) as variações da altitude estão fortemente correlacionadas com a diferenciação interna tanto das florestas ombrófilas como das semideciduais. O agrupamento dos dados florísticos obtidos por outros estudos em Ibitipoca, Aiuruoca e Bocaina indicaram, aparentemente, a maior proximidade dessas áreas com a Bacia do Rio Grande. Soares et al. (2006) demonstraram a relação de agrupamento de floras Rodriguèsia 62(2): 321-340. 201 1 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 18 cm Composição, estrutura e similaridade florística, Rio Preto, MG arbóreas cm Minas Gerais refletidas em bacias hidrográficas e altitude. O subdomínio do Alto Rio Grande tem espécies em comum com a Mantiqueira Sul e que foram amostradas neste levantamento, entre elas, espécies características das fisionomias baixo e alto-montanas como: Capsicodendron dinisii, Kielmeyera coriacea, Alchomea sidifoliã, Copaifera trapezifolia, Miconia tristis, Eugenia acutata e íxora brevifolia. As espécies amostradas, comuns às fisionomias baixo e alto-montanas entre a Mantiqueira Norte e Sul, Vale do Paraíba do Sul e Alto Rio Grande foram: Aspidosperma australe, Schefflera calva, Persea wildenowii, Mollinedia tríflora, Solanuin pseudoquina e Laplacea fruticosa. Contudo, a presença de espécies de distribuição predominante na região do Vale do Paraíba do Sul promoveu o agrupamento da comunidade arbórea registiada na Serra Negra com levantamentos conduzidos em Juiz de Fora, Lima Duarte e Rio Preto. Ao analisar o conjunto florístico arbóreo do Vale do Paraíba do Sul, houve uma espécie amostrada em comum com a Mantiqueira Sul, Cryptocarya micrantha, e duas com a Mantiqueira Norte, Spirotheca rivieri e Miconia doriana. Entre as espécies amostradas em comum com o Vale do Paraíba do Sul e a Mantiqueira Norte e a Sul, características das fisionomias baixo e alto-montanas, encontram-se llex paraguariensis, Marliera laevigata, Solanuin cinnamomewn e S. pseudoquina. Entre as espécies amostradas, as que apresentaram distribuição entre as florestas baixo- montanae alto-montanade Minas Gerais, citadas por Oliveira-Filho (2(X)6) estão: Aspidosperma australe, llex paraguariensis, I. lheezans, Schefflera calva, Capsicodendron dinisii. Kielmeyera coriacea, Alchomea sidifoliã, Copaifera trapezifolia, Inga sessilis, Leucochloron incuriale, Persea wildenowii, Byrsonima myricifolia, Miconia doriana, Mollinedia tríflora, Cybianthus pentvianus, Eugenia acutata, E. widgrenii, Macmpeplus dentatus, Marlieria laevigata, Quiina glaziovii, Chomelia sevícia, hora brevifolia, Solanum cinnamomewn, S. pseudoquina, Daphnopsis coriacea e Drymis brasiliensis. Apenas uma espécie. Eugenia widgrenii, c comum cm floresta estacionai semidecidual, enquanto as espécies mais representativas da floresta ombról ila foram: Quiina glaziovii, Byrsonima myricifolia. Eugenia melanogyna, Marlieria obscura, Ocotea lobbi, Spirotheca rivieri, Macropeplus dentatus e Tibouchina mutabilis. Considerando apenas a distribuição das espécies em Minas Gerais, as espécies amostradas 337 que se encontram predominantemente no Vale do Paraíba do Sul foram: Tabernaemontana laeta, Mimosa bimucronata, Miconia buddlejoides, Quiina magallano-gomesii e Qualea gestasiana. As espécies características das formações baixo e alto-montanas e que ocorrem em toda a Serra da Mantiqueira em Minas Gerais, incluindo a Serra Negra, destacam-se llex theezans, Inga sessilis, Daphnopsis coriacea, Vochysia schwackeana, Cybianthus peruvianus, Drymis brasiliensis e Meriania clausenii, esta última unicamente encontrada nessa região. Entre as que se estendem mais comumente pela Mantiqueira Sul, destacam- se Tibouchina mutabilis, Macropeplus dentatus. Myrcia palustris c Quiina glaziovii e, pela Mantiqueira Norte, ocorreram apenas Miconia tentaculifera e Coussarea verticillata. Das espécies citadas acima como características de fitofisionomias da Mata Atlântica mineira, aquelas com distribuição exclusivamente pela Mata Atlântica e situadas somente na Região Sudeste foram: Eugenia widgrenii (Sobral et al. 2010), Macropeplus dentatus (Peixoto 2010), Quiina magallano-gomesii (Rocha & Al ves- Araújo 20 1 0), Qualea gestasiana, Vochysia schwackeana (França 2010), Meriania claussenii (Chiavegatto et ai 2010), Tibouchina mutabilis (Guimarães 2010). Entre os trechos analisados, as composições florísticas das matas montana e nebular evidenciaram as influências das tipologias floresta ombrófila baixo-montana e alto-montana, respectivamente ( sensu Oliveira-Filho & Fontes 2000). Na mata aluvial, devido ao encharcamcnto sazonal, verificou-se a tipologia floresta ombrófila aluvial. Desse modo, a composição arbórea na Seira Ncgi a evidenciou predomínio de elementos ombrófilos, com penetrações na comunidade de espécies de florestas estacionais semidecíduas, o que contribui para alta riqueza de espécies. Observou-se ainda a ocorrência de espécies distribuídas predominantemcnlc pelo Cerrado, como Kielmeyera coriacea, Tcrminalia tríflora, Inga lenais c Hirtella glandulosa. Outras espécies, comuns aos campos rupestres, também foram amostradas, como Myrcia guianensis, Laplacea fruticosa c Calyptranthes widgreniana. O conjunto de espécies amostradas nas matas aluvial, montana e nebular e suas relações de similaridade com a flora arbórea de outros locais na Serra da Mantiqueira e Vale do Paraíba do Sul reforçam o argumento de que a vegetação 1 lorestal da Serra Negra é uma importante reserva de espécies arbóreas típicas da floresta atlântica. As florestas Rodrlguèsla 62(2): 321-340. 2011 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 338 da região apresentam um conjunto considerável de elementos com distribuição característica de ambientes montanhosos do Sudeste do Brasil e, em uma escala mais detalhada, refletem as semelhanças entre os sub- domínios Mantiqueira e Vale do Paraíba do Sul. Agradecimentos À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) o suporte ao estudo da Flora da Serra Negra (Processo CRA 1 89 1 /06). Referências Ab'Saber, A.N. 2003. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. 2 ed. Ateliê Editorial, São Paulo. 159p. Almeida, V.C. 1996. Composição florística e estrutura do estrato arbóreo de uma floresta situada na Zona da Mata mineira, município, MG. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 103p. APG II. 2003. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowcring plants: APG II. 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Rodriguésia 62(2): 321-340. 201 1 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Rodriguèsia 62(2): 341-366. 201 I http.'/ Zrodriguesia.jbrj.gov.br Floristics and life-forms along a topographic gradient, central-western Ceará, Brazil Florística e formas de vida ao longo de um gradiente topográfico no centro-oeste do estado do Ceará, Brasil Francisca Soares de Araújo' 2 , Rafael Carvalho da Costa 1 , Jacira Rabelo Lima' , Sandra Freitas de Vasconcelos' , Luciana Coe Girão', Melissa Souza Sobrinho', Morgana Maria Arcanjo Bruno 1 , Sarah Sued Gomes de Souza 1 , Edson Paula Nunes 1 , Maria Angélica Figueiredo', Luiz Wilson Lima -Verde' & Maria Iracema Bezerra Loiola' Abstract To tcst whether thc Hora is organized in discrete or continuous units along a topographic gradient, thrce physiognomics wcrc asscsscd on diffcrcnt soil classes in a semi-arid region of northeastem Brazil: caatinga (xeric shrubland) at altitudes from 300 to 500 m, deciduous forest at altitudes from 500 to 700 m and carrasco (dcciduous shrubland) at 700 m. In each physiognomy a spccies inventory was carricd out, and plants wcrc classified according to lifc- and growlh-forms. Spccics richncss was highcr in thc dcciduous forest (250) than in thc carrasco (136) and caatinga (137). Thc caatinga shared only a few spccics witli thc carrasco (6 spccies) and thc dcciduous forest ( 1 8 spccics). Thc highest spccics ovcrlap was betwccn thc dcciduous forest and thc carrasco (62 spccics). One hundred and four spccies occurred only in thc caatinga, 161 only in thc deciduous forest and 59 only in thc carrasco. Woody spccics predominated in physiognomics on sedimentary soils with latosol and arcnosol: 1 24 spccics occurred in thc dcciduous forest and 68 in thc carrasco. In thc caatinga on crystalline basement rclicf with predominance of planosol, herbs showcd thc highest spccics richncss (69). Comparing thc biological spcctrum of Brazilian plant life-forms, thc caatinga stood out with highcr proportion of thcrophytcs and chamacphytcs. Considering thc Hora of thc three phytophysiognomics studicd herc, wc can affirm lhat thc caatinga is a discrctc floristic unit. Kcy words: vegetation classification, biological spcctrum, growth-form, phytoclimatc, plant community. Resumo Para verificar sc a composição florística constitui unidades discretas ou contínuas ao longo dc um gradiente topográfico foram analisadas três fitofisionomias (caatinga sobre altitudes dc 300 a 500 m, floresta decídua sobre altitudes dc 500 a 700 m c carrasco sobre atitudes dc 700 m) sobre classes dc solos distintas no semi- árido setentrional do Nordeste do Brasil. Em cada fisionomia foi realizado o levantamento das espécies, as quais foram classificadas em formas dc vida c dc crescimento. A riqueza dc espécies foi maior na floresta decídua (250) do que no carrasco (136) c na caatinga (137). A caatinga apresentou poucas espécies cm comum com as fitofisionomias dc carrasco ou dc floresta decídua (6 c 1 8 espécies). A maior sobreposição dc espécies ocorreu entre a floresta decídua c o carrasco, 62 espécies. Foram exclusivas da caatinga, floresta decídua c do carrasco, 104, 161 c 59 espécies, respectivamente. Quanto ás formas dc crescimento, nas fisionomias sobre relevo sedimentar com Latossolo c Arcnosolo predominaram espécies lenhosas: 124 na floresta decídua c 68 no carrasco. Na caatinga sobre relevo do embasamento cristalino com predominância dc Planossolo, a maior riqueza dc espécies (69) foi dc ervas. Na análise comparativa do espectro biológico com outras formações brasileiras, o dc caatinga sc destacou dos demais, constituindo uma unidade individualizada pela maior proporçáo dc terófitos c caméfitos. Em relação à flora das três fisionomias, objeto deste estudo, pode-se afirmar que a da caatinga representa uma unidade discreta. Palavras-chave: classificação dc vegetação; espectro biológico; fornia dc crescimento; filoclima, comunidade vegetal. 'Universidade Federal do Ceará, Depio. Biologia. Centro dc Oíncim, bloco 906. Campus do Piei. 60455-760. Fortaleza. ( P. Brazil. ; Corrcponding author: tchcscaw ufc.br SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 cm .. 342 Introduction At a global scale, the main environmental variables used to classify vegetation are climate zones. A group of similar vegetation types that occur in similar climate zones in different continents is known as a vegetation-type or biome ( Whittaker 1975, 1978a, b; Box&Fujiwara2005). Changes in topography or microclimate can affect the biology of the vegetation, leading to particularities that can be detected only at a local scale (Spellerberg & Sawyer 1999). Gradual changes in climate related to topography or to distance from the ocean, at a small scale, result in continuous vegetation units, which makes a classification based on floristic attributes difficult. However, when a climate variable is associated with different soil types, the regional flora may be discontinuously distributed, forming discrete communities, whose limits, along a topographic gradient, can be determined by an analysis of floristic composition and of the main growth- or life-forms of the plant species (Whittaker 1975; Box & Fujiwara 2005). To describc community types it is necessary to characterize plant forms, since physiognomy results from the dominant forms that compose a community (Whittaker 1975). Classes or types of plant forms are called growth-forms; this classification usually does not correspond to the categories used by taxonomists to classify plants. Height, woody or herbaceous habit, stem form, leaf form and intensity of leaf deciduousness are characteristics used to define the following types of growth-forms (Whittaker 1975): trees, shrubs, lianas, epiphytes, herbs and thallophytes. Instead of using a system of multiple characteristics such as the growth-form system proposed by Whittaker ( 1 975), the life-form system of Raunkiaer (1934) is based on a single characteristic. the relationship between the position of the perennial tissue (meristem), which remains inactive during the winter or dry season, and the growth surface. The life-form of a species represents a set of life history characteristics selected by the environment. Raunkiaer (1934) classified plants into five life-forms: phanerophytes, chamaephytes, hemicryptophytes, cryptophytes and therophytes. The world spectrum, or normal spectrum, was calculated by Raunkiaer (1934) based on a representative sample of all the vascular flora of the world. From that sample, the patterns recorded Araújo. F.S. et aL in different directions refiect environmental effects, especially related to climate, on plant adaptations observed in a community (Raunkiaer 1934). Hence, whereas the growth-form classification is used to characterize community structure (because some forms are dominant or more conspicuous), the life- form spectrum describes environmental adaptations of the species that compose that community (Whittaker 1975; Raunkiaer 1934). Indirectly, this system provides information on local seasonality. According to Whittaker ( 1 975), life-forms are not a structural attribute, but a floristic attribute: when the number of species is converted into percentage of life-forms, this percentage would represent the spectrum of life-forms in this community or geographic area. The fact that a given community is characterizcd by particular life-forms indicates species convergence toward certain environmental conditions; and this represents a functional attribute of the community. In the present study, we assessed life-forms, growth-forms and floristic composition of three neighboring physiognomies that occur under different climates, soils and topographies. These community attributes were determined for an area located in the semi-arid region of northeastem Brazil, which comprises two geomorphological units: sedimentary basin and crystalline basement. Based on these data, we tested the following predictions: i) the floras of the two geomorphological units are different, and constitute two discrete units; ii) the life-form spectrum varies according to altitude and soil type, probably as a consequence of differences in water availability, resulting mainly in the occurrence of phanerophytes in the sedimentary basin and of therophytes in the crystalline basement. Material and Methods Location and environmental characterization of the study area Serra das Almas Natural Reserve covers an area of 5,646 ha, and is located between the coordinates 5°15’-5°00’S and 40°15'-41°00'W (Fig. 1 ). The study area has three physiognomies: í) caatinga (xeric shrubland) with an area of 1 7. 1 0 km (29. 1 9%), fi) seasonal deciduous forest with an area of 27.93 km- (47.64%) and iii) carrasco (deciduous shrubland)(Rougerie 1988) with an area of 1 1 .79 km 2 (20. 1 2%). The study area is located in two geomorphological units: i) the crystalline basement complex, with fiat to slightly undulating relief and Rodriguèsia 62 ( 2 ): 34 1 - 366 . 20 1 1 SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 cm Florístics and life-forms along a topographic gradient £23 Cuuringa | Dccitiuiiui fimnl O Cmmm Uiitiirlwl twtntul Figure 1 - Location of Serra das Almas Natural Reserve, Cratcús, State of Ceará, Brazil. low altitude (c. 400 m) and ii) the Meio Norte sedimentary basin, on its eastern margin, which forms an asymmetric cuesta, known as Ibiapaba Plateau (altitudes bctween 500 and 700 m). The caatinga occurs in the crystallinc basement complex, where the dominant classes of soils are: Solodic Planosol, Solodized Solonetz (natric Planosols) and Lilhic soils (Lithic Ncosols) at altitudes that vary from 300 to 500 nt. In the Meio Norte sedimentary basin, on Ibiapaba Plateau, the Latosol occurs on the eastern hogback and quartz sand (quartzarenic ncosols) on the top and backside (Brasil 1972). The deciduous forest occurs on the eastern hogback of the plateau, on Latosol, al altitudes bctween 500 and 700 m. The carrasco is present on the backside of the plateau, on quartz sand, at altitudes of ca. 700 m. We emphasize that the Ibiapaba Plateau is a ‘cuesta’, with highcr asymmetry in its Southern part, our study arca, where there is no top, but an inverted V-shapcd topography where lhe lecward on the backside exhibits a smooth declivity. Climate data were not available, bccause there are no metcorological or pluviometric stations located on the cuesta, top and immediate backside sites on lhe Southern part of the Ibiapaba Plateau, our study arca. Floristic inventory The flora of Serra das Almas Natural Reserve was extensively sampled from 1999 to 2004, in several projects: reserve management plan; long- term ecological research programs - Site Caatinga/ CNPq/PELD; Instituto do Milênio do Semiárido- Rodríguésia 62 ( 2 ): 341 - 366 . 201 1 343 IMSEAR; Biodiversity inventories - Caatinga (PROBIO-MMA) and Edital Universal do CNPq / 476285/2003-8. In these studies, branchcs of angiosperms (five duplicates) in reproduetive phase (flower buds, flowcrs and/or fruits) wcrc collcctcd on trails and inside the best-conserved fragments of each physiognomy. Vouchcrs wcre deposited in the Prisco Bezerra Hcrbarium (EAC), of Universidade Federal do Ceará. Botanical idcntification was carried out using analytical keys (Freire 1983; Barroso et al. 1978, 1984, 1986) and by comparison with the material present in the EAC Herbarium or, whcn necessary, by Consulting specialists. The classification used was APG III (2009). Specics names were updated considering the synonymy of Missouri Botanical Garden (Tropicos.org 2009); names and/or abbreviations of spccies authors were written in accordance with Brummitt& Powell (1992). Growth- and life-forms Each specics was classiftcd into growth-forms following Whittaker(1975). The classification of each specics in life-forms was done based on the protection levei of growing tips and on lhe reduction of the aerial part during the unfavorable season, following Raunkiacr ( 1 934, seealsoCain 1950; Mueller-Dombois & Ellenberg 1974): therophytes (Th), cryptophytcs (Cr), hemicryptophytes (H), chamaephytcs (Ch) and phancrophytes (Ph). Woody lianas and cacti wcrc considered as phancrophytes and non-woody lianas were classiftcd according to the levei of reduction of their aerial part during lhe dry season (according to Raunkiacr 1934). Data analysis Floristic data were organized as a list with families, specics, vernacular names, life and growth- forms, physiognomy and collectors. We calculutcd spccies and family richness for the whole dataset and by physiognomy. To compare the richest families bctween physiognomics, we used histograms with lhe ten richest families in descending order. Floristic ovcrlap bctween physiognomics was analyzed by calculating the frcquency of specics and families in overlapping classes: occurrcnce in all physiognomics, in pairs ol physiognomics (caatinga/carrasco, caatinga/dcciduous I orest, cfl/TUíco/deciduous forest), and rcstrictcd to each physiognomy ( caatinga , carrasco or deciduous forest). Results urc presented in histograms. SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm i 344 To test for differences in the composition of life-forms among physiognomies, we calculated the life-form spectrum, which is the proportion of species of each life-form. We determined which life- form characterized each physiognomy by comparing our results with the normal spectrum proposed by Raunkiaer (1934). This spectrum represents the world flora and was used here as null hypothesis. At First, we tested for differences between the obtained and the normal spectrum using a x 2 test (Vieira 2004). When differences were significam, we calculated the relative contribution of each life-form’s deviation to the computed X 2 statistic. The life-form with higher contribution in each test was considered as characteristic of the physiognomy where it occurs. To test for similarities with other Brazilian vegetation types (in terms of life-forms), we compiled studies with spectra determined for Brazilian physiognomies (Tab. 1). We kept the names used by each author for the vegetation types of each study. To facilitate comparison, we used only the five main life-form classes of Raunkiaer (1934). Hence, epiphytes and woody lianas were included in the class phanerophytes, saprophytes in cryptophytes, and aerophytes in chamaephytes. We compared the life-form spectra found in Serra das Almas Natural Reserve with those from other studies with a detrended correspondence analysis - DCA (Jongman et al. 1995; Batalha & Martins 2002); results were expressed in ordination diagrams with scores of each study and of each life-form. Results We recorded 4 1 9 species/moiphospecies from 72 families (Annex 1). Families (55) and species richness (250) were higher in the deciduous forest. Richness values of the carrasco (46 and 136) and caatinga (44 and 137) were similar to each other and lower than in the deciduous forest. Fabaceae (86 species), Euphorbiaceae (38 species) and Convolvulaceae (22 species) were the richest plant families in Serra das Almas Natural Reserve. The richest families were different among physiognomies (Fig. 2). The exception was the family Fabaceae, which had the highest number of species in all three physiognomies (Fig. 2). However, the representativeness of subfamilies varied, with higher richness of Papilionoidae in the deciduous forest (25 species) and of Caesalpinioidae in the caatinga (12 species) and carrasco (15 species). Araújo, F.S. et al. FAB El i' CON MAL AST POA APO RUB MYR SAP FAB CON EUP MAL POA AST ACA APO PAS COM Carrasco FAB EL!P mal CON AST MYR SAP RUB PCIA APO Families ^S ure 7 ~ Species-richest families in the three physiognomies of Serra das Almas Natural Reserve, Crateús, State of Ceará, Brazil. Abbreviations for families: FAB-Fabaccae, EUP- Euphorbiaceae, CON- Convolvulaceae, MAL- Malvaceae, AST- Asteraceae, POA-Poaceae, APO-Apocynaceae, — Rubiaceae, MYR-Myrtaceae, SAP-Sapindaceae, ACA-Acanthaceae, PAS-Passifloraceae, COM- Commelinaceae, LAM-Lamiaceae, MAP-Malpighiaceae, B RO-Bromel iaceae. Family overlap was about one third among all physiognomies (Fig. 3). However, the carrasco and the deciduous forest shared the highest number of tamilies, and had the highest ( carrasco ) and lowest (deciduous forest) number of exclusive families (Fig. 3). Species overlap was low, as only nine out of 419 species occurred in all physiognomies (Fig. 3). The carrasco and the deciduous forest had higher floristic alfinity with each other, since they shared more species ( 1 5%) and both had low overlap with the caatinga (1.3% overlap with carrasco and 4.2% with deciduous forest - Fig. 3). Rodriguésia 62 ( 2 ): 341 - 366 . 201 1 SciELO/JBRJ. 12 13 14 15 16 17 Rodrlguésla 62 ( 2 ): 341 - 366 . 2011 Table 1 - Life-form spectra used for comparisons in a detrended correspondence analysis (DCA). Life-forms: Th - therophytes. Cr- cryptophytes, H - hemicryptophytes, Ch - chamaephytes, Ph - phanerophytes. Vegetation type Abbreviation Site Reference Th Cr H Ch Ph caatinga caa Sa. das Almas, Crateús, CE This study 47,9 1.4 6,3 18,1 26,4 carrasco can Sa. das Almas, Crateús, CE This study 17,2 3,4 3,4 17,9 57,9 deciduous forest fldec Sa. das Almas, Crateús, CE This study 14,6 2,6 2,2 22,5 58,1 caatinga caa Faz. Não me Deixes, Quixadá, CE Costa et al. (2007) 42,9 2,3 12,8 15,8 26,3 cerrado fechado cer fec Brasília. DF Ratter (1980) in Batalha & Martins (2002) 0,7 1,8 44,9 13,5 39,1 cerrado aberto cerab PARNA das Emas, GO Batalha & Martins (2002) 3,7 2 49,9 12,8 31,6 cerrado aberto cerab Lagoa Santa, MG Warming ( 1 892) in Batalha & Martins (2002) 4,6 5,4 55,1 6,1 28,8 cerrado aberto cerab Mojiguaçu, SP Mantovani (1983) in Batalha & Martins (2002) 7,8 2,1 47 12,2 30,9 cerrado fechado cer fec Pirassununga, SP Batalha et al ( 1 997 ) in Batalha & Martins (2002) 5,6 1,1 36,1 17,1 40,1 cerrado fechado cer fec Sta. Rita do Passa Quatro, SP Batalha &Mantovani (2001) in Batalha & Martins (2002) 6,7 0,8 30 17.2 45,3 pluvial forest flpl Alto do Palmital, Foz do Iguaçu, PR Cain et al. (1956) 0 3 11 6 80 pluvial forest flpl Caiobá. PR Cain et al. (1956) 0 3 3 7 87 pluvial forest flpl Mucambo, Belém, PA Cain etal. (1956) 0 0,9 2,8 0,9 95,4 temperate forest fl temp Horto Botânico. Pelotas. RS Cain etal. (1956) 5 5 16 4 70 cerradão cerradão Aguas de Sta. Barbara, SP Meira Neto et al. (2007) 0 0 4 1,3 94,7 cerrado sensu strictu cer ss Águas de Sta. Barbara, SP Meira Neto et al. (2007) 0 2,8 10,7 9,6 77 campo cerrado cp cer Águas de Sta. Barbara, SP Meira Neto et al. (2007) 0 6,4 19,2 14,1 60.3 campo sujo cpsj Águas de Sta. Barbara, SP Meira Neto et al. (2007) 0 7.9 31,8 41,3 19,1 campo limpo cl lp Águas de Sta. Barbara. SP Meira Neto et al. (2007) 5 0 32 34 14 restinga res Itamaracá. PE Almeida JR et al. (2007) 16,8 5,3 8 19,5 50,4 inselberg vegetation inselb Quixadá. CE Araújo et al. (2008) 44,2 2,6 13 15.6 24,7 cerrado sensu strictu cer ss Itirapina, SP Batalha & Martins (2004) 1,8 1.8 18,6 11.5 66,4 caatinga caa Betãnia. PE Costa et al. (2009) 40,5 1,1 14.6 18 25.8 restinga res Caravela. BA Meira Neto et al. (2005) 9 0 14,9 23,9 52.2 restinga res Mucurí. BA Meira Neto et al. (2005) 7,5 0 28.3 24,5 39,6 Note: cüannga - xenc shrubiand. carrasco — deoduous shrubLmd: cerrado sensu striclo — sa\ anna: cerrado < fechado = dense sa\ anna; cerrado aberto = open savanna; campo cerrado = grassland w ilh scatered shrubs; campo sujo = grassland wilh ^ scatered shrubs: campo limpo = grassland: cerradão = tall woodland sa\ anna: restinga = sandv Coastal plains. SciELO/JBRJ 1 6 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Florístics and life-forms along a topographic gradient 346 Araújo. F.S. et al. CA CR FD CA/CR CATO CR/FD ALL Occurancy classes Figure 3 - Proportion of families (white) and species (black) occurring in one, two or in all physiognomies (CA - caatinga , CR - carrasco, DF - deciduous forest) of Serra das Almas Natural Reserve, Crateús, State of Ceará, Brazil. In the physiognomies on sedimentary relief, woody species (shrubs and trees) predominated, totaling 124 in the deciduous forest and 68 in the carrasco. In the caatinga, on the crystalline basement, the highest species richness (69) was represented by herbs. The life-form spectra of the studied physiognomies differed significantly from the normal spectrum ( caatinga : % 2 = 159.33 p < 0.01 df = 4; carrasco X : = 49.07 p < 0.0 1 df = 4; deciduous forest X" = 1 20, p < 0.01 dl = 4). In general, the carrasco and the deciduous forest exhibited similar proportions of species of each life-form, whereas the caatinga exhibited a different spectrum (Fig. 4). Therophytes, hemicryptophytes and chamaephytes were the predominant life-forms in the caatinga (69 %), carrasco (53%) and deciduous forest (46%), respcctively; thus, they characterize each physiognomy. In the comparisons of life-form spectra among physiognomies of Serra das Almas Natural Reserve with other Brazilian vegetation types, the two First axes of the DCA corresponded to over 60% of the total inertia: 49.68% on the first axis and 13.30 % on the second. In the ordination diagram three groups of life-form spectra stood out: i) spectra with scores next to the ones of phanerophytes, ii) of cryptophytes and iii) of chamaephytes and therophytes (Fig. 5). The life-form spectra of the carrasco and the deciduous forest in Serra das Almas Natural Reserve nearly overlapped in the ordination space, in group 2, which also comprises the restinga and cerrado spectra (Fig. 5). In this ■ Th ■ Ci □ H □ Ch O Ph o 20 40 60 80 100 % species Figure 4 - Life-form spectra of the three physiognomies (CA - caatinga , CR - carrasco, DF - deciduous forest) of Serra das Almas Natural Reserve, Crateús, State of Ceará, Brazil, compared to Raunkiaer’s normal spectrum (N). Values over each physiognomy bar indicate the number of species of each life-form. Species percentages of each life-form are expressed by the width of the bar. Life-forms: therophyte (Th), cryptophyte (Cr), hemicryptophyte (H), chamaephyte (Ch), phanerophyte (Ph). group, carrasco and deciduous forest exhibited scores close to those of restinga and different from those of cerrado, apparently because of the lower proportion of cryptophytes (Fig. 5). The caatinga composed a well-defined group, which comprised spectra of other caatinga studies, including vegetation on inselbergs. This group is associated with higher proportion of chamaephytes and therophytes (Fig. 5). Discussion In general, in the semi-arid region of northeastem Brazil, areas with higher annual average rainiall associated with higher altitudes exhibit higher species richness (Lima et al. 2009; Araújo et al. 2007 ; Ferraz et al. 1 998; Gomes 1 980). This pattem was also observed in the physiognomies of deciduous forest and carrasco, both located at higher altitudes than the caatinga in Serra das Almas Natural Reserve. Besidcs, deciduous vegetation on sedimentary areas. even with rainfall indexes similar to the caatinga arca of the crystalline basement, have been pointed out in general as having higher species richness (Silva et al. 2003), though there are some exceptions (Rodai et al. 1 998; Pereira et al. 2002). These exceptions show that being sedimentary alone does not result in higher species richness; other Rodnguésiá 62 ( 2 ): 341 - 366 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Roristics and life-forms along a topographic gradient x < Hh H ccr fcc V erradio Ph & + Life-form A Othcr studies o Serra das Alma* - cer ab cpsj \ ll temp 11 P* cmt ll dec “A cpwr^ |+ Cr AA cp lp 1 ^ inselb O+C-li o.o 0.5 1.0 1.5 Axis 1 2.0 2.5 Figure 5 - Ordination diagram of lhe detrended correspondente analysis (DCA), with scores of life-forms and compiled inventorics, including the physiognomies ol Serra das Almas Natural Reserve. Abbreviations tor vegelation types follow Table 1. Life-forms: therophyte (Th), cryptophyte (Cr), hemicryptophyte (H), chamacphyte (Ch), phanerophytc (Ph). factors must also be considered, such as lhe position of the hogback, levei of desiccation of the relief and physiochemical composition of the soil. The deciduous forest of Serra das Almas Natural Reserve is located on the windward side, betwcen 500 m and 700 m. whereas the carrasco , though located at a higher altitude about 700 m, is located on the Iceward side and on sandier soils, which results in a physiognomy of lower height, smaller and slender plants and lower richness than in the deciduous forest. Conccming the herbaceous componcnt of lhe Brazilian semi-arid Hora, studies carried out in the inter-plateau depression of the crystalline complex indicatc that the highest richness of the caatinga sensu stricto is in the herbaceous componcnt (Sampaio 1 995: Rodai et al. 2005; Costa et al. 2007: Mamede & Araújo 2008). Comparatively, studies carried out in sedimentary formutions recorded low richness of herbaceous flora (Rodai et al. 1999; Figueiredo c t al. 2000). In Serra das Almas Natural Reserve, the floristic richness of woody species incrcased at high altitudes in areas of deciduous forest and carrasco, whereas the richness of herbaceous species decrcased. The incrcasc in richness of trees and shrubs with altitude seems to bc a general pattern for vegetation of arid and semi-arid regions. In the Brazilian semi-arid region, the increase in richness of herbaceous growth-forms and decrease Rodriguèsia 62(2): 341-366. 201 1 347 in woody growth-forms is related to the increase in aridity (lower rainfall and higher temperature). In previous studies, the replacemcnt of non-woody life-forms by woody life-forms and the increase in richness along humidily gradients have bcen observed in arid areas (Pavón etal. 2000), tropical savannas (Williams et al. 1996), forests and temperate grasslands (Kovács-Lang etal. 2000). Considcring woody and herbaceous flora together, the deciduous forest on lhe sedimentary basin exhibited higher richness than the caatinga located on the crystalline basement. Potentially, there must be higher humidity in the air and soil resulting from the elevation; there must be also soils with permanent wateravailability in deep layers (latosols and quarlz sands), which possibly contributc to the higher floristic richness observed. Comparing the carrasco and the deciduous forest located in the same sedimentary basin, the latter exhibited higher richness. In this case, humidity seems to be an important factor: lhe deciduous forest is located on lhe cuesta and the carrasco on the immediate backside. On the backside the air is probably drier and wind speed is higher, which causes more desiccation. Besides, soil seems to play a role too, since carrasco soils are sandier ( Araújo & Martins 1999; Araújo et al. 1999). Despite the high species richness found in the region of Ibiapaba Plateau, it is important to highlight the contribution of the non-woody componcnt (herbs, subshrubs and herbaceous lianas) to the total species richness of each physiognomy. In lhe caatinga, on the crystalline basement. non-woody plants werc rcsponsible for most of the floristic richness, that is expectcd in arid and semi-arid climatcs, due to the predominance of thcrophytes in thesecnvironments. On thccontrary, in the carrasco and in the deciduous forest. woody plants were rcsponsible for the highest richness, since in more humid climates phanerophytcs predominatc. Higher water availability favors the cstablishmcnt of life-forms that do not need large reduetions of the aerial shool system during lhe unfavorable season (phanerophytcs), which is a nccessary strategy for lhe survival of most species in arid and semi-arid regions (sce Raunkiaer 1934; van Rooyen et al. 1 990; Kovács-Lang et al. 2000). In the case of Serra das Almas Natural Reserve, which is inserted in a semi-arid climatic domain, the increase in altitude may potentially favor high water availability on the windward side. Besides, soil must be taken into accounl, since there are two diffcrent ISciELO/ JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm .. 348 geological units: lowlands of the crystalline bascment and the Meio Norte sedimentary basin. Herbaceous or sub-woody plants (herbs, subshrubs and herbaceous lianas) are the life-forms that exhibit the highest reduction of the aerial shoot system during the dry season (therophytes, cryptophytes, and hemicryptophytes; Raunkiaer 1934). The biological spectrum of the caatinga studied was characterized mainly by therophytes, a life-form characteristic of arid and semi-arid regions (Raunkiaer 1934; van Rooyen etal. 1990; Kovács-Lang c t al. 2000). Indeed, among the three physiognomics studied, the caatinga occurs on shallow soils in the lowlands of the crystalline basement, where temperature is potentially higher and rainfall is potentially lower than in mountain- range areas, resulting in lower water availability. The physiognomies on the Ibiapaba plateau (carrasco and deciduous forest) must occur under lower water restrictions, since higher altitude contributes to the potential occurrence of higher rainfall and lower temperature, which favor phanerophytes, a life-form characteristic of sites with lower water restriction. In addition to numeric differences in species richness, remarkable differences between the florislic complexes of each physiognomy were observed in the present study. The two main complexes ( caatinga and carrasco + deciduous forest) are consistem with the soil types that occur in the area, resulting from the type of source rock. Allhough species overlap between deciduous forest and carrasco may be considered low ( 1 5%), differences are even larger when compared with caatinga, whose overlap is only 4%. Carrasco and deciduous forest are floristically more similar because both have a set of species that prefer sandy soil with low pH, whercas caatinga differs from that floristic group by the presence of species typical of soils originated from the crystalline basement of the inter-plateau depression. The crystalline and sedimentary floras of northeastem Brazil also dilfer at a broader scale, as it was observed in analyses of data matrices created from local inventories, carried out in several areas of the Brazilian semi-arid region (Araújo et al. 1 998a, b; Lemos & Rodai 2002; Alcoforado-Filho et al. 2003; Araújo et al. 2005; Lima et al. 2009). As Andrade-Lima (1981) emphasized, in the Brazilian semi-arid region, when the predominam variation is in climate, as observed in the two physiognomies studied in the Ibiapaba Plateau (the Araújo. FS. et al. deciduous forest occurs on the windward side whercas the carrasco occurs on the leeward side), these do not form discrete units. They form a conlinuum represented by species overlap and by the same biological spectrum, as emphasized by Austin (2005). When analyzing physiognomies on different geomorphological units, apart from the climate. the soil component may determine discrete units; communities that, according to Whittaker (1975), ean be delimited by floristic composition and life- forms, such is the case of the difference found between the caatinga and the complex deciduous forest + carrasco. In the comparative analysis with the biological spectra from other Brazilian seasonal vegetation types, the discrimination of the caatinga by higher proportion of therophytes and chamaephytes shows that this vegetation is composed of species whose life-forms represem better the semi-arid climatic pattern, since the predominance of these life-forms is characteristic of vegetations of arid and semi-arid environments (Raunkiaer 1934; Cain 1950). The biological spectrum is similar lo the spectrum of arid and semi- arid climate zones of the world. In summary, the two geomorphological units present in the study area have two distinct floristic complexes, characterized by the predominance of therophytes on the crystalline basement and of phanerophytes on the sedimentary basin. These results show that when implementing reserves in Brazilian semi-arid areas, abiotic local factors, such as soils and relief, must be taken into account, because these lactors seem to reflect regional floristic variation. The environmental heterogeneity may result not only in high species diversity, but also in high functional diversity in the Brazilian semi-arid domain, which, in the present study, may be observed in differences in life-form spectra among the three physiognomies analyzed. Acknowledgements The non-govemmental organization Associação Caatinga funded the management plan for the reserve, through which the floristic inventory of the area w r as carried out. Later, studies were carried out with funding from Ministério de Ciência e Tecnologia, long-term ecological research programs (CNPq/PELD - Pesquisa Ecológica de Longa Duração - site Caatinga), Instituto do Milênio do Semiárido (IMSEAR-MCT/CNPq), of Edital Universal do CNPq (proc. n°. 476285/2003-8) and PROBIO/MMA Rodriguésia 62(2): 341-366. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 cm Floristics and life-forms along a topographic gradient (Biodiversity inventories — Caatinga). Marcelo Oliveira Teles de Menezes helped us make Figure 1. Reviewers contribuled for improving the final version of the manuscript. References Alcoforado- Filho, F.G.; Sampaio, E.V.S.B. & Rodai. M.J.N. 2003. Florística e fitossociologia de um remanescente de vegetação caducifólia espinhosa arbórea cm Caruaru, Pernambuco. Acta Botanica Brasílica 17: 287-303. Almeida Jr., E.B; Pimcntel, R.M.M. & Zickel, C.S. 2007. Flora e formas de vida em uma área de restinga no litoral norte de Pernambuco, Brasil. Revista de Geografia 24: 19-34. 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Rodriguèsia 62(2): 341-366. 201 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Rodriguèsta 62 ( 2 ): 341 - 366 . 201 1 cm 1 Annex 1 - List of families and species found, wilh respective growth-forms and life-forms, in three phytophysiognomies, caatinga (CA), carrasco (CR) and deciduous forest (DF), of the Natural Reserve Serra das Almas, Ceará State, deposited in the EAC Herbarium of the Universidade Federal do Ceará, x = presence of species in the phytophysionogmy. Growth-form (FC) = tree (tre), shrub (shr), sub-shrub (sub), liana (lia), herb (her). Life-form (FV) = phanerophyte (Ph), chamaephyte (Ch), hemicryptophyte (H), therophyte (Th), cryptophyte (Cr). Families/species Comnion name FC FV Phytophysiognomy CA CR DF Collector Acanthaceae Anisacanlhus trilobiis Lindau pimentinha sub Ch X X F.S. Araújo, 1593 Dicliptera ciliaris Juss. sub Ch X X S.F. Vasconcelos, 9 Elytraria sp. sub H X S.F. Vasconcelos, 8 Justiciafragilis Wall. ex Clarke sub Ch X X F.S. Araújo, 1490 Justicia strobilacea (Nees) Lindau shr Ph X X F.S. Araújo, 1458 Justicia sp. shr Ph X F.S. Araújo, 1539 Lophothecium sp. sub Ch X M.S. Sobrinho, 124 Ruellia cf. bahiensis (Nees) Morong sub Ch X F.S. Araújo, 1576 Ruellia paniculata L. melosa-de-bode, melosa shr Ch X X F.S. Araújo, 1547 Ruellia villosa Lindau sub Ch X X M.S. Sobrinho, 125 Achariaceae Lindackeria ovata (Benth.) Gilg mamona-brava tre Ph X R.C. Costa 269 Alstroemeriaceae Alstroemeria sp. her Cr X F.S. Araújo, 1511 Bomarea edulis (Tussac) Herb. her Cr X F.S. Araújo, 1442 Amaranthaceae Altemanthera brasiliana (L.) Kuntze quebra-panela. her Th X X X F.S. Araújo, 1377 cabeça-branca Altemanthera brasiliana her Th X X F.S. Araújo, 1505 var. villosa (Moq.) Kuntze Froelichia lanata Moench her Th X X F.S. Araújo, 1400 Gomphrena demissa Mart. her Th X F.S. Araújo, 1436 Amary llidaceae Hippeastrum sp. cebola-brava her Cr X F.S. Araújo, 1330 Anacardiaceae Myracrodruon urundeuva Allemão aroeira tre Ph X Probio, 400 SciELO/JBRJ 6 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Floristics and life-forms along a topographic gradient Rodriguésia 62(2): 341 - 366 . 2011 Families/species Common name FC FV Phytophysiognomy Collector CA CR DF Annonaceae Diiguetia riedeliana R. E. Fr. camucá tre Ph X Probio, 214 Ephedranthus pisocarpus R. E. Fr. condurú tre Ph X X J.R. Lima, 16 Rollinia leptopetala R. E. Fr. bananinha shr Ph X X M.S. Sobrinho, 15 Apocynaceae Allamanda blanchetii A. DC. pente-de-macaco, cravo-de-cachorro lia H X X X F.S. Araújo, 1335 Aspidosperma cuspa (Kunth) S.F. Blake ex Pittier pereiro-branco tre Ph X F.S. Araújo, 1352 Aspidosperma díscolo r A. DC. canela-de-velho, caneleira tre Ph X J.R. Lima, 18 Aspidosperma multiflorum A. DC. piquiá tre Ph X J.R. Lima, 19 Aspidosperma pyrifoiium Mart. pereiro-preto, pereiro tre Ph X Probio, 403 Aspidosperma cf. subincanum Mart. ex A. DC. piquiá tre Ph X M.S. Sobrinho, 245 Mandevilla scabra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) K.Schum. lia Ch X F.S. Araújo, 1497 Mandevilla tenuifolia (J. C. Mikan) Woodson her Cr X F.S. Araújo, 1323 Matelea harleyi Fontella & Morillo lia Ch X F.S. Araújo, 1543 Prestonia bahiensis Müll Arg. lia Ph X F.S. Araújo, 1290 Secondatia floribunda A. DC. lia Ph X J.R. Lima, 89 Tabemaemontana catharinensis A. DC. grão-de-porco shr Ph X F.S. Araújo, 1479 Tassadia burchelii E. Fourn. lia Ph X J.R. Lima, 13 Araceae Scaphispatha gracilis Brongn. ex Scholt her Cr X L.W. Lima- Verde, 1091 Spathicarpa hastifolia Hook. her Cr X F.S. Araújo, 1379 Taccarum peregrinam (Schott) Engl. milho-de-cobra her Cr X R.C. Costa, 358 Asteraceae Acmella uliginosa (Sw.) Cass. agrião her Th X F.S. Araújo, 1407 Aspilia cf. attenuata (Gardner) Baker her Th X F.S. Araújo, 1503 Aspilia bonplandiana (Gardner) S. F. Blake her Th X F.S. Araújo, 1590 Blainvillea lanceolala Baker her Th X X R.C. Costa, 97 Blainvillea latifolia (L. f.) DC. her Th X R.C. Costa. 441 Blainvillea ligulata (L. f.) DC. bamburral her Th X R.C. Costa, 436 Blainvillea rhomboidea Cass. her Th X M.S. Sobrinho, 52 SciELO/JBRJ Araújo, F.S. et al. cm 8 . Familics/species ^ Centratherum punctatum Cass. ~ Delilia biflora (L.) Kuntze £ Dissothrix imbricata (Gardner) B. L. Rob. ú Jaegeria hirta (Lag.) Less ^ Lagascea mollis Cav. 2 Melampodium camphoratum (L. f.) Baker Melanthera latifolia (Gardner) Cabrera Pithecoseris pacourinoides Mart. ex DC. Stilpnopappus sp. Trichogonia cf. menthifolia Gardner Vemonia aff. arenaria Mart. ex DC. Vemonia obscura Less. Wedelia hookeriana Gardner Wedelia villosa Gardner Bignoniaceae Anemopaegma ataidei A.Gentry Arrabidaea caudigera (S. Moore) A.H.Gentry Arrabidaea chica( Humb. & Bonpl.) Verl. Arrabidaea corallina (Jacq.) Sandwith Arrabidaea dispar Bureau ex K. Schum. Jacaranda jasminoides (Thunb.) Sandwith Pithecoctenium crucigemm (L.) A.H. Gentry Tabebuia impetiginosa (Mart. ex DC.) Standl. Tabebuia ochracea (Cham.) Standl. Bixaceae Cochlospermum virifolium (Willd.) Spreng. Boraginaceae Cordia leucomalloides Taroda Cordia oncocalyx Allemão Cordia rufescens A. DC. Toumefortia sp. Common name FC FY Phytophysiognomy CA CR DF Collector her Th X R.C. Costa, 456 her Th X R.C. Costa, 440 her Th X F.S. Araújo, 1467 her Th X S.F. Vasconcelos, s/n her Th X S.F. Vasconcelos, 12 her Th X F.S. Araújo, 1422 her Th X Probio, s/n her Th X M.S. Sobrinho, 109 her Th X M.S. Sobrinho, 84 her Th X F.S. Araújo, 1560 sub Ph X F.S. Araújo, 1497 shr Ph X F.S. Araújo, 1450 her Th X F.S. Araújo, 1287 sub Ch X J.R. Lima, 85 lia Ph X M.S. Sobrinho, 236 lia Ph X R.C. Costa, 320 lia Ph X J.R. Lima, 21 lia Ph X M.S. Sobrinho, 31 lia Ph X J.R. Lima, 20 jacarandá tre Ph X R.C. Costa, 95 pente-de-macaco lia Ph X M.S. Sobrinho, 231 pau-d'arco-roxo tre Ph X Observada pau-d'arco tre Ph X J.R. Lima, 23 pacotê tre Ph X X S.F. Vasconcelos, 4 maria-preta shr Ph X X L.W. Lima- Verde, 1181 pau-branco tre Ph X R.C. Costa, 404 grão-de-galo shr Ph X X F.S. Araújo, 1478 lia Ph X F.S. Araújo, 1329 SciELO/JBRJ 6 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Rodrigué sia 62 ( 2 ): 341 - 366 . 201 1 u» Families/species Common name FC FV Phytophysiognomy Collector CA CR DF Brassicaceae Brassica sp. her Th X F.S. Araújo, 1401 Bromeliaceae Bromelia auriculata L.B.Sm. macambirinha her Ch X L.W. Lima- Verde, 1222 Bromelia laciniosa Mart. ex Schult. f. macambira her Ch X L.W. Lima- Verde, 1216 Bromelia plumieri (E. Morren ) L.B.Sm. croatá her Ch X X X L.W. Lima- Verde, 983 Encholirium erecliflorum L. B. Sm. macambira-de-flexa her Ch X L.W. Lima- Verde, 981 Burseraceae Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B. Gillett imburana-de-espinho tre Ph X X J.R. Lima, 48 Cactaceae Cereus albicaulis (Britton & Rose) Luetzelb. rabo-de-raposa shr Ph X Observada Cereus jamacaru DC. mandacaru tre Ph X X X Observada Capparaceae Cynophalla fle.xuosa (L.) J. Presl feijão-bravo shr Ph X Observada Crateva tapia L. trapiá tre Ph X Probio, 563 Celastraceae Maytenus sp. tre Ph X J.R. Lima 100 Chrysobalanaceae Licania sclerophylla (Hook. f.) Fritsch oiticica tre Ph X Probio, 327 Cleomaceae Cleome microcarpa Ule her Th X Probio, 204 Combretaceae Buchenavia capitata (Vahl) Eichler mirindiba tre Ph X M.S. Sobrinho, 292 Combretum glaucocarpum Mart. cipaúba tre Ph X L.W. Lima- Verde, 1111 Combretum lanceolatum Pohl ex Eichler catinga-branca shr Ph X Probio, 326 Combretum leprosum Mart. mofumbo shr Ph X X F.S. Araújo, 1516 Combretum mellifluum Eichler catinga-branca shr Ph X F.S. Araújo, 1473 Commelinaceae Callisia filiformis (M. Martens & Galeotti) D. R. Hunt her Th X F.S. Araújo, 1404 Commelina nudiflora L. her Th X R.C. Costa, 367 Dichorisandra hexandra (Aubl.) Standl. her Th X F.S. Araújo, 1393 Dichorisandra sp. her Th X R.C. Costa. 395 SciELO/JBRJ Araújo, F.S. et al. Rodríguésia 62 ( 2 ): 341 - 366 . 201 1 cm 1 Families/species Common name FC FV Phytophysiognomy CA CR DF Collector Convolvulaceae Evolvulus elaeagnifolius Dammer lia Ch X X F.S. Araújo, 1486 Evolvulus ericaefolius Schrank. her Th X F.S. Araújo, 1351 Evolvulus filipes Mart. her Th X X F.S. Araújo, 1515 Evolvulus cf. Iatifolius Ker Gawl. her H X F.S. Araújo, 1509 Evolvulus macroblepharis Mart. sub Ch X J.R. Lima, 83 Evolvulus ovatus Femald her Th X X F.S. Araújo, 1523 Evolvulus pterocaulon Moric. sub Ch X M.S. Sobrinho, 268 Evolvulus sp. sub Ch X F.S. Araújo, 1395 Ipomoea asarifolia (Desr.) Roem. & Schult. sub Ch X M.S. Sobrinho, 283 Ipomoea bahiensis Willd. ex Roem. & Schult. jitirana-da-folha-pequena lia Ch X F.S. Araújo, 1424 Ipomoea brasiliana Meins. lia Ph X J.R. Lima, 25 Ipomoea hederifolia L. pimenteira lia Ch X R.C. Costa, 444 Ipomoea nil (L.) Roth jitirana lia Th X X R.C. Costa, 448 Ipomoea polymorpha Roem. & Schult. her Th X F.S. Araújo, 1522 Ipomoea rosea Choisy lia Ch X R.C. Costa, 92 Ipomoea sericophylla Meisn. sub Ch X Vasconcelos, S. F., 7 Ipomoea subincana Meisn. lia Ch X F.S. Araújo, 1372 Jacquemontia gracillima (Choisy) Hallier f. her Th X F.S. Araújo, 1521 Jacquemontia nodiflora (Desr.) G Don lia Ch X F.S. Araújo, 1370 Jacquemontia pentantha (Jacq.) G Don lia Ch X F.S. Araújo, 1420 Merremia aegyptia (L.) Urb. jitirana lia Th X Costa, R. C., 453 Operculina alata Urb. batata-de-purga lia Ph X S.F. Vasconcelos, 5 Cucurbitaceae Cayaponia racemosa (Mill.) Cogn. lia Ch X M.S. Sobrinho, 183 Cyperaceae Cy perus aggregatus (Willd.) Endl. her H X J.R. Lima, 106 Cy perus laxus Lam. her H X F.S. Araújo, 1363 Cyperus surinamensis Rottb. her Th X L.W. Lima- Verde, 1092 Cyperus uncinulatus Schrad. ex Nees barba de bode her Th X R.C. Costa, 361 Kyllinga sp. her H X L.W. Lima- Verde, 1078 Rhynchospora sp. her Th X Probio, 199 SciELO/JBRJ 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 Floristics and life-forms along a topographic gradient Rodríguésia 62 ( 2 ): 341-366. 201 1 L*J LA Q\ cm 1 Families/species Common name FC FV Phytophysiognomy Collector CA CR DF Dilleniaceae Davilla cearensis Huber lia Ch X M.S. Sobrinho, 267 Dioscoreaceae Dioscorea ovata Vell. lia Cr X F.S. Araújo, 1482 Dioscorea sp.l lia Cr X R.C. Costa, 366 Dioscorea sp.2 lia Cr X R.C. Costa, 55 Eriocaulaceae Syngonanthus sp. her Th X F.S. Araújo, 1498 Erythroxylaceae Erythroxylum amplifolium Baill. shr Ph X R.C. Costa, 89 Erythroxylum barbatum O. E. Schulz shr Ph X X F.S. Araújo, 1306 Erythroxylum bezerrae PIowman shr Ph X X F.S. Araújo, 1322 Erythroxylum laetevirens O. E. Schulz pirunga shr Ph X X F.S. Araújo, 1472 Erythroxylum nummularia Peyr. shr Ph X L.W. Lima- Verde, 952 Erythroxylum stipulosum Plowaman shr Ph X L.W. Lima- Verde, 1 1 14 Erythroxylum vacciniifolium Mart. shr Ph X L.W. Lima- Verde, 952 Euphorbiaceae Acalypha multicaulis Müll. Arg. sub Ch X F.S. Araújo, 1 365 Actinostemon sp. shr Ph X L.W. Lima- Verde, 1 199 Bernardia sidoides (Klotzsch) Müll. Arg. her Th X F.S. Araújo, 1339 Chamaesyce hyssopifolia (L.) Small her H X F.S. Araújo, 1342 Cnidoscolus vitifolius (Mill.) Pohl cansanção shr Ph X X F.S. Araújo, 1309 Croton adenocalyx Baill. catinga branca shr Ph X F.S. Araújo, 1 346Croton Croton argyrophylloides Müll Arg. marmeleiro branco shr Ph X X F.S. Araújo, 1294 Croton betaceus Baill. shr Ph X F.S. Araújo, 1331 Croton blanchetianus Baill. marmeleiro-preto. shr Ph X X F.S. Araújo, 1356 marmeleiro Croton cordiifolius Baill. shr Ph X X F.S. Araújo, 1280 Croton echioides Müll. Arg. shr Ph X F.S. Araújo, 1454 Croton glandulosus L. her Th X Probio, 208 Croton grewioides Baill. canelinha shr Ph X X J.R. Lima, 79 Croton heliotropiifoliiis Kunth velame shr Ph X F.S. Araújo, 1310 SciELO/JBRJ 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 Araújo, F.S. et al. Rodríguésia 62 ( 2 ): 341 - 366 . 201 1 Families/species Common name FC FV Phytophysiognomy CA CR DF Collector Croton jacobinensis Baill. shr Ph X L.W. Lima- Verde, 1044 Crolon lundianus (Didr.) Miill. Arg. her Th X R.C. Costa, 350 Croton morilibensis Baill. shr Ph X L.W. Lima- Verde, 077 Croton nepetifolius Baill. marmeleiro-cravinho shr Ph X F.S. Araújo, 1325 Crolon odontadenius Miill. Arg. shr Ph X Probio 393 Croton rudolphianus Miill. Arg. shr Ph X X F.S. Araújo, 1325 Croton urticifolius Lam. her Th X F.S. Araújo, 1376 Croton zehntneri Pax & K. Hoffm. canelinha shr Ph X X Probio, 40 Dalechampia pemambucensis Baill. lia Ch X F.S. Araújo, 1428 Euphorbia comosa Vell. sub Ch X X F.S. Araújo, 1461 Euphorbia insulana Vell. her Th X S.F. Vasconcelos, s/n Gymnanthes spl. shr Ph X J.R. Lima, 29 Gymnanthes sp2. tre Ph X J.R. Lima, 27 Gymnanthes sp3. shr Ph X X M.S. Sobrinho, 8 Jatropha mollissima (Pohl) Baill. pinhão tre Ph X R.C. Costa, 350 Manihot anômala Pohl maniçoba shr Ph X F.S. Araújo, 1318 Manihot glaziovii Miill. Arg. shr Ph X L.W. Lima- Verde, 1203 Manihot palmata Miill. Arg. maniçoba shr Ph X F.S. Araújo, 1305 Maprounea sp. tre Ph X X Probio, 273 Microstachys comiculata (Vahl) Griseb. her Th X F.S. Araújo, 1470 Poinsettia heterophylla (L.) Klotzsch & Garcke her Th X F.S. Araújo, 1531 Sapium lanceolatum (Miill. Arg.) Huber burra-leiteira tre Ph X X Probio, 14 Stillingia trapezoidea Ule shr Ph X F.S. Araújo, 1321 Tragia cf. lessertiana (Baill.) Miill. Arg. lia Ch X M.S. Sobrinho, 54 Fabaceae Caesalpinioideae Bauhinia acuruana Moric. shr Ph X Probio, 408 Bauhinia cf. dubia G. Don. tre Ph X J.R. Lima, 44 Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud. mororó shr Ph X F.S. Araújo, 1397 Bauhinia pentandra (Bong.) Vogei ex Steud. tre Ph X F.S. Araújo, 1411 Bauhinia pulchella Benth. mororó tre Ph X F.S. Araújo, 1563 Bauhinia ungulata L. mororó tre Ph X F.S. Araújo, 1569 10 SciELO/JBRJ. 17 18 Floristics and li fe- fornis along a topographic gradient Rodriguèsia 62(2): 341-366. 201 1 Families/species Common name FC FV Phytophysiognomy CA CR DF Collector Chamaecrista barbata (Nees & C. Mart.) H.S. Irwin & Barneby sub Ch X F.S. Araújo, 1573 Chamaecrista belemii (H. S. Irwin & Barneby) sub Ch X F.S. Araújo, 1388 Chamaecrista calycioides (Collad.) Greene her H X Probio, 176 Chamaecrista diphylla (L.) Greene her H X F.S. Araújo, 1492 Chamaecrista duckeana (P.Bezerra & Afr.Fem.) H.S. Irwin & Barneby canafístula-brava sub Ch X X R.C. Costa, 442 Chamaecrista nictitans (L.) Moench sub Ch X X X F.S. Araújo, 1368 Chamaecrista ramosa (Vogei) H. S. Irwin & Barneby sub Ch X S.F. Vasconcelos, s/n Chamaecrista repetis (Vogei) H.S. Irwin & Barneby sub Ch X F.S. Araújo, 1484 Chamaecrista rotundifolia (Pers.) Greene her Hh X F.S. Araújo, 1410 Chamaecrista sitpplex (Benlh.) Britton & Rose ex Britton & Killip her Hh X F.S. Araújo, 1526 Chamaecrista tenuisepala (Benth.) H.S. Irwin & Barneby sub Ch X F.S. Araújo, 1390 Chamaecrista zygophylloides (Taub.) H.S. Irwin & Barneby sub Ch X M.S. Sobrinho, 1 12 Copaifera martii Hayne pau d'óleo tre Ph X X M.S. Sobrinho, 57 Hymenaea eriogyne Benth. jatobá-batinga shr Ph X X F.S. Araújo, 1383 Hymenaea velutina Ducke jatobá-de-porco, tre Ph X X F.S. Araújo, 1387 jatobá-de-veia Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L.P.Queiroz jucá, pau-ferro tre Ph X F.S. Araújo, 1555 Peltogyne confertifiora (Mart. ex Hayne) Benth. tre Ph X J.R. Lima, 50 Poincianella bracteosa (Tul.) L.P.Queiroz catingueira tre Ph X R.C. Costa, 401 Poincianella gardneriana (Benth.) L.P.Queiroz tre Ph X F.S. Araújo. 1538 Sentia cearensis Afr. Fern. besouro shr Ph X X J. R. Lima, 46 Sentia gardneri (Benth.) H. S. Irwin & Barneby besouro shr Ph X R.C. Costa, 291 Sentia lechriospemia H. S. Irwin & Barneby besouro shr Ph X X F.S. Araújo, 1382 Sentia macranthera ( DC.ex Collad.) H. S. Irwin & Barneby besouro shr Ph X F.S. Araújo, s/n Sentia obtusifoUa (L.) H. S. Irwin & Barneby besouro sub Ch X Probio, 365 Sentia rngosa (G Don) H. S. Irwin & Barneby shr Ph X X R.C. Costa, 308 Sentia splendida (Vogei) H.S. Irwin & Barneby besouro shr Ph X F.S. Araújo, 1566 Sentia trachypus (Mart. ex Benth.) H. S. Irwin & Barneby besouro shr Ph X X X R.C. Costa, 165 Mimosoideae Anadenanthera colubrina var. cebil (Griseb.) Altschul angico tre Ph X R. C. Costa, 562 Chloroleucon acacioides (Ducke) Barneby & J. W. Grinies arapiraca tre Ph X R.C. Costa, 319 Inga ingoides (Rich.) Willd. tre Ph X L.W. Lima-Verde, 1083 SciELO/JBRJ Araújo , F.S. et ai. Rodriguésiâ 62 ( 2 ): 34 1 - 366 . 20 1 1 Families/species Common name FC FV Phytophysiognomy Collector CA CR DF Mimosa aailistipula (Mart.) Benth. tre Ph X X F.S. Araújo, 1476 Mimosa caesalpiniifolia Benth. sabiá tre Ph X R.C. Costa, 399 Mimosa invisa Mart. ex Colla malícia shr Ph X M.S. Sobrinho, 27 Mimosa quadrivalvis var. leptocarpa (DC.) Barnehy lia Ch X M.S. Sobrinho, 240 Mimosa sensitiva L. lia Ch X F.S. Araújo, 1441 Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir. jurema-preta shr Ph X F.S. Araújo, 1544 Mimosa ursina Mart. sub Ch X F.S. Araújo, 1369 Mimosa verrucosa Benth. tre Ph X X F.S. Araújo, 1567 Parkia platycephala Benth. faveira tre Ph X R.C. Costa, 286 Piptadenia stipulacea (Benth.) Ducke jurema-branca tre Ph X F.S. Araújo, 1426 Pityrocarpa moniliformis (Benth.) Luckow & Jobson catanduva tre Ph X X F.S. Araújo, 1298 Senegalia langsdorffii (Benth.) Seigler & Ebinger jurema-de-bode shr Ph X X M.S. Sobrinho, 195 Senegalia polyphylla (DC.) Britton & Rose tre Ph X F.S. Araújo, 1328 Senegalia tenuifolia (L.) Britton & Rose tre Ph X Probio, 335 Papilionoideae Aeschynomene histrix Poir. her Th X S.F. Vasconcelos, 17 Aeschynomene marginata Benth. sub Ch X F.S. Araújo, 1502 Amburana cearensis ( Allemão) A.C. Sm. cumani, imburana-de-cheiro tre Ph X X M.S. Sobrinho, 202 Andira surinamensis (Bondt) Splitg. ex Pulle tre Ph X M.S. Sobrinho, 285 Arachis dardanii Krapov. & W.C. Gregory mondubim her Th X R.C. Costa, 369 Bowdichia virgilioides Kunth sucupira tre Ph X Probio, 304 Centrosema brasilianum (L.) Benth. feijão-de-rolinha lia H X X R.C. Costa, 45 1 Centrosema pascuorum Mart. ex Benth. her Th X F.S. Araújo, 1518 Cranocarpus gracilis Afr. Fem. & P.Bezerra sub Ch X F.S. Araújo, 1371 Cratylia mollis Mart. ex Benth. lia Ph X F.S. Araújo, 1589 Crotalaria vitellina Ker Gawl. her Th X M.S. Sobrinho, 266 Dalbergia cearensis Ducke tre Ph X L.W. Lima- Verde, 1197 Desmodium disto rtum (Aubl.) J.F. Macbr. sub Ch X M.S. Sobrinho, 271 Desmodium sp. 1 sub Ch X Probio, 157 Desmodium sp. 2 her Th X Probio, 172 Desmodium sp. 3 sub Ch X Probio, 277 10 SciELO/ JBRJ; 17 18 Florístics and life-forms along a topographic gradient Rodriguésia 62(2): 341-366. 201 1 cm i Families/species Common name FC FV Phytophysiognomy CA CR DF Collector Dioclea grandiflora Mart. ex. Benth. mucunã lia Ph X F.S. Araújo, 1535 Dioclea megacarpa Rolfe mucunã lia Ph X Rabelo, J. L., 37 Erylhrina velutina Willd. mulungu tre Ph X R.C. Costa, 328 Galactia jussiaeana Kunth lia Ph X X F.S. Araújo, 1586 Harpalyce brasiliana Benth. shr Ph X Probio, 303 Indigofera suffruticosa Mill. sub Ch X M.S. Sobrinho, 228 Lonchocarpus ararípensis Benth. tre Ph X J.R. Lima, 49 Luetzelburgia auriculata (Allemão) Ducke pau-mocó tre Ph X M.S. Sobrinho, 286 Machaerium acutifolinm Vogei violete tre Ph X F.S. Araújo, 1564 Machaerium stipitatum (DC.) Vogei violete tre Ph X L.W. Lima- Verde, 1055 Ormosia fastigiata Tul. tre Ph X R.C. Costa, 417 Periandra coccinea (Schrader) Benth. lia Ch X F.S. Araújo, 1419 Plathymenia reticulata Benth. candeia tre Ph X Probio, 300, 213 Platypodium elegans Vogei shr Ph X M.S. Sobrinho, 13 Rhynchosia phaseoloides (Sw.) DC. sub Ch X M.S. Sobrinho, 181 Sesbania marginata Benth. sub Ch X Probio, 418 Stylosanlhes capirala Vogei sub Ch X M.S. Sobrinho, 51 Stylosanthes humilis Kunth her Th X S.F. Vasconcelos, 16 Swartzia flaemingii Raddi jacarandá. tre Ph X X M.S. Sobrinho, 219 banha-de-galinha Vatairea macrocarpa (Benth.) Ducke tre Ph X M.S. Sobrinho, 293 Iridaceae Herbertia sp. her Cr X F.S. Araújo, 1375 Nemastylis sp. her Cr X F.S. Araújo, 1481 Lamiaceae Amasonia campestris (Aubl.) Moldenke sub Ch X X F.S. Araújo, 1289 Hypenia salzmannii (Benth.) Harley her Th X F.S. Araújo, 1501 Hyptis platanifolia Mart. ex Benth. her Th X M.S. Sobrinho, 1 18 Hyptis simulans Epling her Th X F.S. Araújo, 1570 Hyptis suaveolens (L.) Poit. alfazema-brava, alfazema her Th X X F.S. Araújo, 1421 Marsypianthes chamaedrys (Vahl) Kuntze her Th X X F.S. Araújo, 1406 Ví/e. t schaueriana Moldenke mama-cachorro tre Ph X X R.C. Costa, 340 SciELO/JBRJ 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 Araújo, F.S. et al. cm aj i CJ ç O' ro o Families/species Common name FC FV Phytophysiognomy CA CR DF Collector 9 ã- 8 Loasaceae Q> 3 o. Mentzelia fragilis Huber. prega-prega her Th X R.C. Costa, 433 s* i Loganiaceae 1 Spigelia anihelmia L. her Th X F.S. Araújo, 1338 10), intermediárias (10 > VI > 1) e raras (VI < 1 ), como proposto por Pereira et al. (2004). De\ e-se ressaltar que o VI calculado por essas autoras foi a partir dos parâmetros relativos de freqüência, cobertura e densidade, com o total somando 300, enquanto que o presente trabalho utilizou apenas os dois primeiros parâmetros, sendo o somatório do VI igual a 200. Mas, levando-se em consideração o acima exposto, que os parâmetros de freqüência e cobertura relativas são suficientes para compreender a estrutura do estrato em estudo, considerou-se como apropriada a utilização dessa mesma classificação das espécies, apesar de ter restringido algumas comparações diretas com o trabalho de Pereira et al. (2004). A diversidade foi estimada através do índice de Shannon (H ) e daequabilidade de Pielou (J), nos quais os valores de frequência e cobertura foram utilizados como medidas de abundância das espécies (Magurran 1988). Devido às semelhanças metodológicas (definição do estrato herbáceo como ervas + subarbustos e utilizaçaodeparcelasde 1 m 2 ), esse estudo foi comparado com o de Pereira et al. (2004), cujo foco foi analisar o estrato herbáceo de uma comunidade de restinga cm moitas no Parque Nacional (PARNA) da Restinga de Jurubatiba (Tab. 1 ). Foram calculados os índices de similaridade de Sorensen (Cs) e Sorensen quantitativo (CN), sendo o número de indivíduos substituído pelo Tabela 1 - Comparação entre a comunidade arbustiva aberta não inundável (fácies alta), na APA de Massambaba RJ e a formação arbustiva aberta de Clusia, no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba RJ thC n0n ' n °° ded ° PCn SCRlb f0 ™ atÍOn m thC APA ° fMaSSambaba ' RJ and< «1* Clusia open scrub m lhe Localidade Comunidade estudada Critério de inclusão Método amostragem Total amostrado Número de espécies Família mais rica em espécies Diversidade - H' (cobertura) Equabilidade- J’ (cobertura) Este trabalho APA de Massambaba Arbustiva aberta nãoinundável (fácies alta) ervas + subarbustos parcelas 1 m 2 200 m 2 33 Leguminosae 2,32 nats/m 2 0,67 Pereira et al, (2004 ) PARNA da Restinga de Jurubatiba Arbustiva aberta de Clusia ervas + subarbustos parcelas 1 m 2 600 m 2 39 Rubiaceae 1,89 nats/m 2 0.52 Rodriguèsia 62 ( 2 ): 367 - 378 . 201 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 Estrato herbáceo de uma restinga na APA de Massambaba valor de cobertura das espécies (Magurran 1988). Para comparar os índices de Shannon com base na cobertura (H’ c), foi utilizado o método de Hutcheson para o cálculo do teste t, como recomenda Zar ( 1 999). O material botânico testemunho foi coletado, herborizado e depositado no Herbário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). A identificação taxonômica foi realizada através de consulta à literatura especializada, comparação com material de herbário e, sempre que possível, as espécies foram confirmadas pelos especialistas de cada família botânica. Para a classificação taxonômica das famílias de angiospermas, adotou-se o 371 Angiosperm Phylogeny Group II (APG II 2003), exceto para Leguminosae, que seguiu Lewis et ctl. (2005). As pteridófitas foram classificadas de acordo com Smith etal. (2006). Resultados Foram encontradas 33 espécies no estrato herbáceo da comunidade estudada, sendo distribuídas em 19 famílias e 28 gêneros (Tab. 2). A família com maior número de espécies foi Leguminosae (4), seguida porCactaceae, Rubiaceae, Orchidaceae (3), Araceae, Bromeliaceae, Cyperaceae, Poaceae e Verbenaceae (2). Tabela 2 - Lista das espécies do estrato herbáceo da comunidade arbust.va aberta da APA de Massambaba, RJ, organizadas em ordem alfabética de famílias. Sigla do coletor: DAC = Etaniele Andrade de Ca ™ J** T atile 2 - Spccics list from lhe hcrb layer of lhe non-flooded open scrub formauon m the APA of Massambaba, RJ, alphabet.c ordcrcd by families. Abbreviation for collector: DAC - Daniele Andrade de Carva o. Família Espécie Araceae Anthurium maricense Nadruz & Mayo Araceae Philodendron corcovadense Kunth Arecaceae Allagoptera arenaria (Gomes) Kuntze Asteraceae Trichogoniopsis podocarpa (DC.) R.M. Kmg & H. Rob. Bromeliaceae Neoregelia cruenta (Graham) L. B. Sm. Bromeliaceae Vriesea neoglutinosa Mez Cactaceae Cereusfemambucensis Lem. Cactaceae Melocactus violaceus Pfeiff. . Cactaceae Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles & G. D. Rowley Chrysobalanaceae Couepia ovalifolia (Schott) Benth. Convolvulaceae Evolvulus genistoides Ooststr. Cyperaceae Abildgaardia baeothryon A. St.-Hil. Cyperaceae Lagenocarpus rigidus Nees Ericaceae Gaylussacia brasiliensis (Spreng.) Meisn. Euphorbiaceae Sebastiania glandulosa (Mart.) Pax Leguminosae Chamaecristaflexuosa (L.) Greene Leguminosae Chamaecrista ramosa (Vogei) H. S. Irwin & R. C. Bam y Leguminosae Stylosanthes guianensis (Aubl.) Sw. Leguminosae Stylosanthes viscosa (L.) Sw. Lythraceae Cuphea flava Spreng. Malpighiaceae Stigtnaphyllon paralias A. Juss. Mollugaceae Mollugo verticillata L. Orchidaceae Epidendrum denticulatum Barb. Rodr. Orchidaceae Epidendrum orchidiflorum (Salzm.) Salzm. ex L.ndl Orchidaceae Vanilla cf chamissonis Klotzsch Poaceae Indeterminada Poaceae Panicum trinii Kunth Polypodiaceae Serpocaulon triseriale (Sw.) A.R. Sim Rubiaceae Diodella apiculata (Willd. ex Roem. & SchulL) Delprctc Rubiaceae Diodella radula (Willd. ex Roem. et Schult.) Delprete Rubiaceae Mitracarpus Ihotzkyanus Cham. Verbenaceae Lantana fucata Lindl. Verbenaceae Stachvtarpheto rrstineensis Moldenke_ No. coletor DAC 64 DAC 124 DAC 125 DAC 83 s/n° DAC 65 DAC 69 DAC 123 DAC 77 DAC 52 DAC 74 DAC 55 DAC 68 DAC 72 DAC 51 DAC 54 DAC 63 DAC 62 DAC 76 DAC 53 DAC 93 DAC 70 DAC 56 DAC 82 s / n° s/n° DAC 81 DAC 86 DAC 59 DAC 84 DAC 50 DAC 85 DAC 71 Rodriguésia 62 ( 2 ): 367 - 378 . 201 1 SciELO/JBRJ, 13 14 cm 372 Carvalho. DA. & Si C.F.C. No levantamento de dados da estrutura da comunidade, a cobertura vegetal total correspondeu a 7 1 ,6% da área (143,27 m 2 ), sendo a cobertura de detritos de 56,3% (28,14 m 2 ) e a de areia nua de 12,3% (24,75 m 2 ), considerando a sobreposição dos percentuais de detritos e vegetação. A análise estrutural da vegetação incluiu 32 espécies, ao considerar Epidendrum denticulatum e E. orchidiflorum como uma única morfo-espécie (Tab. 3). As espécies que apresentaram maiores valores de importância foram Panicum trinii , Allagoptera arenaria, Vriesea neoglutinosa , Chamaecrista ramosa , Sebastiania glandulosa, Couepia ovalifolia, Diodella apiculata , e Cuphea flava. Essas oito espécies foram consideradas dominantes (75% do VI), 13 espécies foram definidas como intermediárias (22% do VI) e as raras (1 1 spp.) somaram 2% do VI. Tabela 3 - Parâmetros fitossociológicos das espécies do estrado herbáceo da comunidade arbustiva aberta da APA de Massamababa, RJ, organizadas em ordem decrescente de valor de importância. NP: número de parcelas com ocorrência da espécie, CT: cobertura total da espécie (m 2 ), FA: frequência absoluta, FR: frequência relativa (%), CA: cobertura absoluta (m 2 /ha), CR: cobertura relativa (%), VI: valor de importância. Table 3 - Phytosociological parameters of the species from thc herb layer of the non-fiooded open scrub formation in the APA of Massambaba, RJ, ordered by highest importance values. NP: number of plots where the species occur, CT: total cover of the species (m 2 ), FA: absolutc frequcncy, FR: relative frequency (%), CA: absolute cover (mVha), CR: relative cover (%), VI: importance value. Espécie NP CT FA FR CA CR XI Panicum trinii 100 46,92 0,500 11,82 2346,0 32,57 44,39 Allagoptera arenaria 103 22,02 0,515 12,17 1101,0 15.28 27,46 Vriesea neoglutionosa 44 17,54 0,220 5,20 877.0 12,17 17,37 Chamaecrista ramosa 73 10,6 0,365 8,63 530,0 7,36 15,99 Sebastiania glandulosa 77 6,71 0,385 9,10 335.5 4.66 13,76 Couepia ovalifolia 45 8,01 0,225 5,32 400.5 5,56 10.88 Diodella apiculata 56 5,65 0.280 6,62 282.5 3,92 10,54 Cupliea flava Al 6,97 0,235 5,56 348.5 4,84 10,39 Evolvulus genistoides 49 2,97 0,245 5,79 148,5 2,06 7,85 Stigmaphyllon paralias 44 1,23 0.220 5,20 61,5 0,85 6.05 Cereus fernambucensis 34 2,12 0,170 4,02 106,0 1,47 5,49 Anthurium maricense 27 2,27 0,135 3,19 113.5 1.58 4.77 Mollugo verticillata 22 0,67 0,110 2,60 33,5 0,47 3,07 Chamaecrista flexuosa 21 0,82 0,105 2,48 41,0 0,57 3,05 Epidendrum spp. 11 2,44 0,055 1,30 122,0 1,69 2,99 Pilosocereus arrabidae 16 1,42 0,080 1,89 71,0 0.99 2,88 Melocactus violaceus 19 0,41 0,095 2,25 20,5 0,28 2,53 Stachytarpheta restingensis 10 0,5 0,050 1,18 25,0 0.35 1.53 Vanilla cf. chamisonis 6 1,04 0,030 0,71 52,0 0,72 1,43 Stylosanthes guianensis 9 0,3 0.045 1,06 15,0 0,21 1,27 Mitracarpus lhotdcyanus 9 0,22 0.045 1,06 11,0 0.15 1.22 Lagenocarpus rigidus 3 0,82 0,015 0,35 41,0 0.57 0,92 Gaylussacia brasiliensis 5 0,08 0,025 0,59 4.0 0,06 0,65 Poaceae indeterminada 1 0,66 0,005 0,12 33,0 0,46 0.58 Neorogelia cruenta 1 0,59 0.005 0,12 29,5 0,41 0.53 Diodella radula 3 0,24 0.015 0,35 12,0 0,17 0,52 Serpocaulon triseriale 2 0,29 0,010 0,24 14,5 0,20 0,44 Philodendron corcovadensis 2 0,22 0,010 0,24 11,0 0.15 0.39 Trichogoniopis podocarpa 2 0,15 0,010 0,24 7.5 0,10 0,34 Lantana fucata 2 0,1 0,010 0,24 5.0 0,07 0.31 Abildgaardia baeothryon 2 0,09 0,010 0,24 4,5 0.06 0.30 Stylosanthes viscosa 1 0,01 0.005 0,12 0,5 0.01 0.13 Total 846 144.08 4.23 100 7204 100 200 Rodriguésia 62(2): 367-378. 201 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm Estrato herbáceo de uma restinga na APA de Massambaba Os valores dos índices de Shannon e de equabilidade de Pielou baseados na cobertura das espécies foram, respecti vame nte, H\ = 2,32 nats/m 2 e J’ c = 0,67, e os valores baseados na frequência foram H’ F = 2,90 eJ’ F = 0,84. Na comparação deste trabalho com o de Pereira etaL (2004), foram encontradas 21 espécies em comum (65,6% das espécies aqui amostradas), sendo obtidos os valores dos índices de similaridade de Sorensen (Cs = 0,59) e de Sorensen quantitativo (CN = 0,64). Os valores do índice de Shannon foram significativamente diferentes (t= 14,38; p< 0,001), confirmando que a diversidade de espécies de Massambaba é superior à diversidade de Jurubatiba, para o estrato herbáceo das comunidades analisadas. As demais comparações entre ambos os estudos estão apresentadas na Tabelai. Discussão Estrutura do estrato herbáceo O estrato herbáceo da comunidade estudada é formado majoritariamente por ervas e subarbustos, com alguns arbustos de pequeno porte também contribuindo para a sua estrutura. Adicionalmente às espécies aqui levantadas, ocorrem poucos indivíduos de Tillandsia stricta Sol. fixados ao solo mas que não foram considerados na amostragem deste estudo, pois a espécie apresenta hábito predominantemente epifítico. A cobertura vegetal estimada (71,6%) não se apresenta de forma contínua, havendo áreas de moitas dominadas por espécies arbustivas, onde a cobertura vegetal chega a 100% , sendo intercaladas por áreas de areia nua e vegetação esparsa, com predomínio de espécies herbáceas e subarbustivas. Como não foram distinguidos os percentuais correspondentes ao estrato herbáceo e ao estrato arbustivo para essa estimativa da cobertura vegetal total, não é possível apontar a contribuição da cobertura de cada estrato, separadamente, para a fisionomia da comunidade estudada. Devido à maior disponibilidade de nutrientes, de água no solo, e às condições microclimáticas favoráveis que as moitas proporcionam (Zaluar & Scarano 2000), algumas espécies são restritas à ocorrência em seu interior (Anthurium maricense, Philodendron corcovadense , Epidendrum denticulatum, E. orchidiflorutn, Vanilla ct. chamissonis , Serpocaulon iriseriale), e outras espécies que suportam as condições mais extremas nas áreas entre-moitas são encontradas predominantemente na vegetação esparsa, podendo Rodrlguéslã 62(2): 367-378. 201 1 373 ocorrer raramente nas moitas mais abertas ( Diodella apiculata , Stachytarpheta restingensis, Melocactus violaceus , Evolvulus genistoides, Gaylussacia brasiliensis, Sebasticmia glandulosa, Cbamaecrista ramosa, Chamaecrista flexuosa, Cuphea flava, Mollugo verticillata). Apesar de certas espécies serem comuns às duas condições, é perceptível o melhor estabelecimento cm um dos hábitats. Isso acontece tanto com espécies típicas da área aberta, como Allagoptera arenaria, que também ocorre cm moitas cm início de formação, sugerindo que seus indivíduos se desenvolveram sob a areia nua e possibilitaram o estabelecimento de espécies arbustivas ao entorno, ou com espécies características de moitas ( Vriesea neoglutinosa, Pilosocereus arrabidae, Cereus femambucensis), que ao ocorrer sob a vegetação esparsa ou em adensamentos de A. arenaria, podem estar indicando início de formação de moitas nestes locais. A compreensão a respeito da formação e sucessão em moitas de restinga no RJ tem sido alvo de pesquisas (Zaluar & Scarano 2000) e Scarano et al. (2004) sugeriram um modelo dc estabilidade dinâmica no sistema de moitas da restinga aberta dc Clusia, no PARNA da Restinga dc Jurubatiba. Estes autores indicaram que “as propriedades da comunidade vegetal devem manter-se dinamicamente estáveis dentro de ampla escala temporal, uma vez. que não há evidências dc avanço linear no projeto sucessional”. Apesar das diferenças funcionais entre as espécies que compõem ambas as formações (Araújo et al. 2009), c possível que processo semelhante esteja ocorrendo na comunidade arbustiva aberta da APA de Massambaba, sendo fundamental o estudo do estrato herbáceo no entendimento do crescimento c retração das moitas de vegetação. Como apontado porCitadini-Zanctte & Baptista (1989), as espécies herbáceas são particularmente sensíveis a diferenças ambientais, às quais os vegetais de maior porte não manifestam reação. Assim, estudos que relacionem os efeitos microclimáticos, criados pela expansão ou retração de moitas, sob as espécies constituintes do estrato herbáceo podem ser fontes de informações relevantes sobre a dinâmica de moitas de restinga. A partir da análise estrutural da vegetação, o estrato estudado apresentou dominância de poucas espécies, uma vez que somente oito espécies (25% do total), somaram 75% do Valor de Importância (Tab. 3), sugerindo uma estrutura oligárquica para a comunidade. Tal padrão tem sido encontrado para outras restingas do Rio dc Janeiro, tanto quando SciELO/ JBRJ .2 13 14 15 16 17 374 Carvalho, DA. & Sá, C.F.C. considerado o estrato herbáceo (Pereira et al. 2004; Cordeiro 2005) como o lenhoso (Assumpção & Nascimento 2000; Pereira et al. 200 1 ; Araújo et al. 2004; Montezuma & Araújo 2007). Panicum trinii foi a espécie com o maior VI (44,39%), principalmente devido à elevada cobertura relativa, apresentando o dobro do valor deste parâmetro em relação à Allagoptera arenaria, a segunda espécie de maior VI. Essa espécie forma touceiras no espaço entre moitas que, de acordo com Araújo et al. (2009) tende a morrer do centro para fora, muitas vezes deixando formado um círculo perfeito com a parte viva da planta. Alves et al. (2007) indicaram que P. trinii apresenta distribuição geográfica disjunta restinga - campos rupestres, sendo encontrada em Minas Gerais e Bahia, além das restingas. Segundo Cerqueira (2000) esse quadro de distribuição disjunta, comum às espécies que ocorrem no Rio de Janeiro, sugere que a vegetação de restinga não evoluiu como uma comunidade altamente conectada, havendo entradas de espécies individualizadas neste ecossistema ao longo de sucessivos períodos de transgressão e regressão marinha. No Estado do Rio de Janeiro, P. trinii apresenta distribuição restrita, ocorrendo na Massambaba e na restinga de Jacarepaguá (Araújo 2000). Allagoptera arenaria, que apresentou o segundo maior VI neste trabalho (27,46%), é uma espécie típica das formações abertas de restinga ao longo do litoral do estado (Almeida & Araújo 1997; Menezes & Araújo 1999; Assumpção & Nascimento 2000; Pereira etal. 2004; Montezuma & Araújo 2007), possuindo elevado sucesso regenerativo devido à sua forma de vida geófita (Almeida & Araújo 1997). Scarano et al. (2004) a indicaram como espécie chave no funcionamento e estrutura da restinga aberta de Clusia, cujo ingresso de maior número de espécies vegetais e formação de moitas são condicionados pela ocorrência dessa palmeira. Apesar das diferenças funcionais entre as duas comunidades, A. arenaria parece atuar também como facilitadora na formação arbustiva aberta de Massambaba, sendo comumente observado o recrutamento de plântulas de outras espécies próximas aos indivíduos de A. arenaria provavelmente devido às modificações no ambiente proporcionadas por esta espécie (Menezes & Araújo 2004). Vale apontar que esse padrão não foi observado em formações em regeneração próximas à área estudada, tanto em floresta de restinga (Sá 1996, 2002), como em restinga arbustiva aberta (Cirne etal. 2003), mas em ambas as áreas houve forte interferência humana (perturbação por tratores na primeira e queima da cobertura vegetal na segunda), em contraste com a comunidade aqui estudada, na qual não têm ocorrido perturbações antrópicas significativas. De qualquer modo, são necessários estudos locais de dinâmica de moitas para confirmar a atuação de Allagoptera arenaria como espécie focal na formação arbustiva aberta da APA de Massambaba. As bromélias também têm sido apontadas como espécies chave das comunidades de restinga (Zaluar & Scarano 2000), pois os indivíduos terrestres oferecem um mecanismo para enriquecimento do solo, pelo aumento significativo do conteúdo de matéria orgânica sob sua cobertura (Hay & Lacerda 1984). Vriesea neoglutinosa, espécie com terceiro maior VI ( 1 7.37%), ocorre em adensamentos robustos, a partir de crescimento clonal, o que explica sua elevada cobertura vegetal. Essa distribuição agregada de V. neoglutinosa e de outras bromélias da restinga de Jurubatiba foi relacionada com a presença de moitas por Freitas etal. (2000). Neoregelia cruenta também foi relatada como espécie focal na mesma restinga (Scarano et al. 2004), mas ocorreu com apenas um indivíduo neste estudo. Dentre as Bromeliaceae da formação fechada do pós-praia da APA de Massambaba. essa espécie apresentou a maior abundância da família (Rocha-Pessôa et al. 2008), sugerindo que, apesar de N. cruenta ter ocorrido na comunidade arbustiva aberta, esta formação não possui as condições necessárias para seu estabelecimento. Leguminosae é considerada a família com maior riqueza de espécies das restingas do Rio de Janeiro (Araújo 2000) e destaca-se em levantamentos da flora da Mata Atlântica, principalmente quando considerado o componente arbóreo (Ribeiro & Lima 2009). A maior riqueza de espécies dessa família no presente estudo ressalta a representatividade de Leguminosae também para o estrato herbáceo das restingas. Chamaecrista ramosa apresentou elevada frequência, sendo comum na área entre moitas, ocorrendo sobre a areia nua, assim como Chamaecrista flexuosa, espécie comum a outras restingas arbustivas abertas do Rio de Janeiro (Almeida & Araújo 1997; Menezes & Araújo 1999; Pereira et al. 2004). Três das quatro espécies aqui levantadas ( Chamaecrista flexuosa, Stylosanthes guianensis e Stylosanthes viscosa) foram consideradas por Araújo (2000) como exóticas e/ou ruderais, sendo encontradas, nas restingas, em Rodriguésia 62 ( 2 ): 367 - 378 . 2011 SciELO/JBRJ, 13 14 cm Estrato herbáceo de uma restinga na APA de Massambaba ambientes altamente alterados pelo homem. O eficiente estabelecimento destas espécies e da família como um todo nas planícies arenosas costeiras pode estar relacionado com a capacidade das mesmas ocuparem solos pobres em nutrientes (Campello 1998), característicos das formações arbustivas abertas. Similaridade com a formação aberta de Clusia A similaridade entre a comunidade aqui analisada e aquela estudada por Pereira et al. (2004), no PARNA da Restinga de Jurubatiba, é considerada alta (Cs = 59%), já que de acordo com Felfili et al. (2001 ), índices de Sorensen acima de 50% indicam elevada similaridade entre duas áreas. Não só houve um elevado número de espécies em comum (2 1 espécies), como também a cobertura total dessas foi bastante similar (CN = 64 %). Araújo et al. (2009) salientaram a cautela na comparação de comunidades de restinga fisionomicamente equivalentes, exemplificando as formações arbustiva aberta não inundávcl (fácies alta), e a arbustiva aberta de Clusia. Os autores ressaltaram que as moitas da formação encontrada em Massambaba não são estruturadas tendo como dominante a espécie Clusia hilariana, que atua como facilitadora para o estabelecimento de outras espécies em Jurubatiba (Scarano et al. 2004), indicando que a semelhança fisionômica entre as duas formações não significa equivalência das características funcionais das espécies. Portanto, tal premissa orientou as comparações realizadas entre essas duas comunidades, assim como as demais comparações realizadas neste trabalho. Alguns pontos podem ser ressaltados no que diz respeito à elevada similaridade floríslica entre ambos os estudos: no caso de Leguminosae, todas as quatro espécies encontradas nesse estudo também ocorreram em Jurubatiba. Ainda, as duas espécies de Rubiaccae encontradas no PARNA não amostradas nesse estudo foram incluídas na listagem fiorística da APA de Massambaba (Araújo et al. 2009) como ocorrentes na formação analisada ( Mitracarpusfrigidus (Willd.) K. Schum.) e cm outra formação arbustiva aberta próxima (Chioceoca alba( L.)Hitchc.). Por outro lado, apesar de algumas ocorrerem ern ambas as comunidades, elas não apresentam a mesma importância na estrutura dessas formações vegetais. Por exemplo, Neoreogelia cruenta, espécie que ocorreu em 15,5% das parcelas de Jurubatiba, apresentando 6,82% da cobertura vegetal, no Rodriguèsia 62 ( 2 ): 367 - 378 . 20 1 1 375 presente estudo ocorreu em apenas uma parcela (frequência relativa = 0, 1 2%) e representou 0,4 1 % da cobertura vegetal encontrada para Massambaba. Em relação à diversidade, observa-se que o estrato herbáceo de Massambaba apresentou maior valor do índice de Shannon baseado em cobertura (H’c) quando comparado com o de Jurubatiba (Tab. 1 ), sendo tal diferença estatisticamente significativa (p < 0,00 1 ). Uma vez que a diversidade de Shannon baseia-se na riqueza de espécies e na abundância, o alto valor deste índice no presente trabalho confirma a elevada riqueza de espécies vegetais encontrada no Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio, quando comparado com as demais áreas do litoral fluminense (Araújo 1997). Os estudos realizados nessa região têm ressaltado o elevado número de espécies de diversos grupos, como algas (Brasileiro etal. 2009) e angiospermas (Sá 2006), assim como o alto endemismo, abrigando 65% das espécies vegetais endêmicas das restingas do estado do Rio de Janeiro consideradas por Araújo (2000). Analisando o índice de diversidade de Shannon, Pereira etal. (2004) apontaram queo valor de cobertura é a melhor opção para substituir o número de indivíduos no cálculo de H’ por melhor representar a estrutura oligárquica, assim como apontam que a utilização da frequência pode subestimar a abundância das espécies mais comuns, aumentando a equabilidade da comunidade. De fato, neste trabalho, o valor do índice de diversidade baseado na frequência (H\ ) foi superior do que o baseado em cobertura (FF ,=2,90 x H’ c = 2,32), assim como em Jurubatiba, mas essa diferença não foi tão abrupta como os valores encontrados por Pereira et al. (2004) (H’r= 3,01 x H'c = 1 ,89). Essa menor diferença sugere que a proporção entre as coberturas das espécies c maior cm Massambaba, o que se confirma ao comparar ambos valores de equabilidade (J’cMa»»»mbiib« = 0,67 x J cjurub»ub« = 0,52). A elevada heterogeneidade cm Jurubatiba é explicada pela grande dominância de uma única espécie: Allagoptera arenaria , que apresentou 50,95% da Cobertura Relativa. Já em Massambaba, são necessárias duas espécies para somar valor próximo de CR (47.85%): Panicum trinii e A. arenaria, o que explica a maior a equabilidade encontrada nessa comunidade. As comparações aqui realizadas demonstram a alta similaridade fiorística entre a formação arbustiva aberta não inundávcl (fácies alta) da APA de Massambaba e a formação aberta de Clusia, no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. além da SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 376 Carvalho. DA.& Sá. C.F.C. semelhança estrutural entre as comunidades, uma vez que em ambas, a vegetação está organizada em moitas de espécies arbustivas rodeadas por areia nua e vegetação esparsa. Entretanto, a ausência de outros trabalhos com metodologia padronizada e mesma definição de estrato herbáceo, limita inferir sobre os fatores que explicam o padrão de ocorrência das espécies levantadas, assim como a possível influência de pressões antrópicas sobre tais comunidades vegetais. Agradecimentos À Dorothy S.D. Araújo e à Viviane S. Fonseca-Kruel, pela contribuição na formulação do projeto e desenvolvimento do trabalho. À Miriam C.A. Pereira pelas sugestões e críticas à monografia da primeira autora, que foram incorporadas neste manuscrito. Ao Robson D. Ribeiro ( in memoriari), à Adriana C.S. Cavalcanti e ao Jorge Caruso pela valiosa ajuda no campo. À FAPERJ, pela bolsa de iniciação científica concedida à primeira autora. Aos especialistas que auxiliaram na identificação do material botânico: Marcus Nadruz, Rafaella C. Forzza, Débora Medeiros, Robson D. Ribeiro, Eduardo M. Saddi, Claudine M. Mynssen e Fátima R.G. Salimena. Referências Almeida, A.L. & Araújo, D.S.D. 1997. Comunidades vegetais do cordão arenoso externo da Reserva Ecológica Estadual de Jacarepiá, Saquarema. RJ. In: Absalão, R.S. & Esteves, A.M. (eds.). Ecologia de praias arenosas do litoral brasileiro. Oecologia Brasiliensis Séries, Vol. 3. PPGE-UFRJ, Rio de Janeiro. Pp. 47-63. Alves, R.J.V .; Cardin, L. & Kropf, M.S. 2007. Angiosperm disjunction “campos rupestres - restingas”: a re- evaluation. Acta Botânica Brasílica 2 1 : 675-685. Angiosperm Phylogeny Group II (APG II). 2003. An up date of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of ílowering plants: APGII. Botanical Journal of Linnaean Society 141:399-436. Araújo, D.S.D. 1997. Cabo Frio Region. 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WCLP included 88 species (33 families), WCSP 50 species (23 families) and HSwC only 7 species (5 families). Total density, basal area, and maximum and average height of WCLP were 5683 plants/ha,47 mVha, 18 and 5 m respcctively. Total density and basal area of WCSP were 17500 plants/ha and2.8 rnVha, respectively. Density of HSwC was 9 plants/m 2 and only 31% of the sampled arca was occupied by this component. Key words: basal area; dry tropical forest; phytosociology; plant height. Resumo O semi-árido brasileiro é dominado pela caatinga. Entretanto, outras formações vegetacionais são encontradas, por exemplo as florestas decíduas e semidecíduas. Este estudo descreve a fisionomia e a estrutura de uma floresta estacionai nò planalto sedimentar da Ibiapaba, Ceará. Foi selecionada uma parcela de um hectare e as plantas separadas em três componentes: plantas lenhosas com perímetro ao nível do solo > 9 cm (CLS), plantas lenhosas com perímetro > 3 e < 8.9 cm (CLI), e hcrbáccas/sublenhosas com perímetro < 3 cm (HSL). No CLS foram encontradas 88 espécies (33 famílias), no CLI 50 espécies (23 famílias) e no HSL sete espécies (cinco famílias). No CLS, densidade total, área basal e altura máxima c média foram 5683 plantas/ha, 47 m /ha, 18 e 5 m respectivamente. No CLI, densidade e área basal foram 17500 plantas/ha e 2,8 m /ha. Em HSL, a densidade foi 9 plantas/m 2 e apenas 31% da área amostrada foi coberta por esse componente. Palavras-chave; área basal; floresta tropical seca; fitossociologia; altura de planta. Introduction The heterogeneity of the flora and physiognomies of the different vegetations types in the Brazilian semiarid region is caused by two rainfall gradients, one in the South-North and the other in the East-West direction, and by tnarked geologic differences (Rodai et ul. 2008). At highcr altitudes, where aridity is less accentuated, the seasonal non-thomy formations occur (Araújo et ul. 1998; Araújo et ul. 1999; Rodai & Nascimento 2002; Ferraz et ul. 2003; Araújo et ul. 2005b). They belong to two physiognomic types: 1) non-forest formations, mainly savanna ( cerrado ) and closed shrubland (carrasco), on the sedimentary plateaus; and 2) perennial, seasonal forest formations, both on sedimentary and crystalline substrates (Rodai & Nascimento 2002; Araújo et al. 2005b). Flora, physiognomy, and structure of these forests are scarcely known (Andrade & Rodai 2004; Rodai & Nascimento 2006), espccially those occurring on sedimentary plateaus (Andrade & Rodai 2004). Moreover, therc is no published detailed Part ofthc Mastcr thesis ofthc ftrst aulhorat Universidade Federal Rural de Pernambuco. «niooo Recife PE Brasil 1 Universidade Federa] Rural dc Pernambuco, Pcpto. Biologia, R. Dom Manoe, de Medeiros s/n. Dois irmãos, 52 171900, Recife, PE, Brasil. 'Universidade Federai de Pernambuco, Depto. Energia Nuclear, Av. Prof. Luis Freire 1000, 50740-540, Recife. PE, Brasil. * Universidade Federal do Ceará, Depto. Biologia, Av. Mister Hull s/n. 60455-760. Fortaleza. CE.Brazd. SciELO/JBRJ 2 13 14 15 cm .. Lima. J.R. et al. The soi] was characterized by digging a 1 x I m trench and collecting samples from the top 10-cm layer and from the layer below down to the parent material (75 cm depth). Physical (Tab. 1) and Chemical (Tab. 2) analyses were performed in the Departamento de Ciências do Solo. Universidade Federal do Ceará. The soil was classified as a dystrophic Latosol, poorly developed, with low pH and low cation exchange capacity (T). In general. Ca, Mg, K, P, organic matterand nitrogen content were low and decreased from the superficial to the subsuperficial layer, while the opposite occurred with Al content. Texture varied from sandy to sandy loam. Coarse sand, silt and clay content increased with depth, while that ol fine sand decreased. 380 description of the vertical organization in these forests which help design projects to manage these forests in orderto maintain biological diversity. The description and classification of plant communities generally focuses on features such as floristic composition, structure and relative species abundances (Box & Fujiwara 2005). The species have different positions along a vertical gradient of light intensity, occurring one higher than lhe other to form the community’s vertical structure ( Whittaker 1 975). The vertical differentiation is most pronounced in woody vegetation that has various synusia which may have floristic compositions independem of one another (Maarel 2005). Based on the vertical stratification of the vegetation, it is possible to infer the potential composition of functional groups of different strata. The vegetation can then be managed in orderto maintain maximum local biological diversity. Thus, this work aims to describe physiognomy and structure of three different strata of the seasonal deciduous forest of the Ibiapaba sedimentary plateau. Ceará. We aim to answer the following questions: 1 ) What are the physiognomy and the structure of this forest? 2) Is this forest structurally similar to other forest formations of the Brazilian semiarid domain or to non-forest formations of other sedimentary areas? Material and Methods Study area The study area is located within the 2794 ha of seasonal forest inside the Reserva Natural Serra das Almas, Ceará State, Brazil. The seasonal forest occupics a narrow strip in the upper part of the steep castem slope on the south-central Ibiapaba plateau, which forms the oriental border of the Middle Northern Sedimentary Basin (Lins 1978). The forest is limited to the west by carrasco vegetation, on top of the plateau, and by caatinga vegetation to the east, on the lower parts of the slope, extending to cover most of the lowlands in Ceará. In the forest area, a one-hectare plot was installed, at an altitude of about 650 m, within the following coordinates 40°54’5’’W and 5°8'29”S; 40°54’45”W and 5°8’30”S; 40°54 , 46”W and 5°8’36”S and 40°54’50"W and 5°8’35"S. Mean annual rainfall in the study area from 2000 to 2004 was 1044 mm, January to April being the rainiest period, corresponding to more than 80% of annual precipitation. In general, rainfall was concentrated in a single month and did not occur from July to December. The mean annual temperature during the study year (2004) was 24.8 °C. Phytosociological survey The plants were divided into three components: a) woody component with large peri meter ( WCLP), which comprised all plants with stem perimeter at soil levei (PSL) equal to or greater than 9 cm: b) woody component with small perimeter (WCSP), comprising plants with PSL > 3 and <8.9 cm; and c) herb/subwoody component (HSwC), comprising plants with green stcms, without or with slight lignification in the aerial part and that were up to 1 m tall and 2.9 cm perimeter, cxcluding lhe young plants of woody species. The study hectare was divided into plots of different sizes, depending on the component analyzed. W CLP was analyzed in 1 00 contiguous 10 x 10 m plots and WCSP in 50 plots, 2 x 2 m each, placed in the right proximal corner of each alternate larger plot. In these two components, the height and PSL ol all live plants (except lianas) were measured, following the criteria previously describcd. HSwC was analyzed in 100 plots 1 x 1 m each, at the left proximal corner of each of the larger plots, during the rainy season. In HSwC, all plants were identified and the plot area proportion covered by each species was estimated, with the help of a 1 x 1 m grid, divided into 100 squares of 0. 1 xO.l m. Presence in one of the squares w'as counted as 1 % coverage. The botanical material was incorporated into the EAC (Prisco Bezerra) herbarium, of the Universidade Federal do Ceará. APG III (2009) classification system was adopted. T he following phytosociological parameters were calculated for WCLP and WCSP: relative density (ReD, %), relative frequency (ReF, %). relative basal area (ReBa, %) and importance R odrigucsia 62(2): 379-389. 201 1 SciELO/JBRJ, 13 14 cm Physiognomy and stwcture of a seasonal dedduous forest in Ceará. Brazil * M 1 Table 1 - Particle size analysis of soil samples from the forest seasonal deciduous montanc forest of Reserva Natural Serra das Almas, Crateús, Ceará State. Depth(cm) Coarse sand (g/kg) Fine sand (g/kg) Silt (g/kg) Clay (g/kg) Texture class Oto 10 130 710 80 80 Sand 1 1 to 75 240 510 140 110 Loamy sand Table 2 - Chemical analysis of soil samples from the seasonal deciduous montane forest of Reserva Natural Serra das Almas, Crateús, Ceará State. Depth (cm) Sorptive Complex p v M C N pH Ca 2 * Mg 2 * Na* K* Al 3 * (mg/kg) (%) (%) (cmol.kg ) (cmol.kg') 0 to 10 0.9 0.9 0.1 0.09 0.85 3 32 30 10.6 1.1 4 1 1 to 75 0.7 0.9 0.1 0.05 1.45 I 27 46 6.48 0.7 4.2 6.3 6.4 Ca’’ = calcium; Mg 2 * = magnesium; Na - sodium; K potassium, M = aluminum saturation; C = carbon; N = nitrogcn; pH = soil pH; Al" = aluminum; P = phosphorus; V = base saturation; T = cation exchange capacity. value (IV, %), using the formulas described by Rodai etal. (1992), and Shannon diversity index, according to Magurran (1988). The calculations were done using FITOPAC (Shcpherd 2006). Aiming to compare WCLP physiognomy and strueture of the study area with that of other seasonal forests and non-forest formations within the Brazilian semiarid region (only surveys with inclusion criterion of PSL > 3 cm) a table was organized containing information on total plant density, community basal area, maximum plant height, proportion of plants over 8 m tall. and mean and maximum stem diameters. For each compared site, information on altitude, mean annual rainfall and sample area were also included. Ten areas were included in the comparison, five classified as seasonal forests and Five as non-forest formations. Results In the woody component with large perimeter (WCLP), 88 species were found, belonging to 3 1 families (Tab. 3). The families richest in species were: Fabaceae ( 1 9 species), Euphorbiaceae ( 1 0), Hrythroxylaceae and Myrtaceae (six each). The Shannon diversity index (H’) was 3.20 nats/plant. Total density and basal area were 5683 plant/ha and 47 mVha, respectively. Species with the highest IV and relative basal areas were Gymnanthes sp.l, Bauhinia pulchella and Piptadenia moniliformis, which accounted for 28% of the total IV (Tab. 3). Gymnanthes sp.l, Bauhinia pulchella and Croton argyrophylloides were the species with the highest absolute frequencies (99%; 97% and 84%, respectively). Maximum and average height were 1 8 and 5 m (+ 2), respectively, and only 1 1% of the plants attained heights over 8 m. Maximum and average diameters were 65.2 and 8.4 cm ( 6), wilh 33% of all plants belonging to the 3 to 6 cm diameter class and 47% to the 6 to 9 and 9 to 1 2 cm classes. In the same WCLP component, two strata were identified. The lowest stratum was dominated by plants at most 8 m in height, with a continuous canopy distribution. The most abundant species in this stratum were Gymnanthes sp. I , Bauhinia pulchella , Croton argyrophyloides and Maytenus sp. The upper stratum was dominated by plants up to 12 m tall but some plants of Brosimum gaudichaudii , Piptadenia moniliformis and Swartzta Jlaenungii were taller, without forming a continuous canopy. Aspidosperma subincanum, Piptadenia moniliformis , Swartzia flaemingii and Thiloa glaucocarpa were the most frequent species in this upper stratum. The woody component with small perimeter (WCSP) included 50 species, belonging to 22 families. The families richest in species were: Fabaceae and Euphorbiaceae (cight species each), Erythroxylaceac (four) and Bignoniaccae (threc). Rodríguésia 62 ( 2 ): 379 - 389 . 201 1 SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 cm 382 Lima, J.R. et al. Tablc 3 - Phytosociological parameters of plants with stem diameters > 9 cm in lhe forest of Reserv a Natural Serra das Almas, Crateús, Ceará State, in decreasing order of their importance value (IV). N - number of individuais per hectare; NP - number of plots where the species was found; ReD - relative density of the species (%); ReBa - relative basal arca of the species (%); and ReF - relative frequency of the species (%). Collectors: FSA - Francisca Soares Araújo; JRL - Jacira Rabelo Lima; LWLV - Luis Wilson Lima-Verde; MSS - Melissa S. Sobrinho; and SFV - Sandra Freitas Vasconcelos. N" Species/ Family Voucher IV N NP ReD ReBa ReF 1 Gymnanthes sp. 1 (Euphorbiaceae) JRL 29 50 1507 99 26.52 18.2 4.88 2 Bauhinia pulchella Benth. ( Fabaceae) JRL 45 19 537 97 9.45 4.45 4.78 3 Piptadenia numiliformis Benth. ( Fabaceae) FSA 1298 17 122 70 2.15 11.1 3.45 4 Croton argymphylloides Müll. Arg. (Euphorbiaceae) FSA 1294 15 333 84 5.86 4.94 4.14 5 Maytems sp. (Celastraeeae) JRL 100 12 279 76 4.91 3.31 3.75 6 Thiloa glaucocarpa (Mart.) Eichler (Combretaceae) LWLV 1050 11 138 57 2.43 5.36 2.81 7 Erythroxyliun ef. vacciniifolium Mart. (Erythroxylaceae) JRL 69 9.9 167 73 2.94 3.37 3.6 8 Arrabidaea dispar Bureauex K. Schum. (Bignoniceae) JRL 20 9.6 203 80 3.57 2.1 3.94 9 Aspidospenna discolor A. DC. ( Apocynaceae ) JRL 18 8.9 139 55 2.45 3.72 2.71 10 Eugenia cf. piauhiensis 0. Berg (Myrtaceac) JRL 62 8.1 158 72 2.78 1.79 3.55 1 1 Swartda flaemingii Raddi ( Fabaceae ) MSS 262 7.9 99 58 1.74 3.31 2.86 1 2 Xylosma ciliatifolia (Cios) Eichler ( Salicaceae ) JRL 77 7.3 189 65 3.33 0.8 3.2 13 Copaifera manii Hayne (Fabaceae) JRL 38 7.3 79 51 1.39 3.41 2.51 1 4 Buchenavia capitula ( Vahl ) Eichler ( Combretaceae) MSS 292 7 31 28 0.55 5.04 1.38 1 5 Eugenia aff. malha Cambess. (Myrtaceae) JRL 73 6.7 133 60 2.34 1.36 2.96 1 6 Alibertia myrciifolia Spruce ex K Schum. ( Rubiaeeae) JRL 102 63 115 63 2.02 1.36 3.1 1 7 Eugenia alf. dysenterica DC. ( Myrtaceae ) FSA 1291 6.5 94 43 1.65 2.71 2.12 1 8 Aspidospenna suhincanum Mart. (Apocynaceae) JRL 17 6.1 74 44 1.3 2.62 2.17 19 Combretum leprosum Mart. (Combretaceae) JRL 74 5.1 101 51 1.78 0.78 2.51 20 Ephedrcmthus pisocarpus R. E. Fr. (Annonaceae) JRL 16 4.6 57 41 1 1.6 2.02 2 1 Acacia langsdorfii Benth. ( Fabaceae) JRL 40 4.6 74 26 1.3 2.01 1.28 22 Brosimum gaudichaudii Trécul. (Moraccae) Probio 306 4.2 40 33 0.7 1.84 1.63 23 Peixotoa jussieuana Mart. ex A. Juss. (Malpighiaceae) JRL 33 3.9 74 42 1.3 0.56 2.07 24 Croton nepetifolius Baill. ( Euphorbiaceae ) JRL 28 3.8 75 39 1.32 0.57 1.92 25 Dalbergia cearensis Ducke (Fabaceae) LWLV 1070 3.6 45 34 0.79 1.1 1.68 26 Byrsonima ganlneriana A. Juss. (Malpighiaceae) JRL 32 32 43 36 0.76 0.66 1.77 27 Hymenaea eriogyne Benth. (Fabaceae) JRL 42 3.1 42 22 0.74 1.3 1.08 28 Eugenia aurata O. Berg (Myrtaceae) JRL 60 3 46 34 0.81 0.48 1.68 29 Agonandra brasiliensis Miers (Opiliaceae) JRL 56 2.8 31 21 0.55 1.23 1.03 30 Vitexschaueriana Moldenke(Lamiaceae) JRL 64 2.7 32 22 0.56 1.08 1.08 3 1 Aspidospenna multiflorum A. DC. (Apocynaceae) JRL 19 2.6 19 12 0.33 1.63 0.59 32 Galipea alf. trifoliata Auble. (Rutaceae) JRL 36 2.3 30 21 0.53 0.72 1.03 33 Guapira gracilijlora (Schmidt) Lundell (Nyctaginaceae) JRL 34 23 31 25 0.55 0.5 1.23 34 Erythroxyliun stipulosuin Plowman (Erythroxy laceae ) JRL 86 2.3 45 26 0.79 0.2 1.28 35 Manihot palmata Mull. Arg. (Euphorbiaceae) JRL 26 2.2 33 29 0.58 0.22 1.43 36 Ipoinoea brasiliana (C. Martius) Meisner (Convolvulaccae) JRL 25 2 37 24 0.65 0.18 1.18 37 Secorulontia cí.foliosa A. DC. (Apocynaceae) JRL 89 1.8 36 21 0.63 0.17 1.03 38 Dalbergia sp. (Fabaceae) JRL41 1.6 23 16 0.4 0.45 0.79 39 Bauhinia sp. (Fabaceae ) JRL 44 13 46 10 0.81 0.23 0.49 40 Arrabidaea chica ( Humb. & Bonpl.) B. Verl. (Bignoniceae ) JRL 21 13 25 19 0.44 0.11 0.94 4 1 Machaerium acutifohum Vogei. (Fabaceae) JRL 80 13 20 16 0.35 0.33 0.79 42 Tocoyena formosa (Chain. & Schltdl.) K. Schum. (Rubiaeeae) JRL 59 1.3 17 14 03 032 0.69 Rodriguósia 62(2): 379-389. 201 1 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Physiognomy and stwcture oí a seasonal declduous forest in Ceará. Brazil 383 N° Spccies/ Family 43 Paullinia cearensis Somner & Ferrucci (Sapindaeeae) 44 Eugenia punicifolia ( Kunth) DC. (Myrtaceac) 45 Gyrrmanthes sp.2 (Euphorbiaceae) 46 Trigonia nívea Cambess. (Trigoniaceae) 47 Croton grewioides Baill. (Euphorbiaceae) 48 Tassadia bnrehelii E. Foum. (Apocynaceae) 49 Tumera blanchetiana Urb. (Tumeraceae) 50 Erythroxylum sp. (Erythroxylaceae) 5 1 Cnidoscolus vitifolius (Mill.) Pohl (Euphorbiaceae) 52 Ouratea sp. (Nyctaginaceae) 53 Helicteres heptandra L.B. Sm. (Malvaceae) 54 Ximenia americana L. (Olacaceae) 55 Dioclea megacarpa Rolfe (Fabaceae) 56 Jacaranda jasnúnoides (Thunb.) Sandwith (Bignoniceae) 57 Justicia strobilacea (Nees) Lindau (Acanthaceae) 58 Ouratea cf. parvifolia EngL (Nyctaginaceae) 59 Amburana cearensis ( Allemão) A. C. Sm. (Fabaceae) 60 Campomanesia sp. (Myrtaceae) 6 1 Paullinia cf. elegans Cambess. (Sapindaeeae) 62 Hymenaea velutina Ducke (Fabaceae) 63 Gouania sp. ( Rhan inaceae ) 64 Kollinia leptopetala R. E. Fr. (Annonaceae) 65 Erythroxylum bezerrae Plowman (Erythroxylaceae) 66 Stachyarrhena cf. s picota Hook. F. (Rubiaceae) 67 Helicteres muscosa Mart. (Malvaceae) 68 Erythroxylum laetevirens O.E. Sehulz (Erythroxylaceae) 69 Arrabidaea sp. (Bignoniceae) 70 Lonchocarpus araripensis Benth. (Fabaceae) 7 1 Sertna cearensis Afran. Fem. (Fabaceae) 72 Trichilia elegans A. Juss. (Meliaceae) 73 Rubiaceae 74 Cochlospermum vitifolium (Willd.) Spreng. (Bixaeeae) 75 Commiphora leptophloeos (Mart.) J.B. Gillett (Burscraceae) 76 Sapium afT. argutum (Müll. Arg.) Huber (Euphorbiaceae) 77 Croton blanchetianus Müll. Arg. ( Euphorbiaceae) 78 Tabebuia cf. ochracea (Chain.) Standl. (Bignoniceae) 79 Luetzelburgia auriculata (Allemão) Ducke (Fabaceae) 80 Lindackeria ovata (Benth.) Gilg (Achariaccae) 8 1 Mimosa sp. ( Fabaceae) 82 Colubrina cordifolia Reissek (Rhamnaceae) 83 Condia rufescens A. DC. (Boraginaceae) 84 Peltogyne confertiflora (Mart. ex Hayne) Benth. (Fabaceae) 85 Erythroxylum barbatum O. E. Sehulz (Erythroxylaceae) 86 Senna trachypus (Mart. ex Benth.) H.S. Irwin & Bamcby (Fabaceae) 87 Bredemeyera ijloribunda Willd. (Polygalaceae) 88 Croton betaceus Baill. (Euphorbiaceae) Voucher IV N NP RcD ReBa RcF JRL34 1.2 20 14 0.35 0.19 0.69 JRL63 1 16 13 0.28 0.12 0.64 JRL27 0.9 16 11 0.28 0.1 0.54 MSS 248 0.8 13 II 0.23 0.07 0.54 JRL79 0.8 13 10 0.23 0.11 0.49 JRL13 0.8 9 8 0.16 0.26 0.39 JRL65 0.7 12 10 0.21 0.03 0.49 JRL87 0.7 11 9 0.19 0.07 0.44 FSA 1309 0.7 10 10 0.18 0.04 0.49 JRL54 0.7 7 7 0.12 0.23 0.34 JRL51 0.7 12 8 0.21 0.05 0.39 JRL55 0.6 12 6 0.21 0.11 0.3 JRL37 0.6 8 8 0.14 0.08 0.39 JRL22 0.6 8 8 0.14 0.03 0.39 JRL 15 0.5 7 7 0.12 0.02 0.34 JRL53 0.5 5 5 0.09 0.14 0.25 JRL 72 0.5 5 5 0.09 0.14 0.25 JRL 61 0.5 6 6 0.11 0.07 0.3 JRL 35 0.5 6 6 0.11 0.05 0.3 JRL 43 0.4 6 5 0.11 0.06 0.25 JRL 58 0.4 5 5 0.09 0.02 0.25 JRL 78 0.4 4 4 0.07 0.09 0.2 JRL 68 0.3 3 3 0.05 0.09 0.15 JRL 104 0.3 5 3 0.09 0.05 0.15 JRL 52 0.3 4 4 0.07 0.02 0.2 JRL 66 0.3 4 4 0.07 0.01 0.2 JRL 107 0.3 4 3 0.07 0.05 0.15 JRL 49 0.2 2 2 0.04 0.11 0.1 JRL 46 0.2 3 3 0.05 0.01 0.15 JRL 31 0.2 3 3 0.05 0.01 0.15 JRL 103 0.2 4 2 0.07 0.04 0.1 SFV 4 0.2 2 i 0.04 0.1 0.05 JRL 48 0.2 2 2 0.04 0.03 0.1 JRL 75 0.2 2 2 0.04 0.02 0.1 JRL 82 0.1 4 1 0.07 0.02 0.05 JRL 23 0.1 1 1 0.02 0.07 0.05 JRL 71 0.1 1 1 0.02 0.05 0.05 JRL 76 0.1 1 1 0.02 0.03 0.05 JRL 39 0.1 1 1 0.02 0.02 0.05 MSS 248 0.1 1 1 0.02 0.01 0.05 JRL 24 0.1 1 1 0.02 0.01 0.05 JRL 50 0.1 1 1 0.02 0 0.05 JRL 67 0.1 1 1 0.02 0 0.05 JRL 47 0.1 1 1 0.02 0 0.05 JRL 57 0.1 1 1 0.02 0 0.05 JRL 81 0.1 1 1 0.02 0 0.05 Rodriguésia 62 ( 2 ): 379 - 389 . 201 1 SciELO/ JBRJ 2 13 14 15 16 17 lí cm 384 Lima . JJ?. et al. The Shannon diversity indcx (H') was 3.26 nats/plant. Total densily and basal area were 17500 plant/ha and 2.8 nr /ha, respcctively. Maximum and average heights were 5 m and 1.4 m (± 0.7), respectively, most of the plants bcing underthan 2 m tall (83%) and less than 1 .6 cm diameter (70%). Species with the highest IV were Lanterna sp., Xylosma ciliatifolium and Croton argyrophylloides, which accounted for 32% of the total IV (Tab. 4). Cranocarpus gracilis, Lantana cf. brasiliensis, Lantana sp„ Justicia fragilis and Wedelia villosa were exclusive to this component. The herb/subwoody component (HSwC) had only seven species, belonging to 5 families (Tab. 5), excluding saplings and scedlings of species that reach larger sizes. The families Poaceae and Bromeliaceae had higher species richness for this component (two species each). The Shannon diversity index (H’) was 1.16 nats/plant. Density was 9 plants/m : and only 33% of the sample area was occupied by this component. Most of the plants (63%) belonged to three species ( Streptostachys asperifolia , Pavonia sp. and Scaphispatha hastifolia), which, together with Bromelia auriculata, accounted for most of the plant coverage of this component. Discussion Serra das Almas forest is physiognomically distinct from other seasonal montane forests and also from all non-forest formations already described in Northeast Brazil. In general, seasonal montane forests are physiognomically more variable than rain forests, varying from tall forests to low scrub (Pennington et al. 2009). Density of the most conspicuous component. trees and shrubs with large perimeters ( WCLP), was higher than those of the other forests (Tab. 6), exccpt one located at 1 lOOminacrystalline mountainin Serra Talhada, Pernambuco (Ferraz et al. 2003), but lower than those of non-forest formations, especially carrasco (Araújo et al. 1 998; Araújo & Martins 1999). Basal area, on the contrary, was lower than that of other forests, except for basal area at 900 m in Serra Talhada, but higher than that of non-forest formations. Considering that basal arca is a produet of density and stem diameter, the average stem diameter in Serra das Almas is smaller than that of the other forests but greater than that of the non- forest formations. The tallest registered tree, in all compared arcas, w r as found in Serra das Almas but the proportion of trees over 8 m tall was lower than that of the other forests, except Serra Talhada, but higher than that of the non-forest formations. In Serra das Almas two distinct strata are distinguished, as has becn registered for Neotropical deciduous forests elsewhere (e.g., Murphy & Lugo 1986), that are essentially trec-dominated with a more-or-less continuous canopy and in which grasses are a minor element (Mooney et al. 1 995). In non-forest formations in Northeast Brazil. especially closed shrubland (carrasco), only one stratum is recognized. The presence of scattered very tall trees emerging above the upper stratum distinguishes Serra das Almas from other deciduous forests in the region. The woody vines formed a considerable proportion of the WCLP species, with 1 3 species (16%), distributed in nine families, corroborating Gentry‘s statement (1982, 1995) that vines are an important component in Neotropical seasonal forests, where they represem about 20% of the species. Some of the highest IV species, in the WCLP, in Serra das Almas (Arrabidaea díspar, Croton argyrophylloides, Piptadenia moniliformis, Rollinia leptopetala and Thiloa glaucocarpa ) are also important species in Northeastern non-forest formations (Oliveira et al. 1997; Araújo etal. 1998; Araújo et al. 1999), mainly those on the Middle Northern Sedimentary Basin, which extends for a large area west of the Serra das Almas location. Other important species, like Aspidosperma discolor, A. subincanum and Brosimum gaudichaudii, although present in these non-forest formations, occur with much low er densities. On the other hand, many of the important species present in these formations were not found in the Serra das Almas forest. In spite of these differences, the flora of the Serra das Almas forest is relatively similar to that of the non-forest formations while it is very different from that of all other deciduous montane forests studied. with which it shares only a few species, none of them with high IV either in Serra das Almas or in those forests (Lima et al. 2009). Comparisons of the other two plant componcnts. the woody component with small perimeter(WCSP) and the herb/subwoody component (HSwC). w ith those of other Northeastern formations are difficult to make becausc of the scarcity of these measurements. Rodrigué sla 62(2): 379-389. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Physiognomy and stnicture of a seasonal dedduous forest in Ceará, Brazil Table 4 - Phytosociological parameters of plants with stem diameters > 3 cm and < 9 cm m the orest of Reserva Natural Serra das Almas, Crateús, Ceará State, in decreasing ordcr of their importance value (IV). N - number of individuais per hectare; NP - number ofplots where the species was found; ReD - relattve densUy of the spee.es (/„); ReBa - relative basal area of the species (%); and ReF - relative frequeney of the spectes Collectors: FSA - Francisca Soares Araújo; JRL - Jacira Rabelo Lima; LWLV - Luis Wilson L.ma-Verde; MSS - Mel.ssa S. Sobnnho; and SFV - Sandra Freitas Vasconcelos. No Specie s/ Family ___ 1 Lanhina sp. (Verbenaceae) 2 Xylosma ciliatifolia (Cios) Eichler (Salicaceae) 3 Cmton argyrophylloides Midi Arg. (Euphorbiaceae) 4 Cranocarpus gracilis A. Fernandes & P. Bezerra (Fabaceae) 5 Gymnanthes sp. 1 (Euphorbiaceae) 6 Justicia stmbilacea (Nees) Lindau (Acanthaceac) 7 Cmton betaceus Baill. (Euphorbiaceae) 8 Wedelia villosa Gardner. (Asteraceae) 9 Alibertia myrciifolia Spruce ex K Schum. (Rubiaceae) 1 0 Croton nepetifolius Baill. (Euphorbiaceae) 1 1 Evolvulus macmblepharis Meisn. (Convolvulaceae) 1 2 Bauhinia pulchella Benth. (Fabaceae ) 1 3 Arrabidaea dispor Burcau ex K. Schum. (Bignoniaceae) 1 4 Helicteres hepumdra L.B. Sm. (Malvaceae) 1 5 Justicia fragilis Wall. ex Clarke ( Acanthaceac) 1 6 Vitex schaueriana Moldenke (Lamiaceae) 1 7 Banisteriopsis cf. stellaris (Griseb.) B. Gattes (M alpighi accac ) 1 8 Eugenia aff. uvalha Cambess. (Myrtaceac) 1 9 Lanterna aff. brasiliensis Link (Verbenaceae) 20 Tumera blanchetiana Urban. (Tumeraceae) 21 Bauhinia sp. (Fabaceae) 22 Maytenus sp. (Celas trueeae) 23 Dalbergia sp. (Fabaceae) 24 Guapira graciliflora (Schmidt) Lundell (Nyctaginaceae) 25 Ipomoea brasiliana (C. Martius) Meisner (Convolvulaceae) 26 Helicteres muscosa Mart. (Malvaceae) 27 Peixotoa jussieuana Juss. (Malpighiaceac) 28 Machaerium acutifbliion Vogei. (Fabaceae) 29 Manihotpalrnata Mull. Arg. (Euphorbiaceae) 30 Erythroxylum laetevirens O.E. Schulz (Erythroxylaceae) 3 1 Dalbergia cearensis Ducke (Fabaceae) 32 Jacaranda jasminoides (Thunb.) Sandwith (Bignoniaceae) 33 Cmton grewioides Baill. (Euphorbiaceae) 34 Erythroxylum stipulemm Plowman (Erythroxylaceae) 35 Erythroxylum cf. vacciniifolium Mart. (Erythroxylaceae) 36 Aspidosperma subicanum Mart. (Apocynaceae) 37 Gymnanthes sp2 (Euphorbiaceae) 38 Arrabidaea sp. (Bignoniaceae) Voucher IV N NP ReD ReBa ReF JRL 109 46.45 52 29 14.86 19.09 12.5 JRL 77 24.86 30 15 8.57 9.82 6.47 FSA 1294 23.87 31 13 8.86 9.41 5.6 JRL 84 21.02 28 16 8 6.12 6.9 JRL 29 19.13 28 13 8 5.53 5.6 JRL 22 13.53 15 9 4.29 5.37 3.88 JRL 81 11.64 12 11 3.43 3.47 4.74 JRL 85 8.23 12 7 3.43 1.79 3.02 JRL 102 7.75 8 8 2.29 2.01 3.45 JRL 28 7.65 8 8 2.29 1.92 3.45 JRL 83 7.54 9 8 2.57 1.52 3.45 JRL 45 7.24 8 8 2.29 1.51 3.45 JRL 20 6.32 7 6 2 1.73 2.59 JRL 51 5.85 6 6 1.71 1.55 2.59 JRL 25 5.42 8 1 2.29 2.7 0.43 JRL 64 5.05 5 4 1.43 1.9 1.72 JRL 101 4.93 5 4 1.43 1.78 1.72 JRL 73 4.83 4 4 1.14 1.97 1.72 JRL 108 4.61 5 4 1.43 1.46 1.72 JRL 65 4.61 5 5 1.43 1.03 2.16 JRL 44 4.47 7 2 2 1.61 0.86 JRL 100 4.36 4 3 1.14 1.92 1.29 JRL 41 4 4 3 1.14 1.57 1.29 JRL 34 3.88 3 3 0.86 1.72 1.29 JRL 42 3.63 4 4 1.14 0.76 1.72 JRL 52 3.38 4 3 1.14 0.95 1.29 JRL 33 3.11 3 3 0.86 0.96 1.29 JRL 80 2.93 3 3 0.86 0.78 1.29 JRL 26 2.25 2 2 0.57 0.82 0.86 JRL 66 2.24 3 2 0.86 0.52 0.86 LWLV 1070 1.94 2 2 0.57 0.51 0.86 JRL 43 1.94 2 2 0.57 0.51 0.86 JRL 79 1.91 2 2 0.57 0.48 0.86 JRL 86 1.78 2 2 0.57 0.35 0.86 JRL 69 1.78 2 2 0.57 0.34 0.86 JRL 17 1.62 1 1 0.29 0.9 0.43 JRL 27 1.3 2 1 0.57 0.3 0.43 JRL 107 1.25 2 1 0.57 0.25 0.43 Rodriguésia 62(2): 379-389. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. 386 Lima, J.R. et al. No Species/ Family Voucher IV N NP ReD ReBa ReF 39 Agonandra brasiliensis Miers (Opiliaceae) JRL 56 1.22 1 1 0.29 0.51 0.43 40 Eugenia cf. piauhiensis O. Berg (Myrtaceae) JRL 62 1.22 1 1 0.29 0.51 0.43 41 Secondontia cf. foliosa A. DC. (Apocynaceae) JRL 89 1.22 1 1 0.29 0.51 0.43 42 Erythroxylum sp. (Erythroxylaceae) JRL 87 1.07 1 1 0.29 0.35 0.43 43 Senna cearensis Afran. Fem. (Fabaceae) JRL 46 1 1 1 0.29 0.28 0.43 44 Piptadenia moniliformis Benth. (Fabaceae) FSA 1298 0.89 1 1 0.29 0.17 0.43 45 Undackeria ovata (Benth) Gilg (Achariaceae) JRL 76 0.84 1 1 0.29 0.13 0.43 46 Sapium aff. argutum (Midi. Arg.) Huber (Euphorbiaceae) JRL 75 0.84 1 1 0.29 0.13 0.43 47 Tocoyena formosa (Cham. & Schltdl.) K. Schum. (Rubiaceae) JRL 59 0.84 1 1 0.29 0.13 0.43 48 Thiloa glaucocarpa (Mart.) Eichler (Combretaceae) LWLV 1050 0.84 1 1 0.29 0.13 0.43 49 Ouratea sp. (Nyctaginaceae) JRL 54 0.84 1 1 0.29 0.13 0.43 50 Cordia rufescens A. DC. (Boraginaceae) JRL 24 0.84 1 1 0.29 0.13 0.43 Table 5 - Families and species of herb and subwoody plants in the forest of Reseva Natural Serra das Almas, Crateús, Ceará State, with their respective proportions of ground cover and densities. Collectors: FSA - Francisca Soares Araújo, JRL - Jacira Rabelo Lima, LWLV - Luis Wilson Lima-Verde. Family / species Cover % Density plant in 100 m 2 Voucher Araceae Scaphispatha hastifolia Hook. 1 58 FSA 1379 Bromeliaceae Bromelia plumieri (E. Morren) L.B. Sm. 1 0 LWLV 982 Bromelia auriculata L.B. Sm. 8 79 LWLV 1222 Cyperaceae Cyperus agregatus (Willd.) Endl. 1 8 JRL 106 Malvaceae Pavonia sp. 3 168 JRL 90 Poaceae Lasiacis cf. sorghoidea (Desv. ex Ham.) Hitchc. & Chase 1 33 FSA 1378 Streptostachys asperifolia (Kuntw.) Desv. 18 580 FSA 1307 coupled with differences in methodology. One of these studies, including WCSP, was conducted in the same place as our study and also in Curimataú (PB), and Betânia (PE) (Araújo et al. 2005a). However, the sampling method was the point quarter method, contrary to the plot method in our study, making it difficult to compare results. Differences shown by the two methods for Serra da Almas (Tab. 7) illustrate this dificulty. The openness of the canopy in seasonal montane forests allows not only the establishment but also the maintenance of the WCSP (Quigley & Platt 2003), even outside gaps (Whittaker 1975; Gentry & Dodson 1987). The WCSP component has usually been ignored in vegetation studies in the region. In fact, its contribution to the basal area is small and it has little value in surveys directed to estimate fuel wood or timber availability. Floristic surveys usually consider that the plants in this component are merely young individuais of species which are also present in the larger component (WCLP). This occurs in forests elsewhere (Whittaker 1975; Quigley & Platt 2003). However, one family (Asteraceae) was exclusive and another one (Verbenaceae) had most of its representatives in this component, including some exclusive species (Lantana cf. brasiliensis and Lantana sp.). Therefore, inclusion Rodriguésia 62(2): 379-389. 201 1 SciELO/ JBRJ. 2 13 14 387 Physiognomy and structure of a seasonal deciduous forest in Ceará, Brazil Table 6 - Altitude (Alt), mean annual rainfall (MAR), sampled area; total plant dcnsity (TPD), community basal area (CBA), maximum plant height (MxH), proportion of plants above 8 m height (> 8), and mean (MD) and maximum stem diameters (MxD) of forest and non forest formations in semiarid Northeast Brazil (only surveys with inclusion criterion of PSL> 3 cm). Location Alt MAR Area TPD CBA MxH H>8 MD MxD References Serra das Almas, CE Triunfo 1,PE Triunfo 2, PE Pesqueira, PE Jataúba, PE Serra de Bodopitá, PB Serra de Bodocongó, PB Serra do Monte, PB Serra do Canoió, PB Padre Marcos, PI Baixa Fria, CE Carrasco, CE Estrondo, CE Capivara, PI (m) (mm) (ha) (pl/ha) (mVha) (m) (%) (cm) (cm) Forest formations 650 1044 1 5683 47.0 1100 1260 02 6515 56.7 900 1066 0.1 3060 46.7 1082 681 0.3 4910 67.2 1020-1120 764 02 4406 49.6 - 500 02 3165 3128 - 500 02 3010 33.19 - 500 02 4530 33.19 - 500 02 4145 23.25 18 11 8.4 65 This study 14 8 8.1 102 Ferraz et al. 2003 15 12 10.5 60 Ferraz et al. 2003 16 21 9.8 72 Correia 1996 15 12 8.7 80 Moura 1997 - - - - Oliveira etal. 2009 - - - - Oliveira et al 2009 - - - - Oliveira et al. 2009 _ _ - Oliveira et al. 2009 Non forest formations 420 637 0.45 4618 24.2 9 750-760 838 0.25 5952 14.2 8 750-760 838 0.25 5722 26.8 13 750-760 838 0.25 6596 19.5 11 600 680 1 5827 31.9 “ <1 8.1 48 Oliveira et al. 1997 10 5.0 29 Araújo et al. 1998 9 6.5 40 Araújo et al. 1998 <1 5.4 27 Araújo etal 1998 _ . - Lemos & Rodai 2002 Table7- Results obrained with the pio, and the qn.rtcr poin. nrcthods fo, lhe wood component ofsmall perime, cm (> 3 cm and < 8.9 cm) in the same area of the seasonal deciduous forest of Scmr das Almas, CearA Plot Quarter point Numberoffamilies 22 6 8 1.403 3423 0.002 0.53 Number of species Shannon Index (nats/plant) Absolute density (plant/ha) Basal area ( nr /ha) Mean stem diameter (cm) 50 3.26 17500 2.8 1.4 of this component is recommended in future studies in the region. Density in this component of the forest was quite high, three times higher than that of the larger trees and shrubs (WCLP), but its contribution to basal area was rather small, slightly above 5% of the basal area of the larger tree and shrub component. The high density of the WCSP component entangled the vegetation, rendering it difficult to penetrate. Together with the influence of the WCLP component, it probably conlributed to the suppression of the herb/subwoody component, through light, water and nutricnt competition. Density (9 plants/m 2 ) and soil coverage (30%) in this herb/subwoody component were low, as usually reported for other forests (Richard 1996). Within the Brazilian Northeast region, many recent measurements of this component in cuutingci areas found much higher dcnsities, from 16 to 1587 plants/m 2 (Barbosa et al. 2005; Reis et al. 2006). Rodrlguésià 62(2): 379-3S9. 20 1 1 SciELO/JBRJ, 13 14 15 16 17 lí cm 388 The Iarger size (height and diameter) of plants in Serra das Almas than in lhe non forest formations may result from greater water availability. Non- forest sites tend to have less annual rainfall than Serra das Almas and the topographic position favors the forest in Serra das Almas. Most of the carrasco sites are on top of the flat plateau and their deep, very sandy soil retains little moisture after rain events. Some of the infiltrated water seeps to the slope position where the forest is located. In fact, there is a natural fountain in the forest area but far from the study site, which was chosen to avoid its influence. Many other fountains punctuate the hundreds-of-kilometers long eastem slope of the Ibiapaba plateau and a few of them are still surrounded by forests, but unfortunately most of these forests have small and decreasing areas and only two are in protected reserves. Mean annual rainfall is not a differentiating factor among the compared montane forests. Rainfall ranges from lower to higher than that at Serra das Almas and the structure of these forests follows no systematic trend in relation to rainfall. Rainfall distribution over the year may be as important or even more important than total annual rainfall (Murphy & Lugo 1 986). Rainfall tends to be more evenly distributed closer to the coast (Pesqueira and Jataúba) than further away (Serra Talhada and Serra das Almas). This may explain the higher similarity in structure of Serra Talhada and Serra das Almas forests which are close but still hundreds of kilometers away, although other factors may be involved. Both Serra Talhada forests are small remnants of only a few hectares and have been disturbed to a higher degree than the remaining forests. The absence of taller trees in both Serra Talhada forests may result from selective cutting. Local information refers to the previous presence of much Iarger trees in the region. The high density of small plants at the 1 100 m site may reflect regrowth in the openings left after cutting of Iarger trees. Thus, it is possible to conclude that Serra das Almas forest is physiognomically distinct form the other seasonal montane forests and also from all non-forest formations analyzed in Northeast Brazil. The vegetation structure at Serra das Almas is in an intermediate position between the forests and the non-forest formations. It has a great abundance of tall, thin trees and shrubs, compared to the relative openness of the also tall but Iarger stemmed trees in the forests and the higher abundance of smaller trees and shrubs in the non forest formations. Lima, J.R. et al. Acknowledgments The authors thank the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), for the scholarship, and the Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), for financing the project (Edital Universal, processo 476285/2003-8). We also thank the Associação Caatinga for infrastrueture in the field work. References Andrade, K.V.S.A & Rodai, M.J.N. 2004. Fisionomia e estrutura de um remanescente de floresta estacionai semidecídua de terras baixas no Nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Botânica 27: 463-474. APG - Angiosperm Phylogeny Group. 2009. An update of the Angiospemi Phylogeny Group classificalion for the orders and families of flowering plants: APG III. Botanical Journal of the Linnean Society 161: 105-121. Araújo, F.S.; Sampaio, E.V.S.B. & Rodai, M.J.N. 1998. Organização comunitária do componente lenhoso de três áreas de carrasco em Novo Oricnte/CE. Revista Brasileira de Biologia 58: 85-95. Araújo, F.S.; Martins, F.R. & Shepherd, G.J. 1999. 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SciELO/JBRJ, 13 14 15 cm 392 Couto, A.P.L., Funch, L.S. & Conceição, Aj\. Introdução O Brasil é um dos países com maior diversidade de ecossistemas florestais (Leitão-Filho 1987). Dentre estes ecossistemas, a floresta estacionai insere-se no domínio da Mata Atlântica sensu lato, um dos ecossistemas brasileiros mais ameaçados (Morellato & Haddad 2000; Oliveira-Filho & Fontes 2000). Desta forma, a manutenção da diversidade biológica tornou-se importante alvo de várias iniciativas que buscam orientar a preservação de seus remanescentes (Diegues & Arruda 2001; Oliveira-Filho etal. 2005a). O incremento de pesquisas realizadas nas últimas décadas, principalmente na região Sudeste, propiciou considerável aumento do conhecimento sobre a Floresta Atlântica sensu lato, caracterizada como uma extensa e importante formação florestal extra-amazônica (Meira Neto et al. 1989; Leitão- Filho 1992). As primeiras avaliações de inventários florísticos sobre a Floresta Atlântica ocorreram em São Paulo (Salis et al. 1995; Torres et al. 1997; I vanauskas et al. 2000; Scudeller et al. 200 1 ; Oliveira 2006) e posteriormente em Minas Gerais (Oliveira- Filho et al. 1994) e Rio de Janeiro (Peixoto et al. 2005); ou por regiões, como Sudeste (Oliveira-Filho & Fontes 2000; Oliveira-Filho et al. 2005b) e Nordeste (Ferraz et al. 2004). Em maior amplitude geográfica, ressalta-se o trabalho de Siqueira ( 1 994), com a análise de 63 áreas de Floresta Atlântica sensu stricto das Regiões Nordeste, Sudeste e Sul. Na região central da Bahia situa-se a Chapada Diamantina, local de diversidade florística elevada, associada à presença de variados tipos de vegetação que incluem cerrados, florestas, caatingas e campos rupestres (Harley 1995; Funch et al. 2009). As florestas estacionais encontradas na borda leste da Chapada Diamantina foram caracterizadas através de seu componente arbóreo e de aspectos da topografia e solos, sendo identificadas florestas ciliares, florestas de encosta, florestas de planalto e florestas de grotão (Funch et al. 2005, 2008). A formação florestal predominante nessa região é a Floresta Estacionai Semidecidual Submontana (FESS) (Funch etal. 2005, 2008), que ocorre desde a Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, sudoeste do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul, incluindo gêneros de plantas característicos, como Copaifera, Hymenaea, Dipteryx, Macherium, Aspidosperma, Casearia e Tabebuia (Veloso 1992; Rizzini 1997; Marangon et al. 2003; Couto 2008). As florestas estacionais semideciduais submontanas (florestas de planalto em latossolos, a 400—600 m de altitude), objetos deste estudo, ocupavam no passado quase toda a borda oriental da Chapada Diamantina. Porém, nos últimos 20 anos foi observado o desaparecimento de uma expressiva porcentagem dessas florestas (Funch et al. 2005, 2008). Na tentativa de minimizar o avanço desse desmatamento, foram implantadas algumas unidades de conservação, como o Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) e a Área de Proteção Ambiental Marimbús - Iraquara (Franca-Rocha et al. 2005; Funch et al. 2008; SEIA 2010). No entanto, embora haja uma consciência crescente sobre a importância dos remanescentes florestais e da necessidade de conservá-los, é evidente que há uma relativa escassez de levantamentos na Chapada Diamantina. Os estudos ainda são pontuais na borda oriental da Chapada para florestas estacionais sub-montanas e montanas (Funch 1997; Stradmann 1997, 2000; Souza 2007; Funch et al. 2008; Ribeiro-Filho et al. 2009) e na borda ocidental para florestas estacionais montanas (Nascimento 2009). Dessa forma, o presente trabalho visa conhecer a composição florística e descrever a fisionomia de um trecho de floresta estacionai semidecidual submontana, bem como investigaras relações florísticas entre o componente arbóreo da área aqui estudada e de outras florestas estudadas na Chapada Diamantina. Materiais e Métodos Área de estudo O trecho de floresta estudado localiza-se no município de Lençóis, no Parque Nacional da Chapada Diamantina, Bahia, Brasil. O acesso é realizado a partir da BR 242 (Salvador-Brasília) (Fig. 1 ). A vegetação estudada é classificada como floresta estacionai semidecidual submontana (FESS, segundo Veloso et al. 1991 ), ocorrendo em relevo suave ondulado, em altitudes entre cerca de 400 a 600 m, sobre Latossolo Vermelho- Amarelo de textura argilosa e com pouca matéria orgânica (Jesus et al. 1985). Em geral, toda a região da Chapada Diamantina é predominantemente constituída de rochas metassedimentares com baixo grau de metamorfismo, de idade Proterozóica. frequentemente dobradas e afetadas por importantes exposições ígneas na sua parte ocidental (Jesus eia/. 1985). Rodríguésia 62(2): 391-405. 2011 SciELO/JBRJ. Floristica de Floresta Estacionai na Bahia 393 , , „ Diamantina Bahia, Brasil. As áreas estão numeradas Figura 1 - Localização das florestas estudadas na Chapada Diamantina, uama, u conforme apresentado na Tabela 1. d compreh ends thc numbcr as Figure 1 - Local ization of the studicd forcst in Chapada D.amant.na, Bahia, Bra/.l. 1 shown in Tablc 1. Devido às condições especiais de altitude, o clima da região de Lençóis é mesotérmico do tipo Cwb, com máximo de chuvas no verão (novembro, dezembro e janeiro) e um máximo secundário em março-abril, com verão chuvoso e inverno seco ( RADAMBRASIL 1 98 1 ). A pluviosidade varia entre 35 mm (julho e agosto) a 184 mm (dezembro), com precipitação média excedendo 1 00 mm durante a estação chuvosa. As temperaturas médias mensais oscilam durante o ano, variando em tomo de 1 8°C durante o inverno (abril-setembro) e excedendo 22°C nos meses mais quentes (outubro-fevereiro) (Funch et cil. 2002). Levantamento florístico As coletas foram realizadas através de caminhadas aleatórias em 2004 e no período de maio/2006 a agosto/2007. Durante esse período foram feitas visitas mensais na busca de ramos férteis de angiospermas. Espécies cujos indivíduos não foram observados em estádio reprodutivo foram registradas por meio de amostras estéreis de espécies amostradas no estudo fitossociológico realizado por Couto (2008). As espécies foram classificadas quanto ao hábito de acordo com os critérios adotados por Ribeiro et al. ( 1 999). O material coletado foi processado segundo a metodologia de Mori et al. ( 1 989), herborizado c incluído no Herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana (HUEFS). As exsicatas estéreis foram armazenadas na coleção permanente do Laboratório de Flora e Vcgetação/UEFS, como testemunhos. A identificação do material foi realizada utilizando-se bibliografia especializada, comparação com exemplares depositados no HUEFS, além de consulta direta a especialistas. A classificação taxonômica baseou-se no sistema APGII (2003). Rodriguésia 62 ( 2 ): 391 - 405 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 cm 394 Diagrama de perfil da vegetação Foi elaborado um diagrama de perfil (Kershaw & Looncy 1985), a fim dc visualizar a distribuição horizontal e vertical e a distribuição das formas de vida presentes na vegetação estudada (Oliveira- Filho & Fluminhan-Filho 1999). O perfil representou uma faixa com 30 m de comprimento e 10 m de largura, situada aleatoriamente a 40 metros da borda da floresta e delimitada por trena e corda, onde todos os indivíduos foram identificados e medidos. Similaridade florística As relações florísticas entre as florestas estudadas na Chapada Diamantina foram avaliadas pela similaridade de Jaccard (Müeller-Dombois & Ellenberg 1974). Devido ao fato da maioria dos estudos terem sido direcionados às árvores, a similaridade calculada restringiu-se ao componente arbóreo, utilizando-se uma matriz de presença e ausência com 266 espécies arbóreas identificadas Couto. A.P.L, Funch. L.5. & CanceiçAo. A-A. em nível específico incluídas no presente estudo e nos demais levantamentos florísticos realizados na Chapada Diamantina (Tab. 1 ; Fig. 1 ). A maioria dos dados florísticos comparados foi obtida através de parcelas 1 0 x 1 0 m contínuas ou aleatórias (presente estudo), exceto Funch ( 1 997). Funch et al. (2008) e Nascimento (2009). Um quadro comparativo entre as florestas foi elaborado considerando-se as famílias mais ricas em espécies dc cada área. incluindo apenas os táxons identificados em nível de espécie. Nas listagens florísticas, as famílias estão tratadas segundo APGII (2003). Foram analisadas famílias e gêneros com as maiores constâncias relativas e proporções de espécies nos diversos levantamentos. A constância relativa de um táxon (CRt ) considera o número de levantamentos com presença do táxon (Pt) em relação ao total de levantamentos (T): CRt = 100 Pt/T (Müeller-Dombois & Ellenberg 1974; Y amamoto et al. 2005 ). Tabela 1 - Relação das florestas da Chapada Diamantina, Bahia, Brasil utilizadas na análise de similaridade fioristica. 1. Presente estudo; 2. Mata de Encosta Serra da Bacia (Souza 2007); 3. Mata Ciliar Rio Lençóis (Funch 1 997); 4. Mata Ciliar Rio Capivara (Stradmann 2000); 5. Mata Ciliar Rio Ribeirão (Stradmann 1 997)- 6 Mata Ciliar Rio Mandassaia (Ribeiro-Filho et al. 2009); 7. Mata de Encosta Rio Lençóis (Funch 1997) 8 Mata de Encosta Rio Capivara (Stradmann 2000); 9. Mata de Planalto (Funch et al. 2008); 10. Mata de grotào (Funch et al. 2008); 1 1. Mata Montana (Nascimento 2009). FEM = Floresta Estacionai Montana- FES = Floresta Estacionai Submontana; LVA = Latossolo Vermelho-Amarelo; RE = Riqueza especifica; EA = Espécies arbóreas. Table 1 - List ofthc forests of the Chapada Diamantina, Bahia, Bra/.l used in lhe analysis offloristic similarity 1 Present study 2. Montanc forests m the Bacia mountain chain (Souza 2007); 3. Ciliary forests aiong the Lençóis Rivcr (Funch 1997)- 4 Ciliary- forests aiong the Capivara River (Stradmann 2000); 5. Ciliary forests Ribeirão River (Stradmann 1997)- 6 Ciliarv forests alone the Mandassaia River (Ribeiro-Filho et al. 2009); 7. Montane forests besides of the Lençóis River Valley (Funch 1997) 8. Montane forests besides of the Capivara River Valley (Stradmann 2000); 9. Tableland forest (Funch et al 2008)- 10 C rcx.ee forest (Funch et al. 2008); 1 1 . Montanc forest (Nascimento 2009). FEM = Montane Seasonal Forest; FES = Submonune Seaconal Forest; LVA = Latosols Rcd-Yellow; RE = Specics Richness; EA = Arboreal Species. ^montane bcasonal Área Fisionomia Deciduidade Coordenadas Altitude (m) Solo Clima RE/EA 1 FES Scmidecidual 12°28’S-41°23’W 500-600 LVA Cwb 117/88 2 FEM Pcrcnifólia 12°27'S-41°28'W 1.100 Litólico Cwb 94/71 3 FES Pcrenifólia 12°33’S-41°24'W 450-500 Litólico Cwb 81 4 FES Perenifólia 12°38'S-41°23'W 600 Litólico Aw 142/64 5 FES Perenifólia 12°35'S-41°23'W 800 Litólico Cwb 38 6 FES Perenifólia 12°33’S-41°25'W 800 Litólico Cwb 42 7 FEM Perenifólia 12°33’S-41°24’W 600-700 Litólico Cwb 55 8 FEM Scmidecidual 12°38'S-41°23'W 950-1.000 Litólico Aw 116/69 9 FES Scmidecidual 12°30'S-41 o 21'VV 400-500 LVA Cwb 45/45 10 FEM Perenifólia 12 0 27’S-41°25'VV 1.000-1.200 Litólico Cwb 39/39 11 FEM Perenifólia 13°31’S-41°58'W 1.350-1750 Litólico Cwb 117/117 Rodriguésia 62(2): 391-405. 201 1 SciELO/JBRJ L2 13 14 15 16 17 Floristica de Floresta Estacionai na Bahia 395 Resultados Diagrama de perfil da vegetação A vegetação analisada apresenta dilerentes estratos, como pode ser observado no perfil (Fig. 2). Esta floresta apresenta um estrato superior não contínuo constituído por um dossel formado por árvores que variam de 10a 1 6 m de altura, onde se destacam Micropholis gardneriana [numeração no perfil (NP) 1], Pogonophora schomburgkiana (NP 1 5 ), Tapirira guianensis (NP 30), Diospyros sericea (NP 33) e Pouteria ramiflora (NP 3); e emergentes que alcançam 1 8 a 26 m, como Protium heptaphyllum (NP 6), Maprounea guianensis (NP 23), Hirtella glandulosa (NP 1 0) e Aspidospenna discolor (NP 37). Abaixo deste dossel, situa-se um estrato arbóreo contínuo, com cerca de 6 a 9 m de altura, representado pela grande maioria das árvores. O sub-bosque é bem iluminado tormado, em sua maioria, por indivíduos jovens das espécies dos estratos superiores e espécies de Rubiaceae e Melastomataceae. A espécie Parodiolyra micrantha (Poaceae) foi presente em grande parte da área amostrada. Trepadeiras são abundantes, destacando-se Ruellia affinis , Coccoloba striala, Davilla rugosa, Srnilax sp. e Paullinia sp. Epífitas são raras, tendo-se registrado a presença de Campylocentrum micranthum, Vanilla sp. e Notyla sp. A lista completa das espécies coletadas e representadas no perfil pode ser visualizada na Tabela 2. Levantamento florístico Foram registradas 1 17 espécies e 85 gêneros, distribuídos em 49 famílias de angiospermas (Tab. 2), sendo 88 espécies arbóreas (75%), 15 trepadeiras (13%), seis arbustivas (5%), cinco herbáceas (4%) e três epífitas (3%), das quais 23 foram identificadas apenas em nível de gênero e duas em nível de família. As famílias com maior riqueza de espécies foram Fabaceae com 13 espécies (11,9%), Myrtaceae e Lauraceae com 10 espécies cada (8,6%), Apocynaceae com sete espécies (6%), Figura 2 - Diagrama de Perfil de um trecho de 10 X 30 m de Floresta Estacionai Semidecidual Submon.ana no Parque Park, Lençóis, Bahia, Brazil, with individuais numbered as listed specics in rabie l. Rodriguésiá 62(2): 391-405. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 396 Couto, A.P.L., Funch, L.S. & Conceição, A.A. Chrysobalanaceae e Rubiaceae com seis cada (5,1 %) e Euphorbiaceae com cinco espécies (4,3%) (Tab. 3). O somatório da riqueza destas sete famílias representa 48,7% do total das espécies levantadas neste estudo. As 60 espécies restantes distribuíram-se em 42 famílias. Os gêneros com maior riqueza de espécies foram Ocotea com sete espécies; Myrcia com quatro espécies; Casearia, Inga, Byrsonima, Miconia e Eugenia com três espécies cada. Onze gêneros foram representados por duas espécies e 68 gêneros por apenas uma. Similaridade florística Ao analisar os levantamentos florísticos na região da Chapada Diamantina, foram registradas 266 espécies arbóreas e 153 gêneros, distribuídos em 69 famílias de angiospermas. As famílias com maior riqueza específica apresentaram valores de constância relativa acima de 80%, sendo máximo para as famílias Anacardiaceae, Apocynaceae, Fabaceae, Myrtaceae, Sapotaceae e Simaroubaceae, nas 1 1 áreas comparadas (Tab. 4). Por meio do dendrograma de similaridade, com correlação cofenética de 0,89, é possível distinguir dois grupos com similaridade de Jaccard a partir de 25% (Fig. 3). Um grupo (B ) incluindo as áreas 5, 6, 10 e 11 respectivamente a Mata Ciliar do Rio Ribeirão (FES); a Mata Ciliar do Rio Mandassaia (FES), a Mata de Grotâo (FEM) e a Mata de Rio de Contas/Rio do Pires (FEM); e o grupo (A) com sete, este último incluindo o par mais similar (60%) formado pela Mata de Encosta do Rio Lençóis (FEM) e a Mata de Planalto (FES). O presente estudo apresenta 37% de similaridade com o grupo C formado por cinco áreas (4, 8, 7. 9 3), que juntos formam um grupo 45% similar. Tabela 2 - Famílias e espécies ocorrentes em um trecho de Floresta Estacionai Semidecidual Submontana no Parque Nacional da Chapada Diamantina, Lençóis, Bahia, Brasil, com respectivos hábitos, materiais testemunhos e numeração indicada no diagrama de perfil. MV = material vegetativo; * = espécies referidas apenas no presente estudo em comparaçao com outras listagens da Chapada Diamantina; X = ausente no diagrama de perfil Table 2 - Plant families and spccies occurring in lhe analyzed area of lhe Submontanc Scasonal Forest in the Ch-miHa n,,™-, , v i í* - “»■ ■>”»• » «>» -»» » «* m&gsgi srrs - spccies hsted only m the present study compared to other listings of Chapada Diamantina, X = absent in the profiic s diagram. Família/Espécie Hábito Testemunho HUEFS Numeração indicada no perfil ACANTHACEAE Ruellia affinis (Nees) Lindau trepadeira 120568 X ANACARDIACEAE Tapirira guianensis Aubl. árvore 120582 30 ANNONACEAE Guatteria oligocarpa Mart.* árvore 120563 48 Xylopia sp. árvore MV X APOCYNACEAE Aspidospenna discolor A. DC. árvore MV 37 x Blepharodon nitidum (Vell.) J. F. Macbr trepadeira 120591 Himatanthus bracteatus (A.DC.) Woodson árvore 120542 14 Mandevilla scabra (Roem. & Shutt.) K. Schum. trepadeira 120589 x Odontadenia lutea (Vell.) Markgr. trepadeira 120534 x Odontadenia sp. trepadeira MV 25 Temnademia violacea (Vell.) Miers trepadeira 120590 X ARALIACEAE Schefflera sp. árvore MV X Rodriguésia 62 ( 2 ): 391 - 405 . 201 1 SciELO/JBRJ, 13 14 Floristica de Floresta Estacionai na Bahia 397 Família/Espécie Hábito Testemunho HUEFS Numeração indicada no perfil ASTERACEAE Mikctnia lindbergii Baker in Mart. trepadeira 120535 X BIGNONIACEAE Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers trepadeira 124622 X BORAGINACEAE Cordia bicolor A. DC.* árvore MV X BURSERACEAE Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand árvore 120540 6 CELASTRACEAE Maytenus robusta Reissek árvore MV 27 CHRYSOBALANACEAE Couepia cf. impressa Prance Couepia sp. Hirtella glandulosa Spreng. Hirtella gracilipes (Hook. f.) Prance Licania kunthiana Hook.f. Licania sp. árvore árvore árvore árvore árvore árvore MV MV 120549 120574 MV MV 8 X 10 17 X 42 CLUSIACEAE Clusia nemorosa G Mey árvore 120576 36 COMBRETACEAE Buchenavia capitata (VahI.) Eichl árvore MV X CYPERACEAE Rhynchospora sp. Cyperaceae Indeterminada erva erva 120532 MV 43 32 DILLENIACEAE Davilla rugosa Poir. trepadeira 120537 35 EBENACEAE Diospyros sericea A.DC. árvore 120552 33 EUPHORBIACEAE Aparisthmium cordatum (A. Juss.) Baill Chaetocarpus echinocarpus (Baill.) Ducke Maprounea guianensis Aubl. Pera glabrata (Schott) Poepp.ex Baill. Pogonophora schomburgkiana Miers ex Benth. árvore árvore árvore árvore árvore MV MV 120551 MV 120556 X X 23 24 15 FABACEAE Anadenantliera colubrina var. colubrina (Griseb.) Altsch. Andirafraxinifolia Benth. Bauhiniafunchiana A.Vaz Bauhinia sp. Copaifera langsdorffii Desf. Hymenolobium janeirense var. stipulatum (N. Mattos) Lima Inga laurina (Sw.) Willd. Inga thibaudiana D.C Inga sp. 1 árvore árvore arbusto trepadeira árvore árvore árvore árvore árvore MV MV MV MV 120575 MV MV MV MV X 49 X 45 X 7 X 38 34 Rodriguésia 62(2): 391 - 405 . 201 1 SciELO/ JBRJ. 2 13 14 15 cm .. Couto, A.P.L, Funch, L.S. & Conceição, A.A. Família/Espécie Hábito Testemunho HUEFS Numeração indicada no perfil Servia macranthera (Collad.) H.S. Irwin & Barneby árvore 110075 X Swartzia apetala Raddi árvore MV X Swartzia bahiensis Cowan árvore 120547 X Fabaceae indeterminada 1 arbusto MV 20 HYPERICACEAE Vismia guianensis (Aubl.) Choisy árvore 120583 X ICACINACEAE Emmotum nitens (Benth.) Miers árvore 120538 X LACISTEMACEAE Lacistema robustum Schinizl. árvore 120555 X LAURACEAE Aiouea guianensis Aubl. árvore MV 19 Cinnamomum sp. árvore MV X Nectandra membranacea Griseb. árvore MV 31 Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez * árvore MV X Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Mez * árvore MV 50 Ocotea glomerata (Ness) Mez * árvore 120580 X Ocotea nitida (Meisn.) Rohwer * árvore 96130 18 Ocotea sp. 1 árvore MV 29 Ocotea sp.2 árvore MV X Ocotea sp.3 árvore MV 47 LECYTHIDACEAE Eschweilera tetrapetala Mori árvore 96124/110082 X LOGANIACEAE Antonia ovala Pohl árvore 120541 X MALPIGH1ACEAE Byrsonima crassifolia (L.) Kunth * árvore MV X Byrsonima sericea DC. árvore 120554 X Byrsonima sp. árvore MV X MALVACEAE Eriotheca gracilipes (K. Schum.)A. Robyns * árvore MV X MARANTHACEAE Monotagma plurispicatum (Koern.) Schum erva 120546 X MELASTOMATACEAE Miconia holosericea (L) DC árvore 120559 4 Miconia rimalis Naudin. * árvore 1 20539/1 2058 1 26 Miconia sp. árvore MV 44 MELIACEAE Cabralea canjerana (Vell.) Mart. * árvore MC X MYRSINACEAE Myrsine umbellata Mart. árvore 110076 X Myrsine guianensis (Aubl.) Kuntze árvore 96127 X Rodriguésia 62 ( 2 ): 391 - 405 . 201 1 SciELO/ JBRJ, 13 14 15 Florística de Floresta Estacionai na Bahia 399 Famflia/Espécie MYRTACEAE Calyptranthes lúcida DC. Eugenia laxa DC. * Eugenia platyclada O.Berg Eugenia sp. Myrcia detergens Miq. Myrciafallax (Rich.) DC. * Myrcia obovata (Berg) Niedenzu * Myrcia rostrata DC. Myrciaria dubia (Kunth) Mc Vaugh * Psidium brownianum DC. OLACACEAE Heisteria perianthomega (Vell.) Sleumer Schoepfta obliquifolia Turcz. ORCHIDACEAE Cumpylocentrum micranthum Rolfe Notyla sp. Vanilla sp. POACEAE Parodiolyra micrantha (Kunth) Davidse & Zuloaga POLYGALACEAE Polygala oxyplylla DC Coccoloba striata Benth. PROTEACEAE Euplassa sp. RUBIACEAE Amaioua guianensis Aubl. Malanea sp. Malopanthera paniculata Turcz. * Palicourea marcgravii A. St.-Hil. Psychotria hoffrnansegianna (Roem. & Schult.) Muell. Arg. Psychotria barbiflora DC. RUTACEAE Hortia arbórea Engl. SALICACEAE Casearia arbórea (Rich) Urb. Casearia commersoniana Cambess. Casearia decandra Jacq. (Rich.) Urb. * SAPINDACEAE Cupania cf oblongifolia Mart. Paullinia sp. SAPOTACEAE Micropholis gardneriana (DC.) Pierre Pouteria ramiflora (Mart.) Radlk. Pouteria torta (Mart.) Radlk. Hábito árvore árvore árvore árvore árvore árvore árvore árvore árvore árvore árvore árvore epífita epifita epífita erva erva trepadeira árvore árvore trepadeira árvore arbusto arbusto arbusto árvore árvore árvore árvore árvore trepadeira árvore árvore árvore Testemunho HUEFS MV MV 120592 MV 96121 MV 120577 120553 96112 MV MV MV MV MV MV 120569 96114 120562 MV 120531 120579 I 10081 120561 96115 120530 MV MV 120573 120571 MV 120588 120578 MV MV Numeração indicada no perfil X X X X 46 X X 22 X X 2 X X X X 9 X X 13 X 11 X 28 X 12 X 16 X X X 5 1 3 40 Rodriguésia 62(2): 391-405. 2011 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. Couto, A.P.L., Funch. L.S. & Conceição, AA. Família/Espécie Hábito Testemunho HUEFS Numeração indicada no perfil S1MAROUBACEAE Simarouba amara Aubl. árvore MV X SMILACACEAE Srnilax sp. 1 trepadeira 120566 X Smilax sp.2 trepadeira MV 41 S1PARUNACEAE Siparuna guianensis Aubl. árvore MV X SYMPLOCACEAE Symplocos nitens (Pohl.) Benth. * árvore 120572 X TRIGONIACEAE Trigonia eriosperma (Lam.) Fromm & E. Santos árvore 120584 X TURNERACEAE Turnera cearensis Urb. árvore 120587 X VOCHYSIACEAE Qualea sp. árvore MV 21 Vochysia tucanorum Mart. * árvore 120585 X Vochysia sp. arbusto MV 39 Tabela 3 Numero de espécies por família, dentre as famílias mais ricas, nas florestas da Chapada Diamantina, Bahia, Brasil O numero entre parênteses refere-se à ordem de predominância da família nos respectivos estudos. 1. Presente estudo; 2. Mata de Encosta Serra da Bacia; 3. Mata Ciliar Rio Lençóis; 4. Mata Ciliar Rio Capivara; 5. Mata Ciliar Rio Ribeirão; 6. Mata Ciliar Rio Mandassaia; 7. Mata de Encosta Rio Lençóis; 8. Mata de Encosta Rio Capivara; 9. Mata de Planalto; 1 0. Mata de grotão- 11 Mata Montana. Myrt = Myrtaceae; Lau= Lauraceae; Fab = Fabaceae; Chrys = Chrysobalanaceae; Euph = Euphoibiaceae; Sa ic Sahcaceae; Sapot - Sapotaceae; Rub = Rubiaceae; Melas = Mclastomataceae; Apoc = Apocynaceae; Voch = Vochysiaceae; Olac - Olacaceae; Clus = Clusiaceae; Anac = Anacardiaceae. * = Famílias que dentro de uma área estudada nao fizeram parte das mais ricas. Table 3 - Ntimbcr of spccies per family among lhe richest family in the forests of the Chapada Diamantina, Bahia. Brazil. The number m parentheses refcrs to the order of family *s predominance studies. 1. Present study, 2. Montane forests in the Bacia motmtain chain 3. Cihary forests along the Lençóis Rtver; 4. Cil.ary forests along the Capivara River; 5. Ciliary forests Ribeirão River 6 Ciliarv forests along the Mandassaia River; 7. Montane forests besides of the Lençóis River Valley; 8. Montane forests besides of the Capivara River Valley, 9. Platcau forest; 10. Crevice forest; 11. Montane forest. » = Families within of study area were not part of the nchcst Area Fonte Myrt Lau Fab Chrys Euph Sapot Rub Melas Apoc Voch 1 Presente estudo 9(1) 6(2) 6(2) 4(3) 4(3) 3(4) * 2(5) * * 2 Souza (2007) 6(1) 2(5) 4(3) 2(4) 6(1) * 5(2) * * * 3 Funch (1997) 14(1) * 10(2) 4(4) 5(3) 3(5) * 5(3) 3(5) 3(5) 4 Stradmann (2000) 5(2) * 8(1) 2(5) 4(3) 4(3) * 2(5) * 3(4) 5 Stradmann(1997) 6(1) 2(3) 2(3) 2(3) * 2(3) * 3(2) * * 6 Ribeiro-Filho 4(1) * * * 2(3) * 2(3) * 3(2) * etal. (2009) 7 Funch (1997) 5(2) * 8(1) 3(4) 4(3) 2(5) 2(5) 3(4) 3(4) * 8 Stradmann (2000) * 2(3) 6(1) 3(2) 3(2) 3(2) * * 2(3) 2(3) 9 Funch 2008 6(1) * 6(1) 3(3) 4(2) 3(3) ♦ 2(4) 2(4) * 10 Funch 2008 6(1) * 2(2) * * * 2(2) ★ * * 11 Nascimento 2009 20(1) 10(2) 4(5) * 4(5) 3(8) 4(5) 5(3) 3(8) 3(8) Clus Anac 3(2) 4(1) 2(3) 2(3) 2 ( 2 ) Rodrigiièsia 62 ( 2 ): 391 - 405 . 201 1 SciELO/JBRJ. 2 13 14 15 cm Floristica de Floresta Estacionai na Bahia Tabela 4 - Constância relativa (CR) das famílias e gêneros de maior riqueza específica nas diferentes formações florestais da Chapada Diamantina, Bahia, Brasil. Table 4 - Relative Constancy (CR) of the families and gcnera of the richest families in different forcst formations of the Chapada Diamantina, Bahia, Brazil. Família CR'* 1 Gênero CR 1 *’ Anacardiaceae 100 Calyptranthes 100 Apocynaceae 100 Pouteria 100 Leguminosae 100 Simarouba 100 Myrtaceae 100 Tapirira 100 Sapotaceae 100 Clusia 91 Simaroubaceae 100 Miconia 91 Clusiaceae 91 Myrcia 91 Euphorbiaceae 91 Byrsonima 82 Melastomataceae 91 Guapira 82 Burseraeeac 82 Protium 82 Chrysobalanaceae 82 Aspidosperma 73 Malpighiaceae 82 Heisteria 73 Nyctaginaceae 82 Himatanthus 73 Rutaccae 82 Inga 73 Figura 3 - Dendrograma de similaridade de Jaccard e UPGMA, incluindo a área de estudo e mais dez áreas de florestas na Chapada Diamantina, Bahia, Brasil. As áreas estão numeradas conforme apresentada na Tabela 1. Figure 3 - Dcndrogram of Jaccard similarity and UPGMA. including the study area and ten forcst arcas in Chapada Diamantina, Bahia, Brazil are number as shown in Table 1. Rodriguésia 62(2): 391-405. 201 1 401 Discussão Ern geral, as florestas da borda oriental da Chapada Diamantina apresentam uma estratificação horizontal semelhante: o dossel é contínuo com árvores que variam de 8 a 1 2m representadas por Tapirira guianensis, Clusia nemorosa, Alchomea triplinervia, Balizia pedicellaris, Diospyros sericea, Bowdichia virgilioides, Maproimea guianensis, Emmotum nitens e Vochysia pyramidalis ; e emergentes que atingem 20 m como Aspidosperma discolor e Hymenolobium janeirense var. stipulatum (Funch elal. 2002, 2008). Nas florestas da borda ocidental as árvores do dossel apresentam altura entre 6 a 9 m, com emergentes atingindo até 35 m, como Pouteria torta (Nascimento 2009). No presente estudo, verificou-se a presença de dossel mais elevado, atingindo 16 m de altura e com representantes recorrentes em outras florestas além de Micropholis gardneriana, Pogonoplwra schomburgkiana e Pouteria ramiflora, e emergentes com cerca de 26m, assim como observado por Funch et al. (2002, 2008) para as FES (florestas de planalto). Verifica-se que as florestas estacionais submontanas (florestas de planalto) sobre latossolo na borda leste da Chapada Diamantina apresentam o estrato vcgetacional mais alto que as demais florestas. O sub-bosque da floresta analisada apresenta elevado número de jovens das espécies dos estratos superiores, sugerindo que esta comunidade se encontra em crescimento, por ser constituída em sua maioria de jovens, com eficiente regeneração (Marangon 1999). Outro elemento abundante na floresta são as trepadeiras que, segundo Udulutsch et al. (2004), são importantes no funcionamento das florestas estacionais por fornecem recursos à fauna, aspecto também observado nas outras areas florestais da Chapada (Souza 2007, Funch etal. 2008). Considerando o estrato arbóreo, encontrou- se poucas famílias, totalizando mais da metade das espécies observadas. A concentração dc riqueza específica em poucas famílias esta dc acordo com a maioria dos estudos em florestas estacionais semideciduais realizados na Chapada Diamantina (Funch 1997; Stradmann 2000), bem como cm outras áreas do Nordeste (Rodai et al. 2005; Neves 2005) e Sudeste (Leitão-Filho 1987; Ivanauskas et al. 1999; Santos & Kinoshita 2003; Yamamoto et al. 2005; Marangon et al. 2003; Souza et al. 2003). SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. 402 Fabaceae, Euphorbiaceae, Myrtaceae, Rubiaceae e Lauraceae se destacaram no presente estudo e nas outras dez áreas estudadas na Chapada Diamantina (Tab. 3), estando entre as famílias com alta constância e alta riqueza nas florestas estacionais semideciduais do Brasil (Oliveira -Filho & Fontes 2000; Santos & Kinoshita 2003) e entre as famílias mais ricas em espécies lenhosas do mundo (Yamamoto et al. 2005). Myrtaceae é a família com o maior número de espécies na Chapada Diamantina, tanto na borda oriental quanto na borda ocidental, seguida por Fabaceae, Chrysobalanaceae, Sapotaceae, Melastomataceae e Apocynaceae. Juntamente com as famílias anteriormente citadas, Anacardiaceae e Simaroubaceae apresentam maior constância relativa (Tab. 4). Essas famílias são de grande importância ecológica, com elevada riqueza florística em diversos ecossistemas (Funch 1 997 ; Oliveira-Filho & Fluminhan-Filho 1 999). Estes dados corroboram com a hipótese de Yamamoto et al. (2005) de que se uma família é muito rica em espécies e tem uma distribuição muito ampla, ela constará dentre as famílias de maior constância e maior riqueza em qualquer lugar de sua área de distribuição. Embora a composição de famílias encontrada seja a esperada para as florestas estacionais, o presente estudo acrescentou muito à riqueza de espécies (88) das FESS da borda leste da Chapada Diamantina: estudos prévios registraram apenas 45 espécies, distribuídas em 21 gêneros e 25 famílias (Funch et al. 2005, 2008). Portanto, há necessidade de mais estudos nos fragmentos de florestas estacionais do estado da Bahia, em especial na Chapada Diamantina, como já evidenciado por Cardoso & Queiroz (2008) e Cardoso et al. (2009), os quais registraram novas ocorrências para a Bahia, além de coletas raras, em fragmentos de florestas estacionais. Neste sentido, este levantamento amostrou 18 espécies arbóreas ainda não registradas para quaisquer tipos florestais para a Chapada Diamantina, como Guatteria oligocarpa (Annonaceae), Cordia bicolor (Boraginaceae), Swartzia bahiensis (Fabaceae) e Nectandra membranaceae (Lauraceae). Além disso, este estudo reforçou os resultados de Funch et al. (2008), que ao considerar o conjunto florístico de espécies arbóreas presentes nas formações florestais da Chapada Diamantina, verificou que apenas Eschweilera tetrapetala (Lecythidaceae) se apresenta como espécie restrita às FESS (florestas Couto, A.P.L., Funch. L.S. & Conceição. A-A. de planalto), estando fortemente associada à presença de latossolo. Os resultados da análise de similaridade florística entre as florestas da Chapada Diamantina revelou maior similaridade florística do componente arbóreo entre as áreas 7 e 9 (38 espécies em comum), entre as áreas 4 e 8 (3 1 espécies em comum) e entre o presente estudo e os grupos C e A (41 espécies em comum). O conjunto de espécies das áreas 4, 7, 8 e 9 compõe formações florestais que se situam em cotas altitudinais semelhantes, entre 500 e 700 m, em geral apresentando episódios notáveis de queda foliar na estação seca. A dissimilaridade do grupo A com o grupo B deve-se provavelmente às particularidades ambientais apresentadas por este último, o que reflete em algumas espécies exclusivas como Clusia melchiorii e Guapira obtusata. São florestas perenifolias acima de 800m de altitude com fornecimento hídrico, seja fluvial ou por chuvas orográficas. As florestas 5 e 6 estão localizadas a margem de rios. A floresta 1 0 (mata de grotão) situa- se em fendas (falhas geológicas) relativamente estreitas na encosta das serras, proporcionando ambientes sombreados e protegidos do fogo e ocupada por espécies restritas a ambientes úmidos como Hedyosmum brasiliense Mart. ex Miq., Clethra scabra Pers. e Drimys brasiliensis Miers. (Guedes & Orge 1998; Neves 2005; Funch et al. 2008), e a floresta 1 1 apresenta-se com constante neblina que contribui para o aumento da umidade. E válido ressaltar que o índice de similaridade de Jaccard que une o grupo B (25%) é baixo quando comparado com o grupo D (60%), o que demonstra acentuada heterogeneidade florística entre as florestas. Considerando o tamanho continental do Brasil, as florestas da Chapada Diamantina são próximas geograficamente, mas florestas próximas podem apresentar composição florística distinta, dependendo das condições ambientais predominantes em cada uma delas (Ribeiro-Filho et al. 2009). A Chapada Diamantina ocupa aproximadamente 15%< do território baiano. No entanto estudos florísticos sobre seus ecossistemas florestais, principalmente estacionais, ainda são escassos, especialmente a região situada entre o norte de Minas Gerais e o centro-sul da Bahia da Cadeia do Espinhaço. Tal fato limita um melhor entendimento das relações florísticas sobre as florestas dessas regiões. Rodríguésia 62 ( 2 ): 391 - 405 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Florística de Floresta Estacionai na Bahia O presente estudo contribuiu com o registro de 57 espécies não catalogadas para as FESS do Parque Nacional da Chapada Diamantina (Tab. 2). Das 88 espécies arbóreas inventariadas, 70 são recorrentes em florestas estacionais da Chapada, sendo 1 8 ainda não registradas para quaisquer tipos de florestas, o que reforça a necessidade de ampliação dos estudos florísticos e estruturais para melhor revelar a sua riqueza e heterogeneidade. Ressalta-se a ocorrência da espécie Eschweilera tetrapetala, a única espécie apontada como restrita para as FESS da Chapada Diamantina, corroborando estudos prévios de Funch et al. (2005, 2008). Agradecimentos Os autores agradecem ao CNPq a concessão da bolsa de mestrado ao primeiro autor, à FAPESB o apoio Financeiro para realização do projeto, ao IBAMA a concessão da licença de pesquisa, ao apoio do Programa de Pós-Graduação em Botânica da UEFS, a R. Funch, M.A. Santos e N.F.B. Cruz a ajuda no trabalho de campo, a Fundação Chapada Diamantina a hospedagem durante toda pesquisa, às identificações dos taxonomistas: A. Rapini ( Apocynaceae), S.C. Ferreira (Asteraceae), M.M.S. Castro (Bignoniaceae), M.N.S. Statf (Boraginaceae), D. S.C. Torres (Euphorbiaceae), L.P. Queiroz (Fabaceae), P.D. Carvalho (Malpighiaceae), A.K.A. Santos e R. Goldenberg (Melastomataceae), R B. Santos e L.S. Funch (Myrtaccae), C. Van den Berg (Orchidaceae), R.P. Oliveira (Poaceae), E.B.M. Silva (Polygalaceae), J.G. Jardim (Rubiaceae), além de J.R.S. Silva, F. França, E. Melo, e F.H.Nascimento. Referências APG - The Angiosperm Phylogeny Group. 2003. An updute of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families ot flowering plants: APG II. Botanical Journal of the Linnean Society 141: 399-436. Cardoso, D.B.O.S. & Queiroz, L.P. 2008. Floristic composition of seasonally dry tropical forest fragments in Central Bahia, Northeastem Brazil. Journal of the Botanical Research Institute of Texas 2: 551-573. Cardoso, D.B.O.S.; França F.; Novais, J.S.; Ferreira, M.H.S.; Santos, R.M.; Carneiro, V.M.S. & Gonçalves, J.M. 2(X)9. Composição florística c análise fitogeográfica de uma floresta semidecídua na Bahia, Brasil. Rodriguésia 60: 1055-1076. Couto, A.P.L. 2008. Composição florística e estrutura de uma floresta estacionai submontana. Parque Nacional da Chapada Diamantina, Lençóis, Bahia, Brasil. Dissertação de Mestrado. 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Rodriguésia 62(2): 391-405. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Rodriguésia 62(2): 407-423. 2011 http! / /rodriguesia.jbrj.gov.br Composição florística e estrutura de um fragmento de vegetação savânica sobre os tabuleiros pré-litorâneos na zona urbana de Fortaleza, Ceará 1 Floristíc composition and phytosociological structure of an urban savannic vegetation fragment in the pre-litoranean plains of Fortaleza, Ceará Marcelo Freire Moro' 3 ' 4 , Antônio Sérgio Farias Castro & Francisca Soares de Araújo 2 Resumo O crescimento urbano promove redução na cobertura vegetal, introdução de espécies exót.c^ e tem implicações na conservação biológica. Um fragmento com vegetaçao savamca (24 ha -3 47 55 Se38.J localizado na zona urbana de Fortaleza, Ceará, teve sua flora amostrada por coletas ass.stemáticas e teve um hectare inventariado em um estudo fitossociológico. Para a listagem florística foram coletadas espec.es de todas as formas de crescimento presentes no fragmento. Para a descrição da estrutura da vegetação foram alocadas de forma aleatória oito transeções de 5 * 250 m totalizando 1 ha, nas quais foram med,dos os pcnmetros c a! ura dos indivíduos lenhosos com perímetro no nível do solo (PNS) maior ou igual a 9 cm. Foram coletadas 11 espécies (138 indígenas e 13 exóticas) no levantamento florístico e 37 (35 indígenas) no 'j—ento fitossociológico. A densidade e a área basal total da comunidade foram, respcctivamente, 1218 mcFha e 7,34 m /ha a altura e dLetro médios foram, respectivamente, 2,53 * 1,29 m e 6,68 ± 5,67 cm, o que enquadra a área estudada dentro da amplitude de variações encontradas em áreas de cerrado sensu stnCo e campo cerrado. Os resultados alcançados incrementam as poucas informações sobre as savanas coste.ras do nordeste. Palavras-chave: Cerrado, fitossociologia, florística, savanas pré-htoraneas. zona costeira. Abstract , , Urban gmwll, pronro.c mdnctio. » *. *•«**• ° f , TZ implicahons for binlogical con*™,ion. .» * u*- ~ F.ri.to Cc.râsbPa . ,cg=br,,.n r„ 8 mcn w, na ha - t°47’55"S and 38°29’ 10”W) was samplcd for a floristíc survey and had 1 ha “^l^JyZriologi.L inventory. The flori.lic lia. .flhc fmgn.cn, . conaiüarbd . pribnly arca for municipal conlLion. I, ah.»cd here. Ph„o„ciol»sic.l dai. hava al.o bccn aamplcd. pro,.d.«i m.nr information abou. lhe aavannas tom thc BraailianS Northc.sl coasl. For lhe lloria.ic Irat apecrea mm a growth forma ptesent in lhe togmcnl »ere collcclcd. For lho dc.cnplion oflhc airuclurc oílhe v «8 a “”| ” ZZd randomly eigh, IrunaeO wiih 5 X 250 m ( lha in tohrl) i« which lho pcnmelcm ground icei (PNS) “dfoc J,al height of indi.idnal planl. .ere mcaanrod Fo, .11 »o»dy planla wid, PNS gm.ieMhan nr egn.l » ,« indico—.. ' S .^^. study, 37 apecies (35 naü.e). The demily nnd b-d co w of I hei ™ ^ resnectively The average height and average diameter were rcspcct.vcly 2.53 ± 1 .29 m and 6.68 5.67 cm. respcctively. g b Cerrado domain, it has structural variables compatiblc Althoughour study site isgeographicallyout ot me cuia with the ones observed within the range of variations found m other Cerrado areas. Key words: Cerrado, phytosociology, floristíc, Coastal savannas, Coastal rcgion. i _ . pA«. 1 »ruhiiicào cm Desenvolvimento c Meio Ambiente (UFt ). Parte da dissertação de Mestrado do primeiro autor. Programa de P • g r , „ Universidade Federal do Ceará, Campus do Piei, Centro de Ciências, Depto^Biologia,^^ Bfologl® Vegetal, Instituto de Biologia, CP 6 1 09, 1 3083-970. 'Universidade Estadual de Campinas, Cidade Universitária “Zeferino Va/ .Programa c Campinas, SP, Brasil. 'Autor para correspondência: bio_moro@yahoo.com.br SciELO/JBRJ, 13 14 15 cm 408 Moro. M.F., Castro, A.S.F. 8c Araújo, F.S. Introdução A conversão de áreas naturais para agricultura e crescimento urbano estão entre as principais causas de destruição e fragmentação de ecossistemas (UNDP, UNEP, WB, WRI 2000). Áreas urbanas já ocupam 47 1 milhões de hectares (em tomo de 4% da superfície terrestre do planeta), o que torna necessário pensar a conservação biológica também em áreas dentro das cidades (UNDP, UNEP, WB, WRI 2000; McKinney 2002, 2006). Dentre os principais riscos à conservação biológica nas cidades estão a eliminação da cobertura vegetal para expansão urbana e a introdução de espécies exóticas (McKinney 2002; Breuste 2004). Grandes cidades como Fortaleza detêm pouco da cobertura vegetal original (Fortaleza 2003) e mesmo fragmentos de vegetação remanescentes sofrem antropização em algum grau. O desmatamento de uma área para urbanização é a alteração ambiental mais drástica, mas a introdução de plantas exóticas também é um fator de preocupação, uma vez que plantas exóticas podem causar impactos negativos sobre a biodiversidade local (Richardson eia/. 2000; McKinney 2002, 2006). Conhecer a biodiversidade remanescente em fragmentos de vegetação de uma cidade é um passo importante para embasar políticas de conservação e justificar a criação de novas Unidades de Conservação. Dentre as fitofisionomias presentes na região costeira nordestina existem áreas que apresentam fisionomia savânica e uma flora onde a participação de espécies de Cerrado é notória. Essas áreas foram denominadas por Castro ( 1 994) e Castro & Martins (1999) de cerrados litorâneos e possuem uma Hora composta por espécies do domínio do Cerrado, associadas a espécies de outros domínios (e.g. Oliveira-Filho & Carvalho 1993). Um desses fragmentos costeiros de vegetação savânica foi mapeado no Inventário Ambiental de Fortaleza (Fortaleza 2003) e a área foi designada como prioritária para conservação pelo Plano Diretor da cidade (Município de Fortaleza 2009). A composição florística desses “cerrados costeiros”, entretanto, é pouco conhecida e poucos levantamentos foram feitos nessas áreas (e.g. Oliveira-Filho & Carvalho 1993). O Cerrado, em seu sentido amplo, é composto por um conjunto de fisionomias xeromorfas submetidas a uma estação seca bem definida que ocupam, em sua área núcleo, o planalto central do Brasil (Eiten 1972; 1978). O cerrado .«tum lato não se constitui em uma única vegetação, mas em um conjunto de diferentes fitofisionomias que variam desde vegetações campestres (campo limpo e campo sujo) até fisionomias florestais (cerradão). Em seu sentido restrito, o cerrado é uma savana, composta por um estrato contínuo e perene de espécies herbáceas que recobrem o solo, entremeadas por árvores e arbustos relativamente esparsos, que não constituem um dossel contínuo (Eiten 1972; Gottsberger & Silberbauer-Gottsberger 2006; Ribeiro & Walter 2008). Embora a área núcleo ( core area) do Cerrado esteja no Brasil central, ele se estende geograficamente até as Regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Norte do Brasil, em áreas contíguas à área núcleo ou disjuntas dela (Eiten 1 972; Ratter et al. 2003; Gottsberger & Silberbauer-Gottsberger 2006). Manchas de vegetação savânica denominadas por alguns autores de cerrados litorâneos, ocorrem de forma disjunta do domínio do cerrado sobre os tabuleiros pré-litorâneos da região costeira nordestina (Fernandes 1990; Oliveira-Filho & Carvalho 1 993; Figueiredo 1 997; Castro 1 994; Castro & Martins 1 999), mas a escassez de estudos florísticos e fitossociológicos dificulta a compreensão das suas relações florísticas com os grandes domínios fitogeográficos do Brasil. Assim, o objetivo deste trabalho foi registrar a flora e descrever a estrutura de um fragmento de vegetação savânica localizado sobre os tabuleiros pré-litorâneos do Ceará, na zona urbana de Fortaleza, bem como avaliar o seu potencial para a conservação biológica no Município, propondo medidas para a conservação da área. Material e Métodos Localização e caracterização geoambiental da área A cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará, situada na região costeira, localiza-se nas coordenadas 3°43'02”S e 38°32’35”W. O município tem uma área de 3 1 3,14 knve sua população é de 2.141 .402 habitantes (IBGE 2000). Sua altitude média é de 16 m, clima tropical quente subúmido. pluviosidade média anual de 1338 mm e temperatura média de 26 a 28°C (IPECE 2008). O município abrange terrenos da planície litorânea (dunas e paleodunas), dos tabuleiros pré-litorâneos (formação barreiras) e das planícies fluviais, sobre os quais ocorrem diferentes fitofisionomias (Fortaleza 2003; IPECE 2008; Figueiredo 1997). Fortaleza passou por um forte processo de urbanização ao longo do século XX e a cobertura vegetal da cidade atualmente é estimada cm menos Rodriguésia 62 ( 2 ): 407 - 423 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 cm i Floristica e estrutura de uma savana costeira no Ceará de 107c da original (Fortaleza 2003), de modo que as áreas ainda providas de vegetação estão restritas a fragmentos. Para este estudo foi selecionado um fragmento de vegetação savânica de 24 hectares localizado na zona urbana de Fortaleza, Ceará. O fragmento em questão (3°47’55”S e 38°29’ 10”W) situa-se em um terreno de 28 hectares de propriedade da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e do Exército brasileiro, no bairro Cambeba, e se encontra cercado de áreas já urbanizadas. Neste terreno há locais ocupados por residências, pomares de mangueiras (Mangifera indica ) e até recentemente, parte do terreno era usado como área de treino de soldados do Exército (Fig. 1 ). No entorno das residências e em parte da área do exército há capinas para evitar o crescimento da vegetação. Estes trechos onde a vegetação é suprimida periodicamente pelas capinas foram chamadas de “áreas antropizadas e, juntamente com áreas de pomar, somam cerca de 4 hectares, os quais foram excluídos da amostragem floristica e fitossociológica (Fig. 1 ). O fragmento, por estar localizado em uma matriz urbana, sofre diversas pressões e impactos. Os mais conspícuos são incêndios frequentes de origem antrópica; capinas no entorno das residências, deposito de lixo nas margens do fragmento, inclusive restos de plantas exóticas (e.g. Sansevieria spp e Opuntia dillenii (Ker Gawl.) Haw.) oriundas da manutenção de jardins, as quais poderiam se tomar naturalizadas ou invasoras no fragmento, a partir de reprodução vegetativa. Composição floristica Para o levantamento florístico, coletas assistemáticas foram realizadas na vegetação ao longo do ano de 2008 e início de 2009. Todas às espécies encontradas foram coletadas segundo ás técnicas usuais em botânica (Mori et ai 1985, Bridson & Forman 1998) e depositadas no Herbário EAC, da Universidade Federal do Ceará. A classificação das espécies em famílias seguiu aquela proposta pelo Angiosperm Phylogeny Group II (APG II 2003). Cada espécie foi classificada quanto à forma de crescimento baseada nas categorias propostas por Whittaker ( 1 975), acrescidas das categorias subarbusto, hemi-parasita e parasita. Espécies cultivadas como plantas ornamentais ou frutíferas no interior do terreno {e.g. Cocos nucifera L.; Hibiscus rosa-sinensis L.), mas que não haviam estabelecido populações reprodutivas na vegetação, foram excluídas da lista floristica por fio driguèsia 62(2): 407-423. 201 1 409 não estarem integradas à flora do local. Espécies exóticas, para serem consideradas integradas à flora do fragmento e inseridas na lista floristica, deveriam se enquadrar na definição de espécie invasora ou espécie naturalizada Em relação à terminologia referente ao tema da bioinvasão, utilizaram-se as definições propostas por Richardson et ai (2000), em que: a) espécies exóticas: são espécies levadas pelo ser humano para uma área além do alcance natural da espécie; b) espécies naturalizadas: são espécies exóticas que se reproduzem e mantêm uma população auto perpetuante sem a intervenção humana direta na nova área onde foram introduzidas; c) espécies invasoras: são exóticas que, além de manter populações auto perpetuantes, conseguem se dispersar para locais afastados do ponto onde foram introduzidas pelo homem e, assim, invadir uma nova região. Estai tu ra fitossociológica Para o estudo fitossociológico, foi utilizada a metodologia de parcelas em transeções (belt transect) ( Brower et al. 1997). Foram aleatoriamente alocadas oito transeções de 5 x 250 m que totalizaram | ha. posicionadas na direção borda-interior do fragmento. Tomou-se o cuidado para que, no sorteio da posição de cada transeção, elas não caíssem sobre as áreas antropizadas ou os pomares de mangueiras e para que o eixo longitudinal de cada transeção estivesse a pelo menos 1 00 m de distância da matriz urbana (Fig. 1). evitando que a transeção se posicionasse inteiramente na margem do fragmento. Cada transeção foi dividida sequcncialmente em subparcelas de 5 X 10 m (total de 200 subparcelas amostradas nas oito transeções). Em cada subparcela foram medidos o perímetro no nível do solo (PNS) e a altura de todos os indivíduos lenhosos, exceto trepadeiras, com PNS mínimo de 9 cm. Uma exsicata de cada espécie foi depositada no herbário EAC. A partir da altura c perímetro de cada indivíduo, associados à identificação taxonômica, foram calculados os parâmetros tradicionais de estrutura da vegetação (Durigan 2(X)3): densidade (absoluta e relativa); área basal (absoluta e relativa) c frequência (absoluta c relativa). Também foram calculados a altura e o diâmetro médios da comunidade, bem como o índice de diversidade de Shannon. Para determinar o peso de cada espécie na comunidade usou-se o índice de Valor de Importância (I VI) que corresponde à soma da Densidade Relativa, Frequência Relativa e Área Basal Relativa de todos os indivíduos da mesma espécie (Brower et ai 1997; McCunc & Grace 2002; Durigan 2003). SciELO/JBRJ. 13 14 Rodriguésia 62 ( 2 ): 407-423. 201 1 9580500m 9580400m 9580300m 9580200m 95801 00m 9580000m 9579900m 9579800m FRAGMENTO DE CERRADO DO BAIRRO CAMBEBA FORTALEZA -CEARÁ | J| Áreas urbanas e construções Cercas Pomar de mangueiras Áreas antropizadas Áreas de depósito de lixo Parcelas de amostragem Nesta área náo foram alocadas parcelas, pois as mesmas interceptariam parcelas alocadas ao norte e a leste Áreas alagáveis Área ocupada pelo fragmento de vegetação Cb Escala 1:4.000 40 m 0 40 80 120 160 m N 556800m 556900m 557000m 557100m 557200m 557300m 557400m 557500m 557600m Figura 1 - Mapa do terreno onde se localiza o fragmento de vegetação savânica estudado, sobre os tabuleiros pré- litorâneos de Fortaleza, Ceará, 2008. Coordenadas UTM: zona 24M. (Elaboração: M. F. Moro) Figure I - Map of thc savannic vegetation fragment studicd on lhe pre-litoranean plains of Fortaleza. Ceará State, 2008. UTM coordinates: Zone 24M. SciELO/JBRJ 6 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Moro. M.F.. Castro. A.S.F. & Araú;o. F.S. cm Florística e estrutura de uma savana costeira no Ceará Resultados Composição florística Foram registradas 151 espécies vegetais pertencentes a 61 famílias (Tab. 1). Fabaceae foi a família com maior riqueza (28 espécies - uma exótica), seguida de Poaceae (nove espécies - três exóticas), Rubiaceae (oito espécies), Convolvulaceae (sete espécies), Malvaceae (sete espécies) e Myrtaceae (seis espécies - uma exótica), as quais 41 1 juntas representam 43% da riqueza de espécies registrada na área. As espécies exóticas representam treze espécies (8,6% da flora local) e Poaceae foi a família com a maior riqueza de exóticas, com três espécies. Quanto à forma de crescimento, as ervas foram representadas por 57 espécies (38%), os arbustos totalizaram 35 espécies (23%), as árvores 33 (22%), as trepadeiras 20 (13%), além de três espécies subarbustivas, duas hemiparasitas e uma parasita. Tabela 1 - Lista das espécies, hábitos e números do coletor (M.F. Moro) das plantas coletadas no fragmento de vegetação s.vâmca sobro os taboletros p,é-li,orâ„.„s de Fodalera. Cea* 200 . ■Ejpfae conca tnvasor» senso Richardson et al (2000)' ** Espécie exótica naturalizada sensu Richardson et al. UUUU) fucnarason et al. l/uuu;, lants col , ectcd in the the sava nnic vegetation fragmcnt studied Table 1 - Spectes hst, habtts, and collector num ers ( • ■ Richardson et al. (2000); "Naturalized plant sensu on the pre-litoranean plain. Fortaleza, Ceará State, 2008. Mnvastve plant sensu Richardson et al. (2000). Família/Espécies Nome popular Hábito N" col ACANTHACEAE Ruellia sp. AMARANTHACEAE Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze ANACARDIACEAE Anacardium occidentale L. Mangifera indica L. ** Tapirira guianensis Aubl. ANNONACEAE Annona coriacea Mart. APOCYNACEAE Calotropis procera (Aiton) W.T. Aiton * Himatanthus drasticus (Mart.) Plumel Tabemaemontana catharinensis A. DC. ARECACEAE Acrocomia intumescens Drude Copemicia prunifera (Mill.) H.E. Moore ASTERACEAE Conyza bonariensis (L.) Cronquist Elephantopus hirtiflorus DC. Porophyllum ruderale (Jacq.) Cass. Wedelia sp. BIGNONIACEAE Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. & Hook. f. ex S. Moore BIXACEAE Cochlospermum vitifolium (Willd.) Spreng. BORAGINACEAE Heliotropium polyphyllum Lehm. Tournefortia candidula (Miers) I.M. Johnst. CANNABACEAE Trema micrantha (L.) Blume quebra-panela cajueiro mangueira pau-pombo araticum hortência; ciúme janaguba grão-de-galo macaúba carnaúba língua-dc-vaca camará caraúba pacote periquiteira erva 632 erva 554 árvore 607 árvore 647 árvore 649 árvore 624 arbusto 617 árvore 512 arbusto 579 árvore 662 árvore 654 erva 521 erva 527 erva 678 erva 667 árvore 630 árvore 605 erva 659 trepadeira 608 árvore 571 Rodríguésia 62(2): 407-423. 2011 SciELO/JBRJ _2 13 14 15 16 17 412 Moro, M.F., Castro. A.S.F. & Araújo, F.S. Família/Espécies CELASTRACEAE Maytenus erythroxyla Reissek CHRYSOBALANACEAE Hirtella ciliata Mart. & Zucc. Hirtella racemosa Lam. Licania rígida Benth. COMMELINACEAE Commelina benghalensis L. * CONVOLVULACEAE Ipomoea asarífolia (Desr.) Roem. & Schult. Ipomoea bahiensis Willd. ex Roem. & Schult. Ipomoea quamoclit L. Ipomoea sp. Jacquemontia serrata Meisn. Jacquemontia tamnifolia (L.) Griseb. Merremia aegyptia (L.) Urb. CUCURBITACEAE Momordica charantia L.* CYPERACEAE Bulbostylis cf.junciformis (Kunth) C.B.Clarke Cyperus ligularis L. Cyperaceae spl DILLENIACEAE Curatella americana L. Davilla cearensis Huber EBENACEAE Diospyros cf. inconstans Jacq. ERIOCAULACEAE Paepalanthus sp. ERYTHROXYLACEAE Erythroxylum suberosum var. denudatum O.E. Schulz EUPHORBIACEAE Cnidoscolus urens (L.) Arthur Croton blanchetianus Baill. Dalechampia pernambucensis Baill. Eupborbia hyssopifolia L. Ricinus communis L.* FABACEAE - CAESALPINIOIDEAE Chamaecrista diphylla (L.) Greene Chamaecrista hispidula (Vahl) H.S. Irwin & Barneby Hymenaea courbaril L. Senna rízzinii H.S. Irwin & Barneby FABACEAE - FABOIDEAE Abrus precatorius L.* Acosmium dasycarpum (Vogei) Yakovlev Aeschynomene marginata Benth. Andira surinamensis (Bondt) Splitg.ex Pulle Centrosema brasilianum (L.) Benth. Chamaecrista flexuosa (L.) Greene Clitoria laurifolia Poir. Crotalaria stipularia Desv. Desmodium barbatum (L.) Benth. Nome popular Hábito N° col casca-grossa arbusto 587 açoita-cavalo arbusto 655 arbusto 556 oiticica árvore 616 erva 524 salsa erva 592 trepadeira 673 trepadeira 520 trepadeira 650, 562 trepadeira 513 trepadeira 677 jitirana trepadeira 591 melão-de-são-caetano trepadeira 666 erva 640 capim-açu erva 657 erva 519 cajueiro-bravo árvore 542 cipó-de-fogo trepadeira 574 fruta-de-cabra arbusto 661 erva 685 arbusto 614 cansansão arbusto 611 marmeleiro arbusto 643 cipó-urtiga trepadeira 590 erva-de-leite erva 583 mamona, carrapateira arbusto 558 erva-de-coração erva 593 erva 601 jatobá árvore 674 arbusto 573 jiriquiti trepadeira 668 pau-paratudo árvore 563 erva 561 angelim árvore 588 trepadeira 597 erva 511 erva 570 erva 596 erva 682 Rodriguésia 62 ( 2 ): 407-423. 201 1 SciELO/JBRJ, 13 14 15 cm Floristica e estrutura de uma savana costeira no Ceará Família/Es pécies Desmodium distortum (Aubl.) J.F.Macbr. Dioclea lasiophylla Mart. ex Benth. Indigofera hirsuta L. * Macroptilium gracile (Poepp. ex Benth.)Urb. Macroptilium lathyroides (L.) Urb. Rhynchosia phaseoloides (Sw.) DC. Stylosanthes angustifolia Vogei Stylosanthes guianensis var. gracilis (Kunth) Vogei Zornia tenuifolia Moric. FABACEAE - MIMOSOIDEAE Albizia lebbeck (L.) Benth. * Enterolobium timbouva Mart. Mimosa campo rum Benth. Mimosa somnians Humb. & Bonpl. ex Willd. Samanea tubulosa (Benth.) Bameby & J.W. Grimes Stryphnodendron coriaceum Benth. GENTIANACEAE Schultesia guianensis (Aubl.) Malme HYDROLEACEAE Hydrolea spinosa L. HYPERICACEAE Visrnia guianensis (Aubl.) Pers. IRIDACEAE Cipura xanthomelas Mart. ex Klatt LAMIACEAE Aegiphila lhotskiana Cham. Amasonia campestris (Aubl.) Moldenke Hypenia salzmannii (Benth.) Harley Vitex polygama Cham. LAURACEAE Cassytha filiformis L. LENTIBULARIACEAE Utricularia sp. LORANTHACEAE Struthanthus sp. MALPIGHIACEAE Byrsonima crassifolia (L.) Kunth Byrsonima sericea DC. MALVACEAE Guazuma ulmifolia Lam. Melochia sp. Pavonia cancellata (L.) Cav. Peltaea trine nis (C. Presl) Krapov. & Cristóbal Sida linifolia Cav. Sterculia striata A. St.-Hil. & Naudin Wultheria indica L. MELASTOMATACEAE Mouriri cearensis Huber Pterolepis glomerata (Rottb.) Miq. MORACEAE Ficus elliotiana S. Moore 413 Nome popular Hábito N° col rapadura-de-cavalo Subarbusto 559 trepadeira 530 anileira erva 582 feijão-de-rola trepadeira 595 feijão-de-rola erva 651 trepadeira 628 erva 604 erva 560 erva 599 esponjinha, albizia árvore 645 timbaúba árvore 613 malícia arbusto 546 malícia arbusto 529 bordão-de-velho árvore 664 barbartimSo árvore 549 erva 598 espinho-de-judeu Subarbusto 534 arbusto 606 erva 548,555 árvore 639 erva 545 610 canela-de-ema erva árvore 689 cipó-chumbo Parasita 633 erva 688 erva-dc-garapeiro hemiparasita 642 murici arbusto 626,516 murici árvore 557. 658 mutamba árvore 638 malva erva 568 trepadeira 553 arbusto 531 arbusto 680 xixá árvore 644, 631 malva arbusto 538 manipuçá arbusto erva 623 566 gameleira árvore 636 Rodriguésia 62(2): 407-423. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 cm .. Moro, M.F., Castro, A.S.F. & Araújo, F.S. Família/Espécies Nome popular Hábito N" col MYRTACEAE Campomanesia aromatica (Aubl.) Griseb. guabiraba arbusto 663 Eugenia punicifolia (Kunth) DC. murta arbusto 515.537. 540 Myrcia splendens (Sw.) DC. goipuna árvore 618 Myrcia tomentosa (Aubl.) DC. arbusto 634 Myrciaria cuspidata O. Berg arbusto 641 Syzygium cumini (L.) Skeels * azeitona-roxa árvore 646 OCHNACEAE Ouratea hexasperma (A. St.-Hil.) Baill. batiputá arbusto 514 Sauvagesia erecta L. erva 565 OLACACEAE Ximenia americana L. ameixa arbusto 669 OPILIACEAE Agonandra brasiliensis Miers ex Benth. & Hook. f. pau-marfim árvore 625 ORCHIDACEAE Cyrtopodium holstii L.C. Menezes rabo-de-tatu erva 671 Habenaría allemanii Barb. Rodr. erva 535. 602 Oeceoclades maculata (Lindl.) Lindl. * erva 629 OROBANCHACEAE Agalinis hispidula (Mart.) D’Arcy erva 686 PASS1FLORACEAE Passiflora cincinnata Mast. maracujá-do-mato trepadeira 635 Passiflora foetida L. maracujá-do-mato trepadeira 541 PHYTOLACCACEAE Rivina humilis L. erva 536 PLANTAGINACEAE Achetaria sp. arbusto 683 Tetraulacium veroniciforme Turcz. erva 567 PLUMBAGINACEAE Plumbago scandens L. pega-pinto trepadeira 586 POACEAE Andropogon bicornis L. erva 533 Andropogon selloanus (Hack.) Hack. erva 532 Gymnopogon foliosus (Willd.) Nees erva 676 Hyparrhenia rufa (Nees) Stapf * capim-jaraguá erva 580 Megatbyrsus maximus (Jacq.) B.K. Sinion & S.W.L. Jacobs* capim-colonião erva 517 Panicum trichoides Sw. erva 585 Paspalum maritimum Trin. capim-gengibre erva 518 Pennisetum pedicellatum Trin. * erva 584 Trachypogon spicatus (L. f.) Kuntze erva 522 POLY GALACEAE Polygala sp. erva 528 Polygala martiana A.W. Benn. erva 603 POLYGONACEAE Coccoloba latifolia Lam. coaçu arbusto 572 RUBIACEAE Diodella apiculata (Willd. ex Roem. & Schult.) Delprete erva 564 Diodella gardneri (K.Schum.) Bacigalupo & E.L.Cabral erva 575 Genipa americana L. jenipapo árvore 652 Guettarda angélica Mart. ex Müll. Arg. angélica arbusto 609 Ixora sp. arbusto 612.615 Rodriguésia 62(2): 407-423. 201 1 SciELO/ JBRJ, 13 14 cm .. 415 Florística e estrutura de uma savana costeira no Ceará Família/Espécies Nome p opular ramma/iLspecies Mitracarpus salzmannianus DC. Spermacoce verticillata L. Tocoyena sellowiana (Cham. & Schltdl.) K. Schum. jenipapo-bravo Subarbusto erva arbusto 576 569 665 RUTACEAE Zanthoxylum rhoifoUum Lam. limãozinho árvore 675 SALICACEAE Casearia sylvestris Sw. arbusto 656 SANTALACEAE Phoradendron affine (Pohl ex DC.) Engl. & K. Krause erva-de-passarinho hemiparasita 627 SAPINDACEAE Talisia esculenta (A. St.-Hil.) Radlk. pitombeira árvore 670 SAPOTACEAE Chrysophyllum arenarium Allemão mamão-de-bode arbusto 577 SIMAROUBACEAE Simaba trichilioides A. St.-Hil. Simarouba versicolor A. St.-Hil. pra-tudo pau-paraíba arbusto árvore 578 551 SMILACACEAE Smilax cissoides Mart. ex Griseb. japicanga trepadeira 589 SOLANACEAE Solanum paludosum Moric. Solanum paniculatum L. jurubeba arbusto arbusto 550 594 TURNERACEAE Turnera subulata Sm. chanana erva 552 URT1CACEAE Cecropia pachystachya Trécul torém árvore 637 VERBENACEAE Stachytarpheta sessilis Moldenke pescoço-de-ganso erva 523 VIOLACEAE Hybanthus calceolaria (L.) Oken ipepaconha erva 653 Estrutura fitossociológica Foram amostrados 1218 indivíduos lenhosos vivos e 379 indivíduos mortos em pé. Dentre os vivos, foram registradas 37 espécies lenhosas pertencentes a 24 famílias na amostragem fitossociológica (Tab. 2). Das 37 espécies amostradas, duas, Syzygium cumini e Albizici lebbeck, são exóticas, mas têm pequena importância sociológica na área estudada. A densidade e a área basal total da comunidade foram, respectivamente, 1218 ind/hae 7,34 nr /ha. Quanto à altura, 64% dos indivíduos vivos amostrados possuíram altura inferior a 3 m (Fig. 2), enquanto a altura média foi de 2,53+ 1 ,29 m. O porte da vegetação foi baixo, embora haja trechos com árvores que atingem 6-7 m (árvores de até 9 m foram registradas), os quais contrastam com trechos do fragmento praticamente sem árvores, onde a comunidade herbácea predomina (Fig. 3 a-d, 4 a). Rodriguésia 62(2): 407-423. 2011 Em relação à estrutura horizontal da comunidade 64% dos indivíduos tiveram diâmetro menor do que 6 cm (Fig. 5). O diâmetro médio foi de 6.68+ 5,67 cm. O valor do índice de diversidade de Shannon (H’) foi de 2,64 nat/indivíduos. Discussão Composição florística A flora lenhosa nativa do fragmento estudado é constituída por uma mistura de espécies típicas da área núcleo do Cerrado com outras espécies da zona costeira do Nordeste, mas que não ocorrem no Planalto Central. Espécies como Anacardium occidentale , Acosmium dasycarpum, Tapirira guianensis, Simarouba versicolor, Annona coriacea e Erythroxylum suberosum, registradas neste estudo, são espécies frequentes em outras áreas de Cerrado do Brasil e foram registradas cm SciELO/ JBRJ, 13 14 Rodriguésia 62(2): 407-423. 20 Tabela 2 - Parâmetros fitossociológicos registrados em 1 ha do fragmento de vegetação savânica estudado, em ordem decrescente de índice de Valor de Importância (IVI) das espécies lenhosas. Fortaleza, Ceará, 2008. Ocorrência: Cas - Espécie presente em outras áreas de cerrado do Brasil, segundo Castro et al. (1999); Rat - Espécie presente em outras áreas de cerrado do Brasil, segundo Ratter et al. (2003); CE - Espécie presente em outras áreas de cerrado do Ceará, segundo Costa et al. (2004); Costa & Araújo (2007) e Figueiredo & Fernandes (1987). Table 2 - Phytosociological parametcrs in 1 ha of the savannic vegctation fragmcnt studicd, in decreasing order of Importance Value Index (IVI) of the woody spccies. Fortaleza, Ceará State, 2008. .Gcographical distribution: Cas - Species recorded in other Cerrado areas of Brazil according to Castro et al. (1999); Rat - Species recorded in other Cerrado arcas of Brazil according to Ratter et al. (2003); CE - Species recorded in other Cerrado areas in Ceará State according to Costa et al. (2004); Costa & Araújo (2007) and Figueiredo & Fernandes (1987). O' Espécie Densidade Área Basal Frequência N° coletor Ocorrência Absoluta (ind/ha) Relativa (%) Absoluta (enr/ha) Relativa (%) Absoluta Relativa (%) (%) I.V.I. (M.F. Moro) Himatanthus drasticus (Mart.) Plumel 329 27,01 11628,98 15,83 48,50 21,75 64,59 512 CE Stryphnodendron coriaceiim Benth. 166 13.63 17759,31 24,18 32,00 14,35 52.16 549 Cas, Rat. CE Ouratea hexaspemta (A. St.-Hil.) Baill. 150 12,32 8648,35 11,77 21,50 9.64 33,73 514 Cas, Rat Annona coriacea Mart. 73 5,99 2541,25 3,46 19,50 8,74 18,20 624 Rat, CE Anacardium occidentale L. 17 1,40 10394,48 14,15 5,00 2,24 17,79 607 Cas, Rat, CE Simarouba versicolor A. St. -Mil. 62 5,09 3020,61 4,11 11,50 5,16 14,36 551 Cas Rat CE Byrsonima crassifolia (L.) Kunth 39 3,20 2935,44 4,00 15,00 6,73 13,93 626 Rat, CE Tabebuia atirea (Silva Manso) Benth. & Hook. f. ex S. Moore 32 2,63 2124,88 2,89 8,00 3.59 9.11 630 Cas, Rat, CE Agonandra brasiUensis Miers ex Benth. & Hook. f. 52 4,27 1809,63 2,46 4,00 1,79 8,53 625 Cas, Rat, CE Tapirira gttianensis Auhl. 38 3,12 1360,54 1,85 7,50 3,36 8,34 649 Cas, Rat Acosmium dasycarpum (Vogei ) Yakovlev 27 2 22 1352,23 1.84 5,00 2,24 6,30 563 Rat Tabentaemontana catharinensis A. DC. 40 3,28 518,29 0,71 4,50 2,02 6,01 579 Cas Coccoloba latifolia Lam. 32 2.63 377.24 0.51 5,50 2.47 5.61 572 Guettarda angélica Mart. ex Midi. Arg. 29 2.38 481,70 0,66 4,50 2,02 5,05 609 Cas Curatella americana L. 6 0,49 2232,01 3,04 2,00 0,90 4,43 542 Cas, Rat, CE Byrsonima sericea DC. 10 0,82 1 1 25.89 1,53 3,50 1.57 3,92 557 Cas, Rat, CE SciELO/JBRJ j 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Moro, M.F.. Castro. A.S.F. & Araújo. F.S. Rodriguésiâ 62(2): 407-423. 201 1 Espécie Densidade Absoluta Relativa (ind/ha) (%) Área Basal Absoluta Relativa (crnTha) (%) Frequência Absoluta Relativa (%) (%) I.V.I. N" coletor (M.F. Moro) Ocorrência Sterculia striata A.St.-Hil. & Naudin 15 1,23 1119,68 1,52 2,50 1,12 3,88 644 Cas, Rat Mouriri cearensis Huber 10 0,82 958,67 1,31 2,50 1,12 3,25 623 Campomanesia aromatica (Aubl.) Griseb. 19 1,56 322,89 0,44 2,00 0,90 2,90 663 Cochlospennum vitifolium (Willd.) Spreng. 8 0,66 199,14 0,27 3,50 1,57 2,50 605 Cas, Rat Croton blanchelianus Baill. 17 1,40 207,16 0,28 0,50 0,22 1,90 643 Guazuma ulmifolia Lam. 2 0,16 1021,22 1,39 0,50 0,22 1,78 638 Cas, Rat Myrcia splendetis (Sw.) DC. 5 0,41 210,96 0,29 2,00 0,90 1,59 618 Rat Aegiphila lhotskiana Cham. 6 0,49 112,20 0,15 1,50 0,67 1,32 639 Cas, Rat Hirtella ciliata Mart. & Zucc. 3 0,25 287,14 0,39 1,50 0,67 1,31 655 Cas, Rat, CE Casearia sylveslris Sw. 6 0,49 86,90 0,12 1,50 0,67 1,28 656 Cas, Rat Ixora sp. 5 0,41 54,93 0,07 1,00 0,45 0,93 615 Albizia lebbeck (L.) Benth. 3 0,25 204,85 0,28 0,50 0,22 0,75 645 Eugenia punicifolia (Kunth) DC. 3 0,25 25,54 0,03 1,00 0,45 0,73 537 Cas, Rat, CE Chrysophyllum arenarium Allemão 3 0,25 22,52 0,03 1,00 0,45 0,73 577 Rat, CE Simaba trichilioides A.St.-Hil. 2 0,16 14,40 0,02 1,00 0,45 0,63 578 Myrcia tomentosa (Aubl.) DC. 3 0,25 71,06 0,10 0,50 0,22 0,57 634 Cas, Rat Myrciaria cuspidata O. Berg 2 0,16 51,73 0,07 0,50 0,22 0,46 641 Cecropia pachystachya Trécul 1 0,08 76,47 0,10 0,50 0,22 0,41 637 Cas, Rat Syzygium cumini (L.) Skeels 1 0,08 74,03 0,10 0,50 0,22 0,41 646 Tocoyena sellowiana (Cham. & SchltdL) K. Schum. 1 0,08 7,96 0,01 0,50 0,22 0,32 665 Solanum paludosum Moric. 1 0,08 6,45 0,01 0,50 0,22 0,32 550 TOTAIS 1.218 100,00 73.446,72 100,00 223,00 100,00 300,00 - SciELO/JBRJ 6 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Florística e estrutura de uma savana costeira no Ceará cm .. 4 1 ^ Moro, M.F., Castro. A.S.F. & Araújo, FS. Altura (m) Figura 2 —Classes de altura dos indivíduos lenhosos em 1 ha no fragmento de vegetação savânica estudado. Fortaleza, Ceará, 2008. Figure 2 - Hcight classes of the woody plants sampled in 1 ha of the savannic vegetation fragment studied. Fortaleza. Ceará State, 2008 . mais de 1 00 locais de coleta por Ratter et ai. (2003). Várias outras espécies, também presentes no Cerrado (e.g. Genipa americana, Sterculia striata. Eugenia punicifolia, Cochlospermun vitifolium e Stryphnodendron coriaceum) foram registradas na flora da área estudada. Espécies lenhosas comuns na região costeira do Nordeste, mas que não ocorrem em cerrados da área núcleo (segundo as compilações feitas por Castro et al. 1999 e Ratter et al. 2003), como Coccoloba latifolia, Mnuriri cearensis, Maytenus erythroxyla, Campomanesia aromatica e Tocoyena sellowiana, se misturam nesta mancha de cerrado sobre os tabuleiros pré-litorâneos com as espécies típicas dos cerrados centrais para compor a flora da área estudada. Isso justifica o fato de os cerrados costeiros terem formado um subgrupo com identidade florística distinta nas análises realizadas por Castro (1994) e Castro & Martins (1999). Segundo Castro (1994), a diferenciação florística dos cerrados pré-litorâneos se manteve não apenas quando comparados aos cerrados do planalto central, mas também quando comparados aos cerrados marginais nordestinos. Coccoloba latifolia e Maytenus erythroxyla, por exemplo, foram registradas tanto neste trabalho quanto em manchas de vegetação savânica na região costeira do estado da Paraíba (Oliveira-Filho & Carvalho 1993), embora não em outras áreas de Cerrado do Brasil (Ratter et al. 2003). Dentre as herbáceas, se destaca a espécie Trachypogon spicatus, gramínea cespitosa muito abundante no fragmento estudado e que está presente em outras áreas de Cerrado do Ceará (Costa etal. 2004) e do Brasil (Renvoize 1984;Tannus& Assis 2004). Além de T. spicatus, Andropogon bicornis e Andropogon selloanus (Poaceae), Chamaecrista flexuosa, Stylosanthes guianensis var. gracilis ( =Stylosanthes gracilis Kunth) e Aeschynomene marginata (Fabaceae) também ocorrem tanto na área estudada quanto em outras áreas de Cerrado (Renvoize 1984; Lewis 1987; Tannus & Assis 2004). Entretanto, várias leguminosas herbáceas presentes na área estudada (e.g. Chamaecrista hispidula; Centrosema brasilianunr, Stylosanthes angustifolia, Stylosanthes guianensis var gracilis, Clitoria laurifolia ) são típicas de terrenos arenosos e são encontradas em áreas costeiras do Nordeste e não propriamente apenas no Cerrado (Lewis 1 987). Assim como ocorre para a flora lenhosa, a flora herbácea se constitui em uma mistura de espécies de Cerrado com espécies da região costeira do Nordeste, o que reforça a idéia de Castro & Martins (Castro 1994, Castro & Martins 1999) de que os cerrados pré-litorâneos se constituem em um subgrupo florístico particular de Cerrado. A riqueza de espécies na comunidade lenhosa (35 espécies nativas) ticou entre as mais baixas, em relação a outras áreas de cerrado sensu stricto compiladas por Costa & Araújo (2007). Enquanto levantamentos fitossociológicos realizados na área núcleo do Cerrado, no estado de Goiás, mostraram que a riqueza de espécies variou de 81 a 92 espécies (Felfili et al. 2007), cerrados disjuntos da Amazônia, no extremo norte de distribuição do bioma, raramente excedem uma dúzia de espécies lenhosas na comunidade ( Ratter et al. 2003). As áreas savânicas dos tabuleiros pré-litorâneos nordestinos parecem ficarem uma posição intermediária de riqueza de espécies por hectare, entre os cerrados amazônicos, geralmente pobres, e os centrais, geralmente muito ricos em espécies, o que poderá ser confirmado quando mais áreas desses cerrados pré-litorâneos forem inventariadas e comparadas. Quanto às espécies exóticas na área estudada, é notável que Megathyrsus maximus (=Panicum maximum Jacq.) e Hyparrhenia rufa. duas das espécies de gramíneas invasoras mais comuns em Cerrados do Brasil (Pivello et al. 1999a.b; Tannus & Assis 2004; Pivello 2005; Durigan et al. 2007) também estejam presentes no fragmento. Essas duas exóticas dominaram o estrato herbáceo cm alguns trechos da vegetação, especialmente mais próximo às bordas. Já as exóticas lenhosas Ricinus communis e Calotropis procera, invasoras Rodriguèsia 62(2): 407-423. 201 1 SciELO/ JBRJ 2 13 14 Floristica e estrutura de uma savana costeira no Ceará 419 Figura 3 - a-d. Fisionomia do fragmento de vegetação estudado - a-c. áreas com fisionomia savânica; d. area alagável/paludosa ao sul do terreno (ver Fig. 1), com presença de Copemicia prunifera (palmeiras ao centro) e Andropogon bicomis (no estrato herbáceo). (Fotos: M. F . Moro) Figure 3 - a-d. Physiognomy of lhe vegetation fragment studied - a-c. arcas showing thc savannic physiognomy; d. swampy site locatcd in thc south of thc fragment (scc Fig. 1 ). Note the prcscncc of Copemicia prunifera (palms on ccnter) and Andropogon bicomis (grass in the hcrbaceous layer). (Photos: M. F. Moro) bastante comuns no Nordeste brasileiro, só foram observadas em associação com áreas degradadas do fragmento, como locais de depósito de lixo. Estas espécies, embora se enquadrem na definição de invasora de Richardson et al. (20()0), não parecem ser competidoras agressivas em relação às espécies nativas e só foram registradas nos locais mais descaracterizados da área estudada. Poucos exemplares de Albizia lebbeck foram registrados e isso deve ser indicativo que a espécie não é urna invasora agressiva no fragmento estudado (embora seja mais abundante em outros fragmentos de vegetação de Fortaleza). Quanto a Mangifera indica , indivíduos jovens foram observados apenas próximos de plantas adultas e assim, na área estudada, esta espécie não se comporta como invasora, mas apenas como exótica naturalizada ou mesmo exótica casual ( sensu Richardson et ai. 2000). Syzygium cumini é, dentre as espécies lenhosas, a invasora mais disseminada, já que adultos e plântulas foram encontrados em vários pontos da vegetação, embora com baixa abundância. Rodrlguésià 62(2): 407-423. 2011 Em relação às exóticas lenhosas, Syzygium cumini parece ter se tornado invasora no fragmento a partir de seu uso pretérito como árvore frutífera no local. Albizia lebbeck deve ter se estabelecido na área a partir de seu uso na arborização das ruas do entorno, com dispersão de sementes para dentro do fragmento de vegetação. Ambas as exóticas, contudo, possuem baixa densidade no local estudado. Já Ricinus communis e Calotropis procera são invasoras de ampla dispersão no Nordeste brasileiro, ocupando conspicuamente locais degradados como beiras de estradas, terrenos baldios e outras áreas antropizadas. Estrutura fitossociológica Comparando-se o fragmento de vegetação estudado com 23 áreas de Cerrado citadas por Costa & Araújo (2007), veri ficou-sc que o número de espécies, a densidade e a área basal da comunidade lenhosa são baixas, mas estão dentro das amplitudes legisliadus para o Cerrado. A densidade c a arca basal em diferentes comunidades de Cerrado é bastante variada. SciELO/JBRJ .2 13 14 15 16 17 420 Moro, M.F.. Castro. A.S.F. & Araújo. F.S. Figura 4 - a-d. Fisionomia do fragmento de vegetação estudado - a. trecho com fisionomia aberta ao norte do fragmento, com predomínio da gramínea Trachypogon spicatus no estrato herbáceo. Neste local, indivíduos juvenis de lenhosas como Himatanthus drasticits e Tabebuia aurea crescem entre as moitas da graminea. mas são periodicamente mortos pelos incêndios; b-d - efeito do fogo sobre a vegetação; b. aproximadamente a mesma área da foto “e” após um incêndio em 4/8/2008; c. recuperação das moitas de T. spicatus três meses após o fogo; d. outro trecho da vegetação logo após o mesmo incêndio. (Fotos: M. F. Moro) Figure 4 - a-d. Physiognomy of the vegctation fragment studied - a. site with open physiognomy in the north sidc of lhe fragment. The conspicuous spccics in the hcrbaceous layer is Trachypogon spicatus. Juvcniles of woody species (e.g. Himatanthus drasticus and Tabebuia aurea) grow in this arca, but are rcgularly killed by the frequcnt tires; b-d. eflect of fire on the vegctation - b. approximately the same arca of photo “c" alter a lire in 4/8/2008; c. Recovery of T. spicatus three months alter the fire; d. another site of the fragment aftcr the same fire. (Photos: M. F. Moro) desde 664 até 8. 1 35 indivíduos por hectare e áreas basais desde 4,73 nr/ha até 42,19 m : /ha (Costa & Araújo 2007). Isso se deve à grande variação fisionômica do cerrado sensu lato, desde ambientes florestais (cerradão) até campestres (campo limpo) (Gottsberger & Silberbauer-Gottsberger 2006; Ribeiro & Walter 2008). As fisionomias intermediárias (savânicas) são aquelas designadas como cerrado sensu strícto (Ribeiro & Walter 2008) e a densidade e área basal da comunidade estudada se enquadram naquela registrada para outras áreas de cerrado sensu strícto (e.g. Felfili etal. 2002; Fidelis & Godoy 2003) ou campo cerrado do Brasil. Além da fisionomia savânica, a comunidade lenhosa estudada também é dominada por espécies da área núcleo do Cerrado, o que reforça a semelhança dos cerrados pré-litorâneos com outros cerrados do Brasil. Na área estudada, as espécies com maior IVI (e.g. Himatanthus drasticus, Stryphnodendron coríaceum, Annona coriacea. Anacardium occidentaie, Byrsonima crassifoiia, Tabebuia aurea, Agonandra brasiiiensis, Tapirira guianensis - ver tabela 2) são espécies frequentes em cerrados do Brasil central (Castro et ai. 1999; Ratter et ai. 2003; Mendonça et ai. 2007), embora haja na comunidade a adição de espécies comumente encontradas na zona costeira nordestina (e.g. Mouriri cearensis , Tocoyena sellowiana, Coccoloba iatifoliá), mas que não se estendem às áreas núcleo do cerrado. O fragmento de vegetação estudado possui fisionomia aberta e porte baixo, com 647r dos indivíduos lenhosos abaixo de 3 m e 64% deles com diâmetros menores do que 6 cm (Figs. 2-5). No cerrado da Chapada do Araripe, onde a vegetação e mais densa, a densidade de indivíduos e a área basal ocupada pela comunidade vegetal foi de 2.224 ind/ha e 19,2 nr/ha, respectivamente (Costa & Araújo 2007), o que corresponde a uma densidade 1 .8 vezes maior e área basal 2,6 vezes maior do que neste estudo. fíodri guésia 62 ( 2 ); 407 - 423 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm .. Horistica e estrutura de uma savana costeira no Ceará Essa situação é esperada, uma vez que, segundo moradores do entorno do terreno onde o fragmento de vegetação se localiza, incêndios têm atingido a area a cada um ou dois anos. Em áreas de Cerrado, as queimadas têm a capacidade de matar as partes aéreas de alguns indivíduos lenhosos, o que reduz a densidade da comunidade (Libano & Felfdi 2006; Medeiros & Miranda 2008). Esse efeito pôde ser observado na área estudada após alguns incêndios ocorridos durante 2008, quando as partes aéreas de várias plantas foram eliminadas pela passagem do fogo (Fig. 4 b-d). Nesta situação, as plantas estão continuamente recuperando biomassa depois de cada queimada e podem reduzir sua eficiência de reprodução, além de que plântulas que potencialmente virariam árvores adultas são mortas (Miranda & Sato 2005; Medeiros & Miranda 2008). Os incêndios recorrentes aparentemente justificam a dominância de Himatonthus drasticus na comunidade, uma vez que na área estudada foi possível observar que esta espécie possui eficiente capacidade de rebrotar a partir das raízes, após a morte das suas partes aéreas pelo fogo. Potencial da área para conservação biológica A área estudada, por ser um fragmento de vegetação nativa que abriga diversas espécies vegetais, além de espécies da fauna (não tratadas nesse trabalho), é uma interessante oportunidade para a conservação no município de Fortaleza. Apesar do tamanho pequeno, o local abriga diversas espécies botânicas, além de alguns mamíferos {e.g. Callithrix jacchus (Linnaeus, 1 758), Cavia sp.), aves {e.g. a área é sítio de nidificação/alimentação de Vanellus chilensis (Molina, 1782), Crotophaga ani Linnaeus 1758, Guira guira (Gmelin, 1788 ), entre outras espécies) e répteis {e.g. Iguana iguana (Linnaeus, 1758), Cnemidophorus ocellifer (Spix, 1825), Philodryas nattereri Steindachner, 1870). Por abrigar uma mancha de vegetação savânica, também oferece oportunidade de conservar uma amostra dessa vegetação na paisagem já quase completamente urbanizada do Município. Criar uma Unidade de Conservação (UC) no local é, portanto, uma forma de buscar a manutenção das espécies nativas ainda presentes e, eventualmente, utilizar o local para projetos de educação ambiental e pesquisas acadêmicas. A lei 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, estabelece 12 categorias de UCs oficialmente reconhecidas no Brasil, as quais sao divididas em UCs de Proteção Integral e UCs de Uso Sustentável. Rodriguésta 62 ( 21 : 407 - 423 . 201 1 421 Figura 5 - Classes de diâmetro dos indivíduos lenhosos em 1 ha no fragmento de vegetação savânica estudado. Fortaleza, Ceará, 2008. Figure 5 - Diameter classes of lhe woody plants samplcd in I ha of the savannic vegetation fragment studied. Fortaleza, Ceará State, 2008. Ambas as categorias podem ser estabelecidas por iniciativa do Poder Público Federal, Estadual ou Municipal. Dentre as categorias de UC disponíveis, a criação de uma Área de Relevante Interesse Ecológico municipal ( ARIE), que é uma UC de uso sustentável, parece ser a mais apropriada para a proteção do fragmento de vegetação estudado. Segundo o Artigo 1 6 da lei 9.985/2000: “A Área de Relevante Interesse Ecológico é uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da natureza. Considerando que o fragmento de vegetação estudado se constitui em uma mancha de pequena extensão de vegetação savânica costeira, e que diversas espécies da flora e fauna (incluindo pequenos mamíferos terrestres, répteis e anfíbios, os quais dependem da manutenção da área para sua sobrevivência) subsistem no local, em um município praticamente destituído da cobertura vegetal original, o enquadramento do fragmento como ARIE municipal se justifica. Isso estaria de acordo com o Plano Diretor de Fortaleza (Município de Fortaleza 2009), o qual estabelece cm seu Artigo 142 a área estudada como “Zona Especial Ambiental” e que, cm seu Artigo 14 (grifo nosso), ressalta a importância de se criar uma UC segundo o SNUC no local para garantir proteção duradoura à vegetação: “Art. 14. São ações estratégicas para o uso, preservação e conservação da biodiversidade: I - criar unidades de proteção integral c de uso sustentável nas áreas de abrangência dos sistemas ambientais frágeis, mediamente frágeis e de significativa SciELO/JBRJ, 13 14 15 16 17 lí cm .. Moro, M.F 1 , Cãstro. A.5.F. & Araújo, F.S. Referências 422 relevância ambiental, compatibilizando-as com a Lei Federal n. 9.985, de 1 8 de julho de 2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC); [...] VII - criar unidades de conservação no remanescente de cerrado (bairro Cidade dos Funcionários 1 ), na mata da Praia Mansa (Cais do Porto) e nas dunas móveis da Praia do Futuro;” O fragmento estudado se constitui em uma mancha savânica costeira sobre os tabuleiros pré- litorâneos da região Nordeste do Brasil, ainda pouco estudada e conhecida. Sua flora é composta por uma mistura de espécies que ocorrem em cerrados do Brasil central com espécies que não ocorrem nas áreas núcleo do domínio do Cerrado, mas que são comuns na região costeira nordestina. As espécies típicas de Cerrado, contudo, foram as que apresentaram os maiores IVI no fragmento analisado, ressaltando os vínculos estruturais e florísticos das savanas costeiras com outros Cerrados do Brasil. A presença de espécies invasoras chama a atenção para a necessidade de controle de espécies não nativas no local. Entretanto, o maior perigo para a vegetação da área estudada é sua eliminação para expansão urbana. Neste sentido, o estabelecimento de uma UC municipal, seguida pela implementação de um plano de manejo e um programa de controle de exóticas, seria a maneira mais eficiente para garantir a conservação desta fitofisionomia peculiar e sua respectiva diversidade biológica. Agradecimentos Os autores agradecem à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) a bolsa de mestrado concedida ao primeiro autor durante a realização desta pesquisa; à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios), por possibilitar o acesso á área de sua propriedade e pelo apoio logístico na realização dos trabalhos de campo; aos pesquisadores L.W. Lima Verde (Orchidaceae), A. Fernandes (Leguminosae), E.P. Nunes (Leguminosae), E.B. Souza (Rubiaceae), R.C. Oliveira (Poaceae), I.R. Costa (Myrtaceae) e M.I.B. Loiola (Erythroxylaceae) o auxílio nas identificações. Agradecemos a M.O. Teles de Menezes e a F.W. Amorim as valiosas sugestões para a melhoria do texto e auxílio para a montagem da prancha de fotos. 'O remanescente referido pela lei se localiza, na verdade, no bairro Cambeba, adjacente ao bairro Cidade dos Funcionários. APG II - Angiosperm Phylogeny Group. 2003. 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Rodriguésia 62(2): 407-423. 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 cm Rodriguésia 62(2): 425-436. 20 1 1 http://rodriguesia.jbrj.gov.br Changes in the structure of a savanna forest over a six-year period in the Amazon-Cerrado transition, Mato Grosso State, Brazil Mudanças na estrutura de um cerradão em um período de seis anos, na transição Cerrado-Floresta Amazônica, Mato Grosso, Brasil Daniel David Franczak' , Beatriz Schwantes Marimon 2A , Ben Hur Marimon- Junior 2 , Henrique Augusto Mews 3 , Leandro Maracahipes 2 & Edmar Almeida de Oliveira Abstract Vegetation changes in transition zones are still poorly studied. Changes in the vegetation structure of a savanna forest (cerradão) were assessed in the Atnazon-Cerrado transition ( 14»42’2.3”S; 52°2 1 '2.6”W), eas.em Mato Grosso, within a period of six years (2002, 2005 and 2008). In 2002, fifty plots of 10 x 10 m were set up, where all trees with DSH > 5 cm were measured; in 2005 and 2008 the plots were re-mventoned. In 2008 84 species from 70 genemand 37 families were sampled; absoluto density was 1 .998 indtvtdua.s^a and basa area was 25.95 nT.ha '. On the one hand, the absolute density of live individuais decreased from 2005 to 2008 (2 066 individuals/ha); on the other hand, the basal area increased in 2008 comparcd to 2005 (23.56 m .ha ) an 2002 (1 884 individuais/ha and 21.38 m : .ha '). The species with the highest importance value m the penod were Hirtella glandulosa, Tachigali lulgaris and Xylopia aroma, ica. Except for these three spec.es, all other spec.es underwent hierarchic changes in the importance value, indicating that most species frequently altematcXommunity structure exhibited changes throughout the period; hence, we suggest .nvest.gat.ons on the role of T vulgaris m these changes, since environmental conditions caused by gap open.ng from the fali of scn.le md.v.duals of th.s Pioneer species with a short life cycle may contribute to community dynam.cs. Key words: structural changes, permanent plots, Tachigali vulgaris. Resumo Mudanças na vegetação em zonas de transição são ainda pouco estudadas. estrutura da vegetação de um cerradão na transição Cerrado-Floresta Amazon,ca( 14 42 2,3 Sc 52 2 2,6 W) no leste de Mat Grosso, em um período de seis anos (2002, 2005 e 2008). Em 2002 foram estabelec.das 50 parcelas de 10 x 10 m, medidas todas as árvores com DAS,,, > 5 cm e em 2005 e 2008 as parcelas foram reinventariadas. Em 2008 foram amostradas 84 espécies. 70 gêneros e 37 famílias a dens.dade absoluta de 1.998 indivíduos/ha e a área basa. de 25,95 mlha A densidade absoluta dos md.vlduosv.vos d— em relação a 2005 (2.066 ind/ha); em contrapartida, a área basal aumentou em re ação a 2005 (23.56 m ha e 2002 (1 884 ind/ha e 21,38 m 2 .ha '). As espécies com maior valor de importanca nos períodos anal. ado foram Hirtella glandulosa, Tachigali vulgaris e Xylopia aroma, ica. Com exceção destas três espéc.es, toda as demais sofreram alterações hierárquicas no valor de importância, indicando que a nuttona se alternando frequentemente. Como a estrutura da comunidade apresentou mudanças cnfrc os pMs estudados, sugerimos investigações sobre o papel de T. vulgaris nessas mudanças, uma vez que as ond.çto ambientais ocasionadas pela abertura de clareiras em função da queda de md.v.duos sen.s desta espéc.e pioneira e de ciclo de vida curto podem estar contribuindo na d.namica da comun.dade. Palavras-chave: alterações estruturais, parcelas permanentes, Tachigali vulgaris. , - a r P 44S7 70 904-970, Brasília, DF, Brasil. íniversidadc de Brasil, a - UnB. Programa de Pos-graduaçao em Botan . • • • _ # c p üg< 7g . 69( „ xx) , Nuv „ Xavan.ina, MT. Brasil. Jnivcrsidadc do Estado dc Mato Grosso -UNEMAT, Programa dcPos graduaç , , /-wiraeFlnn-sfiis C P 4357, 70.910-900, Brasília, DF, Brasil. Jmvcrsidade de Brasília, Programa de Pos-graduaçao em Cicncias Florestais, t . . tutor para correspondência: biamarimonfa^ hotmail.com- SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 426 Franczak. D. D. et al. Introduction The Cerrado is seen as one of the 34 biodiversity hotspots of the world (Mittermeier et al. 2005); it is the largest Neotropical savanna in the world and has the second largest area of all biomes in South America (Oliveira & Marquis 2002). Among several threatened physiognomies of this biome, the savanna forest (“cerradão”) stands out. It is denominated ‘mesophyllous sclerophyllous forest’ (Rizzini 1979) and is characterized by the presence of species from savanna and forest environments. In general, this physiognomy is not tolerant of anthropic disturbance and occupies small areas; exactly the areas that are most frequently used for agriculture and livestock, since these areas are usually on soils with higher availability of exchangeable cations (Ratter 1971; Eiten 1979; Oliveira-Filho et al. 1994), /.e. more humid and with clayey texture (Marimon-Junior & Haridasan 2005). In the eastern portion of Mato Grosso State there are patches of savanna forest in the transition zone between Cerrado and the Amazon biomes (Marimon-Junior & Haridasan 2005; Marimon etal. 2006). Two types of vegetation were recorded in the area: the savanna forest of Magonia pubescens A. St.-Hil. and Callisthene faseiculata Mart., which occurs on mesotrophic soils; and the savanna forest of Hirtella glandulosa , which occurs on dystrophic soils (Ratter 1971; Ratter et al. 1973). These two savanna forest types are threatened, mainly bccause they are located in a region known as the ‘deforestation arch’, where the advance of cultivated areas represents an important threat to native vegetation (Nogueira et al. 2008). Most studies carried out in savanna forests are based on information collected at a point in time (Costa & Araújo 200 1 ; Marimon & Lima 200 1 ; Gomes et al. 2004; Marimon-Junior & Haridasan 2005; Guilherme & Nakajima 2007; Kunz et al. 2009). There is still a huge need for studies on the dynamics of this vegetation. Therefore, studies on long-term vegetation changes are essential to understand the mechanisms and processes that maintain the community in a steady State (Aquino et al. 2007). A lot of information obtained from native- forest functioning can be used for its management. Hence, important subsidies to practices of conservation, management and restoration of degraded areas, forexample, may come from studies on the remnants of native vegetation in Mato Grosso State. Therefore, the objectivc of this study was to assess changes in the slructure of the woody vegetation of a savanna forest in eastern Mato Grosso, in the transition region between Cerrado and the Amazon, within aperiod of six years (2002 and 2008). The transition between Cerrado and the Amazon extends for over 4,500 km ( Ackerly et al. 1989) and it is dynamic: studies show that forests are advancing over savannas (Marimon et al. 2006). In this context, the present study will also loot at whether floristic and structural changes in the savanna forest led this physiognomy to become a denser forest. Material and Methods The study was carried out in a savanna forest (14°42’2.3”S; 52°2r2.6"W), Bacaba Municipal Park, Nova Xavantina, State of Mato Grosso, central- western Brazil. According to Marimon-Junior & Haridasan (2005), the park is located in a transition region between the Cerrado and Amazon biomes, where the predominam ‘cerrado sensu stricto’ vegetation (open savanna) is in contact with forests and savanna forests, in acid and dystrophic soils, with high leveis of exchangeable aluminum and clayey texture. According to Koppen's classification, the regional climate is type Aw (Silva et al. 2008), characterized by two well-defined seasons: one dry and cold ( April to September) and the other hot and rainy (October to March). The transition between Cerrado and the Amazon is a zone of ecological tension that exhibits a mosaic of savannas and forests (Ratter et al. 1 973; Ackerly et al. 1 989, Ivanauskas et al. 2004; Marimon et al. 2006). Based on IBGE (2004), our studv area is about 1 50 km from this zone of ecological tension. However, this zone is not regular; there are larger or smaller intrusions or fringes (Ratter et al. 1 973; Marimon et al. 2006), which are currently fragmented due to the conversion of native vegetation into agricultural lands (Nogueira etal. 2008). AIlhough our study area is located in a vegetation matrix dominated by savanna (Marimon-Junior& Haridasan 2005), in nearby areas (less than 10 km) there are 1 ragments and intrusions of contact between savanna and seasonal forest (IBGE 2004; Marimon 2005). Records taken out in 1943 by members of the Roncador-Xingu Expedition confirmed that up to 40 km to the south of our study area there would have existed a dense vegetation, where to open the way they needed to cut down colossal trees’ (Carpentieri 2008), this report charactcrizes the study region as a zone ol ecological tension or a zone of transition between Cerrado and the Amazon. Rodriguésia 62(2): 425 - 436 . 201 1 cm 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. Changes in the structure of a savanna forest. In 2002, fifty 1 0 x 1 0 m pemianent plots were set up (Marimon-Junior& Haridasan 2005), where woody species (except lianas) that had DSH, 0 (diameter at soil height. measured at 30cm) e > 5cm were sampled. At the occasion, all individuais were tagged with numbered aluminum plates, and were recorded and identified. Species were identified by comparison with herbaria vouchers (NX and UB) and by Consulting specialists. The collected material was deposited in the NX Herbarium, UNEM AT - Nova Xavantina Campus, Mato Grosso State. In 2005 and in 2008, all surviving individuais were measured again and recruits (individuais that reached the minimal inclusion criterion) were tagged, measured, recorded and identified. Sampling and species identification followed the same procedures used in the first inventory. The classification system used for families was APG III (2009) and the revision of taxa names followed Forzza etal. (2010) in the list of Angiosperm species ofthe Brazilian flora. Parameters of relative density, frequency, dominance and importance value (IV) were used to describe vegetation structure, following Müeller- Dombois & Ellenberg (1974). The program FITOPAC 1.0 (Shepherd 1994) was used for the analysis. We compared the phytosociology of the three inventories: 2002 (Marimon-Junior & Haridasan 2005), 2005 and 2008 (present study). Based on the number of individuais sampled, mortality and recruitment rates were calculated for each plot (Sheil etal. 1995, 2000) and comparisons were made (2002-2005 and 2005-2008) using paired f-tests. The average number of individuais and the basal area in each year sampled were compared by analysis of variance and Tukey’s test at 5% probability (Zar 1999). Results and Discussion In 2008, the savanna forest studied had 84 plant species from 70 genera and 37 families (Tab. 1 ), with an absolute density of 1,998 individuals/ha and a basal area of 25.95 nr.ha '. On the one hand, the absolute density of live individuais decreased compared to 2005 (2,066 ind.ha '); on the other hand, the basal area increased compared to 2002 and 2005 (Tab. 2). In 2002, 77 species from 65 genera and 36 families were recorded (Marimon-Junior & Haridasan 2005) and in 2005, 87 species from 71 genera and 38 families. The increase in the basal area in two consecutive periods (2005 and 2008) in the savanna forest is consistent with Phillips et al. Rodríguésia 62 ( 2 ): 425 - 436 . 2011 427 (2002), Baker et al. (2004) and Lewis etal. (2009), who obscrved that in the last century ncarly all terrestrial ecosystcms have been under the influcnce of atmosphcric and climatic changes. An increase in dynamics, biomass and carbon stock in tropical forests was recorded, probably due to an increase of CO, leveis in the atmosphere. Further detailed long-têrm studies in the savanna forest studied here are essential to vcrify if the increase in biomass of this community is related to the increase in atmospheric CO, leveis. However, the increase in biomass could also be explained by climatic changes that have been occurring since the early Holocene, when a drier climate was replaced by a warmer and more humid climate (Ledru et al. 1 996). In a study carried out by Marimon et al. (2006) in a nearby area, 30-year records showed that the Amazon advanced 7 km into the Cerrado, reinforcing the expansion of forests over savannas in the region. Recruitment and mortality rates were higher in the first inventory period, betwcen 2002 and 2005 (Tab. 2). If we consider intervals as well as the whole period (2002 to 2008), the values of the savanna forest of Bacaba Park were higher than the values observed in other studies carried out in forests of South and Central America, which varied from 0.5 to 2.8%.year' for mortality (Lieberman etal. 1985; Swaine etal. ^jConditer al. 1995; Felfili 1995) and from 2 to 4%.ycar' for recruitment (Oliveira- Filho etal. 1997; Higuchi etal 2008; Silva & Araújo 2009; Miguel etal. 2011). According to Felfili (1995), mortality rates around 3.5%.year' are typical of areas that undcrwcnt disturbances. Oliveira & Felfili (2008) observed that high mortality and recruitment rates lead to a high tumover, confirming the dynamic aspect of the community. which even without undertaking dircct disturbances (fire and cutting) exhibited high mortality and recruitment. Considering the whole period (2002-2008), recruitment compensated mortality (t= -2.95, P= 0.0024). This compensation can be related to a ‘construction’ phasc of the sylvigenetic cycle of the community, as proposcd by Hallc et al. ( 1 978), which is usually recorded in forests rccovering from a disturbance (Oliveira-Filho et al. 1 997 ; Chagas et al. 200 1 ), suggcsting that periods of higher mortality might have previously occurred (Felfili 1995), of which there is no record from the memory of local residents. The reduction in density and the increase in basal area recorded in the present study (Tab. 2) are consistent with a self-thinning pattern, as observed by Felfili ( 1 995) and Wemcck et al. (2000). SciELO/JBRJ 13 14 Rodrigué sia 62(2): 425-436. 20 1 1 Table 1 - Phytosociological parameters of species sampled in a cerradão in the Cerrado- Amazon Forest transition, in 2005 and 2008, Nova Xavantina-MT. N° Herb.= registration number in Herbarium NX, N= number of individuais, DR= relative density (%), FR= relative frequency (%), DoR= relative dominance (%), and VI= importance value. Species listed in order of decreasing VI. Species Families N° Herb. 2005 N 2008 1 2005 DR 2008 FR 2005 2008 DoR 2005 2008 VI 2005 2008 Hinella glandulosa Spreng. Chrysobalanaceae 728 120 125 11,62 12,52 6.12 6,48 25,17 27,37 42,90 46,37 Tachigali vulgaris L.GSilva& H.C.Lima Fabaceae 674 85 93 8,23 9,31 5,12 4,86 10.95 11,21 24,30 25,38 Xylopia aromatica (Lam.) Mart. Annonaceae 137 74 63 7,16 6,31 5,55 5,15 7,55 7,00 20,26 18,46 Tapirira guianensis Aubl. Anacardiaceae 59 39 42 3,78 4,20 3,70 3,98 2,95 3,86 10,42 12,04 Emmotum nitens (Benth.) Miers Icacinaceae 1371 22 22 2,13 2,20 2,42 2,50 6,09 6,48 10,64 11,18 Myrcia splendens (Sw.) DC Myrtaceae 2258 41 41 3,97 4,10 3,70 3,83 2,64 2,73 10,31 10,66 Chaetocarpus echinocarpus (Baill.) Ducke Peraceae 1046 41 42 3,97 4.20 3.84 3,98 1,96 2 21 9.77 10,39 Matayba guianensis Aubl. Sapindaceae 9518 33 35 3,19 3,50 3,41 3,83 2,04 2,15 8,65 9,48 Heisteria ovala Benth. Olacaceae 2403 44 41 4,26 4,10 3,70 3,68 1,67 1,62 9,63 9,40 Aspidosperma multiflorum A.DC. Apocynaceae 164 33 32 3,19 3,20 3,41 3,39 2,35 2,20 8,96 8,79 Vatairea macrocarpa (Benth.) Ducke Fabaceae 1275 27 26 2,61 2,60 2,99 3,39 2 27 2,35 7,87 8,34 Eriotheca gracilipes (K. Schum.) A.Robyns Malvaceae 477 25 21 2,42 2,10 2,28 2,21 4,50 3,08 9,19 7,39 Sorocea ktotzschiana Baill. Moraceae 2117 28 31 2.71 3,10 2,56 2,80 0,96 1,27 6,23 7,17 Guapira graciüflora (Mart. ex Schmidt) Lundell Nyctaginaceae 2322 33 26 3,19 2,60 3,27 2.80 1,37 1.17 7,84 6,57 Roupala montana Aubl. Proteaceae 2493 32 22 3,10 2,20 3,41 2,50 2,66 1,51 9,17 6,22 Alchornea discolor Poepp. Euphorbiaceae 1032 15 17 1,45 1,70 1,99 2,36 0,85 0,93 4,29 4,99 Siparuna guianensis Aubl. Siparunaceae 2075 18 20 1.74 2,00 1,99 2,21 0.61 0,77 4,34 4,98 Maprounea guianensis Aubl. Euphorbiaceae 1103 14 15 1,36 1,50 1.71 1.91 0,81 1,08 3,87 4,50 Cordiera sessilis (Vell.) Kuntze Rubiaceae 2526 16 16 1,55 1,60 2,13 2 21 0,54 0.52 4,22 4,33 Pseudoboinbax longijlonnn (Mart.& Zucc.)A.Robyns Malvaceae 484 14 14 1,36 1,40 1,56 1,62 0,95 0,93 3,87 3,95 Agonandra brasdiensis Miers ex Benth. & Hook. f. Opiliaceae 2422 9 12 0.87 1,20 1,00 1,33 0,81 0,87 2,68 3,39 Erythroxylum daphnites Mart. Erythroxylaceae 6980 17 13 1.65 1,30 1,85 1,62 0,49 0,30 3,99 3,22 Tenninalia argentea Mart. Combretaceae 846 10 9 0.97 0,90 1,28 1,33 1,02 0.84 3,27 3.07 Protium heplaphyllum (Aubl.) Marchand Burseraceae 519 8 8 0.77 0,80 1,00 1,03 0.83 0,98 2,60 2.81 Buchenavia lamentosa Eichler Combretaceae 833 6 6 0.58 0,60 0,85 0,88 1.02 1,29 2,46 2,78 Alibertia edulis ( Rich. ) A.Rich. Rubiaceae 2513 9 10 0.87 1,00 1,28 1.47 0,23 0,30 2,39 2,77 Lacisiema aggregauun (P.J.Bergius) Rusby Lacistemataceae 1382 9 1 1 0.87 1,10 1.14 1,33 0,19 0.24 2,19 2,67 Pierodon pubeseens (Benth.) Benth. Fabaceae 6975 6 6 0,58 0,60 0.71 0.74 1.25 1,24 2,55 2,57 SciELO/JBRJ .6 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 Franczak. D.D. et al- Rodríguésia 62 ( 2 ): 425 - 436 . 2011 Species Families N° Herb. 2005 N 2008 1)K 2005 2008 FR 2005 2008 DoR 2005 2008 VI 2005 2008 Vochysia haenkeana Mart. Vochysiaceae 3066 6 7 0,58 0,70 0,85 0,88 0,68 0,92 2,11 2,51 Aspidosperma macrocarpon Mart. Apocynaceae 158 8 8 0,77 0,80 1,14 1,18 0,46 0,43 2,37 2,41 Mezilaurus crassiramea (Meisn.) Taub. ex Mez Lauraceae 1463 4 4 0,39 0,40 0,57 0,59 1,54 1,38 2,49 2,37 Antonia ovala Pohl Loganiaceae 1523 14 9 1,36 0,90 1,71 1,18 0,42 0,28 3,49 2,36 Coccoloba mollis Casar. Polygonaceae 9522 9 9 0,87 0,90 0.85 0,88 0,48 0,65 2 21 2,35 Salvertia convallariodora A.St.-Hil. Vochysiaceae 3057 8 9 0,77 0,90 0,85 1,03 0,27 0,25 1,89 2,18 Qiialea parviflora Mart. Vochysiaceae 3044 8 8 0,77 0,80 1,00 1,03 0,37 0,34 2,14 2,17 Curatella americana L. Dilleniaceae 927 5 5 0,48 0,51 0,71 0,74 0,95 0.91 2,15 2,14 Luetzelburgia praecox (Harms) Harms Fabaceae 1235 6 6 0,58 0,60 0,85 0,88 0,60 0,58 2,04 2,06 Dipleryx alata Vogei Fabaceae 1219 4 4 0,39 0,40 0,57 0,59 0,86 1,01 1,81 2,00 Syagrus comosa (Mart.) Mart. Arecaceae 3112 8 7 0,77 0,70 0,85 0,88 0,45 0,33 2,08 1,92 Guapira noxia (Netto) Lundell Nyctaginaceae 2324 10 6 0,97 0.60 1,00 0,74 0,76 0,56 2,73 1,90 Qualea grandiflora Mart. Vochysiaceae 3001 7 6 0,68 0,60 1,00 0,88 0,44 0,36 2,11 1,84 Astronium fraxinifolium Schott Anacardiaceae 49 6 6 0,58 0,60 0,71 0,74 0,47 0,44 1,76 1,78 Syagrus flexuosa (Mart.) Becc. Arecaceae 3111 12 6 1,16 0,60 1,14 0,88 0,33 0,18 2,63 1,66 Tabebuia aurea (Silva Manso) Bignoniaceae 458 5 5 0,48 0,50 0,71 0,74 0,20 0,19 1,39 1,42 Benth & Hook f. ex S. Moore Copaifera langsdorffii Desf. Fabaceae 580 3 4 0,29 0,40 0,43 0,59 0,26 0,36 0,98 1,35 Stryclmos pseudoquina A.St.-Hil. Loganiaceae 1526 2 2 0,19 0,20 0,28 0.29 0,94 0,70 1,42 1,19 Mimosa laticifera Rizzini & A.Mattos Fabaceae 2032 5 4 0,48 0.40 0,57 0,59 0.16 0,12 1,21 1,11 Ouralea spectabilis (Mart.) Engl. Ochnaceae 2372 5 4 0,48 0,40 0,71 0,59 0,14 0,10 1,34 1,09 Euplassa inaequalis (Pohl) Engl. Proteaceae 2478 4 3 0,39 0,30 0,57 0,44 0,58 0,33 1,53 1,07 Brosimum gaudichaudii Trécul Moraceae 2083 4 4 0,39 0,40 0,43 0,44 0,16 0,14 0,97 0,98 Annona coriacea Mart. Annonaceae 76 6 3 0,58 0,30 0,71 0,44 0,35 0,17 1,65 0,91 Machaerium acutifolium (Vogei) Fabaceae 1238 3 3 0,29 0,30 0,43 0,44 0,13 0,13 0,85 0,88 Rudgea vibumoides (Cham.) Benth. Rubiaceae 2623 3 3 0,29 0,30 0,43 0,44 0,07 0,08 0,79 0,82 Magonia pubescens A.St.-Hil Sapindaceae 2676 2 2 0,19 0,20 0,28 0,29 0,30 0,31 0,78 0,81 Vochysia rufa Mart. Vochysiaceae 3083 2 2 0,19 0,20 0,28 0,29 0,27 0,26 0,75 0,75 Byrsonima coccolobifolia Kunth Malpighiaceae 1618 2 2 0,19 0,20 0,28 0.29 0,28 0,25 0,75 0,75 Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hay ne Fabaceae 614 3 3 0,29 0,30 0,28 0,29 0,10 0.10 0,68 0,70 Ficus sp. Moraceae 4034 1 2 0,10 0.20 0,14 0,29 0.03 0,12 0,27 0,61 10 SciELO/JBRJ. 17 lí Changes in the stmcture of a savanna forest. Rodrlguésia 62 ( 2 ): 425 - 436 . 2011 Species Families N° Herb. N 2005 2008 2005 DR 2008 FR 2005 2008 DoR 2005 2008 2005 VI 2008 Platypodiwn elegans Vogei Fabaceae 1250 1 i 0.10 0,10 0,14 0,15 0,32 0,33 0,56 0,58 Tapura amazônica Poepp. & Endl. Dichapetalaceae 900 2 2 0,19 0,20 0,28 0,29 0,07 0,08 0,55 0.57 Couepia grandiflora (Mart. & Zucc.) Benth. Chrysobalanaceae 718 2 2 0,19 0,20 0.28 0.29 0,08 0,07 0.56 0,57 Styrax campo rum Polil Styracaceae 2891 3 2 0,29 0.20 0,43 0,29 0,31 0,07 1,03 0,57 Qualea multiflora Mart. Vochysiaceae 3040 3 o 0,29 0,20 0,43 0,29 0,08 0.06 0,80 0.56 Plathymenia reticulata Benth. Fabaceae 2059 2 2 0,19 0,20 0.28 0,29 0,07 0,06 0.54 0,55 Ouratea hexasperma (A.St.-Hil.) Baill. Ochnaceae 2361 2 2 0,19 0,20 0.28 0,29 0,04 0,04 0,52 0,53 Eugenia gemmiflora O.Berg Myrtaceae 2270 2 2 0,19 0.20 0,28 0.29 0.05 0,03 0,53 0,53 Licania humilis Cham. & Schltdl. Chrysobalanaceae 3563 i 2 0,10 0,20 0.14 0,29 0.02 0,03 0,26 0,53 Aspidosperma subincanum Mart. Apocynaceae 174 i i 0,10 0,15 0,14 0.16 0,24 0,25 0.48 0,49 Coccoloba sp. Polygonaceae 9830 i i 0.10 0,10 0.14 0,15 0,06 0.09 0.30 0,34 Peltogyne confertiflora (Mart. ex Hayne) Benth. Fabaceae 634 i i 0,10 0.10 0.14 0,15 0,06 0,06 0,30 0.31 Bowdichia virgilioides Kunth Fabaceae 1166 i i 0.10 0,10 0.14 0.15 0.06 0,05 0,30 0,30 Cybistax antisipliilitica (Mart.) Mart. Bignoniaceae 420 i i 0.10 0.10 0,14 0, 1 5 0,08 0.05 0.32 0,30 Andira vermífuga (Mart.) Benth. Fabaceae 1159 i i 0,10 0,10 0,14 0.15 0,05 0.05 0,29 0,30 Polygalaceae - N.I. Polygalaceae 1533 i i 0.10 0.10 0,14 0,15 0.04 0,05 0,28 0,30 Pterodon emarginatus Vogei Fabaceae 1260 i i 0,10 0,10 0.14 0.15 0,04 0.04 0,27 0,29 Ficus enormis Mart. ex Miq. Moraceae 2090 i i 0,10 0,10 0.14 0,15 0,03 0,02 0,27 0,28 Pouleria aff. gardneri (Mart. & Miq.) Baehni Sapolaceae 2719 i i 0.10 0,10 0,14 0.15 0,02 0.02 0,26 0,27 Byrsonima basiloba A.Juss. Malpighiaceae 1615 i i 0,10 0.10 0.14 0,15 0,03 0,01 0,27 0,27 Cardiopetalum calophyllum Schltdl. Annonaceae 95 2 i 0.19 0.10 0,28 0,15 0,06 0,01 0,53 0,27 Dalbergia miscolobium Benth. Fabaceae 1196 i i 0,10 0.10 0,14 0.15 0,03 0.0 1 0,27 0,27 Diospyros sericea A.DC. Ebenaceae 953 i i 0,10 0,10 0,14 0,15 0,02 0,01 0,26 0,27 Miconia albicans (Sw.) Triana Melastomataceae 6913 2 i 0,19 0,10 0,28 0.15 0.07 0,01 0.55 0,27 Andira cujabensis Benth. Fabaceae 1156 i i 0,10 0,10 0,14 0,15 0.02 0,01 0,26 0,26 Aspidosperma nobile Müll.Arg. Apocynaceae 173 i i 0.10 0,10 0,14 0,15 0.02 0.01 0,26 0,26 Simarouba versicolor A. St. -Mil. Simaroubaceae 6646 i - 0,10 - 0.17 - 0,21 - 0,43 - Dimorphandra mollis Benth. Fabaceae 598 i - 0,10 - 0.17 - 0.02 - 0,26 - Cordiera elliptica (Cham.) Kuntze Rubiaceac 6825 i - 0.10 - 0.16 - 0,02 - 0,26 - Total 1033 999 100 100 100 100 100 100 300 300 SciELO/JBRJ Franczak, D.D. et al. cm Changes in the structure of a savanna forest. 43 1 Table 2 - Parameters of dynamics in a woody community of a cerradão in Bacaba Park, Nova Xavantina, Mato Grosso, between 2002 and 2005, 2005 and 2008, and 2002 and 2008. Whcre: t = paircd í-test, F = rcsult of analysis of variancc. Values in parentheses correspond to standard deviation. Different letters indicatc diíferences at 5% significance levei. Parameters 2002 2005 2008 Mortality rate (%.year ') 552 t= 3,62 2.70 P= 0,0003 451 Recruitment rate (%.year') 8.47 t= 9,67 2.00 P< 0.0001 5.87 Average number of individuais (plot) 18,8(5,6) 20,7(5,7) 19,9(5,4) F= 1 ,33 P= 0,2658 Basal área(nr.ha') 2 1,38 a (5,9) 23,56 a (7,5) 25,95 b (8,4) F=4,78 P= 0,0098 In ariparian forest in Distrito Federal, Oliveira & Felfili (2005) recorded intense reduction in total density and increase in basal area; they suggested that greater shading of the area would hinder the growth of heliophilous species. This could also be happening in our study area, since all species that entered the community between 2002 and 2008, such as Diospyros sericea, Ficus enormis and Pouteria gardneri, are typical of forests and the ones that left the community, such as Dimorphandra mollis, Cordiera elliptica and Simarouba versicolor, are typical of savanna formations and open environmcnts (Tab. 1 , Marimon-Junior & Haridasan 2005). Besides, of the eight species that exhibited higher recruitment (> 10 individuais) in the period from 2002 to 2008 (Tab. 3), at least six are typical of lorests; and all species that exhibited higher mortality (> 1 0 individuais, Tab. 3) are typical of savanna and lield vegetation (Ratter £'/£//. I973;Pott&Pott 1994; Oliveira-Filho & Ratter 1995; IBGE 2002; Durigan et oi. 2004; Mendonça etal. 2008). The ten most important species in 2008 represented c. 54% of the total importance value (IV) and of the total number of individuais sampled. In 2002 they represented 53% of IV and 5 1 .7% of the total number of individuais sampled, and in 2005, 52% of IV and 51.5% of the total number of individuais (Table 1 ; Marimon-Junior & Haridasan 2005). In a riparian forest in Distrito Federal, Felfili ( 1 993) observed that the ten most important species might be considered to be the ones that exhibit higher success exploiting resourccs of the habitat. Invcntories camed out in forests and savannas of the Cerrado biome (Costa & Araújo 200 1 ; Marimon et al. 2006; Kunz et al. 2009) reported that the species that have higher importance value also have higher number of individuais, as recorded in the present study. The most important species (IV) in all three sampling periods was Hirtella glandulosa, which contributed with approximately 1 2% of the total number of individuais in 2002, 2005 and 2008, confirming the area as a savanna forest of Hirtella glandulosa, as describcd by Ratter (1971) and Ratter et al. (1973). Tachigali vulgaris (=Sclerolobium paniculatum) was the second most important species in all inventories, with 6.5% of the total number of individuais in 2002 (Marimon-Junior & Haridasan 2005), 8.2% in 2005 and 9.3% in 2008. Xylopia aromatica was the third most important species in all three inventories, with 7.5% of the total number of individuais in 2002 (Marimon-Junior & Haridasan 2005), 7.2% in 2005 and 6.3% in 2008, The species mentioned were also among the ten most important species in olher savanna forest areas (Gomes et al. 2004; Pereira-Silva et al. 2004; Marimon et al. 2006; Guilherme & Nakajima 2007; Kunz etal. 2009) and in adense savanna (Andrade et al. 2002 ), evidencing their broad distribution and high importance in different forests of the Cerrado biome. Tachigali vulgaris has a short life cyclc (< 20 ycars) and rapid growth (Felfili etal. 1999). In this case, it is suggested that the mortality of this species and the resulting fali of large-sized senile individuais, such as recorded by Francz.uk (2009) in Rodríguésia 62 ( 2 ): 425 - 436 . 201 1 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 16 17 18 432 Franczak. D.D. et al. Table 3 - Number of dead and recruited individuais in the intervals between the years 2002 and 2005 (02-05). 2005 and 2008 (05-08), and 2002 and 2008 (02-08). Cerradão of the Bacaba Park, Nova Xavantina, MT. Species listed in descending order of number of individuais recruited between 2002 and 2008. Were considered only those species that presented at least five dead or recruited individuais at least in one interval. Species (02-05) Dead (02-05) (02-08) (02-05) Recruited (05-08) (02-08) Tachigali vulgaris 12 8 20 36 17 53 Hirtella glandulosa 5 0 5 14 5 19 Heisteria ovata 1 2 3 18 _ 18 Sorocea klotzschiana - - - 15 3 18 Tapirira guianensis 1 - 1 15 3 18 Siparuna guianensis 2 - 2 14 2 16 Xylopia aromatica 10 12 22 14 2 16 Chaetocarpus echinocarpus - - - 11 i 12 Maprounea guianensis - - - 8 i 9 Matayba guianensis 5 0 5 7 2 9 Cortliera sessilis 2 - 2 6 6 Myrcia splendens 6 1 7 5 1 6 Erythroxylum daphnites 4 3 7 5 5 Aspidosperma multiflorum 4 1 5 3 3 Guapira graciliflora 19 7 26 3 3 Antonia ovata 1 5 6 1 1 Eriotheca gracilipes 5 1 9 1 1 Guapira noxia 8 4 12 _ 1 1 Roupala montana 8 10 18 1 1 Syagrus flexuosa 3 6 9 1 ] Annona coriacea 3 3 6 - - the studied savanna forest, cause gap openings, accelerating community dynamics and contributing to the maintenance of T. vul garis and other species that demand similar light leveis to establish and grow. In the present study, the increase in density of T. vulgaris between 2002 and 2008 is characterized by the ingression of juvenile individuais; and the increase in basal area, in addition to the juveniles that entered the community, was due to the fast growth of adults that still remained in the community: Miguel et al. (2011) recorded the highest absolute value of periodic annual increment (2.05 cm/year) for this species. Therefore, differently from what was observed in tropical forests subjected to abiotic environmental changes, such as the case of riparian forests submitted to the seasonal flood of rivers and to an intense edge effect (Felfili 1993; Miguel & Marimon 2008), the temporal changes recorded in the savanna forest studied may have a biotic origin, led by Tachigali vulgaris , which might be a keystone species in the dynamics of this savanna forest. Besides, considering that this species maintained itself in the same hierarchical position during the study period, possibly its adult and senile individuais, after falling, opened new gaps, maintaining the possibility of regeneration and growth of the species in a type of positive feedback or virtual circle (Miguel et al. 2011). Based on this assumption. the contribution of Tachigali vulgaris may be important to several ecosystem processes that affect community structure, as for instance the microclimate. since microclimatic factors such as light. humidity and soil and air temperature depend on canopy characteristics, especially regarding the dynamics Rodriguésia 62 ( 2 ): 425 - 436 . 201 1 SciELO/JBRJ, 13 14 15 cm .. Changes in lhe strvcture of a savanna íoresl. of gap formation (Guilherme 2000). In this case, forests with a highly dynamic canopy, as in the present study, undergo high leveis of intermcdiatc disturbance during a short period of time, revealing a selection of tree species that are best adapted to such environmental conditions, which could be considered, hence, best competitors (Lopes & Schiavini 2007). Therefore, changes in environmental conditions, on which Tachigali vulgaris seems to have an effective participation, are causing changes in the floristic composition and in the structure of the savanna forest under study. Considering the ten most important species, only the first threc in decreasing order ( Hirtella glandulosa , Tachigali vulgaris and Xylopia aromaticá) kept their IV position unchanged in 2002, 2005 and 2008 (Tab. 1; Marimon-Junior & Haridasan 2005). It is important to highlight that those species also exhibited the highest basal area values, occurred in higher frequency compared to others and were lhe only ones that exhibited relative density over 5%. Between 2002 and 2005, based on the study of Marimon-Junior & Haridasan (2005), nearly all species changed their hierarchical IV positions. This pattem of structural change in most species gives this savanna forest a very dynamic character compared to other Cerrado vegetation types (Felfili etal. 2000; Marimon 2005; Miguel & Marimon 2008). In this context, Baker et al. (2004) and Wright (2005) observed that changes in structure and species composition of tropical forests may have important implications in the carbon cycle and in the biodiversity of these forests. Considering the ten most important species during the three periods of sampling, it was observed that Eriotheca gracilipes occupied the 4 lh IV position in the first invcntory (2002), moved to the 9 lh position in 2005 and to the 12 ,h position in 2008. Another remarkable change was recorded in the hierarchical position of Roupala montana, which moved from the 1* position in 2002 for the 10 h position in 2005 and the 15 lh position in 2008. In this case, the species mentioned above, which are hcliophilous ( E . gracilipes) and pioneer(/?. montam ) (Franczak 2009), may have been affected by a possible partial closure of lhe canopy in the last period of the study (2005 to 2008). Whereas Chaetocarpus echinocarpus , which is a typical understory species (shady environments) from seasonal semideciduous and riparian forests o! eastem Mato Grosso (Marimon et al. 2001; 2002), climbed from the 1 1* position in 2005 to the 7 position in 2008. Rodriguésia 62(2): 425-436. 201 1 433 Ronquim et al. (2003) observed that Eriotheca gracilipes nceds high solar radiation leveis for growth ( 1 00% transmittancc), under which it exhibits higher photosynthetic capacity and higher biomass accumulation. According to these authors, under shaded conditions (30% transmittance) E. gracilipes does not produce enough resources to sustain the dcmand rcquired for the formation of reproductive structures. In this case, under natural conditions it would tolerate shading, but would remain in a vegetative State with rcduced growth. According to Mendonça et al. (2008), Roupala montana is a species that occurs mainly in cerrado sensu stricto, “campo sujo”, "campo de murundus” and rocky savanna (cerrado rupestre). Felfili & Abreu ( 1 999) recorded higher growth of R. montana under higher light conditions. Therefore, considering the ecological characteristics mentioned for these species and taking into account the changes in their hierarchical positions in the present study, it is suggested that the savanna forest studied herc is closing. The changes in IV in the community indicate that most species alternate frequently, as recorded by Carvalho ( 1 992) and Felfili ( 1 993) in Amazonian and riparian forests in central Brazil, indicating that these communities are in a dynamic State, varying in density and basal area of species over time. Tree species such as Tachigali vulgaris may contribute not only to the understanding of complex ecological interactions of tropical forests, but also to studies on restoration of degraded areas. The restoration processes, which are usually difficult and long under the climatic conditions of central-western Brazil, require the indication of species that have the same succcss of establishmcnt und growth in restoration areas that they have under natural conditions. Acknowledgements Programa de Pós-Graduação cm Ciências Florestais e Ambientais of the Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) - Campus de Nova Xavantina provided us with logistic support. CNPq (Project PELD-Transição Cerrado-Floresta Amazônica: bases ecológicas e sócio-ambientais para a conservação. Proc. N° 558069/2009-6) provided us with financial support and CAPES granted the first author a scholarship. SciELO/ JBRJ. 13 14 cm .. 434 References Ackerly, D. D.; Thomas, W.W.; Ferreira, C.A.C. & Pirani. J.R. 1989. The forest-cerrado transition zone in Southern Amazônia: rcsults of the 1985 Projeto Flora Amazônica expedition to Mato Grosso. Brittonia 41: 1 13-128. 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A parede do ovário c composta de epiderme externa, mesofilo ovariano c epiderme interna. O fruto c um folicário constituído de dois frutículos geminados, cilíndricos, alongados c lenhosos. Nesse estudo foram consideradas duas fases distintas de desenvolvimento: fruto jovem e fruto maduro. No fruto jovem, o cpicarpo é unisseriado e o mcsocarpo pode ser dividido em duas regiões distintas. O endocarpo é formado por células alongadas cm seção transversal. No fruto maduro o epicarpo é recoberto por uma cutícula espessa e papilosa, no mcsocarpo a última camada de células próximas ao endocarpo toma-se esclcrificada e juntamente com as células do endocarpo formam o endocarpo funcional. No mcsocarpo do fruto maduro foram observados laticífcros não articulados e ramificados, fibras lignificadas e fibras não lignificadas. Palavras-chave: folicário, fruto, desenvolvimento, cpicarpo, laticífcros. Abstrnct This work describcs the ontogeny of the pcricarp of Temnadenia violacea (Vell.) Micrs. The ovary is glabrous, superior, with bicarpelar suturai placentation. Each earpel has a single loeule with scvcral cggs attachcd to a well-devcloped placenta. The ovary wall is composed of outer epidermis, mesophyll and inner epidermis. The fruit is a follicarium composed of two geminate aggregatc fmits lhat are cylindrical, elongated, and woody. In this study two distinct phases of devclopment wcrc considcred: young fruit and ripe fruit. The cpicarp of the young fruit is uniscriatc and the mcsocarp can be divided into two distinct regions. The cndocarp is formed by cclls that are elongated in transverse scction. The cpicarp of the inaturc fruit is covered by a thick cuticlc having papillae, while the layer of mcsocarp cclls ncarest the cndocarp bccome sclerotized and togcther with the cclls of the cndocarp form the functional endocarp. Non-articulatcd and ramified laticifcrs, and lignified and non-lignificd fibers wcre observed in the mcsocarp ofthe maturc Imit. Kcy words: follicarium, fruit. dcvelopment, cpicarp, laticifcrs. Apocynaceae sensu lato é unta das maiores famílias de Angiospermas, com cerca de 355 gêneros e 37(X) espécies (Judd et al. 2(X)8), que possuem os mais diversos hábitos, como árvores, arbustos, lianas e poucas ervas. Essa família ó caracterizada por apresentar frutos múltiplos ou simples. Os frutos simples são cápsulas loculicidas, drupoides ou bacoides, que em geral apresentam muitas sementes. Os bacoides são latescentes, carnosos, globosos, clipsoides ou alongados, com cpicarpo esverdeado ou amarclo-esverdeado, de espessura fina, ou atrovilácco, com cavidade cheia de polpa sucoso-gclatinosa, de origem placentar, de sabor adocicado, sendo que imersas nessa polpa estão de uma a numerosas sementes (Barroso et al. 1999). ' l m\ crsíJadc Federal do Recôncavo da Bahia, Centro dc Ciências Agrárias, Ambientais c Biológicas. R. Rui Hartxwa 7 1 0, 443X0-000. Cnu dos Almtiv. HA, llrasil. ' Autor para coircspondcncias: fmartinsfi/ ufrto.cdu.br SciELO/JBRJ 12 13 14 15 16 17 438 Martins. F.M, & Lima, J.F. Apesar da grande importância na taxonomia da família Apocynaceae, poucos trabalhos sobre anatomia do fruto são encontrados na literatura. Para Apocy naceae podem-se citar os trabalhos de Thomas & Dave (1991) com frutos foliculares de Nerium indicum Mill, Thomas & Dave (1994) com frutos foliculares de diferentes espécies de Apocynaceae e Aguiar et al. (2009) que descreveram a ontogenia do pericarpo de Presumia ríedelii (Müll.Arg.)Markg. Além destes destaca-se um trabalho com enfoque ecológico e evolutivo realizado por Gomes (2008) a partir de quatro géneros de Apocynacae. Estudos morfológicos, anatômicos e ontogenéticos dos frutos e sementes de Apocynaceae são de grande relevância para o conhecimento da família no Brasil. Além do valor sistemático, a identificação botânica das sementes e frutos é necessária para trabalhos que envolvem manejo e conservação da fauna e flora silvestre, em estudos ecológicos, arqueológicos, paleobotânicos e investigações sobre sucessão e regeneração (Bravato 1974). Esse trabalho teve como objetivo estudar a ontogenia do fruto de Tetmadenia violacea (Vell.) Miers (Apocynaceae s.l.) visando caracterizar o pericarpo, no intuito de auxiliar os estudos taxonômicos na família. O material de estudo foi coletado em três áreas de cerrado do estado de São Paulo: Reserva Biológica e Estação Experimental de Mogi Guaçu, Estação Ecológica e Experimental de Itirapina e Horto Botânico de Bauru. Material testemunho proveniente de cinco indivíduos foi incorporado ao Herbário UEC: UEC 147871, 147872, 147873, 147874, 147875. Botões florais e frutos de Temnadenia violacea em diferentes estádios de desenvolvimento foram coletados e fixados em FAA 50 (Johansen 1940). Os botões florais foram desidratados em série butílica e incluídos em parafina histológica (Histosec/Merck). Secções seriadas transversais e longitudinais com espessura de aproximadamente 1 0 pm foram obtidas com uso micrótomo rotativo, coradas com safranina alcoólica a 1,5% e azul de astra aquoso a 1 % (Gerlarch 1969) e montadas em resina sintética (Permount/Fisher). Amostras dos frutos foram desidratadas em série etílica e incluídas em glicol-metacrilato (Meira & Martins 2003). As secções transversais e longitudinais foram realizadas em micrótomo rotativo com espessura entre 12 e 20pm e corados com azul de toluidina a 0,05% pH 4.7 (0’Brien et al. 1964). Todas as lâminas foram montadas em resina sintética. A presença de lignina na parede celular das fibras foi evidenciada com floroglucinol acidificado (Johansen 1940). As imagens digitais foram obtidas em microscópio Olympus BX51 com sistema fotográfico digital Olympus E330. A nomenclatura utilizada para descrever as formas dos frutos e sementes está de acordo com Spjut ( 1 994). O ovário de Temnadenia violacea é glabro, supero, bicarpelar e de placentação suturai. Cada carpelo apresenta um único lóculo onde se dispõem vários óvulos inseridos em um tecido placentário (Fig. la). A parede do ovário é composta de epiderme externa, mesofilo ovariano e epiderme interna (Fig. 1 b). A epiderme externa é formada por uma camada de células isodiamétricas, revestida por fina cutícula. O mesofilo ovariano é formado por até 28 camadas de células parenquimáticas poliédricas, laticíferos e cordões de procâmbio. O fruto é um folicário constituído de dois frutículos geminados, cilíndricos, alongados e lenhosos. Os frutículos são glabros, de cor verde escuro quando jovem e castanho-escuro na maturidade, que se abrem por uma fenda longitudinal ventral quando maduros. No estágio jovem, o fruto é constituído por um epicarpo umsseriado com estômatos e recoberto por cutícula fina (Fig. 2a-b). O mesocarpo pode ser dividido em duas regiões distintas, uma voltada para o exterior composta por células pequenas e outra para o interior formada por células grandes. Entre as duas regiões são observados feixes vasculares de maior calibre; entretanto, feixes vasculares menores são observados dispersos por todo o mesocarpo (Fig. 2a). A última camada do mesocarpo, próxima à epiderme interna, é composta por células alongadas (Fig. 2a). Os laticíferos ocorrem por todo o mesocarpo. O endocarpo ( sensu striL to) (Fig. -c-d) é formado por células alongadas em seção longitudinal (Fig. 2d), com citoplasma denso e núcleo evidente. O fruto maduro é formado por um epicarpo eco erto por uma cutícula espessa quando comparado ao estágio jovem (Fig. 3a). No mesocarpo, alterações marcantes podem ser perce idas. Ocorre a formação de fibras ignificadas e não lignificadas e a esclcrificação da ultima camada do mesocarpo (Fig. 3b-d. 4c-d). S , 1 j as distribuídas por todo mesocarpo p° en o inclusive estar associadas aos feixes vascu ares. Os laticíferos estão distribuídos por Rodrigues, a 62(2): 437 - 444 . 2011 SciELO/ JBRJ 13 14 Pericarpo de Temnadenia violacea 439 Figura 1 - Ovário de Temnadenia violacea em secção transversal - a. vista geral dos carpclos e óvulos, b. detalhe da parede do ovário. Ms - mesofilo. Escalas: (a) 50 (im; (b) 20 (im. Figure 1 - Ovary of Temnadenia violacea in cross scction - a. overvicw of carpcls and ovules; b. detail of ovary wall. Ms - mcsophyll. Bar: (a) 50 gm; (b) 20 gm. todo o mesocarpo; são alongados dispostos paralelamente ao eixo longitudinal do fruto; são do tipo não articulados e ramificados, com parede celular espessa (Fig. 4a-b). A camada mais internado mesocarpo esclerificado juntamente com o endocarpo formam, no fruto adulto o endocarpo funcional ( sensu lato). As duas camadas de células esclerificadas que formam o endocarpo funcional possuem orientação distinta das demais células do pericarpo; são alongadas cm seção transversal (Fig. 3c-d). As divergências encontradas entre as diversas classificações dos frutos é um problema gerado pelas inúmeras descrições morfológicas de diferentes autores, que consideram em seus trabalhos os mais variados caracteres, inclusive aspectos ecológicos. O fruto de Temnadenia violacea foi classificado, neste estudo, de acordo com a proposta de Spjut (1994). Segundo esse autor, o termo folicarium refere-se ao fruto derivado de gineceu esquizocárpico, no qual os carpelos são distintamente separados um do outro, onde cada um possui deiscência ao longo de uma única sutura ventral. Esse fruto foi descrito pela primeira vez por Dumortier 1829 (apud Spjut 1994) e possui vários sinônimos, como conceptaculum (Lindlcy 1832), foliculi (Gaertncr 1778), bifollictdus ( Des vau x 1813) e follicula (Machado & Rodrigues 2004). Em Apocynaceae, o fruto esquizocárpico possui ovários unidos pela região dos estiletes e estigmas (Spjut 1994). Em Temnadenia violacea, a ligação entre os frutfculos ocorre pela região do Rodriguésia 62 ( 2 ): 437 - 444 . 201 1 estilete e estigma. Barroso et al. ( 1 999) consideram os frutos dessa família como múltiplos quando originado por apocarpia secundária e simples quando de gineceu sincárpico. Muitas da falta de clareza quando se descreve a morfologia de um fruto ocorre pela falta de estudos anatômicos. Segundo Strohschen (1986) para uma classificação ser bem sucedida é necessário a realização de estudos anatômicos ontogenéticos que consideram a constituição do pericarpo (epicarpo, mesocarpo e endocarpo). Uma variação muito grande ocorre na definição de epicarpo, mesocarpo c endocarpo. Segundo Roth (1977), a maioria dos autores refere- se ao epicarpo c mesocarpo em um sentido amplo, o qual inclui na sua formação, além da epiderme, também as células do tecido subepidérmico do mesocarpo. Em Apocynaceae o epicarpo pode ser unisseriado, como aqui descrito para Temnadenia violacea é unisseriado, assim como em Catharanthus pusillus (Murray) G. Don, Catharanthus roseus (L) G. Don, Alstonia scholaris (L) R.Br., Ichnocarpus frutescens (L) WTaiton c Parsonia spiratis Wall. cx G. Don (Thomas & Davc, 1994); ou multisserido, como em Aganosma caryphyllata G.Don, Holarrhena antidysenteria (L.) Wall. cx A. DC., Vallaris solanacea (Roth) Kuntze, Wrightia lamentosa (Roxb.) Roem. & Schult. Wrightia tinctoria R.Br. e Strophantus wallichii A.DC. (Thomas & Dave 1994). As fibras não lignificadas presentes no mesocarpo do fruto foram evidenciadas em Aganosma SciELO/JBRJ 1 2 13 14 15 16 17 lí 440 Martins. F.M. & Lima. J.F. Figura 2 - Fruto jovem de Temnadenia violacea em secção transversal (a, b, c) e longitudinal (d) - a vista ueral do pericarpo; b. epicarpo com cutícula fina e laticíferos distribuídos pelo mesocarpo; c. endocarpo e porção interna do mesocarpo; d. detalhe do endocarpo. Ep - epicarpo; M - mesocaipo, FV - feixe vascular, En - endocarpo- seta - laticifero' cabeça de seta - estômato. Escalas: (a) 100 pm; (b, d) 50 pm. ’ L ’ Figure 2 - Young fruit of Temnadenia violacea in transvcrsc (a, b, c) and longitudinal (d) seclion - a overv r h • wilh thin cuticle and laticifcrs distributcd ovcr thc mesocarp; c. endocarn and inncr nortinn n f th» ° e pencarp, b. cpiearp - cpiearp: M - mesocarp, FV - vascu.ar bundle; En - core; arrow .lifer; EP Rodríguè sia 62(2): 437-444. 201 1 SciELO/JBRJ 13 14 15 16 17 18 cm .. Figura 3 - Fruto maduro dc Temnadenia violacea em secção transversal (a, b, d) e longitudinal (c) a. cpicarpo com cutícula espessa, mesocarpo e laticíferos; b. endocaipo funcional e porção interna do mesocaipo; c. detalhe do endocarpo funcional e porção interna do mesocarpo; d. endocarpo funcional evidenciando as duas camadas dc células escleri ficadas. Ep - epicarpo; EF — endocarpo funcional. Escalas: (a, b, c) 50 pm, (d) 20 pm. Figure 3 - Mature fruit of Temnadenia violacea in transverse (a, b, d) and longitudinal (c) scction - a. cpicarp wilh thick cuticlc, mcsocarp and laticifcrs; b. functional cndocarp and inner portion of lhe mcsocarp; c. detail of functional cndocarp and inncr portion ofthc mcsocarp; d. cndocarp showing thc two functional laycrs of sclcrificd cclls. Ep - cpicarp; arrow - laticifcr. Bar: (a, b, c) 50 pm; (d) 20 pm. Rodriguésia 62 ( 2 ): 437 - 444 . 2011 SciELO/JBRJ 2 13 14 15 cm .. Figura 4 - Fruto maduro de Temnadenia violacea em secção transversal (b, c, d) e longitudinal (a) - a. laticífero ramificado; b. laticífero evidenciando secreção com aspecto granuloso; c. fibras lignificadas no fruto maduro; d. fibras não lignificadas no fruto maduro. Lt- laticífero; FL- fibras lignificadas; FNL- fibras não lignificadas. Escalas: (a) 30 pm; (b) 1 5 um; (c, d) 50 pm. Figure 4 - Mature fruit of Temnadenia violacea in transverse (d, c, d) and longitudinal (a) seclion - a. branched lalicifcr; b. laticiler showing sccrction with a granular aspcct; c. lignificd fibers in the ripe fruit; d. non lignilied tibers in mature fruils. Lt - laticifcr FL lienili -d fih -rs- FNL - non lignificd fibers. Bar: (a) 30 pm; (b) 15 pm: (c, d) 50 pm. Rodriguésia 62(2): 437-444. 201 1 SciELO/JBRJ. 13 14 15 cm .. Pericarpo de Temnadenia violacea caryphyllcita, Holarrhena antidysenteria, Ichnocarpus frutescens, Parsonia spiralis, Strophantus wcillichii, Vallaris solanacea , VV. tomentosa e W. tinctoria (Thomas & Dave 1994), Mesechites mansoana (A.DC.) Woodson e Pretonia coalita (Vell.) Woodson (Gomes 2008). A ausência de lignina nessas fibras pode estar relacionada com a grande flexibilidade que o fruto possui e para facilitar a sua deiscência (Aguiar et al. 2009). A presença de fibras não lignificadas foi apontada por Gomes (2008) como tendo função de reserva comparando com a função de reserva descrita por Machado & Rodrigues (2004) para fibras septadas não lignificadas. Fibras esclerenquimáticas no mesocarpo c associadas aos feixes vasculares estão relacionadas com a função de sustentação e proteção. Segundo Roth (1977), a função do esclerênquima é servir como tecido de sustentação e para proteger as sementes de injúrias. Os laticíferos ocorrem em 22 famílias de angiospermas entre elas Apocynaceac (Metcalfe & Chalk 1983), sendo uma estrutura constante na família e presente em órgãos vcgetativos e reprodutivos (Wilson & Mahlberg 1978, Thomas & Davi 1 994, Rio etal. 2005, Valente & Costa 2005). Muitas dessas famílias não apresentam relações taxonômicas, o que sugere que a capacidade de produzir látex surgiu mais de uma vez ao longo da evolução desses grupos (Fahn 1979). Existe grande divergência quanto ao tipo e desenvolvimento dos laticíferos. Demarco et al. (2006), após análise cuidadosa, afirmaram que os laticíferos d e Aspidosperma australe Müll.Arg. e Blepharodon bicuspidatum E. Fourn. são articulados. Segundo eles, esse tipo de laticífcro tem rápida dissolução da parede terminal, o que pode levar a conclusões equivocadas. Um exemplo desse problema ocorre na divergência entre Mahlberg (1961) e Milanez (1977) em relação ao laticíferos de Neriitm oleander L. O primeiro autor afirma que eles são do tipo articulados, o segundo afirma ser do tipo não-articulado. Há casos onde laticíferos articulados e não-articulados podem ocorrer na mesma espécie, tal como em Stapelia bella L. (Wilson & Maxam 1987). O estudo dos laticíferos em órgãos adultos não possibilita determinar sua origem e por isso é necessário que esse tipo de investigação seja realizado cm regiões meristemáticas. A anatomia do fruto de Tenmadenia violacea demonstrou possuir características comuns a outras espécies de Apocynaceae. A ontogenia do endocarpo funcional evidenciou a ocorrência de Rodriguésia 62(2): 437-444. 201 1 443 duas camadas de células, assim como ocorre em outros frutos do tipo folicário nessa família. A presença de fibras lignificadas e não lignificadas pode indicar a forma de abertura do fruto, principalmente se for levado em consideração sua orientação no mesocarpo. Apesar de um número relativamente grande de espécies de Apocynaceae já ter sido estudado anatomicamente, os trabalhos que descrevem a anatomia do fruto ainda são reduzidos. É necessário que novos trabalhos sejam realizados, principalmente para verificar se as novas proposições taxonômicas podem ser sustentadas por caracteres. Além disso, o estudo anatômico poderá contribuir para o esclarecimento de espécie com posicionamento incerto. Agradecimentos Ao Prof. Dr. André Olmos Simões da Universidade de São Paulo, a determinação do material botânico. Referências Aguiar, S.; Carmello-Guerreiro S.M. & Kinoshita L.S. 2(X)9. Ontogenia e estrutura do pericarpo de Prestonia riedelii (Müll.Arg.) Markgr. (Apocynaceae). Acta Botanica Brasílica 23: 729-737. Barroso, G.M.; Morim, M.P.; Peixoto, A.L. & Ichaso, C.L.F. 1 999. Frutos e sementes: morfologia aplicada à sistemática de dicotiledôncas. Imprensa Universitária, Viçosa. 443p. Bravato, M. 1974. 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Os manuscritos submetidos a Rodriguesia devem exceder o enfoque essencialmente descritivo, evidenciando sua relevância interpretativa relacionada à morfologia, ecologia, evolução ou conservação. Estimula-se que isso seja feito através de uma seç Discussão ou Conclusão. Artigos de revisão ou de opinião poderão ser aceitos mediante demanda voluntária ou a pedido do corpo editorial. Os manuscritos deverão ser preparados em Português, Inglês ou Espanhol. Ressalta-se que os manuscritos enviados em Lingua Inglesa terão pnoridade de publicação. , . 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Envio de Manuscritos , . . O endereço para o site de submissão eletrônica é! http!/ /rodriguesia-seer.jbrj.gov. r/in ex.p p r ngu Para consulta à integra de nossas normas de publicação os autores interessados devem acessar o endereço! http://rodriguesia.jbd.gov.br ,nSt ™rulpts A ^ tt "ed to Rodriguesia must go beyond the pure descriptive approach. revealing interpretation related to morpholc^ ecology or conservation. Such interpretation is expected to appear under a separate section (Discuss.on or Conclusion). Articles that contain only nomenclatural approach will not be accepted. , . ,v „. .ij Opinion or review articles may be accepted through voluntary demand or at the request of the editonal board. Manuscripts should be prepared in Portuguese, English or Spanish. Manuscripts submitted in English will be given P ° P resu 1ts or ideas presented The Rodriguésia accepts manuscripts provided that all authors have approved the manuscnp. submitted, the resul^or ideas p in the manuscript are original! the manuscript has not been submitted ,o another Journal unless tf. manuscnp. te Other Journal or the author asks that o.her joumal to withdraw the manuscript from the submission^ prepared in agreemen. with the lates. version of the Guide.ines for Publication in Rodriguésia.^ ^ ^tbtte Parts) cannot be published elsewhere, excep. with the consen. of the Editor-in-chief. The reproduction and proper t«e in Rodriguésia can no. receive any profi. and must have educational purpose. Any odrer cases mus. be exammed by the Editor chief. 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RéS,lttrid« ,u. lo. on*d» «" ^ " ” ^h„,»odo, o ideas presentadas en el manuscrito sean originales, el manuscnto envi y , i os au tores solicitando SU publicación haya sido rechazada por la revista Rcxlriguésia ^ versión de las Normas para ser retirada dei proceso de evaluación! el manuscnto haya sido P P ^ ^ ^ ^ hayan s|do publicados en otro Publicación de Rodriguésia! si es aceptado para P“ bl ' c J* n ^ ‘ , J, iado de , os articulo s publicados en Rodriguésia lugar, a no ser con el consentimiento dei Jefe Editorial, su reproducc y P ^ a nalizado por el Jefe Editorial! el no presentan fines económicos y tienen un propósito educacional, cuaq . contenido cientifico, gramatical y ortográfico de un artículo es en su totalida responsa Preparaclón dei Manuscrito h „nV /rod ri q uesia-seer.jbrj.gov.br/lndex.ph P /rodriguesla La dirección para el sitio de envio electrónico es. http. //roa g _ , , , .. _ . , .Uririn In, autores interesados deben visitar la dirección! http://rodriguesla.jbrj.gov.br Para la consulta de nuestras directnces de publicación, los autores in SciELO/JBRJ 1 2 13 14 15 16 17 18 SUMÂRIO/CONTENTS Artigos Originais / Original Papers Fungos conldlals do bioma Caatinga II. Novos registros para o continente americano, Neotrópico, América do Sul e Brasil / 229 Conldlal fungl ot Caatinga biome II New records for American continent, Neotropics, South America and Brazil Tas. iatui ilos S.inlos Santa Izaluri. Dalila Souza Santos, Dasl Auijuslo Canwiro da Almeida X Lula Fernando Paschulati Gusmão Madeiras históricas do barroco mineiro: interfaces entre o património cultural material e a anatomia da madeira / Historical timbers 2-1 1 Irom Baroque period of the State of Minas Gerais, Brazil: interfaces between material and cultural heritage and wood anatomy I ernando Aitdreutti A Joáo Cario» Imvira de Melo Junior Estruturas secretoras de Pavonla a In i foi ia (Malvaceae), uma espécie ameaçada de extinçáo / Secretory structures 253 In Pavonia dlnifolia (Malvaceael, an endangered species of extinction Kafael Kilieiro Pimeutel. Silvia Kodri<{ue» Machado & Jtm íldo I ruiu ist o Kochu Morfologia de sementes e de estádios iniciais de plântulas de espécies de Bromeliaceae da Amazônia / Seed morphology and early 2t*3 seedlíng stages in Bromeliaceae from the Amazon Ivoii# Vi«*ira Silva A Vera l.m ia Scaleua Ecophysiological aspects of the seed and seedling of Raulinoa echinata (Rutaceaej, a species endemic to the riparian forests 2/3 of lta|aí valley, SC, Brazil / Aspectos ecofisiolôgicos da semente e da plántula de Raulinoa echinata fRutaceae/, espécie endémica da vegetação ciliar do vale do Itajai, SC, Brasil Adriano Aiilotiio Durott i A Maria lerv/inha Silveira Paiililo O género Inga (l.cguminosde--Mimosoidcae) na Província Petrolífera de llrucu, Coari, Amazonas, Brasil / The genus Inga 203 II egumlnosae-Mimosoldeae) ln the Urucu Petroleum Province. Coari. Amazonas. Brazil Júlio do» Santo» de Sousa, Maria d « Na/are do C armo Ba»to» A I ly Stinonc C ajueiro Guryel Ulmaceae, Cannabaceae e Urticaceae das restingas do estado do Rio de janeiro / Ulmaceae, Cannabaceae and Urticaceae 2<9Q of restingas of the State of Rio de janeiro I eamlro ( urduto Pederneira». Andréa I errelra da Costa. Dorothy Sue Dtmn de Jor«,e Pedro Pereira Carauta Iwo new species of Anlhurium sect. Urospadix (Araceae) for Brazil / Duas novas espécies de Anthurium sect. Urospadix Engl 319 lArdceaei para o Brasil I iv ia Godinho lemponi A Marcu» A. N.idm/ Coelho Composição, estrutura e similaridade florfstica da Floresta Atlântica, na Serra Negra, Rio Preto - MG / Composition, structure 321 and florlstlc similarlty of Atlantic Forest, Serra Negra, Rio Preto - MG Arlhiu s»r.|lu M.I.U.U Valrnltt. Huulu Ovwaldo Gania. I llinu Ktyltta Salitm-tia * Aiy Trbteira .!«■ Olivtrira-i tllio Floristlcs and llfe-forms along a topographic gradient, central-western Ceará, Brazil / Florlstica e formas de vida ao longo 341 de um gradiente topográfico no centro-oeste do estado do Ceará, Brasil I r.uu I» ,. W« d* Araufu, Ruiu. I C urvullm da lovta. Jar ira Katurlo I ima, Sandra T nrita» .la Vav. ..... rriov. U< lana t W Girão. Meliss* Souza Sobrinho. Moniatu. Maria Anai,|u Hnu», Sarai. W.I («mus .la V»ua. Izlvm, Paula Nunuv Maria Ai.priira I HpiairaS,. Lula WiLv», li.rur-Var.la X Maria Ira. aura Hazerra I oirrlu Estrutura do estrato herbáceo de uma restinga arbustiva aberta na APA de Massambaba. Rio de laneiro, Brasil / Herb layer 30 ? structure of an open scrub restinga in the Massambaba Envtronmental Protection Area, Rio de (aneiro, Brazil Dauiele Andrade de < urvalho A ( yl Fariiey CftUriiU) de Sá Physlognomy and structure of a seasonal deciduous forest on the Iblapaba plateau, Ceará, Brazil / Fisionomia e estrutura 3/9 de uma floresta estacionai decídua no planalto da Iblapaba, Ceará, Brasil J.u ira Halurlu I una. Kvrar.lo VaUi.lar».